Ler Cão Preso na Gaiola (Novel) – Capítulo 11 Online

↫─Capítulo 11
O tempo de Heeyeon ↫─Parte 04
Um líquido frio escorreu por entre seus lábios. Sentindo o sabor doce na ponta da língua, Jung Heeyeon abriu vagamente os olhos e engoliu a água que preenchia sua boca.
— Heeyeon. Beba devagar.
Somente após a voz carregada de riso soar acima de sua cabeça é que Jung Heeyeon percebeu que estava sentado. Se não fosse pelo homem que segurava seu corpo envolvendo sua cintura, ele estaria sem forças a ponto de talvez cair para trás.
A mão que o abraçava pela cintura dava tapinhas constantes em sua barriga. Parecendo ser um sinal para beber devagar, Jung Heeyeon, em vez de engolir a água apressadamente, foi bebendo aos poucos e umedecendo a garganta seca. À medida que a inclinação do copo encostado em seus lábios aumentava, a velocidade de engolir a água também diminuía.
— Quer beber mais?
Jung Heeyeon balançou a cabeça negativamente e encostou a cabeça no peito do homem. Ao subir o olhar, encontrou os olhos de Yeon Woobeom . O homem tinha um rosto satisfeito, como se tivesse se banqueteado.
— Diretor.
Jung Heeyeon franziu levemente o cenho diante da voz estranha que ele mesmo soltou. Como se a expressão franzida fosse engraçada, o homem que o olhava riu baixo. Logo, um toque gentil esfregou suavemente o cenho franzido. Como era a mão que segurava o copo d’água, a temperatura que o tocava estava fresca e era agradável.
— Minha voz está estranha…
— É porque você chorou a noite toda.
O homem baixou a cabeça e sussurrou enquanto beijava a região dos olhos inchados e vermelhos. Somente então Jung Heeyeon lembrou-se de ter chorado durante toda a madrugada. A visão que balançava sem rumo seguindo o movimento de cintura de Yeon Woobeom e a sensação das lágrimas que molhavam suas bochechas ainda estavam vivas. Sua barriga ainda parecia cheia, como se a massa de carne quente ainda estivesse lá dentro.
— Eu não chorei por estar triste, então está tudo bem. Doeu um pouco, mas não chorei por causa da dor…
Jung Heeyeon respondeu sinceramente. Como o diretor entrara mais fundo do que da última vez, doera um pouco, mas as lágrimas não foram por causa disso. Por ter se acostumado a apanhar, ele tendia a ser insensível à dor física.
— Doeu?
Yeon Woobeom perguntou enquanto acariciava suavemente os lábios muito inchados. A ideia de que aquela era uma pergunta sem escrúpulos passou por sua mente. Mesmo deixando de lado o fato de a entrada ser muito pequena, era um corpo não acostumado ao sexo. Mesmo sendo um ômega, não havia como não ter doído ao dilatar as paredes internas e inserir o pênis. E, embora tivesse tentado se controlar, ele o atormentara durante toda a madrugada.
— Doeu só um pouquinho. E o fato de ser bom foi muito maior do que a dor.
— Hum. Foi bom?
— Sim. Quero fazer de novo da próxima vez. …Hoje não.
Jung Heeyeon hesitou por um momento e depois acrescentou as palavras. O sexo fora bom, mas fazê-lo novamente hoje seria impossível. Mesmo agora, ele não tinha forças no corpo e mal conseguia ficar sentado apoiado no diretor. Se ele levantasse o pijama, certamente tanto o peito quanto a parte de baixo estariam inchados.
— Entendi. Da próxima vez.
O som do riso baixo foi transmitido plenamente através da pele em contato. Jung Heeyeon virou a cabeça para o lado. A luz forte do sol iluminava o quarto. Assim que tomou consciência de que era de manhã, uma fome repentina o atingiu. Ao baixar o olhar conscientemente, a barriga levemente murcha chamou sua atenção. Pensando bem, Yeon Woobeom usou camisinha durante todo o sexo.
Enquanto ele tateava a barriga curioso por que ele usara camisinha, Yeon Woobeom puxou conversa:
— Heeyeon. Está com fome?
Ele não estava tateando por estar com fome, mas parecia que causara um mal-entendido. No entanto, como era verdade que estava com fome, Jung Heeyeon assentiu obedientemente. Ele tinha o hábito de esconder a fome por mais que estivesse faminto, mas como o tempo que passava com Yeon Woobeom estava se tornando longo, ele se tornara honesto até com as necessidades básicas.
— Eu fiz o café da manhã. Quer comer agora?
— Sim. Quero comer agora.
— Quer comer aqui?
— Sim? Não. A refeição deve ser feita na mesa.
— Hum. Deve ser feita na mesa? Entendi.
O homem, que se levantou primeiro, deu uma risadinha e pegou Jung Heeyeon no colo.
— Ah…!
— Quer que eu te coloque no chão? Acho que você não vai conseguir andar sozinho.
Era uma voz misturada com riso e provocação. Como se nunca tivesse se assustado, Jung Heeyeon apoiou o corpo confortavelmente no de Yeon Woobeom , como se fosse natural. Ele também julgou que seria difícil andar sozinho, mas o motivo maior era que ele gostava de estar nos braços do homem.
— Quero ir no colo do senhor. Acho que não consigo andar.
— É. Bom menino.
Yeon Woobeom riu baixo e encostou os lábios na bochecha que estava vermelha de calor. Jung Heeyeon, como se o imitasse, ergueu levemente a cabeça e deu um beijo curto na linha do maxilar do homem. Ele pretendia perguntar mais tarde por que ele usara camisinha.
O pudim de ovo moderadamente resfriado estava macio e quente. Embora sua garganta doesse um pouco por ter chorado a noite toda, não era difícil de engolir. Na mesa, havia apenas alimentos macios e não estimulantes.
— Diretor. Está uma delícia. Obrigado pela comida.
— Coma bastante.
Yeon Woobeom só pegou a colher calmamente após observar a reação de Jung Heeyeon. Como era óbvio que a garganta dele estaria inchada, ele fizera apenas comidas macias de propósito, e felizmente parecia que não era difícil comer.
— Coma também, senhor.
Sentindo o olhar, Jung Heeyeon disse enquanto colocava um pedaço de peixe branco na tigela de arroz dele. O sorriso que se espalhava levemente era como a luz do sol no auge do inverno.
— Heeyeon.
— Sim?
Yeon Woobeom abriu os lábios lentamente enquanto observava o ômega que brilhava ao receber a luz do sol.
— Aja de forma tão fofa assim apenas com o diretor.
O que seria agir de forma fofa? Jung Heeyeon mergulhou em reflexão por um momento. Como o diretor não estava comendo e ficava apenas olhando para o seu rosto, ele apenas servira a comida para ele. Não devia significar para não comer diante de outras pessoas, então parecia que ele dissera no sentido de não servir comida assim para os outros. Mas isso não era agir de forma fofa.
— Servir a comida que está na frente é agir de forma educada, não de forma fofa…?
Era algo muito natural ao comerem juntos.
— Como você acha que eu me sentiria se servisse comida para Lee Haejin?
Yeon Woobeom perguntou enquanto lhe entregava um pedaço de tofu frito, sinalizando para que ele refletisse enquanto comia. Jung Heeyeon aceitou naturalmente o tofu que o homem colocara sobre seu arroz, colocou na boca e mastigou. O tofu macio desmanchou-se facilmente na boca. Yeon Woobeom , em vez de comer, observava fixamente os lábios que se moviam diligentemente. O rosto branco tinha uma expressão bastante séria, como se ele estivesse refletindo muito seriamente sobre a pergunta. O homem deu uma risadinha ao pensar se era algo para se pensar por tanto tempo.
— Acho que eu ficaria bem…
— Ficaria bem?
Os olhos do alfa se estreitaram sutilmente.
— Sim. Eu apenas pensaria que o Hyung Haejin estava com fome.
Jung Heeyeon respondeu calmamente. Era difícil responder porque o próprio fato de o diretor servir comida para outra pessoa era algo inimaginável. Sendo bem sincero, ele ficaria um pouco triste, mas achou que aquela era a resposta certa. Seria estranho se o Hyung Haejin quisesse um acompanhamento e ele dissesse que não queria que o diretor servisse.
— Mas eu não ficaria bem.
— Sim?
— Como você pode cuidar de outra pessoa quando seu namorado está ao seu lado, Heeyeon? Isso me dá ciúmes.
Diante da palavra “ciúmes” que saiu da boca de Yeon Woobeom , Jung Heeyeon mexeu os dedos. A colher que ele segurava aqueceu-se com o calor de seu corpo. Ciúmes era um sentimento desconhecido. Jung Heeyeon moveu os lábios. De repente, lembrou-se da tristeza que sentira há muito tempo, quando soube que o diretor conhecia outro ômega. Talvez aquilo tivesse sido ciúmes.
— Diretor. O senhor sente ciúmes se eu cuidar de outra pessoa?
— Sinto.
— Se o senhor não gosta, eu também não farei.
— Que fofo.
— Em troca, o senhor também não pode cuidar de outras pessoas.
Diante da exigência razoável, Yeon Woobeom ergueu os cantos dos lábios e cerrou levemente os olhos. O homem, que apoiou o queixo lateralmente, inclinou a cabeça deliberadamente e abriu os lábios em tom de provocação:
— Você disse que estava tudo bem, Heeyeon.
— Mesmo assim, não pode.
— Por quê?
— Porque o senhor é meu namorado, então deve agir de forma fofa apenas comigo.
— Hum. Devo agir de forma fofa apenas com o meu bebê?
— Sim? Sim.
Não deixava de ser uma exigência atrevida de um namorado muito mais jovem.
A mão grande e áspera acariciou calmamente a nuca branca e fina. Tsc, Yeon Woobeom estalou a língua e franziu o cenho.
— Eu te fiz chorar demais.
— Eu não sinto mais dor.
Jung Heeyeon balançou a cabeça negativamente para dizer que estava tudo bem. Talvez graças ao sorvete que tinha em mãos, ou talvez graças à água que bebera constantemente, agora parecia estar realmente bem. Yeon Woobeom tocou no copo de sorvete como se dissesse para ele comer o quanto quisesse. O sorvete que se erguia sobre o pequeno copo era rosa, exatamente como Jung Heeyeon.
— Diretor.
— Sim, Heeyeon.
Jung Heeyeon hesitou por um momento e depois perguntou o que o deixara curioso durante toda a manhã:
— O senhor estava no rut?
Ele não o pressionara a esse ponto. Yeon Woobeom encostou-se lentamente no sofá enquanto avaliava o limite para não sobrecarregar o corpo frágil. Ele, que apoiou o cotovelo no encosto, inclinou a cabeça e chamou por Jung Heeyeon:
— Heeyeon.
O canto dos lábios erguido lembrava uma fera que estava lânguida após ter se banqueteado.
— Sim?
— O rut de um alfa dominante não termina em apenas um dia.
Significava que a noite passada não fora o rut. Jung Heeyeon contou mentalmente a quantidade de camisinhas que Yeon Woobeom usara e depois desistiu de contar. Por ter sido levado a noite toda sem sentidos, mesmo que tentasse lembrar, parecia que não conseguiria contar direito.
O sexo com Yeon Woobeom fora bom, mas no final ele quase desmaiou. Se mesmo quando não era o rut já era assim, ele não tinha a menor ideia de como seria o rut de um alfa dominante.
— Logo que conheci o senhor, acho que o Dr. Kim Jiwon disse que o seu rut seria em breve… Como o senhor fez sexo a madrugada toda, achei que estivesse no rut.
Já fazia alguns meses que ele ouvira aquela conversa sobre o rut. Então o diretor passara o rut com outro ômega? Como na época eles não tinham um relacionamento amoroso, não era algo em que Jung Heeyeon devesse interferir, mas ele não pôde evitar uma pontada de tristeza em seu interior.
O homem, que leu claramente o que se passava na pequena cabeça, olhou para as unhas rosadas nas pontas dos dedos brancos de Jung Heeyeon e abriu os lábios em tom carinhoso:
— Eu tomei remédio e passei por isso.
— Sim? Por quê? O senhor poderia ter feito comigo… Eu também sou um dominante.
— Na situação em que sou seu tutor, pedir para fazer sexo com você não passaria de um estupro usando o poder. Mesmo se fosse o rut. Eu disse que sexo só se faz entre pessoas que consentiram ou entre namorados, Heeyeon.
Yeon Woobeom pegou o copo de sorvete de Jung Heeyeon e retirou com habilidade apenas a parte que estava derretendo. O sorvete semiderretido foi empurrado por entre os lábios inchados e vermelhos do ômega. O homem, que limpou tudo para que o líquido pegajoso não tocasse a mão de Jung Heeyeon, devolveu o copo de sorvete para o namorado mais jovem. E então, esfregou suavemente o rosto que o olhava com mansidão.
Yeon Woobeom beijou os lábios cheios por hábito. O sabor doce, que ele normalmente nem tocaria, infiltrou-se por entre seus lábios.
Ele pretendia passar o próximo rut também tomando remédio. O período de cio era uma época em que instintos bestiais dominavam a mente e o corpo. Yeon Woobeom também costumava resolver o rut instintivamente, a menos que tomasse remédio. O sexo inevitavelmente se tornaria bruto, e o sexo bruto machucaria Jung Heeyeon.
— Sim. Eu entendi bem isso agora porque o senhor me ensinou. Achei que fosse o rut porque o senhor usou camisinha. Por que usou camisinha se não era o rut? Aprendi que não se engravida se não for o Cio ou o rut…
Havia algo de estranho nas palavras que Jung Heeyeon proferia.
— …Você disse para não usar camisinha no sexo?
Yeon Woobeom perguntou franzindo a bochecha.
— Sim? Sim. Me disseram que só os betas usam…
— Não são apenas os betas que usam. Se deixar o sêmen na barriga sem ser no período de cio, você terá dor de barriga.
— Ah, entendi. Eu não sabia. Me desculpe.
— Não é algo pelo qual você deva se desculpar. Por que está pedindo desculpas?
Yeon Woobeom abraçou o ômega que pedia desculpas com um rosto manso e beijou o topo de sua cabeça quente. Ele sabia que Jung Heeyeon não recebera uma educação sexual adequada, mas não imaginava que fosse a esse ponto. Eram apenas ensinamentos para que ele fosse tratado conforme o gosto dos alfas. Não deixava de ser uma lavagem cerebral de merda.
— Você aprendeu palavras como “pau” com Lee Yoothae também?
Yeon Woobeom perguntou em tom suave, como se acalmasse uma criança. Embora ele mesmo já tivesse proferido termos como “pau” e “pau branco” diante de Jung Heeyeon, não parecia provável que termos vulgares tivessem se tornado um vício de linguagem apenas por aquela única vez.
— Sim? Sim. Ele não me ensinou detalhes, mas me ensinou alguns termos. Ele disse que o alfa dominante com quem eu me casaria seria um macho, então eu deveria saber. …São palavras ruins?
Diante da resposta sincera, Yeon Woobeom remoeu palavrões por dentro. Não eram termos que deveriam ser ensinados a Jung Heeyeon enquanto ele era menor de idade. Como achou que, se dissesse que eram palavras ruins, ele ficaria desanimado pedindo desculpas novamente, ele respondeu de forma indireta:
— Não são palavras ruins.
— Não são palavras ruins?
— É. Mas use apenas com o seu namorado.
— Sim. Usarei apenas diante do senhor.
Como eram termos usados apenas na cama, ele não teria ocasião de usá-los se não fosse diante de Yeon Woobeom . Jung Heeyeon observou de soslaio o rosto do homem. Era o rosto gentil que lhe era familiar, mas ao ver as sobrancelhas levemente franzidas, parecia que ele estava com o humor desagradável. Ele ficou preocupado pensando se a conversa sobre camisinha ou termos como “pau” teriam deixado o diretor descontente.
Mas o que ele dissera sobre querer ter um bebê do diretor fora sincero. Não fora uma frase que aprendera para dizer na cama, mas sim o seu desejo genuíno. Como ele gostava do diretor, era natural querer ter um bebê dele.
— Diretor.
— Sim.
Os olhares se encontraram. O olhar afiado suavizou-se em um instante.
— O que eu disse sobre querer ter um bebê do senhor é verdade.
O dedo longo do alfa que envolvia sua cintura moveu-se levemente.
— Não foi algo que eu disse porque aprendi a falar assim.
Yeon Woobeom franziu o olho esquerdo. A cicatriz sobre a pálpebra tremeu acompanhando o movimento.
— O senhor é a pessoa de quem eu gosto e nós somos namorados… então eu disse aquilo porque realmente quero ter um bebê do senhor.
Yeon Woobeom riu curto diante das palavras proferidas com clareza.
Realmente, o namorado muito mais jovem era tão adorável que chegava a ser problemático.
Yeon Woobeom verificou a mensagem enviada por Kim Cheolwoo. O ômega em seus braços moveu o corpo e olhou para a tela também. Ao segurar o queixo dele e beijar seus lábios, sentiu o sabor doce do sorvete. O homem, que se afastou após um beijo curto, deu uma risadinha e voltou o olhar para o celular.
> Diretor. Disseram que chegaram em Incheon hoje de madrugada.
Não era algo para esconder, nem havia necessidade. Yeon Woobeom deixou que Jung Heeyeon olhasse para o celular enquanto enterrava o nariz na nuca branca. O aroma de gardênia, que se intensificara após o sexo, estimulava o olfato sensível do alfa. Era um aroma doce incomparável a qualquer sorvete.
— Heeyeon. Quer ir junto?
Jung Heeyeon encolheu levemente os ombros e voltou o olhar para Yeon Woobeom . Seu corpo sentia cócegas por causa do homem que falava com os lábios enterrados em sua nuca.
— Sim. Eu quero ir.
Como ele se movia seguindo o itinerário de Yeon Woobeom , os únicos lugares onde estivera até agora foram as proximidades da empresa e Busan. Jung Heeyeon respondeu com mansidão enquanto imaginava a localização de Incheon. Onde quer que fosse, estaria bem se o diretor estivesse ao seu lado.
— Acho que vai ser difícil para você andar.
Yeon Woobeom deu tapinhas nas nádegas pequenas e mordeu de leve a nuca fina. O corpo abraçado deu um pequeno salto. Não haveria necessidade de caminhar por muito tempo, mas ele não queria sobrecarregar o ômega que estaria exausto pelo sexo. Além disso, por ser logo após terem envolvido os corpos por horas, ele não queria exibir aquele rosto estranhamente excitado diante de outros alfas. Eram caras de confiança, mas confiança e desejo de exclusividade eram questões distintas.
— Mesmo assim, eu gosto de estar com o senhor… Se o senhor não quiser… eu entenderei, já que é trabalho.
— Por que eu não gostaria?
O problema era que ele também não se sentia inclinado a deixar Jung Heeyeon para trás. Ele não estava preocupado com a segurança, mas havia uma grande diferença entre o que estava ao alcance dos olhos e o que não estava. Parecia que ele começava a entender o motivo pelo qual os alfas faziam de tudo para marcar seus ômegas. Yeon Woobeom rolou a palavra “marca” na ponta da língua enquanto acariciava a marca de dentes que acabara de deixar.
Seria melhor marcá-lo de uma vez?
No entanto, a ideia de que poderia ser perigoso ser marcado em um estado onde o fluxo de feromônios não era normal passou por sua mente. A marca era um ato de prender os feromônios. Jung Heeyeon era um dominante como Yeon Woobeom , mas seus feromônios mal administrados ainda não haviam se estabilizado. Seria óbvio que haveria sobrecarga se ele tentasse entrelaçar feromônios de outra natureza com feromônios que oscilavam em instabilidade.
Os alfas e ômegas, que em algum momento foram tratados como feras pelos betas, eram de fato feras. O processo em que a marca ocorria também não era muito diferente do acasalamento dos animais. Era diferente até em sua essência do “banho de feromônios”, que era o simples ato de despejar feromônios para demonstrar desejo de exclusividade. A marca era algo violento e primitivo.
Certamente ainda seria cedo para a marca.
— Se o senhor não se importar, eu também quero ir junto.
— Sim. Vamos juntos.
Yeon Woobeom abraçou o corpo de Jung Heeyeon um pouco mais e enviou uma resposta sem dificuldade com uma das mãos.
> O bebê vai junto também, então prepare-se.
Jung Heeyeon observava o mar passando pela janela. Embora não fosse uma paisagem que via pela primeira vez, era difícil desviar o olhar sempre que a via. Poderia ser apenas o encantamento pela beleza, mas ele achava que era porque o primeiro encontro com o diretor ocorrera no mar.
Seus olhos doíam com o sol que saltava sobre as ondas. Embora devesse haver um ar frio capaz de cortar a pele, parecia exatamente o sol de um pleno verão. Então aqui é o porto de Incheon. Naturalmente, as lembranças da viagem a Busan vieram à tona. Junto com a lembrança de ter observado o mar com Yeon Woobeom no caminho para casa.
— Diretor. O senhor tem negócios em Incheon?
— Os contêineres que vimos em Busan da outra vez. Você se lembra?
— Sim.
Jung Heeyeon assentiu. Devido às lembranças da jaula, ele não entrara diretamente, mas sabia ao menos o que eram as mercadorias carregadas dentro daqueles enormes blocos de ferro.
— Eles foram transferidos para cá hoje de madrugada. Este lado chama mais a atenção do que Busan.
Diante da resposta lenta, Jung Heeyeon moveu os lábios. Era porque ele suspeitava vagamente que as armas dentro dos contêineres eram mercadorias comercializadas ilegalmente. Embora nunca tivesse ouvido explicitamente o termo “distribuição ilegal”, não era difícil perceber.
O momento em que Jung Heeyeon conheceu Yeon Woobeom pela primeira vez foi em uma noite escura onde o luar era a única luz em que se podia confiar. Se não fossem mercadorias contrabandeadas, não haveria razão para verificar contêineres no meio da noite. Embora não soubesse os detalhes internos, Nam Suhyun já mencionara algo sobre procurar mercadorias.
Jung Heeyeon mexeu os dedos. O homem ao seu lado nunca escondia nada dele. À medida que o tempo que passava no escritório do diretor se tornava longo, as notícias que chegavam também se tornavam variadas e, ao ouvir aquelas histórias, havia uma imagem que se desenhava sozinha. Ao reunir as várias histórias, era possível deduzir a situação atual, mesmo que por alto.
— Se chamar a atenção, o senhor ficará em apuros.
— Heeyeon. Você está preocupado?
— Sim.
Yeon Woobeom deu uma risadinha e apertou a bochecha macia dele. O rosto que ainda conservava a gordura de bebê parecia jovem. Havia muitas pessoas que se preocupavam com a segurança do homem, mas ninguém se preocupava com o mesmo sentido que Jung Heeyeon. Normalmente, as pessoas se preocupavam se ele levaria um tiro nas costas e morreria, não se ele ficaria em apuros devido a transações ilegais. Yeon Woobeom tinha muitas conexões e essas conexões significavam que ele podia usar apropriadamente o suborno e a ameaça.
— Não se preocupe. Eu disse que é apenas uma isca.
Isca. Jung Heeyeon rolou a palavra de tom furtivo dentro da boca. Já ouvira algo assim em Busan. Se era uma isca, certamente seria para fisgar o seu avô, o Presidente Jung.
— Diretor. Se eu perguntar… o senhor me contará?
— Se o nosso Heeyeon estiver curioso.
Apesar da pergunta cautelosa, Yeon Woobeom respondeu como se fosse óbvio. Ele não tinha intenção de esconder nada de Jung Heeyeon. Embora o tratasse como um bebê devido à diferença de idade, Jung Heeyeon era estritamente um adulto e, como vítima, seu namorado tinha o direito de saber. Ele pretendia deixá-lo fazer qualquer coisa que quisesse. Como queria que ele visse apenas coisas boas, não havia necessidade de mostrar as questões relacionadas ao Presidente Jung, mas se ele estivesse curioso, não teria escolha senão contar.
— Então me conte quando chegarmos em casa. Estou curioso.
— Tudo bem. Contarei quando chegarmos em casa.
Yeon Woobeom observou Jung Heeyeon enquanto imaginava o que aconteceria a seguir. De fato, parecia melhor contar antes que o bebê se assustasse.
Naquele momento, o carro parou suavemente. Pela janela, viu os alfas da Jiwon que já haviam chegado.
— Volto logo, espere só um pouquinho.
Yeon Woobeom ia abrir a porta para descer, mas parou imediatamente quando Jung Heeyeon puxou a manga de seu paletó.
— Diretor. Eu também posso entrar?
— Não me importo que você entre, mas… você não detesta contêineres?
Yeon Woobeom ergueu uma sobrancelha diante da pergunta inesperada. Ele não imaginava que Jung Heeyeon, que evitava contêineres, diria que queria entrar. Como fora levado até Busan preso dentro de um, era natural que sentisse aversão. Ou talvez fosse devido às lembranças de ter sido abusado na jaula.
O motivo pelo qual Yeon Woobeom detestava o porto também era esse. O cheiro de ferro enferrujado e os blocos de metal quadrados costumavam lembrá-lo da jaula.
Bem, deixando de lado todos os motivos, parecia não haver ninguém que preferisse entrar em um contêiner.
— Como o senhor está comigo, está tudo bem.
Jung Heeyeon disse apertando a manga do paletó com força. Em Busan, ele fora comprar biscoitos de polvilho em vez de entrar no contêiner, mas hoje ele queria entrar. Porque Yeon Woobeom estava ao seu lado. Confiar nele não era diferente de antes, mas como agora eram namorados, ele ganhou uma confiança sutil. Acima de tudo, ele queria entrar no contêiner e verificar com seus próprios olhos. Era porque ele suspeitava vagamente que aquilo era a isca para derrubar o Presidente Jung.
Jung Heeyeon não era mais o ômega que vivia preso dentro dos muros sem saber de nada. Embora ainda não soubesse detalhadamente como a situação estava se desenrolando, ele achou que agora era o momento de enfrentar diretamente.
Ao pisar no contêiner, o som de ressonância leve característico cortou o espaço quadrado. Como estava cheio de mercadorias, o som não ecoou, mas o ruído leve peculiar foi suficiente para incomodar os nervos. Jung Heeyeon franziu o nariz diante do cheiro metálico. Foi no momento em que quase se arrependeu de ter recusado a oferta de Yeon Woobeom de levá-lo no colo.
— Venha aqui.
O homem, que sentiu o sinal de hesitação, puxou o ômega que estava ao seu lado. O corpo pequeno encaixou-se perfeitamente no peito largo. Visto de trás, o corpo pequeno de Jung Heeyeon ficava escondido por Yeon Woobeom a ponto de não ser visto. Só então Jung Heeyeon soltou a respiração lentamente. Ao ser completamente abraçado pelo diretor, sentiu o feromônio denso de forma ainda mais intensa. Era o feromônio que sempre o acalmava. O cheiro metálico recuou instantaneamente.
Dentro do contêiner, havia muitas caixas grandes. Jung Heeyeon relaxou a tensão somente após perceber que o espaço onde estava não era a jaula. Ao observar o interior com calma, as caixas abertas chamaram sua atenção. Dentro delas, armas pretas estavam posicionadas delicadamente.
Se não fosse pelo que Nam Suhyun fizera, eram mercadorias que deveriam ter caído nas mãos de Yeon Woobeom há muito tempo.
— Eram mercadorias que o senhor deveria receber em meu lugar?
Jung Heeyeon ergueu levemente o queixo e olhou para o homem que envolvia sua cintura. Diante de sua pergunta, o olhar de Yeon Woobeom , que verificava as caixas, baixou-se imediatamente. Por ter baixado o olhar, a atmosfera fria tornou-se duplamente densa, mas para Jung Heeyeon, não era um rosto assustador.
— Parece que você está lembrando do dia em que nos conhecemos.
Yeon Woobeom ergueu os cantos dos lábios enquanto abraçava o ômega, que estava quase imobilizado por ele, com um pouco mais de força. O cheiro metálico peculiar do contêiner, que irritava seus nervos, foi sendo enterrado pelo feromônio de Jung Heeyeon e desaparecendo gradualmente. Hoje era a primeira vez que seus nervos não ficavam à flor da pele ao entrar em um contêiner.
— Se o trabalho tivesse ocorrido como planejado. É curioso ver pessoalmente?
— Sim.
Yeon Woobeom estendeu a mão para Sim Sucheon. Sim Sucheon, percebendo a intenção do homem, não hesitou em tirar a arma que estava ao seu lado e entregá-la respeitosamente.
Embora não demonstrasse, Sim Sucheon estava morrendo com o aroma do feromônio de Yeon Woobeom que impregnava o interior do contêiner. O homem, que controlava seus feromônios perfeitamente, estava quase despejando-os sobre o ômega em seus braços, fazendo o cheiro vibrar.
Segundo Kim Jiwon, Jung Heeyeon ainda não sabia lidar bem com os feromônios, mas vendo a situação atual, parecia que, graças a Yeon Woobeom , não haveria o infortúnio de sentir os feromônios do ômega durante o trabalho.
Sucheon prendeu a respiração e observou Yeon Woobeom e o ômega que ele tanto adorava.
— Segure.
Mesmo sabendo que os alfas da Jiwon estavam sofrendo com os feromônios, Yeon Woobeom , com um rosto descarado, balançou a arma que tinha em mãos diante de Jung Heeyeon.
— Não é perigoso?
— Está sem o carregador, então está tudo bem.
Jung Heeyeon hesitou por um momento e depois aceitou a arma que Yeon Woobeom estendeu. Era mais leve e mais fria do que imaginava. Ao manuseá-la por curiosidade, Yeon Woobeom perguntou sugestivamente:
— Você quer uma?
Diante da pergunta repentina, Jung Heeyeon arregalou os olhos. Ele nunca pensara em querer uma arma.
— Uma arma? Para ter uma arma é preciso ter uma licença… Eu não tenho licença.
— Não é difícil conseguir uma.
Era uma declaração que soava um pouco perigosa, como se não importasse se ele não estivesse dentro dos critérios.
Como ele apenas mexeu as mãos sem responder, Yeon Woobeom deu uma risadinha e disse levemente, como se não fosse nada:
— Eu disse que não há nada que você não possa fazer. Se você quer algo, deve ter.
Jung Heeyeon olhou para a arma em suas mãos. Até os dezenove anos, a frase que ele mais ouvira fora a ordem: “Não faça”. Ele não imaginava que, em apenas alguns meses, a frase para fazer o que quisesse se tornaria mais familiar. Por algum motivo, seu coração formigou e Jung Heeyeon mexeu os dedos novamente.
— Eu não disse isso porque queria ter uma. E como eu não terei ocasião de usar, está tudo bem.
— Bem pensado. Nosso Heeyeon é desajeitado com as mãos.
Yeon Woobeom entregou a arma que a mão branca estendera de volta para Shin Sucheon. Ele pretendia dar se ele quisesse, mas parecia que uma arma era demais. Como a personalidade dele era muito mansa, não haveria perigo de ele causar um acidente agindo de forma imprudente, mas como ele era desajeitado com as mãos, talvez pudesse ocorrer algum infortúnio. Não haveria problema em relação a qualquer acidente que ele causasse, mas Jung Heeyeon poderia se machucar se usasse uma arma, então parecia melhor deixar isso em suspenso.
— O senhor sabe atirar?
Jung Heeyeon perguntou com curiosidade enquanto observava Sim Sucheon limpando a arma. Yeon Woobeom pensou no que responderia e sorriu enviesado.
— Eu não sou uma pessoa tão boa assim, Heeyeon.
— Isso é apenas como as outras pessoas te avaliam.
Era uma voz que parecia afirmar que ele era uma pessoa boa.
Talvez. Com um riso relaxado, o olhar do homem tornou-se fino. Mesmo na sua própria opinião, Yeon Woobeom não era uma pessoa boa. Em vez de responder, ele sorriu enviesado e o ômega que se aninhava em seus braços virou o corpo para ficar de frente para ele.
— Para mim, o senhor é uma pessoa boa.
Jung Heeyeon disse com clareza e um tom bastante firme. Não importava como as outras pessoas avaliassem o diretor; para ele, aquilo não era importante.
— E eu andei pensando… gostaria que o senhor fosse uma pessoa boa apenas para mim. Não aja de forma fofa com as outras pessoas.
— Hum. Não agir de forma fofa com as outras pessoas?
— Sim.
Diante da exigência feita como se fosse óbvia, Yeon Woobeom tocou a bochecha dele e inclinou a cabeça.
— Heeyeon. Mesmo que você não diga isso…
A mão grande desceu lentamente da bochecha até a nuca.
— Eu já estou agindo de forma fofa apenas com você.
Os dedos que tocavam a linha do maxilar, como se envolvessem o pescoço, moveram-se densamente acariciando a pele branca e macia. Jung Heeyeon só abriu a boca após o toque cauteloso se afastar.
— Sim. O senhor deve continuar assim no futuro também.
Para alguém com um rosto inofensivo, era uma exigência bastante atrevida. Yeon Woobeom , diante da reação típica de Jung Heeyeon, abriu um sorriso largo e, por hábito, beijou a bochecha macia. Sentiu que os alfas que estavam dentro do contêiner desviavam os olhos sem jeito, mas ele não era um homem com escrúpulos suficientes para se importar com a reação dos subordinados.
Yeon Woobeom atraiu novamente o corpo que escapara de seus braços. Fora uma ação feita sabendo que Jung Heeyeon ficava menos tenso com o seu feromônio, mas sua verdadeira intenção estava mais próxima de um desejo puramente pessoal. O desejo de abraçar aquele corpo macio e quente e inalar seu feromônio à vontade.
Ao estender a mão restante, Shin Sucheon, que estava de prontidão, entregou a arma. Era de um tipo diferente daquela entregue a Jung Heeyeon. O homem, que empunhou a arma naturalmente como se estivesse acostumado, girou levemente o pulso como se quisesse verificar algo.
— E as outras mercadorias?
— Terminamos a verificação. É certo que transferiram o contêiner inteiro, mas parece que não tocaram nas mercadorias.
Jung Heeyeon ouvia a conversa dos dois por alto enquanto observava fixamente a arma na mão de Yeon Woobeom . Não era que ele tivesse passado a querer uma arma agora. Estava mais próximo do fato de ter tido o olhar roubado porque o cano preto e liso combinava perfeitamente com a mão grande de Yeon Woobeom .
É um objeto perigoso, mas combina bem. Embora parecesse um pensamento indelicado, essa era a sua impressão sincera. Os dedos retos e as articulações dos ossos que se sobressaíam combinavam perfeitamente com a arma de design robusto e, ao mesmo tempo, ágil, como se fossem um só corpo.
Ao baixar um pouco o olhar, viu o relógio de prata com toque de metal frio e a camisa branca e, sob ela, o terno preto cobrindo o pulso do homem de forma oblíqua. O pulso levemente revelado parecia estranhamente íntimo, então Jung Heeyeon tateou o próprio pulso sem motivo. Foi porque, de repente, lembrou-se de que o pulso de Yeon Woobeom não cabia em uma de suas mãos durante o sexo.
— Dói?
Yeon Woobeom franziu o cenho ao vê-lo tateando o pulso. Após entregar a arma para Shin Sucheon, ele ergueu o braço que envolvia a cintura e esfregou o pulso fino lentamente. Era o pulso que fora segurado pelas mãos do homem várias vezes enquanto envolviam os corpos até a madrugada. Embora tivesse tentado ser gentil, parecia que doía.
— Ah, não estou tocando porque dói.
Como se tivesse encontrado a verdade na resposta dócil, o cenho franzido de Yeon Woobeom logo voltou ao lugar.
— Hum. Não é porque dói?
— Sim. Está tudo bem.
Apesar da resposta de que estava tudo bem, o toque do homem parecia não querer se afastar. Como o movimento de acariciar lentamente lhe dava cócegas, Jung Heeyeon mexeu os dedos. O som de uma risadinha caiu sobre sua cabeça.
Ao entrar no carro, o cheiro de sal do mar desapareceu imediatamente. Jung Heeyeon observava as ondas azuis se afastando pela janela. Talvez devido ao clima, a cor parecia um pouco diferente do mar de Busan que vira da outra vez. Embora o brilho fosse diferente, as ondas espalhadas eram invariavelmente belas. Era uma paisagem que ele jamais teria visto dentro dos muros.
Se ele tivesse se casado com um alfa dominante após se tornar adulto, conforme o desejo do Presidente Jung, talvez pudesse tê-la visto, mas era impossível imaginar outro alfa sentado ao seu lado que não fosse Yeon Woobeom . Jung Heeyeon voltou o olhar para Yeon Woobeom . Ao mesmo tempo, o mar desapareceu completamente de sua visão.
Yeon Woobeom segurava um tablet com uma mão e observava a tela. Os olhos semicerrados e os lábios fechados de forma inexpressiva criavam uma atmosfera fria. Por não querer incomodá-lo, Jung Heeyeon prendeu a respiração silenciosamente. Enquanto observava o homem, a mão que segurava o tablet roubou novamente sua atenção.
A mão grande segurava facilmente o tablet, que era consideravelmente grande. As costas da mão com as veias saltadas sob as articulações dos ossos que se ligavam aos dedos eram impressionantes. Sobre o pulso que se ligava de forma precisa à mão grande, a pulseira de prata do relógio envolvia-o firmemente. Dentro do aro de metal frio, o mostrador azul-marinho carregado de frieza brilhava de forma nítida.
— Heeyeon. O que te deixou tão curioso?
Yeon Woobeom baixou o tablet e sorriu enviesado. Como um homem que rastejara pelo submundo, ele tendia a ser sensível à presença alheia. Ele não era um bandido se aproximando cautelosamente para cravar uma faca, então não havia como não perceber a presença mansa e opaca de Jung Heeyeon.
Ele o deixara apenas observar para ver até quando ele ficaria olhando enquanto prendia a respiração como se estivesse roubando algo, mas não imaginava que ele perderia o olhar apenas para um relógio.
— Não é isso…
— Hum. Não é isso?
Jung Heeyeon deixou o final da frase morrer. Sentia-se como se tivesse voltado ao primeiro dia em que vestiu o cardigã de Yeon Woobeom . Como se sentia confortável usando as roupas do Diretor, chegou a consultar Kim Jiwon, temendo ter algum gosto estranho. Tinha perguntado sinceramente apenas porque achava que não encontraria uma resposta sozinho, e era exatamente como se sentia agora.
Jung Heeyeon olhou de relance para a divisória que o separava do banco da frente antes de abrir os lábios.
— Eu estava olhando para o seu pulso.
— Meu pulso?
— Sim. Acho que o seu pulso é sexy.
Diante da resposta inesperada, uma leve ruga se formou acima de uma das sobrancelhas de Yeon Woobeom . Logo em seguida, o homem, compreendendo o significado das palavras, sorriu relaxado. Ele achava que o outro estava olhando para o relógio, não esperava que o assunto fosse o seu pulso. E muito menos que ouviria de seu namorado, muito mais jovem, que algo nele era sexy.
Não era a primeira vez que ouvia de Jung Heeyeon que era sexy, mas ouvir um comentário tão direto soava peculiar.
— Meu gosto é estranho? Pode me dizer a verdade.
— O que há de estranho em ser sexy aos olhos do namorado?
Yeon Woobeom ergueu levemente os cantos da boca e segurou a mão de Jung Heeyeon, que repousava quietamente. Ele sentiu os dedos daquela mão pequena se mexerem entre os seus. O homem virou o próprio pulso, exibindo-o deliberadamente.
— Eu já sentia isso desde o contêiner, mas ver essa parte conectada assim me faz sentir um pouco estranho.
Jung Heeyeon acariciou o pulso de Yeon Woobeom com o polegar que se sobressaía. Suas unhas levemente rosadas passaram pelo pulso grosso do homem, pelo relógio e tocaram até o terno.
Yeon Woobeom engoliu um suspiro baixo enquanto observava os longos cílios de Jung Heeyeon, inclinados para baixo enquanto ele olhava para o seu pulso. Jung Heeyeon disse apenas que se sentia “estranho” por não encontrar uma palavra melhor, mas o que ele havia dito não era diferente de dizer que tinha ficado excitado ao ver o pulso. Pois sentir algo como “sexy” tinha uma conotação erótica.
Ele falava gírias vulgares sobre órgãos genitais sem hesitação, mas parecia não conhecer palavras como “excitado”.
— Heeyeon.
A mão minúscula, comparada à do homem, acariciou novamente a pele entre o relógio e o terno. O namorado que dizia que ele era sexy estava, pelo contrário, fazendo algo excitante. O fato de ser uma ação sem segundas intenções era o maior problema.
— Fazer algo sem saber que está fazendo é ainda pior.
— Perdão? Eu fiz algo ruim? Eu disse algo errado agora pouco?
Diante do rosto inocente, Yeon Woobeom sorriu de lado. Não era necessário explicar com palavras. Coisas assim eram mais fáceis e rápidas de entender sentindo diretamente.
— O relógio. Quer experimentar?
Por coincidência, os dedos brancos estavam mexendo no aro de metal frio.
— Sim. Eu quero.
Yeon Woobeom soltou o fecho do relógio com habilidade. O som do metal colidindo ecoou silenciosamente dentro do carro em movimento.
Ele puxou suavemente o pulso de Jung Heeyeon e começou a colocar o relógio pessoalmente. Era algo que ele poderia fazer de olhos fechados, mas não esqueceu de se mover deliberadamente devagar.
Com o toque carinhoso e lânguido esfregando seu pulso, Jung Heeyeon apenas mexia os dedos sem motivo.
O relógio, que até instantes atrás estava colado à pele do homem, guardava um calor suave, ao contrário de sua aparência fria. Com o som do fecho prendendo-se à pulseira, a mão de Yeon Woobeom se afastou.
— Acho que está muito folgado em mim. Parece que vai cair…
Jung Heeyeon murmurou enquanto erguia o braço. Como era um relógio feito sob medida para o Diretor, ele esperava que ficasse grande, mas não imaginava que ficaria tão folgado. O relógio, que estava perigosamente pendurado no pulso, desceu pelo braço e parou. De alguma forma, a sensação era completamente diferente de quando estava no pulso de Yeon Woobeom .
— Ficou bonito.
Yeon Woobeom riu baixo ao ver o relógio quase preso no antebraço, e não no pulso de Jung Heeyeon. Talvez por ser um relógio ajustado para ele, em vez de ficar no pulso branco, parecia que cairia no chão se o braço não estivesse erguido. Para Jung Heeyeon, era grande demais para ser funcional, mas o fato de seu jovem namorado estar usando um objeto seu era extremamente satisfatório.
— Vou comprar um que sirva em você.
Não parecia uma má ideia colocar um relógio no pulso de Jung Heeyeon. Como não podia marcá-lo agora, teria que suprimir seu desejo de possessão dessa forma.
— O quê? Não precisa comprar. Eu só quis experimentar porque é o relógio do senhor.
— Hmm. Você quis experimentar porque é o meu relógio?
— Sim. Não tenho interesse em outros relógios…
— Você só diz coisas adoráveis.
Ele queria continuar vendo seu pertence de longa data envolvendo o pulso de Jung Heeyeon, mas parecia difícil. Bastaria ajustar o fecho, mas era um relógio grande demais para aquele pulso.
Yeon Woobeom recuou um passo. Como o namorado já andava por aí usando suas roupas, não era tão difícil suprimir a ganância. Jung Heeyeon ainda tratava o cardigã dele como se fosse um cobertor de estimação. Desde que Yeon Woobeom despejou seus feromônios abertamente, ele nunca mais o usou para sair, mas, quando estava em casa, costumava vestir as roupas de Yeon Woobeom por hábito. Era um comportamento que parecia ter se tornado um vício, e o homem não tinha intenção de corrigi-lo.
— Vou comprar. Pode surgir uma situação em que você precise.
— Uma situação em que eu precise?
— Sim.
Yeon Woobeom escondeu suas intenções e sorriu gentilmente.
* * *
↫─☫ Continua….
⌀ ⌀ ⌀
✦ Tradução, revisão e Raws: Faby&Belladonna
Ler Cão Preso na Gaiola (Novel) Yaoi Mangá Online
Sinopse:
A sensação de flutuando na água. O cheiro de ferro enferrujado. Uma jaula cercada por todos os lados.
— O que é isso agora?
Um rosto tão frio quanto o ar do inverno.
— O que eu deveria receber era…
Uma cicatriz acima da pálpebra e,
— Não esse tipo de vira-lata.
Olhos ferozes, como se pudessem devorar alguém.
— …Ah.
E o cheiro salgado do mar.
Esse era um mundo que Jung Heeyeon nunca tinha visto antes.
Nem uma única vez.
—
Abrindo os olhos dentro de um contêiner vazio, Jung Heeyeon segue um homem que nunca conheceu antes sem resistência, simplesmente porque o homem é um alfa dominante.
Enquanto isso, o Diretor Yeon recebe uma ligação do Chefe Nam, que lhe enviou um “presente”, e descobre que o ômega no contêiner é parente do Presidente Jung, uma figura de um passado sombrio.
— Heeyeon.
— … Sim?
— Você tem dezenove anos?
— Sim.
— Então você é um bebê.
— Eu não sou um bebê.
— Bebês geralmente odeiam ser chamados de bebê.
— Não é assim… Quer dizer, eu tenho dezenove…?
Diante dessa resposta sincera, o Diretor Yeon solta uma risada suave.
— Você vai dar trabalho, não vai?
— Vou tentar… não ser um fardo.
— Não se preocupe, Heeyeon.
— ……
— Eu gosto de coisas que exigem muita atenção.
O homem, que trouxe Jung Heeyeon para dentro de sua casa, faz uma sugestão gentil.
— Que tal chamarmos isso de acordo?
— Acordo?
— Porque eu preciso de você.
Nome alternativo: Dog On The Hutch Co Preso Na Gaiola Cachorro Preso Na Gaiola