Ler Lamba-me se puder – Capítulo 279 – Extra 53 Online


Modo Claro

Sugar Baby

 

— Uau…

Ariel deixou escapar uma breve exclamação de admiração enquanto observava o ambiente ao redor. A sala de chá estava repleta de pequenos enfeites delicados, lembrando mais um quarto de brinquedos do que uma sala de recepção. Não era muito grande, mas justamente por isso transmitia uma sensação acolhedora. Sobre a mesa de mármore, ao lado do difusor de aromas, havia bonecos de vários tamanhos dispostos de maneira aparentemente casual, embora harmoniosa. O sofá de design simples e elegante era revestido de couro com um brilho suave, e sobre uma bandeja de prata havia uma generosa quantidade de chocolates e balas.

A luz do sol que entrava por uma enorme janela que ocupava toda uma parede banhava a sala, fazendo o ambiente parecer quase uma estufa. Nas outras três paredes, quadros de diferentes tamanhos exibiam paisagens em tons suaves, transmitindo uma agradável sensação de tranquilidade.

‘Esse definitivamente não é o gosto daquele filho da puta do Ash.’

— Senta aqui.

Koy puxou uma cadeira para Ariel e sorriu alegremente.

— Este é o meu cômodo favorito da casa.

‘Era óbvio.’

Só então Ariel sorriu de volta e sentou-se onde Koy havia indicado. Depois de confirmar que ela estava confortável, Koy continuou:

— Espera só um pouquinho. Já vão trazer o chá. E daqui a pouco as crianças vêm te cumprimen…

Antes que pudesse terminar a frase, ouviram um leve toc, toc na porta. Pelo som leve, Koy virou imediatamente a cabeça e abriu um largo sorriso.

— Acho que são as crianças.

Como se já estivesse acostumado com aquilo, caminhou até a porta sem hesitar. Assim que a abriu, voltou-se para Ariel com um sorriso ainda mais radiante.

— O Grayson veio dar um oi.

Koy deu um passo para trás e o corpinho pequeno da criança apareceu. Ariel piscou os olhos e logo sorriu, estendendo a mão para a criança.

— Olá, Grayson. Eu sou a Ariel.

— Olá.

A criança, que agora tinha oito anos, parecia muito maior do que outras da mesma idade. Com os olhos brilhando de curiosidade, Grayson olhava para Ariel. Atrás dele, Koy os apresentou:

— Esse é o irmão gêmeo da sua afilhada Stacey. O Bill aceitou ser o padrinho do Grayson.

— Isso eu sei. Eu sou a madrinha da Stacey.

Ao cumprimentá-lo gentilmente, Grayson apenas inclinou a cabeça para o lado e ficou olhando fixamente para Ariel.

— …

De repente, Ariel sentiu uma estranha sensação de desconforto.

‘O que foi isso?’

Ainda piscava, confusa, quando percebeu o motivo. No instante em que deixou escapar um discreto “ah”, Grayson deu um passo para trás, virou-se e saiu correndo pelo corredor. 

O som de seus passinhos foi se afastando rapidamente. Ariel o observou, intrigada, até que Koy sorriu sem jeito.

— Acho que ele foi chamar a Stacey. Os dois são muito grudados.

— Entendi.

‘Então ele veio primeiro dar uma espiada? Que fofinho.’

Ariel murmurou isso baixinho.

— Hã?

Como não tinha ouvido direito, Koy perguntou de volta. Ariel apenas balançou a cabeça.

— Não foi nada. E as outras crianças? Onde estão?

Diante da pergunta, Koy mudou os planos.

— Quer conhecer o restante delas primeiro?

— Meu Deus… isso é inacreditável.

Enquanto caminhavam para almoçar, Ariel piscava repetidamente, completamente atônita diante da cena à sua frente. Koy apenas coçou a bochecha, sem graça.

— É… tão impressionante assim?

— Claro que é! Você passou um ano inteiro trabalhando só nisso? Mesmo se eu ficasse um ano estudando sem parar, ainda não conseguiria terminar tudo isso!

Depois de passar os olhos pela pilha de livros que Koy havia acumulado, Ariel alongou o pescoço de forma exagerada.

— É muita coisa…

Koy sorriu, sem graça.

— Eu não fiz faculdade, então não tenho muita noção…

— Pode apostar que até esse professor sabe que ninguém consegue dar conta de tudo isso. Ele deve ter uma personalidade terrível. Se não estiver fazendo isso de propósito, eu realmente não consigo entender.

— Entendo…

Koy balançou a cabeça, ainda um pouco atordoado. E Ariel então passou a observá-lo com um olhar cheio de compaixão.

— Não é à toa que achei você mais magro da última vez que nos vimos. Você não está se esforçando demais? Tem gente assim que só entende o limite dos outros quando alguém aponta. Como eles se acham superiores, acabam achando que todo mundo consegue acompanhar o mesmo ritmo.

— Ah… Não, está tudo bem. Também não é como se eu não conseguisse acompanhar…

Koy riu, coçando a bochecha.

— É difícil, mas é divertido. Tem muita coisa para estudar, mas, quando começo a ler, nem vejo o tempo passar… E, mesmo quando não entendo alguma parte, se faço perguntas na aula seguinte, o professor explica tudo detalhadamente para que eu consiga entender.

Ao ouvir aquilo, Ariel piscou, surpresa, e logo sorriu.

— Então fico aliviada.

— Sim… E, na verdade eu…

Koy hesitou por um instante antes de continuar. Sua voz ficou mais baixa quando confessou:

— Quero ir para o espaço…

— O quê? Para o espaço?

Ariel arregalou os olhos e Koy confirmou com a cabeça.

— Um dia eu vou com o Ash. Foi uma promessa que fizemos. Por isso quero aprender o máximo possível e, se puder, também quero fazer algum treinamento. O professor disse que, para os alunos que se destacam, ele oferece visitas técnicas e ensina ainda mais coisas a eles.

— Entendo…

Ariel o observou com sincera admiração. Ela sabia há muito tempo que ele era completamente fascinado pelo espaço. Também sabia que ele sonhava em viajar para lá ao lado de Ashley. Mas aquilo era um sonho de muitos anos atrás. Ela imaginava que, com o passar do tempo, ele já tivesse deixado essa ideia para trás. No entanto, Koy continuava guardando aquele grande sonho no coração, sem jamais desistir dele.

— Eu já vinha pensando em criar uma oportunidade para isso algum dia, mas acabou dando tudo certo desta vez.

Com as bochechas levemente coradas, Koy sorriu, envergonhado.

— Estou me esforçando bastante, mas ainda tenho muito a aprender. Mesmo assim, quando vou conversar com o professor pessoalmente, ele até me oferece chá e acaba me explicando um monte de coisas. Tenho aprendido muito.

— Que bom…

Ver Koy tão feliz fez Ariel sorrir também.

— Espero que você consiga ir ao espaço em breve, Koy.

Ela piscou de maneira brincalhona e acrescentou:

— Quando esse sonho finalmente se realizar, você vai me contar antes de todo mundo, não vai? Quero escrever uma reportagem sobre você.

— Sobre mim? Uma reportagem?

Koy arregalou os olhos. Até então, as únicas notícias em que seu nome aparecia eram escândalos relacionados àquele desgraçado. Ao pensar nisso, Ariel sentiu uma pontada de pena. Nesse instante, o rosto de Koy se iluminou com um sorriso radiante, e ele assentiu.

— Vou sim. Obrigado, Ariel.

— Quem tem que agradecer sou eu.

Em seguida, Ariel olhou discretamente ao redor, como se temesse que alguém pudesse ouvi-los, e abaixou a voz.

— E não conte àquele sujeito de mente fechada que o professor recebe você em particular ou ensina coisas além da aula. Do jeito que ele é, capaz de cancelar o curso inteiro por ciúmes.

— Imagina!

Koy balançou a cabeça, rindo como se aquilo fosse um completo absurdo. Ariel também sorriu, mas falava muito sério.

Sempre que lembrava de Ashley balançando um taco de hóquei no gelo contra Bill, ela sentia vontade de rir… apesar que isso não era motivo para riso.

Tanto para ela quanto para Bill e as irmãs líderes de torcida, Koy era um amigo precioso. O problema era a enorme “mosca” que vivia grudada nele. Bastava Koy demonstrar um pouco de proximidade com qualquer outra pessoa para Ashley ficar desconfiado e tomado por um ciúme quase assustador.

Naturalmente, Koy não fazia ideia desse lado de Ashley. Embora, anos atrás, Bill quase tivesse a cabeça rachada por causa de um taco de hóquei durante uma crise de ciúmes, Koy ainda encarava aquele episódio como apenas um acidente causado por um grande mal entendido.

Se foi o Ashley quem disse, então ele acredita sem questionar…’

Ariel já havia se perguntado inúmeras vezes como Ashley conseguia convencer Koy de tudo daquele jeito, mas agora ela sabia a resposta. Mesmo que Ashley apontasse para um pombo e dissesse que era uma águia, Koy apenas responderia: “Ah, é mesmo”, e acreditaria sem a menor desconfiança. Com alguém assim, inventar uma história devia ser mais fácil do que respirar. Afinal, ele era um advogado ardiloso, acostumado a viver entre mentiras. Uma pequena encenação dessas certamente não lhe exigiria esforço algum.

Foi então que, do outro lado da grande janela voltada para o jardim, ouviu-se o som de um carro chegando. Koy imediatamente voltou o olhar para a janela e seu rosto se iluminou.

— O Nathaniel chegou?

Ah…, pensou Ariel.

Os outros filhos de Koy já haviam aparecido para cumprimentá-la. Agora só faltava o primogênito, que acabava de voltar para casa.

— Daqui a pouco ele vem cumprimentar você. Com certeza já avisaram que temos uma visita.

A voz de Koy transbordava animação, e Ariel sorriu, concordando.

— Estou ansiosa.

Na verdade, ela realmente estava. Enquanto tomava um gole do chá, Ariel pensou:

Finalmente vou conhecê-lo.

Nathaniel era diferente das outras crianças de Koy. Durante toda a complicada gravidez de Nathaniel, Ariel permanecera ao lado de Koy, acompanhando de perto tudo o que ele enfrentou.

Como será que ele cresceu?

Ela já sabia que, assim como os outros irmãos, Nathaniel era a cara de Ashley. Ainda assim, a emoção era diferente. Sentindo a expectativa crescer em seu peito, Ariel esperou. Como Koy previra, logo ouviram passos percorrendo o corredor.

— É o Nathaniel!

Radiante, Koy levantou-se e foi pessoalmente abrir a porta da sala de chá. Sentada onde estava, Ariel aguardou a entrada do filho mais velho de Koy.

 

°

°

Continua….

 

Tradução:  Ana Luiza

Revisão:  Thaís

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Em breve será disponibilizado uma sinopse!
Nome alternativo: Kiss Me If You Can

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