Ler Deflower Me If You Can (Novel) – Capítulo 130 Online


Modo Claro

Capítulo 130

— Eles já vêm vindo, já chegaram.
Ao avistar o familiar sedã aproximando-se na distância, Penelope ajeitou as vestes às pressas e empertigou o corpo. Já fazia um bom tempo que Cassian havia partido em direção ao hospital levando Bliss, que finalmente recobrara os sentidos. Embora já tivesse sido informada sobre os resultados por via telefônica, ela ainda ansiava confirmar com os próprios olhos que o garoto estava bem, razão pela qual permanecera inquieta durante todo aquele intervalo.
— Blair, Blair.
Enquanto repetia o nome mentalmente como um mantra, determinada a não cometer nenhum deslize desta vez, o automóvel reduziu a velocidade e estancou bem diante dela. Penelope apressou-se em abrir a porta do assento traseiro e, inclinando a linha de cintura com uma postura impecável, manifestou suas boas-vindas:
— Sejam bem-vindos, Conde. Blair.
Desta vez ela havia pronunciado perfeitamente, sem o menor vestígio de erro. Penelope exibiu um sorriso radiante de forma automática, genuinamente satisfeita por ter acertado logo de primeira, mas Cassian limitou-se a encará-la com o cenho franzido.
— Bliss.
— Perdão?
Quando ela questionou de volta, sustentando o sorriso na face, Cassian reiterou a informação, acentuando ainda mais o vinco entre as sobrancelhas:
— Eu disse Bliss, Penelope. Não Blair.
Somente diante daquela correção direta foi que a governanta desfez o semblante alegre, sendo tomada por uma expressão de completo desconcerto.
“O que o Conde está querendo dizer com isso agora?”
Ela foi totalmente incapaz de processar a dinâmica da situação no momento em que Cassian inclinou o tronco e ergueu Bliss em seus braços.
— *Grrr… ronc…*
Ao testemunhar Bliss entregue a um sono tão profundo a ponto de roncar baixinho, Penelope sobressaltou-se em silêncio, mas existia um fator ainda mais impactante naquela cena. Nos cantos dos lábios de Cassian, desenhava-se um sorriso sutil e terno enquanto ele contemplava a figura adormecida.
Que tipo de milagre havia operado naquela transição?
— Penelope.
— Ah, sim.
Cassian deu sequência às coordenadas, direcionando-se à governanta que permanecia estática, sem compreender absolutamente nada do que se passava.
— Providencie a mudança de aposentos do Bliss. Sim, o quarto adjacente ao meu será a escolha perfeita.
— O quê?
Mais uma vez, Penelope manifestou seu espanto em voz alta. No entanto, Cassian continuou a ditar as ordens ao seu próprio bel-prazer, agindo como se sequer tivesse notado o assombro de sua subordinada.
— O aposento encontra-se devidamente higienizado e organizado, correto? Eu mesmo me encarregarei de transportar o Bliss, portanto, trate de trazer as bagagens dele. E certifique-se de preparar algumas bebidas e petiscos para quando ele despertar.
— Ah, sim. Per… perfeitamente.
Embora não fizesse a menor ideia do teor dos acontecimentos, Penelope retirou-se do local às pressas para dar cumprimento às exigências de seu senhor. Deixando-a para trás, Cassian avançou com passos largos e firmes, cruzando o imponente vestíbulo em questão de segundos.
— *Grrr… grrr…*
Bliss continuava totalmente alheio ao mundo, submerso em um descanso pesado. Cassian modulava o impacto de seus passos com cautela para não fragmentar o sono do garoto, mas não reduzia a velocidade. Muito pelo contrário; antes que desse conta, ele já havia acelerado o ritmo a ponto de quase correr, chegando a vencer os degraus da escadaria de três em três.
Contudo, ao finalmente alcançar o portal do aposento que se conectava diretamente ao seu próprio dormitório, Cassian estancou o movimento e hesitou.
Os aposentos da Condessa; uma das suítes master que, durante séculos e gerações, haviam sido destinadas ao usufruto dos Condes de Heringer e suas respectivas consortes.
Os dormitórios do Conde e da Condessa eram interligados tendo como eixo de referência o salão central. Em outras palavras, bastava cruzar o perímetro daquele salão privativo para ter acesso direto aos aposentos da esposa.
Era de praxe que o Conde enviasse uma notificação prévia informando que visitaria o quarto de sua consorte. Então, sob o manto daquela noite e sem despertar os olhares da criadagem, ele cruzaria o salão através da porta conectada e se direcionaria ao leito onde sua parceira o aguardava…
— Cassian.
Em um milésimo de segundo, a face de Cassian tingiu-se de um vermelho escarlate. Ele havia terminado por projetar uma fantasia de cunho absurdamente erótico em sua mente, o que o fez abaixar o olhar imediatamente para o jovem que carregava nos braços. Bliss continuava a dormir a passos largos, roncando com entusiasmo e estalando os lábios de tempos em tempos. Alimentar aquele tipo de devaneio tendo diante de si um garoto tão nitidamente imaturo… Se estivesse com as duas mãos desimpedidas, ele teria desferido uma bofetada violenta contra a própria face sem qualquer hesitação.
— *Cof, cof.*
Ele forçou duas tosses secas para dissipar o constrangimento e inclinou o tronco para acionar a maçaneta. O aposento que Cassian ocupava atualmente era o mesmo quarto utilizado pelos Condes predecessores. E aquele ali era, por direito histórico, o quarto da Condessa.
O quarto da Condessa, que a partir daquele instante seria ocupado por Bliss.
À medida que ele empurrava a porta de madeira de forma lenta, descortinava-se diante de seus olhos um dormitório ornamentado com uma estética acolhedora e aconchegante, divergindo drasticamente da sobriedade austera de suas próprias acomodações. A cama de design vitoriano que se vislumbrava além das longas camadas do dossel e a manta de tons quentes que recobria o colchão eram elementos mais do que suficientes para transmitir uma sensação de paz instantânea. As telas que decoravam as paredes e o mobiliário também preservavam uma atmosfera clássica, mas suas paletas suaves e linhas curvilíneas possuíam a propriedade de tranquilizar até a mente mais atribulada. Quando a aurora despontasse, a luminosidade do sol invadiria o recinto através daquela imensa janela, preenchendo cada vértice do quarto. Ao mentalizar a cena de Bliss abrindo os olhos naquele leito e espreguiçando-se com preguiça, um sorriso de genuína satisfação desenhou-se nos lábios do Conde.
Ele aproximou-se do leito e, sustentando o corpo de Bliss com o auxílio de apenas um dos braços, utilizou a mão livre para afastar a coberta que protegia a cama. Após acomodar o garoto naquele espaço macio e aconchegá-lo com o lençol até a altura do queixo, Cassian permaneceu ali, vigiando-o em silêncio. Bliss mantinha-se irredutível em seu sono profundo, evidenciando o quanto aquela jornada havia sido exaustiva para ele.
E com toda razão.
Rememorando a maratona de exames clínicos à qual Bliss havia sido submetido por sua causa, ele esboçou um sorriso amargo e ergueu a mão de forma lenta para acariciar a bochecha alheia. De repente, as declarações disparatadas que o garoto fizera no hospital ecoaram em sua mente.
— *Eu sou o Bliblair.*
Mesmo recapitulando o cenário agora, a atitude continuava sendo de um absurdo sem tamanho. Com certeza ele apenas havia se sentido profundamente ofendido com a situação. Sendo arrastado de um lado para o outro para a realização de exames neurológicos sem qualquer explicação compreensível, era mais do que natural que ele tivesse ficado furioso. Após um período de descanso reparador, aquela birra certamente evaporaria. Afinal de contas, Bliss era uma criatura dotada de uma simplicidade cativante.
— Hum…
Bliss murmurou algo incompreensível enquanto estalava os lábios sutilmente. Será que estaria banqueteando-se com alguma iguaria em seus sonhos? Soltando uma risada abafada e de tom baixo, Cassian contemplou aquela fisionomia em absoluto silêncio. Bliss Miller, repousando justamente na cama que, por direito de linhagem, pertencera às antigas Condessas da família.
Lentamente, ele afastou as mechas de cabelo que haviam desalinhado sobre a testa do garoto.
Deslizou as pontas dos dedos com extrema delicadeza por aquela fronte fresca de contornos suaves e interrompeu o movimento. Após limitar-se a admirá-lo por um longo e estático intervalo, ele foi inclinando a parte superior de seu tronco de forma milimétrica. No instante em que pousou os lábios com suavidade sobre aquela testa bonita, a textura revelou-se consideravelmente mais macia do que ele ousara mensurar em seus pensamentos, fazendo com que seus olhos se fechassem por puro reflexo.
Após prolongar aquele contato sutil por alguns segundos, Cassian não teve outra alternativa senão endireitar a postura. Bliss permanecia alheio a tudo, entregue ao seu descanso. Enquanto acariciava a bochecha adorável e o fitava com um olhar transbordando afeto, ele sussurrou em tom confidente:
— Durma bem, Bliss.
Após vocalizar o desejo com extrema ternura, ele contemplou o garoto com mais um sorriso antes de finalmente se afastar. Ele experimentava a nítida sensação de que, se continuasse a adiar sua saída por mais um minuto sequer, jamais seria capaz de abandonar aquele recinto. Forçando-se a desviar a atenção, ele fixou o olhar no horizonte e distanciou-se adotando passos deliberadamente largos. Ele vislumbrou a porta de conexão direta entre os quartos, mas optou por ignorá-la. Se decidisse retornar para seus aposentos utilizando aquela passagem privativa, muito provavelmente fracassaria na tentativa de se desvencilhar de seus próprios devaneios.
Assim que ganhou o corredor principal, ele finalmente liberou o oxigênio que vinha retendo em seus pulmões em um longo suspiro.
Muito bem, agora restava dar andamento às pendências que exigiam sua atenção…
— Conde, finalizei todas as determinações que o senhor me confiou. Demanda mais alguma providência?
Decorrido algum tempo, Penelope adentrou o escritório principal e reportou a situação com sobriedade a Cassian, que se encontrava isolado, sorvendo o chá que lhe haviam servido enquanto permanecia imerso em suas próprias reflexões. Cassian acomodou a xícara sobre a mesa de centro e respondeu:
— É o suficiente. Excelente trabalho, Penelope.
— Obrigada.
Após inclinar a cabeça em um gesto protocolar de cortesia, ela ergueu o olhar imediatamente para encará-lo. Agora era o momento de sanar suas próprias inquietações.
— Conde, peço antecipadamente escusas pelo meu atrevimento, mas… o senhor poderia me esclarecer o teor dos acontecimentos? Fui informada de que os relatórios médicos do Bliss não apontaram nenhuma espécie de disfunção ou anomalia…
Ela externalizou suas dúvidas diante daquela postura do Conde, que divergia drasticamente de sua conduta habitual.
Como experimentava um profundo senso de responsabilidade institucional pelo transtorno provocado pelo corpo de funcionários, Penelope vinha empenhando-se ao máximo para sustentar uma fisionomia o mais controlada e profissional possível. Por essa razão, em vez de tecer admoestações ao Conde ou bombardeá-lo com questionamentos movidos por mera curiosidade — como certamente faria em outras circunstâncias —, ela estava formulando a pergunta sob os parâmetros do mais estrito respeito.
Sem deixar transparecer se tinha ou não consciência da impaciência que consumia o íntimo de sua governanta, Cassian preservou o silêncio enquanto vertia mais uma porção de chá na xícara vazia. Penelope monitorou pacientemente cada movimento de seu senhor.
Finalmente, como se estivesse concedendo uma recompensa pela lealdade demonstrada, Cassian abriu os lábios.
— Já chega dessa performance sem sentido, Penelope.
— Perdão?
Penelope questionou, sobressaltada. Cassian girou o rosto na direção dela e determinou:
— Cesse imediatamente essa mania de chamá-lo de Blair ou qualquer outro codinome correlato. Refira-se a ele como Bliss. Bliss Miller.
Ao registrar aquela diretriz, as feições de Penelope iluminaram-se instantaneamente, e ela elevou o tom de voz em pura empolgação:
— Conde, isso significa que…!
— Sim.
Cassian assentiu com a cabeça, confirmando a dedução.
— Eu vou pedir o Bliss em casamento.

•Continua…

•Raws, Revisão & Tradução: Othello

Ler Deflower Me If You Can (Novel) Yaoi Mangá Online

Sinopse:
Bliss Miller, o filho mais novo da família Miller e um ômega dominante, apaixona-se à primeira vista por Cassian Strickland quando ainda era criança. Chega até a pedi-lo em casamento com a inocência da sua idade.
Cassian, herdeiro da poderosa família Strickland, não leva a sério essa promessa e eles se separam após um ano. No entanto, Bliss nunca esquece o que aconteceu.
Anos depois, ao ver por acaso o rosto de Cassian no noticiário, lembra-se de tudo o que aconteceu entre eles. A promessa, a traição e a humilhação que sofreu. Decidido a se vingar, Bliss toma uma decisão extrema: infiltrar-se na casa de Cassian como empregado para fazer com que aquele homem arrogante acabe de joelhos pedindo perdão.
Mas o reencontro entre ambos não será tão simples como ele imaginava.

Gostou de ler Deflower Me If You Can (Novel) – Capítulo 130?
Então compartilhe o anime hentai com seus amigos para que todos conheçam o nosso trabalho!