Ler Lamba-me se puder – Capítulo 280 – Extra 54 Online

Sugar Baby
— Nathaniel, bem-vindo. Diga olá. Esta é a minha amiga, Ariel.
Nathaniel, que havia parado no corredor, fixou o olhar em Ariel, que podia ser vista atrás de Koy. No instante em que seus olhos se encontraram, Ariel estremeceu.
Será que uma criança de apenas dez anos pode ter um olhar assim?
Os cabelos platinados, quase prateados, e os olhos violetas eram iguais aos dos outros irmãos. Ainda assim, por algum motivo, Ariel sentiu um arrepio.
— Olá. Eu sou Nathaniel Miller.
O menino cumprimentou Ariel com toda a educação. Seu rosto era tão bonito como o de uma boneca de porcelana, mas em seus olhos, frios como vidro, não havia qualquer emoção. Ao observar aquele semblante impassível, que não demonstrava nem curiosidade nem cautela diante de alguém que acabara de conhecer, um pensamento surgiu na mente de Ariel.
Como será que ele reagiria se soubesse que eu estive ao lado do Koy durante toda a gravidez dele?
Logo em seguida, ela sorriu de si mesma.
Provavelmente… não reagiria de jeito nenhum.
Pouco depois, Nathaniel se retirou. Voltando a sentar-se, Koy comentou com um leve rubor nas bochechas:
— Ele é um pouco fechado. Quase não fala.
— Dá para perceber.
Ariel cruzou os braços, pensativa. Ao notar sua reação, Koy inclinou a cabeça, curioso. Ariel então descruzou os braços e disse:
— Na minha opinião, o Nathaniel puxou o avô.
— Sério? Por quê?
Koy arregalou os olhos, surpreso.
— Você está dizendo que ele se parece com Dominique Miller, o pai do Ashley?
— Você chegou a conhecê-lo?
— Ele foi na escola uma vez, quando eu namorava o Ash.
Ariel assentiu tranquilamente e torceu os lábios em um sorriso irônico.
— Ele olhou para mim como se eu fosse um inseto incômodo.
— Para você? Mas por quê?
Era um absurdo.
Existe mesmo alguém que olharia para a Ariel desse jeito?
Ignorando completamente o espanto de Koy, Ariel deu de ombros com um tom indiferente.
— Sei lá. Talvez ele tenha achado que eu não era boa o bastante para o grande Ashley Miller.
— Isso não é verdade! Quer dizer… o que eu quis dizer é…
Koy negou por impulso, mas logo se corrigiu às pressas.
— Vocês dois formavam um casal muito bonito. Todo mundo dizia isso… e eu também achava.
— Está tudo bem, Koy. Isso já ficou no passado. Eu não me importo mais.
Como sempre, Ariel deixou o passado para trás com frieza. Mesmo assim, Koy ficou um pouco abatido. Embora fosse o pai do homem que amava, ouvir que seu filho se parecia com alguém havia desprezado uma amiga tão importante para ele não era nada agradável.
— Em que ele se parece com aquele homem?
Diante da pergunta de Koy, Ariel inclinou levemente a cabeça e respondeu de forma vaga:
— É mais uma questão de impressão.
— Da personalidade?
Depois de pensar um pouco, Koy comentou o que já havia ouvido antes.
— O Ash disse que quem se parece com o pai dele é o Grayson, não o Nathaniel.
— O Grayson… bem, talvez na aparência seja mesmo…
Ariel fitou um ponto qualquer, como se estivesse tentando recordar, e logo sorriu com naturalidade.
— Cada pessoa acaba tendo uma impressão diferente, não é? Além disso, eu só o vi uma vez. Se o Ash, que convive com eles todos os dias, disse isso, então deve ser verdade. E o pai dele eu também só encontrei uma única vez.
A conversa logo mudou de assunto. Koy deixou a questão de lado e passou a conversar com Ariel sobre coisas do dia a dia. Enquanto ouviam as histórias das férias que ela passara com Bill, do jantar em que Bill foi apresentado aos seus pais e de outros acontecimentos, o tempo voou.
— Hoje foi muito divertido, Koy.
Ao ouvi-la se despedir na entrada da mansão, Koy respondeu com o rosto iluminado por um sorriso.
— Obrigado por ter vindo, Ariel, ainda mais de tão longe.
— Valeu a pena. Fiquei feliz por finalmente conhecer as crianças.
Ariel sorriu e acenou com a mão, como se dissesse que não tinha sido incômodo algum. Triste por se despedir de uma amiga tão preciosa, Koy acabou fazendo uma expressão meio manhosa. Ao vê-lo assim, Ariel o abraçou com carinho e deu leves tapinhas em suas costas.
— No mês que vem o Bill vem para cá. Vou convidar vocês para jantar, então venha com aquele filho da puta, está bem?
— Com certeza!
Koy respondeu com firmeza antes de abraçá-la de volta. Ele permaneceu parado, observando o carro se afastar, e só voltou para dentro da mansão quando ele desapareceu completamente de vista.
Diferente do habitual, um silêncio estranho tomava conta da casa. Foi então que Koy percebeu, mais uma vez, o tamanho do vazio que a partida da amiga deixava, então subiu as escadas. As crianças não estavam à vista, mas ele não ficou muito preocupado.
Devem estar brincando em algum lugar…
Foi exatamente quando pensou isso que—
— Buaaah… buááá…
De repente, um choro cheio triste chegou aos seus ouvidos. Era um som muito baixo, mas inconfundível. Assustado, Koy começou a procurar de onde vinha esse som.
Encontrar a origem daquele choro dentro da enorme mansão não era tarefa fácil. Quando finalmente encontrou a criança, ela já estava ofegante, quase sem fôlego.
— Chase!
Koy correu até o quarto filho, que estava deitado no chão ao pé da escada, chorando. O menino havia chorado tanto que o rosto estava completamente coberto de lágrimas, nariz escorrendo e saliva, numa verdadeira bagunça.
— Chase, você está bem? O que aconteceu? Você caiu?
Perguntou enquanto o pegava no colo e tentava acalmá-lo. Chase enterrou o rosto no peito de Koy e balançou a cabeça em negativa. Ele parecia tentar dizer alguma coisa entre os soluços, mas o choro era tão intenso que Koy não conseguia entender uma única palavra. Achando melhor deixá-lo chorar à vontade primeiro, Koy deu tapinhas em suas costas e o levou para o quarto.
— Está tudo bem, Chase… Está tudo bem…
Era tudo o que Koy conseguia repetir. Depois de chorar por um longo tempo, Chase acabou adormecendo de tanto cansaço.
O que será que aconteceu…?
Depois de deitar Chase na cama e dar um beijo em sua testa, Koy saiu do quarto com cuidado e mergulhou em pensamentos.
Será que ele estava andando sozinho e acabou tropeçando? Mesmo assim… ele chorou tanto…
O maior problema, acima de tudo, era que, embora tudo indicasse que a criança havia caído da escada, não havia ninguém por perto.
E se ele tivesse se machucado gravemente? O que teria acontecido?
Só de imaginar aquela possibilidade, um arrepio percorreu suas costas.
Preciso falar com o mordomo. Tem que haver pelo menos um funcionário de olho nas crianças o tempo todo. Nunca se sabe quando alguma coisa pode acontecer…
Enquanto refletia seriamente sobre isso, viu o filho mais velho caminhando pelo corredor.
— Nathaniel!
Ele chamou seu nome com entusiasmo. Nathaniel, que estava prestes a entrar em seu quarto, parou e se virou para olhar para o pai. Koy apressou o passo até ele.
— Está ocupado? Posso falar com você por um instante?
Em vez de responder, Nathaniel apenas permaneceu parado, observando Koy. Embora fosse o filho com quem ele passara mais tempo, Koy achava difícil lidar com ele. Nathaniel quase nunca falava além do estritamente necessário e, sempre que Koy tentava puxar conversa, tudo o que recebia eram respostas curtas como “sim” ou “não”. Depois de algumas tentativas, Koy acabava desistindo.
Mas desta vez é importante…
Reprimindo o constrangimento, Koy finalmente perguntou:
— Encontrei o Chase chorando no pé da escada… Você, por acaso, sabe o que aconteceu?
Ao ouvir a pergunta, Nathaniel levou a mão ao queixo, como se estivesse pensando.
— Eu não vi o que aconteceu, mas…
— Mas…?
Ele respondeu com sua voz fria característica:
— Os gêmeos devem saber.
— A Stacey e o Grayson? Como assim?
Koy ficou intrigado, mas, em vez de responder, Nathaniel apenas o encarou fixamente.
Por que ele não me conta?
— Se for porque acha que eu vou brigar com eles…
— Não pensei nisso.
Nathaniel descartou a preocupação de Koy de imediato e acrescentou, em seu tom monótono:
— Ultimamente, os gêmeos parecem ter desenvolvido interesse em “brincar” com Chase. Foi apenas uma suposição.
Mesmo Koy, que costumava ser distraído, percebeu que houve uma breve e desagradável pausa antes da palavra “brincar”. No entanto, Nathaniel não tinha a intenção de explicar o que estava prestes a dizer. Talvez simplesmente achasse aquilo um incômodo.
— …Entendi. Obrigado.
Sem outra opção, Koy decidiu encerrar a conversa. Estava prestes a ir embora quando, de repente, Nathaniel o chamou.
— O senhor sabe onde os gêmeos estão?
— Hã?
Surpreso com a pergunta inesperada, Koy se virou. Com o rosto completamente inexpressivo, Nathaniel olhou para ele e disse:
— Eu o levo até eles.
— Ah… certo…
Ainda um pouco confuso, Koy assentiu.
Ele poderia simplesmente ter dito onde eles estão…
°
°
Continua….
Tradução: Ana Luiza
Revisão: Thaís
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Em breve será disponibilizado uma sinopse!
Nome alternativo: Kiss Me If You Can