Ler Sweet Sugar Candyman (Novel) – Capítulo 16 Online


Modo Claro

↫─Capítulo 16

Não, será que é um hotel? ​Pela primeira vez desde que aprendi inglês, fiquei confuso com o alfabeto. Por que as letras M e H pareciam tão parecidas? Cerrando os olhos, vi um letreiro de neon em Hangul que parecia confirmar: era mesmo um motel.
Do alto-falante, que de repente silenciou, saiu um aviso sonoro abafado, muito parecido com uma chamada de embarque. As palavras, que eram uma mistura de inglês e coreano, pareciam ter sido faladas por uma ou mais pessoas.
​— …aqui é… senhor! Em solo… em… pedido… pronto, refeição a bordo… Pronto para… decolar…
—Cheongmyeong. Esperou muito?
Uma voz familiar veio de trás. Quem era mesmo? Quando virei a cabeça para olhar o rosto dele, reconheci o amigo que conheci hoje. Respondi, tirando o celular quente do meu ouvido:
​— Não. Tudo bem. Você… comprou?
Parece que o alfabeto não era a única coisa que eu não lembrava. No entanto, Choi Hyeon-oh pareceu entender o que eu dizia e levantou o saco plástico branco até a altura do peito.
​— Sim. Peguei da grande.
Através do plástico branco da sacola, dava para ver uma garrafa marrom de cerveja. Era a melhor escolha para alguém que amava cerveja como eu. Sem que eu precisasse dizer nada, Choi Hyun-oh tinha trazido exatamente o que eu queria, e de repente senti um orgulho bobo dele. Enquanto eu soltava uma risada baixa, a voz de Saheon alcançou meu ouvido:
​— …Lee Cheong-myeong.
Levantei com esforço as pálpebras sonolentas. Fiquei surpreso ao ouvir a voz do meu hyung de repente, mas então lembrei que a ligação ainda estava rolando.
—Sim.
Como eu estava segurando o celular do lado oposto, Choi Hyun-oh não tinha percebido que eu estava em uma chamada. Ele fez o sinal de um telefone com a mão e gesticulou em silêncio com a boca: “Está no telefone?”. Balancei a cabeça de leve, confirmando.
Pelo fone, onde as palavras haviam desaparecido, eu podia ouvir Saheon respirando irregularmente e de forma grosseira. O ruído de fundo misturando inglês e coreano, que parecia um anúncio sonoro, continuava lá.
Choi Hyun-oh, que segurava a alça da sacola de plástico no pulso, puxou algo dela. Graças ao silêncio de Saheon, não tive escolha a não ser observar as ações de Choi Hyun-oh. Choi Hyun-oh mostrou orgulhoso um sorvete.
Choi Hyeon-oh gentilmente abriu o pacote do sorvete vermelho vibrante e me entregou, gesticulando com o queixo como se quisesse dizer para nos mexermos. O vento frio bateu na minha bochecha, mas, por alguma razão, senti que tomar um sorvete resolveria tudo.
Depois de receber o sorvete com a mão que não estava no telefone, segui ao lado de Choi Hyeon-oh. O destino estava próximo. Ao entrar no prédio de estúdios bem ao lado da loja de conveniência, nenhum som podia ser ouvido pelo alto-falante do telefone. Falei com cautela:
​— Hyung…? Por que você não está falando… Ah!
Eu estava andando normalmente quando, de repente, virei o tornozelo. Olhando para baixo para ver se havia algo no chão, mas tudo o que vi foram azulejos planos. Piscando confuso com aquela textura nitidamente diferente da rua, dei de cara com o elevador na minha frente.
Onde estou? Ah, vim visitar a casa do Choi Hyeon-oh. Pelo visto, eu tinha entrado no prédio onde ele morava. Uma fisgada aguda subiu pelo meu tornozelo, me fazendo franzir o cenho involuntariamente. Choi Hyeon-oh rapidamente agarrou meu braço e sussurrou em voz baixa:
​— Você está bem? Está doendo muito?
​— Ah, estou bem… Hyung. Estou bem na frente do ele… eleva… enfim, preciso desligar…
​— …Onde você está, Cheong-myeong?
De repente, algo molhado caiu nas costas da minha mão e, quando olhei para baixo, vi que havia sorvete na minha mão. Quando isso aconteceu? Naquele momento, o elevador chegou ao primeiro andar. Enfiei o sorvete derretido na boca.
O sorvete derreteu enquanto eu chupava fazendo um barulho de estalo. Choi Hyun-oh deu uma risada abafada e apertou o botão para fechar a porta do elevador. Minha boca ficou dormente por causa da temperatura gelada. Depois de comer a parte que tinha derretido um pouco, tirei o sorvete da boca.
​— Como está?
​— …Está doce.
​— Fofo. Então você gostou?
​— Sim, gostei…
​A sensação de formigamento na minha boca parecia se espalhar lentamente para fora. Minha mente ficou menos enevoada do que antes, então comecei a chupar o sorvete com mais vontade, maravilhado com o efeito dele. O elevador chegou rápido ao quinto andar.
​— …Terminou a ligação? Já podemos entrar?
​O sussurro de Choi Hyun-oh me lembrou de que eu estava no telefone com o meu hyung agora mesmo. Tirei o sorvete da boca com um estalo e olhei para a tela.
Ao contrário da tela preta de sempre, uma interface branca e brilhante estava exibida. Só então percebi que aquela era uma chamada por aplicativo de mensagem. Mexi o polegar e apertei o botão vermelho brilhante para encerrar a ligação.
​— Sim. Qual é o número?
​— Apartamento 502.
Graças ao sorvete pela metade, minha mente ficou mais clara do que quando eu estava sentado no banco. Coloquei meu celular no bolso e segui Choi Hyeon-oh.
O lugar onde Choi Hyeon-oh morava era um estúdio recém-construído de um cômodo. Embora eu tenha chegado inesperadamente, fiquei naturalmente impressionado com o quarto perfeitamente organizado.
Choi Hyeon-oh entrou primeiro, tirou os sapatos e colocou a cerveja na mesa. De dentro da sacola plástica saíram bebidas, salgadinhos e petiscos de loja de conveniência. Tirei meu casaco acolchoado, joguei-o de lado e me sentei na frente de Choi Hyun-oh.
—Também trouxe os copos de papel. Toma, bebe um gole, Cheongmyeong Lee.
Com um sorriso travesso, Choi Hyun-oh me estendeu um copo cheio de cerveja. Conforme engoli o líquido de cor dourada, minha mente voltou a ficar enevoada.
Choi Hyun-oh, que me deixou sentado no chão, esquentou no micro-ondas a comida que havia comprado. Enquanto a comida esquentava, ele voltou com água e me entregou um par de hashis.
Choi Hyeon-oh encheu meu copo meio vazio com cerveja. Meu senso de humor apareceu e uma risada escapou. deu uma risada abafada:
​— Gostou tanto assim?
​Balancei a cabeça e ri. Fiquei feliz por ser forte para o álcool. Para se aproximar de um colega que eu tinha acabado de conhecer, ser bom de copo era mesmo a coisa mais importante.
Choi Hyeon-oh me entregou um copo de papel como se fosse fazer um brinde. Parecia uma sensação surda quando os copos de papel batiam uns nos outros.
Sentar no chão de uma casa era bem mais confortável do que ficar na cadeira de uma churrascaria. Minha postura relaxou naturalmente. Parecia que o mesmo valia para o Choi Hyun-oh, já que ele estava virando a cerveja bem mais rápido do que antes.
O calor da embriaguez começou a subir. Minha mão, que normalmente pressionava os cantos dos meus olhos inchados, desceu até minhas bochechas quentes. Enquanto eu continuava ali, pressionando minhas bochechas macias, recuperei o juízo ao ouvir as palavras de Choi Hyun-oh.
​— Sobre a Min…
Levantei as sobrancelhas como se estivesse ouvindo, mas consegui associar o nome de imediato. No entanto, a resposta logo me veio à mente. A colega gente boa que tinha me convidado para a casa dela. Balancei a cabeça devagar.
​— …Não é nada. Mas aí, por que você fica tão bonito mesmo quando está bêbado?
Choi Hyun-oh fez um gesto exagerado e brincalhão. Abri bem os olhos. Ele criou dissonância cognitiva no meu cérebro ao contrastar frases sobre embriaguez com frases sobre ser eu bonito. Mesmo assim, minhas pálpebras estavam tão pesadas que pareciam coladas.
​— Eu?
​— Para de fingir que não sabe. Eu nunca recebi tanta atenção na faculdade antes. Nossa, todos aqueles olhares.
Não conseguia pensar direito com minha cabeça atordoada, era como se tivesse ouvido um cachorro miar. Enquanto eu encarava Choi Hyun-oh sem dizer nada, ele resmungou, meio sem jeito:
​— O que foi? Por que está reagindo assim?
Quanto mais eu ouvia, menos eu conseguia entender as palavras de Choi Hyeon-oh. Tombei a cabeça para o lado e franzi a testa como se me perguntasse do que diabos ele estava falando. Choi Hyeon-oh sorriu e encheu seu copo vazio com cerveja.
​— Será que eu vou ter que explicar algo tão óbvio que nem precisava ser dito?
​— Como assim?
​— Exatamente o que eu disse.
​Eu não conseguia desmanchar minha expressão de confusão. Como continuei reagindo da mesma forma, Choi Hyun-oh acenou com a mão, como se dissesse para deixarmos isso de lado.
— Ouvi dizer que os veteranos vão ir na reunião geral e que, como o horário da reserva vai coincidir com o de outros departamentos, você com certeza vai conseguir o número de mais de cinco pessoas.
—Eu…?
Meu cérebro enevoado se recusava a processar qualquer outra coisa além daquilo. Choi Hyun-oh, que me olhava com os lábios entreabertos, pareceu perder as palavras e virou a cerveja de seu copo de uma vez só.
​Percebendo o clima, tratei de encher o copo dele. Após confirmar que ainda restava um pouco de líquido no meu, Choi Hyun-oh brindou com o meu copo. Ele engoliu tudo sem o menor desconforto e começou a mastigar alguns petiscos.
​— Por que você está agindo como se isso fosse novidade? Nunca te pediram o número?
​— Nunca…
Desta vez, foi Choi Hyeon-oh que pareceu realmente surpreso. O jeito que os olhos dele saltavam me lembrava um baiacu. Ele perguntou em um tom um pouco mais rápido:
​— Sério? Nunca teve ninguém que gostasse de você até hoje? Ou você que rejeitou todos porque tem alguém de quem gostava…? Ei, mas não parece que tem um som de vibração vindo de algum lugar?
​— Um som de vibração?
Fechei a boca e ouvi. Bem como Choi Hyun-oh tinha dito, havia um som abafado de vibração vindo de algum canto. Era um barulho difícil de detectar a menos que você se concentrasse muito, como se o aparelho estivesse envolto em algo macio.
— Não é o seu celular tocando? O meu está bem aqui.
​Choi Hyun-oh balançou levemente o aparelho dele. Vasculhei meus bolsos e percebi que tinha deixado o meu no bolso do casaco acolchoado.
O som da vibração tinha parado no meio do caminho, mas mesmo assim me levantei. O mundo girou enquanto eu me apoiava na mesa e, como minha visão turva não clareava, achei melhor me agachar e me mover devagar.
​Levei várias tentativas para conseguir puxar o celular de dentro do bolso do casaco, que eu tinha largado amassado num canto do quarto. Meus dedos, que não me obedeciam direito, me fizeram soltar uma exclamação frustrada.
​Quando finalmente encontrei o aparelho, a tela já tinha apagado. Liguei a tela de bloqueio para verificar se havia alguma notificação.
​— …Ah.
A tela de bloqueio estava cheia de notificações. Foi difícil ler a mensagem por causa da minha visão embaçada, mas percebi que quem estava ligando era Saheon. Meu hyung, que tinha ligado repetidamente umas dez vezes, encerrou as tentativas com uma mensagem: “Me manda o endereço”.
​— O que foi? Era uma ligação?
​— Sim… do meu hyung…
Voltei para meu assento com o celular na mão. Quando me sentei, minha visão girando pareceu se acalmar um pouco. Choi Hyeon-oh tinha uma expressão de pena no rosto.
​— Hyung? Seu irmão mais velho?
​— Não, o hyung que morava na porta ao lado…
De repente, senti uma sede enorme e virei a cerveja que estava na minha frente. O gás pinicou a minha garganta. Um gemido baixo me escapou. Limpei a boca e pousei o celular no chão.
​— Ah, você disse que mora com um hyung, né? Aquele hyung era o seu vizinho de porta? O que ele disse? Mandou você ir correndo para casa?
​— Não exatamente…
Sentindo minhas bochechas queimarem, passei a palma da mão nelas de leve. Choi Hyun-oh estalou a língua.
​— Então está de boa, não? Cara, mesmo que ele reclame, seu hyung vai entender. O que mais um jovem de vinte anos que não está namorando faria além de beber com os colegas? Hein?
Em vez de responder, tomei um gole de cerveja. Agora eu nem conseguia sentir o gosto amargo da cerveja. Choi Hyun-oh continuou gentilmente oferecendo palavras tranquilizadoras.
​— Vamos beber mais. Mas parece que você é bem próximo desse seu vizinho de porta. Eu mal consigo falar com o meu irmão de sangue. Aquele desgraçado do Hyuntae Choi, parece que falamos em idiomas diferentes.
Resmungando xingamentos baixinhos, Choi Hyun-oh olhou para a tela do próprio celular e bateu as mãos, como quem tenta mudar de assunto.
​— Enfim, vamos terminar a conversa de antes. Você realmente nunca recebeu uma confissão até agora?
Corri os olhos pelo espaço tentando lembrar de algo, e balancei a cabeça em negação. Mesmo com o raciocínio lento, não conseguia me lembrar de nada parecido. Sob as luzes fortes do quarto, dava para ver claramente as bochechas de Choi Hyun-oh ficando vermelhas. Uma voz conspiratória continuou, arrastada:
​— Então você não está namorando ninguém agora?
​— Eu… Claro que não…
Saheon continuava vindo à minha mente bagunçada. Choi Hyeon-oh se aproximou de mim e perguntou discretamente.
​— Então… tem alguém de quem você gosta?
​Fiquei tão rígido que ficou óbvio até para mim. Eu conseguia sentir que a minha expressão estava artificial, mesmo com os músculos do rosto dormentes. O rosto de Choi Hyun-oh se aproximou ainda mais do meu.
​— Tem, não tem?
Uma risadinha abafada acompanhou suas palavras. Enquanto eu desviava os olhos sem jeito, Choi Hyun-oh voltou à posição original. Sem saber o que dizer, tomei um gole do resto de cerveja em silêncio.
​— Há quanto tempo você gosta dessa pessoa?
​Aquela voz sutil continuava a vasculhar meus pensamentos mais íntimos. Sem que eu percebesse, minha boca já estava entregando a resposta:
​— …Há muito, muito tempo.
​— Ah!
Choi Hyun-oh soltou uma breve exclamação e virou o resto de cerveja que estava em seu copo. Encheu-o novamente, bebeu tudo de uma vez e o bateu na mesa com um gemido abafado.
​— …Lee Cheong-myeong. Eu vou te ajudar. Escuta só.
A voz de Choi Hyun-oh, quando ele voltou a falar, recuperou aquele tom animado que ele usava na faculdade. Sua mão deslizou lentamente em minha direção.
​— Sabe essa pessoa de quem você gosta? Arme uma noite para vocês beberem juntos.
​— Beber…?
​— É. Só vocês dois.
A mão dele, aproximando-se de mansinho como uma aranha, tocou meu pulso. Como Choi Hyun-oh abaixou os olhos, seus cílios longos projetaram uma sombra sob a luz forte.
​—Conversem e bebam juntos… e quando a bebida começar a bater… dê um toque de leve assim.
Senti um calor na pele fina do interior do meu pulso. Choi Hyun-oh, ainda olhando para baixo, deu um sorriso malicioso.
​— Deixe rolar um clima… e veja se ele reage ou não. Não é o que você quer?
​Fiquei encarando Choi Hyun-oh com uma expressão confusa diante daquelas palavras sem nexo. O toque conspiratório se afastou sem hesitação.
​— …O que eu quero?
​Diante da minha pergunta lenta, os olhos de Choi Hyun-oh se encheram de dúvida. De repente, o piercing que dava a ele aquele ar de bad boy me chamou a atenção. Para sanar minha curiosidade, ele usou uma palavra bem mais direta:
​— Transar.
​Minha respiração travou na garganta com um sobressalto. Um choque forte me atingiu como um soco na nuca. Antes que eu percebesse, minha mão já estava cobrindo minha boca, que tinha ficado escancarada.

↫─☫ Continua….

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✦ Tradução, revisão e Raws: Natali Ferraz

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Sinopse:
Desde a infância, Cheongmyeong, que tem um histórico de ser rejeitado após se confessar para o vizinho mais velho que mora ao lado, acaba indo morar com ele por causa da faculdade. Porém, desta vez, a atmosfera parece um pouco diferente…
— Bom trabalho. Agora abra as pernas.
Nome alternativo: Sweet Sugar Candyman El Dulce Hombre De Azcar

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