Ler Beije o Estranho (Novel) – Capítulo 82 Online


Modo Claro

⚝ Capítulo 82

— Ah!
Assim que o vi, meu corpo tremeu novamente. Eu sabia que não devia reagir assim, mas não conseguia parar de tremer. Tentei falar, mas nenhum som saiu. O aroma espesso de seus feromônios que se assentava ao meu redor me aterrorizava em vez de me excitar.
Agora, apenas por sentir o cheiro dele, sentia como se meus joelhos fossem perder a força e eu fosse desabar. Felizmente, consegui evitar a queda porque estava apoiado na parede, mas não conseguia parar de tremer de medo, por mais que tentasse.
— Eu, a-as coisas de Vossa Alteza… na cama, dormir, dormir… ah, não… — As palavras saíram confusas.
Um som sufocado veio de minha garganta, como se o fôlego estivesse prestes a acabar. Quando eu mal consegui falar em voz alta, o Príncipe Herdeiro contorceu o rosto. Ao ver aquela expressão, perdi o juízo.
— Quem?
A voz profunda perfurou meus ouvidos. Eu tinha que responder de alguma forma. Falei, tentando segurar a respiração com todas as forças:
— O ca… o camareiro… o camareiro-mor.
Asgyle olhou para mim sem dizer uma palavra. Ele abriu a boca e, um momento depois, sua voz ecoou:
— O camareiro?
Estremeci com a voz baixa e sinistra que parecia vir do fundo de um abismo, e apenas assenti com a cabeça. Asgyle ficou em silêncio novamente. Ele claramente estava pensando em algo, mas eu não fazia ideia do que era.
Seus olhos pousaram implacavelmente em minhas bochechas inchadas. Asgyle, que estivera parado por um tempo, olhou para mim — que mal conseguia respirar —, deu de ombros e olhou para trás. Foi então que vi o camareiro-mor e outros servos alinhados atrás do príncipe herdeiro.
— Camareiro.
— Sim, Milorde.
O camareiro-mor respondeu prontamente. Asgyle abriu a boca para olhar para mim de novo.
— Traga minha espada.
— Sim, senhor.
Ele respondeu, mas foi outro servo quem se moveu. O servo, que correu às pressas, logo retornou com uma espada afiada. Era enormemente grande para combinar com o físico de Asgyle, descrevendo uma curva suave. Era óbvio que meu corpo seria partido em dois apenas pelo toque da lâmina. A espada foi entregue ao chefe dos servos, e Asgyle estendeu a mão, inclinou-se e ergueu a arma com as duas mãos. O cabo da espada encaixou-se na mão grande de Asgyle. Olhei fixamente para o homem que levantava levemente aquela pesada peça de ferro com uma só mão.
“Aquilo poderia cortar meu corpo inteiro.”
Fechei os olhos com força, involuntariamente, diante daquela imagem súbita. Naquele momento, houve um som sibilante que cortou o ar, e então algo pegajoso respingou em meu rosto.
— Ah…
– Aaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaah!
Um grito aterrorizante ecoou em todas as direções. Quando finalmente abri os olhos, fiquei paralisado e em choque com a cena que jamais imaginei. O camareiro gritava, erguendo suas mãos ensanguentadas. Suas mãos decepadas jaziam no chão.
Os servos ficaram pálidos e não sabiam o que fazer, e o camareiro continuava a berrar, mas apenas Asgyle permanecia ali, calmamente encarando-o. Sangue vermelho ainda gotejava da espada que ele segurava. Testemunhei novamente o homem daquele dia, que açoitou minhas costas sem piedade. Senti que meu medo havia atingido o limite e que eu estava prestes a desmaiar. Mas eu também tinha medo de perder a consciência. Eu apenas encarava o Príncipe Herdeiro com pavor, enquanto o camareiro gritava, sentado no chão, tentando em vão erguer os braços.
— Vo… Vossa Alteza… por que… por que está fazendo isso comigo?!
— Por quê? — Um sorriso gélido surgiu nos lábios de Asgyle. — Você não sabe qual é o seu pecado?
O camareiro chorava enquanto olhava para ele. Asgyle, com uma “misericórdia” cruel, o fez ciente de sua culpa.
— Você me deixou de mau humor. Dê graças a Deus por não ter sido decapitado.
O rosto do camareiro endureceu e o sangue sumiu do rosto de todos que assistiam. Asgyle ordenou sem mais demora:
— O que estão fazendo? Tirem isso daqui. Por quanto tempo vão deixar essa coisa imunda na minha frente?
Os servos, que haviam hesitado, moveram-se com atraso. Os criados carregaram o homem ferido às pressas. O sangue pingava atrás deles enquanto se afastavam cambaleando. Um silêncio tenso se seguiu. Sem saber o que fazer, todos olharam para o Príncipe Herdeiro, que estendeu a espada. O servo que a trouxera pegou-a com as duas mãos e Asgyle se virou.
Olhei em seus olhos novamente. Olhos violeta escuro me encaravam de volta. Na escuridão ainda densa, apenas o luar nos iluminava. Sob a luz da lua, Asgyle parecia maior e mais intimidante do que o habitual. O que acabara de acontecer diante dos meus olhos continuava se repetindo em minha mente. Os gritos do camareiro e o sangue em minhas bochechas ainda eram vívidos.
De repente, uma memória que eu havia esquecido veio à tona. A imagem de Camar matando casualmente Salman e seu bando sobrepôs-se à de Asgyle, que agora estava parado me olhando. “Como ele era naquela época?”
Não havia culpa. Não havia sinal de hesitação. Ele cortou as gargantas tão casualmente quanto agora e ficou manchado de sangue.
Mas era diferente. Olhei para Asgyle com medo e pensei: “Naquela época, ele fez por mim, mas agora não.”
Um homem que pode decepar o pulso de qualquer um apenas porque o desagradou. Agora esse homem estava parado ali, olhando para mim. Com uma expressão de significado desconhecido, ele exalava um forte cheiro de feromônios.
“Estou com medo.”
Ao pensar nisso, não aguentei mais e perdi os sentidos.
***
Em meio à consciência turva, sonhei como se estivesse em um devaneio. Eu estava claramente consciente, mas meu corpo ainda tinha uma estranha sensação de flutuação. Eu sabia que era um sonho, mas não conseguia acordar. Continuei vagando na fronteira entre o sonho e a realidade.
No meu sonho, eu caminhava por um deserto de areia. Não havia sol, mas os arredores eram claros; era um lugar estranho e enevoado, mesmo em plena luz do dia. Continuei andando, sentindo a areia macia sob meus pés. Havia algo na minha frente, mas eu não conseguia enxergar bem. Eu o seguia e continuava a caminhar. Quando achava que ia alcançá-lo… de repente, ele se afastava. Quando eu estendia a mão, ele se movia para longe novamente. De repente, ocorreu-me que eu jamais seria capaz de alcançá-lo. Então, fiquei subitamente triste.
“Tenho vivido amando apenas você…”
Uma voz melancólica foi ouvida. Quem diabos estava cantando com aquele som craquelado?
“O mundo está vazio… Não quero mais viver…”
De repente, meus olhos esquentaram. E eu acordei.
***
— Ah…
Uma paisagem borrada entrou em minha visão atordoada. Percebi, mais tarde, que estava chorando. Quando pisquei algumas vezes, as lágrimas que se acumulavam escorreram e minha visão clareou. Um teto estranhamente familiar surgiu à vista.
Era o quarto do príncipe.
Percebi que o lugar onde eu estava deitado era a cama dele. A diferença de antes era que eu estava deitado sozinho na cama grande. O ambiente estava em silêncio. Meu pequeno soluço soou incomumente alto. Olhei com cuidado e vi o Príncipe Herdeiro parado junto à janela. Quando nossos olhos se encontraram, ele falou como se estivesse esperando:
— Você finalmente acordou.
Não havia emoção na voz calma. Olhando para trás, parece que Asgyle nunca demonstrava sentimentos. Ele nunca sorria, nunca se enfurecia abertamente. Sua expressão era sempre a mesma, sem se desviar muito de um certo padrão.
Então, por quê? Quando lembrei da memória de antes de desmaiar, minhas costas estremeceram de novo. Asgyle devia estar muito irritado. Não sei o motivo, mas talvez ele apenas estivesse de mau humor.
Com esse pensamento, o fato de estarmos sozinhos no quarto tornou-se aterrorizante. Além disso, eu não sabia o que poderia deixá-lo irritado a ponto de ele cortar meu pescoço. Enquanto eu o olhava encolhido, o Príncipe Herdeiro, apoiado no parapeito da janela, cruzou os braços e falou:
— Por que está tremendo de novo? Estou apenas parado tão longe.
Parecia que ele estava perdendo a paciência. Eu me assustei, mas o tremor em meu corpo não diminuiu como eu pretendia. Mal consegui abrir a boca.
— Sinto muito… sinto muito…
Minha garganta rangeu e o som desapareceu. *Cof, cof.* Asgyle fez uma careta enquanto eu tossia secamente. Era um problema. Aquilo realmente o estava deixando de mau humor.
Quando entrei em pânico novamente, Asgyle se afastou da janela. Congelei e olhei para ele. Asgyle me deixou assim, foi até a mesa e se virou servindo água em uma taça, como no dia anterior. Estava claro que ele ia me dar a água. Eu tinha que levantar e pegar. O problema era que me movi apressadamente, pensando que precisava, de alguma forma, não ofendê-lo.
— Perdoe-me… Ah!
Gritei involuntariamente pela dor nas costas. Pude sentir Asgyle parando. Respirei arquejante e parei de me mover. Senti a parte de trás da minha túnica ficando úmida. Senti tontura e não aguentei mais. Quando eu estava prestes a perder a consciência novamente, senti um leve sinal de que Asgyle se aproximava de mim, mas logo minha visão escureceu de vez.

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✦ Tradução, revisão e Raws: Jor&Belladonna

Ler Beije o Estranho (Novel) Yaoi Mangá Online

Sinopse:
Em um país do Oriente Médio onde a discriminação contra ômegas é profundamente enraizada, Yohan, um ômega abandonado após a manifestação de seu gênero secundário, vive sozinho em um oásis com apenas um gato como companhia. Um dia, ele resgata um homem ferido que perdeu completamente a memória do seu passado. Conforme passam o tempo juntos, Yohan se apaixona por ele… mas, um dia, o homem desaparece subitamente, sem deixar rastros.
Depois de esperar por ele em vão por muito tempo, Yohan encontra inesperadamente o príncipe herdeiro, um homem exatamente igual àquele que um dia amou. No entanto, o príncipe não o reconhece de forma alguma…
Nome alternativo: Kiss The Stranger Beije O Estranho

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