Ler Beije o Estranho (Novel) – Capítulo 79 Online


Modo Claro

⚝ Capítulo 79

Um som agudo e estalado ecoou e eu despertei. Em seguida, senti uma dor ardente em minha bochecha. Quando mal consegui abrir os olhos, vislumbrei a figura do camareiro-mor em minha visão embaçada. Pisquei, ainda sem compreender, mas o vi erguer a mão bem alto.
Desta vez, o tapa atingiu o outro lado do rosto. A razão de eu sentir mais dor do que antes talvez fosse porque minha consciência havia se tornado mais clara.
Estremeci e tentei me levantar, mas um grito ficou preso na garganta. Não havia um lugar no meu corpo que não doesse, sem falar na dor latejante nas costas. Lembrei-me tardiamente de que Asgyle me possuiu violentamente na noite anterior, até pouco antes de eu perder os sentidos.
Reflexivamente, cerrei os dentes com as lágrimas brotando, e mal engoli um gemido antes de ser esbofeteado novamente. Desta vez, o camareiro-mor, que desferiu vários golpes seguidos, parou de me bater apenas quando rolei pelo chão, sangrando pela boca.
— Como você ousa, um bastardo imundo como você, dormir na cama dele?
Foi então que percebi, pelo som do ranger de seus dentes, por que ele me batia com tanta fúria. Assim que ele me forçou a levantar, o sêmen que havia se acumulado em meu ventre escorreu. Eu era o único deitado na cama. Foi depois que Asgyle desapareceu em algum momento, e fui deixado sozinho entre os servos e atendentes. Incapaz de fazer qualquer coisa com meu corpo nu, eu me encolhi; quando o camareiro-mor me viu, contorceu o rosto e cuspiu insultos.
— Coisa maligna… Deveria ter saído assim que o serviço acabou, não conhece o seu lugar.
Mais uma surra se seguiu, e eu implorei e implorei enquanto envolvia a cabeça com os braços. Chutes foram desferidos por todo o meu corpo. A ferida em minhas costas abriu novamente e o sangue jorrou, mas ele não parou. Pelo contrário, comecei a gritar quando ele esmagou o local ferido com os pés. Então, o lacaio me deu um tapa no rosto, como se estivesse esperando a vez.
— O que você está resmungando? Ainda não aprendeu a lição? Essa coisa maldita, que vulgar, que suja!
Cerrei os dentes e tentei não emitir som. Depois de um tempo, quando os golpes pararam, meus dentes e mandíbula estavam dormentes. Tremi e respirei fundo. Eu não conseguia falar por medo de ser atingido novamente.
O camareiro-mor jogou algo em mim. Eram minhas roupas que Asgyle havia arrancado violentamente no dia anterior. Com mãos trêmulas, mal consegui vestir a túnica que estava com os ombros e o peito rasgados, expondo minha pele, e o servo cuspiu no meu rosto.
— Se você acha que pode seduzir Sua Alteza usando esse seu corpo imundo, acha mesmo que ele se apaixonaria por alguém como você? Sua vida terminará em um mês, no máximo, de qualquer maneira. Enquanto isso, não importa o quanto você tente, nada mudará. Porque você não é nada além de um receptáculo para receber a semente de Sua Majestade.
Então, ele pegou um remédio e um copo de água da bandeja que o servo atrás dele havia entregado e me ofereceu.
— Vamos, engula isso.
Fiquei aterrorizado por um momento com a droga desconhecida, mas não pude resistir ao olhar terrível do camareiro-mor me encarando. Com o corpo rígido, estendi a mão com dificuldade, peguei o remédio, levei-o à boca e bebi a água. Para ter certeza de que eu havia engolido a pílula completamente, o camareiro forçou minha boca a abrir, levantou minha língua e examinou cuidadosamente o interior antes de soltar meu queixo.
— Sua Majestade cuidará bem de você, mas seria um problema se alguém como você engravidasse. Não sei que truques superficiais você está usando, mas parece estar obscurecendo a consciência de Sua Majestade.
Com essas palavras, percebi a identidade do remédio que ele me deu. Ele estava me impedindo de engravidar. Meu ventre ainda estava cheio do sêmen que Asgyle derramou a noite toda, mas não teria utilidade. Acima de tudo, não há razão para Asgyle querer que eu engravide.
Mas não terminou aí. O camareiro-mor me levantou e me deitou sobre a mesa, então ordenou que outro servo limpasse o meu interior. Eles agarraram meus braços e pernas, abrindo-as bem, enquanto eu não conseguia me mover.
Gemidos escapavam naturalmente conforme os dedos violentos raspavam o sêmen estagnado, mas cerrei os dentes para aguentar. Uma sensação mais dolorosa do que o inchaço em minhas bochechas transmitia-se pelo meu baixo ventre.
— Não há mais nada saindo.
Assim que o servo tirou as luvas e falou, as mãos que me seguravam desapareceram em um instante. Eu simplesmente rolei para o chão.
Mas não havia tempo para ficar deitado. Novamente, o lacaio me deu um tapa e gritou para eu sair dali. Arrastei-me pelo chão para fora. Enquanto cambaleava, apoiando-me na parede e mal conseguindo me mover, as pessoas passavam por mim. Parei de tentar imaginar o que pensavam daquela cena deplorável.
A cada passo, meu ventre queimava e minhas costas doíam. O caminho até o laboratório parecia longo demais.
Ontem à noite, ele finalmente falhou em extrair o aroma de feromônio ou em desencadear um ciclo de cio. Não sei quanto tempo isso se repetirá, mas provavelmente acontecerá de novo toda vez que Asgyle me possuir. O camareiro me dará uma pílula, depois vai me vasculhar e raspar o sêmen.
Quando finalmente abri a porta do laboratório, soltei um suspiro de alívio. Mas não acabou ali. Fechei a porta e segurei a tranca com as mãos trêmulas. Era apenas um dispositivo frágil, mas confortou meu coração e acabei caindo de joelhos em alívio.
Rikal.
Eu tenho que trabalhar. À tarde, Zahara trará o gato. Eu consigo ir. Cambaleei e mal cheguei à cama. Preciso descansar um pouco. E vou ver o Rikal.
“Rikal, você está bem? Está bravo comigo? Rikal, Rikal… Sinto sua falta.”
Ao pensar nisso, minha consciência se apagou como se um interruptor tivesse sido desligado.
***
Não sei se dormi ou se desmaiei. Um canto da minha consciência despertou e abri os olhos, mas estava escuro ao redor.
*Dormi a noite toda?*
Chocado, tentei levantar sem perceber. A dor me invadiu novamente como se estivesse espremendo meu corpo inteiro. Eu respirava com dificuldade; minhas bochechas estavam queimando e pesadas. Mal me lembrava de quantas vezes o camareiro havia me batido.
“O que devo fazer, Rikal…”
Enquanto me sentava instavelmente, de repente franzi a testa. Não era noite. Imaginei se minha visão estaria clareando aos poucos, mas então a cena familiar do quarto chamou minha atenção. Fiquei ali, atordoado por um momento.
O que aconteceu…?
Ainda estava claro lá fora. Como se o sol estivesse a pino há muito tempo, a luz deslumbrante era forte o suficiente para me fazer franzir a testa. Por que eu não conseguia enxergar direito? Houve um momento de medo, mas balancei a cabeça negando. Devo ter ficado tonto por um tempo. Está tudo bem, você parece bem. Já tive problemas de visão antes, talvez desta vez também…
Depois de pensar nisso, percebi que não comia nada há dois dias inteiros. Senti uma fome imensa e meu estômago doía como uma pontada.
“Fome…”
De repente, os cantos dos meus olhos arderam, mas não saíram lágrimas. Minha garganta doía como se fosse rasgar. Cambaleei e despejei água em um copo. Ao pegar água da torneira, não consegui suportar o peso do copo e minhas mãos tremeram, então acabei segurando-o com as duas mãos. O interior da garganta relaxou lentamente enquanto a água umedecia minha boca pouco a pouco. Só depois de beber dois copos de água me senti um pouco mais calmo.
No entanto, a fome ainda estava lá, e parecia que se eu não comesse algo, não conseguiria me mover. Na verdade, tudo o que fiz foi sentar no sofá, balançando sobre o copo. A única coisa que melhorou foi o fato de que os gemidos que fluíam como sons de dor pareciam mais suaves agora.
— Ah, ha…
As feridas nas minhas costas pareciam ter secado, o que as tornava desconfortáveis a cada movimento. A dor latejante não mudava. Agora, com as bochechas inchadas e o ventre queimando, meu corpo todo doía e eu não conseguia me mexer. A parte inferior latejava com os efeitos da dor violenta, e a parte superior latejava de fome. Eu estava ficando tonto e perdendo os sentidos. Preferiria desmaiar, mas a consciência que acabara de despertar não cedia.
“Camar, estou doente… Dói muito.”
Suspirei e chamei pelo nome dele. O que você faria se estivesse aqui, “Camar? Ficaria preocupado comigo?”
Ele acariciaria meu cabelo gentilmente e perguntaria: “Você está bem, Yohan? Diga-me. Você está bem, Yohan?”
O rosto dele, me olhando com olhos preocupados, subitamente se sobrepôs ao de Asgyle. Lembrando o olhar cínico e desdenhoso que ele dirigiu a mim, meu coração subitamente esfriou.
“Tudo bem.”
Lambi os lábios e sussurrei: “Camar, está tudo bem. Eu ainda estou bem. Então, apenas um pouco… deixe-me dormir um pouco.”
Fechando os olhos, lembrei-me vagamente de Rikal. “Sinto muito, Rikal. Amanhã, com certeza… eu vou te encontrar…”
Perdi a consciência novamente e mal consegui esquecer a dor.
Um tapa e outro tapa na bochecha. De repente, caí da cadeira onde estava encolhido, assustado. Achei que ia gritar, mas consegui me conter. O corpo lembrou-se imediatamente da surra implacável. Enquanto eu caía no chão com o corpo todo rígido, ouvi uma voz fria como geada vinda de cima.
— Você dorme pacificamente em um lugar como este. Como um ômega inútil.
O criado cuspiu em mim enquanto eu permanecia imóvel.
— Levante-se agora. Vamos ver o seu senhor.
Levantei-me sem hesitar diante da voz de comando. O camareiro virou-se e os outros servos o seguiram. O camareiro-mor, que olhou para trás para ver se eu os seguia, imediatamente soltou uma risada sarcástica.
— O quão engraçado é isso para o seu corpo miserável? Seriamente, me pergunto se há qualquer razão para usar um ômega além de colher o seu fluido.
Então ele rapidamente virou a cabeça e se afastou. Seu passo era tão rápido que eu não conseguia acompanhar. Enquanto eu cambaleava contra a parede, eles se distanciavam.
Eu mal conseguia andar, meus olhos estavam borrados e eu não via direito. Enquanto me apoiava na parede e esfregava os olhos por um momento, ouvi o som abafado de passos se aproximando. Logo depois, uma mão grande me atingiu na cabeça. Caí no chão sem tempo de escapar.
— O que esse idiota está fazendo parado aqui desse jeito?
O servo praguejou, agarrou-me pelo cabelo e começou a me arrastar. Despertei com a dor, como se meu couro cabeludo estivesse sendo arrancado. Mas eu não devia gritar. Estava claro que apanharia de novo. Fiz o meu melhor para acompanhar a velocidade dele, mas em vez de me levantar adequadamente, escorreguei e rolei várias vezes no chão.
Cada vez que isso acontecia, punhos voavam em minha direção e acabei chegando ao destino quase inconsciente.
— … Oh, que sujeira.
Vendo minha aparência, o lacaio estalou a língua e ordenou imediatamente que o atendente trouxesse uma toalha umedecida. Então, ele esfregou violentamente meu rosto, que estava manchado de sangue e poeira. Engoli o gemido, mas era difícil esconder a expressão distorcida pela dor. O camareiro me entregou uma toalha com expressão de insatisfação e se afastou.
— Vossa Alteza, trouxe o ômega.
Após alguns instantes a porta se abriu, ele me agarrou pelo colarinho e me empurrou direto para dentro do quarto. Caí sobre o tapete e ouvi a porta se fechar atrás de mim. O aroma doce ao qual eu já estava acostumado pairava ao meu redor enquanto eu ficava deitado, tentando respirar.
“Tenho que me levantar.”
Pensei nisso, mas meu corpo não obedecia. Enquanto mal conseguia respirar, senti uma presença se aproximando. Era o Príncipe Herdeiro Asgyle. No entanto, eu ainda não conseguia me mexer. Asgyle parou de caminhar sem dizer uma palavra.
Minha visão alcançou o pé dele que eu havia beijado. Com um curto suspiro, Asgyle falou:
— O que é isso?

⌀ ⌀ ⌀

✦ Tradução, revisão e Raws: Jor&Belladonna

Ler Beije o Estranho (Novel) Yaoi Mangá Online

Sinopse:
Em um país do Oriente Médio onde a discriminação contra ômegas é profundamente enraizada, Yohan, um ômega abandonado após a manifestação de seu gênero secundário, vive sozinho em um oásis com apenas um gato como companhia. Um dia, ele resgata um homem ferido que perdeu completamente a memória do seu passado. Conforme passam o tempo juntos, Yohan se apaixona por ele… mas, um dia, o homem desaparece subitamente, sem deixar rastros.
Depois de esperar por ele em vão por muito tempo, Yohan encontra inesperadamente o príncipe herdeiro, um homem exatamente igual àquele que um dia amou. No entanto, o príncipe não o reconhece de forma alguma…
Nome alternativo: Kiss The Stranger Beije O Estranho

Gostou de ler Beije o Estranho (Novel) – Capítulo 79?
Então compartilhe o anime hentai com seus amigos para que todos conheçam o nosso trabalho!