Ler Pivô Profundo (Novel) – Capítulo 104 Online

Deep Pivot — Capítulo 104
— No inverno de 2000, mais ou menos na mesma época, doze crianças foram encontradas em diferentes ruas. Alguns anos depois, portais e indivíduos Despertos começaram a surgir pela Terra.
— Entre as doze crianças, uma delas era o Sem Nome, Sergei Onopko, que foi o primeiro a sentir algo, alegando que precisava retornar para onde “originalmente pertencia”.
— Depois que Sergei Onopko enlouqueceu e desapareceu, a Rússia e os países vizinhos pararam de experimentar os novos portais por vários meses.
— Depois disso, o Sem Nome na Austrália também perdeu o controle. Agora, a Austrália está vivenciando o mesmo fenômeno que a Rússia.
— Não é mesmo? – Seojoon olhou para Hee-min, buscando confirmação. O laboratório estava imerso em um silêncio profundo.
Recordando a situação que havia inferido, Seojoon falou lentamente:
— Dito, posso concluir que os Sem Nome e os portais não são independentes. Quando os Sem Nime desaparecem, os Portões…
— Seojoon.
Hee-min, que estava em silêncio como se estivesse com a boca colada, interrompeu Seojoon. Sua voz estava rouca, desgastada pelo cansaço acumulado e pelo estresse mental.
— Ainda não sabemos ao certo. Não tire conclusões precipitadas.
Seu tom lembrava o de uma década atrás, quando ele dava aulas particulares para Seojoon.
Se continuar estudando assim, não vai entrar em nenhuma faculdade. Não preocupe seus pais. Faça o máximo de amigos possível…
Embora fosse apenas uma reclamação carinhosa, Seojoon não se importava. Aquela voz gentil ainda o repreendia.
— Eu cuido disso, Seojoon.
Para Hee-min, não importa se Seojoon era um estudante de dezesseis anos ou um adulto de vinte e nove, ele ainda parecia aquele garoto de treze anos de quando se conheceram.
— Então não pense muito nisso―
— Com que exatamente você vai lidar?
No entanto, Seojoon não estava mais na idade de precisar ser protegido como uma criança. A maneira como Hee-min o tratava, como se ainda fosse aquele colegial de uma década atrás, o enfureceu naquele momento.
— O que você acha que vai fazer?
— …
— Você achou que conseguiria resolver tudo sozinho, sem discutir nada comigo?
Pela primeira vez, Seojoon percebeu que seu relacionamento com Hee-min poderia ser uma desvantagem.
Como o relacionamento deles não era simplesmente entre um diretor de laboratório e o Sem Nome, mas sim imbuído de sentimentos pessoais, houve desafios significativos que eles tiveram que enfrentar.
— Quando você começou a esconder as coisas?
Seojoon tinha a vaga impressão de que Hee-min estava escondendo algo dele. Mas não achou que fosse tão sério, pois confiava que Hee-min jamais o machucaria.
No fim das contas, essa confiança não foi quebrada. E isso tornou tudo ainda mais assustador. Ele permaneceu ignorante enquanto estava alegremente envolto em um sonho falso sob o silêncio desesperado de Hee-min.
— Você sabia quando Viktor veio me procurar?
— Seojoon, eu estava apenas—
— Você deveria ter me contado antes.
A raiva que ele estava contendo começou a transbordar.
— Se você tivesse me contado antes… se você tivesse dito alguma coisa, tudo teria sido muito mais simples.
Suas palavras, carregadas de reprovação, escaparam por entre os dentes cerrados. Se soubesse da verdade antes, Seo-ljoon teria tomado a decisão mais fácil sem arrependimentos.
Mesmo que a informação não tivesse sido confirmada, não teria importância. Sua vida era desprovida de esperança, apenas esperando o momento de desaparecer. No mínimo, ele poderia ter desaparecido com uma sensação de paz, sabendo que havia deixado o mundo desejando a segurança daqueles que conhecia na Coreia do Sul. Teria sido o melhor final que ele poderia esperar para sua vida, de outra forma odiosa.
Mas Hee-min de forma egoísta adiou sua morte, e naquele tempo…
Ele conheceu Cha Yeonwoo.
E agora, ele se apegava àquele sonho absurdo.
— O que seria mais fácil, hein?
Hee-min falou com a voz trêmula.
— Ji Seojoon, me diga! O que seria mais fácil? Eu não te contei porque sabia que isso ia acontecer-!
Todas as emoções que Hee-min havia suprimido e mantido escondidas saíram como uma tempestade com as palavras de Seojoon.
Ele sabia que Seojoon ficaria ressentido com ele. O simples fato de esconder tudo e guardar para si fazia com que cada momento em que o encarava fosse um sentimento constante de culpa.
Mas mesmo com todo o resto, ele não conseguiu se conter depois daquelas palavras.
— Isso é um pensamento incrivelmente egoísta! Você acha que está tudo bem, contanto que você esteja em paz? E as pessoas que ficaram para trás? Seus pais adotivos teriam criado você para agir assim, Seojoon?
Hee-min, incapaz de conter sua raiva, agarrou Seojoon pelos ombros.
— Você não percebe que se desistir de si mesmo primeiro, estará prejudicando todos que se importam com você?
Com um estalo, Seojoon se livrou de Hee-min. Na confusão, os óculos de Hee-min caíram no chão e bateram no chão, e seu nariz, arranhado pela armação, inchou e ficou vermelho.
— Então foi só isso que você conseguiu inventar? Para fazer alguém de bobo?
A grande diferença em suas perspectivas os dividiu drasticamente.
— Eu realmente preciso ouvir isso de um Sem Nome de outro país? Ser tratado como uma flor de estufa sem noção?
Bang! Os documentos e o teclado espalhados foram empurrados para o lado pela mão forte de Seo-joon.
— O que esse sigilo resolveu? Que problema ele resolveu?
— Resolveu uma coisa! Você ainda está vivo!
Ninguém entendia melhor do que Hee-min que Seojoon não era alguém apegado à vida. Após o acidente que matou seu guia nove anos antes, Seojoon sentia-se atormentado pela culpa.
Da perspectiva dele, Seojoon era instável, como alguém que poderia facilmente abandonar a vida ao menor sinal de alerta. Ele era um ponto frágil do qual Hee-min não conseguia desviar o olhar, nem por um instante.
Lágrimas brotaram nos olhos vermelhos de Hee-min.
— Eu encontrarei um jeito.
Ele engoliu suas emoções e tentou falar calmamente.
— Não há muitos precedentes, então não sabemos o que vai acontecer. Mas aconteça o que acontecer, ninguém precisa morrer, certo? O mundo não é tão cruel assim. Tem que haver um jeito! Só espere um pouco mais. Se eu tiver um tempinho, consigo descobrir.
Mas, enquanto ele continuava, o rosto de Seojoon se desfez numa direção que Hee-min não queria. Seojoon virou a cabeça, zombando do vazio, e então fixou o olhar novamente em Hee-min.
— Quanto tempo você precisa? Uma semana? Um mês? Um ano? Dez anos?
Nos olhos cinzentos e distorcidos de Seojoon, desgosto e ódio cresciam.
— Você já considerou todas as pessoas que estão morrendo lá fora durante esse período?
O olhar assustador e desdenhoso que ele lançou a Hee-min era diferente de tudo que ele já havia mostrado antes.
— Você não saberia, estando aqui dentro.
Ontem mesmo, vários alertas de desastre foram emitidos. Era tão comum que mesmo baixas significativas geravam pouca resposta — era uma ocorrência cotidiana.
— Cada vez que um portal se abre, quantos morrem na hora? Você nunca viu essas pessoas implorando por suas vidas.
Seojoon não podia mais ignorar aqueles alertas de desastre.
—Para mesalvar vale a pena transformar todas essas pessoas em formigas para serem esmagadas? É essa a sua ideia de justiça?
— Eu quero ser a pessoa que conserta os freios do carrinho!
O ar estagnado do laboratório se despedaçou diante do grito intenso de Hee-min.
— Não acredito que seja certo que uma pessoa carregue o fardo de muitas, Seojoon.
Hee-min acreditava em seus princípios. Ele se importava profundamente com Seojoon, mas também era um pesquisador que estudava desastres nacionais.
Desde o momento em que decidiu se tornar médico, ele viveu sob uma forte bússola ética.
Um pesquisador médico que realmente entende a ética e a honra da medicina nunca deve fazer a escolha covarde de sacrificar um pela segurança de muitos.
Hee-min agarrou o braço de Seojoon. Sua voz, entrecortada e áspera, implorava.
— Você acha que eu me formei só para escolher, impotente, entre dois caminhos atrás de um carrinho quebrado? Eu me esforcei muito para chegar aqui e poder consertar os freios quando esse tipo de situação acontecer!
Seojoon agarrou o pulso de Hee-min e empurrou sua mão. Seu rosto se contorceu de raiva, seus olhos cheios de lágrimas transbordando de culpa, desespero, fúria e tristeza.
— Você é tão egoísta.
Sua voz tremia de raiva, carregada de um amargo escárnio.
— Você acha que é algum tipo de deus? Por que acha que tem o direito de decidir? Você é apenas uma das cinco pessoas na outra pista, não se iluda!
Hee-min foi empurrado para trás, derrubando a mesa com um estrondo. O silêncio opressivo entre eles era ensurdecedor.
Ding.
Os olhos cinzentos de Seojoon se voltaram para a tela do celular. A janela se abriu automaticamente, revelando uma série de mensagens recebidas.
Cha Yeonwoo
[Tenente]
[Um gato entrou na sala de aula]
[Foto]
[Bonito, né?]10h06
[Gostaria que a aula acabasse rápido]
[Sinto sua falta]10h07
— …
Seojoon afundou na cadeira, de cabeça baixa. Segurou o rosto entre as mãos, os dedos agarrando os cabelos como se tentasse arrancá-los em desespero.
Ele havia agredido Hee-min excessivamente, que não merecia aquilo. Naquele momento, ele sentiu mais raiva não de Hee-min ou de qualquer outra pessoa, mas de si mesmo.
Ele se arrependeu de tudo que fez.
Se ele não tivesse assinado aquele contrato exclusivo com Cha Yeonwoo, não tivesse mergulhado em seus pensamentos, não tivesse se aproximado dele, não tivesse descoberto o quão maravilhosamente radiante e adorável Cha Yeonwoo era.
Ele desejou nunca ter se permitido desejar uma vida juntos, sonhar em viver felizes para sempre.
↫─☫ Continua….
⌀ ⌀ ⌀
✦ Tradução, revisão e Raws: Yuki&Belladonna
Ler Pivô Profundo (Novel) Yaoi Mangá Online
Sinopse:
Devido a um trauma, o esper Ji Seo-joon se recusava a ter um guia exclusivo. Por causa de sua aversão ao contato com guias e das constantes baixas taxas de compatibilidade, ele vinha recebendo guiamentos de baixa qualidade há anos.
Diante de Seo-joon, que estava à beira de explodir devido ao acúmulo de fadiga, surgiu um guia com uma taxa de compatibilidade milagrosa.
【98,8%】
O protagonista com um número sem precedentes, Cha Yeon-woo, ainda era um estudante do ensino médio que nem sequer havia se formado. Ele foi lançado ao campo sem passar por treinamento, como se não se importassem se ele morresse.
“Ah, eu não sou uma criança. Tirei um ano de folga, então tenho vinte anos… Espero que você não diga que sou muito novo, mesmo que não saiba os outros motivos.”
Seo-joon não pôde deixar de sentir um aperto no peito diante da aparência inocente e dedicada do guia novato…
Nome alternativo: Piv Profundo Deep Pivot