Ler Beije o Estranho (Novel) – Capítulo 76 Online


Modo Claro

⚝ Capítulo 76

No momento em que ouvi aquela voz, meu corpo inteiro congelou. O trauma implacável que castigou meu corpo voltou à vida sem falta, e fui imediatamente tomado pelo pavor. Eu não conseguia sequer mover a boca, muito menos o corpo.
“Por quê?”
Mal conseguia formular um pensamento em minha mente, que estava esvaziada pelo medo. Eu não podia acreditar que a Princesa Najima tivesse mentido para mim.
“Então, o que aconteceu? Por que o Príncipe Herdeiro está aqui?”
Aparentemente, Asgyle tinha deixado a cidade. Enquanto eu entrava em pânico, sua voz cortante continuou vindo de trás.
— Atrevido. Você tem muita coragem. Saia daí. Se mostrar o rosto e implorar perdão, pouparei sua vida.
As palavras de Asgyle deveriam ser verdadeiras. Mas era óbvio que eu não suportaria. Ele não tinha misericórdia e eu não tinha como enfrentá-lo. Fugir era impossível. Eu mal conseguia respirar; o medo tornava cada fôlego um sacrifício. O tremor que percorria meu corpo não era apenas pela água que fluía sobre mim. O frio e o terror me sacudiam.
Quando juntei as mãos em pavor, como por um milagre, encontrei um espaço vazio em uma fenda na rocha. Meu corpo, que estava rígido, moveu-se instintivamente naquele momento.
— CADÊ…?!
Ouvi o grito de Asgyle. Mas antes que pudesse raciocinar, escondi-me na fenda estreita da rocha. O som da água batendo ecoava acima de mim. Encolhi meu corpo o máximo que pude.
Uma sombra enorme passou pelo fluxo da queda d’água. Era claro que Asgyle estava parado logo além da cascata. Por um momento, ele não se moveu, como se pensasse no próximo passo. Mas não demorou muito.
— …!
Quase soltei um grito quando uma mão subitamente atravessou a cortina de água. Cobri a boca com as duas mãos e engoli o som, mas não pude evitar minha respiração pesada; eu arquejava e tentava respirar fundo. A mão, que havia se aproximado, parou pouco antes de onde meu hálito poderia ser sentido. Agachei-me com os olhos arregalados, apenas observando.
O buraco era tão estreito que eu mal cabia. Com o corpo gigantesco de Asgyle, era absolutamente impossível ele entrar. Tudo o que ele podia fazer era chegar perto, mas não me alcançar.
— …
Parecia que ele resmungava algo do outro lado da cachoeira. Eu não conseguia ouvir bem por causa do barulho da água, mas de alguma forma senti que eram xingamentos. Diante de mim, sua mão grande ainda estava estendida. Ao ver seus dedos se fecharem e abrirem novamente, perdi o fôlego e paralisei. Eu desejava que Asgyle desistisse e fosse embora, mas não parecia provável. Talvez ele esperasse. Eu também sabia muito bem que não poderia me esconder ali para sempre.
“O que eu faço?”
Foi então que apertei os olhos com medo. De repente, senti um aroma ao meu redor. Não era o perfume doce de Asgyle que me oprimia.
“Aroma de ômega.”
Para mim, era o cheiro de feromônios.
Pisquei surpreso. O cio ainda não tinha chegado, então por que de repente? Eu não entendia. Olhei em volta, confuso, mesmo ainda paralisado, e percebi que o cheiro que me ameaçava havia desaparecido e que não via mais a mão de Asgyle estendida em minha direção.
Ah…
Hesitei e baixei as mãos que cobriam minha boca. Escutei em silêncio, mas, novamente, não ouvi nada além do rugido da cachoeira. O aroma continuava a transbordar ao meu redor. Fazia muito tempo que eu não sentia um cheiro de ômega tão forte. Assim que me lembrei vagamente, eu soube. Aquele dia chuvoso, o mesmo dia em que fui chicoteado ao tentar confortar Asgyle. Era assim que meu aroma de feromônio se dispersava com força.
E então, enquanto outra memória surgia, um som estranho foi ouvido acima do jorro repentino de água. Pouco depois, percebi que alguém havia caído na água. E eu sabia quem era, sem precisar ver com meus próprios olhos.
— Camar…!
Sem perceber, gritei e movi meu corpo. Quando estiquei subitamente meus membros rígidos, um gemido de dor escapou. Após prender a respiração por um momento, rastejei para fora do esconderijo.
Levei um tempo para emergir totalmente da cachoeira. Incapaz de correr direto para ele, levantei a cabeça com cuidado e verifiquei a figura de Asgyle através do fluxo. Ao contrário do que eu esperava, ele não caiu na água. Estava apenas parado lá, cobrindo o rosto com uma das mãos, como se lutasse contra uma vertigem extrema. Era evidente que ele não estava bem. E sua aparência evocou as emoções que eu estava tentando enterrar.
O som que se ouvia não era o da chuva, mas o da cachoeira.
Mas, de alguma forma, senti como se estivesse de volta àqueles dias. Então, nenhum outro pensamento veio à mente e meu corpo se moveu por conta própria.
*Shuaaa…*
O rugido da água continuava a arder. Saí lentamente do meu esconderijo. As gotas que batiam em meu corpo rapidamente se transformaram em jatos que me encharcaram por inteiro. Eu tremia enquanto caminhava em direção a ele, passo a passo. A água estava tão fria que meu corpo esfriou rapidamente. Na verdade, senti o calor daquela corrente fria e amarga. Arfando, respirei fundo e caminhei até Asgyle. Ele permanecia imóvel, na mesma posição.
Foi ao encará-lo que vi claramente que Asgyle estava diferente do habitual. Não havia aroma de feromônio vindo dele. Não, ele tinha o cheiro dele, mas era mais preciso dizer que mal podia ser sentido devido ao meu aroma. Levantei minha mão com cuidado. Minha mão tremia conforme ele entrava em foco. Então, foi assim. A chuva parou, e agora era minha vez de tremer.
A mão de Asgyle, que segurei gentilmente, estava muito quente. Como a de Camar
“A mão dele também era quente assim”.
Pensei. Ele sempre me manteve aquecido nas noites frias. O rosto que estava escondido sob a mão que eu afastava lentamente foi se revelando. Seus olhos roxos escuros apareceram devagar e ele finalmente me encontrou.
*Haa…*
Asgyle soltou um suspiro longo e emocional. Seus olhos estavam estranhos. Logo descobri o porquê. Normalmente, eram roxos escuros, mas de vez em quando tornavam-se dourados diante de mim, antes de voltarem à cor original. As bochechas levemente coradas, a respiração áspera e os olhos dourados. Logo entendi: Asgyle estava entrando no rut.
É por causa dos meus feromônios?
Eu não fazia ideia de por que uma quantidade tão grande de feromônios estava sendo liberada de repente. Eu nunca tinha sentido esse cheiro antes, por que agora? Memórias fragmentadas surgiram. Quando foi a última vez que exalei um feromônio tão espesso?
Foi no tempo em que eu só pensava no Camar.
Quando senti que queria confortá-lo no Oásis, o aroma transbordou assim. Era o mesmo quando eu estava apaixonado por Camar; apenas beijá-lo ou abraçá-lo me fazia exalar o cheiro de feromônio, de forma embaraçosa. Enquanto as lágrimas brotavam pela nostalgia, Asgyle abriu a boca.
— …Yohan?
Por um momento, achei que meu coração fosse parar, e então ele começou a bater como louco. Arregalei os olhos em espanto e olhei para ele, mas logo minha visão ficou turva e não consegui ver direito. Abri a boca com dificuldade, mas nenhum som saiu. Asgyle ergueu a mão para mim, que apenas movia os lábios. Quando eu estava prestes a recuar de surpresa, ele sussurrou, segurando minha bochecha:
— …Por que está chorando? Está doente de novo?
Eu queria responder, mas meus lábios não se moviam. Lágrimas caíram. A imagem de Asgyle, que tinha ficado clara por um momento, logo ficou borrada novamente. Mas as lágrimas não paravam, e quando mordi o lábio tentando conter os soluços, consegui emitir um som.
— Ca…mar.
Uma voz abafada saiu.
— É sério, Camar? Eu… eu… você me reconheceu…?
— Sim.
A resposta veio imediatamente. Ele sorriu para mim com um rosto gentil, como naquela época, e inclinou a cabeça. Lábios macios desceram alternadamente em minhas bochechas, testa, orelhas e na ponte do meu nariz. Asgyle, que beijou todo o meu rosto como naquela vez, sussurrou logo antes de tocar meus lábios pela última vez:
— É claro que sim, Yohan. Meu ômega.
— Ugh…
O grito que finalmente irrompeu foi engolido pela boca de Asgyle, e eu solucei, abraçando o pescoço dele com força.
“Camar.”
As lágrimas imparáveis continuavam a fluir. Aceitei animadamente seu beijo e o repeti repetidamente. O nome dele é Camar. Este homem é o meu, o meu próprio Camar.
— … Ah!
Enquanto eu estava perdido nesses pensamentos, Camar subitamente me agarrou pela cintura. Ao mesmo tempo, a dor se espalhou por todo o meu corpo e eu soltei um gemido. Imediatamente, Camar relaxou os braços e olhou para mim. A confusão tomou conta de seu rosto.
— Por que…?
Quando ele ia dizer algo, de repente piscou. Havia algo estranho na expressão de Camar, olhando para mim com o cenho franzido. Mas antes que ele percebesse qualquer coisa, soltou um suspiro profundo e seus joelhos cederam.
— Camar?
Assustado, tentei segurá-lo, mas Camar desabou sem hesitação. Quando o vi ser arrastado por um jato de água, entrei em desespero.
— Camar!
Corri para agarrar o braço dele. Mas Camar havia perdido a consciência. Felizmente, a água não era profunda, mas eu não podia deixá-lo ali. Segurei seu braço e o arrastei para a margem com dificuldade. Ao menos tive ajuda da flutuabilidade da água, mas ainda assim, Camar era grande e pesado demais. Quando chegamos à margem, eu já estava arfando como se fosse perder o fôlego. Lutei para recuperar o ar e tentei tirá-lo completamente da água. Mas, mesmo em meio a isso, Camar não recuperou a consciência.
Eu estava exausto quando finalmente o puxei para um ponto onde ele não se molhasse mais. Deitei-me ao seu lado e respirei fundo, observando seu rosto. Ele parecia em um sono profundo e pacífico. Ao mesmo tempo, um sentimento complexo surgiu em mim. Sensação de estupidez, raiva, amargura, felicidade, alegria, tristeza. Todas as emoções pareciam se entrelaçar de uma vez.
“Por quê?”
Perguntei, movendo apenas os lábios.
“Por que você me deixou tão de repente?”Senti meus olhos esquentarem novamente e pisquei rápido. Se não for agora, não sei quando poderei ver seu rosto assim de novo. Deixe-me olhar mais um pouco.
Mas, infelizmente, o tempo que me restava era curto. De repente, senti uma presença e ouvi vozes de pessoas.
— Senhor, o senhor está bem? Ouvimos um barulho…
Era a voz do guarda-costas. Levantei-me apressadamente, perdendo o fôlego. Não consegui me mover por um instante devido à dor que se espalhou pelas minhas costas, mas não havia tempo para hesitar.
Tropeçando, peguei minhas roupas e saí. Quando mal tinha me escondido atrás dos arbustos, o guarda-costas apareceu logo em seguida.
— Vossa Alteza! Vossa Alteza, o senhor está bem?
Ele gritou urgentemente e chamou outros companheiros pelo rádio. Agachei-me e apenas os observei. Pouco depois, vários guardas de segurança correram para lá, seguidos por gritos urgentes. Aproveitando a confusão, vesti-me às pressas e rastejei para longe dali. Quando finalmente alcancei o laboratório, escondendo-me dos olhos das pessoas, estava tão exausto que era difícil até caminhar.
– Aah!…
Cambaleando, cheguei à cama. Minha visão estava borrada, mas não tive tempo de esfregar os olhos. Deitei-me na cama como se tivesse desmoronado e, então, minha consciência se esvaiu.

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✦ Tradução, revisão e Raws: Jor&Belladonna

Ler Beije o Estranho (Novel) Yaoi Mangá Online

Sinopse:
Em um país do Oriente Médio onde a discriminação contra ômegas é profundamente enraizada, Yohan, um ômega abandonado após a manifestação de seu gênero secundário, vive sozinho em um oásis com apenas um gato como companhia. Um dia, ele resgata um homem ferido que perdeu completamente a memória do seu passado. Conforme passam o tempo juntos, Yohan se apaixona por ele… mas, um dia, o homem desaparece subitamente, sem deixar rastros.
Depois de esperar por ele em vão por muito tempo, Yohan encontra inesperadamente o príncipe herdeiro, um homem exatamente igual àquele que um dia amou. No entanto, o príncipe não o reconhece de forma alguma…
Nome alternativo: Kiss The Stranger Beije O Estranho

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