Ler Sweet Sugar Candyman (Novel) – Capítulo 08 Online

↫─Capítulo 08
Um toque intangível e arrepiante atingiu meu pescoço. Era um sussurro baixo que fazia a pele arrepiar. Tive que reprimir o impulso de engolir e responder calmamente.
—… Eu sei.
Eu torcia para que meu tom de voz soasse tão casual quanto o de Saheon. Felizmente, minha voz soou parecida com o habitual. Saheon, que estava atrás de mim, bocejou alto. Perguntei, virando meio corpo para meu irmão.
— Você está cansado?
— Muito. Estou morrendo de exaustão.
Mas, antes que eu pudesse me virar por completo, ele apoiou o queixo no topo da minha cabeça de um jeito brincalhão. Por causa disso, acabei ficando meio escorado nele. Naquele instante, o perfume sutil de almíscar branco roçou meu nariz, sobrepondo o cheiro natural da pele dele.
Essas brincadeiras bobas eram algo que Chaehun, Saheon e eu costumávamos fazer muito quando éramos mais novos e, ao contrário de Saheon, Chaehun, que eu vi recentemente, ainda agia assim comigo às vezes. No entanto, bastava a pessoa mudar para que meu corpo travasse de tensão.
Eu podia sentir a temperatura quente no pequeno espaço entre nossos corpos quase juntos. Não consegui dizer se era o calor vindo do meu corpo ou do meu Hyung.
Quando eu estava no ensino fundamental, eu era da mesma altura dos meus colegas ou mais baixo, mas assim que cheguei ao ensino médio, cresci tanto de repente que passei a ser o último da chamada por ser o mais alto. No entanto, ver Saheon se apoiar em mim, sendo ele um palmo mais alto, me dava a ilusão de estar na minha infância novamente.
— Que cansaço… Mungmung, o Hyung está só o pó.
Saheon choramingou, esfregando o queixo no topo da minha cabeça. A ponta firme do queixo dele pressionava minha cabeça. Forcei a cabeça para cima, tentando me desvencilhar. Com o movimento, as pontas do meu cabelo roçaram no nariz e nos lábios dele.
—Então vai dormir.
Não era minha intenção, mas acabei falando de forma direta demais. O Hyung olhou para baixo, encarando-me com uma risadinha abafada, como se achasse graça daquilo.
—Eu vou dormir?
De repente, percebi que a distância entre Saheon e eu era curta demais. Nossas pernas quase se tocavam, e a parte superior do corpo não era diferente. Achei que precisava me afastar, mas sem saber o que fazer, acabei agarrando o braço de Saheon.
Dava para sentir o calor dele mesmo através do moletom grosso que ele usava. Por causa dos braços fortes dele, provavelmente cheios de muitos músculos, senti como se estivesse me apoiando nele, em vez de empurrando.
Assim que me dei conta do que tinha feito sem querer, entrei em pânico. Por que eu tinha agarrado o braço do Hyung? Ficou claro que, bem lá no fundo, o que eu queria mesmo era ficar ainda mais perto dele. Tentei disfarçar o gesto da forma mais natural possível, dando uns tapinhas desajeitados no braço dele.
— Durma bem.
Meu Hyung soltou uma risada breve, mais alta do que antes. Aquele rosto sério, digno de um modelo de comercial de companhia aérea, sumiu num instante, dando lugar a uma expressão travessa e brincalhona.
“Recém-casados”. Aquela fala totalmente fora de contexto continuava flutuando na minha mente. O Hyung não tinha como ler meus pensamentos, mas, tomado por uma pontinha de culpa, acabei falando num tom bem mais gentil do que antes.
— Hyung, você está cansado.
— Pois é. Vim voando direto de Nova York.
— É, eu sei.
— Foram doze horas de voo.
— Sim, você foi muito bem.
— E vim correndo ver o meu Cheongmyeong.
— É… er…
Aí eu já não sabia mais o que responder. Diante do meu silêncio, Saheon perguntou com a voz macia.
— Mas me diz uma coisa… O Mungmung está tentando se livrar de mim, me expulsando para o quarto?
— …É.
Minha cabeça estava uma completa bagunça, mas minha boca acabou soltando a resposta no automático. Pensando bem, aquela parecia a resposta mais certeira para quebrar a tensão daquele momento.
Pelo visto, o meu radar de sobrevivência, que tinha dado pane só de ficar tão perto do Hyung, tinha voltado a funcionar rapidamente. Tive que segurar o impulso de balançar a cabeça, satisfeito comigo mesmo.
— …Você é uma fofura.
Saheon sorriu de canto e bagunçou meu cabelo de leve. Os fios desalinhados acabaram pinicando meus olhos.
Saheon parecia ainda mais exausto do que antes, com os olhos pesados de sono. Talvez por vê-lo assim, o cansaço que eu mesmo vinha reprimindo até ali começou a transbordar. O Hyung pressionou a palma da mão contra a boca para conter um bocejo e, após soltar o ar devagar pelo nariz, ainda meio atordoado, me encarou com os olhos marejados.
— Você tem um notebook?
— Hã? Tenho…
— Escolhe alguns móveis para o quarto para a gente comprar. A senha do Wi-Fi são seis zeros e depois 1234.
Pisquei várias vezes, confuso, antes de finalmente processar o que Saheon tinha acabado de dizer. Eu não conseguia ligar os pontos do porquê de ele estar comprando coisas para eu usar. Acenei com as mãos, apressado, e contestei:
— Não, não precisa! Por que você compraria isso?
— É para a casa, então eu que tenho que comprar. Vai ser desconfortável para você dormir no chão.
— Hyung, mas…
— O Hyung está cansado e precisa dormir. Se você não me mostrar o que escolheu depois que acordar, vai ter que lavar a louça dez vezes.
Desde que decidi morar com Saheon, a maior parte dos sermões que ouvi dos meus pais foi sobre como eu deveria assumir as tarefas domésticas. Mas antes que eu pudesse sequer argumentar com o Hyung que era injusto usar os afazeres da casa como punição, ele entrou rapidamente no quarto.
Meus passos, que estavam prestes a segui-lo, travaram. Por mais que o Hyung e eu tivéssemos crescido juntos como se fôssemos da mesma família, a ideia de ele comprar os móveis era algo que eu não conseguia aceitar facilmente.
Mesmo que ele compre apenas uma cama, vai custar várias centenas de milhares de won. Será que eu teria que pedir ajuda aos meus pais? Ou talvez eu devesse arrumar um emprego de meio período para pagar por conta própria… Meus pensamentos sem rumo acabaram sendo abafados pelo som distante e abafado do chuveiro ligando.
“Vou ter que escolher a opção mais barata.”
Eu fiquei chocado porque cheguei a uma conclusão rapidamente, mas assim que comecei a ouvir o som da água correndo, isso tomou completamente minha atenção.
Senti que estava perdendo a cabeça. Eu já estive tão consciente de sons tão cotidianos? Percebi que estava abrindo a boca levemente e a fechei num estalo.
Parado feito um bobo no corredor, comecei a andar de um lado para o outro pela sala de estar. O som de engolir em seco pareceu estranhamente alto no silêncio da casa.
Caminhei de forma irregular, três passos em direção ao sofá, cinco passos em direção à cozinha… Fiquei vagando sem rumo até que peguei o quepe de piloto que tinha sido largado de qualquer jeito em cima do sofá.
Fiquei alisando a aba firme do quepe entre o polegar e o indicador, apertando de leve os detalhes dourados presos a ele.
Parecia que o cheiro do Hyung tinha ficado impregnado no quepe. Aproximei o rosto para cheirá-lo e, num impulso, o coloquei na cabeça. Um aroma sutil, misturando cera de cabelo e perfume, exalava dele. Conforme a aba descia até a minha testa, segurei a parte de trás do quepe e joguei o cabelo para o lado, sentindo o peso daquela responsabilidade pressionar meus ombros.
Meu reflexo apareceu levemente pela grande janela da sala. Quando Saheon usava esse quepe imponente parecia a pessoa mais legal do mundo, mas em mim, parecia um irmão mais novo que havia roubado algo do irmão mais velho.
Tirei o quepe correndo, me sentindo culpado, e o enfiei debaixo do braço exatamente como o Hyung costuma fazer. Minha garganta estava seca. Sem pensar direito no que estava fazendo, fui até a cozinha e tomei um copo de água gelada direto da geladeira.
O som tênue da água corrente continuava. Para evitar que minha mente vagasse para o quarto do Hyung, tomei mais um gole de água e concentrei meus pensamentos nos muitos acompanhamentos que meu pai organizou na geladeira enquanto eu guardava minhas roupas.
Cada compartimento da geladeira, que obviamente estava vazio antes de chegarmos, estava cheio de recipientes com comida. Tudo graças ao meu tio, que sempre exagerava na cozinha. Lembrei-me do que ele havia dito antes de partirmos.
Ele me disse para ligar para o Chaehun e dividir a comida com ele. Aqueles acompanhamentos iam acabar estragando se não fossem consumidos logo, então achei melhor resolver isso enquanto ainda estava lembrando. A casa do Hyung, que era minimalista e equipada apenas com os utensílios estritamente necessários, não parecia ter nenhum pote descartável para eu poder separar as porções.
Vasculhei os armários da cozinha só por garantia, mas tudo o que encontrei foram algumas louças que claramente tinham sido presentes de mudança e mais algumas miudezas. Meus pensamentos, que continuavam andando em círculos, finalmente me levaram à conclusão de que eu precisava perguntar ao Hyung.
Meu pomo de Adão subiu e desceu de novo. O barulho abafado do chuveiro preenchia a casa como um acompanhamento musical suave.
“Eu devia perguntar para o Hyung. Preciso falar com ele. Tenho que perguntar onde guardo esse quepe, se tem potes para viagem, quando vou me encontrar com o Chaehun e a senha do Wi-Fi… Eu sei que ele acabou de falar, mas sinto que preciso perguntar de novo…”
Mesmo tendo acabado de virar aquele copo de água gelada, minha garganta continuava seca. Movi meus pés com cautela e empurrei a porta entreaberta do quarto. O som fraco do chuveiro ficava cada vez mais nítido. Caminhei devagar e ansiosamente, como um explorador entrando em território desconhecido.
O quarto do Saheon era todo organizado, exceto pelo uniforme largado de qualquer jeito em cima da cama. Sem conseguir desviar meus olhos inquietos daquele espaço, fui me aproximando lentamente do banheiro que ficava ali dentro.
O som da água fica mais alto. Enquanto eu estava a uma porta de Saheon, respirei fundo. Quando coloquei a ponta do dedo indicador para checar a temperatura das minhas bochechas agora coradas, de repente, o som da água parou e a porta do banheiro se abriu de uma vez, pegando-me totalmente de surpresa.
—… Ah.
Um breve som assustado e com vergonha escapou da minha garganta. Meu Hyung também parecia um pouco surpreso.
Com uma toalha branca jogada por cima do cabelo molhado, ele estava completamente nu do pescoço para baixo. Meu olhar caiu sem querer, e a visão da cueca boxer preta que ele usava aliviou um pouco o meu constrangimento.
— Que foi?
— Ah, er… onde eu coloco isso?
Puxei as pressas o quepe que estava prensado embaixo do meu braço. Era um item valioso, a desculpa perfeita que eu precisava para justificar o fato de estar ali, mesmo que o momento fosse um pouco inadequado. Os olhos do meu Hyung se voltaram para minhas mãos.
—Ah, isso. Eu vou pendurar.
A mão quente dele, ainda mais aquecida por causa da água quente do banho, esticou-se na minha direção. A temperatura que roçou na minha palma era ardente. O Hyung segurou o quepe com uma das mãos enquanto usava a outra para chacoalhar a toalha e secar o cabelo.
Saheon jogou o quepe no closet que ficava ao lado da porta do banheiro. Assustado, minha boca, que pareciam ter se soltado, começou a despejar as palavras no automático:
— E… o seu pai disse para eu pegar metade dos acompanhamentos e dar para o Chaehun, mas eu não consegui achar nenhum pote por aqui. Você quer que eu compre alguns?
Pela proximidade entre nós, o corpo do Saheon ficou totalmente exposto à minha vista, de uma vez só. Foi incrivelmente difícil desviar o olhar do seu tronco definido, meticulosamente esculpido como o de um atleta. Os ombros largos, o peito marcado logo abaixo, a cintura que parecia fina em comparação ao resto do dorso, mas que era firme, e o abdômen trincado, sem um centímetro de gordura.
— Acho melhor comprar sim. Ah, dá uma olhada no armário para ver se tem alguma vasilha ou pote. Não tenho certeza se lavei ou se joguei tudo fora.
— Entendido. Quer que eu separe a comida agora? Se os potes não forem suficientes, me dá a chave do carro que eu dirijo até ali para comprar mais.
As palavras aleatórias fluíam de um jeito totalmente caótico. Eu sabia que seria melhor simplesmente fechar a boca, mas a minha racionalidade já tinha perdido o controle fazia tempo. O Hyung soltou uma risada contida e perguntou com a voz mansa:
—Nosso Cheongmyeong sabe dirigir?
Se eu pudesse, teria gritado ali mesmo. A pergunta do Hyung me ajudou a recuperar as rédeas que eu tinha perdido e, conforme caía na real, uma onda de vergonha tomou conta de mim. Minhas bochechas queimaram de vez. Assenti agressivamente concordando.
— Ok, então faremos assim. Mas não precisa ter pressa; não tem problema se você quiser esperar eu acordar para irmos juntos no final da tarde.
— Entendido.
Como se tivesse levado um balde de água fria, minha lucidez voltou ao controle, recuando e me mandando traçar uma nova estratégia imediatamente. Consegui arrancar meus olhos do abdômen do Hyung com esforço e abri a boca para falar:
— Então eu vou… procurar as vasilhas.
Em vez de uma resposta, ouvi uma pequena risada. Saí do quarto devagar. Atrás de mim, dava para escutar o som suave do Hyung procurando alguma roupa para vestir.
Assim que passei pela porta e saí do quarto, senti a diferença nítida na temperatura do ar. Fechei os olhos com força, mas não adiantou muito, isso só fazia o corpo do Hyung aparecer de forma ainda mais vívida na minha mente.
Graças à porta fechada, o calor em que eu estava imerso há pouco se dissipou rapidamente.. Enquanto respirava fundo, ouvi a voz da razão, que havia retomado o controle, sussurrando novas instruções.
“Meus pais disseram para eu me dedicar às tarefas domésticas! Eu não acabei de ver um monte de roupa que precisava ser lavada?”
Era um argumento válido. Além do mais, as roupas do uniforme que o Hyung usava estavam jogadas em cima da cama. Seria o momento perfeito para colocá-las na máquina enquanto ele dormia. Abri a porta do quarto de uma vez. O baque alto da madeira batendo contra a parede ecoou pelo ambiente.
O Hyung, que estava de costas exibindo seu dorso largo, virou a cabeça. E eu, totalmente confiante na minha linha de raciocínio, perguntei em voz alta:
— Hyung, quer que eu bata para você?
↫─☫ Continua….
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✦ Tradução, revisão e Raws: Natali Ferraz
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Sinopse:
Desde a infância, Cheongmyeong, que tem um histórico de ser rejeitado após se confessar para o vizinho mais velho que mora ao lado, acaba indo morar com ele por causa da faculdade. Porém, desta vez, a atmosfera parece um pouco diferente…
— Bom trabalho. Agora abra as pernas.
Nome alternativo: Sweet Sugar Candyman El Dulce Hombre De Azcar