Ler O Caçador Que Quer Viver Tranquilamente (Novel) – Capítulo 08 Online


Modo Claro

↫─☫ Episódio 8: Cara Louco

— Até gêmeos nascidos com um minuto de diferença conseguem distinguir quem é mais velho e quem é mais novo!

Cha Eui-jae, explodindo de raiva, retrucou, e a máscara de gás respondeu com uma resposta submissa.

— Certo. Entendi, Hyung.

Hyung? De repente sendo tratado de forma tão íntima, Cha Eui-jae olhou para a máscara de gás com uma expressão perplexa.

— Hyung?

— Prefere que eu te chame pelo nome?

— Não.

— Ou devo te chamar de avental?

— Não, isso também não.

— Hmm, que tal concha?

— Você acabou de derreter minha concha.

Conforme Cha Eui-jae rejeitava cada sugestão, a máscara de gás falou com uma voz emburrada, percebendo que não estava chegando a lugar nenhum.

— Você não vai me dizer seu nome. Você não gosta de avental nem de concha, então só sobra Hyung.

— Não, simplesmente não me chame de nada.

— Devo te chamar de Hyung?

— Eu disse para não me chamar.

— Sim, Hyung.

A máscara de gás fingiu não notar a expressão atônita de Cha Eui-jae e se acomodou tranquilamente ao título. O plano de Cha Eui-jae de cortar a conversa com a máscara de gás havia falhado completamente. Ele sentiu que, se continuasse respondendo, acabaria sendo arrastado para o ritmo desse cara.

Ele poderia discutir mais, mas Cha Eui-jae tinha muito a fazer. Precisava encontrar Park Ha-eun e se preparar para o negócio da manhã antes do amanhecer.

Pensou em perguntar se a máscara de gás assumiria a responsabilidade se o negócio de hoje fracassasse por causa dele, mas, olhando para ele, imaginou que era do tipo que causaria mais mal do que bem na cozinha. De jeito nenhum a máscara de gás conseguiria preparar cebolinhas, picar alho, ferver caldo ou escaldar carne. Embora não conseguisse ver o rosto por trás da máscara, sabia que era verdade.

— Chega de arrastar o tempo discutindo detalhes. Não vou mais entrar nesse jogo.

— Eu nunca fiz isso.

— Você já fez duas perguntas.

— Uma era mentira, e você não respondeu a outra.

— Já disse que não era mentira. Se você não acredita em mim, não é problema meu. E eu não concordei em responder todas as suas perguntas, não é?

Olho por olho, dente por dente. Cha Eui-jae decidiu descer ao nível da máscara de gás e ser mesquinho. Pensou que, se a máscara de gás mostrasse qualquer sinal de estar perturbado ou pego de surpresa, ele simplesmente iria embora para procurar Park Ha-eun.

Mas a máscara de gás pareceu achar a situação divertida, encarando Cha Eui-jae como se estivesse se divertindo à beça. Bem quando ele estava prestes a retrucar, o celular da máscara de gás vibrou. A máscara de gás atendeu à ligação, ainda olhando para Cha Eui-jae.

— Alô?

— …

— …Ah, sério? Traga-a até aqui.

— …

A máscara de gás sorriu, incapaz de esconder seu contentamento.

— Certo, vou mandar alguém buscá-los.

— …

— Cuidem bem dela. Não a deixem chorar…

Depois de encerrar a ligação, a máscara de gás fez uma pausa antes de falar.

— Hyung, encontraram sua sobrinha.

— Onde?

— No parquinho ao lado da igreja próxima.

Ficava perto do beco em que estavam. Se a presença desse cara não o tivesse distraído, ele poderia ter buscado Park Ha-eun sem perder tempo. A máscara de gás continuou falando.

— Disseram que iam trazê-la até aqui… mas parece que ela quer ficar onde está. Já que o responsável dela está aqui, não podem forçá-la a se mover…

A máscara de gás deu de ombros.

— Vá em frente. Meu pessoal ficará por perto.

— Certo.

Cha Eui-jae já havia se virado pela metade em direção ao parquinho da igreja quando a máscara de gás mencionou isso. Seria rude interrompê-lo, então esperou até a máscara de gás terminar de falar antes de se mover. Esperou pacientemente como um cão bem treinado, então se virou imediatamente quando a conversa terminou.

Ah. Cha Eui-jae deu alguns passos antes de olhar de volta para a máscara de gás.

— …Obrigado.

Depois de expressar sua gratidão, que quase esquecera, estava prestes a se apressar quando a máscara de gás o segurou levemente.

— Hyung.

— O quê?

— Lee Sayoung.

— Quem é esse?

— Meu nome.

Os olhos dentro da máscara de gás se estreitaram ligeiramente.

— Até a próxima.

“Não, melhor não nos encontrarmos de novo. Agradeço por ter encontrado a Ha-eun, mas não quero encontrar um cara louco como você de novo.” Sem retribuir a despedida, Cha Eui-jae apressou os passos. No fim do beco, olhou para trás, meio esperando que Lee Sayoung o seguisse. Mas Lee Sayoung permaneceu onde estava, imóvel.

Por alguma razão, aquela cena grudou na mente de Cha Eui-jae.

***

Lee Sayoung ficou parado até a figura de Cha Eui-jae desaparecer completamente. Mesmo depois disso, esperou um pouco mais até que a presença de Cha Eui-jae se dissipasse por completo antes de se mover.

Ele se aproximou do cadáver imóvel deitado no chão. Sem hesitação, agarrou a cabeça do corpo, que tinha espinhos saindo dela, pelo cabelo e a ergueu.

— Eles têm aparecido com mais frequência ultimamente…

Assim que sua mão tocou, o cabelo começou a queimar, e a carne ficou preta e derreteu. Logo, o cadáver desapareceu, deixando apenas uma pequena poça preta.

Um gato preto pulou levemente sobre o muro estreito do beco atrás de Lee Sayoung. Da sombra do gato, uma cabeça redonda surgiu. Era um homem usando óculos de sol.

— Líder da Guilda.

— Sim.

Lee Sayoung não se surpreendeu com a presença repentina. Enquanto se ajoelhava e passava a mão sobre a poça, o último vestígio do cadáver desapareceu, deixando apenas um leve afundamento. O homem, segurando o gato no colo, informou.

— Reportando. O responsável acabou de chegar ao parquinho e se reuniu com a criança. Confirmamos que a criança o chamou de tio e o abraçou.

— Algum outro detalhe notável?

— Nenhum. Devemos segui-los, só por precaução?

— Sigam-nos. Verifiquem para onde vão e reportem de volta imediatamente.

— Entendido.

O homem acariciou gentilmente o pelo macio do gato e se curvou para Lee Sayoung.

— E uma mensagem do Vice-Líder da Guilda. Ele perguntou se uma reunião às 11h de depois de amanhã sobre a licitação da masmorra está bem.

Lee Sayoung assentiu em reconhecimento.

— Certo, vou repassar isso.

— Seo Min-gi.

Enquanto Seo Min-gi, tendo colocado o gato no chão, começava a deslizar para dentro de sua sombra, Lee Sayoung o chamou.

— Sim? O que foi?

— Me ajude a encontrar alguém.

— É só me dizer.

— Vasculhe o banco de dados do Departamento de Gestão dos Despertos e compile uma lista de homens acima de 25 anos, cerca de 180 cm de altura, com pelo menos um Despertar de grau B. Exclua os que tiverem rostos estranhos.

— O quê? O banco de dados do Departamento de Gestão dos Despertos?

Seo Min-gi apontou para si mesmo com o polegar.

— Eu?

— Por quê? Não consegue fazer isso?

O banco de dados do Departamento de Gestão dos Despertos. Estabelecido sob a Lei Especial dos Despertos promulgada alguns anos atrás, ele armazenava informações sobre todos os indivíduos Despertos na Coreia do Sul. Embora administrado diretamente pelo Departamento de Gestão dos Despertos, sua existência era tratada como segredo de estado, e a maioria dos civis desconhecia sua existência. Sua segurança também era muito rígida.

Mas invadir um lugar desses? Seo Min-gi, também conhecido como o Caçador “Um Pequeno Milagre Seo Min-gi”, respondeu, atrapalhado.

— Com algum tempo, consigo invadir, mas…

— Então invada.

A atitude de Lee Sayoung dava a entender que não era grande coisa. Seo Min-gi, já se sentindo sobrecarregado com a ideia de invadir um lugar tão seguro, enxugou uma lágrima secretamente. A vida de escritório com certeza não é fácil…

Seo Min-gi assentiu, os ombros caídos. Mas seu implacável superior não parou as ordens.

— E aquela estudante do fundamental que acabamos de encontrar. Você pegou o nome?

— Park Ha-eun, segundo ano, turma 2 da Escola Primária Saetbyeol.

— Verifique as relações familiares dela.

As instruções estavam cada vez mais difíceis. Com medo de ser repreendido por ser intrometido, Seo Min-gi hesitou, mas ainda assim perguntou corajosamente.

— Por que as relações familiares dela…?

— …

Enquanto Lee Sayoung calmamente colocava luvas de couro pretas, ele respondeu com indiferença.

— Eu me interessei pelo tio dela.

***

A casa de Park Ha-eun e da avó dela era uma antiga casa térrea. Depois de finalmente levar de volta para casa Park Ha-eun, que havia insistido em brincar mais, e confirmar que a avó estava repreendendo a neta teimosa, Cha Eui-jae se sentiu aliviado. Enquanto aproveitava um momento para recuperar o fôlego, a avó de Park Ha-eun lhe ofereceu chá de cevada e perguntou,

— Cha Eui-jae, você vai passar a noite aqui?

— Ah, não. Preciso voltar ao restaurante e me preparar para o negócio de amanhã.

— Como vai o negócio? Eu deveria ir lá ver…

— Está indo bem, vovó. A senhora sabe que sou forte. Consigo cuidar disso sozinho. Como está sua perna ultimamente?

— Minha perna? Quase curada.

Mentira. Cha Eui-jae observou em silêncio enquanto a avó caminhava até a neta adormecida. É fácil fingir que tudo está bem, mas não dá para esconder o favorecimento inconsciente da perna não machucada.

A avó suspirou enquanto acariciava a cabeça de Park Ha-eun, agora profundamente adormecida sob um cobertor na sala.

— Essa menina me dá ataques cardíacos o tempo todo. O que ela está fazendo lá fora à noite? Será que não sabe que é perigoso…

— Vou conversar com ela amanhã, então, por favor, não a repreenda demais.

Rindo, Cha Eui-jae pousou a xícara e discretamente verificou lá fora pela janela. Algo parecia estranho desde antes. Ele não havia sentido nenhuma presença a caminho do parquinho para buscar Park Ha-eun, então parecia que estava sendo seguido no caminho de volta.

“Será que aquele cara ordenou isso?”

Parecia suspeito que o deixassem ir tão facilmente. Ainda sorrindo, Cha Eui-jae se levantou.

— Boa noite, vovó.

— Já vai?

— Sim. Posso usar sua janela?

— Por que a janela?

— Tem algo que preciso resolver. Vou ligar amanhã para saber como estão.

Cha Eui-jae se dirigiu à janela do lado oposto da entrada, segurando os sapatos nas mãos.

Usando uma habilidade para mascarar sua presença, Cha Eui-jae contorceu o corpo para escapulir para fora. Fechou a janela silenciosamente, depois calçou os sapatos às pressas e ouviu atentamente os arredores.

Dois homens vigiando a porta da frente, mais dois esperando no beco. Como não faziam nenhum movimento, parecia que não haviam percebido sua fuga por aquela direção.

“Eu poderia simplesmente dar uma surra em todos eles, mas… limpar a bagunça depois seria um saco.”

O fato de estarem grudados em seus calcanhares indicava que faziam parte de um grupo organizado. Não havia necessidade de causar problemas e fazer inimizade com Lee Sayoung e seu grupo.

“Vou só… nocauteá-los.”

Cha Eui-jae suspirou cansado enquanto massageava a nuca. Todos os caçadores tinham o dever de proteger civis. Então, se esses caras tivessem algum juízo, não fariam mal à vovó e à Park Ha-eun.

No entanto, em situações extremas, leis e regras se tornavam sem sentido, e sempre havia um cenário pior que o pior. Cha Eui-jae sempre se preparava para o pior. Dessa vez não foi diferente.

“Preciso dar um aviso a eles.”

Depois de alongar os pulsos, ele desapareceu em um instante.

Continua…

⌀ ⌀ ⌀

✦ Tradução, revisão e Raws: Yuki&Belladonna

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Sinopse:
O Caçador Cha Eui-jae, que foi enviado para selar uma fenda que apareceu sobre o Mar do Oeste, foi arremessado para fora assim que fechou a fenda. Quando recuperou os sentidos, estava deitado em um lixão.
Faminto, ele foi atraído como um zumbi é pelo sangue para um restaurante de sopa de ressaca, onde percebeu que havia caído na Coreia do Sul, oito anos no futuro.
Nesta era, alertas de desastre notificam as pessoas sobre a abertura de fendas com antecedência, vídeos de ASMR de slimes coletados em masmorras estavam na moda e caçadores ociosos fazem transmissões ao vivo de unboxing de espadas longas de rank A.
Ao contrário do passado, onde as pessoas tremiam de medo de um apocalipse iminente, o futuro era surpreendentemente pacífico, deixando Cha Eui-jae se sentindo vazio. Já que as coisas tinham tomado esse rumo, por que não começar um segundo capítulo da vida como funcionário de meio período no restaurante de sopa de ressaca, em vez de ser um caçador?
— Isso é estranho.
— …
— Nós já nos conhecemos em algum lugar antes?
O plano de Cha Eui-jae de passar seus dias restantes calmamente como o único funcionário de meio período no restaurante de sopa de ressaca de décadas de existência dá errado quando ele encontra um indivíduo misterioso usando uma máscara de gás…
Nome alternativo: The Hunter Wants To Live Quietly The Hunters Gonna Lay Low O Caador Quer Viver Silenciosamente O Caador Quer Viver Tranquilamente

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