Ler Lamba-me se puder – Capítulo 282 – Extra 56 Online

Sugar Baby
— Obrigado, Grayson. Ficou muito bom.
Koy ia apenas elogiá-lo e deixar por isso, quando Grayson estendeu um garfo em sua direção.
— Tem que comer agora, papai.
Koy ficou surpreso por um instante, mas logo entendeu. Ele deve querer ouvir o que eu achei, já que se esforçou tanto.
— Está bem, vou provar.
Sorrindo, Koy levou um pedaço do bolo à boca. Enquanto mastigava devagar, Grayson o observava atentamente.
— E aí? Tá gostoso?
Percebendo a expectativa no rosto do filho, Koy assentiu.
— Tá gostoso…
Na verdade, ele quase não conseguia sentir o sabor. Talvez Grayson não acreditasse nisso. É compreensível. Para uma criança, deve ser difícil entender.
— E o cheiro, tá bom?
Mas havia algo estranho na textura. Era como mastigar areia; pequenos grãos ásperos se espalhavam por toda a sua boca, fazendo-o franzir levemente a testa, confuso.
O que é isso…?
No instante em que ia pegar um copo d’água, uma sensação ardente atravessou sua garganta, como se estivesse queimando por dentro. Ao mesmo tempo, o pó que se espalhara em sua boca começou a borbulhar, e uma espuma escorreu pelo canto de seus lábios.
— G… Grayson…
Tossindo, Koy chamou o nome do filho.
— O que… o que você colocou nesse bolo…?
Pálido, ele olhou para o menino. Grayson, porém, parecia interessado em algo completamente diferente.
— Então era verdade… O papai realmente não sente cheiro nem gosto. Que interessante.
— Cof… cof…!
A tosse de Koy ficou ainda mais violenta. Junto com o engasgo, uma dor ardente queimou sua garganta e o esôfago. Enquanto ele sofria, Grayson e Stacey apenas o observavam com curiosidade. Com os olhos brilhando de interesse, Grayson perguntou:
— Papai… você consegue comer coisas estragadas também?
Seu rosto estava iluminado por um sorriso curioso. Naquele instante, ao encarar a expressão do filho, um frio mortal percorreu a espinha de Koy. De repente, alguém atingiu Grayson com um tapa violento. O pequeno corpo rolou pelo chão. Koy arregalou os olhos, assustado, mas não teve sequer tempo para correr até o filho.
— Koy! Koy! Seu desgraçado…!
A fúria de Ashley explodiu por completo. Gritando um palavrão para o menino, ele acertou outro tapa no rosto de Grayson. A bochecha da criança inchou imediatamente, ficando vermelha, mas Ashley não parou. Tomado pela raiva, ele agarrou o pescoço do garoto e começou a apertá-lo. No instante em que Grayson se debatia, sem conseguir respirar…
…suas orelhas se moveram.
Ashley congelou. Como se tivesse percebido a hesitação do pai, as orelhas do menino voltaram a se mexer, desta vez com ainda mais intensidade, como se gritassem desesperadamente por socorro. Toda a força escapou da mão de Ashley. Um suspiro descrente deixou seus lábios. Ele apenas ficou olhando Grayson tossir e recuperar o ar por alguns instantes, até que finalmente se lembrou de Koy. Assustado, virou-se imediatamente.
— Koy!
Koy já parecia estar perdendo a consciência. Seu corpo tremia de forma intermitente enquanto tentava respirar. Ao vê-lo naquele estado, Ashley empalideceu.
— Koy! Fica acordado! Abra os olhos! Koy!
Não havia um segundo a perder. Ashley ergueu Koy nos braços e saiu correndo com toda a velocidade que conseguiu. Naquele momento, ele não enxergava mais nada ao seu redor. Sua mente estava completamente tomada por uma única pessoa.
Koy.
E tudo o que Ashley pôde fazer foi correr desesperadamente. Assim que Ashley desapareceu pelo corredor carregando Koy nos braços, gritando aos empregados e pedindo ajuda, ouviu-se o som do helicóptero decolando às pressas rumo ao hospital.
Grayson permaneceu sentado no chão, esfregando a bochecha ardendo de dor. Quando o barulho das hélices desapareceu por completo, ele virou a cabeça. À sua frente estava alguém de quem havia até se esquecido.
Nathaniel.
Desde o momento em que entrara ali com Koy, Nathaniel não dissera uma única palavra. Apenas observara tudo o que os irmãos faziam. Durante todo o tempo permaneceu encostado na parede, imóvel. Quando seus olhos encontraram os de Grayson, só então ele abriu a boca, com a habitual expressão fria.
— Que idiota… Esse tipo de coisa era para ficar só nos seus pensamentos.
Com um olhar carregado de desprezo, Nathaniel fitou o irmão mais novo, que ainda permanecia sentado no chão. Em seguida, virou as costas e foi embora.
***
— Felizmente, não há nada de grave. Basta repousar e, por alguns dias, alimentar-se apenas de coisas leves, como sopa, para que o estômago se recupere logo.
Só depois de ouvir as palavras do médico Ashley conseguiu relaxar um pouco os ombros. Mesmo assim, seu rosto continuava completamente pálido. Sem desviar os olhos de Koy, perguntou:
— Quando ele acordar… vai sentir muita dor? Antes ele parecia estar sofrendo tanto…
— É claro que algum desconforto haverá. Ainda assim, depois de dormir profundamente, deverá melhorar bastante. Aplicamos um sedativo, então não precisa se preocupar. Se permanecesse acordado, sofreria muito mais…
Quando a equipe médica saiu e os dois finalmente ficaram sozinhos no quarto, Ashley soltou um longo suspiro e afundou na cadeira ao lado da cama. Só de recordar o que acontecera, sentia o peito ser tomado pelo medo. Era para ter sido apenas mais um dia comum de trabalho. Mas, ao voltar para casa, deparou-se com aquela cena.
O choque fora tão grande que, por um instante, sua mente ficou completamente em branco. Apesar de haver três crianças presentes, nenhuma delas sequer tentou ajudar Koy enquanto ele agonizava.
Pensando com calma, Grayson era, sem dúvida, o maior responsável por tudo aquilo. Mas Nathaniel, que permaneceu observando tudo sem fazer absolutamente nada, também não era diferente. Talvez…
Talvez ele já tivesse previsto exatamente o que iria acontecer.
‘A única pessoa que trata Koy como se ele fosse sua própria vida… sou eu.’
Foi então que um pensamento nada agradável lhe ocorreu. Na verdade, Ashley também não demonstrava muito interesse pelos filhos. A única pessoa que amava Ashley e as crianças de todo o coração era Koy.
‘Preciso tomar uma decisão.’
Até agora ele vinha deixando as coisas passarem, pensando nos sentimentos de Koy, mas não podia continuar assim. Se não agisse imediatamente, não havia como saber o que aconteceria da próxima vez.
Isso não significava que pretendesse abandonar os filhos. Afinal, Ashley também era responsável por tê-los colocado no mundo, e não queria tratá-los da mesma forma que seu próprio pai o tratara. Por isso, estava decidido a fazer o seu melhor à sua maneira. Mesmo que fosse diferente da maneira de Koy.
Só havia uma opção. Depois de tomar sua decisão, Ashley permaneceu esperando Koy despertar. Sem sair do lugar nem por um instante, passou a noite inteira sentado ao lado da cama.
***
Depois de receber a medicação e dormir profundamente, Koy abriu os olhos apenas no fim da manhã do dia seguinte. Ainda com a visão embaçada, ficou olhando distraidamente para o homem à sua frente. Então, bem devagar, um sorriso surgiu em seus lábios.
— Ash…
— Koy…
Como se finalmente conseguisse respirar depois de muito tempo sufocado, Ashley pronunciou seu nome com dificuldade. Logo em seguida, cobriu o rosto com as duas mãos.
— Ainda bem… Você acordou… Ainda bem…
— Ash…
Ao ouvir a voz trêmula dele, Koy sentiu uma pontada de culpa e ergueu a mão.
— Me desculpa, Ash… Por ter te preocupado.
— Por que você está pedindo desculpas? Você não fez nada de errado.
A resposta veio em um tom cortante. Koy se encolheu e recolheu a mão. Antes que ele pudesse afastá-la completamente, Ashley a segurou e a encostou na própria bochecha. Soltando mais um suspiro profundo, murmurou:
— Meu Deus… Eu achei que fosse te perder…
— Está tudo bem, Ash… Eu estou bem.
Por reflexo, Koy quase voltou a pedir desculpas. Mas conseguiu engolir as palavras a tempo e, em vez disso, limitou-se a dizer que estava bem.
— Ainda bem que isso aconteceu justamente na hora em que você estava voltando do trabalho. As crianças ainda são pequenas, então não entendem direito as coisas…
— Não entendem? Aqueles malditos? Koy… Você está falando sério?
Koy tentou minimizar o ocorrido, como se tivesse sido apenas um acidente. Mas, ao ouvir a resposta ríspida de Ashley, encolheu os ombros outra vez.
— Não… É que foi só um acidente…
— Connor Niles.
De repente, Ashley o chamou pelo nome completo. Koy arregalou os olhos, assustado. Rangendo os dentes, Ashley falou em voz baixa, porém carregada de fúria:
— Não tente esconder nada de mim. Conte-me a verdade. Conte tudo, do começo até o fim. Não deixe escapar um único detalhe. Quero saber exatamente o que aconteceu.
Ele fez uma breve pausa antes de continuar:
— Se você não me contar tudo como realmente aconteceu… eu vou resolver isso do meu jeito. Entendeu?
Pela primeira vez em muito tempo… Koy sentiu medo de Ashley. Era extremamente raro vê-lo tão furioso. Na verdade, talvez fosse a primeira vez. Diante daquele Ashley consumido pela raiva, Koy sentiu o medo crescer naturalmente dentro de si.
Se fosse capaz de sentir cheiros, talvez já tivesse desabado em lágrimas de tanto medo. O quarto do hospital estava impregnado pelos feromônios carregados de fúria de Ashley. E, mesmo incapaz de senti-los, Koy percebeu instintivamente os pelos do próprio corpo se arrepiarem.
°
°
Continua….
Tradução: Ana Luiza
Revisão: Thaís
Ler Lamba-me se puder Yaoi Mangá Online
Em breve será disponibilizado uma sinopse!
Nome alternativo: Kiss Me If You Can