Ler Vamos nos Encontrar Vivos (Novel) – Capítulo 194 Online

↫─Capítulo 194
Taebaek, ainda apontando a arma, falou enquanto olhava para o médico.
— Mantenha a transfusão de sangue até eu voltar. E… apenas faça o que for preciso — mantenha este homem vivo. Se estiver preocupado que ele vire um monstro, amarre os braços e as pernas dele se for necessário.
— ……
— Se ele morrer, você também morre. Não importa o que aconteça, eu voltarei e matarei você eu mesmo.
A ameaça estranhamente sombria fez o médico assentir lentamente. Logo antes de Taebaek sair de trás da divisória, ele olhou para Shinu. A visão do corpo pálido e exposto de Shinu parecia insuportavelmente fria. Taebaek sabia muito bem que Shinu não era alguém que desmoronaria por algo tão trivial quanto o frio, mas, ainda assim, aquilo não lhe caía bem. Seu coração parecia estar murchando.
Então, ele forçou os olhos a se abrirem bem. Tinha que permanecer atento. Ele era o único que podia salvar Shinu.
Pegando um pano do carrinho médico, notou que estava encharcado de vermelho com o sangue de outra pessoa. Ele o usou para cobrir sua arma, então apressou o soldado e deixou a enfermaria.
O soldado movia-se rigidamente, como um robô mal programado. Sua respiração vinha em rajadas irregulares enquanto seus olhos se moviam descontroladamente de um lado para o outro, como se implorasse silenciosamente para que alguém o salvasse. Mas ninguém na confusão caótica que os cercava se importava com ele.
O soldado subiu a escada de emergência até o último andar. Havia poucas pessoas na caixa de escada — um soldado cochilando com o boné puxado para baixo sobre o rosto, um par de sobreviventes de aparência desleixada olhando fixamente para o oceano enquanto davam tragadas em bitucas de cigarro, e dois estrangeiros.
Os estrangeiros, um homem e uma mulher, eram ambos loiros e brancos. Um deles segurava uma câmera grande, enquanto um crachá onde se lia “Repórter” estava pendurado em seu pescoço.
Taebaek pressionou o cano de sua arma contra as costas do soldado, mantendo-se colado logo atrás dele. Podia sentir o soldado tremendo através da arma. Os passos do soldado vacilaram, como se estivesse procurando uma chance de derrubar os dois de costas escada abaixo.
Taebaek, após um breve momento de reflexão, perguntou em um tom casual, como se estivesse jogando conversa fora sobre o almoço:
— Você já esteve em uma guerra?
— …Desculpe?
— Guerra. Operações. Qualquer coisa assim — você já esteve lá fora?
— …Não. Estou no serviço militar há apenas um ano.
Os lábios de Taebaek se contorceram em um sorriso sarcástico. Era uma sorte que o soldado fosse um novato. Se ele fosse tão habilidoso quanto Shinu, Taebaek não teria sequer conseguido deitá-lo na cama. Talvez aquilo fosse um pequeno milagre concedido pelos céus.
— O capitão que eu trouxe comigo — ele esteve em inúmeras guerras. Uma vez, ele me disse uma coisa.
— …O quê?
— Ele disse que é uma sorte se uma bala atravessar a sua cabeça. Você morre instantaneamente, bem ali na hora. Ele disse que é uma sorte mesmo se atingir seus membros. Claro, você pode perdê-los, mas pelo menos sobreviveria.
— ……
— Mas levar um tiro no estômago? Isso é o inferno. Mesmo com cirurgia, é difícil sobreviver. E não é fatal o suficiente para te matar instantaneamente, então você pode viver por dez horas inteiras com um buraco do tamanho de um punho nas entranhas, sentindo suas entranhas se rasgarem e sangrarem até morrer.
— ……
— E, bem agora, estou apontando para o seu estômago. Então apenas caminhe. Isso é tudo o que você tem que fazer. Não vou atirar — não quero fazer isso. Mas se você fizer qualquer tolice, eu puxo o gatilho. Sem hesitação.
Taebaek acrescentou:
— Eu vi e aprendi muita coisa.
O soldado arquejou bruscamente, então começou a subir as escadas corretamente.
Taebaek riu amargamente consigo mesmo. Aquilo era algo que Shinu havia lhe contado uma vez, durante uma conversa iniciada por Taebaek ao perguntar sobre uma das cicatrizes de Shinu. Quem diria que ele usaria isso dessa forma?
Graças a isso, Taebaek conseguiu chegar ao último andar sem grandes problemas. A atmosfera ali era marcadamente diferente. Vários soldados permaneciam no corredor, vestindo uniformes pretos alinhados em vez das fardas padrão. Suas armas eram mais robustas e reluziam sob a luz.
Taebaek sentiu instintivamente — esses soldados eram tão profissionais quanto Shinu. Um único passo em falso, e ele se veria imobilizado no chão em poucos segundos.
Assim que os dois entraram, um dos soldados de preto se aproximou, suas botas emitindo um som autoritário contra o chão polido.
— Sua unidade — o soldado de uniforme preto exigiu.
— Er, o quê?
— Declare sua unidade.
— Er, eu… eu sou…
O soldado gaguejou, perdendo as palavras. Foi quando Taebaek o empurrou para o lado. O soldado soltou um ganido assustado enquanto tropeçava.
Taebaek rapidamente descobriu a pistola escondida sob o pano ensanguentado. Vendo a arma, o soldado de uniforme preto imediatamente ergueu seu fuzil, apontando para Taebaek. A confusão atraiu a atenção dos outros soldados próximos, que correram em direção a eles.
— O que está acontecendo?
— Ele está armado!
— Agrupar!
Os soldados de uniforme preto cercaram Taebaek rapidamente. Ele ergueu a pistola, então calmamente removeu o carregador. Abaixando-se em direção ao chão devagar, ele abriu bem os dedos e colocou a pistola e o carregador no chão.
Os soldados estreitaram os olhos para ele. Suas expressões faziam a pergunta óbvia: O que ele está tramando? Taebaek, segurando as plaquetas de identificação de Shinu balançando em seu pulso, falou claramente.
— Existe um soldado com imunidade ao vírus.
— Não permitido.
A resposta veio imediatamente. Um soldado com um crachá onde se lia [General de Brigada Park Myung-sik] balançou a cabeça com firmeza.
Taebaek cerrou os dentes com força. Ele já esperava a rejeição antes mesmo de terminar de falar, mas isso não impediu a sensação de aperto em seu peito.
Se ele saísse daquela sala de mãos vazias, não teria escolha a não ser levar Shinu de volta para as ruas — ruas onde mísseis cairiam em apenas alguns dias. Isso simplesmente não era uma opção.
— Não podemos colocar nosso povo em risco por uma esperança incerta — Myung-sik declarou resolutamente.
Ele aparentava estar no final dos seus quarenta ou início dos cinquenta anos e era um homem de porte considerável. Sua postura ereta, ombros largos e peito musculoso deixavam claro que ele não era um soldado comum.
Taebaek soltou um longo suspiro pelo nariz. Ele olhou ao redor, avistou uma cadeira e a arrastou para a frente da mesa de Myung-sik. Sem ser convidado, ele se sentou.
Os soldados ao redor apontaram seus fuzis mais de perto, mas Taebaek não se importou. Ele cruzou suas pernas longas e inclinou-se um pouco para trás, encontrando os olhos de Myung-sik no mesmo nível. Myung-sik riu seco e entrelaçou os dedos sobre a mesa.
Empurrando o cabelo para trás com uma das mãos, Taebaek organizou seus pensamentos. Ele havia conhecido muitos homens como aquele durante sua carreira corporativa. Cada executivo com quem lidara era rígido e exigente, mas Taebaek tinha o dom de controlá-los.
Ele abordou a situação como uma negociação de negócios — calmo, lógico e composto. Mas também digno e estratégico. Isso era algo que Taebaek fazia muito melhor do que Shinu.
— Não estou pedindo para o senhor nos enviar para a Ilha de Jeju imediatamente. Trate-o, coloque-o em quarentena e monitore-o por mais alguns dias, apenas isso.
— ……
— Ouvi dizer que os monstros apareceram na China e no Japão também. O mundo inteiro está aterrorizado, e a ONU está pressionando a todos. É por isso que os ataques de mísseis estão sendo antecipados, não é?
— ……
— De acordo com as transmissões de rádio — e presumindo que elas se alinhem com os seus princípios —, o senhor não parece particularmente a favor dos ataques de mísseis. Por que não usar isso como uma oportunidade?
— ……
— A Coreia do Sul está em ruínas. Perdemos a capacidade de nos comunicar como iguais no cenário global, perdemos o controle do nosso comando militar e, em breve, a nação será literalmente apagada do mapa. Não restou nada para usar como moeda de troca, e o senhor está desesperado. Não é verdade?
— ……
— Existe um anticorpo. Ele existe. Então pesquise sobre ele, desenvolva uma vacina e use isso para negociar. Se tivermos a chave para a vacina, recuperaremos o poder de barganha. Os monstros já estão flutuando no mar. Ninguém, nenhuma nação, pode parar isso. O vírus não vai acabar só porque a Coreia vai desaparecer.
— ……
— Isso significa que a vacina se tornará a arma mais poderosa. A questão é: quem a conseguirá primeiro? É isso o que importa.
Taebaek terminou seu longo discurso e pausou para recuperar o fôlego. “Você tem que entender. Por favor.” Ele olhou para Myung-sik com olhos suplicantes, mas Myung-sik, com sua expressão indecifrável, balançou a cabeça.
— Sinto muito. Não haverá exceções. A ONU não permitirá que um indivíduo infectado entre na Ilha de Jeju.
— Não!
“Sério? Que idiota obstinado!” Taebaek esfregou o rosto em frustração. “Se você viesse para uma entrevista na nossa empresa, não passaria nem da primeira fase!” Malditos tipos militares — sempre rígidos e inflexíveis. Nem mesmo Shinu era tão ruim assim.
Taebaek soltou um longo suspiro, então aproximou sua cadeira da mesa de Myung-sik.
— O senhor não pode esperar por permissão para fazer isso acontecer. Se o Shinu hyung for para a ONU, eles vão levá-lo embora. Então continuaremos vivendo assim, sob as ordens deles, para sempre.
— …Eu entendo o que você está dizendo. Mas se não houver anticorpo, e for descoberto que transferimos secretamente um indivíduo infectado, a posição da Coreia do Sul vai piorar ainda mais.
— Existe um anticorpo. Existe! E o senhor sabe disso. Não é por isso que o senhor tem empilhado os cadáveres de soldados, caso um deles sobrevivesse à mordida de um monstro?
— ……
Uma das sobrancelhas de Myung-sik arqueou-se antes de voltar ao lugar. Seu polegar batia ritmicamente na mesa.
— Houve relatórios sugerindo que os medicamentos experimentais administrados aos soldados poderiam produzir anticorpos, mas nenhum foi confirmado.
— Mas isso não significa que não haverá nenhum no futuro.
— …Sinto muito. Por favor, retire-se.
A voz de Myung-sik era firme, sua recusa fundamentada em uma lógica dura. Ele tinha seus motivos para ser tão obstinado. Ele havia ido a extremos extraordinários — acumulando montanhas de cadáveres, incapaz de incinerá-los ou enterrá-los — pela chance remota de encontrar um anticorpo. Mas o esforço não resultara em nada além de pilhas crescentes de corpos. Enquanto isso, o sentimento global em relação à Coreia do Sul piorava, e as ameaças de ataques de mísseis da ONU pairavam mais perto. Manter a cabeça baixa e evitar novas provocações parecia ser a única opção.
— ……
Taebaek encarou Myung-sik intensamente antes de abruptamente puxar sua mochila para a frente.
— Parado!
Um soldado parado ali perto apontou seu fuzil para a têmpora de Taebaek.
— Não é perigoso. Vocês revistaram minha mochila quando eu entrei — Taebaek disse irritado, puxando um documento de sua mochila.
O documento trazia as palavras: [MILITAR / SEGREDO ABSOLUTO / AVISO: PROIBIDO O MANUSEIO NÃO AUTORIZADO].
↫─☫ Continua….
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✦ Tradução, revisão e Raws: Faby&Belladonna
Ler Vamos nos Encontrar Vivos (Novel) Yaoi Mangá Online
Sinopse:
Um vírus zumbi se espalhou na pacífica Seul.
A Coreia deu aos zumbis o nome de ‘Meogbo/Comedores’, e, após uma luta, eles falham em erradicar os meogbo.
– Caros coreanos, no dia 30 de setembro, nosso governo e Seul decidiram abandonar a Península Coreana.
– Venham para Jeonnam.
– Os militares estão esperando no Porto de Mokpo, em Mokpo, Jeollanam-do.
– Queridos cidadãos. Vamos todos nos encontrar vivos.
Shin-hoo: um bodyguard bruto, das forças especiais.
Han Tae-baek: um chefe brincalhão, de rosto frio e estômago fraco.
Han Tae-baek precisa sobreviver, Shin-hoo precisa salvar Tae-baek.
Juntos, os dois navegam por um mundo em caos.
– Se você achar que sua vida vai correr perigo para me salvar, então me abandone. Eu não quero ir para lá.
Tae-baek tentou falar com calma.
– Não vou te deixar sozinho. Não importa o que aconteça, não vou embora.
Shin-hoo respondeu com seu tom calmo característico.
Os dois se aproximam à medida que passam tempo juntos.
Tae-baek descobre a ternura escondida na indiferença de Shin-hoo; Shin-hoo se encharca do afeto imprudente de Tae-baek.
– Você gosta de mim? Acho que vou me apaixonar em alguns dias. É o que estou sentindo.
– …
– E talvez você também me ame.
Tae-baek confessa seu amor com orgulho, sorrindo como um garoto que acabou de viver seu primeiro amor.
Shin-hoo ri baixinho, sem responder.
Os ‘Comedores’ se aglomeraram ao redor dos dois.
Não morra, não desista. Vamos todos nos encontrar vivos.
Nome alternativo: Vamos Nos Encontrar Vivos Stay Alive Lets Meet Alive