Ler Sweet Sugar Candyman (Novel) – Capítulo 07 Online


Modo Claro

↫─Capítulo 07

Senti um olhar pesado, misturado com riso, repousar na minha nuca. Saheon estava fingindo que estava tudo bem, mas será que era realmente estranho para ele estar comigo? Mesmo que fizesse tempo, eu ainda era o cara que tinha se confessado e levado um fora, então um clima estranho era inevitável. Eu me afundava nesses pensamentos negativos, cogitando se ele só tinha aceitado morar comigo por pura insistência da minha tia, quando de repente notei uma contradição no que ele tinha acabado de falar.
“​Ele disse que não tinha me reconhecido de início porque eu cresci demais… mas, no segundo em que me viu, ele sorriu e olhou direto para mim.”
​Só que, antes mesmo que eu pudesse investigar esse ponto estranho resgatando a cena do nosso reencontro na mente, o assunto no carro mudou. Percebi que estava apertando o cinto de segurança com tanta força que minha mão começou a doer, e finalmente relaxei os dedos. Olhando para a palma da mão, vi uma marca vermelha cravada na pele.
***
Levou cerca de uma hora do aeroporto até a casa do Hyung. Enquanto percorremos a rodovia expressa tranquila, consegui ver o Rio Han. Quando mudamos de direção seguindo as instruções do GPS, complexos de apartamentos recém-construídos surgiram à vista.
​ Os prédios perfeitamente alinhados como blocos de Lego, as ruas bem organizadas, alguns terrenos que pareciam meio vazios e uma escavadeira ao longe… era o visual típico de um bairro planejado em construção.
Assim que entramos em uma área que ele conhecia, Saheon assumiu a rota, ditando o caminho a percorrer. Seguindo as instruções dele em vez do GPS — que insistia em nos mandar dar voltas —, logo chegamos a um grande condomínio de prédios.
Enquanto meu pai falava pelo interfone com a portaria para se identificar, abri um pouco a boca, impressionado, olhando pela janela. Assim que o segurança confirmou nossa entrada e levantou a cancela do estacionamento, meu pai verbalizou exatamente o que eu estava pensando:
​— Caramba, que lugar bonito.
Saheon, meio sem jeito, apenas deu aquele seu sorriso perfeito de modelo. As vagas de estacionamento eram bem amplas. Meu pai parou o carro perto do bloco onde o Hyung morava e desceu primeiro para abrir o porta-malas.
Ao sair do carro, que ainda estava impregnado com o perfume dele, senti um leve alívio, finalmente pude respirar um pouco. Meu coração batia tão forte que minha cabeça chegava a rodar. Ajudei meu pai a descarregar as malas, enchendo meus pulmões com o ar fresco do inverno.
Coloquei a caixa térmica cheia de comida em cima de uma mala de rodinhas, enquanto meu pai pegou a caixa com as roupas e Saheon segurou a própria mala, dividindo bem as tarefas entre nós. Com o quepe preso debaixo do braço, Saheon começou a caminhar na frente.
Diferente do apartamento onde morei por 20 anos, onde Saheon morava ao lado, tudo era moderno e novo. Passando pela portaria eletrônica imponente, entramos no prédio, e o cheiro de construção nova exalava de dentro do elevador. Saheon segurou a porta do elevador que já estava parado no subsolo, entrou primeiro e manteve o botão de abrir pressionado nos esperando entrar.
Entrei no elevador arrastando minha bagagem pesada. Meu pai, que tinha acabado de trancar o carro, foi o último a entrar. O Hyung apertou o botão do oitavo andar.
O elevador amplo subiu em completo silêncio. Sem saber direito para onde olhar, encarei os números mudando no visor eletrônico e, assim que alcançamos o oitavo andar, saí daquele espaço o mais rápido que pude.
O apartamento de Saheon era o 801. Ele passou à minha frente e tocou no painel digital da fechadura, pressionando os números com firmeza. O Hyung explicou com uma voz suave, como se estivesse me ensinando.
— Se você tocar na tela assim, primeiro vão aparecer dois números aleatórios. É só apertar eles e depois digitar a senha.
Os dedos de Saheon digitaram o código de quatro dígitos. Enquanto eu observava distraidamente o movimento dos seus dedos, percebi que aqueles números eram a data do aniversário do hyung. Quando ele virou a cabeça de repente e nossos olhos se encontraram, meu corpo travou, como sempre acontecia quando nossos olhares se encontravam,eu estremecia e congelava.
— Conseguiu ver o número?
— Sim. É o seu aniversário, Hyung.
Eu queria voltar alguns segundos no tempo e me esmurrar por ter falado de forma tão direta. Eu sempre me achei alguém perspicaz, mas por que a minha intuição habitual falhava logo em momentos como esse? Saheon sorriu, lançando-me um olhar longo e provocativo.
​— …Você lembra bem, é?
Após o bip a porta se abriu. O Hyung empurrou a porta e fez sinal para que entrássemos. Meu pai, que passou por mim com uma expressão de quem queria me dar um cascudo, entrou no apartamento primeiro. Hesitei um pouco antes de segui-lo, cruzando a porta bem a tempo de impedir que o vento frio entrasse junto.
Logo em frente à entrada espaçosa havia uma porta. Seguindo pelo corredor entre esse primeiro quarto e o hall de entrada, chegava-se à sala de estar; ao fundo, ficavam a suíte principal e os outros cômodos, divididos em uma estrutura bem interessante.
Meu Hyung deixou a mala perto da entrada e caminhou a passos largos para o interior da casa. Meu pai colocou a bagagem ao lado da mala de Saheon, então eu fiz o mesmo.
O apartamento de Saheon parecia grande demais para morar sozinho. Quase totalmente vazia, a casa nova estava impregnada com o cheiro de amaciante de roupas e o aroma sutil de um difusor.
Havia um total de três quartos que eu só consegui dar uma olhada. O quarto perto da entrada, o quarto principal que parecia ser usado pelo Hyung e o último quarto ao lado do dele. Saheon abriu a porta desse quarto ao lado do seu.
​— Você pode usar este quarto, Cheongmyeong. Era um cômodo menor que eu usava como depósito, então pode ser um pouco frio… Ainda preciso comprar uma cama para você.
Realmente não havia nada no quarto. Como ele tinha dito que o espaço servia de depósito, parecia que as coisas que ficavam ali dentro tinham sido levadas para outro lugar. Havia dois armários embutidos e uma janela grande que dava para o lado de fora. Apesar do vazio, o ambiente parecia bem limpo.
​— Uma coberta já é mais que suficiente. Como você é homem, consegue dormir bem até no chão puro.
Meu pai que vinha logo atrás falou em tom risonho. ​Ainda que eu achasse que seria bem frio dormir só com um cobertor, apenas balancei a cabeça concordando sem dizer nada.
​— Ou você pode dormir com o seu Hyung.
​— Pai…
“​Por que você está dizendo isso? Para com isso…” O sussurro baixo, que nem conseguiu formar uma frase completa, sumiu rapidamente no ar. Olhei de relance para a expressão de Saheon. Ele perguntou com tom leve, sem demonstrar nenhum incômodo:
​— Se você quiser…
Prendi os lábios com força. O Hyung parecia não se importar, mas eu estava morrendo de vergonha. Eu deveria ser grato por Saheon estar lidando com aquilo de forma tão natural, evitando que uma situação constrangedora se criasse, mas, lá no fundo, um ressentimento desconhecido começou a surgir.
​— Não, tudo bem. Você deve estar cansado, Hyung.
Minha voz soou rígida até para os meus próprios ouvidos. No entanto, ao contrário desse tom travado, minha mente foi inundada por pensamentos promíscuos. Me imaginei deitado na mesma cama que Saheon e precisei parar de pensar naquilo na mesma hora, sentindo que meu coração explodiria só de visualizar a cena.
Só de imaginar isso já me sentia culpado, como se tivesse feito algo errado. Como de costume, apertei meus olhos cansados e chequei discretamente a temperatura das minhas bochechas. Estavam fervendo.
***
Não havia quase nada para arrumar. As únicas coisas que eu tinha trazido eram roupas e comida. Como era um quarto que não dava nem para dizer que estava mobiliado, a mudança se resumiu a organizar minhas roupas no armário.
Bastou esticar um edredom no chão daquele quarto vazio para parecer que alguém finalmente morava ali. A arrumação, que não levou nem trinta minutos, logo fez a gente pedir comida chinesa, seguindo a desculpa clássica de comemorar a mudança.
Enquanto eu organizava minhas coisas, Saheon aproveitou para trocar de roupa. O cabelo ainda estava modelado com pomada, mas o visual confortável que ele escolheu era incrivelmente estiloso. Tive que me esforçar muito para desviar meu olhar completamente atraído por ele e focar no meu jjambbong.
Eu não tinha certeza se estava comendo pela boca ou pelo nariz, mas dava para sentir o quanto a comida estava apimentada. Mesmo com meus lábios ardendo um pouco por causa da pimenta, continuei engolindo tudo depressa, com medo de acabar encarando Saheon se levantasse a cabeça.
Quando terminamos a clássica refeição chinesa, que incluiu até porco agridoce, o relógio já marcava quatro da tarde. Com as malas desfeitas e a barriga cheia, meu pai começou a demonstrar que pretendia ir embora.
— Bem, acho que já vou indo.
Depois de checar as horas no celular, meu pai o guardou de volta no bolso. Saheon rebateu, parecendo um pouco desapontado:
— Já? Por que não fica mais um pouco?
—Não, eu preciso ir. A mãe do Cheongmyeong disse para eu voltar logo. Além disso, o Capitão Kwon deve estar cansado, precisa descansar.
Mesmo dizendo isso, meu pai parecia relutante em se despedir. Ele juntou as embalagens vazias da comida e, só então, caminhou em direção à saída. Foi aí que, com aquela sensibilidade típica do professor de literatura que era, ele engatou em um daqueles seus sermões cheios de conselhos:
— Cheongmyeong, escute o seu Hyung e ajude nas tarefas de casa. E Saheon, faça o Cheongmyeong trabalhar, viu? Ele cozinha super bem.
Saheon abriu um sorriso largo. Tive que me esforçar muito para não demonstrar o quanto estava consciente da presença dele logo atrás de mim. Enquanto calçava sapatos, meu pai prosseguiu:
— Só porque agora você é maior de idade, não significa que pode viver de qualquer jeito. Nada de ficar na rua até tarde e não exagere na bebida. Tem certeza de que vai se virar bem sozinho?
—Sim, sim.
O Hyung soltou uma risada abafada, claramente achando graça da situação. Finalmente, com um suspiro alto, o falatório do meu pai começou a diminuir:
— Enfim, cuidem-se. E não briguem.
— Por que a gente brigaria?
—Só por precaução. Não importa o quão próximos vocês sejam, morando juntos, podem surgir conflitos por coisas pequenas. Se o Cheongmyeong te der trabalho, você pode botar ele para correr. Bom, estou indo, não precisa me acompanhar até a porta.
Resmungando baixinho, meu pai ajeitou com os dedos a parte de trás dos sapatos que estava amassada. Segurando-se na parede do hall de entrada, ele terminou de calçá-los e acrescentou, como se tivesse acabado de notar:
— Nossa, mas este apartamento é bonito mesmo. Parece até casa de recém-casados, Saheon.
Apertei meu pulso com força. Ouvir aquela expressão, “casa de recém-casados”, logo em seguida à imaginação promíscua que eu tive antes, fez minhas bochechas queimarem de um jeito totalmente fora de controle.
“Casa de recém-casados. O lugar onde o Hyung e eu vamos morar juntos parece uma casa de recém-casados. Recém-casados.” Minha imaginação, que ignorava completamente qualquer contexto real, sabia que aquilo não era verdade, mas eu simplesmente não conseguia parar.
—Por favor, vá com cuidado.
Ouvi a despedida de Saheon logo atrás de mim, mas sua voz só serviu para jogar mais lenha na fogueira da minha mente inflamada. Acho que balbuciei algum tchau para o meu pai. O som dos meus batimentos cardíacos parecia ecoar por toda a casa silenciosa, em contraste com o barulho do aeroporto de onde vínhamos.
Ouvi o som da porta se fechando. Saheon, que estava atrás de mim, soltou um suspiro suave e cansado.
O calor da sua respiração, algo que não deveria me alcançar, pareceu roçar a pele do meu pescoço, fazendo meu pomo de Adão subir e descer num sobressalto. Meu hyung estendeu a mão e abaixou um dos braços como se estivesse se espreguiçando, murmurando preguiçosamente como se sussurrasse:
—Agora somos só nós dois.

 

↫─☫ Continua….

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✦ Tradução, revisão e Raws: Natali Ferraz

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Sinopse:
Desde a infância, Cheongmyeong, que tem um histórico de ser rejeitado após se confessar para o vizinho mais velho que mora ao lado, acaba indo morar com ele por causa da faculdade. Porém, desta vez, a atmosfera parece um pouco diferente…
— Bom trabalho. Agora abra as pernas.
Nome alternativo: Sweet Sugar Candyman El Dulce Hombre De Azcar

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