Ler Alphega (Novel) – Capítulo 73 Online

- Capítulo 73 –
Haeil, sem mais nem menos, agarrou o braço de Kanghyeon.
Até então, muitas vezes tivera o braço agarrado, mas era a primeira vez que era agarrado de forma dolorida como agora. Kanghyeon não conseguiu esconder e deixou transparecer o ar de dor.
— Está doendo. O que é isso de repente?
— Como acho que vai me escapar um palavrão, venha atrás quietinho.
A voz baixa de Haeil soou ameaçadora. Kanghyeon, sem entender por que ele estava com raiva, acabou sendo arrastado à força para a casa dele.
Haeil arremessou Kanghyeon com força na cama. E então, montando por cima de forma a nem deixá-lo erguer o corpo, comprimiu para baixo, com peso, os dois pulsos de Kanghyeon.
— Foi se encontrar com quem? Que filho da puta é?
Kanghyeon, que estava com os olhos confusos, encarou Haeil com firmeza.
— Falando desse jeito, com certeza vou ter muita vontade de responder.
— Eu também não queria ter de perguntar desse jeito, sabia?
Haeil perguntou, reprimindo ao máximo a raiva que subia:
— Estou perguntando por via das dúvidas, mas não foi com o hyung mais velho que você se encontrou, né?
Se fosse o feromônio dos outros irmãos ômegas de Kanghyeon, ele o guardava na memória. Como era claramente diferente daquele, preferia que fosse o hyung mais velho de Kanghyeon, que ele ainda não tivera a chance de conhecer, quem tivesse pregado uma peça.
Lamentavelmente, a pequena expectativa de Haeil foi lastimavelmente esmagada.
— Não foi. Por que diabos você está assim?
— Porra, então você esteve com outro ômega que nem é seu irmão e voltou? O Baek Kanghyeon que se fazia de tão recatado?
O rosto de Haeil contorceu-se friamente.
Kanghyeon ficou simplesmente perplexo com o fato de Haeil ter percebido aquilo.
Com certeza, de si não se sentia o feromônio de Seong Taerim. Em geral, quando os dois se encontravam, cada um costumava controlar habilmente o próprio feromônio para que não houvesse grande influência sobre o outro. Hoje também fora igual e, mesmo depois de tê-lo acompanhado até em casa, pelo que ele mesmo sentia, não havia nenhum feromônio de ômega específico grudado no corpo.
“Não, será que não havia mesmo grudado?”
Kanghyeon, por um instante, lembrou-se de que, na hora de se despedir de Seong Taerim, ele de repente o abraçara dizendo que era uma “brincadeira”.
Ainda continuava sem conseguir sentir cheiro doce algum, mas, tratando-se de Kwon Haeil, que captava feromônios com sensibilidade, era possível que ele tivesse percebido um vestígio de que nem ele mesmo sabia.
— Espero que você não force demais, hyung.
“Não me diga que foi de propósito?”
Kanghyeon, que se lembrou do sorriso enigmático de Seong Taerim, num átimo ficou com o rosto perplexo. Haeil, ao ver aquela expressão, franziu ainda mais o rosto.
Kwon Haeil, no instante em que Baek Kanghyeon chegara em casa, conseguira perceber de imediato que ele viera de um encontro com um ômega. Como era uma pessoa com toda a atenção sintonizada no tênue cheiro doce de Kanghyeon, ele captara com precisão sobrenatural o aroma heterogêneo que se misturara dentro dele.
Era, literalmente, uma impureza do tamanho de um grão de areia.
Como era deveras tênue, Baek Kanghyeon não teria como perceber, mas, não sendo outro senão Kwon Haeil, não havia como deixar aquilo passar.
Haeil sentiu o estômago arder de um ciúme descomunal que nunca imaginara nem experimentara na vida.
Era como se o outro tivesse feito uma marcação nele à revelia de Kanghyeon. A esse ponto o vestígio dessa tênue impureza trazia consigo uma intenção extremamente sinistra.
Haeil, sentindo uma raiva acre que parecia varrer sua razão por inteiro, acuou Kanghyeon.
— Quem é? De onde é esse ômega que você foi encontrar? É verdade mesmo que você só jantou e voltou? Não foi lá dar uma rapidinha e voltou? Porra, diz que não foram duas.
— Espere um instante, senhor Kwon Haeil. Parece que você está entendendo algo errado…!
— Entendendo errado uma ova! Você encontrou um ômega, foi sim!
A voz de Haeil, por um instante, ergueu-se. Em sua voz estavam dissolvidas, de uma só vez, todo tipo de emoções negativas, como ansiedade, aflição, confusão, raiva. Ver uma cena dessas era a primeira vez desde o incidente da sala especial, então Kanghyeon também não pôde deixar de ficar perplexo.
Ainda assim, não podia mentir. Não havia motivo para fazê-lo, e, com Kwon Haeil, ele não queria agir assim.
— …Foi, sim. É um irmão mais novo que conheço há muito tempo.
Um irmão mais novo que conhece há muito tempo.
Haeil se comoveu de raiva diante do fato de que Kanghyeon tinha, além dele, um conhecido próximo.
“Não disse que não tinha amigos?”
Disse que não tinha amigos, não disse que não tinha um irmão mais novo conhecido, era isso, ou algo assim.
Era um conhecido particular de Baek Kanghyeon em que ele nem cogitara.
E, ainda por cima, uma capacidade refinada de manejo de feromônio a ponto de conseguir deixar um vestígio tão tênue assim sem que nem o próprio Baek Kanghyeon soubesse.
Não havia dúvida de que o outro era um ômega dominante.
Um ômega com feromônio tão poderoso a ponto de conseguir abalar até mesmo o alfa dominante Baek Kanghyeon, o inimigo natural de Kwon Haeil.
“Não pode. De jeito nenhum.”
A cabeça de Haeil começou a se emaranhar num caos.
Se fosse antes um ômega comum, teria toda a confiança de vencer sem problema. Se necessário, poderia esmagá-lo à vontade com o próprio feromônio.
Mas uma disputa de feromônio com um ômega dominante de forma alguma era fácil. Sendo feromônio para estimular o outro, por mais poderosos que ambos fossem, no fim, teria de travar por uma eternidade apenas uma luta de reprimir o instinto.
Ainda que vencesse uma disputa de feromônio com um ômega dominante, de que adiantaria?
No fim, enquanto ele mesmo fosse alfa, o que o próprio feromônio podia dar a Baek Kanghyeon não passava de uma repulsa instintiva.
Uma relação de quem se conhecia por mais tempo que ele, uma relação tolerante o bastante para permitir um momento em que se pudesse deixar um vestígio assim, e o cheiro doce de um ômega dominante capaz de fascinar qualquer alfa.
Tudo aquilo trouxe a Kwon Haeil uma impiedosa sensação de derrota.
Haeil rangeu os dentes diante de uma emoção angustiante que nunca sentira uma única vez na vida.
Kanghyeon, que fitava de baixo o rosto de Haeil no qual estavam dissolvidas emoções variadas, disse inconscientemente:
— Não houve nada que dê motivo para o senhor Kwon Haeil entender errado. Acredite em mim.
Kanghyeon, ao mesmo tempo que falava como quem acalma Haeil, teve a sensação de que algum lugar dentro da cabeça rangia.
“Por que eu tenho de dizer até uma coisa dessas?”
Mesmo diante da fala de Kanghyeon, a emoção de Haeil não se aplacou com facilidade.
— Agora que você veio até com um vestígio grudado desse jeito, quer que eu acredite? Tá, no Baek Kanghyeon eu acredito. Mas naquele filho da puta do ômega eu não consigo acreditar, sabia? Que aquele desgraçado passou a saliva dele em você à sua revelia. Isso aqui, se não fosse eu, você jamais teria percebido, entendeu?!
Toda vez que as palavras de Haeil jorravam como uma cachoeira, um canto da cabeça de Kanghyeon emitia um ranger, um ranger, um ruído desagradável.
“Tudo o que houve foi simplesmente encontrar um irmão mais novo conhecido, e isso é algo pra ser interrogado desse jeito?”
Kanghyeon sentiu que a massa heterogênea no fundo da garganta girava e girava como se fosse saltar para fora da boca a qualquer momento.
“É porque o Taerim é ômega?”
A dúvida, que ergueu a cabeça de forma desagradável, ia deixando a cabeça de Kanghyeon num caos tanto quanto a de Kwon Haeil. O ranger que ecoava dentro da cabeça, em algum momento, transformou-se num zumbido agudo.
Por entre um e outro, os escárnios dos entrevistadores que ouvira hoje reproduziram-se com nitidez.
A voz detestável que zombava do candidato, as falas que o menosprezavam olhando-o de cima como quem olha um ser inferior, a grosseria de arrepiar.
O motivo pelo qual o candidato tivera de aguentar tudo aquilo fora por ele ser “ômega”.
E agora, ocorreu-lhe o pensamento de que Seong Taerim também não estaria ouvindo palavras violentas como essas por ser “ômega”.
Sentiu pena de Seong Taerim, que acabara sendo alvo da hostilidade de Kwon Haeil. Ainda que quem criara esta situação tivesse sido a brincadeira dele.
O peito revirava como se fosse vomitar.
— …Cala a boca e sai da frente.
A voz de Kanghyeon ecoou baixa. Haeil, diante da fala de Kanghyeon, deu uma risada de escárnio e torceu os lábios.
— O quê?
— Falei pra calar a boca e sair da frente.
Kanghyeon, falando friamente, empurrou para longe a mão de Haeil que comprimia seu pulso. Como era uma força bastante intensa, a mão de Haeil chegou a ser um pouco empurrada, mas logo comprimiu de novo com uma força ainda maior que aquela.
— Não saio. Preciso saber que tipo de cara é esse ômega…!
— Ômega? Que problema tem ele ser ômega pra você ficar assim? Por que é problema a pessoa que eu encontrei ser ômega? E por que o senhor Kwon Haeil se importa com isso?
A fala gélida de Kanghyeon atiçou ainda mais a raiva de Haeil.
— A gente tem alguma relação grandiosa?
A fala que se seguiu enrijeceu friamente a fisionomia dele.
— A gente não tem relação nenhuma, oras.
A cabeça de Haeil, que estava emaranhada de forma complexa, num átimo tingiu-se de negro. A ponto de não conseguir pensar em nada e de não querer pensar em nada, tudo era simplesmente sombrio.
Que surgisse uma anomalia foi igual para Kanghyeon também.
Ainda que fosse uma fala que ele mesmo soltara, por algum motivo o coração teve um sobressalto. O peito, que revirava, agitou-se de forma ainda mais desagradável.
Mas Kanghyeon fez força para ignorar aquilo.
Kanghyeon, que encarava o rosto enrijecido de Haeil, empurrou-o com força. O corpo de Haeil, empurrado de uma vez de cima de Kanghyeon, desabou sem força na beirada da cama.
Kanghyeon levantou-se da cama massageando o pulso dolorido. Talvez por ter acabado de empurrar Haeil com firmeza, a expressão de Kanghyeon ficou um pouco complexa.
Quando a emoção exaltada começou a se aplacar, a cabeça também se acalmou junto. Deu-se conta de que Haeil o pressionara assim por preocupação com ele e de que ele mesmo também recebera a fala dele como uma questão de discriminação de característica e respondera de forma emocional.
Mas, à parte isso, seu humor estava uma bagunça. Não queria mais encarar aquela emoção intensa de Kwon Haeil, cujo desejo era desconhecido. Julgou que, ao menos depois de cada um controlar as próprias emoções, conversar seria o caminho em prol de ambos.
Pensando assim, tentou primeiro deixar este espaço, mas isso não foi tão fácil como Kanghyeon imaginava.
Assim que deu um passo, Kanghyeon, agarrado por uma mão truculenta, foi novamente arremessado sobre a cama.
— Ugh!
Ainda que houvesse o colchão, diante do choque repentino um gemido saltou involuntariamente. Independente disso, Haeil montou mais uma vez sobre o corpo de Kanghyeon.
— Senhor Kwon Haeil, que raios você está faze…! Mmf!
Kanghyeon, sem sequer conseguir dar sequência à fala, teve a boca tapada pela mão enorme de Haeil.
— Você é que cala a boca.
Os olhos de Haeil, de costas para a luz, fitavam Kanghyeon de baixo para cima com uma frieza cortante.
Kanghyeon pôde perceber que os dois olhos de Haeil estavam repletos de uma sede de sangue silenciosa. O feromônio de alfa carregado de intimidação que escorria dele também ia gradualmente aumentando de tamanho para esmagar Kanghyeon.
Kanghyeon sentiu um arrepio percorrer-lhe a espinha.
Na cabeça, que espalhava um zumbido bizarro, soou um sinistro toque de alarme. Advertiu-o mais uma vez a sair daquele lugar.
Kanghyeon, instintivamente, espalhou com força o próprio feromônio. O feromônio de Kanghyeon, que colidiu com o feroz feromônio de Haeil, fez saltar faíscas invisíveis.
Transmitiu-se uma latejante intensa, bem diferente de uma ardência ou de um formigamento. Como ambos liberavam feromônios de alfa como se fossem esmagar um ao outro, a força de repulsão também era descomunal. Aquela sensação de forma alguma era agradável.
Kanghyeon, mesmo enquanto espergia feromônio, esforçava-se ao máximo para arrancar a mão que tapava sua boca. Mas empurrar de baixo o que era comprimido de cima com força não era nada fácil. Ainda que quisesse empurrar o próprio Kwon Haeil, estava esmagado num estado em que não conseguia sequer usar direito a força da cintura, então não havia jeito.
Ao ouvido de Kanghyeon, que se debatia, chegou a voz lúgubre de Haeil.
— Relação nenhuma? Tá, porra, aos olhos do Baek Kanghyeon a gente nem mesmo tinha uma relaçã, porra nenhuma.
Ainda que estivesse usando palavrões e termos vulgares familiares, por algum motivo, da voz de Haeil não se conseguia ler a emoção. Só se conseguia perceber que ele estava imerso numa emoção enorme, algo além de simplesmente estar com raiva.
A fala ruminada de Haeil provocou também em Kanghyeon uma onda de emoção indecifrável.
Era estranho.
Ele mesmo com certeza soltara a mesma fala, então por que a fala que escorrera da boca de Kwon Haeil era como uma lâmina fria assim?
— Eu que achei que a gente tinha uma relação minimamente decente…
Ao fim da fala que Haeil deixou escapar, seguiu-se um autoescárnio sem força.
— Parece que eu fui um idiota.
Toda vez que a fala de Haeil prosseguia, Kanghyeon sentia que não era sua boca, mas seu peito que estava sendo esmagado. Parecia que, tanto quanto a cabeça, o peito também ia virando uma bagunça junto.
E outra parte também.
— Mmf…!
Kanghyeon arregalou os dois olhos diante da dor familiar e ao mesmo tempo terrível que se concentrou de repente em seu baixo-ventre.
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Continua….
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✦ Tradução, revisão e Raws: Faby&Belladonna
Ler Alphega (Novel) Yaoi Mangá Online
Sinopse:
Baek Kanghyeon, o herdeiro oculto e quarto filho do presidente do Grupo Baekcheong, guarda um segredo: ele é um tipo raro com 99% de características Alpha e 1% de características Omega.
Tendo vivido toda a sua vida como um poderoso Alpha dominante, seu mundo muda repentinamente quando Kwon Haeil surge em seu caminho.
— Acho que posso morrer de tanto gostar de você, Baek Kanghyeon-ssi.
Kwon Haeil, um Alpha obstinado que só sabe seguir em frente para conseguir o que deseja, rapidamente se torna uma presença indispensável na vida de Kanghyeon—
— Parabéns. Você está grávido de seis semanas.