Ler Salt Society (Novel) – Capítulo 101 Online

↫─Capítulo 101
Jo Yeon-oh deu um passo atordoado em sua direção, depois recuou violenta e repentinamente. Franzindo a testa profundamente enquanto encarava Gi-hyeon, ele passou a palma da mão pela boca em puro desespero e balançou a cabeça.
Gi-hyeon continuou perfeitamente, falando com a calma aterrorizante de um homem que estivera esperando a vida inteira para proferir exatamente esse monólogo.
— O ômega com quem você dormiu naquela noite. Fui eu. Eu dormi com você. Eu me aproveitei do fato de você estar apagado. Porque eu estava morrendo de vontade de saber como era fazer sexo com a pessoa que eu amava.
— So Gi-hyeon.
Jo Yeon-oh chamou seu nome, com a voz tremendo em uma negação frenética. Ou talvez fosse um apelo desesperado para calar a boca de Gi-hyeon. Ignorando o aviso por completo, Gi-hyeon despedaçou a represa que segurava tudo o que ele havia enterrado profundamente dentro do peito.
— E eu mantive isso em segredo. Forcei o gerente Yoo a prometer não contar. Porque eu sabia que se você acordasse e percebesse que tinha me fodido, você teria se arrependido pelo resto da sua vida.
— Não. Eu nunca fiz isso, eu nunca, nem uma única vez, me arrependi…
Jo Yeon-oh murmurou, com o rosto perdendo toda a cor. Ele negou freneticamente, reagindo não como se a verdade em si fosse inaceitável, mas como se Gi-hyeon tivesse soltado aquela bomba cedo demais, arruinando uma sequência de eventos meticulosamente planejada.
— Por que… por que você está dizendo isso agora… Já que eu não achei que você jamais me contaria, eu ia… eu ia ser quem te contaria que eu sabia que era meu filho, e que já que você não abortou o meu bebê… isso significava que, no fundo, você ainda deve…
O rosto gaguejante e desesperado de Jo Yeon-oh era absolutamente devastador de se olhar. Ele parecia exatamente um homem que acabara de testemunhar uma atrocidade impossível. Então, sua expressão se contorceu tragicamente. Ele parecia alguém que havia sido profunda e intimamente traído. Gi-hyeon simplesmente encarou aquele rosto. Ele honestamente não conseguia compreender por que Jo Yeon-oh estava reagindo daquela forma. E não conseguia se dar ao trabalho de tentar.
Aproximando-se do completamente impassível Gi-hyeon, Jo Yeon-oh segurou seus ombros com força e arrancou as palavras por entre os dentes cerrados.
— Então você…
— …
— Para apagar todos esses sentimentos… o seu plano desde o primeiríssimo começo era fazer isso desse jeito?
Gi-hyeon não respondeu. A expressão furiosa e contorcida no rosto de Jo Yeon-oh desmoronou mais uma vez. Os cantos caídos de seus olhos e seu olhar caótico e rodopiante buscaram freneticamente o rosto de Gi-hyeon, como se procurassem desesperadamente por algo. Gi-hyeon encontrou o olhar de Jo Yeon-oh com uma indiferença gélida.
— Quando estou lidando com um cara que só está esperando pelo fim…
— …
— O que mais eu deveria fazer.
Jo Yeon-oh puxou Gi-hyeon para frente. Puxando-o firmemente para o seu abraço, ele enterrou o rosto na curva do pescoço de Gi-hyeon e sussurrou ferozmente.
— Você sempre me faz tentar tão desesperadamente… Que porra mais eu posso sequer fazer aqui.
— …
— Você me diz. Eu vou fazer a porra do que você quiser, então, por favor, para de manter a boca fechada e só me diz o que fazer.
Gi-hyeon não ofereceu resposta. Soltando um suspiro baixo e trêmulo, Jo Yeon-oh bateu de leve no peito de Gi-hyeon com um punho frouxamente cerrado. Embora aquele único gesto sem força fizesse o braço mole de Gi-hyeon balançar, Gi-hyeon permaneceu perfeitamente imóvel, com a cabeça baixa, uma das mãos cobrindo o rosto.
Jo Yeon-oh respirou fundo várias vezes com dificuldade, lutando para puxar o ar. Falhando em se acalmar, ele passou a mão pelo cabelo de forma bruta, virou as costas e caminhou em direção à porta da frente.
Gi-hyeon permaneceu enraizado no lugar, observando as costas de Jo Yeon-oh se afastarem. Ele assistiu ao homem se virar de costas para ele e ir embora por completo, nunca desviando o olhar nem uma única vez, nunca fechando os olhos nem uma única vez.
Uma sensação aguda e congelante floresceu em seu peito, acompanhada por uma dor agonizante, como se algo vital estivesse escoando lentamente de dentro dele. Uma dor pesada e sufocante o esmagou. Ainda assim, sua mão moveu-se instintivamente para a parte inferior do abdômen. Porque sua barriga, simultaneamente, parecia pesada e dolorida. Com uma leve careta, ele observou as costas de Jo Yeon-oh se afastarem até o primeiríssimo segundo. Seu abdômen parecia estar sendo rasgado ao meio, e ele se perguntou vagamente se aquela era uma dor à qual eventualmente se acostumaria. Ele já estava exausto só de pensar em quanto tempo teria de aguentar aquilo antes de ficar dormente.
Encharcado de uma letargia absoluta, Gi-hyeon permaneceu ali parado, encarando fixamente a porta da frente fechada. “Limpe a destruição do quarto do bebê primeiro”, ele dizia a si mesmo repetidamente. “Não fique parado aqui que nem um idiota, comece a se mover.” Mesmo com o peito latejando em uma dor surda e persistente, Gi-hyeon se impeliu para frente implacavelmente.
E então, ele ouviu o som inconfundível da porta sendo destrancada novamente. Sobressaltado, Gi-hyeon virou-se rapidamente. Jo Yeon-oh havia retornado, com a expressão incrivelmente feroz conforme cruzava a soleira usando seus sapatos sociais, caminhando direto para a sala de estar. A veia violentamente saltada em sua testa tornava escancaradamente óbvio que ele estava no momento suprimindo algo imenso. Gi-hyeon preparou-se calmamente. Ele havia dito coisas imperdoáveis, então, se Jo Yeon-oh tivesse retornado para arrancá-lo membro por membro, ele estava pronto para aceitar.
Em vez disso, Jo Yeon-oh caiu diretamente de joelhos bem na frente de Gi-hyeon. O tecido de sua calça de terno esticou-se firmemente sobre suas coxas conforme todo o movimento de desabar no chão foi executado sem um único momento de hesitação. Agarrando ambos os pulsos de Gi-hyeon, Jo Yeon-oh pressionou desesperadamente as mãos de Gi-hyeon contra a própria testa, como um homem implorando por salvação.
— Você…
Gi-hyeon chamou seu nome, completamente atordoado. Jo Yeon-oh não respondeu. As mãos que seguravam Gi-hyeon tremiam violentamente. Apesar de sentir os tremores intensos, Gi-hyeon não o chamou de novo. Ele simplesmente inclinou a cabeça para trás e soltou uma longa e pesada lufada de ar.
— …Me desculpa, me desculpa tanto… Eu achei que aquele era o único jeito. Eu sentia que eu só tinha que ficar do seu lado, não importa o que acontecesse. Quando eu pedi para terminar, foi porque eu achei que eu tinha feito… aquilo… com outro… Eu não sabia que tinha sido você… Não é que eu não quisesse dormir com você—
— Yeon-oh-ya.
Gi-hyeon chamou seu nome suavemente. Livrando seus pulsos do aperto desesperado de Jo Yeon-oh, Gi-hyeon escorregou até ficar de joelhos, emparelhando-se com a posição de Jo Yeon-oh no chão. Tomando as mãos de Jo Yeon-oh nas suas, ele falou.
— Eu estou exausto.
— …
— Eu estou com dor, e está difícil demais.
— …
— Seja lá o que for isso, eu quero parar agora. Mesmo que seja amor, eu quero parar. E se não for amor, não existe absolutamente nenhuma razão para continuar me segurando a isso.
Jo Yeon-oh balançou a cabeça violentamente. Ele encarou Gi-hyeon com olhos suplicantes. Olhando de volta com uma expressão de profundo e inevitável arrependimento, Gi-hyeon murmurou um pedido de desculpas.
— É agonizante para você continuar do meu lado também.
Diante daquelas palavras, a expressão de cortar o coração e desesperada no rosto de Jo Yeon-oh desmoronou por completo. Ele encarou direto nos olhos de Gi-hyeon. Sem um único momento de hesitação, ele lentamente afastou as mãos de Gi-hyeon das suas. Soltando um deboche agudo e oco, ele falou.
— So Gi-hyeon, deixa eu te fazer uma promessa.
— …
— Você não vai conseguir me esquecer.
Gi-hyeon simplesmente o observou em silêncio. Com lágrimas pesadas apegadas aos seus olhos avermelhados, Jo Yeon-oh travou seu olhar no de Gi-hyeon e falou com uma clareza aterrorizante.
— Porque eu não vou ser capaz de fazer isso.
— …
— Nós somos exatamente o mesmo tipo de lixo. Dois bastardos idênticos que se encontraram, condenados a não fazer nada além de repetir esse mesmíssimo ciclo de tormento.
Jo Yeon-oh puxou Gi-hyeon para frente pela nuca. A primeira coisa a se tocar foram suas bochechas encharcadas de lágrimas.
— Se você quer parar…
— …
— Então para. Eu gostaria de ver você tentar.
Seus lábios se encontraram.
A pressão macia e úmida da boca de Jo Yeon-oh pressionou-se brevemente contra a de Gi-hyeon antes de se afastar. Então, o homem que estivera ajoelhado na sua frente levantou-se sem mais nenhuma palavra e caminhou direto por ele. O baque pesado de seus passos foi rapidamente seguido pelo estrondo ressonante da porta da frente sendo batida.
Desta vez, a porta não se abriu novamente.
↫─☫ Continua….
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✦ Tradução, revisão e Raws: Faby&Belladonna
Ler Salt Society (Novel) Yaoi Mangá Online
Sinopse:
So Gi-Hyeon decide confessar seu amor não correspondido de longa data ao seu amigo de infância, Jo Yeon-o, que despreza relacionamentos com betas.
O que recebe em troca não é nada além de uma repreensão cruel.
— Você ficou maluco, seu desgraçado…? Esqueceu que é um beta?
Yeon-o chega a sentir ânsia de vômito ao ouvir a confissão de Gi-Hyeon.
Gi-Hyeon quer encerrar seus sentimentos em silêncio, mas Jo Yeon-o não consegue simplesmente abandonar o amigo.
— Tudo bem. Vamos namorar, seu egoísta de merda.
Jo Yeon-o parece mais ferido do que qualquer outra pessoa.
A confissão tem gosto de sal.
É o início de um amor que já nasceu coberto por uma crosta de sal.