Ler Cão Preso na Gaiola (Novel) – Capítulo 12 Online


Modo Claro

↫─Capítulo 12

O tempo de Heeyeon ↫─Parte 05

O lugar onde chegaram era um local que ele havia visitado alguns meses atrás. Foi o lugar onde Yeon Woobeom lhe deu um monte de roupas como presente de Natal. Jung Heeyeon sentou-se no sofá confortável e acolhedor, assim como daquela vez, e esperou que alguém chegasse. A diferença em relação à última vez era que a sobremesa na bandeja não eram macarons, mas um bolo de creme com morangos.

Como ele parecia claramente hesitar se comia ou não, Yeon Woobeom pegou o prato e cortou um pedaço limpo do bolo.

— Tenho que almoçar daqui a pouco…

— Não quer comer? Quer que eu peça para tirarem?

Jung Heeyeon pensou por um momento e acabou aceitando o prato. Se fosse outra sobremesa, ele teria resistido, mas como era seu bolo favorito, era difícil afastar a tentação. Enquanto ele comia o bolo cortado pelo próprio namorado, um funcionário apareceu carregando uma caixa grande.

— Peço desculpas pelo atraso.

Choi Yoon, o personal shopper, pousou a caixa com cuidado e abriu o estojo. Relógios da mesma marca que Yeon Woobeom usava estavam alinhados.

— Como o relógio que o Diretor usa faz parte de uma linha geralmente usada por alfas, não existem modelos pequenos. Por isso, selecionei alguns produtos de boa qualidade em uma faixa de preço semelhante.

Choi Yoon começou a falar enquanto olhava de relance para o ômega sentado ao lado do cliente. Como Yeon Woobeom havia pedido um tamanho claramente diferente do habitual, ele suspeitou que fosse um presente para um namorado, e sua previsão estava correta.

— Haha. Eu suspeitava, o senhor é mesmo quem veio daquela vez. Pessoalmente, achei que uma fivela dourada combinaria bem, por isso preparei este… Se não gostar, posso providenciar outros modelos.

Choi Yoon começou a mostrar os relógios um por um, explicando suas características. Jung Heeyeon apenas moveu os lábios, sem saber o que responder. Além de não entender de relógios, todos pareciam iguais aos seus olhos.

— Heeyeon. Não tem nenhum que você goste?

Diante da pergunta relaxada de Yeon Woobeom , Choi Yoon, sentado à frente, deu um leve sobressalto. Jung Heeyeon não queria deixá-lo em uma situação difícil.

— Não é isso, é que eu não entendo de relógios. Acho que seria melhor se o senhor escolhesse para mim.

— E se eu escolher algo estranho?

— O quê? Tudo o que o senhor escolhe é bom…? Está tudo bem.

Como era de se esperar, à pergunta travessa feita de forma leve, veio uma resposta séria. Yeon Woobeom escolheu um relógio. Era um modelo de couro, não de metal, que parecia combinar com Jung Heeyeon.

— Heeyeon. O que acha daquele?

— É bonito. Então quero aquele.

Choi Yoon prontamente interveio.

— Ah, como esperado do gosto do Diretor. Para mim também, este relógio parece ser o que melhor combina com o seu namorado.

Após listar vários pontos sobre por que o relógio combinava, Choi Yoon se retirou por um momento. Yeon Woobeom puxou o pulso de Jung Heeyeon. Como havia um ajuste a ser feito, ele teria que tirá-lo novamente, mas, por enquanto, pretendia colocá-lo pessoalmente.

Jung Heeyeon mexia os dedos enquanto olhava para o homem que abaixava levemente a cabeça para colocar o relógio nele. Ele deveria se acostumar a fazer isso sozinho, mas como o Diretor sempre fazia por ele, temia estar criando um mau hábito.

— Ficou bonito.

Diante do elogio suave, Jung Heeyeon virou o pulso timidamente. Por ser um relógio da linha ômega, parecia muito mais estável do que quando usou o relógio de Yeon Woobeom . O pulso com o relógio continuava preso na palma da mão do homem.

— Deve ser porque o senhor escolheu um bonito.

— Eu quis dizer que você é bonito, não o relógio.

— Ah… Obrigado.

Jung Heeyeon aceitou o que outra pessoa acharia embaraçoso como se estivesse acostumado. Era algo que nunca tinha ouvido dentro dos muros, mas, ao ouvir com frequência de Yeon Woobeom , dizer que ele era “bonito” tornou-se algo natural.

Ao ouvir a resposta dócil, Yeon Woobeom esfregou lentamente o espaço entre o pulso fino e o relógio. Seu namorado ainda não estava acostumado com as convenções sociais. Como seu círculo social se resumia aos alfas da Jiwoo e a Lee Haejin, era inevitável que fosse difícil aprender os costumes sociais em pouco tempo.

Um desejo de possessão de mantê-lo preso em seus braços fervilhava, mas Yeon Woobeom não pretendia restringir Jung Heeyeon a manter um círculo social estreito. Ele pretendia dar a ele tudo o que quisesse, e isso incluía novos relacionamentos humanos.

Ele o protegia de forma extrema apenas por causa do Presidente Jung; assim que as coisas fossem finalizadas, pretendia deixá-lo vivenciar coisas mais diversas. Os alfas se afastariam por conta própria devido aos feromônios impregnados em Jung Heeyeon.

Até lá, bastava que ele continuasse sendo amado como agora.

— O senhor também é bonito.

Jung Heeyeon mexeu os dedos novamente. Foi por estar consciente dos dedos longos que esfregavam seu pulso lentamente.

— Hmm. Sou bonito?

O homem, sabendo que o ômega dócil o chamava de bonito apenas para ele, inclinou a cabeça e sorriu.

— Sim.

— Heeyeon. Já que sou bonito, gostaria que me fizesse um favor…

— O quê? Sim. Farei qualquer coisa que o senhor pedir.

— Este relógio.

A ponta do dedo do alfa tocou a pulseira do relógio.

— Quero instalar um rastreador nele.

— Um rastreador? Mas eu estarei ao lado do senhor todos os dias…

— Sim. Nosso Heeyeon deve estar ao lado do Diretor todos os dias.

Yeon Woobeom arrastou o final da frase de forma lânguida.

— Mas existem desgraçados que estão desesperados para levar você.

— Ah…

Jung Heeyeon compreendeu imediatamente por que Yeon Woobeom mencionou a palavra “rastreador”.

— Sim. Tudo bem.

A mão que tocava a pulseira finalmente se infiltrou no espaço entre ela e a pele. Yeon Woobeom sussurrou enquanto esfregava lentamente os tendões finos.

— Bom menino.

Olhando para as pupilas estreitadas do alfa, Jung Heeyeon parou de respirar por um instante. Ele sentia que finalmente entendia a natureza daquela sensação estranha que teve ao olhar para o pulso do Diretor.

* * *

No último dia 3, um homem na casa dos 30 anos sofreu um acidente enquanto limpava uma arma e foi levado ao hospital. Atualmente, o homem está recebendo tratamento especializado no Hospital Severance. Na ocasião, havia uma grávida e uma criança na casa, mas, felizmente, não houve feridos.

A polícia está investigando as circunstâncias do acidente com base no depoimento da vítima de que “a arma explodiu de repente”.

De acordo com a atual “Lei de Controle de Segurança de Armas de Fogo, Espadas, Explosivos, etc.”, civis com permissão podem possuir armas de fogo. Com a flexibilização do controle de armas ocorrida há 5 anos, as atenções estão voltadas para saber se este acidente levará a um debate acalorado sobre a legalização de armas.

Por outro lado, sabe-se que a arma que explodiu é o modelo M88A da empresa K&H. Se a investigação revelar que o defeito da arma foi a causa, espera-se que a distribuidora enfrente sérios problemas. Atualmente, existe apenas uma distribuidora de armas na Coreia do Sul…

— Grávida e criança… Usaram todas as manchetes sensacionalistas possíveis.

Yeon Woobeom ergueu os cantos da boca e tocou a manchete com o dedo. Era uma notícia sob embargo, mas que seria publicada amanhã de manhã.

— Qual o nome do jornalista?

— É o jornalista Kim Jae-ho.

As sobrancelhas do homem formaram uma curva suave. O nome Yeon Woobeom estava estampado na notícia, mas ele não parecia se importar muito.

— Terei que agradecer ao Lee Haejin.

— Os senhores não se encontram hoje? Devo preparar algum presente à parte?

Kim Chul-woo perguntou casualmente. Seu olhar de relance não era para Yeon Woobeom , mas para o topo da cabeça redonda focada no tablet. O ômega, que costumava ter uma expressão indiferente exceto na frente de seu chefe, raramente franzia a testa, mas agora o fazia. Parecia estar lendo a notícia seriamente.

— Não precisa. Ele provavelmente não ia gostar se eu desse.

Yeon Woobeom respondeu em tom casual, enquanto pressionava suavemente o cenho franzido de Jung Heeyeon para alisá-lo.

— Ele também não deve ter feito isso esperando recompensa. Lee Haejin está tão ansioso quanto eu para pegar o Presidente Jung.

— Entendido. Devo deixar a notícia sair como está? O Deputado Yoo disse para entrar em contato se precisar de ajuda.

Assim que Kim Chul-woo terminou de falar, um riso escapou entre os lábios estreitos de Yeon Woobeom .

— É uma notícia publicada pelo Grupo Sunha, como eu poderia impedi-la, não é mesmo, Secretário Kim Chul-woo?

Se ele pressionasse as pessoas que lhe deviam favores, não seria algo tão difícil. Kim Chul-woo deu de ombros levemente ao ouvir a piada sem graça de seu chefe. O acidente com a arma, a intervenção da Sunha e a notícia a ser publicada amanhã, tudo era plano de Yeon Woobeom . Era absurdo ver o próprio arquiteto dessa situação agindo como um indivíduo indefeso enfrentando uma grande corporação.

— Grupo Sunha? Diretor. Isso é coisa do Presidente, não é?

Kim Chul-woo tinha certeza. O motivo pelo qual Yeon Woobeom estava fingindo ser vulnerável, algo que não combinava com ele, era por causa daquele ômega de olhos arregalados.

— Eu ouvi quando encontrei o Diretor da Gangseo antes. Ele disse que o Hyung dele deveria ter me comprado originalmente… Então o senhor está em apuros por minha causa.

— Heeyeon. Não precisa se preocupar. Não tenho intenção de entregar você.

— O quê? Eu não estou preocupado comigo.

Jung Heeyeon firmou a expressão com um olhar sério. Ele não estava preocupado que Yeon Woobeom o entregasse a um alfa que ele nem conhecia.

— Quem me preocupa é o senhor…

Mesmo que ele não soubesse muito, no momento em que a notícia saísse, as flechas seriam apontadas para Yeon Woobeom . Por ter vivido confinado por quase 15 anos, ele era inábil com os costumes sociais que até crianças conheciam, mas isso não significava que ele fosse um ignorante completo.

A educação que foi excluída para Jung Heeyeon era apenas a interação entre pessoas; todo o resto do aprendizado não foi. O Presidente Jung, talvez pensando que ainda haveria algo a extrair dele mesmo após enviá-lo a um alfa, ensinou-lhe sobre ações e imóveis. Dizendo que ele deveria saber como girar o dinheiro para o alfa.

Para ler o fluxo do dinheiro, era inevitável saber ler o fluxo da sociedade, então Jung Heeyeon também conhecia as grandes e pequenas questões. Mesmo sem nunca ter visto o mundo exterior ou o mar, ele sabia ler razoavelmente bem o mundo feito de números.

O nome Yeon Woobeom, que aparecia claramente na notícia sob embargo, carregava a intenção óbvia de atribuir a ele a causa do acidente. As manchetes sensacionalistas da notícia gerariam notícias ainda mais sensacionalistas, e a parte cujo nome real foi mencionado não conseguiria evitar as flechas da crítica. Como era a pessoa que ele amava, era natural se preocupar. O que Jung Heeyeon temia era o bem-estar de Yeon Woobeom , não o dele.

— Hmm. Você está preocupado comigo?

— Sim. Estou preocupado com o senhor, não comigo.

O homem, tendo extraído a resposta que desejava de seu namorado, sorriu. Uma aura suave surgiu sobre seu rosto frio.

— Não se preocupe. Bem, talvez eu precise ficar preso em um centro de detenção por alguns dias.

— O quê? Centro de detenção?

Yeon Woobeom levantou Jung Heeyeon levemente e o sentou em suas coxas. O homem, apoiando o queixo na nuca branca, tocou uma parte da notícia com a mão que envolvia a cintura dele. Exatamente sobre as letras M88A.

— Você se lembra da arma que tocou no contêiner da última vez, não lembra?

— Sim.

— Aquele modelo é o M88A.

Quando a respiração dele desceu suavemente sobre seu ouvido, Jung Heeyeon encolheu um pouco o pescoço. O homem que o abraçava riu alto.

— É uma arma trazida ilegalmente.

— Sim…

— Não foi um objeto trazido para ser usado nesta situação, mas mudei o plano já que a Sunha mexeu no contêiner.

— O plano?

— Te conto os detalhes hoje à noite.

Jung Heeyeon assentiu, lembrando-se do fato de que encontrariam Lee Haejin e Nam Soo-hyun hoje à noite.

— Ficou bonito.

Yeon Woobeom beijou a orelha de Jung Heeyeon e continuou a falar lentamente. Era um tom pausado para que o ouvinte pudesse entender facilmente.

— O produto defeituoso que aparece na notícia não é um objeto trazido pelo nosso lado. É o mesmo modelo que a Sunha preparou para me incriminar após verificar os objetos no contêiner.

— Então o acidente que aparece na notícia também foi criado propositalmente por eles?

— Grávida, criança… E ainda tem uma câmera na sala. É realmente difícil produzir um vídeo tão sensacionalista assim, não acha?

Jung Heeyeon olhou fixamente para a captura de tela do vídeo na notícia. A qualidade era boa demais para ser de um CCTV doméstico. Como se fosse a câmera de vigilância instalada em seu quarto.

— Parece que a intenção deles é me atacar ligando defeito de fabricação e transação ilegal de uma só vez…

Yeon Woobeom continuou a explicação com uma voz lânguida, como se fosse um cenário óbvio.

— Quem deve ter liderado o trabalho foi o Presidente Kang Seo-hyo. Como é algo que envolve a sucessão, ele precisa de você a qualquer custo, e para isso ele terá que me remover. O lado da Sunha se moverá facilmente para tomar os direitos de distribuição de armas.

Jung Heeyeon processou lentamente as palavras de Yeon Woobeom . Se era o Presidente Kang Seo-hyo, era o alfa que deveria comprá-lo. Isso significava que o Presidente Jung estava por trás desse incidente.

— Então não é uma situação difícil? É uma transação ilegal, afinal.

Yeon Woobeom soltou levemente o corpo que estava em seus braços e pressionou a bochecha branca. Talvez pela expressão séria, a bochecha ainda com gordura infantil estava um pouco mais inflada que o normal.

Como Jung Heeyeon disse, era de fato uma situação “difícil”. Se um acidente ocorresse com uma arma contrabandeada, não por rotas oficiais, seria difícil encobrir o problema. Acima de tudo, enquanto existissem vozes clamando pelo fortalecimento do controle de armas, este incidente tinha muitos elementos para se tornar uma briga política. Mesmo sendo o Yeon Woobeom , no momento em que se envolvesse com política, inevitavelmente enfrentaria situações irritantes.

— Os objetos trazidos têm códigos. Bastará comparar os códigos para provar facilmente que não são nossos objetos. E então, fim.

Na verdade, não era o fim, mas o começo.

Assim que fosse revelado que se tratava de uma farsa armada pela Sunha para prejudicar Yeon Woobeom , a opinião pública mudaria rapidamente. A confiança no grupo despencaria e bastaria aproveitar a queda nas ações para, junto com Kang Seo-yi, arrebatar os pequenos investidores. Se Kang Seo-hyo assumisse a responsabilidade e deixasse o cargo de presidente, quem ocuparia o lugar seria o Diretor Kang Seo-yi, e assim a Sunha deixaria de incomodar a Jiwoo.

— Então todos os produtos que o senhor trouxe desta vez foram lavados como legais?

Jung Heeyeon perguntou após pensar por um momento. Para revelar os códigos, ele teria que mostrar todos os objetos que estavam no contêiner, o que significava que o processo de importação dos objetos teria que ser transformado em uma rota totalmente legal. Diante da dedução razoavelmente correta, Yeon Woobeom sorriu sem responder.

— Ah… Pensando bem, considerando o que o Presidente fazia, parece ser possível.

— Heeyeon. Não existe nada neste mundo que o dinheiro não resolva.

Yeon Woobeom disse levemente, como se contasse uma piada. Ele fez um negócio que o deixou em dívida com a K&H e sofreu um prejuízo considerável para recrutar algumas pessoas, mas não importava, pois esse valor voltaria multiplicado várias vezes. Era algo que ele teria feito mesmo arcando com o prejuízo.

Yeon Woobeom estendeu a mão e esfregou lentamente o pulso que cabia em sua palma. O relógio que ele deu de presente há alguns dias estava no pulso de Jung Heeyeon. Uma satisfação bizarra o inundou como se fosse naufragá-lo.

— Devo preparar um presente para o jornalista Kim Jae-ho?

Kim Chul-woo aproveitou a brecha para fazer a pergunta importante. Como não era de hoje que Yeon Woobeom agia dessa forma com Jung Heeyeon, ele já estava imune e conseguia intervir no momento apropriado. A gentileza impregnada no rosto frio de Yeon Woobeom ainda era estranha. Embora não fosse necessariamente ruim.

Na verdade, Kim Chul-woo pensava há muito tempo. O ato final de Yeon Woobeom poderia ser o suicídio. Um homem que tem tudo cometer suicídio era um pensamento um tanto ridículo e fantasioso, mas a intuição de que poderia ser assim muitas vezes o assaltava.

Yeon Woobeom, a quem ele observava há muito tempo, era um homem entediado com tudo.

O que consumiu o homem na jaula flutuante foi o fogo do ódio. O fogo que ardia como se fosse queimar tudo desapareceu deixando apenas cinzas de vazio no momento em que o homem teve tudo em suas mãos. Foi realmente um momento fútil.

Talvez por ter vivido lutando desesperadamente apenas com o objetivo de sair da lama e subir, o homem que ficou sem lugar para subir parecia não encontrar o sentido da vida.

O fato de ele não ter eliminado facilmente o Presidente Jung, a causa de seu ódio, apesar de ele estar vivíssimo, também devia ser por esse motivo. Pois se até o Presidente Jung morresse e desaparecesse, ele não suportaria o tédio. O único pequeno prazer que restava a Yeon Woobeom era observar o Presidente Jung sendo manipulado por suas mãos.

Kim Chul-woo também nutria sentimentos ruins pelo Presidente Jung, assim como Lee Haejin e Nam Soo-hyun. Ele queria que o velho maldito sofresse o quanto antes, mas, por outro lado, temia a atitude que Yeon Woobeom mostraria após o desaparecimento do Presidente Jung.

Kim Chul-woo foi um dos alfas que sobreviveu agarrando a corda estendida por Yeon Woobeom. A preocupação e o zelo pelo salvador eram um curso natural. Tão natural quanto ser leal a Yeon Woobeom, um curso que nem precisava de contestação. Mesmo que não tivessem um passado de terem rolado juntos como bandidos, Kim Chul-woo sabia melhor que ninguém que teria sido leal ao homem.

Ele chegou a pensar que seria melhor se o homem ficasse obcecado por algo, devido ao tédio que exalava de Yeon Woobeom. Um ser vivo era melhor que um objeto e, entre os seres vivos, pensava que seria bom se fosse um humano com expectativa de vida semelhante, preferencialmente um ômega. Pois nem Yeon Woobeom conseguiria resistir à obsessão e ao desejo de posse de um alfa por um ômega. Embora achasse que era impossível, já que ele detestava feromônios patologicamente.

De qualquer forma, Kim Chul-woo pretendia assistir o homem até o fim. Mesmo que chegasse o momento em que Yeon Woobeom desse um tiro na própria cabeça para se suicidar.

— Se o senhor ordenar que eu prepare, prepararei conforme suas instruções.

No entanto, tudo mudou quando o ômega que Nam Soo-hyun preparou como presente entrou na vida de Woobeom. Kim Chul-woo percebeu pela primeira vez que Yeon Woobeom era um homem capaz de sorrir gentilmente. Claro, seu chefe era um homem muito acostumado a controlar suas expressões, e fingir ser gentil não era algo difícil.

Kim Chul-woo também não deu importância no início. Pois pensava que a gentileza que Yeon Woobeom mostrava a Jung Heeyeon era mero negócio. Ele achava que Yeon Woobeom mimava Jung Heeyeon apenas por ele ser um tipo de humano que não existia ao seu redor, e que não havia outro significado.

Ele estava errado. Kim Chul-woo percebeu a mudança de Yeon Woobeom com um tempo de atraso e pensou que a estranheza que habitava o rosto de seu chefe não era ruim. Pois não era mais aquela expressão de antes, de que tudo era monótono e a vida não tinha graça.

Portanto, não importava como Yeon Woobeom mimasse Jung Heeyeon na frente de seus subordinados, para Kim Chul-woo, era algo positivo.

— Nosso jornalista preparou isso com tanto empenho que não podemos deixar passar. Entregue através de Lee Haejin.

— Então deixarei preparado até o fim do expediente de hoje.

Presente? Jung Heeyeon percebeu que a palavra “presente” vinda da boca de Kim Chul-woo não tinha apenas o sentido literal do dicionário. Como vira o Presidente Jung preparar presentes ocasionalmente, não era difícil entender o significado oculto da palavra. Seria dinheiro vivo, barras de ouro ou talvez obras de arte.

De repente, o olhar de Jung Heeyeon se voltou para o seu pulso. Considerando que o relógio que estava ali quietamente era algo que custava centenas de milhões, o homem que deu esse presente também devia ser rico, mas ele não pôde evitar uma preocupação sutil. No momento em que ele estava prestes a ficar desanimado por não poder ajudar, um fato inesperado surgiu em sua mente.

— Diretor.

— Sim, Heeyeon.

— Posso ajudá-lo?

Diante do assunto repentino, Yeon Woobeom inclinou a cabeça. Não havia nada em que ele pudesse ser ajudado por um namorado muito mais jovem.

— Lembrei-me agora, eu tenho muito dinheiro. Embora eu nunca tenha usado pessoalmente…

— Dinheiro?

Yeon Woobeom repetiu a palavra dinheiro dita por Jung Heeyeon. Não entendia por que ele estava trazendo esse assunto de repente. O corpo em seus braços se contorceu e ele se virou pela metade como se quisesse encará-lo.

— Sim. Tenho ações e imóveis… Como estão no meu nome, posso dar ao senhor se quiser. Como nunca usei, o senhor teria que me ajudar…

Diante da confissão repentina de bens de seu namorado, Yeon Woobeom franziu um olho. Ele nunca tinha pensado na lista de bens de Jung Heeyeon.

— Com razão, achei estranho ele se mover apenas com dinheiro vivo…

O velho, que partiu como se estivesse fugindo para o exterior, moveu-se apenas com dinheiro vivo. Como o objetivo não era a fortuna do Presidente Jung, ele não tinha pensado muito nessa parte, mas agora via que ele devia ter passado as ações e imóveis para o nome de Jung Heeyeon antes de ir.

Jung Heeyeon era menor de idade há 5 anos, e ações e imóveis são ativos impossíveis de serem liquidados sem um guardião, então foi uma escolha brilhante. Como a maioria das pessoas não sabia da existência de um parente de sangue do Presidente Jung, se ele passou por uma lavagem, deve ter sido fácil esconder a fortuna.

— O quê?

— Nada. Estava falando sozinho.

Yeon Woobeom deu uma ordem curta para Kim Chul-woo:

— Investigue.

— Sim. Vou investigar agora mesmo.

— E faça os procedimentos para que o pequeno possa movimentar.

— Sim.

Kim Chul-woo saiu imediatamente do escritório do Diretor.

— Heeyeon. Eu não sou tão pobre a ponto de precisar tirar dinheiro do meu namorado.

Jung Heeyeon, que agora estava sentado de frente para Yeon Woobeom , arregalou um pouco os olhos e moveu os lábios. Ficou evidente que ele levou a sério o tom brincalhão do homem.

— Ah… Não é que eu estivesse preocupado que o senhor não tivesse dinheiro, só lembrei de repente. Como não é dinheiro vivo, não sei como usar, então achei que seria bom dar ao senhor. E, de qualquer forma, eu uso o cartão do senhor. Acho que gastei mais do dinheiro do senhor até agora…

Jung Heeyeon sentiu-se envergonhado tardiamente. Como era adulto, deveria saber ser economicamente independente, mas percebeu que até agora tinha gastado o dinheiro de Yeon Woobeom de qualquer jeito. Como estava acostumado a ter alguém providenciando comida, roupas e abrigo desde que vivia dentro dos muros, ele não tinha pensado nisso.

Quando ele mexeu os dedos por constrangimento, Yeon Woobeom riu baixo e entrelaçou seus dedos nos dele.

— Heeyeon.

— Sim?

— O cartão do namorado é o seu cartão.

A cicatriz afilada formou uma curva suave seguindo o olho do homem.

— Namorados mais velhos e ricos servem para serem usados nessas horas, não é?

* * *

↫─☫ Continua….

⌀ ⌀ ⌀
✦ Tradução, revisão e Raws: Faby&Belladonna

Ler Cão Preso na Gaiola (Novel) Yaoi Mangá Online

Sinopse:
A sensação de flutuando na água. O cheiro de ferro enferrujado. Uma jaula cercada por todos os lados.
— O que é isso agora?
Um rosto tão frio quanto o ar do inverno.
— O que eu deveria receber era…
Uma cicatriz acima da pálpebra e,
— Não esse tipo de vira-lata.
Olhos ferozes, como se pudessem devorar alguém.
— …Ah.
E o cheiro salgado do mar.
Esse era um mundo que Jung Heeyeon nunca tinha visto antes.
Nem uma única vez.

Abrindo os olhos dentro de um contêiner vazio, Jung Heeyeon segue um homem que nunca conheceu antes sem resistência, simplesmente porque o homem é um alfa dominante.
Enquanto isso, o Diretor Yeon recebe uma ligação do Chefe Nam, que lhe enviou um “presente”, e descobre que o ômega no contêiner é parente do Presidente Jung, uma figura de um passado sombrio.
— Heeyeon.
— … Sim?
— Você tem dezenove anos?
— Sim.
— Então você é um bebê.
— Eu não sou um bebê.
— Bebês geralmente odeiam ser chamados de bebê.
— Não é assim… Quer dizer, eu tenho dezenove…?
Diante dessa resposta sincera, o Diretor Yeon solta uma risada suave.
— Você vai dar trabalho, não vai?
— Vou tentar… não ser um fardo.
— Não se preocupe, Heeyeon.
— ……
— Eu gosto de coisas que exigem muita atenção.
O homem, que trouxe Jung Heeyeon para dentro de sua casa, faz uma sugestão gentil.
— Que tal chamarmos isso de acordo?
— Acordo?
— Porque eu preciso de você.
Nome alternativo: Dog On The Hutch Co Preso Na Gaiola Cachorro Preso Na Gaiola

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