Ler Alphega (Novel) – Capítulo 74 Online

- Capítulo 74 –
Com a boca tapada, engoliu um fôlego carregado de dor. Para arrancar a mão que tapava sua boca, a mão que a segurava começou a tremer aos poucos. O corpo, que se debatia com violência, foi interrompendo os movimentos aos solavancos e teve fracos espasmos.
“Logo numa hora dessas…!”
Diante da dor que parecia dilacerar o baixo-ventre, a fisionomia de Kanghyeon empalideceu.
Ele sabia que era um sintoma que vinha de forma convulsiva conforme o estresse e a agitação emocional. Considerando que recentemente a dor no baixo-ventre se tornara frequente, uma dor que aparecia de súbito ajustada a um momento como agora, em que ambos despejavam as emoções e os feromônios um do outro, pela experiência, podia-se dizer que não tinha nada de estranho.
Ainda assim, o momento era ruim a ponto de fazê-lo repetir por que logo agora.
Queria falar com Kwon Haeil, que estava friamente com raiva.
Que não fora sua intenção magoá-lo.
Que não fora com a intenção de fazê-lo pôr aquela expressão desnorteada.
E, somado a isso, se pudesse fazer uma pergunta, queria também perguntar o que exatamente nós somos.
Mas, longe de dizer tais coisas, doía a ponto de nem conseguir emitir um som de respiração. Seguiu-se uma dor terrível, como se lhe rasgasse o baixo-ventre em tiras ainda vivo. Por algum motivo, hoje parecia doer várias vezes mais que o normal.
Kanghyeon engoliu não sei quantas vezes um gemido de dor e tremeu o corpo.
Por volta daquele momento, Haeil também percebeu a anomalia de Kanghyeon.
O poderoso feromônio que Kanghyeon vinha espalhando sem se dar por vencido de repente desabou.
Havia uma grande diferença entre aplacar o feromônio pela própria vontade e ele se dispersar sem que se pudesse fazer nada. Especialmente, se aquilo fosse um fenômeno de um portador de característica dominante, havia um problema ainda maior.
— Baek Kanghyeon?
Haeil, que sentiu a estranheza, tirou a mão da boca de Kanghyeon. Junto com o fôlego que estava preso, escorreu um gemido custoso.
— Ugh, ung…
Assim que ouviu o gemido de Kanghyeon, Haeil recolheu de uma vez o próprio feromônio e fez um rosto perplexo.
— O que é isso, por que você está assim? Senhor Baek Kanghyeon!
Haeil, acariciando com as duas mãos o rosto de Kanghyeon, do qual brotara suor frio, examinou às pressas seu estado.
Kanghyeon, de fisionomia pálida, parecia sofrer a ponto de até respirar ser difícil. O canto dos olhos apertados com força e os lábios firmemente mordidos tremiam sem parar. Assim que Haeil desceu de cima, o corpo, que começara a se encolher por conta própria para proteger a região dolorida, se contorcia de forma irregular.
Haeil deu-se conta de que as duas mãos de Kanghyeon comprimiam desesperadamente seu baixo-ventre. Haeil comprimiu, junto com as mãos de Kanghyeon, aquele baixo-ventre firme.
— Aqui? Está doendo aqui? Hã?
Kanghyeon, como se nem tivesse forças para responder, apenas deixava escapar uma respiração ofegante. Aquela cena, em que ele nem conseguia emitir um som de tanta dor, deixou Haeil meio em pânico.
— De repente por que… Primeiro vou chamar uma ambulância. Vamos ao hospital, senhor Baek Kanghyeon. Eu, eu te levo. Você vai sarar logo, então só um instante…
No instante em que erguia o corpo para ir pegar o celular a fim de chamar uma ambulância.
A mão de Kanghyeon o segurou.
— Não… Ah, ugh…
Kanghyeon, sem conseguir sequer dar sequência à fala, cuspiu uma respiração custosa.
Mesmo em meio a isso, Kanghyeon segurava firme a mão de Haeil e não queria soltar.
Se fosse levado ao hospital assim, com certeza o pai também ficaria sabendo. Dependendo do resultado dos exames, talvez chegasse a saber até que ele vinha convivendo com uma dor dessas havia muito tempo.
Se isso acontecesse, provavelmente teria de passar alguns anos recebendo uma superproteção indesejada e fazer um repouso forçado. Naturalmente, também surgiria um grande contratempo no cronograma da sucessão.
Para mudar a Baekcheong e, além disso, para conseguir livrar seus irmãos da cruel pressão do pai, ele tinha de se sentar no posto de presidente o quanto antes. Não podia de forma alguma tolerar nada que freasse esse caminho.
Kanghyeon, a custo, arregalou os dois olhos e encarou Haeil.
— De jeito… nenhum…
Mesmo em meio à dor, a força da mão de Kanghyeon era descomunal. Agarrava a mão de Haeil a ponto de doer e de forma alguma queria soltar.
Haeil, diante daquela cena, fez uma expressão angustiada.
— Você está com dor, ora… Porra, não é outra pessoa, é o senhor Baek Kanghyeon que está com dor, agora! Por que você está impedindo!
Mesmo diante do grito de Haeil, Kanghyeon balançava a cabeça teimosamente. Enquanto isso, por causa da dor no baixo-ventre, a respiração se desregrava numa bagunça e o tremor do corpo também ia ficando ainda mais intenso.
Haeil, fitando as duas mãos de Kanghyeon que o seguravam, ficou em conflito.
Se quisesse se soltar, conseguia. Ainda que ele o segurasse com força, com a força de Haeil daria de sobra para se soltar.
Mas de jeito nenhum conseguia fazer isso.
Por causa dos dois olhos desesperados de Kanghyeon e da urgência que se sentia através da mão dele, não tinha coragem de soltar.
— O que você quer que eu faça… O que é que eu faço…
Kanghyeon, que ouviu a voz de Haeil, por algum motivo teve o pensamento de que ele parecia sofrer ainda mais que ele mesmo.
De repente, veio-lhe à mente algo da infância.
O terceiro hyung, Baek Heeu, tinha o corpo fraco desde criança. Era tão frágil que, ao mínimo esforço, desmaiava num piscar de olhos ou ficava ofegante, e todo ano passava por muito sofrimento por causa de doenças recorrentes.
Como a diferença de idade não era grande e ele crescera considerando Heeu como um amigo, quando ele adoecia e não podia se encontrar com ele, sentia uma solidão ainda maior. Por isso, à revelia dos empregados, com frequência se esgueirava para dentro do anexo em que Heeu ficava relegado.
Um canto do gélido anexo, de temperatura diferente da casa principal.
Quando encontrava Heeu, que gemia de dor sem ninguém para cuidar dele, era sempre repreendido por ele. Ainda que, por ser alfa, a probabilidade de pegar um resfriado ou outra doença fosse ínfima, Heeu, preocupado com o próprio corpo, sempre lhe dava um sermão.
Ainda assim, ele não voltava e resistia. Segurava a mão de Heeu e ficava ao seu lado dizendo para ele sarar logo e voltarem a brincar e estudar juntos.
Quando ficava ao lado dele assim, o rosto dolorido ficava um tanto mais tranquilo. Mesmo em meio ao sermão, chegava a fazer graça dizendo que, graças a ele, parecia que ia sarar logo.
Kanghyeon, que se lembrou daquela época, sem perceber já movia os lábios.
— Do lado…
Por entre a respiração custosa de Kanghyeon, escorreu uma voz tênue.
— Só… fique do meu lado…
Haeil fitou, perturbado, o rosto sofrido de Kanghyeon.
O pensamento de que devia chamar uma ambulância nem que fosse agora dominava sua cabeça, mas de jeito nenhum conseguia arrancar a mão que o segurava.
No fim, Haeil, em vez de se soltar, segurou a mão de Kanghyeon entrelaçando os dedos. Nesse estado, deitou-se lado a lado com ele na cama e o puxou para o próprio peito.
Haeil, acariciando as costas de Kanghyeon, que abraçava, murmurou com angústia:
— Por que você tá com dor, francamente… Assim eu nem consigo ficar com raiva.
Bem ao lado, ouvia-se o som da respiração custosa de Kanghyeon. De quando em quando, talvez porque a dor se intensificava, ouvia-se também, de forma intermitente, um gemido leve.
Haeil, abraçando Kanghyeon ainda mais forte, sussurrou:
— Não, não vou ficar com raiva. Não vou ficar com raiva, então não fica com dor. A culpa foi minha… Não fica com dor, vai… A culpa foi toda minha…
Kanghyeon, que suportava a dor, ouvindo o som dos sussurros de Haeil, riu por dentro.
“Só agora eu entendo o hyung Heeu.”
O calor de uma pessoa que se sente quando se está com dor, então era uma coisa tão agradável assim.
A dor de Kanghyeon melhorou por volta de quando se passaram cerca de dez minutos.
Em comparação com o ciclo em que a dor vinha ter ficado frequente de forma irregular, o tempo de duração do sintoma parecia ser mais ou menos o mesmo.
Só que a sequela não se dissipava com facilidade.
Por isso, Kanghyeon, mesmo agora que a dor se aplacara e restara apenas a latejante, continuava deitado quietinho.
Claro, cerca de metade do motivo de estar deitado assim também era culpa de Kwon Haeil.
— Até quando você vai ficar assim?
Kanghyeon perguntou, ainda abraçado por Haeil. Em sua cintura estava firmemente enrolado o braço de Haeil.
Haeil, que beijava a mão de Kanghyeon com os dedos entrelaçados, retrucou:
— Agora você de verdade não está com dor, né?
— Já falei que sim.
— Ainda assim, como não dá pra saber se você vai ficar com dor de novo, vamos ficar deitados só mais um pouco.
— Você não disse que, uma vez que dói, depois fico bem por um tempo?
Por mais que ele falasse, Haeil de modo algum tinha a intenção de soltá-lo.
Kanghyeon, engolindo um suspiro, olhou para Haeil.
O rosto dele, que, de olhos baixos, o beijava de forma tão fraca a ponto de fazer cócegas, não estava travesso como de costume. Tanto quanto o tênue tremor que se sentia através da mão de dedos entrelaçados, seus olhos também oscilavam de forma tênue.
“Parece que ele se assustou bastante.”
Sentiu-se sem querer com pena.
E, ao mesmo tempo, o peito fez cócegas de forma sutil.
Que houvesse uma pessoa que se preocupava e se afligia tanto quanto os irmãos quando ele estava com dor era ao mesmo tempo curioso e agradável.
“Sentir-me bem tendo diante de mim uma pessoa que se preocupa assim comigo…”
Escapou-lhe um risinho.
Haeil, ao ver aquilo, franziu o canto dos olhos.
— Você tá rindo agora? O senhor Baek Kanghyeon estava quase à beira da morte, sabia?
— Não exagera. Não é doença mortal. Disseram que é só do estresse.
— Tem certeza? É verdade mesmo que não tem nenhuma anomalia grave no corpo?
— Tenho.
Mesmo dando a resposta, Haeil de modo algum se tranquilizava.
— Que tal você ir ao hospital comigo nem que seja agora? Se não quer que se saiba, eu procuro um lugar de boca fechada. Não, quem sabe seja melhor procurar no exterior?
— Senhor Kwon Haeil.
Quando Haeil soltou aquilo tudo num rosário, em tom sério, Kanghyeon chamou o nome dele e falou como que cansado:
— Estou mesmo bem. Se você ficar assim toda hora, fica de verdade cansativo.
— …Tá, eu paro.
Haeil, deixando pender as orelhas invisíveis, encostou de leve a própria testa na cabeça de Kanghyeon. A cabeça, que vinha tendo todo tipo de pensamento, ainda estava quente.
Haeil, que esfregava o rosto na cabeça macia de Kanghyeon, sentindo o tênue cheiro doce que roçava a ponta de seu nariz, mergulhou por um instante em pensamentos.
“Agora que penso nisso, há pouco foi meio estranho…”
Haeil lembrou-se do instante em que Kanghyeon, sentindo a dor repentina, desregulou o feromônio.
Aquele momento em que o feromônio de alfa de Baek Kanghyeon perdera o controle e se dispersara.
Como que mirando justamente aquele instante, o feromônio de ômega, que até então estava calmo, mostrava uma agitação bizarra.
─── ✧・゚: * ✧・゚:* ───
Continua….
⌀ ⌀ ⌀
✦ Tradução, revisão e Raws: Faby&Belladonna
Ler Alphega (Novel) Yaoi Mangá Online
Sinopse:
Baek Kanghyeon, o herdeiro oculto e quarto filho do presidente do Grupo Baekcheong, guarda um segredo: ele é um tipo raro com 99% de características Alpha e 1% de características Omega.
Tendo vivido toda a sua vida como um poderoso Alpha dominante, seu mundo muda repentinamente quando Kwon Haeil surge em seu caminho.
— Acho que posso morrer de tanto gostar de você, Baek Kanghyeon-ssi.
Kwon Haeil, um Alpha obstinado que só sabe seguir em frente para conseguir o que deseja, rapidamente se torna uma presença indispensável na vida de Kanghyeon—
— Parabéns. Você está grávido de seis semanas.