Ler Pivô Profundo (Novel) – Capítulo 128 Online


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Deep Pivot — Capítulo 128

Bang! Bang!

— O-o que vamos fazer… o que vamos fazer…

As mãos de Songhee tremiam enquanto ela conectava os cabos do monitor. O avançado equipamento de comunicação trazido pela NASA conseguia detectar remotamente as bioassinaturas vitais do sujeito, sem conexão física.

— É a minha primeira vez num portal. Nossa, isso é tão assustador…

Apesar de tremer com os tiros ocasionais que aconteciam nas proximidades, Songhee trabalhou rapidamente com Hee-min, montando o equipamento.

O Coronel Jin invadiu o acampamento base montado dentro do shopping perto da torre principal, gritando ordens em seu rádio.

— Não interfira com ninguém que tente entrar na torre principal.

Os membros da SAU que chegaram tarde ou já estavam posicionados ali formaram um perímetro defensivo ao redor do acampamento, afastando as anomalias implacáveis.

― Coronel Jin?

— Há uma operação adicional que você não precisa saber. Concentre-se nas suas tarefas e fique longe do caminho.

― Que operação?

— Seu desgraçado, que acabou de questionar as ordens de um oficial superior?

O Coronel Jin rugiu, sua fúria tão palpável que Songhee e Hee-min estremeceram involuntariamente.

O tempo estava se esgotando. O Coronel Jin sabia que o Major-General Park não ficaria de braços cruzados. Assim que a alta gerência emitisse ordens formais, eles provavelmente seriam arrastados para fora dali como cães sem realizar nada. Antes que isso acontecesse, precisavam levar bebê até o portal.

— A energia está ligada!

Songhee anunciou, com a voz carregada de alívio quando o monitor piscou e ganhou vida. Ela conectou o último equipamento e voltou sua atenção para o sistema.

Hee-min, enquanto isso, ficou paralisado diante de outro monitor exibindo uma transmissão ao vivo de câmeras pré-instaladas perto do núcleo do portão — o epicentro da transformação explosiva de Seojoon.

— …

A entidade monstruosa se agitava em um ritmo lento e ondulante, com seu abismo central mais escuro que o oceano mais profundo. Fileiras e fileiras de dentes afiados e alongados projetavam-se da estrutura orgânica, assemelhando-se ao reto decepado de alguma criatura enorme.

A estrutura se contorceu violentamente, expelindo anomalias viscosas uma após a outra. Essas formas grotescas se soltaram e começaram a se mover.

O Portal, formado a partir do corpo fragmentado de Seojoon, assemelhava-se a Portais comuns, mas era fundamentalmente diferente. Ainda assim, o outro lado permanecia um vazio de escuridão desconhecida.

Ninguém podia dizer com certeza se as anomalias que emergiam eram fragmentos do próprio Seojoon ou entidades separadas arrastadas de outra dimensão.

— Está funcionando!

Songhee exclamou de repente.

Bip, bip, bip. O ritmo constante de um sinal biológico apareceu no monitor — uma forma de onda rastreando os sinais vitais de Yeonwoo enquanto ele entrava na torre principal.

Hee-min virou-se bruscamente ao ouvir a voz dela, encarando a tela sem piscar. Ver que Yeonwoo ainda estava vivo foi um alívio, mas o verdadeiro teste estava por vir.

Assim que Yeonwoo entrou no portal que era Seojoon…

Normalmente, entrar em um portal seria como ser triturado em um liquidificador. As chances de este portão se comportar de forma diferente eram mínimas.

Mas Hee-min apostou a vida de Yeonwoo em uma variável, confiando na crença inabalável do jovem guia:

— Isso não é um portal. É o Tenente Ji. Posso entrar.

Se não fosse um portal, mas sim o verdadeiro Seojoon…

— Diretor Kang, eu… eu não sei se isso é a coisa certa a fazer. Será que bebê consegue mesmo sair vivo daí?

— Não tenho certeza se esse equipamento continuará funcionando lá dentro. – admitiu Songhee, com a voz trêmula.

— Se não queremos ser assassinos, tudo o que podemos fazer é rezar.

A taxa de compatibilidade entre Seojoon e Yeonwoo foi de impressionantes 98,8%.

Do ponto de vista médico, os 1,2% restantes não representavam uma lacuna trivial. Mas talvez o milagre que Cha Yeonwoo representasse pudesse preenchê-la.

— Que Seojoon não seja um portal. – murmurou Hee-min.

— E deixe Yeonwoo sobreviver lá dentro.

Songhee juntou as mãos e traçou uma cruz trêmula sobre o peito, como se as palavras de Hee-min fossem uma invocação sagrada. Naquele momento, não era apenas Songhee — todos na tenda ansiavam silenciosamente pela intervenção divina.

― O bebê entrou na torre principal.

O anúncio no rádio confirmou isso.

✽✽✽

Bang! Grito!

No silêncio sufocante dos destroços da Torre Principal, a respiração de Cha Yeonwoo se misturava aos gritos das anomalias e ao estrondo implacável dos tiros.

A metade superior da Torre Principal já havia desmoronado, deixando um emaranhado de lodo viscoso e tentáculos retorcidos enrolados em vigas de aço expostas.

Um parasita do tamanho do corpo de Yeonwoo se aproximou, atraído pelos tiros. Com facilidade, Yeonwoo ejetou seu carregador vazio, colocou um novo e explodiu a cabeça do parasita.

Huff… Ele acalmou a respiração. Apesar do ambiente de pesadelo, Yeonwoo sentiu uma atração inabalável, um instinto que o guiava em direção a um destino singular.

A torre estava saturada com a presença de Seojoon — ou talvez o que restava dele —, mas Yeonwoo conseguia sentir o âmago, a essência de quem ele era, esperando lá no fundo.

Bang! Bang! Os gritos das anomalias ficaram mais altos à medida que convergiam de todos os lados. Yeonwoo precisava se mover mais rápido, abrir caminho antes que pudessem bloquear completamente seu caminho.

Para onde Seojoon estava.

― Cha Yeon… hum… Bebê?

A voz hesitante que ecoou pelo fone de ouvido o assustou. Era Hee-min, claramente desconhecedor do sistema de comunicação de campo.

— Sim.

Bang! Yeonwoo disparou contra um Vetala agarrado à estrutura de aço acima dele, com a mandíbula grotesca à mostra. O barulho pareceu deixar Hee-min ainda mais perturbado.

― Suas comunicações… uh, ainda estão funcionais?

— Sim.

— Aquele dispositivo de biomonitoramento que anexei a você… certifique-se de que a bateria permaneça conectada. Os dados que coletamos podem ser inestimáveis para o futuro…

— Eu entendo.

— Diretor Kang! – interrompeu a voz exasperada do Coronel Jin. — Está falando sério sobre dados agora?

― Coronel, a pesquisa é vital! Todos os avanços na história médica da humanidade se devem à documentação e—

— Pelo amor de Deus, pare de falar! Me dá o maldito rádio! – Uma briga começou do outro lado da linha, com os xingamentos ásperos de Jin se misturando aos protestos de Hee-min.

Yeonwoo, distraído pelo barulho, cerrou o maxilar enquanto continuava avançando, limpando anomalias em seu caminho.

— Vou desligar as comunicações. – ele disparou.

— Espera! Yeon! Bebê!

— …Sim?

— Estamos monitorando você daqui. Se algo acontecer, faremos tudo o que pudermos para tirá-lo de lá. Não se preocupe e concentre-se em guiar Seojoon.

— Sim. – Yeonwoo respondeu secamente, erguendo sua arma em direção a um parasita que se lançava contra ele.

— Eu estudei muito para isso.

Bang! O parasita explodiu em um jato azul enquanto suas garras raspavam inutilmente as paredes viscosas.

Quando as comunicações silenciaram, o silêncio opressivo o oprimiu. Pela primeira vez, Yeonwoo se sentiu verdadeiramente sozinho.

…Não, não sozinho.

Seojoon esteve aqui. Em algum lugar.

Mesmo com o número crescente de anomalias e suas sombras iminentes despertando nele um medo primitivo, Yeonwoo seguiu em frente. O terror não importava. Nada importava, exceto alcançar Seojoon.

Em determinado momento, Yeonwoo parou de disparar sua arma completamente. Ele avançou através da massa de criaturas, empurrando-as para o lado com o corpo quando necessário. Sua respiração era ofegante e irregular, seus pulmões queimando, mas ele se recusou a parar.

As criaturas se aglomeraram, garras arranhando, corpos colidindo, mas ele não diminuiu o ritmo.

– Ugh…!

Um Vetala saltou do alto, prendendo Yeonwoo no chão. Rosnou, seus dentes serrilhados pingando saliva a centímetros do rosto dele.

A situação refletia seu confronto com um ghoul durante sua primeira operação de campo — quando as instruções calmas de Seojoon o guiaram.

— Mire nos pontos vitais.

Essas palavras ecoaram em sua mente enquanto Yeonwoo pegava sua faca de combate. Ele cerrou os dentes e cravou a lâmina na garganta do Vetala.

Crunch! A criatura desabou, com o peso pressionando-o. Ao empurrar o corpo para longe, seus olhos captaram algo incrustado no olho rompido — um brilho prateado.

Com as mãos trêmulas, Yeonwoo cavou os restos sangrentos da criatura, puxando o objeto preso em sua cavidade.

Era um anel.

O mesmo anel que Yeonwoo havia meticulosamente criado para Seojoon. Sua gravura rudimentar, a solda irregular — era inconfundível.

Por um momento, Yeonwoo encarou-o, incrédulo, com a respiração presa na garganta. Seu olhar se voltou para a massa de anomalias ao seu redor, uma onda de náusea crescendo à medida que a compreensão surgia.

Se o anel estivesse aqui, enterrado na carne dessas criaturas, isso só poderia significar uma coisa.

Essas anomalias… elas eram Seojoon.

— Ugh…!

A bile subiu rápido demais para ser suprimida. Arrancando a máscara, Yeonwoo caiu de joelhos, vomitando no chão viscoso.

O som de sua respiração ofegante preencheu o vazio. Seu corpo tremia de frio, de horror, mas, acima de tudo, de dor avassaladora.

As anomalias se aproximaram, seus rosnados guturais ecoando na câmara escura. Encostado na parede, Yeonwoo deslizou o anel no dedo ao lado do seu.

Ele cerrou os punhos e respirou fundo, o que fez com que nuvens de vapor branco se elevassem no ar.

Yeonwoo não conseguia mais pensar. Sabia que suas ações eram imprudentes, movidas pela ignorância e pelo desespero. Mas isso não importava.

Agora era a hora da imprudência. Agora era a hora de ser implacável, irrefletido — se isso significasse alcançar Seojoon.

Preparando-se, Yeonwoo se levantou. Suas pernas trêmulas o levaram para o interior da torre, abandonando seus equipamentos, peça por peça, enquanto corria.

Quanto mais ele avançava, mais seus sentidos se entorpeciam. Sua visão ficava turva, sua audição se deteriorava e as anomalias o acompanhavam, retardando seu progresso.

Mas ele continuou.

À frente, um som terrível e úmido de algo quebrando ecoou — um som que ele tinha certeza de que o chamava.

Finalmente, Yeonwoo saltou para frente, invadindo a câmara onde o esperava.

A massa colossal de matéria orgânica contorcida que enchia o salão era quente, sufocante e consumia tudo.

E para Yeonwoo, era o abraço da pessoa que ele mais amava.

— Se me acolher, Tenente… Estou pronto para entrar quando quiser.

 

 

 

 

 

Continua…

⌀ ⌀ ⌀

✦ Tradução, revisão e Raws: Yuki&Belladonna

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Sinopse:
Devido a um trauma, o esper Ji Seo-joon se recusava a ter um guia exclusivo. Por causa de sua aversão ao contato com guias e das constantes baixas taxas de compatibilidade, ele vinha recebendo guiamentos de baixa qualidade há anos.
Diante de Seo-joon, que estava à beira de explodir devido ao acúmulo de fadiga, surgiu um guia com uma taxa de compatibilidade milagrosa.
【98,8%】
O protagonista com um número sem precedentes, Cha Yeon-woo, ainda era um estudante do ensino médio que nem sequer havia se formado. Ele foi lançado ao campo sem passar por treinamento, como se não se importassem se ele morresse.
“Ah, eu não sou uma criança. Tirei um ano de folga, então tenho vinte anos… Espero que você não diga que sou muito novo, mesmo que não saiba os outros motivos.”
Seo-joon não pôde deixar de sentir um aperto no peito diante da aparência inocente e dedicada do guia novato…
Nome alternativo: Piv Profundo Deep Pivot

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