Ler Beije o Estranho (Novel) – Capítulo 146 Online

⚝ Capítulo 146
Um tipo diferente de silêncio se instalou. Esqueci que havia parado de chorar por conta da tensão, mas as lágrimas que haviam se acumulado continuavam a escorrer pelas minhas bochechas. Esfreguei rapidamente os olhos com a palma da mão e, em seguida, ouvi a voz de Asgyle.
— Por que está chorando? O que ele fez com você?
— Eu não fiz nada, meu senhor — disse Steward, com um tom de ressentimento.
Eu também tentei ajudá-lo:
— O Doutor não fez nada de errado, eu só comecei a chorar… Sinto muito.
— Por que está se desculpando? O que o Yohan fez de errado?
O doutor tentou intervir, mas repeti por que estava me desculpando. Por alguma razão, o Príncipe Herdeiro não parecia estar de bom humor, e pensei que o melhor seria não contrariá-lo novamente. Eu queria verificar o rosto do príncipe, mas não conseguia enxergar. Enquanto eu me sentia nervoso por dentro, ele de repente segurou meu braço.
— Ah!
Soltei um grito de surpresa e meu corpo sobressaltou. O cheiro forte de seus feromônios me fez perder os sentidos imediatamente. Enquanto eu recuava, Steward gritou logo atrás:
— O que pensa que está fazendo agora? Não seja violento!
Mesmo na escuridão, fiquei aterrorizado. Eu queria dizer ao doutor para não se opor a ele, mas, antes que pudesse, Asgyle disparou:
— Abaixe a voz, se não quiser ser deportado.
Sua voz soou como se ele estivesse rangendo os dentes. O doutor, que pareceu hesitar por um instante, apelou com uma voz que reprimia suas emoções:
— O Yohan não consegue enxergar e se sente desconfortável de várias maneiras. Por favor, seja mais compreensivo, meu senhor.
— E por que eu deveria ouvir você?
A voz sarcástica retornou. Fazia tempo que eu não a ouvia, mas era um tom que ele usava de vez em quando. Então, Steward falou com um tom ainda rígido:
— Qualquer um gostaria de alguém que o tratasse bem.
Desta vez, o Príncipe Herdeiro permaneceu em silêncio. Aquilo era terrível. Realmente parecia que algo grave ia acontecer com o Steward. Apressei-me a tentar intervir e pedir desculpas. Mas assim que me movi, o braço do Príncipe Herdeiro me prendeu. Ele me segurou com tanta firmeza que não consegui me mover, ficando preso em seu abraço.
— …?
Antes que eu pudesse compreender a situação, meu corpo de repente flutuou no ar. O Príncipe Herdeiro havia me pegado no colo. Logo em seguida, ele começou a andar com passos violentos. Fui levado dali sem conseguir sequer me despedir do doutor.
Ainda havia muitas coisas que eu queria perguntar. Eu estava preocupado e pensativo. Queria saber se o doutor estava cuidando do Rikal agora, o que fazer com o pó que eu havia confiado a ele e quais seriam os próximos passos, mas o tempo havia se esgotado. Contudo, aquilo não significava que eu pudesse pedir para falar com ele novamente agora.
O Príncipe Herdeiro continuava a parecer profundamente insatisfeito, e tive que manter a boca fechada, pensando que ele não me perdoaria se eu o ofendesse e piorasse as coisas para o Steward.
Em silêncio, ele me carregou nos braços e seguiu em direção aos aposentos reais. Pude perceber que havíamos chegado pelo som da porta se abrindo, seguido por um aroma suave e adocicado. Encolhi os ombros, esperando que ele me descesse ao chão, mas, inesperadamente, senti um toque delicado. Com uma atitude surpreendentemente gentil, o Príncipe Herdeiro me deitou na cama.
Pisquei os olhos em total desconcerto. Mas não parou por aí.
— …?
De repente, senti um calor. O Príncipe Herdeiro segurou meu tornozelo.
“Será que ele vai quebrá-lo?”
Enquanto eu me apavorava, ele de repente tirou meus sapatos. Fiquei atônito e paralisei. Subitamente, meus pés descalços ficaram expostos. Lembrei-me de que deveria ter tirado os sapatos na entrada antes de entrar nos aposentos há pouco tempo.
Qual era a situação agora? Eu não conseguia entender o que estava acontecendo diante de mim. Mas não terminou ali. O Príncipe Herdeiro, que havia tirado o sapato do pé direito primeiro, removeu o outro em seguida. Logo, ambos os pés estavam descobertos. Fiquei tão chocado e assustado que meu coração parecia prestes a parar.
Eu tremia sem conseguir respirar direito, muito menos falar, quando Asgyle abriu a boca:
— Quando estudei na Inglaterra…
Prendi o ar ainda mais ao ouvir aquela voz calma. Ele continuou falando:
— A maioria dos ocidentais usa sapatos dentro de casa. Eles iam para a cama de sapatos sem pensar duas vezes e mal os tiravam o dia todo. Achei aquilo muito ofensivo no início, mas respeitei porque pensei que era o estilo de vida deles.
Por que ele estava falando aquilo? Escutei suas palavras, tentando decifrar o significado.
— Eu tinha muitas aulas naquela época. Havia muito estudo atrasado acumulado e eu estava exausto porque passei três dias seguidos acordado. Cheguei a me perguntar se os professores estavam fazendo uma aposta para ver quantos dias eu conseguiria sobreviver.
Houve uma leve risada na voz de Asgyle. Ele estava se lembrando do tempo em que estudava no Reino Unido? Vendo como ele ficava bem de terno, a Inglaterra talvez combinasse mais com ele do que este lugar.
— Fiquei acordado por mais dois dias. Mas você sabe o que acontece com uma pessoa se ela passar cinco noites ou mais sem dormir?
Em vez de responder verbalmente, balancei a cabeça negativamente. Com a voz ainda tingida de riso, Asgyle deu a resposta:
— Ela vira um peixe.
Um peixe? Quando direcionei meus olhos para ele, ele explicou:
— Você perde os sentidos e sente como se estivesse flutuando no ar. Mesmo quando as pessoas falam com você, não consegue ouvir direito. Você até escuta, mas não compreende. Ou compreende, mas outras palavras saem da sua boca.
Asgyle sorriu, como se recordasse as memórias daquela época. Fiquei surpreso e meu coração quase falhou uma batida.
“O príncipe está sorrindo? Ele também consegue ser assim?” Talvez minha reação o tenha divertido, pois ele riu alto mais uma vez e continuou com um sorriso alegre:
— Então o que aconteceu? Mal consegui terminar meus deveres e, quando a prova acabou, virei uma esponja completamente encharcada de água. Tudo o que eu conseguia pensar era na cama e, assim que entrei no quarto, desabei. Deus, aquele deve ter sido o pior momento da minha vida.
Enquanto dizia isso, sua voz transbordava riso. Ele estava dizendo que aqueles foram tempos difíceis, mas bons? Escutei enquanto sentia a tensão se esvair lentamente. Asgyle continuou a falar:
— Dormi por dois dias inteiros e, quando acordei, percebi que tinha dormido na cama de sapatos. Por cerca de dois dias. Quando abri os olhos, meu cabelo estava desalinhado, minha barba tinha crescido muito e meu corpo cheirava mal. Eu não parecia diferente de um sem-teto.
“Ele ficou realmente muito cansado.”
Senti um pouco de pena, mas a voz dele ainda estava animada, como se estivesse narrando um evento agradável do passado.
— Quando recuperei a consciência e olhei ao redor, era aquilo. Não havia nenhum estudante são. E então você pensa: “Eu vou embora. O que é que eu estou fazendo aqui ainda?”. Eu estava falando seríssimo.
— Então você voltou para cá durante o intercâmbio?
Só depois que as palavras escaparam é que percebi que havia falado por pura curiosidade. Fui imediatamente alvo de seu olhar, e Asgyle me respondeu com indiferença:
— Não. Depois disso, passei a ir para a cama de sapatos.
“… Por que a conclusão foi essa?” Eu não conseguia compreender, mas devia haver alguma lógica própria de Asgyle ali. Não pude deixar de pensar dessa forma. Asgyle perguntou ao notar meu silêncio:
— Você entende o que estou dizendo?
— … Não.
Quando respondi honestamente, ele riu de novo. Achei aquilo bobo. Encolhi os ombros e tentei direcionar o olhar para onde achava que estavam os seus olhos, quando de repente senti um calor na minha bochecha. Asgyle acariciou minha bochecha e falou:
— Você ainda tem hematomas.
Não havia mais riso em sua voz, mas ela também não era fria. Em vez disso, o tom parecia complexo enquanto ele continuava:
— Não fique vagando por aí. Você nem consegue enxergar direito.
— … Sim.
Não tive escolha senão responder aquilo. Ele se calou e o ambiente ficou em silêncio. A mão de Asgyle que tocava minha bochecha permaneceu no lugar. Prendi a respiração e esperei pela próxima palavra, mas ele não abriu a boca mesmo depois de parecer que muito tempo havia se passado.
De repente, senti uma pontada de ansiedade. Conforme o tempo passava e sentia sua temperatura corporal próxima, prendi o ar. “Ele quer me beijar?” De repente, o pensamento me ocorreu. Ele podia me abraçar daquela forma. Se sim, é claro que eu teria que aceitar. Afinal, esse era o meu papel. Ele era até mesmo o benfeitor que havia me defendido no tribunal, então não seria natural?
Com isso em mente, fechei os olhos levemente. Senti sua respiração quente próxima. Parecia que nossos lábios estavam prestes a se tocar. Era reconfortante me convencer de que aquilo era apenas parte de uma obrigação. Não havia razão para deixar meu coração palpitar por causa de um simples beijo. Sim, era isso.
Subitamente, abri os olhos ao som de uma batida na porta. Eu não conseguia enxergar nada, mas pelo movimento percebi que ele havia parado. Pouco depois, a voz do servo veio de fora do quarto:
— Vossa Alteza, há assuntos a tratar nesta tarde. O que deseja fazer?
Por um momento, ele não respondeu. Senti que ele estava um pouco hesitante.
— … Aah.
Finalmente, com um suspiro profundo, Asgyle se afastou de mim. Mas, sem demonstrar qualquer hesitação, ele de repente me pegou no colo novamente.
— …?
Asgyle falou enquanto me carregava, eu havia paralisado de surpresa, e deu um passo à frente:
— Não tem jeito, vamos juntos.
— O quê?
Sem perceber, fiz a pergunta em voz alta, mas ele não respondeu e rapidamente cruzou o corredor a passos largos.
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✦ Tradução, revisão e Raws: Jor&Belladonna
Ler Beije o Estranho (Novel) Yaoi Mangá Online
Sinopse:
Em um país do Oriente Médio onde a discriminação contra ômegas é profundamente enraizada, Yohan, um ômega abandonado após a manifestação de seu gênero secundário, vive sozinho em um oásis com apenas um gato como companhia. Um dia, ele resgata um homem ferido que perdeu completamente a memória do seu passado. Conforme passam o tempo juntos, Yohan se apaixona por ele… mas, um dia, o homem desaparece subitamente, sem deixar rastros.
Depois de esperar por ele em vão por muito tempo, Yohan encontra inesperadamente o príncipe herdeiro, um homem exatamente igual àquele que um dia amou. No entanto, o príncipe não o reconhece de forma alguma…
Nome alternativo: Kiss The Stranger Beije O Estranho