Ler Alphega (Novel) – Capítulo 75 Online

- Capítulo 75 –
Fora um movimento extremamente pequeno e ele estava num estado em que toda a atenção fora tomada pela condição de Kanghyeon. Não houve algo como uma brecha para analisar em detalhes. Apenas sentiu que o cheiro doce, que sempre estava calmo e tênue, ondulava como se fosse formar ondas.
Quando Haeil recobrou os sentidos, o feromônio de ômega já estava tênue de forma estável.
O feromônio de ômega costumava se agitar em pequenas ondas e ficar mais intenso também durante o sexo. Como teve uma sensação parecida com aquela, provavelmente, se sentisse mais uma vez, conseguiria identificar de forma um pouco mais detalhada.
Mas, para isso, teria de ver Kanghyeon com dor de novo. Isso, ao menos, ele detestava.
Haeil, que se lembrou mais uma vez da imagem de Kanghyeon com dor, sentiu o peito ficar sufocado.
Haeil esfregou o rosto no cabelo de Kanghyeon a ponto de gerar eletricidade estática.
— Não fica com dor, por favor. Eu que ia morrer.
— Quem está com dor sou eu, por que o senhor Kwon Haeil ia morrer.
— Nem eu sei, porra. Dói mais do que quando quebrei um osso.
— Que dramático.
Em comparação com Kanghyeon, sereno, para Haeil ainda não era fácil controlar as emoções.
Havia o fato de ter se assustado tremendamente com a dor repentina de Kanghyeon, mas o fato de que quem a provocara fora ele mesmo deixava Haeil ainda mais angustiado.
Por fim, da boca de Haeil escorreu uma palavra de desculpa.
— …Me desculpa.
— Do quê?
— De ter te pressionado sem mais nem menos.
Kanghyeon, sentindo afrouxar a força que o prendia, olhou para Haeil. Seus olhos estavam bastante sombrios.
Haeil disse com o rosto cheio de arrependimento:
— Foi porque eu te dei estresse que você ficou com dor.
Haeil talvez pensasse assim, mas o pensamento de Kanghyeon era diferente. Que Haeil o pressionara era verdade, mas a dor de agora fora, em última análise, culpa do próprio corpo, que era fraco demais. Por mais que pensasse, não era algo que se pudesse culpar Kwon Haeil.
— Não é culpa do senhor Kwon Haeil.
— Não, é culpa minha, sim.
Haeil, que refutava com calma, de repente ergueu o canto dos olhos.
— Mas eu também tenho o que dizer. Outro ômega passou saliva em você sem permissão, como é que eu ia ficar bem? Eu também sou alfa.
Que o alfa tem um apego e uma possessividade descomunais pelo seu ômega era o mais consagrado dos consensos.
Nesse consenso estava claramente contida a expressão “seu ômega”, mas Haeil parecia ter esquecido disso.
— Fez uma coisa dessas sem nem o senhor Baek Kanghyeon saber, como não ia me dar raiva.
Pensando de novo, parecia que ficava com raiva outra vez.
Kanghyeon entendia um pouco o motivo pelo qual Haeil ficava com raiva assim.
Se, por acaso, Kwon Haeil tivesse sido marcado por outro ômega sem intenção, ocorreu-lhe o pensamento de que ele mesmo também não ficaria lá muito contente.
Vendo Haeil, que se esforçava para reprimir a raiva, Kanghyeon deu leves tapinhas em seu braço.
— Provavelmente é porque eu acabei falando do senhor Kwon Haeil.
Por um instante, o rosto de Haeil mudou completamente. O clima que fervia borbulhando também se aplacou de vez.
— Falou de mim? Falou o quê?
Parecia ao mesmo tempo animado e ansioso com o fato de que Kanghyeon falara sobre ele a outra pessoa. Sentia-se uma pulsação tensa que parecia reunir num só as expressões de coração aos pulos e de alma na mão.
— Falei que ando vendo um alfa que encontro com frequência ultimamente. Sem querer, acabei falando muita coisa.
Não fora que contara tudo em detalhes. Contara de forma simples como conhecera Kwon Haeil e que tipo de relação vinham mantendo até agora. Excessos de informação como o de que às vezes faziam sexo ou o de que havia ocasiões em que dormia na casa dele, naturalmente, ele conteve.
— Ele deve ter ficado curioso se era verdade mesmo, por que os sentidos dele são apurados. É que aquele rapaz também é bastante sensível.
Kanghyeon lembrou-se do que acontecera no salão de um banquete não oficial em que conhecera Seong Taerim.
Quando Seong Taerim, recém-chegado à maioridade, sofria com o feromônio que enchia os arredores, quem percebera isso antes de todos e cuidara dele fora Baek Kanghyeon. Em retribuição, Taerim identificara para ele um outro feromônio que ele trazia dentro de si.
— É o irmão mais novo que percebeu antes de todos o outro feromônio que eu tenho. É um sujeito de quem sou grato, que até agora vem guardando o segredo.
Taerim não apenas identificara simplesmente o feromônio duplo, como também lhe apresentara até um hospital que pesquisava características especiais. Ainda que o resultado dos exames com que ele se deparara lá fosse de forma alguma um conteúdo que ele desejasse.
O rosto de Haeil, que ouvia a história, contorceu-se de forma complexa.
“A pessoa que percebeu antes de todos o segredo de Baek Kanghyeon…”
Haeil mal conseguiu conter mais uma fala carregada de ciúme que quase jorrava para fora da boca. Em vez disso, dentro da boca ficava girando um lamento inútil, algo como “eu é que devia ter conhecido primeiro”.
Haeil, que se sentiu à toa injustiçado e magoado, só apertou o inocente Kanghyeon num abraço forte. Ele perguntou a Kanghyeon, que se debatia dentro de seu peito reclamando que estava sufocando:
— A probabilidade de esse cara mudar de repente e dar em cima do senhor Baek Kanghyeon?
— Isso não vai acontecer. E de verdade eu estou sufocando, viu.
Só então Haeil afastou um pouco os corpos colados e olhou para o rosto de Kanghyeon. Haeil ainda estava com uma expressão insatisfeita.
Kanghyeon disse enquanto arrancava o braço firme que apertava sua cintura:
— Em troca de ser sensível tanto quanto o senhor Kwon Haeil, ele passou por muito sofrimento. Se for alfa, ele abomina.
— O senhor Baek Kanghyeon também é alfa.
Kanghyeon, que ergueu o tronco e se sentou do lugar onde estava deitado, falou como quem suspira:
— Sou dominante. É só que fica tudo bem porque, quando nos encontramos, eu controlo rigorosamente para não ser desagradável. E aquele irmão mais novo tem uma pessoa de quem gosta, à parte.
A força da declaração “tem uma pessoa de quem gosta, à parte” foi descomunal.
O rosto de Haeil, que estava cheio de ansiedade, logo se iluminou.
Haeil, que segurava firme a mão como se não fosse soltá-la, levantou-se de um salto seguindo Kanghyeon.
— Então é verdade mesmo que não tem relação nenhuma, né?
— Sim.
Kanghyeon, que respondeu com facilidade à pergunta insistente de Haeil, por um instante estancou.
Por algum motivo, a fala de “não temos relação nenhuma” que ele mesmo dissera e a fala que Haeil dissera agora chegaram-lhe de forma claramente diferente.
Como dissera Haeil, ele e Seong Taerim não passavam de uma simples relação de irmão mais velho e mais novo. Além disso, não se conseguia encontrar uma relação com algum sentimento que se pudesse chamar de decente.
Talvez por isso, o peso do “não temos relação nenhuma” dito a respeito da relação entre os dois não era lá muito pesado.
Mas e se experimentasse dizer tendo como alvo a ele mesmo e a Kwon Haeil?
Era curiosamente muito pesado. A ponto de até soltar para fora da boca ser custoso demais, e de receber a sensação de que algum lugar dentro do corpo estava sendo esmagado, era de verdade angustiantemente pesado.
Kanghyeon, encostando as costas na parede fria que fazia contato com a cama, murmurou:
— O que nós… realmente somos?
Haeil, aproximando-se bem de Kanghyeon, perguntou de volta:
— Você precisa de alguma denominação pomposa?
As longas pernas de Haeil, que erguera os joelhos, e de Kanghyeon se cruzaram na medida certa. Kanghyeon, preso entre as pernas de Haeil, aguardava em silêncio a fala que se seguiria dele.
— Estou dizendo, é preciso mesmo cravar com certeza que temos alguma relação específica?
Haeil ergueu a mão de Kanghyeon que segurava e, de forma ostensiva, beijou-a. Era como se perguntasse: só de ver isto você não entende?
— Assim como o senhor Baek Kanghyeon é especial para mim, se eu for especial para o senhor Baek Kanghyeon também, com isso já basta.
Especial.
Aquela palavra, tão comumente usada, abalou Kanghyeon de forma estranha.
Os lábios de Kanghyeon se moveram.
— Eu sou espec… ial para o senhor Kwon Haeil?
De forma fofa, Kanghyeon mostrou reação apenas à parte de que ele mesmo era especial.
Como se, quanto à parte de que Kwon Haeil era especial para Baek Kanghyeon, ele não tivesse a mínima dúvida.
Haeil, sentindo o peito passar de cócegas a latejante, riu satisfeito.
“É obtuso num lugar estranho. Dá vontade de possuir.”
Isso, Baek Kanghyeon era esse tipo de pessoa.
Ao mesmo tempo que parecia perfeito, nas relações com as pessoas era descuidado a ponto de ser fofo e, sem parecer alguém que crescera em meio a uma base tão privilegiada, tinha uma autoestima baixa.
Parece que, com esse tipo de pessoa, mesmo, se não se disser às claras, ele não entende.
— Alguma vez eu já dei atenção, nem que fosse com o olhar, a outro alfa que não o senhor Baek Kanghyeon? Ômega também, depois que te conheci, eu nem olho. Só de ver a direção pra qual a cabeça do meu pau aponta, o mundo inteiro já saberia, então por que você é tão …!
— Cala um pouco a boca.
A mão de Kanghyeon afinal tapou a boca de Haeil. Por causa da fala vulgar que ele soltara sem constrangimento, um ar de vergonha pousou nos olhos de Kanghyeon.
Haeil, ao contrário, estava se divertindo com isso.
A língua de Haeil lambeu de forma insinuante a palma da mão de Kanghyeon que tapava sua boca.
— Ung…
Sobressaltando-se com a sensação repentina de cócegas, quando ia tirar a mão, até isso acabou sendo agarrado por Haeil.
Haeil, lambendo como quem faz cócegas com a ponta da língua a palma da mão de Kanghyeon que lhe fora oferecida como uma isca, fez a outra mão, que antes segurava, apontar para a região de baixo. Ao dorso da mão de Kanghyeon, a parte de baixo protuberante de Haeil se encostou quentinha.
— Sou eu que fico ereto só da mão do senhor Baek Kanghyeon encostar assim. Depois de ter visto o estado em que eu balanço o rabo feito cachorro só de ouvir a voz, agora vem se fazer de desentendido?
— Já entendi, então para… Ugh…!
Kanghyeon encolheu os ombros diante da sensação dos lábios de Haeil sugando e lambendo a palma de sua mão. Sentia a coisa firme que se esfregava na outra mão, agarrada, contorcer-se continuamente.
Haeil sussurrou de forma maliciosa a Kanghyeon, que desviava o olhar com o rosto embaraçado:
— Para mim, o senhor Baek Kanghyeon é o mais especial. Mesmo que me mandassem viver trancado neste quarto vinte e quatro horas, sozinho, só te mordendo e chupando, eu conseguiria viver.
— Que loucura é essa que você… fala de forma tão prolixa…?
— É que agora eu não consigo viver sem o senhor Baek Kanghyeon. Morro de solidão.
Haeil, que sorriu de canto, deu beijinhos estalados em cada articulação dos dedos de Kanghyeon.
— O senhor Baek Kanghyeon também não ia se sentir muito solitário sem mim?
Kanghyeon, que começara a ficar um pouco quente por causa do contato físico de cócegas de Haeil, ruminou tardiamente uma palavra que ele soltara.
“Soli… tário…?”
Era uma palavra em que ele não pensara lá muito na vida. Talvez porque vivera se cobrando a ponto de não ter tempo sequer para pensar a fundo sobre relações particulares entre pessoas, não tivera nem brecha para sentir algo assim.
— Fala aí, hã? Experimenta pensar em viver de verdade só trabalhando, sem mim.
Kwon Haeil, que sem que se percebesse já se dissolvera fundo no dia a dia de Baek Kanghyeon.
Se ele desaparecesse, como seria de fato a sensação?
O que exatamente passaria a dominar a cabeça, que emoção seria?
Kanghyeon, fitando os olhos sem vacilo de Haeil, sem se dar conta acabou mergulhando num pensamento profundo.
— Não fica solitário mesmo?
Kanghyeon, dentro da cabeça, tentou apagar de sua vida o homem chamado Kwon Haeil.
A rotina de, como antigamente, viver apenas soterrado no trabalho e, sem ninguém a quem abrir o coração, simplesmente voltar para uma casa vazia em que ninguém o esperava.
Os dias em que o celular ficava cheio apenas das mensagens preocupadas dos hyungs que ele queria proteger e em que se debatia num sentimento de autocensura que ninguém conseguiria acalentar, em meio à falsa expectativa do pai.
As horas áridas em que tinha de se cobrar sem descanso, com um único objetivo de avançar o mais rápido possível, sem vacilar, ajustado a um roteiro pré-escrito.
Pensar que tudo aquilo voltaria deixou-lhe o peito apertado só de imaginar.
— Viu só.
Haeil, que não desgrudava os olhos do rosto em transformação de Kanghyeon, exibiu um sorriso vistoso.
— Eu sou especial.
Diante da fala confiante de Haeil, Kanghyeon não conseguiu retrucar nada.
˚˚˚
Você vai vir ver pessoalmente hoje, né?
Até mais tarde ღゝ◡╹)ノ♡
Kanghyeon estava, mais uma vez, se surpreendendo com os emoticons de Kwon Haeil, que mudavam a cada vez sem se cansar.
Junto com isso, com o fato de que já chegara o dia de visitar o clube, sentiu na pele que ultimamente o tempo vinha passando de verdade muito rápido.
Os dias de visita ao clube WAVE eram duas vezes por semana e, em geral, ele costumava ir às segundas e às sextas. Especialmente a sexta, por se emendar com o fim de semana e ser boa para sair do trabalho juntos e se divertir, fora algo que Kwon Haeil solicitara com veemência.
“Ainda assim, na semana que vem tem uma reunião marcada na sexta, então vou ter de mudar a agenda.”
Kanghyeon, que olhava para o calendário da mesa lembrando-se da reunião importante marcada para a semana que vem, tardiamente soltou um “ah”.
“Agora que penso nisso, a semana que vem é…”
Os olhos de Kanghyeon ficaram um tanto embaraçados.
A semana que vem era, logo justamente, a semana do ciclo de rut de Baek Kanghyeon.
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Continua….
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✦ Tradução, revisão e Raws: Faby&Belladonna
Ler Alphega (Novel) Yaoi Mangá Online
Sinopse:
Baek Kanghyeon, o herdeiro oculto e quarto filho do presidente do Grupo Baekcheong, guarda um segredo: ele é um tipo raro com 99% de características Alpha e 1% de características Omega.
Tendo vivido toda a sua vida como um poderoso Alpha dominante, seu mundo muda repentinamente quando Kwon Haeil surge em seu caminho.
— Acho que posso morrer de tanto gostar de você, Baek Kanghyeon-ssi.
Kwon Haeil, um Alpha obstinado que só sabe seguir em frente para conseguir o que deseja, rapidamente se torna uma presença indispensável na vida de Kanghyeon—
— Parabéns. Você está grávido de seis semanas.