Ler Vamos nos Encontrar Vivos (Novel) – Capítulo 183 Online

↫─Capítulo 183
Os faróis estavam brilhantes demais. A luz intensa iluminava tudo, fazendo com que os Devoradores ficassem mais interessados nas figuras humanas dos sobreviventes do que em procurar a fonte da luz. A única maneira de combater isso era eliminar a luz e criar um novo alvo para que eles se concentrassem.
No entanto, uma única lata de tinta fluorescente não era suficiente para desviar a atenção de centenas de Devoradores . Taebaek, rápido em entender a situação, jogou sua própria tinta, que Shinu prontamente estourou com um tiro. Mesmo assim, foi insuficiente. Embora alguns Devoradores próximos tenham demonstrado interesse, a maioria, ainda se aglomerando em uma área, não reagiu.
Enquanto Shinu franzia a testa, procurando uma solução, uma silhueta escura subiu no carro pintado com o líquido fluorescente. Era o lutador.
Ele espremeu o restante de sua tinta sobre a capa de chuva como se estivesse esvaziando um frasco de xampu, espalhando-a pelo corpo com as palmas das mãos. Sua figura começou a brilhar fracamente. Então, ele começou a pisotear ruidosamente o teto do carro.
— Venham, seus bastardos! Venham para cima de mim!
Ele não era um homem qualquer — seu físico massivo e musculoso amplificava o som. O baque retumbante de seus passos ecoava como um trovão, superando até mesmo os alarmes dos carros que continuavam a murchar.
Entre os alarmes estridentes e a figura humana clara do lutador, esta última provou ser muito mais atraente.
Os Devoradores voltaram sua atenção para o lutador, com as mandíbulas bem abertas enquanto avançavam em sua direção. O lutador os enfrentou de frente, brandindo seu machado com golpes vigorosos. Cada golpe enviava rostos de Devoradores voando, meio destruídos pelo poder absoluto de seus ataques.
Por um momento, pareceu que a ponte havia mergulhado no silêncio. Apesar da cacofonia implacável de alarmes e caos, houve uma sensação passageira de quietude — porque todos na ponte haviam parado para assistir o lutador.
O encanto se quebrou quando os outros sobreviventes começaram a se mover novamente, de forma cautelosa, mas constante. Eles evitaram chamar atenção, passando de mansinho pelos Devoradores fascinados pelo lutador, e escaparam da ponte.
Shinu e Taebaek desceram dos carros. Shinu abriu a porta de um carro, usando-a para criar uma barricada rudimentar, e depois atirou nos Devoradores que atacavam o lutador, mirando em suas cabeças. Taebaek empunhava tanto sua arma quanto sua espada, derrubando quaisquer Devoradores que se aproximassem demais.
Minutos se passaram. Os alarmes ensurdecedores de repente cessaram, mergulhando a área em uma quietude sinistra. O lutador olhou ao redor com fúria, então arrancou sua capa de chuva, agora encharcada de tinta fluorescente, e a jogou sobre a cabeça de um Devorador que subia no carro. Em seguida, ele pulou e saiu correndo.
— Vamos — Shinu disse, recarregando sua arma. Taebaek assentiu, permanecendo perto dele.
Os dois correram velozmente. Graças à distração do lutador, a ponte estava visivelmente menos cheia. O luar também estava escondido atrás das nuvens e, como eles se moviam rapidamente pelas sombras, os Devoradores não conseguiram segui-los. Ocasionalmente, um com os membros intactos avançava contra eles, mas Taebaek o decapitava rapidamente com sua espada, ou Shinu esmagava sua mandíbula com a coronha de sua arma.
Finalmente, eles alcançaram o fim da ponte.
— Aaargh!
O grito do lutador cortou o ar. Shinu e Taebaek instintivamente se viraram em direção ao som. Um Devorador estava agarrado ao lutador, com suas mandíbulas massivas presas em seu ombro como um jacaré.
Sem pensar, Shinu e Taebaek correram em sua direção, sabendo que não havia como salvá-lo — mas seus corpos se moveram por conta própria. O lutador gritou para eles.
— Não venham!
— ……
— Vão! Apenas vão! Se vocês vierem aqui, estão mortos, seus bastardos!
Na escuridão total, o lutador não conseguia vê-los, mas parecia saber que eles viriam. Sua voz rugiu como que para afastá-los.
Shinu e Taebaek congelaram no meio do passo. Os olhos de Taebaek baixaram, pesados de impotência. Os Devoradores , atraídos pelos gritos do lutador, formigaram em sua direção.
Cerrando os dentes, o lutador brandiu seu machado, com o Devorador ainda preso ao seu ombro. O sangue espirrava sem parar, manchando o ar. Então, o Devorador que mordia seu ombro arrancou um pedaço enorme de carne com um estalo nauseante. Seu ombro e braço grossos e poderosos foram arrancados em um instante.
— Guh…
O lutador cambaleou. Taebaek inspirou bruscamente, prendendo a respiração.
Mesmo na escuridão sufocante, a cena gravou-se na mente de Taebaek com uma clareza vívida. O lutador parecia como se estivesse sob os refletores de um palco.
Shinu segurou a mão de Taebaek com força.
— Taebaek, vamos.
— …Hyung.
— Vamos, Han Taebaek.
Shinu puxou Taebaek com firmeza. Taebaek fechou os olhos com força, depois os abriu novamente. Segurando a mão de Shinu, ele se virou para a frente, correndo em direção ao luar, em direção ao futuro.
Os dois finalmente conseguiram sair da ponte. Apenas alguns metros de distância faziam toda a diferença — a área além da ponte estava muito mais calma. Talvez os outros sobreviventes já tivessem ido adiante; eles não podiam ser vistos em lugar nenhum. Taebaek e Shinu não esperavam que ninguém os esperasse. Eles apenas esperavam que os outros tivessem chegado ao Porto de Mokpo em segurança.
Os Devoradores que haviam permanecido perto da ponte pareciam ter sido atraídos para longe, deixando a área surpreendentemente tranquila. Taebaek e Shinu diminuíram o ritmo. Até encontrarem um lugar seguro, até o sol nascer, eles teriam que imitar os Devoradores novamente.
Enquanto Shinu reconstruía mentalmente o mapa em sua cabeça, mordendo o lábio, uma voz fraca flutuou da distância.
— Ei! Eu ainda estou aqui! Eu ainda estou vivo!
Era Jingyeom.
As costas de Taebaek estremeceram involuntariamente. Ele se virou para Shinu, mas Shinu manteve o olhar fixo para a frente, como se não tivesse ouvido nada — ou estivesse fingindo não ouvir.
Taebaek virou a cabeça apesar de si mesmo. Ele não precisava, mas antes que percebesse, seus olhos estavam procurando por Jingyeom. Ele não sabia explicar o porquê. Talvez quisesse confirmar o fim de alguém tão repugnante, ou talvez fosse um vislumbre de compaixão humana.
— Me ajudem! Por favor, me levem com vocês!
Jingyeom ainda estava em cima da caminhonete, agitando os braços freneticamente. Sua agitação atraía Devoradores para o veículo, mas a altura os impedia de alcançá-lo. Deitado de bruços no teto, ele mal estava visível para aqueles que estavam diretamente abaixo.
— ……
Os lábios de Taebaek se comprimiram em uma linha fina. Mesmo à distância, parecia que ele conseguia ver os olhos cheios de desespero de Jingyeom.
Deveria salvá-lo? Deveria ajudar? Não era impossível. Mas seu corpo se recusava a se mover. Não era que ele não podia — era que ele não queria.
Ainda assim… Jingyeom não tinha feito nada de tão ruim para merecer esse tipo de morte. Ele não era tão cruel a ponto de merecer um destino tão miserável. Não deveria salvá-lo, então?
Taebaek hesitou.
— ……
Shinu observava em silêncio o conflito interno de Taebaek. Ele já havia tomado sua decisão há muito tempo, lá atrás, quando encontrou Jingyeom pela primeira vez no terraço do ginásio, fumando seu cigrado.
Mas Shinu não tinha intenção de forçar Taebaek a seguir sua decisão. O que quer que Taebaek escolhesse, ele respeitaria e apoiaria.
Justo quando os lábios de Taebaek começaram a se abrir, preparando-se para falar—
Bum!
O eco de um tiro ressoou. Nem Taebaek nem Shinu haviam atirado. Fora Jingyeom. A bala cortou o ar, passando entre Taebaek e Shinu antes de se incrustar na janela de uma van próxima com um estalo agudo.
— Seus bastardos! Argh! Vocês sabem pelo que eu passei? Droga! Vocês sabem como eu sobrevivi?!
Os gritos angustiados de Jingyeom perfuraram a noite. Mais tiros se seguiram — bum, bum, bum! Ele atirava descontroladamente, com as balas zunindo pelo ar, algumas passando raspando por Taebaek e Shinu.
Shinu empurrou Taebaek para trás de uma van próxima para se protegerem. Os tiros continuaram, com as balas se alojando em várias superfícies. O barulho atraiu Devoradores , que correram em direção à ponte.
Shinu suspirou baixinho, cuidando para não deixar Taebaek ouvir. Entregar a Jingyeom uma arma sem silenciador havia sido uma jogada calculada — uma armadilha destinada a atrair os Devoradores para ele quando atirasse em desespero. Ele nunca imaginou que Jingyeom apontaria para eles em vez disso.
Ou talvez ele tivesse previsto. Mas para priorizar atirar nos outros em vez de nos Devoradores que o cercavam, Jingyeom era verdadeiramente louco.
Os tiros cessaram abruptamente. Jingyeom havia ficado sem balas. Simultaneamente, seus gritos também pararam. Teria ele se conformado com a morte? Um Devorador teria dilacerado sua cabeça? Ou ele teria usado sua última bala em si mesmo?
Taebaek começou a se inclinar para fora de trás da van, mas Shinu agarrou seus pulsos e o puxou de volta bruscamente. Os olhos úmidos de Taebaek encontraram o olhar firme de Shinu na escuridão.
— Não olhe.
— …Hyung.
— Você não precisa ver isso.
A voz de Shinu era resoluta. Taebaek engoliu em seco, o pomo de adão se movendo. Ele esticou o braço e puxou a máscara de Shinu para baixo. Ele não tinha uma razão em particular para fazer isso — apenas queria ver o rosto de Shinu, para reafirmar que era ele quem estava ali em sua frente.
— Hyung… Você deu a arma para ele?
— Sim.
— ……
Taebaek hesitou, querendo perguntar o porquê ou com qual intenção, mas preferiu o silêncio. Qualquer que fosse o raciocínio de Shinu, sem dúvida fora para o seu próprio bem. Ainda assim, ele não conseguia entender por que seu coração parecia tão pesado.
Na verdade, nem Shinu nem Taebaek haviam matado Jingyeom. Eles não o haviam arrastado para a ponte contra a vontade dele, nem o haviam amarrado enquanto os outros escapavam.
Mesmo se Jingyeom não tivesse disparado a arma que Shinu lhe deu, ele provavelmente teria morrido naquela caminhonete enferrujada. Alternativamente, talvez ele pudesse ter sobrevivido à ponte graças àquela arma. A escolha de apontar a arma para eles em vez de para os Devoradores foi exclusivamente de Jingyeom.
No fim, tudo o que aconteceu foi resultado das próprias decisões de Jingyeom. Taebaek havia sido apenas um espectador. Exatamente como Shinu o havia aconselhado horas antes, ele não salvou nem matou Jingyeom — ele simplesmente assistiu. Jingyeom caminhou para a própria morte por suas próprias ações.
Pensar dessa forma trouxe uma estranha sensação de alívio. Ao mesmo tempo, trouxe clareza.
— Ah, não era a morte de Jingyeom que estava me deixando inquieto. Era a culpa de tê-lo conduzido a isso.
Eu não estou lamentando a morte dele, nem um pouco.
Assim como ele me via como nada mais do que um estranho, eu também pensava dele como um completo estranho.
O corpo inteiro de Taebaek esfriou. O tumulto em seu peito aquietou-se, deixando uma calmaria no lugar. Ele piscou devagar, com seus pensamentos se assentando, enquanto Shinu dava um passo mais perto, com uma expressão preocupada no rosto.
— Taebaek, você não fez nada de errado. Foi tudo—
— Não importa.
— ……
— Nada disso importa. Eu estou bem.
Taebaek balançou a cabeça — não em negação ou fuga, mas com convicção genuína. Shinu ergueu uma sobrancelha em surpresa. Taebaek esticou a mão para puxar a máscara de Shinu de volta para cima, depois retirou a mão de Shinu de seu pulso e a segurou com firmeza.
— Vamos, hyung. Eu estou com fome.
— ……
Shinu encarou Taebaek atentamente antes de soltar uma risada suave. Ele sentiu uma felicidade inesperada, uma fuga momentânea daquela realidade sombria. Taebaek havia ficado ainda mais forte outra vez.
Taebaek começou a caminhar à frente, com suas mãos dadas estendendo-se entre eles. Enquanto Shinu ajustava a pegada em sua arma e se preparava para seguir, um som quebrou o silêncio.
Ssssshhkk…
Um ruído viscoso e deslizante, como geleia escorrendo por uma superfície. Vinha diretamente de trás deles.
Shinu virou-se rapidamente, mas antes que pudesse localizar a fonte do som— nhoc. Algo enterrou os dentes em seu ombro.
↫─☫ Continua….
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✦ Tradução, revisão e Raws: Faby&Belladonna
Ler Vamos nos Encontrar Vivos (Novel) Yaoi Mangá Online
Sinopse:
Um vírus zumbi se espalhou na pacífica Seul.
A Coreia deu aos zumbis o nome de ‘Meogbo/Comedores’, e, após uma luta, eles falham em erradicar os meogbo.
– Caros coreanos, no dia 30 de setembro, nosso governo e Seul decidiram abandonar a Península Coreana.
– Venham para Jeonnam.
– Os militares estão esperando no Porto de Mokpo, em Mokpo, Jeollanam-do.
– Queridos cidadãos. Vamos todos nos encontrar vivos.
Shin-hoo: um bodyguard bruto, das forças especiais.
Han Tae-baek: um chefe brincalhão, de rosto frio e estômago fraco.
Han Tae-baek precisa sobreviver, Shin-hoo precisa salvar Tae-baek.
Juntos, os dois navegam por um mundo em caos.
– Se você achar que sua vida vai correr perigo para me salvar, então me abandone. Eu não quero ir para lá.
Tae-baek tentou falar com calma.
– Não vou te deixar sozinho. Não importa o que aconteça, não vou embora.
Shin-hoo respondeu com seu tom calmo característico.
Os dois se aproximam à medida que passam tempo juntos.
Tae-baek descobre a ternura escondida na indiferença de Shin-hoo; Shin-hoo se encharca do afeto imprudente de Tae-baek.
– Você gosta de mim? Acho que vou me apaixonar em alguns dias. É o que estou sentindo.
– …
– E talvez você também me ame.
Tae-baek confessa seu amor com orgulho, sorrindo como um garoto que acabou de viver seu primeiro amor.
Shin-hoo ri baixinho, sem responder.
Os ‘Comedores’ se aglomeraram ao redor dos dois.
Não morra, não desista. Vamos todos nos encontrar vivos.
Nome alternativo: Vamos Nos Encontrar Vivos Stay Alive Lets Meet Alive