Ler Beije o Estranho (Novel) – Capítulo 77 Online


Modo Claro

⚝ Capítulo 77

— Bem-vindo, Yohan. Eu estava esperando.
A Princesa Najima me cumprimentou calorosamente e sorriu de forma brilhante, mas eu não conseguia retribuir o sorriso. Ela inclinou a cabeça ao me ver tentando forçar uma expressão amigável em meu rosto endurecido.
— O que houve? Aconteceu alguma coisa?
— Bem…
Antes de falar, engoli em seco. Foi doloroso pular o almoço — o único momento em que poderia encontrar Rikal — pelo segundo dia consecutivo, mas não havia tempo para lamentar. A razão de eu ter vindo à princesa assim que recuperei os sentidos, contendo o desejo de vê-la, foi o pensamento de que precisava evitar que a má sorte recaísse sobre ela por causa da gentileza que me demonstrou.
Respirei fundo e abri a boca para deixar sair uma voz trêmula.
— Uh, ontem… Como a senhora sugeriu, eu fui àquela cachoeira.
— Sim, a ama te levou bem? As roupas serviram direito? Que alívio. Como está seu corpo?
Lágrimas brotaram em meus olhos ao vê-la perguntar com um sorriso tão amigável. Franzindo o nariz e inclinando a cabeça, Najima perguntou, intrigada:
— Yohan, por que você está assim? Aconteceu algo ontem?
— É que…
Sentindo a língua endurecida como pedra, tentei desesperadamente falar. Najima esperou pacientemente. Graças à sua consideração, mal consegui reunir coragem para dizer o que pensava.
— Ontem, eu estava me lavando na cachoeira… e Sua Alteza apareceu.
Najima franziu a testa. Estava claro que ela também não esperava por aquela situação.
— Sua Alteza?
— Sim.
Assenti e respirei fundo.
— Ele me encontrou e ficou furioso… Eu consegui escapar, mas…
— Você deve ter ficado preocupado que isso pudesse me prejudicar.
Najima, completando as palavras que eu não conseguia dizer, continuou:
— Foi só isso com Sua Alteza? Ele viu o rosto do Yohan?
— Sim… eu acho que sim.
Olhei para ela com o coração preocupado, mas não havia sinal de apreensão no rosto de Najima. Em vez disso, ela me perguntou com uma expressão curiosa:
— Mas como você escapou dele? Não tem como o Yohan ter derrotado Sua Alteza.
Najima, que deu uma olhada rápida no meu porte físico, inclinou a cabeça. Senti meu rosto esquentar e neguei apressadamente.
— Não, claro que não… Eu aproveitei uma brecha e fugi.
— Como?
Ela perguntou com insistência. Parecia que não deixaria o assunto passar. Eu me sentia em um dilema, sem saber como falar. Por causa do meu feromônio, não havia como dizer que o Príncipe Herdeiro entrou em rut e perdeu a consciência. Meus feromônios estavam fluindo de forma irregular e involuntária, e no momento eu não conseguia sentir o cheiro mais. Estava claro que o aroma não tinha aflorado de mim por apenas pensar no Camar. Se tivesse, eu estaria transbordando feromônios por meio dia ou mais.
Hesitei, balancei a cabeça e finalmente respondi:
— Sua Alteza, de alguma forma, perdeu a consciência… Eu aproveitei isso e fugi.
— Ele desmaiou? Sua Alteza?
Novamente, Najima franziu a testa e perguntou. Estava claro que ela não entendia. Tudo o que eu podia fazer era rezar para que ela seguisse em frente sem perguntar mais nada. Olhei para ela nervoso e, após pensar por um momento, ela abriu a boca:
— Como está seu corpo?
— Perdão?
Pego de surpresa pela pergunta repentina, vi Najima sorrir e perguntar de novo:
— Perguntei sobre as feridas. Lavar-se lá ajudou?
— Ah, sim… Sim. Obrigado. Foi graças a isso…
Enquanto falava, tive que abaixar a cabeça. Não aguentei mais e desta vez contei a verdade.
— Me perdoe, eu realmente não sei… Ontem, eu estava ocupado demais fugindo…
— E está ocupado demais hoje se culpando por isso.
Najima terminou minha frase. Sem dizer nada, ela continuou:
— Obrigada por ser honesto. Se você tivesse mentido para mim agora, eu nunca mais acreditaria no Yohan.
Quando olhei para cima diante das palavras inesperadas, Najima sorriu para mim com um rosto gentil. Piscando de surpresa, ela acrescentou com misericórdia:
— Deve haver um motivo para você não poder me contar tudo. Está tudo bem, desde que não minta. Vamos parar de falar disso. Mas por que Sua Alteza voltou tão de repente? Terei que verificar.
Antes que eu pudesse dizer qualquer coisa, o assunto mudou. Najima chamou a ama e ordenou que uma assistente buscasse informações sobre o Príncipe Herdeiro. Logo a ama abriu a porta, chamou a assistente e entregou a mensagem. Novamente, Najima voltou sua atenção para mim.
— Depois que o Yohan saiu ontem, chamei o doutor e peguei alguns remédios. Certifique-se de levá-los com você quando voltar mais tarde. Seria melhor se você me mostrasse as feridas.
Eu não podia contar a verdade a ela. Mentir também não adiantaria. Tudo o que pude fazer foi me desculpar e baixar a cabeça. Najima sorriu amargamente e então se afastou.
— Eu não consegui trabalhar muito ontem porque tive que lidar com meu parceiro… Não? Desculpe, eu ajudei um pouco. Está tudo bem?
— Sim?
“Ajudou em quê?”
Sem entender o significado, olhei para o tear em que eu estava trabalhando e arregalei os olhos em choque. Não foi pouca coisa. Além do que eu já tinha feito, a parte que a princesa teceu era o suficiente para me manter ocupado por três dias inteiros. E o acabamento era perfeito. Não havia uma única falha. Pelo contrário, fazia a minha parte parecer malfeita. Najima falou comigo enquanto eu encarava o tear:
— Desculpe por ter mexido. Se você não gostou…
— Não, imagina. Não é isso, ficou ótimo.
Hesitei e agradeci em voz baixa.
— Obrigado…
— Foi porque eu interrompi o trabalho. Felizmente… eu estava preocupada que tivesse arruinado o trabalho do Yohan.
Foi então que Najima sorriu para mim e eu retribui com um sorriso largo também.
“Absolutamente não”, eu ia dizer, mas de repente um leve murmúrio veio de fora da porta. Najima também virou a cabeça, percebendo o barulho. A porta se abriu e o servo disse urgentemente:
— Princesa, por favor, perdoe a grosseria. Sua Alteza está aqui agora.
Com essas palavras, a ama agiu imediatamente. Após dispensar o servo, ela olhou para fora, fechou a porta e se virou.
— É tarde demais para deixar o Yohan sair. Se ele for agora, vai encontrá-lo.
Fiquei aterrorizado e olhei para Najima sem perceber. Ela abriu a boca como se estivesse pensando o mesmo que eu.
— Está tudo bem, Yohan. Eu tenho algo em mente. Ele não poderá me tocar. Você pode se esconder por um segundo? Ama.
— Venha aqui.
Ela me conduziu até uma tapeçaria que pendia em uma parede. Era feita de um material bastante grosso e grande o suficiente para ocupar uma parede inteira. Como estava pendurada a uma certa distância da parede, era espaço suficiente para eu me esconder.
Olhei para a princesa com pesar mais uma vez e me esgueirei para trás da tapeçaria conforme instruído. De repente, ouvi o som de passos batendo no chão e meu coração afundou. Logo em seguida, a porta se abriu e uma fragrância doce entrou com uma brisa fresca.
— Alteza.
Ouvi a voz de Najima. Prendi a respiração e apenas escutei. Em vez de responder, o som dos passos do homem continuou e então parou.
— É uma honra que tenha vindo ao meu quarto.
— Ontem você disse que usaria a cachoeira.
A voz do Príncipe Herdeiro cortou impiedosamente as palavras de Najima. Após um silêncio, a voz de Najima, com um tom de riso, continuou:
— Você tem que me deixar falar até o fim, Asgyle.
— Não tenho tempo para ouvir palavras inúteis até o fim.
Não havia emoção na voz de Asgyle. Não parecia que ele estava com raiva ou chateado com ela. Fiquei um pouco aliviado pela voz que parecia apenas querer saber a verdade. Mas não pude relaxar completamente. Eu ainda ouvia em estado de tensão quando Asgyle perguntou:
— O que você fez ontem?
Najima soltou uma risada curta e disse:
— Já está exercendo seus direitos como marido, Asgyle?
— Responda.
Enquanto eu estava nervoso, ouvi a voz de Najima:
— É verdade que não fui à cachoeira. Eu ia, mas estava cansada, então apenas descansei nos meus aposentos. Por quê? Aconteceu alguma coisa?
Fiquei profundamente tocado pela resposta de Najima, que saiu de forma tão natural. Pensei que seria insuportável se a pessoa que me fez um favor fosse tratada com dureza por minha causa. Com um pequeno suspiro de alívio, ouvi Asgyle falar:
— … Você não sabe?
A voz baixa soou agourenta. Najima continuou casualmente:
— Sim, sério, o que está havendo? A propósito, você voltou antes do planejado e foi à cachoeira? Por quê? Se machucou em algum lugar? — E ela acrescentou com uma voz cheia de riso: — Ou sua cabeça ainda dói tanto assim?
Asgyle não respondeu. Eu parei diante da conversa inesperada. A propósito, o que o doutor Steward tinha dito? O Príncipe Herdeiro sofria de insônia severa e dores de cabeça. Talvez por isso Asgyle tivesse ido lá?
Senti um aperto no coração, e Asgyle voltou a falar, em um tom muito mais lento que antes.
— Há apenas uma pergunta que você tem que responder, não é? — Ele acrescentou baixinho: — Onde ele está? Aquele ômega.
— Ômega?
Najima perguntou. Claro, porque ela não sabe quem eu sou. Fiquei aterrorizado e cobri a boca com as duas mãos.
— Do que você está falando, Asgyle?
A voz de Najima tinha um toque de irritação. Era natural que ela não entendesse.
“Espero que ela nem pense que eu sou um ômega.”
Eu deveria ter confessado a ela, mas agora era tarde demais. Eu só podia esperar que aquele momento passasse rápido. Asgyle continuou a ameaçá-la:
— Você sabe a resposta. Não tente me enganar, porque o cheiro de feromônios deixado neste quarto agora mesmo é a prova.
Em um instante, meu corpo inteiro enrijeceu. Sem perceber, parei de respirar.
Feromônios? Estariam vindo de mim? Se isso estivesse acontecendo, Najima teria percebido primeiro. Ou talvez o cheiro estivesse escapando agora mesmo? Encostei o nariz em meu próprio corpo para checar, mas não senti nada. O que diabos estava acontecendo? Como Asgyle reconhecia o meu cheiro?
Após esse pensamento, Najima perguntou:
— O que quer dizer com cheiro de feromônio? Eu realmente não sei.
— Você não sabe?
— Não. — Najima sorriu. — Não há cheiro nenhum. Asgyle, você está realmente ficando louco por causa dessa dor de cabeça?
Foi quando arregalei os olhos em surpresa com a resposta dela. Asgyle, que ficou em silêncio por um momento, falou:
— Tudo bem. Se você está tão confiante…
Após o comentário sinistro, houve um leve tom de riso em sua voz.
— Eu definitivamente te dei uma chance, não dei? Foi você quem a desperdiçou.
Depois disso, passos foram ouvidos. Asgyle estava caminhando lentamente pelo quarto. Como se estivesse tentando me encontrar. Os passos lentos se afastaram de mim. Pensei que ele fosse sair. Quando senti um pouco de alívio e expectativa, ele de repente acelerou e se aproximou rapidamente.
Ouvi a voz de Najima em meu ouvido assustado:
— Asgyle, o que você está fazendo?
Antes que a voz dela, que soava mais urgente que o normal, desaparecesse, um som agudo e a claridade entraram primeiro. Quando fechei os olhos por reflexo e me encolhi, a voz fria de Asgyle veio:
— Aí está você.
Abri as pálpebras lentamente. Em minha visão aterrorizada, apareceu a figura do homem gigante me encarando. Uma sombra escura caía sob Asgyle, que estava contra a luz do candelabro. Ele segurava na mão a gigantesca tapeçaria que havia sido arrancada. Quando ele soltou, a tapeçaria caiu no chão com um baque surdo. Com aquele som, senti como se meu coração também caísse, e respirei fundo. Um cheiro de feromônio mais forte desceu ao meu redor.
Um leve cinismo surgiu nos lábios de Asgyle. Ele abriu a boca. Sua voz era baixa, como um sussurro:
— Te encontrei.

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✦ Tradução, revisão e Raws: Jor&Belladonna

Ler Beije o Estranho (Novel) Yaoi Mangá Online

Sinopse:
Em um país do Oriente Médio onde a discriminação contra ômegas é profundamente enraizada, Yohan, um ômega abandonado após a manifestação de seu gênero secundário, vive sozinho em um oásis com apenas um gato como companhia. Um dia, ele resgata um homem ferido que perdeu completamente a memória do seu passado. Conforme passam o tempo juntos, Yohan se apaixona por ele… mas, um dia, o homem desaparece subitamente, sem deixar rastros.
Depois de esperar por ele em vão por muito tempo, Yohan encontra inesperadamente o príncipe herdeiro, um homem exatamente igual àquele que um dia amou. No entanto, o príncipe não o reconhece de forma alguma…
Nome alternativo: Kiss The Stranger Beije O Estranho

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