Ler Vamos nos Encontrar Vivos (Novel) – Capítulo 195 Online


Modo Claro

↫─Capítulo 195

As letras vermelhas, grandes e em negrito no documento fizeram todos na sala congelarem por um momento. Taebaek, sem se abalar, colocou-o na frente de Myung-sik. As sobrancelhas de Myung-sik se ergueram — uma reação mais pronunciada do que qualquer outra que ele demonstrara desde que Taebaek entrara.

— Onde você conseguiu isso…?

— Eu peguei no caminho — disse Taebaek, inclinando a cabeça de leve.

Myung-sik pegou o documento, folheando suas páginas. A julgar por sua expressão sutilmente atordoada, parecia que ele o estava vendo pela primeira vez. Taebaek, focando nas mudanças no rosto de Myung-sik, baixou a voz.

— Até agora, eu estava tentando convencê-lo. A partir deste momento, é uma ameaça.

— ……

— O Shinu hyung. Cuide dele aqui até os ataques de mísseis. E, claro, trate-o. Diligentemente, com todos os seus recursos. Se for confirmado que ele tem anticorpos, envie-o para a Ilha de Jeju.

— ……

— Se o senhor não concordar com as minhas exigências, tornarei isso público. Afinal, há uma repórter lá fora. O mundo vai enlouquecer com o golpe mais sangrento da história. A ONU vai entrar em um frenesi para apagar a Coreia do Sul do mapa o quanto antes.

— ……

— Claro, há outra cópia deste documento. Um amigo meu aqui a tem. Se eu não sair deste prédio inteiro, ela irá direto para os repórteres.

Isso era uma mentira. Taebaek só conseguira garantir um único documento em Gyeryongdae. Mas os negócios — e a vida — frequentemente envolviam blefar dentro dos limites de uma plausibilidade legal. Dessa vez não era diferente.

Myung-sik estudou o documento por um longo tempo depois que Taebaek terminou de falar. Taebaek, externamente calmo, observava-o, embora sua impaciência transparecesse no bater inquieto de seu pé.

Finalmente, Myung-sik terminou a leitura. Ele colocou o documento no lugar com cuidado, com a tinta vermelha cobrindo suas páginas. Juntando as mãos sobre ele, falou.

— Você tem algo valioso aqui.

Com isso, Myung-sik ficou em silêncio, suas mãos esfregando-se uma na outra enquanto seu olhar alternava entre Taebaek e o documento. Estava claro que ele ponderava sobre algo.

— O que houve? Está se sentindo culpado? Ou o senhor é um deles?

Taebaek perguntou com uma ponta de sarcasmo, embora seus pensamentos tomassem um rumo mais sombrio. Se ele fizesse parte do golpe, seria melhor rezar por um fim sem dor.

Myung-sik endireitou a postura e soltou um suspiro profundo.

— Os líderes do golpe estão todos mortos.

— …O quê?

Pego de surpresa, Taebaek franziu o cenho, suas sobrancelhas bonitas se contraindo profundamente. Myung-sik, mantendo um tom composto porém cortês, explicou.

— Os líderes e suas famílias tentaram fugir depois que o golpe falhou e a ONU se envolveu diretamente. Pelo que apuramos, eles planejavam se reagrupar em alguma ilha em algum lugar.

— ……

— Mas houve um golpe de azar. Alguém infectado embarcou na aeronave militar deles.

— ……

— Era o filho do Ministro da Defesa. Ele tinha doze anos, e acredita-se que tenha sido arranhado por um monstro na panturrilha. Naquela manhã, a esposa do Ministro perguntou a um médico se ele estava infectado. Eles mantiveram segredo e embarcaram no avião de qualquer maneira.

— ……

— A aeronave provavelmente se tornou um banho de sangue. Eles não tiveram coragem de atirar no filho do Ministro, sendo monstro ou não. No fim, o avião caiu no mar e todos a bordo morreram.

Taebaek puxou o ar bruscamente, então soltou um longo suspiro. Todos eles estão mortos. Mortos por um monstro, nada menos. O pensamento era satisfatório, mas também estranhamente vazio.

Morrer de forma tão lamentável — era melhor do que deixá-los escapar para viver luxuosamente no exterior, mas, ainda assim, deixava um gosto insatisfatório. Se tivessem sobrevivido, não haveria muito que um civil como Taebaek pudesse fazer, mas a perda da oportunidade ainda doía.

Enquanto Taebaek encarava o documento sem expressão, Myung-sik falou firmemente.

— Não torne isso público.

As palavras foram formuladas como um pedido, mas o tom era de um comando. Taebaek olhou para ele com uma expressão seca. Os lábios finos de Myung-sik tremeram ligeiramente antes de ele continuar.

— Se isso vier a público, não serão os líderes do golpe já mortos que sofrerão. Serão o nosso país e o nosso povo. No momento, nada é mais importante do que a segurança deles.

— Então salve o Shinu hyung.

Taebaek repetiu o mesmo apelo que fizera inúmeras vezes, sua voz firme mas tensa. Por um momento, um olhar desconfortável passou pelo rosto de Myung-sik.

Taebaek levantou-se lentamente. Apoiando-se na mesa com os dois braços, ele pairou sobre Myung-sik, sua sombra caindo pesadamente sobre ele.

— Ele também é um dos seus — disse Taebaek, apontando para o lado de fora.

Sua compostura anterior havia desaparecido. Seus olhos se contorceram de emoção, os cantos úmidos de frustração.

— Ele é um soldado que protegeu este país por mais de dez anos.

— ……

— O senhor tem alguma ideia de quantas pessoas meu hyung salvou no caminho até aqui? Então por que não há ninguém disposto a salvá-lo agora?

— ……

— O senhor disse para virmos juntos. Tragam quem estiver ao seu lado e venham. Foi isso o que as transmissões disseram, não foi?

— ……

— Nós viemos juntos, então por favor… salve o meu Shinu hyung…

— ……

— Ele não pode morrer assim… Por favor…

O corpo de Taebaek cedeu lentamente. Enquanto essa discussão inútil se arrastava, Shinu estava sangrando naquela cama miserável, aproximando-se cada vez mais da morte. Ele precisava de tratamento imediatamente. Um medo crescente roía as bordas da mente de Taebaek — e se Shinu falecesse enquanto ele estivesse aqui, incapaz de estar presente em seus momentos finais?

— ……

Myung-sik observava Taebaek em silêncio. No momento em que abriu os lábios para dizer algo, uma batida forte soou na porta. Todos os olhos, exceto os de Taebaek, viraram-se na direção do som. Myung-sik gesticulou para o soldado perto da porta, que a abriu. Parado ali estava o médico de jaleco branco — o mesmo a quem Taebaek havia confiado Shinu .

Ajustando seus óculos sem aro, o médico falou.

— Desculpe interromper, General de Brigada, mas tenho novidades. A infecção pelo vírus… realmente parou. Não está mais progredindo.

— ……

— O paciente diz que foi infectado ontem à noite, às 23h. O local da infecção é o ombro. Agora são 10h da manhã, então se passaram 11 horas desde a infecção. Além de uma orelha avermelhada, não há alteração em seus dentes ou olhos. Ele é claramente diferente dos outros que vimos antes.

— ……

O peito de Myung-sik subiu e desceu rapidamente. Sem perceber, ele se levantou da cadeira. Taebaek, que estava olhando para o chão, de repente ergueu a cabeça para encarar o médico.

— Espere. O paciente disse isso?

O Shinu hyung… está acordado?

Taebaek correu em direção à porta da enfermaria, seguido de perto pelo médico, Myung-sik e vários soldados. Passando pela multidão, Taebaek abriu caminho até o canto mais distante da enfermaria. Além da divisória, um rosto familiar o cumprimentou.

— Ei, garoto herdeiro!

Era o homem barrigudo que ele não via há algum tempo. Em volta do pescoço dele havia um crachá com a identificação de “Voluntário”. Sentado ao lado da cama, ele tinha uma agulha de acesso venoso na dobra do braço. O sangue corria pelo tubo, entrava em uma pequena máquina e depois ia para o braço de Shinu . Atrás dele estava Hye-min.

— Eu sou O negativo. Sorte, né?

O homem barrigudo abriu um grande sorriso, e Taebaek deu um aceno fraco e desajeitado antes de cambalear em direção à cama.

E lá estava ele — Shinu .

Shinu , com o peito coberto por camadas de gaze e ataduras. Shinu , cuja pele, antes pálida como tinta branca, havia melhorado um pouco. Shinu , que estava com os olhos semicerrados, olhando languidamente para Taebaek.

E Shinu , que sorriu fracamente para ele.

— Hyung…

Taebaek sorriu para Shinu , mas seu rosto estava contorcido de emoção. Sua visão ficou embaçada pelas lágrimas, e ele esfregou os olhos rudemente com as costas da mão. Então, gentilmente, ele tocou a testa de Shinu . Os olhos de Shinu acompanharam os movimentos de Taebaek devagar, e, de alguma forma, aquele ato simples o comoveu profundamente.

Taebaek enterrou o rosto no ombro direito de Shinu , envolvendo a cabeça dele com um braço.

Shinu estava acordado. Shinu estava vivo. Shinu não havia morrido. Ele não o havia deixado.

Mesmo vendo com seus próprios olhos, Taebaek mal conseguia acreditar. Suas emoções desmoronavam e se reconstruíam repetidamente. Percebendo isso, Shinu ergueu o braço rígido e deu tapinhas nas costas de Taebaek.

— Você passou por muita coisa para chegar até aqui…

— Hyung…

— Você é um bom garoto. Nem chorou.

Shinu acalmou Taebaek como uma criança, dando tapinhas gentis em suas costas. Embora suas palavras fossem simples, elas derreteram o corpo inteiro de Taebaek. Era como sair de uma colina congelante e tempestuosa para entrar em uma casa calorosa e aconchegante. Toda a sua pele formigou.

— E a sua coxa? Você cuidou dela?

Mesmo apoiando o rosto contra o ombro de Taebaek, a primeira preocupação de Shinu era essa. O alívio de estar vivo e acordado vinha depois.

— Quem se importa com a minha coxa? Você tem oito buracos no peito, hyung…

Taebaek fez um bico, resmungando. Aquela maldita coxa — ele nem sequer havia notado que doía até agora. Mas, ironicamente, a preocupação de Shinu fez a dor há muito esquecida voltar como uma onda gigante. Ele queria chorar para ele. Dói tanto, estou com tanto medo, por favor, levante-se e cuide de mim. Preste atenção em mim. Me ame.

— Você ainda precisa cuidar disso. Eu estou bem agora.

Por causa de você.

Shinu riu baixinho, como uma brisa de outono, e afagou a cabeça de Taebaek. Mas seu toque afetuoso não durou muito. Conforme sua mão alternava entre o cabelo, o pescoço e as costas de Taebaek, ela gradualmente perdeu a força e escorregou, finalmente caindo ao lado da cama.

Taebaek, percebendo isso imediatamente, ergueu a cabeça num solavanco. Shinu havia fechado os olhos, com a cabeça pendendo sem vida para o lado.

— Hyung? Hyung.

Taebaek balançou Shinu gentilmente, mas ele não acordou.

— O que há de errado com ele?

Taebaek virou-se para o médico, com seus olhos injetados de sangue cheios de desespero. O médico examinou rapidamente as pupilas de Shinu antes de se dirigir a Myung-sik, que estava atrás de Taebaek. Ele era o único com autoridade para decidir o destino de Shinu .

— Ele ainda está recebendo a transfusão, mas já perdeu muito sangue e o sangramento não parou. Os ferimentos são muito profundos — seus músculos estão rasgados do peito até as costas. Ele precisa de cirurgia imediatamente, mas isso não pode ser feito aqui. Ele tem que ser levado para um hospital de grande porte em Jeju.

Diante daquelas palavras, todos os olhares na sala se fixaram em Myung-sik — Taebaek, o médico, o voluntário gordinho e até mesmo Hye-min. Seus olhos pareciam exigir uma resposta.

↫─☫ Continua….

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✦ Tradução, revisão e Raws: Faby&Belladonna

Ler Vamos nos Encontrar Vivos (Novel) Yaoi Mangá Online

Sinopse:
Um vírus zumbi se espalhou na pacífica Seul.
A Coreia deu aos zumbis o nome de ‘Meogbo/Comedores’, e, após uma luta, eles falham em erradicar os meogbo.
– Caros coreanos, no dia 30 de setembro, nosso governo e Seul decidiram abandonar a Península Coreana.
– Venham para Jeonnam.
– Os militares estão esperando no Porto de Mokpo, em Mokpo, Jeollanam-do.
– Queridos cidadãos. Vamos todos nos encontrar vivos.
Shin-hoo: um bodyguard bruto, das forças especiais.
Han Tae-baek: um chefe brincalhão, de rosto frio e estômago fraco.
Han Tae-baek precisa sobreviver, Shin-hoo precisa salvar Tae-baek.
Juntos, os dois navegam por um mundo em caos.
– Se você achar que sua vida vai correr perigo para me salvar, então me abandone. Eu não quero ir para lá.
Tae-baek tentou falar com calma.
– Não vou te deixar sozinho. Não importa o que aconteça, não vou embora.
Shin-hoo respondeu com seu tom calmo característico.
Os dois se aproximam à medida que passam tempo juntos.
Tae-baek descobre a ternura escondida na indiferença de Shin-hoo; Shin-hoo se encharca do afeto imprudente de Tae-baek.
– Você gosta de mim? Acho que vou me apaixonar em alguns dias. É o que estou sentindo.
– …
– E talvez você também me ame.
Tae-baek confessa seu amor com orgulho, sorrindo como um garoto que acabou de viver seu primeiro amor.
Shin-hoo ri baixinho, sem responder.
Os ‘Comedores’ se aglomeraram ao redor dos dois.

Não morra, não desista. Vamos todos nos encontrar vivos.
Nome alternativo: Vamos Nos Encontrar Vivos Stay Alive Lets Meet Alive

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