Ler Vamos nos Encontrar Vivos (Novel) – Capítulo 172 Online


Modo Claro

↫─Capítulo 172

Shinu apontou para um canto da janela. Ao lado do ginásio, em um canteiro de flores malcuidado e sem vida, duas crianças pequenas estavam agachadas, brincando. Suas mãozinhas arrancavam flores mortas, esmagando caules de plantas com pedras. Pareciam não ter mais do que o primeiro ou segundo ano do ensino fundamental, no máximo — eram crianças muito novas.

Ao lado delas estava uma mulher, presumivelmente a mãe, segurando uma faca de cozinha com olhos profundos e vazios. Ela parecia estar de guarda, caso algum predador aparecesse. Deve ter cedido aos apelos dos filhos para irem lá fora, apesar de querer ficar no ginásio.

Parecia que aqueles três faziam parte dos dez sobreviventes que a pessoa no traje de proteção havia mencionado.

— Eu não sabia que havia crianças… — murmurou Taebaek , apoiando o queixo no ombro de Shinu, com a voz contida. Shinu respirou fundo e acariciou o cabelo de Taebaek . Quando seu coração se sentia inquieto, tocar em algo macio como pelos de cachorro tinha um efeito calmante sobre ele.

— O que você acha que devemos fazer?

Taebaek perguntou.

— …O que você acha que devemos fazer?

Shinu rebateu.

Taebaek achou difícil responder imediatamente. Quem eram eles, afinal? Apenas civis, refugiados, meros sobreviventes. Não tinham obrigação de assumir a responsabilidade por aquelas pessoas. Não tinham sequer visto seus rostos direito, nem trocado cumprimentos. Eram completos estranhos, de fora. E era impossível levar todos eles através das águas infestadas até o Porto de Mokpo.

Então, mesmo se fossem embora dali, não havia necessidade de se sentirem culpados.

Mas a razão pela qual ele estava hesitando, apesar de a decisão já ter sido tomada… era por causa das crianças. Taebaek e Shinu haviam encontrado inúmeras pessoas enquanto lutavam para sobreviver até o momento, ficando completamente desiludidos com a humanidade no processo. Mas as crianças eram diferentes.

Seres pequenos, inocentes e inofensivos. Vidas que deveriam ser priorizadas acima de qualquer outra coisa.

Se Shinu e Taebaek fingissem não conhecê-los e fossem embora, seria quase impossível para eles chegarem em segurança ao Porto de Mokpo. Era por isso que estavam passando por esse dilema tolo.

— Uh… talvez devêssemos ir conhecê-los? — Taebaek sugeriu cautelosamente, com suas intenções óbvias. Shinu riu baixinho.

— Não estamos muito longe do Porto de Mokpo mesmo, e não precisamos levar as dez pessoas. Se conseguirmos apenas dar um jeito de levar as crianças até lá, os adultos se viram sozinhos. Claro que vai ser um incômodo para você, mas você sabe que eu sou forte. Posso carregar duas crianças e correr — ele acrescentou, estendendo-se no assunto. Os lábios de Shinu continuaram a se curvar com a justificativa desnecessária dele. No começo, Taebaek tinha sido tão desconfiado, como quando conheceu aquela família desconhecida nas escadas do apartamento. Como ele havia mudado tanto? Shinu se perguntou se ele não teria aprendido algo problemático com o seu eu excessivamente compassivo.

Ah, Taebaek . Como uma pessoa tão bondosa como ele vai sobreviver neste mundo cruel? O pensamento encheu Shinu de preocupação, mas ele também achou aquilo cativante.

Shinu pousou o copo de café e empurrou Taebaek gentilmente para trás. Taebaek sentou-se na beirada da cama. Seu olhar, que sempre ficava acima do de Shinu, agora se abaixou. Shinu acunhou as bochechas de Taebaek com as duas mãos e selou um beijo suave em seus lábios.

Taebaek riu baixinho, envolvendo a cintura de Shinu com os braços.

— O que é isso de repente?

— Só porque sim.

Seus lábios logo se encontraram em um beijo mais profundo. Shinu inclinou a cabeça levemente para a direita, e Taebaek virou a sua para a esquerda. Shinu lambeu seus lábios macios e ternos, pressionando insistentemente a junção da boca de Taebaek , como se buscasse entrada. No entanto, os lábios de Taebaek permaneceram fechados.

Uma risada baixa escapou da garganta de Taebaek . Achando aquilo um pouco irritante, Shinu deu um puxão no lóbulo da orelha de Taebaek .

— Ah!

Com um breve suspiro, a boca de Taebaek se abriu, e Shinu rapidamente deslizou a língua para dentro. Taebaek , desfrutando da leve punição, riu bobo, com as mãos massageando os quadris de Shinu. Ele então ergueu Shinu e o colocou sobre sua coxa.

Eles se beijaram apaixonadamente, lambendo os lábios um do outro, sugando as línguas, saboreando o resquício sutil do café doce. Suas línguas se entrelaçaram, pressionaram-se e se separaram repetidamente.

Respirando pesadamente, as mãos de Taebaek escorregaram por baixo da camisa de Shinu, traçando os contornos de suas costas firmes e, ocasionalmente, pressionando os polegares com firmeza em seus mamilos. Cada toque fazia o corpo sensível de Shinu estremecer levemente.

O beijo deles ficou mais intenso, apegando-se tão perto que as pontas de seus narizes pareciam achatadas. Os quadris de Shinu moviam-se sutilmente para frente e para trás, fazendo com que sua excitação roçasse contra o estômago de Taebaek , enquanto sua parte traseira pressionava contra o corpo aquecido de Taebaek .

O beijo estava se transformando lentamente em algo mais íntimo. Suas respirações, misturando-se entre os lábios entreabertos, pareciam quase escaldantes. Taebaek segurou gentilmente a cintura de Shinu e o deitou na cama. O cabelo escuro de Shinu espalhou-se pelos lençóis brancos, criando uma cena perfeita.

A mão de Taebaek desceu enquanto ele olhava fixamente para Shinu. Ele começou a abrir a fivela da calça de Shinu, mas Shinu o empurrou. A princípio, Taebaek resistiu, continuando a sugar o lábio inferior de Shinu como se nada tivesse acontecido. Mas Shinu virou a cabeça abruptamente.

— Para…

— …Por quê?

— Aqui não.

— O que tem de errado aqui? Eu tranco a porta.

Taebaek fez menção de se levantar, mas Shinu o impediu, estalando a língua.

Taebaek pareceu desapontado, depois franziu o nariz em frustração. Como ele podia simplesmente parar depois de começar as coisas? Isso não é justo. Se você não ia levar adiante, por que se esfregou em mim? Mas ele não teve coragem de dizer isso em voz alta. Em vez disso, soltou um gemido de desapontamento, enterrando o rosto no pescoço de Shinu.

— Depois… vamos fazer isso depois.

Shinu acariciou a parte de trás da cabeça de Taebaek de forma reconfortante.

— Depois? Quando é ‘depois’? Preciso de uma data e hora exatas.

— Bem… no aniversário de Taebaek ?

— Um dia inteiro? Um dia inteiro para esperar? Como isso é ‘depois’? Falta muito tempo.

— Vai passar rápido.

— Um dia é tempo demais. Eu vou explodir… — Taebaek fez beicinho, esmurrando a cama com os punhos e chutando as pernas. Embora Shinu achasse aquilo cativante, não mudou de ideia.

Não importava como olhasse, aquele não era o lugar certo. Afinal, ainda era uma escola primária, não era? Mesmo que tivesse perdido seu propósito e identidade originais, havia algumas coisas que simplesmente não eram apropriadas.

— Está tudo bem, você consegue aguentar — Shinu disse, dando tapinhas nas costas de Taebaek como se ele fosse um homem grande e forte. Taebaek fingiu soluçar de forma exagerada, embora tenha sido em vão.

Eles entraram no ginásio juntos. O lugar tinha arquibancadas que se estendiam até o segundo andar, um piso de madeira liso, um pódio alto na frente e duas tabelas de basquete baixas em cada lado.

O chão estava alinhado com tendas. Dezenas de pequenas tendas para duas ou três pessoas estavam compactadas, embora apenas algumas permanecessem intactas. A maioria estava quebrada, inclinada para o lado ou desmoronada.

O lixo e os plásticos estavam reunidos em um único ponto, mas não pareciam organizados. Roupas e meias de donos desconhecidos estavam espalhadas ao redor. No alto, roupas grandes e pequenas estavam penduradas em varais improvisados.

O ar cheirava a mofo. Não era o fedor de corpos em decomposição, mas sim o odor da presença humana — suor, oleosidade e a sujeira de corpos não lavados. Parecia mais um lixão do que um abrigo.

Embora não tivesse esperado um ambiente impecável, estava pior do que o antecipado.

— Muito bem, pessoal. Por favor, reúnam-se aqui por um momento — disse a pessoa no traje de proteção, batendo palmas para chamar as pessoas. Lentamente, as pessoas emergiram das tendas. Entre elas estavam as crianças e a mãe que haviam visto da janela.

Havia oito no total — três mulheres, dois homens, duas crianças e um adolescente. Dois estavam faltando, mas não estava claro onde se encontravam. A pessoa no traje de proteção não pareceu contar ou checar por eles.

As pessoas pareciam descuidadas, embora não tão miseráveis quanto as das ruas. Não tinham sujeira incrustada nos rostos, nem pareciam atormentadas pelo desespero, embora seus olhos estivessem vazios.

Elas olhavam fixamente para Taebaek e Shinu, com a parte branca de seus olhos pálidos movendo-se para a esquerda e para a direita. Era um olhar misturado de desconfiança e curiosidade em relação a estranhos. As crianças espiavam por trás das pernas da mãe, apenas com as cabeças visíveis. Taebaek acenou com os dedos de forma brincalhona para elas em sinal de saudação. Embora as crianças não tenham respondido, ele não deixou seu sorriso desaparecer.

— Este aqui é o Capitão das Forças Especiais. Bem, eles… bem… eles estão aqui para nos ajudar — disse a pessoa no traje de proteção, lançando olhares furtivos para Shinu em busca de aprovação. Shinu não se deu ao trabalho de corrigi-lo. De que adiantaria dizer: “Não, isso não está certo. Por que você está dizendo isso? Você está louco?” de qualquer forma? Desde o momento em que ele e Taebaek pisaram naquele ginásio, já haviam se inclinado a ajudá-los.

— Soldados, você diz? Mas é realmente apenas vocês dois? — um homem perguntou, dando um passo à frente. A pessoa no traje de proteção assentiu.

— Parece que as coisas não estão indo bem no Porto de Mokpo. Essas pessoas não são de Mokpo; eu as parei no caminho e pedi ajuda.

Ele fez questão de deixar claro para os sobreviventes que eles estavam em total desvantagem. Ele sabia que não traria benefício algum começar a expor reclamações e correr o risco de irritar Taebaek e Shinu. Foi uma jogada inteligente.

Shinu examinou cuidadosamente os sobreviventes. Eram pessoas comuns — do tipo que se via comumente nas ruas antes de o vírus se espalhar: rostos, tipos físicos e roupas comuns. Não pareciam particularmente ágeis, nem como se fossem capazes de brandir um machado e repelir os infectados. Apenas cidadãos normais.

Shinu ponderou sobre como liderá-los através do rio até o Porto de Mokpo. Então ele se lembrou de que faltavam duas pessoas. Se aquelas duas pudessem pelo menos corresponder à metade das habilidades de Taebaek , ele poderia conseguir levar todos em segurança para o Porto de Mokpo.

— Onde está o resto dos sobreviventes? — Shinu perguntou à pessoa no traje de proteção. A pessoa olhou ao redor, um pouco incerta, antes de apontar para uma porta no lado oposto.

— Eles provavelmente estão na varanda do andar de cima. Os dois costumam sair para fumar juntos.

↫─☫ Continua….

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✦ Tradução, revisão e Raws: Faby&Belladonna

Ler Vamos nos Encontrar Vivos (Novel) Yaoi Mangá Online

Sinopse:
Um vírus zumbi se espalhou na pacífica Seul.
A Coreia deu aos zumbis o nome de ‘Meogbo/Comedores’, e, após uma luta, eles falham em erradicar os meogbo.
– Caros coreanos, no dia 30 de setembro, nosso governo e Seul decidiram abandonar a Península Coreana.
– Venham para Jeonnam.
– Os militares estão esperando no Porto de Mokpo, em Mokpo, Jeollanam-do.
– Queridos cidadãos. Vamos todos nos encontrar vivos.
Shin-hoo: um bodyguard bruto, das forças especiais.
Han Tae-baek: um chefe brincalhão, de rosto frio e estômago fraco.
Han Tae-baek precisa sobreviver, Shin-hoo precisa salvar Tae-baek.
Juntos, os dois navegam por um mundo em caos.
– Se você achar que sua vida vai correr perigo para me salvar, então me abandone. Eu não quero ir para lá.
Tae-baek tentou falar com calma.
– Não vou te deixar sozinho. Não importa o que aconteça, não vou embora.
Shin-hoo respondeu com seu tom calmo característico.
Os dois se aproximam à medida que passam tempo juntos.
Tae-baek descobre a ternura escondida na indiferença de Shin-hoo; Shin-hoo se encharca do afeto imprudente de Tae-baek.
– Você gosta de mim? Acho que vou me apaixonar em alguns dias. É o que estou sentindo.
– …
– E talvez você também me ame.
Tae-baek confessa seu amor com orgulho, sorrindo como um garoto que acabou de viver seu primeiro amor.
Shin-hoo ri baixinho, sem responder.
Os ‘Comedores’ se aglomeraram ao redor dos dois.

Não morra, não desista. Vamos todos nos encontrar vivos.
Nome alternativo: Vamos Nos Encontrar Vivos Stay Alive Lets Meet Alive

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