Ler Deflower Me If You Can (Novel) – Capítulo 131 Online


Modo Claro

Capítulo 131

 

Penelope petrificou-se onde estava, ostentando um sorriso descomunal na face, sem articular uma única palavra. Um segundo, dois segundos, três segundos. Em meio àquele silêncio sepulcral, apenas o compasso do tempo continuou a avançar. Após absorver o impacto da revelação até certo ponto, o primeiro pensamento que emergiu em sua mente foi uma constatação implacável.
Quem demandava uma avaliação psiquiátrica urgente não era Bliss, mas sim o Conde.
— Estou em pleno gozo das minhas faculdades mentais, Penelope.
Ao ler os pensamentos da velha governanta estampados com tanta nitidez em suas feições, Cassian manifestou uma expressão visivelmente desagradada.
— Por acaso já se esqueceu quem foi a criatura que se enfureceu comigo, exigindo que eu admitisse de uma vez por todas o que sentia pelo Bliss?
Diante daquela ironia cortante, Penelope terminou por esboçar um sorriso sem graça.
— Naturalmente fui eu, Conde. Eu me recordo perfeitamente, contudo…
Ainda aturdida, ela refez os cálculos mentalmente. Matrimônio? Seus planos não haviam avançado a um patamar tão extremo. A mente de Penelope converteu-se em um autêntico caos. Embora considerasse o matrimônio o desfecho natural e definitivo para ambos, ela presumia que o processo demandaria consideravelmente mais tempo. Mas aquela velocidade era assombrosa. De repente, as barreiras de comunicação haviam evaporado e, sem qualquer aviso prévio, que modalidade de reviravolta no enredo era aquela?
— O fato de o senhor finalmente ter tomado consciência de seus sentimentos é uma notícia que inunda meu coração de alegria, Conde. Todavia… não se apresenta como algo prematuro falar em casamento nesta altura? O senhor porventura consultou a opinião do Bliss a esse respeito?
Por mais que ela esquadrinhasse o cenário, não houvera intervalo de tempo cronologicamente viável para que Cassian tecesse uma declaração de amor a Bliss e este validasse seus sentimentos. Eles sequer haviam desfrutado de uma oportunidade para tal alinhamento.
Aquilo significava que, em última análise, tratava-se de uma deliberação puramente unilateral por parte do Conde…
Ato contínuo, Penelope experimentou um sentimento de sincera admiração. Arquitetar o matrimônio no milésimo de segundo em que despertara para o que sentia; que capacidade de execução genuinamente impressionante.
Contudo, o manto da preocupação não tardou a cobri-la novamente. Afinal de contas, aquela era estritamente a perspectiva do Conde. E quanto a Bliss? O que estaria orbitando na mente do garoto?
Ao rememorar a imagem de Bliss debulhado em lágrimas, sofrendo de forma tão lancinante, ela não conseguia pacificar seu íntimo. Unirem-se em matrimônio escassos dias após tamanho desgaste? Sob qual metodologia o Conde pretendia convencê-lo? Era algo totalmente incompreensível sob sua ótica.
Ao decodificar o ceticismo estampado na fisionomia de sua governanta, Cassian pronunciou-se:
— Ele tendo conhecimento ou não, vai aceitar. Aquele idiota é apaixonado por mim.
— Oh, Conde…
Que declaração soberbamente arrogante. Era uma verdade incontestável que Bliss havia se submetido a extremos justamente pelo afeto que nutria por Cassian, mas a existência desse sentimento e a preservação do orgulho próprio eram departamentos inteiramente distintos. Tratar-se-ia de uma autoconfiança desmedida ou de uma gritante falta de autorreflexão?
— Se você possui alguma ponderação a fazer, verbalize-a de uma vez.
Como se tivesse decifrado os pensamentos de Penelope mais uma vez, Cassian franziu o cenho. Diante daquela tonalidade seca, a governanta questionou com extrema cautela:
— O senhor não supõe estar agindo com demasiada precipitação? Porventura o Bliss já sepultou os ressentimentos que vinha alimentando? Ou o senhor talvez tenha formalizado uma retratação e uma confissão detalhada perante ele…?
Cassian preservou o silêncio por um breve hiato antes de formular a resposta.
— Não. Nenhuma das duas alternativas.
— O quê? Isso… isso é…
Ao escutar a confirmação do cenário que se empenhara em negar por julgar inverossímil, Penelope foi acometida por uma nítida confusão. Uma expressão bem específica aflorou em sua mente, mas não era algo passível de ser direcionado ao seu senhor. Como também não conseguia arquitetar nenhuma outra estrutura verbal apropriada para o momento, limitou-se a mover os lábios de forma hesitante. Cassian, então, assumiu a palavra em seu lugar:
— Não há motivo para alarme. Eu vou convencê-lo.
— Sob qual metodologia?
Penelope inquiriu de prontidão. Sua curiosidade havia atingido um patamar insustentável. O que diabos estaria se passando na mente do Conde?
Contudo, Cassian não deu margem para maiores explanações e alterou o foco do diálogo:
— Dirija-se aos novos aposentos para certificar-se de que o Bliss permanece descansando adequadamente. Transmita minhas diretrizes com exatidão matemática ao restante da criadagem e assegure-se de que ninguém volte a adotar uma conduta desrespeitosa para com ele. E a mesma severidade deve ser aplicada aos funcionários que venham a ser admitidos futuramente.
Aquilo representava uma ordem clara de dispensa. Penelope experimentou um impulso quase incontrolável de clamar para que ele abrisse o jogo, pois sentia-se morrer de curiosidade, mas o ambiente não se mostrava nem um pouco propício para insurgências.
“Com certeza o Conde capitaneia algum plano estratégico.”
Se ela exercesse a paciência, terminaria por desvendar o mistério. Reprimindo a duras penas a inquietação que a devorava por dentro, ela teceu um conselho impregnado de solicitude:
— Estou convicta de que o senhor arquitetou uma estratégia, contudo… não menospreze os sentimentos do Bliss.
Após aspirar o ar de forma breve, Penelope complementou com solenidade:
— As fraturas emocionais que nos são causadas pela criatura que amamos possuem uma durabilidade imensa.
Cassian permaneceu estático por um instante, fixando as pupilas nela. Penelope limitou-se a inclinar a linha de cintura em um gesto de despedida e retirou-se do recinto. Uma vez isolado, Cassian manteve o cenho franzido, monitorando a porta que acabara de se fechar.
— *Huaaah.*
Projetando os braços e as pernas em um bocejo prolongado, Bliss piscou as pálpebras repetidas vezes na tentativa de focalizar o ambiente, ainda sob o efeito dos resquícios do sono. Quando um teto inteiramente desconhecido ingressou em seu campo visual, ele experimentou uma sensação bizarra. Seria aquilo a continuidade de algum delírio?
Inclinou sutilmente a cabeça e direcionou o olhar para a lateral. Sem impulsionar o tronco para cima, ele esquadrinhou os arredores com os olhos de forma lenta antes de voltar a fitar o teto. Permaneceu naquela posição, piscando aturdido por alguns segundos.
— Aaah!
Bliss soltou um clamor sobressaltado e projetou o corpo para cima de solavanco no leito. Monitorou os quadrantes do quarto de forma frenética, mas o cenário não se alterou. Onde… onde eu estou? Que lugar é este? Embora fizesse checagens consecutivas em meio ao desconcerto, o veredito manteve-se inalterado. Bliss saltou da cama às pressas e correu na direção da imensa janela.
Ah.
A paisagem que se descortinava do outro lado do vidro era-lhe familiar. Tratava-se do jardim do Castelo Heringer. Sob essa ótica, ele de fato encontrava-se na propriedade correta, mas… onde ficava exatamente aquela ala?
Bem naquele milésimo de segundo, um toque sutil ecoou contra a madeira e, logo em seguida, a porta foi aberta. Ao identificar a figura que adentrava o recinto, Bliss expandiu as pupilas ao limite. Penelope também registrou a silhueta do garoto de pé junto à janela e aproximou-se exibindo uma fisionomia radiante.
— Bliss! Você finalmente despertou. Conseguiu descansar adequadamente?
— Ah, sim. Contudo, este aposento… por qual razão eu fui…?
Diante do questionamento formulado com nítida desorientação, Penelope respondeu desferindo um sorriso largo:
— O Conde emitiu uma ordem expressa para que transferissem os seus aposentos. A partir de agora, este será o seu quarto definitivo.
— Este aqui?
Bliss sobressaltou-se e tornou a esquadrinhar o perímetro. Por mais que tentasse analisar a dinâmica do espaço, aquilo não guardava a menor semelhança com acomodações destinadas ao corpo de funcionários. Constatar que o quarto ostentava dimensões monumentais e encontrava-se guarnecido de peças de mobiliário tão sofisticadas e de estética clássica quanto as do próprio Cassian deixou-o completamente desconcertado. Percebendo que o garoto permanecia alheio à realidade dos fatos, Penelope pronunciou-se com suavidade:
— É uma excelente coincidência que você tenha despertado justamente agora. O Conde determinou que vocês compartilhem o jantar desta noite. Se você abriga questionamentos, por que não se direciona ao encontro dele e formula as perguntas pessoalmente?
Bliss imergiu em uma breve ponderação interna. Deveria dar continuidade à sua performance de protesto ou ceder à situação, simulando que não possuía outra rota de fuga?
A resolução apresentou-se sem grandes entraves. O mero fato de terem remanejado suas acomodações para aquela ala já deixava evidente que alguma variável de grande magnitude havia sofrido alteração. Sob essa perspectiva, a melhor estratégia consistia em validar pessoalmente o atual status quo.
— Perfeitamente, eu irei.
— Você tomou uma excelente decisão!
Penelope exteriorizou um alívio manifesto e enlaçou as duas mãos de Bliss de imediato. Diante do sobressalto do garoto, ela deu sequência ao raciocínio, agindo como se estivesse aguardando aquela brecha há muito tempo:
— Você foi submetido a provações imensas durante todo este intervalo, não é verdade? Por mais que o seu coração esteja ressentido, você não deve negligenciar as suas refeições. Quão debilitado o seu organismo não devia estar para culminar em um desmaio daquela natureza? Nós já banimos todos aqueles miseráveis da propriedade, portanto, um episódio dessa magnitude jamais tornará a se repetir. Eu mesma conduzirei a seleção dos novos colaboradores adotando critérios de extrema severidade. Se for do seu agrado, você poderá inclusive tomar parte nas bancas de entrevista.
— Ah, não. A esse ponto não há necessidade…
Bliss moveu a cabeça negativamente às pressas.
— O fato de vocês terem adotado uma postura de consideração para comigo já é mais do que suficiente. Meus agradecimentos.
— Não há de quê. Caso altere a sua percepção, manifeste o seu desejo a qualquer momento.
Após enfatizar a oferta mais uma vez, Penelope desfez o aperto em suas mãos e recuou alguns passos. Em seguida, abriu a porta de um closet embutido em uma das paredes.
— Todos os seus pertences já foram devidamente alocados aqui. Como se tratará de um jantar formal, selecione trajes elegantes para a ocasião, Bliss.
Ato contínuo, ela hesitou por uma fração de segundo antes de complementar:
— É provável que se desenrole um acontecimento um tanto surpreendente, contudo, não se trata de nada nocivo, portanto, não cultive inquietações.
— Hein? O que a senhora quer dizer com isso?
Bliss inquiriu, mas Penelope limitou-se a recuar de forma sutil enquanto articulava a réplica:
— Bem, eu gerencio muitas demandas que requerem minha atenção imediata para os preparativos… Não é nada nocivo, de forma alguma.
— Penelope.
— Retornarei para escoltá-lo em um momento posterior. O intervalo será de aproximadamente duas horas, portanto, desfrute de um banho e providencie os seus preparativos.
— Penelope!
Bliss clamou pelo nome dela mais uma vez, mas a governanta retirou-se do quarto em passos acelerados, ostentando um ar atarefado. Ele permaneceu fitando de forma estática a madeira da porta fechada e, decorrido um instante, franziu os lábios e murmurou em tom confidente:
— Que tipo de bizarrice está se desenrolando aqui…?
O intervalo de duas horas fragmentou-se em um piscar de olhos. Cassian, que havia se direcionado ao salão de banquetes com considerável antecedência e permanecia à espera de Bliss, já havia esvaziado três taças de vinho e, mesmo assim, mostrava-se incapaz de libertar a estrutura de cristal que sustentava entre os dedos.
Ao monitorar o cenário, Penelope teceu uma advertência em tom cauteloso:
— Conde, module o consumo de álcool. Não há espetáculo mais deplorável do que uma confissão de sentimentos executada sob os efeitos da embriaguez.
Ao registrar o conselho, Cassian, que se encontrava na iminência de verter a quarta porção de vinho em sua taça, interrompeu o movimento. Após ponderar por um microssegundo, acomodou a garrafa sobre a mesa com um suspiro pesado.
— Providencie-me um café.
— Trata-se de uma excelente deliberação. Eu mesma prepararei uma infusão com uma intensidade tal que purificará a sua mente de imediato.
Ao sorver um gole do café que recebeu escoltado por aquele discreto elogio, ele experimentou a nítida sensação de que sua lucidez havia sido restaurada a níveis consideráveis. Penelope monitorou a cena com satisfação antes de dar continuidade:
— O horário estipulado foi atingido. Irei ao encontro de Bliss para escoltá-lo.
No exato milésimo de segundo em que aquela frase ecoou no ambiente, Cassian experimentou a nítida sensação de que seu coração havia despencado em seu estômago.

 

• Continua…

•Raws, Revisão & Tradução: Othello

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Sinopse:
Bliss Miller, o filho mais novo da família Miller e um ômega dominante, apaixona-se à primeira vista por Cassian Strickland quando ainda era criança. Chega até a pedi-lo em casamento com a inocência da sua idade.
Cassian, herdeiro da poderosa família Strickland, não leva a sério essa promessa e eles se separam após um ano. No entanto, Bliss nunca esquece o que aconteceu.
Anos depois, ao ver por acaso o rosto de Cassian no noticiário, lembra-se de tudo o que aconteceu entre eles. A promessa, a traição e a humilhação que sofreu. Decidido a se vingar, Bliss toma uma decisão extrema: infiltrar-se na casa de Cassian como empregado para fazer com que aquele homem arrogante acabe de joelhos pedindo perdão.
Mas o reencontro entre ambos não será tão simples como ele imaginava.

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