Ler Amber Alert (Novel) – Capítulo 06 Online


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↫─Capítulo 06 – Chicago, IL

 

Tennessee suspirou ao ver a paisagem que já escurecia. A vista noturna de Chicago era tão brilhante que às vezes roubava a alma das pessoas.
Amber virou a cabeça em direção à janela. Sentado sem reação naquele lugar agitado e barulhento, Amber não tinha o constrangimento ou a ambiguidade típicos da sua idade.
Era assim que eram os garotos que Tennessee conhecia na faixa etária de Amber. Barulhentos, querendo sempre pertencer a algum lugar e tendo algo pelo qual apostar suas vidas. Coisas como amigos, garotas, esportes, notas. Pareciam importantes na época, mas, a longo prazo, eles depositavam toda a sua energia e esforço em coisas que não eram grande coisa e que, paradoxalmente, tornavam os garotos daquela idade especiais.
Mas Tennessee não conseguia encontrar esse sentimento em Amber. A única coisa que Amber tinha em comum com os garotos de sua idade era que ele parecia perdido. Atordoado, cheio de confusão e sem saber onde se estabelecer.
Apesar disso, Amber parecia de alguma forma distante. Havia momentos em que Amber parecia extraordinariamente maduro por causa da atmosfera de quem não tinha interesse em formar família, amigos ou amantes.
Talvez fosse por causa do que Amber tinha vivenciado quando criança. Mesmo que ele usasse roupas boas, frequentasse escolas particulares caras e recebesse muito amor de sua família, aquelas memórias não substituíam os pesadelos de Amber. Elas estavam apenas empilhadas sobre eles. Tennessee apenas esperava que as boas lembranças encobrissem o desespero e o tornassem invisível algum dia, como foi para ele e tantos outros.
— Vamos.
Já era tarde porque o sol havia se posto, mas Tennessee decidiu que era melhor levá-lo mesmo tarde. Amber se preparou apressadamente para sair. Eles poderiam jantar no caminho.
Enquanto Tennessee procurava por sua carteira e chaves, a campainha tocou. Não era hora para visitas.
Tennessee pegou sua arma e olhou para fora através do olho mágico.
— Quem é?
Diante da pergunta de Amber, Tennessee escolheu suas palavras. Então, ele abriu a porta primeiro. Era Kaylen.
— Há quanto tempo, Tennessee.
Aquele era um lugar desconhecido para Kaylen, mas ela não se importou e entrou sem hesitar. Afinal, não havia muitos lugares familiares para ela e Tennessee. Kuala Lumpur, Cabul, Bagdá… todos eram terras estrangeiras.
— …Hã?
Enquanto tirava o casaco, Kaylen percebeu o garoto olhando atentamente para ela.
— Você… você é o Amber, certo? Ele é bem maior do que eu vi nas fotos!
Kaylen o cumprimentou com alegria, mas Amber não esboçou nenhuma reação. Kaylen olhou de Amber para Tennessee e de volta, depois vestiu seu casaco novamente.
— Então hoje não vai dar?
— É.
— Quando seria um bom momento?
— Eu entro em contato.
Kaylen se foi tão rápido quanto havia chegado, como uma tempestade, já que a resposta curta de Tennessee foi o bastante.
Claramente, uma mulher tinha entrado, conversado com Tennessee de forma amigável e saído, mas Tennessee não disse uma palavra sobre o assunto. Tennessee terminou de se preparar para sair como se nada tivesse acontecido.
— Quem é?
— Alguém com quem trabalho.
— Alguém com quem você trabalha…
Então os olhos de Amber se arregalaram. A gaveta que estava enterrada em sua memória se escancarou. Amber se lembrou do rosto de Kaylen. Era difícil de esquecer. Porque ela era a mulher que tinha primeiro despertado a emoção de profundo ciúme em Amber.
Na memória de Amber, Kaylen tinha cabelos castanhos longos e macios. E ela às vezes colocava o cabelo atrás da orelha e tocava as pontas dos fios enquanto olhava para Tennessee.
— Aquela pessoa, aquela é a pessoa, a que eu vi no clube antes.
Tennessee não esperava que Amber se lembrasse dela. Incapaz de esconder sua surpresa, Amber perguntou.
— Você disse a Megan para bani-la do clube. Mas como você a conheceu?
— Vamos.
— Tennessee.
Amber mordeu o lábio ansiosamente. Seguindo Tennessee, que já havia saído pela porta da frente, Amber perguntou novamente.
— O que há entre você e ela?
As costas de Tennessee enquanto ele descia as escadas estavam deslumbrantemente presas em seus olhos. Por mais que aquela figura fosse atraente para Amber, ou talvez até mais, Tennessee era indiferente.
— Não é da sua conta o que eu sou para aquela mulher.
Depois de lançar essas palavras, Tennessee esperou por Amber. Ele afastava as pessoas daquele jeito com suas palavras, mas suas ações não eram crueis. Pelo menos, ele era muito contraditório para Amber.
— Vamos.
Como as palavras de Tennessee estavam corretas, Amber não conseguiu fazer mais perguntas. Não era da sua conta o que ele fazia com mulheres ou que tipo de relacionamento ele tinha com homens. Era uma realidade assustadoramente fria.
Ainda assim, “Eu entro em contato”. “Como aquela mulher podia se aproximar de Tennessee tão facilmente quando ele nunca entrava em contato comigo direito? Ela até sabia o endereço daqui.”
Amber parou de repente. Tennessee não tinha mudado. Ele ainda era sem coração. Ao mesmo tempo, Amber se lembrou de que exigências funcionavam melhor do que perguntas com Tennessee, e insistência funcionava ainda melhor do que exigências.
— Eu não quero ir.
— O quê?
— Eu vou amanhã, por favor, me leve amanhã.
Tennessee olhou as horas. Amber rapidamente começou a persuadi-lo, vendo que ele estava claramente hesitando, mesmo que por pouco tempo.
— Eu quero aumentar a música como costumávamos fazer, comer petiscos e olhar a paisagem.
— Nós podemos fazer isso agora.
— Está tarde demais agora.
— …
Amber sentiu que tinha vencido. Se ele ia ser assim, não deveria ter agido de forma tão rígida.
Ele era definitivamente fraco por ele.
Quando Tennessee abriu os olhos pela manhã, a primeira coisa que viu foi Amber, brilhando intensamente. Amber estava tão feliz que era possível ver a alegria transbordando. Olhando para a mesa, havia também um pacote de petiscos para a viagem de carro que Amber tinha preparado. Eram tantas coisas que ele se perguntou por que não tinha acordado enquanto Amber arrumava as coisas. Havia também um recibo e o troco em um lado da mesa. Ele tinha pegado o dinheiro dele e comprado petiscos nas proximidades.
— …Eu te pago de volta.
Quando ele encarou o recibo e o questionou, Amber pediu desculpas com uma voz sumida.
— Você não precisa mais guardar o recibo.
Ele não estava tentando dizer nada.
Enquanto Tennessee se lavava, Amber limpava a casa. Originalmente era uma casa limpa e sem sinais de vida, mas depois que Amber passou alguns dias ali, ela ganhou um aspecto de habitada.
Amber cantarolava enquanto fazia as tarefas domésticas. Ele não estava feliz por voltar para casa, mas a viagem de volta para Michigan com Tennessee parecia uma viagem. Também o lembrava da última viagem de carro.
Quando Tennessee entrou no carro, Amber pegou o que tinha trazido.
— Esta é a água para o Tennessee beber. Isto é um guardanapo e os petiscos.
O que Amber pegou foram Lunchables. Também era o que Tennessee tinha lhe dado para comer quando conheceu o garoto pela primeira vez.
— E o seu Mountain Dew?
— Não tinha na geladeira.
— Você bebeu tudo?
Ele achou que tinha comprado dois fardos de seis da última vez.
Amber, que observava a reação de Tennessee, ficou com os olhos brilhando. Ele também pegou e mostrou um pouco de dinheiro físico. Significava que eles deveriam passar em algum lugar e comprar mais. Com um sorriso descontraído, Tennessee deu partida no carro.
Era um dos melhores dias que ele conseguia contar nos dedos. O carro que Amber tinha trazido tinha teto solar. Ele abriu o teto solar totalmente e abriu todas as janelas. A brisa fresca roçava em sua testa e agitava seu cabelo. Ao contrário das expectativas de Amber de que lhe diriam que estava barulhento demais, Tennessee não disse nada.
Ao redor do carro, que corria a quase 80 milhas por hora, havia uma paisagem que ele não tinha notado. Embora não fosse uma vista bonita, Amber sentiu seu coração se encher.
Parecia que ele estava de volta àquela época. Quando não havia mais ninguém no mundo além de Tennessee e ele. Quando ele estava com ele todos os dias.
Amber sorriu de leve ao encarar o vento que soprava rapidamente. Sua música country favorita estava tocando no rádio.
O sol brilhava intensamente sobre tudo. Parecia que novos brotos surgiriam onde quer que a luz do sol tocasse. Amber, com os olhos ligeiramente abertos, olhou para Tennessee. Ele não conseguia ver os olhos dele por trás dos óculos escuros, mas Amber definitivamente viu a curva de seus lábios e caiu na gargalhada.
Ele estava vivo. Era um momento em que conseguia sentir sua própria vitalidade.
A jornada normalmente levaria cerca de cinco horas. Mas Tennessee chegou rapidamente à casa de Amber, ajustando habilidosamente sua velocidade entre o excesso de velocidade e a velocidade apropriada.
Antes mesmo que ele pudesse entrar em contato para avisar que havia chegado, a família de Amber saiu pela porta da frente para receber Amber assim que ele estacionou o carro. Agora Amber tinha uma família esperando por ele, não importava quantos dias levasse. Isso era um certo conforto para Tennessee.
Depois de estacionar o carro, Tennessee devolveu a arma e as chaves do carro. Não seja pego e coloque de volta secretamente. Nem pense em tirar de lá. Ele também deixou esse conselho.
— Como o Tennessee vai embora?
— Não se preocupe com isso.
— Fique aqui, o David pode te levar ao aeroporto amanhã.
— Eu tenho algo para fazer hoje.
Amber assentiu fracamente. Agora era adeus novamente. Ele não queria deixar Tennessee ir, mas não tinha justificativa. Acima de tudo, Tennessee não parecia se importar nem um pouco em se separar dele. Toda vez que via a balança obviamente inclinada, Amber caía no desespero e na autoaversão. Apesar disso, desistir era impossível.
— Quando vou te ver de novo?
— Em breve. Estou de férias por um mês.
Amber, que estava olhando apenas para as pontas dos pés, levantou a cabeça rapidamente. “Um mês?”
— Então posso te ver em breve?
— Se você quiser.
— Quando? Onde?
Amber falou rapidamente antes que Tennessee pudesse abrir a boca.
— Posso passar o fim de semana em Chicago, na casa do Tennessee?
Ele achou que ele ficaria irritado, mas Tennessee assentiu com uma expressão seca.
Sim! Amanhã era sexta-feira, então ele encontraria Tennessee depois de amanhã. Não, ele deveria ir direto para lá depois da escola na sexta-feira?
— Então para onde você vai daqui a um mês?
— Não sei. Estou pensando em arrumar um emprego aqui.
Amber acorrentou à força e puxou de volta a sensação de flutuar que surgiu de repente. Amber lutou para acalmar seu coração acelerado. Tennessee estava voltando. Isso parecia mais valioso e precioso do que qualquer presente que ele ganhou no Natal ou no dia de sua adoção.
No futuro que Amber vislumbrava, não havia ninguém ao lado de Tennessee. Mesmo no futuro secreto que ele desenhava secretamente, Amber não se atrevia a existir ao lado de Tennessee.
Ele não esperava que ele e Tennessee algum dia estivessem em qualquer tipo de relacionamento. Ele apenas achava que, se Tennessee estivesse sob o mesmo céu que ele e pudesse encontrá-lo e entrar em contato com ele com frequência, isso seria o suficiente. Como fazia muito tempo que ele estava desesperado e carente, Amber era grato até mesmo por um pouco de chuva.
Amber acenou a mão lentamente. Um adeus temporário. Temporário. Era uma palavra com um poder especial.
— Amber.
Uma voz baixa foi ouvida atrás das costas de Amber.
‘Você não queria me ver?’
Isso porque a pergunta, que parecia um apelo, veio à mente de Tennessee.
— Por que você acha que eu tive todo esse trabalho para trazer você aqui?
— …Porque você estava preocupado comigo.
— Isso mesmo. Isso é tudo o que você precisa saber.
Era o máximo que Tennessee conseguia expressar.
— Eu sei. Se eu fosse realmente irritante, Tennessee teria me dito para não me apegar a ele e para parar de incomodá-lo. Tennessee é esse tipo de ser humano com a personalidade quebrada.
Nesse momento, Tennessee ergueu de leve as sobrancelhas. Talvez por ter recebido uma educação de alto nível em uma escola particular, o sarcasmo de Amber havia se desenvolvido ainda mais e brilhava.
Depois disso, Amber ridicularizou o quão mal-humorado, indiferente e frio Tennessee era. Tennessee ficou perplexo e não respondeu. Se mais um pouco de tempo passasse, ele poderia ter uma faca na língua.
Foi logo após entregar suas informações de contato a Amber que Tennessee percebeu que havia sido pego por aquele sarcasmo. Não importava, já que era apenas um número que ele usaria por um mês, mas ele até lhe disse os horários em que poderia ser contatado devido ao tom de Amber de que era óbvio que ele deveria lhe dar o número.
Amber correu para dentro de casa, como se Tennessee fosse pegar o número de volta. Era apenas um número, mas de alguma forma Tennessee não conseguia se livrar da sensação de que tinha sido passado para trás.
Bem, não era ruim. A nuca de Amber, que costumava ser branca como a neve, estava extraordinariamente vermelha hoje.

 

── ⋆⋅☆⋅⋆ ──

 

Antes do início da aula, Amber passou pelo seu armário. Enquanto pegava os livros didáticos que ele precisava, alguém tocou em seu ombro por trás. Era Carly, uma garota da mesma série. Eles faziam aula de artes juntos, então seus olhos às vezes se encontravam. Não, toda vez que ele por acaso olhava na direção dela, seus olhos sempre se encontravam. Carly sempre desviava o olhar naturalmente. Como se quisesse se desculpar por estar encarando o tempo todo.
— Oi, Lyker.
— Oi.
Agora que haviam trocado saudações, ele estava prestes a voltar ao que estava fazendo, mas Carly continuou.
— Lyker, meus pais vão viajar neste fim de semana. Então estou pensando em dar uma festa, o que você acha? Está pensando em vir?
Amber costumava receber convites como esse. Mas ele não queria ir a festas na piscina, acampamentos de verão ou sair depois da aula.
Para ser sincero, Amber estava cansado de ficar preso na escola, e da realidade de que teria que frequentar a escola por mais alguns anos. Amber sentia nojo dos colegas ao seu redor que eram obcecados por quem dormia com quem, quem fazia o que com quem, e de si mesmo, que ainda era tão jovem.
Ele tinha alguém que precisava perseguir. Amber se sentia privado pelo fato de que, enquanto assistia às aulas calmamente, Tennessee poderia estar em um situação em que foi baleado e oscilava entre a vida e a morte.
Toda vez que percebia sua condição de estudante dessa forma, Amber sentia como se houvesse um abismo entre ele e Tennessee. Uma distância que ele nunca conseguiria encurtar correndo. Uma figura que parecia que ele quase conseguia alcançar, mas nunca de fato segurar.
Mesmo assim, ele não conseguia evitar estender a mão. Ele estava desesperado, como se as lágrimas fossem transbordar a qualquer momento. Um jogo de pega-pega patético e fútil.
— Não, não posso neste fim de semana.
— Posso perguntar por quê?
Será que era assim que Tennessee o via? Amber ficou assustado. E, ao mesmo tempo, ele sentiu empatia pela outra pessoa.
— Tenho outros planos. Vou para Chicago.
— Entendo.
Carly sorriu, embora estivesse desapontada. Ela era uma boa garota. Ela tentava não demonstrar que estava magoada com as rejeições repetidas. Amber se viu na atitude daquela garota. Então Amber disse impulsivamente.
— Carly. Eu sou gay.
— …Hã?
Carly não conseguiu esconder sua expressão desconcertada.
— Você é a primeira pessoa para quem conto. Achei que você pudesse gostar de mim. Desculpe se eu estiver enganado.
E Amber ajeitou a mochila que tinha fechado.
— Cabe a você contar para outras pessoas ou não.
Carly não conseguiu encontrar palavras para dizer. Confusão e constrangimento estavam claramente estampados em seu rosto. Mas Carly balançou a cabeça. Parecia que ela queria dizer que não contaria.
Não era que ele tivesse vergonha de gostar de Tennessee, mas ele não queria se envolver em fofocas desnecessárias. Amber se virou com um leve sorriso. Mas, de repente, seu ombro foi agarrado. Alguém puxou Amber. Ele foi empurrado contra o armário com um baque forte. Suas costas latejaram, provavelmente por causa do impacto.
— Lyker, seu filho da puta, você é gay?
Amber não conseguiu esconder seu aborrecimento. Era Tyler e sua gangue. Eles sempre andavam juntos e intimidavam crianças que eram menores do que eles. Ele estava no oitavo ano, mas era alto. Amber se lembrava de ter ouvido que ele jogava futebol americano. Tyler tinha um sorriso maldoso no rosto, como se tivesse encontrado algo divertido.
— Ei! Vocês ouviram?! Esse cara é gay!
Tyler não era assim no começo. Amber tinha recusado seus convites para sair algumas vezes no início do semestre, e parecia que ele tinha levado essas rejeições bastante para o lado pessoal. Amber afastou bruscamente a mão de Tyler.
— Então você era viado.
— Não se empolgue tanto, Tyler, eu tenho olhos, então não namoraria você.
Alguns dos amigos de Tyler deram risadinhas e depois apertaram os lábios.
— Você andou escondendo isso bem esse tempo todo?
— Você não estava dando em cima de mim porque percebeu? Você estava me implorando para sairmos.
Tyler, incapaz de conter sua raiva diante do sarcasmo de Amber, empurrou Amber com força. Mas Amber não foi muito empurrado para trás porque não havia uma grande diferença em seus físicos.
— Desculpe por não poder retribuir seus sentimentos, Tyler.
O rosto de Tyler ficou vermelho e sua voz ficou mais alta.
— Um viado, que patético, Lyker? Você acha que alguém algum dia vai querer enfiar no seu rabo?
Amber sorriu.
— Tyler, só porque eu sou gay não significa que a Vanessa vá gostar de você.
Tyler não conseguiu se conter e ergueu o punho.

 

── ⋆⋅☆⋅⋆ ──

— Suspensão é ridículo! Lyker estava apenas se defendendo.
A voz estridente de Elizabeth ecoou do lado de fora da diretoria. Sentado em uma cadeira, Amber umedeceu os lábios com a língua. A confusão da manhã tinha terminado de forma vergonhosa para Tyler. O corredor estava coberto de sangue. Amber tinha quebrado o nariz de Tyler. E, para completar, Tyler tinha perdido dois dentes.
Ele tinha treinado, mas Tyler era um aluno que tinha crescido mimado, frequentando apenas escolas particulares. Ele era diferente de Amber, que tinha apanhado de todo tipo de gente desde jovem e precisava se proteger ferozmente.
Com as maçãs do rosto machucadas e o lábio cortado, Amber balançava a perna ansiosamente. Ele nem conseguia pensar nos alunos que tinham ficado pálidos. Sua primeira preocupação era de que Elizabeth o colocasse de castigo por causa desse incidente e ele não pudesse ver Tennessee neste fim de semana. Não, se isso acontecesse, ele planejava roubar um carro como fez ontem.
— Isso é discriminação, todos os alunos ouviram o Tyler fazer comentários homofóbicos.
— Sra. Dexley, nossa escola desestimula todo tipo de ódio. Nós definitivamente estamos disciplinando o discurso de ódio, mas a senhora deveria ter visto aquele corredor, havia sangue espalhado por todos os armários… foi claramente legítima defesa excessiva.
Ouvindo isso, Amber escapou para o banheiro. Ele respirou com dificuldade e de repente se olhou no espelho. Maçãs do rosto machucadas, lábio cortado e um rosto que parecia fraco. Ele não poderia parecer mais indefeso. Uma criança que nem sequer tinha o direito de limpar a bagunça que ela mesma tinha feito.
Amber lavou o sangue do punho. Havia um arranhão na articulação do seu dedo por causa dos dentes de Tyler.
Então Amber tirou o celular. Depois de hesitar, Amber digitou os dez dígitos que tinha memorizado a noite toda. Então começou a chamar. Amber se sentiu aliviado só com isso.
Pela primeira vez, ele conseguia entrar em contato. Mesmo que não pudesse vê-lo imediatamente, Amber sentia que estava mais perto dele apenas por conseguir falar com ele. Pelo menos Tennessee estava nos Estados Unidos.
Tennessee o contatava ocasionalmente nesse meio-tempo, mas era raro, e mesmo assim, na maioria das vezes a identificação de chamadas estava bloqueada. Ele não podia pedir suas informações de contato porque ele trabalhava para o FBI, e nunca sabia quando ele ligaria. Ele tinha apenas que esperar por sua ligação.
Toda vez que Amber perguntava, Tennessee estava em um lugar diferente. O horário em que ele ligava também era diferente, dependendo do fuso horário. Às vezes era de manhã cedo, às vezes tarde da noite, ou à tarde, logo após a escola.
Um dia, Tennessee ligou para ele durante a aula, então Amber teve que correr para o banheiro o mais rápido possível. Ele estava preocupado que a ligação caísse naquele curto espaço de tempo. Ele tinha corrido pelo longo corredor até o banheiro. Mas não se sentiu cansado. Ele apenas valorizava aquilo.
Este momento era o mesmo. Depois de se preocupar e esperar que ele atendesse o telefone por alguns minutos, a voz de Tennessee foi ouvida.
[ Alô.]
Amber umedeceu os lábios ressecados. O reflexo de si mesmo no espelho era estranho. O que Tennessee pensaria se o visse amanhã?
— Posso te perguntar uma coisa?
[Sim.]
A voz dele do outro lado do telefone parecia mais baixa do que o normal.
— Eu estou…
Amber pensou na mulher que tinha entrado casualmente na casa de Tennessee.
Foi legítima defesa excessiva. Amber tinha descoberto hoje a raiva imensa e sombria que ele nem sabia que existia dentro de si. Ao mesmo tempo, as palavras de Tyler permaneciam em sua mente.
O que atormentava Amber não eram os insultos estúpidos dele ou os dedos apontados de seus colegas. Era a percepção de que Tennessee era o único para ele, mas ele não era o único para Tennessee. Era a frustração que vinha disso.
Mesmo assim, Amber não conseguia parar de rezar, e não aguentava mais querer ser um adulto. Cada minuto e segundo de ser uma criança era doloroso. Ele queria se livrar da pele de um garoto imaturo imediatamente. Sentia que conseguiria alcançá-lo se fizesse isso.
‘Um viado, que patético, Lyker? Você acha que alguém algum dia vai querer enfiar no seu rabo?’
Ele queria agarrar Tennessee imediatamente, mas ele desapareceria antes mesmo que conseguisse entrar em seus braços.
— Tennessee, você é hétero, certo?
Amber mordeu o lábio ansiosamente. Até mesmo um momento de silêncio era longo demais. Uma voz clara chegou até ele.
[Não, eu sou bi.]
Amber apertou os olhos com força. Quando abriu os olhos, Amber percebeu que sua respiração havia ficado mais pesada e ele teve que deixar o telefone cair.
Amber tinha sido dominado por seus sentimentos. Ele tinha pensado que era apenas um amor doloroso e não correspondido. Mas Amber percebeu que aquilo era apenas a fase de preparação.
Era o começo de uma longa febre.

 

── ⋆⋅☆⋅⋆ ──

 

 

— O que é isso?
Tennessee perguntou assim que viu Amber. Amber evitou seu olhar. Tennessee, vestido de forma confortável, tinha saído não muito tempo depois de ele tocar a campainha. Assim que seus olhos se encontraram, Tennessee ignorou a saudação de Amber, segurou seu queixo e perguntou.
— …Minha bochecha?
— Sim. Sua bochecha e seu lábio.
Felizmente, Elizabeth não o tinha colocado de castigo. David tinha confortado Amber, dizendo que o nível de punição da escola para Tyler e Amber ainda estava em discussão, mas que iria provavelmente ser nada sério. Amber apenas se sentiu mal. Ele até se sentiu culpado.
Era uma sensação estranha observar Elizabeth e David, que estavam furiosos e ameaçando a escola. Era uma emoção que Amber não sentia com frequência.
Ele tinha pensado que era uma briga pessoal, mas não era. Elizabeth tinha abraçado ele, que tinha apenas um lábio cortado, e não Tyler, que tinha perdido um dente da frente.
‘Você nunca deve simplesmente aceitar que o mundo te trate injustamente.’
Ela tinha dito aquilo, e Amber tinha respondido baixinho.
— Mas sempre foi assim.
Os olhos de David se encheram de lágrimas com as palavras de Amber. Amber tinha certeza de que seria suspenso ou expulso, mas Elizabeth tinha inclusive discutido seriamente uma batalha judicial.
— Sinto muito.
Amber tinha pedido desculpas a Elizabeth e David daquela forma.
Embora não achasse que fosse um pecado gostar de Tennessee, ele não conseguia parar de se culpar. Não, e se não fosse ele e outra criança tivesse entrado para essa família? Eles não teriam que levantar a voz na escola. Aquela criança não teria magoado sua nova família. Ela teria tirado notas boas em uma boa escola e se tornado um filho orgulhoso. Amber não conseguia quebrar o ciclo de autoculpa.
— Amber.
Tennessee insistiu, mas Amber não conseguia falar direito porque seu queixo estava sendo segurado. Mas Tennessee conseguiu entender seus resmungos.
— Aconteceu alguma coisa?
— …Sim.
Tennessee também tinha muitas coisas que estava escondendo dele, não tinha? Amber se justificou por esse motivo.
Amber não queria falar sobre a escola na frente de Tennessee. Ele tinha medo de ser visto como uma criança boba e imatura. Embora achasse que já estava sendo visto dessa forma.
Havia um leve cheiro de cigarro nas pontas dos dedos de Tennessee. Embora soubesse que ele estava se aproximando para ver seus ferimentos, o coração de Amber estremeceu muito.
— …
Tennessee não disse nada depois de virar seu queixo de um lado para o outro. Ele não o pressionou nem fez mais perguntas. Ele apenas olhou para ele com aquele rosto aparentemente indiferente, mas Amber sentiu uma pressão silenciosa. O clima gradualmente se acalmou.
— …Eu briguei.
Era unilateral chamar aquilo de briga, mas Amber não queria dizer que tinha espancado alguém brutalmente.
— Remédio?
— Eu passei.
Amber estava prestes a lembrá-lo de que Elizabeth era médica, mas se conteve. Tennessee provavelmente sabia disso também.
— Elizabeth ou David te bateram?
— Não!
Amber deu um sobressalto. Eles eram boas pessoas. Bons pais, uma boa família. Acima de tudo, eles genuinamente se importavam com ele e o amavam.
É claro que isso não significava que David e Elizabeth fossem pessoas perfeitas. Amber às vezes batia de frente e tinha conflitos com eles, mas isso era natural, desde que fizessem parte da família.
— David e Elizabeth nunca fariam isso.
— Que bom.
Tennessee observou Amber defender seus pais adotivos. Felizmente, Amber parecia estar encontrando um ninho que se adaptava perfeitamente a ele.
— Você não gosta de Elizabeth ou de David?
Para Tennessee, preferência não era grande coisa. Se ele tivesse que expressar em palavras, sentia uma afeição humana pelo garoto.
No entanto, Tennessee era alguém que tinha testemunhado diretamente o monstro que residia dentro do Santo ideal e perfeito. Não que os pais adotivos de Amber fossem assim, mas ele não conseguia confiar totalmente em ninguém.
— Posso entrar, se você já viu o suficiente?
Amber nem sequer tinha pisado dentro da casa dele ainda, pois seu queixo tinha sido segurado assim que Tennessee atendeu a campainha. Tennessee deu um passo para o lado, e Amber primeiro colocou sua bagagem no sofá.
— Cheguei cedo demais?
— Na verdade não.
Tennessee respondeu, servindo água em um copo. Amber ficou um pouco aliviado. Ele vinha pressionando Elizabeth para chegar a Chicago ao amanhecer. Embora não tivesse dormido bem por causa da ansiedade, ele tinha acordado bem cedo. Como resultado, ele havia chegado muito antes do horário que tinha dito inicialmente a Tennessee. Olhando para o relógio, era um horário razoável para tomar um café da manhã cedo.
Sentado no sofá, Amber encarava Tennessee. Como ele tinha dito, ele não tinha nenhum plano especial, já que Tennessee estava usando uma calça de moletom cinza e uma camiseta preta. Era uma vestimenta confortável.
— Ah, como foi aquilo? Você disse que ia tentar encontrar um emprego aqui.
— Consegui um emprego.
Os olhos de Amber se arregalaram com a boa notícia dita naquele tom indiferente. Ele reprimiu a vontade de dar um pulo por um momento. A expressão “frio na barriga” deve ter sido inventada para momentos como este. Ele ia ficar por aqui.
— Mas vou viajar a negócios com frequência.
Tennessee não contou a Amber, mas ele estava planejando coordenar muitas coisas durante suas férias de um mês. Ele ainda não tinha assinado o contrato, mas tinha recebido a confirmação. Ao mesmo tempo, ele tinha que finalizar as coisas com o FBI.
Uma empresa de segurança; Tennessee quase soltou uma risadinha. Era bastante irônico. Ele tinha acabado trabalhando com o FBI porque era um assassino de aluguel e, graças ao seu histórico de trabalho com o FBI, estava sendo contratado por uma empresa de segurança. A empresa de segurança original existia para proteger os clientes de ameaças como Tennessee. Se ele não tivesse trabalhado com o FBI, nunca teria sido capaz de fazer isso.
— Vou ver você com mais frequência?
Amber perguntou, cauteloso para que sua voz não contivesse um entusiasmo flagrante.
— Bem, você não vai estar ocupado quando se tornar um estudante do ensino médio?
E Tennessee voltou seu olhar para Amber. Ele tragou a fumaça do cigarro até que suas bochechas ficassem encovadas.
— Você deveria aproveitar seus anos de ensino médio, que acontecem uma única vez na vida.
Toda vez que isso acontecia, Amber se tornava uma borboleta espetada sob o olhar dele. Tennessee segurava um enorme alfinete e o pressionava contra seu coração. Enquanto ele lutava, preso no lugar, Tennessee o examinava e o avaliava lentamente. Parecia que estava sendo testado.
“Não sou uma ameaça para você.” Ele queria dizer aquilo, mas sabia que a mensagem não seria transmitida. Mesmo que estivesse pregado a uma estaca, erguendo as duas mãos e sangrando para provar, Tennessee apenas desviaria aquele seu olhar sem emoção. Amber não pôde deixar de se sentir encantado por aquela permissão, que no fundo era o mesmo que ignorá-lo.
— Eu também vou estar ocupado.
Amber pressionou os lábios com força para controlar sua expressão. Ele não podia ser pego. Não podia demonstrar nada. Apenas o instinto de não revelar sua respiração ofegante permanecia vivo.
Amber forçou um sorriso, sem ter certeza de como sua expressão pareceria.
— Você está me dizendo para desistir do Tennessee? Ele é um ótimo provedor, um motorista e tanto, e até um guarda-costas.
Tennessee soltou um leve sorriso, quase uma risada abafada, e se virou. Amber não tinha sido pego. Ele se sentiu aliviado, mas, ao mesmo tempo, ansioso.
— Onde você disse que queria ir?
Tennessee perguntou, abrindo a geladeira. O eletrodoméstico quase sempre estava vazio, mas não hoje, quando ele retirou um pacote de comida pronta.
— O Field Museum de História Natural.
Amber disparou a primeira atração turística que lhe veio à mente. Ele não tinha o menor interesse em museus ou arranha-céus, mas tinha usado a desculpa de querer explorar Chicago apenas para conseguir ir à casa de Tennessee.
“Eu queria estar com você”, ele não pôde dizer.
— Então, vamos apenas tomar o café da manhã e ir?
O Field Museum ficava aberto o ano todo, exceto no Natal. Como a maioria dos museus, ficaria tudo bem desde que não fossem muito tarde.
— Tudo bem.
Amber respondeu com um sorriso radiante. Ele tentou ajudar Tennessee, mas este apenas lhe disse para se sentar e descansar. Ou apenas descansar. Diante disso, Amber sentou-se na cama.
— Ela está suja.
— Tudo bem.
Ao contrário do que Tennessee dissera, a cama não estava nem um pouco suja. Sentado na cama, Amber olhou ao redor. Não era sua primeira vez ali, mas parecia diferente a cada vez.
Não havia nada de particularmente interessante, mas Amber não estava nem um pouco entediado. Não, estritamente falando, não havia quase nada ali. Havia apenas os itens e móveis necessários para viver, e até mesmo algumas das coisas básicas que Amber considerava indispensáveis faziam falta. Mas Amber gostava daquele lugar.
Enquanto Amber olhava ao redor, Tennessee esquentou a comida e pegou as bebidas e os talheres. Em meio ao ruído ocasional de pratos, Amber encontrou algo embaixo da cama. Era um pano branco.
Quando ele se abaixou e o tirou dali, percebeu que era uma camisa de Tennessee. Ele não era do tipo que empurrava roupas para debaixo da cama daquela forma. Enquanto Amber pensava nisso, uma marca vermelha deixada na parte interna do colarinho surgiu diante de seus olhos.
Amber, que havia desdobrado a camisa com as mãos, aproximou os olhos dela. Era uma mancha de batom.
— Quer um pouco de Mountain Dew?
Tennessee perguntou, abrindo a geladeira novamente, de costas para Amber. Forçando sua garganta travada, Amber conseguiu soltar a voz.
— …Sim, por favor. Coloque um pouco de gelo também.
— Eu não tenho isso.
Com toda a expressão apagada de seu rosto, Amber empurrou a camisa social de volta para o seu lugar original. Olhando para sua mão pálida, ele enterrou o rosto na palma da mão. Ele repetiu para si mesmo, preparando-se espiritualmente.
“Você pode ver coisas ainda mais dolorosas no futuro. Talvez, talvez Tennessee tenha uma amante. É uma possibilidade remota, mas pode se tornar um relacionamento sério.”
Ele tinha que se preparar. Deu uma respiração profunda e curta, mas seu coração batendo rapidamente parecia prestes a saltar pela garganta. Sentia como se fosse vomitar todas as palavras que tinha engolido à força, junto com os restos de suas emoções.
— Venha comer.
— Sim, já vou.
Amber verificou seu rosto refletido na janela. Um rosto pálido e imaturo, olhos vazios. Ele não conseguia ficar diante dele com aquela aparência. Amber rangeu os dentes. Ele tinha um longo caminho a percorrer, e não deveria se machucar tanto por algo assim. Tinha que se anestesiar contra a dor e se acostumar com ela. Como vinha fazendo.
Amber sentou-se à frente dele.
— Por que você está com essa cara?
Como esperado, Tennessee percebeu imediatamente que algo estava errado. Mas Amber sorriu de forma radiante.
— Eu ia te perguntar isso. Você não dormiu direito?
Tennessee massageou as têmporas algumas vezes e parecia um pouco cansado.
— É. É sempre assim.
Para ser preciso, Tennessee não tinha pregado o olho desde o dia em que trouxe Amber. Havia um teste de aptidão física na sexta-feira, então ele teve que se exercitar por muito tempo. Depois disso, Kaylen tinha vindo visitá-lo. Eles passaram a noite juntos até o amanhecer e, depois que Kaylen foi embora, ele passou o tempo deitado sem fazer nada de útil.
Ele queria desesperadamente dormir devido ao cansaço acumulado, mas Tennessee teve que passar a noite em claro. No escuro, com o som distante de sirenes, Tennessee tentava pegar no sono, mas tinha que desistir a cada amanhecer.
Insônia. Tennessee pensou que talvez pudesse contar todas as estrelas no céu noturno.
Mas agora que pensava nisso, era uma ideia tola. O demônio do sono havia se aproximado sorrateiramente, sem ser notado. Como se os momentos em que ele havia sofrido por não conseguir dormir tivessem sido uma mentira.
— Vá dormir agora.
— Eu tenho que ir ao Field Museum.
— Nós podemos ir ao museu de tarde.
— Você tira um cochilo também.
— Estou bem.
Foi inesperado para Amber, mas Tennessee caminhou obedientemente em direção à cama. Ele definitivamente tinha um olhar um pouco mais cansado do que o normal. Pela primeira vez, ele parecia fofo.
— Você vai ficar bem?
Amber assentiu. Então Tennessee desabou e se deitou. Ele devia estar muito cansado, ele não pôde deixar de pensar.
E, como num passe de mágica, Tennessee adormeceu instantaneamente.
Amber o observou incessantemente. A mancha de batom não saía de sua cabeça. Amber enterrou o rosto nos joelhos. A comida estava esfriando. Tennessee tinha preparado aquilo para ele. Era fria e simples, mas ele sabia que Tennessee se importava muito com ele. Mas a distância entre saber e sentir era cruel.
Sem sequer pegar em um garfo, Amber colocou toda a comida na boca. O silêncio se instalou. Depois de hesitar, Amber aproximou-se de Tennessee.
Ver Tennessee dormindo confortavelmente na sua frente era uma cena rara. Amber colocou em prática o que não tinha conseguido fazer da última vez: tocar no cabelo de Tennessee.
Seus dedos longos se abriram, e as pontas dos dedos de Amber tocaram o cabelo preto de Tennessee. Ao contrário do que esperava, Tennessee não acordou. Ele nem sequer moveu as sobrancelhas, respirando de forma silenciosa e compassada.
Após hesitar, Amber moveu a mão. O cabelo preto de Tennessee fluía como ondas entre seus dedos. Seu cabelo era surpreendentemente macio. Ele parecia alguém que faria as pontas dos dedos congelarem ao menor toque, mas era uma pessoa tão suave. Amber pensava que ele era alguém que não permitiria a aproximação de ninguém nem por um único passo, mas ali estava ele, cedendo seu espaço tão facilmente, adormecido de forma indefesa.
Amber soltou um suspiro trêmulo. De qualquer forma, Tennessee estava ali agora. O próprio Deus poderia não saber onde estava o coração dele, mas ele estava ali, ao seu lado.
Tennessee viajou para o exterior novamente a trabalho, mas Amber não ficou desapontado. Isso porque ele tinha lhe dito que aquela seria a última vez que trabalharia fora dos Estados Unidos. Era uma doce espera.
Quando ele ligou alguns meses depois, Amber perguntou que tipo de trabalho ele tinha conseguido. Depois de um momento de silêncio, Tennessee lhe disse:
[Segurança.]
— Isso é ótimo.
Amber foi sincero, mas Tennessee deu uma risadinha e respondeu:
[Dizem que não combina comigo.]
— Quem?
[Qualquer um.]
Amber atreveu-se a afirmar que eles estavam errados. Era um trabalho que combinava perfeitamente com Tennessee.
“Não sou um pai ou guardião adequado. Você é jovem e precisa encontrar alguém que possa protegê-lo com segurança.”
Amber não sabia quem Tennessee tinha matado ou de que forma, mas ele tinha certeza. Se ele realmente fosse menos que humano, não estaria sofrendo de uma insônia tão severa. Ele não teria cuidado voluntariamente de uma criança sem nada, nem teria confessado que devia a ela.

↫─☫ Continua…

 

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✦ Tradução, revisão e Raws: Lᥙ꧑ᥲ Hᥲrtzᥣᥱr

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Sinopse:
Um assassino de aluguel. Tennessee não tinha a intenção de maquiar sua profissão. Ele se mantinha fiel à sua própria natureza moralmente falida e ao seu passado. Era uma vida monótona, mas ele não achava que fosse ruim.
Pelo menos até encontrar algo no carro roubado.
— Qual é o seu nome?
— …Não vou te contar. Você vai rir.
— Então qual é o seu nome?
— Tennessee.
— Isso é seu nome ou sobrenome?
— Você não precisa saber.
A criança inclinou a testa para fora pela janela traseira. Seu cabelo preto esvoaçava ao vento.
Um sequestro involuntário. Foi assim que a relação entre Tennessee e a criança começou.
***
Fogo ardia em seus olhos.
Tennessee, eu deveria ter arrancado essas suas pernas.
Ele respirou fundo, sobrecarregado pelas emoções intensas que se transformavam numa mistura de amor e ódio.
Sua perna não deveria ter sido apenas quebrada, deixada para você se apoiar torto nela, deveria ter sido danificada além de qualquer reparo.
Eu deveria cortar suas duas pernas e colocá-las num saco, depois colocar uma coleira no seu pescoço. Vou amarrar essa coleira nas minhas pernas perfeitamente saudáveis.
Um silêncio sufocante se instalou. Seu corpo desabou, sem forças.
Suas palmas estavam pegajosas. O que ele pensava ser suor era, na verdade, sangue escorrendo. Sem energia nem para enxugá-lo, ele enterrou o rosto nas mãos.
Era horrível. Esta versão de si mesmo. A situação toda. Era o próprio desespero. Se ele desistisse, se Tennessee escapasse assim…
Ele não conseguiria seguir vivendo.
Nome alternativo: Amber Alert Alerta Amber

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