Ler O Marido Malvado (Novel) – Capítulo 221 Online


Modo Claro

Cesare observava Eileen adormecida profundamente, seu corpo completamente imóvel e silencioso de exaustão. Quase sem perceber, inclinou-se para perto dela, atento ao suave compasso de sua respiração. Embora soubesse que ela já não podia morrer, não conseguia abandonar aquele hábito adquirido depois de tanto tempo. Somente depois de ouvir o som tranquilo de sua respiração ele se levantou da cama.

Os músculos definidos de seu corpo nu moveram-se suavemente enquanto caminhava com uma graça lânguida. Pegou um pano úmido e limpou com delicadeza a pele de Eileen, cuidando dela após a intensidade do momento que haviam compartilhado.  Em seguida, vestiu nela uma camisola simples antes de se lavar. 

Depois de abotoar a camisa e vestir a calça, não havia nele qualquer vestígio de um homem que acabara de se entregar a prazeres tão carnais. Impecavelmente arrumado mais uma vez, inclinou-se e depositou um último beijo na bochecha de Eileen antes de deixar o quarto.

Sonio, que o aguardava do lado de fora, aproximou-se e falou em voz baixa, como se temesse acordar a mulher adormecida.

— Ele se automutilou hoje.

A reação de Cesare foi de absoluta indiferença, como se não esperasse nada diferente. Conhecia bem o irmão e podia prever facilmente suas ações.

‘De qualquer forma, eu já pretendia encerrar isso em breve.’

Enquanto ajustava os punhos da camisa, disse:

— Vamos.

Ele entrou no veículo militar que o esperava do lado de fora da casa de tijolos. Após sua coroação, sua residência oficial se tornaria o Palácio Imperial. Embora ninguém ousasse se opor se ele se mudasse para lá agora, Cesare não sentia necessidade de quebrar o protocolo desnecessariamente. Afinal, em breve o palácio seria seu definitivamente; não havia razão para pressa.

Algum tempo depois, chegaram a uma pequena casa de madeira nos arredores da capital. Com uma vasta floresta estendendo-se atrás, aquela construção isolada era um dos lugares que Cesare utilizava para diversos propósitos clandestinos.

Quando seu carro militar se aproximou, os soldados de guarda imediatamente ficaram em posição de sentido e prestaram continência. Cesare respondeu com um breve aceno, abriu a porta e entrou.

Uma figura já estava caída numa cadeira, com cabelos e roupas desalinhados.

Leone, imóvel como um cadáver, só levantou a cabeça quando Cesare ficou diante dele. Seu olhar vagou brevemente até o curativo enrolado no antebraço de Leone antes de se fixar nos olhos azul-turvos de seu irmão. Era a primeira vez que os gêmeos se encontravam depois de muito tempo, mas nenhuma palavra de saudação foi trocada entre eles. Um silêncio pesado instalou-se no ambiente.

— …Como? — murmurou Leone, com a voz áspera, quase como se falasse consigo mesmo. — Você é… realmente meu irmão? Ter um corpo assim…

Seus olhos tremiam de desespero.

Desde aquele dia sob o céu vermelho como sangue, ele permanecera confinado no Palácio Imperial. Apenas recentemente havia sido trazido à força para aquela casa que conhecia bem, um lugar que Cesare usava para caçar, cercado por uma floresta tão densa que a luz do dia mal conseguia atravessá-la.

Foi só naquele lugar que Leone finalmente recuperou os sentidos. Tinha atirado no coração do irmão; ele mesmo puxara o gatilho. Se lembrava do sangue que florescera no peito de Cesare. No entanto, o irmão não morrera. Deveria estar entre a vida e a morte, mas ali estava, respirando e intacto como se nada tivesse acontecido. Era impossível para um ser humano. Seria verdade que Cesare havia se tornado um deus, como diziam os rumores?

Durante dias, Leone exigira ver o irmão, mas seus pedidos haviam sido ignorados pelos guardas silenciosos. Era um príncipe que perdera o trono e deveria ser eliminado, mas não queria terminar daquela forma.

Se fosse morrer, desejava ao menos ouvir a verdade diretamente de Cesare. Então ele se feriu, e, se aquilo não funcionasse, estava disposto a tirar a própria vida.

Felizmente, Cesare viera.

Leone encarou o irmão gêmeo.

— Me diga, Cesare.

Sua voz tremia carregada de ressentimento.

Em vez de responder, Cesare puxou uma cadeira e sentou-se em frente a ele. Inclinou-se ligeiramente para a frente, e Leone instintivamente recuou contra o encosto da cadeira ao ver aqueles olhos vermelhos penetrantes.

— Eu venho me perguntando há bastante tempo — a voz de Cesare, tão grave e clara preenchia o espaço como a nota mais profunda de um piano. — Por que você… tirou a própria vida?

Leone fechou e abriu os olhos lentamente. Ali estava Cesare, vivo, perfeitamente bem.

Enquanto Leone lutava para compreender a situação, Cesare continuou:

— Achei que fosse culpa. — refletiu, Culpa por não ter protegido Eileen. Achei que você não suportou ver como eu me destruí por causa disso. Foi o que pensei no começo… — sua voz tornou-se mais fria. — mas agora, olhando para trás, percebo que você estava com medo.

Os olhos vermelhos cintilavam como uma chama ardente, um fogo consumidor que se assemelhava a um holocausto.

— Medo de que eu descobrisse a verdade.

Leone engoliu em seco.

— …Sobre o que você está falando?

— Você escolheu a morte para continuar sendo uma boa pessoa até o fim, antes que eu descobrisse que foi você quem começou tudo isso. Porque esse é o tipo de homem que você é, irmão.

Leone não conseguia compreender por que estava sendo chamado de hipócrita. Incapaz de sustentar aquele olhar ardente de Cesare, abriu os lábios ressecados.

— Cesare, eu…

— Irmão, —Cesare o interrompeu, um sorriso suave brincando em seus lábios. Leone por um instante ficou momentaneamente desconcertado com a visão ao vê-lo sorrir.

— Eu voltei de sete anos no passado.

— …

— O preço que paguei por esses sete anos foi este corpo.

Leone não conseguia compreender as palavras que saíam da boca do irmão. Mas uma coisa estava clara: Cesare estava dizendo a mais pura verdade.

— Se eu dissesse que fiz um acordo com um deus, você acreditaria?

Ouvir aquilo justamente do homem que sempre demonstrara o maior desprezo por qualquer fé era algo estranho… e assustador.

Ele perguntou instintivamente: 

— Por que… você está dizendo essas bobagens…?

— Você sabe melhor do que ninguém, irmão. — disse Cesare baixinho, como se falasse consigo mesmo. — Que não sou normal.

Ele soltou um leve suspiro. 

— Eu ia carregar tudo sozinho e acabar com isso… mas Eileen teimosamente me trouxe de volta. E no fim, ela se tornou igual a mim.

Ele falava como se estivesse compartilhando preocupações cotidianas com o irmão, e por um momento, Leone sentiu como se estivessem na sala de audiências do Palácio Imperial mais uma vez.

— É por isso que não podemos ter filhos. Não é algo que eu precise, de qualquer forma. Não tenho desejo algum de dar continuidade à minha linhagem. Mas Eileen é diferente.

Pela primeira vez, sua expressão suavizou.

— Eu me preocupo que ela fique de coração partido… mas vou consolá-la. Porque temos todo o tempo do mundo.

Cesare, tendo dito o que queria, levantou-se da cadeira, deixando o homem congelado e sem fala. Leone sobressaltou-se como se acordasse de um sonho, olhando para cima.

— Não sei qual escolha fará desta vez, irmão.

Cesare tirou uma pistola de dentro do casaco e a estendeu.

Leone olhou para o objeto, incapaz de pegá-lo. 

Era a mesma pistola que ele usara para atirar no irmão. Sem hesitar, Cesare agarrou a mão de Leone e o forçou a segurar a arma.

— Você está livre, irmão. A partir deste momento, retirarei todos os soldados que te vigiam. Faça o que quiser.

Quer fosse embora, ficasse ou escolhesse outra opção, Cesare não interferiria. Aquela era sua última demonstração de misericórdia para com o irmão gêmeo.

Cesare saiu da casa. Pouco antes de entrar no veículo militar, um tiro ecoou pela noite silenciosa. Cesare fez uma pausa por um momento antes de entrar no carro. Com uma voz seca, disse ao soldado que esperava suas ordens com uma expressão em pânico: 

— Deixe-o. Ele não se matou.

O Leone desta vida não seria capaz de atirar em si mesmo. Passaria o resto dos seus dias sofrendo, incapaz de compreender plenamente tudo o que havia acontecido.

Foi a última intuição que sentiu como gêmeo.

Cesare olhou pela janela do carro e, em seguida, desviou o olhar. O veículo militar afastou-se silenciosamente pela escuridão.

Continua…

Tradução e Revisão: Elisa Erzet 

Ler O Marido Malvado (Novel) Yaoi Mangá Online

Protagonista masculino: Cesare Traon Kal Erzet – Comandante supremo do Império e Arquiduque. Retornou após vencer a guerra, que durou três anos. Uma pessoa fria, racional, sem oscilações emocionais. Despreza ações não científicas. No entanto, de alguma forma, o homem mudou um pouco recentemente.
 
Protagonista feminina: Eileen Elrod – Jovem dama da família do Barão Elrod. Um gênio que estudou botânica e farmacologia. É apaixonada por Cesare desde que o conheceu aos 10 anos. Sua vida pacífica começa a se agitar ao receber uma proposta de casamento repentina do homem.
 

 
Leia esta história:
Quando quiser ver um romance onde um homem mais velho perde completamente a cabeça pela jovem protagonista.
 
 

 
Frase para se identificar:
— Tudo é, e sempre foi, somente por Eileen.
 

Sinopse 

Cesare Traon Karl Erzet, o Comandante Supremo Imperial.
Após três anos de serviço na guerra, ele voltou para propor casamento a Eileen.
Eileen lutou para acreditar que a proposta de casamento de Cesare era sincera.
Afinal, desde o momento em que se conheceram, quando ela tinha dez anos, o homem afetuoso sempre a tratou como uma criança.
— Eu não quero me casar com Vossa Alteza.
Por muito tempo, seu amor por ele não foi correspondido.
Ela não queria que o casamento fosse uma transação.
Foi por causa da longa guerra?
O homem, que normalmente era frio e racional, havia mudado.
Suas ações impulsivas, seu desejo desenfreado por ela — tudo isso era muito estranho.
— Isso só deve ser feito com alguém que você ama!
— Você também pode fazer isso com a pessoa com quem planeja se casar.
Eileen ficou intrigada com essa mudança.
E, no entanto, quanto mais próxima ela ficava de Cesare…
Ela descobriu coisas que desafiavam a razão ou a lógica.
Eileen soube das muitas ações malignas de seu marido pouco tempo depois.
— Eu não pude nem ter o seu corpo, Eileen.
Tudo o que ele fez foi por ela.
Ele se tornou o vilão, apenas por sua Eileen.
Nota: Mesma autora de Predatory Marriage 
Ps: Cesare é o maridinho dessa tradutora aqui

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