Ler Beije o Estranho (Novel) – Capítulo 98 Online


Modo Claro

⚝ Capítulo 98

Ele entrou no quarto a passos largos, como de costume. Não, na verdade, estava um pouco diferente do habitual. Parecia irritado por algum motivo e caminhava mais rápido que o normal. De qualquer forma, ele chegou até mim em um piscar de olhos. Quando dei por mim, vi a porta firmemente fechada atrás de Asgyle, que parou a apenas dois passos de distância. Eu me encolhi ainda mais, pressionando as costas contra a parede. Asgyle ficou parado, encarando-me fixamente. Mesmo de perto, eu podia sentir sem precisar do olfato: ele definitivamente estava furioso.
“Mas por quê?”
Paralisado de medo, ele me encarou em silêncio por um momento. Baixei o olhar rapidamente com o pensamento de que poderia acabar urinando de novo. Naquele momento, ouvi-o inspirar de forma súbita e aguda. Ao mesmo tempo, meu corpo inteiro tremeu como se estivesse sob um jorro de água fria. Sem coragem de olhar para cima, ouvi Asgyle finalmente abrir a boca.
— Até quando você planeja tremer desse jeito?
Sua voz era baixa como sempre, mas, de algum modo, parecia que ele estava rangendo os dentes. Ao ouvir aquelas palavras, senti meu corpo todo estremecer ainda mais. Eu nem percebia que estava tremendo tanto. Forcei minha boca a abrir e tentei me desculpar.
— Não… perdão… ah… ah…
Enquanto eu gaguejava, incapaz de completar adequadamente até aquela palavra curta, Asgyle soltou um suspiro nervoso. Eu só queria que ele não ficasse bravo comigo. Juntei as mãos à frente do corpo e balancei a cabeça rapidamente, mas meu corpo continuava oscilando. Mordi a ponta da língua por causa dos dentes que batiam, mas consegui conter o que seria quase um grito e tentei segurar o tremor de algum jeito. Cerrei os punhos e tensionei cada músculo para tentar acalmar meu corpo, nem que fosse um pouco, mas de repente senti uma sensação estranha acima da minha cabeça.
E antes que eu pudesse processar qualquer coisa, ele agarrou meu braço e me puxou para si.
— …!
Fui arrastado sem conseguir soltar um grito, apenas inalando o ar com força. Por um breve instante, tive a ilusão de estar voando. Não, era realidade. Primeiro, minhas costas subiram, meus joelhos perderam o apoio e até meus dedos dos pés se afastaram do chão. Quando meu corpo, que flutuava no ar, caiu, o rosto de Asgyle entrou no meu campo de visão. Seus olhos, arregalados de surpresa, me encaravam.
Então, meu corpo colidiu com o corpo firme do homem. Por um momento, minha mente ficou em branco, mas logo retornou. De repente, os arredores pareciam silenciosos. Por algum motivo, Asgyle não se moveu. Era quase como se ele tivesse congelado. O bater forte de seu coração podia ser ouvido através de seu peito rígido, onde meu rosto agora estava encostado.
Asgyle, que ficou imóvel por um momento, soltou meu braço e agarrou-me pela cintura. Por um instante, senti seus dedos se espalharem pelo meu corpo. Mesmo em meio ao medo, fiquei perplexo. “Por que você está fazendo isso?”
Não parou por aí. As duas mãos grandes de Asgyle subiram lentamente pelas minhas laterais, como se estivessem tocando minhas costelas uma a uma, de cada lado, então viraram-se e acariciaram minha espinha. Não havia qualquer intenção erótica. Era um toque cuidadoso, como se estivesse contando onde ficavam meus ossos.
O dedo, que vinha subindo lentamente pela linha da minha escápula, alcançou minha axila. Quando estremeci involuntariamente com o toque gentil, Asgyle de repente agarrou meu braço. Sem pensar duas vezes, ele me afastou de seu corpo.
Tardiamente, abri os olhos e olhei para ele. O rosto de Asgyle que eu vi antes não era uma ilusão. Não, ele me olhava com uma expressão ainda mais surpresa que antes. A feição em seu rosto, que chegava a parecer envergonhada, o fazia parecer em estado de choque. Seu olhar desceu lentamente enquanto ele segurava meus braços, indo do meu pescoço para a clavícula, peito e cintura, e então voltando. Como se julgasse meu corpo através do tecido do caftan folgado, ele franziu a testa e olhou de perto, subindo o olhar novamente. Ele olhou para o meu rosto, mas parecia que estava vendo outra coisa.
Seu olhar subitamente fixou-se para baixo enquanto varria minha bochecha, nariz, queixo e pescoço.
Perplexo por um momento com a altura vaga de seu olhar, logo percebi que ele estava encarando meus lábios. Por algum motivo, ele parecia muito confuso. Era a prova de que ele estava demonstrando sua expressão de forma vulnerável. Mesmo que ele fosse o Camar, Asgyle não era o tipo de homem que demonstraria tal vergonha. Especialmente por um ômega trivial como eu.
Com esse pensamento em mente, Asgyle parou de repente, como se tivesse recuperado os sentidos, e desviou o olhar. Ele olhou para a mão que segurava meu braço e hesitou novamente. Então, como se tivesse se queimado, ele tirou a mão de mim e recuou.
Fiquei surpreso por um momento com a reação, mas logo me senti triste.
“Você não quer mais me tocar agora?”
Fazia sentido, ele só fazia isso quando estava dormindo, inconscientemente, e não agora.
“Eu sou um ômega.”
Pensando assim, baixei a cabeça e, de repente, a mão dele apareceu no meu campo de visão. Ele a estendeu em minha direção e logo a retirou novamente. Houve silêncio outra vez. Hesitei e olhei para cima com cautela.
Asgyle ainda me observava. Sua expressão era a mesma de antes. Já vi um rosto misturado com tantos tipos de emoções? Não sei. A verdade era que estava diferente do habitual. Mordi o lábio com força e tentei dizer algo. Na situação atual, parecia ser o certo a fazer.
— Majestade.
Asgyle piscou. Ele reagiu como se minha voz baixa tivesse jogado água fria sobre ele. Falei com cuidado. Minha voz saiu trêmula.
— Eu… eu… primeiro… Eu vou para a cama?
Provavelmente é porque Asgyle está agindo assim. Não sei que horas são, mas deve estar bem tarde, então eu queria dizer que deveria ir dormir. Mas eu mal conseguia falar. Minha coragem simplesmente acabou. Asgyle, que me olhava tremendo sem conseguir responder, subitamente distorceu o cenho.
Eu reflexivamente me encolhi ao vê-lo retornar ao seu rosto amargo de sempre, como se tivesse acordado de repente.
— … Você não consegue se conter nem por um segundo.
Por um momento, fiquei confuso com a voz profunda que soava como um diálogo interno. Eu não sabia do que ele estava falando, então apenas pisquei, mas Asgyle continuou sarcasticamente:
— Seduzindo alguém descaradamente. Se houvesse uma chance, você teria aberto as pernas para o Hayden sem hesitação, certo? Mesmo que eu aja como um tolo, ser enganado por um ômega medíocre como você é algo que apenas desgraçados inferiores fazem. Isso não funciona comigo, então quero que pare.
Levei um tempo para entender o que ele estava dizendo. Talvez ele quisesse negar o que sentiu. Demorou para que a mensagem fosse processada em minha cabeça. E as palavras frias levaram um tempo para afundar em meu coração, palavra por palavra, de forma muito dolorosa.
— … Eu fui ao jantar… Eu… Vossa Majestade me disse para ir.
Pela primeira vez, senti ressentimento. Protestei em voz alta, segurando as lágrimas.
— Se o senhor pensava assim, por que me convidou para o jantar?
Diante da voz trêmula, Asgyle simplesmente zombou.
— Porque eu não posso permitir que os convidados presenciem tamanha feiura. Se eu não tivesse te chamado, você estaria se agarrando com o Hayden.
— Não, não é nada disso.
— Mesmo que tente ganhar simpatia contando mentiras como se tivesse um amante, não há ninguém neste palácio tão estúpido quanto você.
Lágrimas escorreram pelo meu rosto enquanto ele ria de mim como se eu fosse patético. Enquanto eu baixava a cabeça e limpava os olhos com as costas da mão, ouvi a voz fria novamente.
— Agora estou farto de ver você chorar. Tente outro meio ou desista.
É claro que eu nunca pensei nisso. Não me atrevo a esperar que tal coisa aconteça. Mas as lágrimas transbordantes não saíram como planejado. Prendi a respiração e abri a boca. Eu estava chateado e perguntei em um lamento:
— … Por que o senhor me odeia tanto?
Limpando as lágrimas e olhando para cima, vi Asgyle hesitar por um momento. A resposta era óbvia. Ele riria de mim e diria: “Porque você é um ômega”. Mas, inesperadamente, ele não disse nada. Ele apenas ficou me encarando. Continuei a soluçar, limpando as lágrimas que caíam uma após a outra.
— Vossa Majestade não se manifestou como Alfa de propósito, mas eu também… eu… eu não queria… eu apenas me tornei um ômega…
Eu deveria ter parado de chorar, mas as lágrimas não cessavam. Se isso continuar, o Príncipe Herdeiro pode ficar furioso novamente.
“Preciso parar, não devo chorar.”
“Oh, como posso parar?”
— Ugh…
Quando finalmente soltei um soluço alto, Asgyle subitamente agarrou meu braço e me puxou para si. E seus lábios violentamente se sobrepuseram aos meus, que se abriram para engolir um suspiro rápido.

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✦ Tradução, revisão e Raws: Jor&Belladonna

Ler Beije o Estranho (Novel) Yaoi Mangá Online

Sinopse:
Em um país do Oriente Médio onde a discriminação contra ômegas é profundamente enraizada, Yohan, um ômega abandonado após a manifestação de seu gênero secundário, vive sozinho em um oásis com apenas um gato como companhia. Um dia, ele resgata um homem ferido que perdeu completamente a memória do seu passado. Conforme passam o tempo juntos, Yohan se apaixona por ele… mas, um dia, o homem desaparece subitamente, sem deixar rastros.
Depois de esperar por ele em vão por muito tempo, Yohan encontra inesperadamente o príncipe herdeiro, um homem exatamente igual àquele que um dia amou. No entanto, o príncipe não o reconhece de forma alguma…
Nome alternativo: Kiss The Stranger Beije O Estranho

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