Ler Sweet Sugar Candyman (Novel) – Capítulo 06 Online

↫─Capítulo 06
Enquanto fixava o olhar em Saheon com meus olhos arregalados, senti minhas pálpebras ficarem rígidas. Quando me dei conta, estava cara a cara com meu pai, que me observava com uma expressão estranha, como se eu estivesse fazendo uma careta assustadora.
— Você quer ir ao banheiro?
Meu pai, que havia aberto o porta-malas para colocar a mala de Saheon, perguntou com um olhar confuso. Balancei a cabeça e tentei rapidamente apagar qualquer traço das minhas emoções, mas os resquícios do que eu estava sentindo ainda permaneciam, já que eu tinha caminhado até ali emburrado.
Tentei controlar meu nariz, que parecia querer se dilatar sozinho, e olhei de relance para Saheon. Ele parecia ocupado guardando a alça retrátil da mala. Fiquei aliviado por meu constrangimento estar de certa forma escondido.
Eu achava que não era nem muita nem pouca bagagem, mas o porta-malas já estava lotado com as minhas coisas. Meu pai, movendo caixas de um lado para o outro e tentando dar um jeito de caber tudo, chegou à óbvia conclusão que não caberia mais nada.
—Acho que vou ter que colocar sua mala no banco de trás. Não tem espaço aqui.
—Ok.
Meu Hyung levantou sem esforço a mala, que era bem grande, e a colocou no banco traseiro. O paletó do uniforme que ele usava subiu de leve com o movimento, revelando por um momento a linha firme e bem definida da cintura envolta em uma camisa social, antes de ser coberta novamente.
Eu não conseguia entender por que até uma tarefa tão comum como guardar uma mala parecia tão legal quando feita pelo hyung. Acabei esquecendo do meu ciúme de até agora a pouco e segui Saheon com o olhar, compenetrado.
Com um baque, o porta-malas se fechou. Meu pai, com uma voz que carregava o tom típico de um professor, deu instruções a mim e a Saheon.
— Cheongmyeong, você senta no banco do passageiro, e o Capitão Kwon vai atrás.
— Nao, eu vou no banco do passageiro.
— Ah, que isso Capitão Kwon, você está a 12h voando direto de Nova York, como pode dizer uma coisa dessas? Entre logo, você vai ficar mais confortável no banco de trás.
O vento frio do inverno o fez dispensar gentilezas superficiais. Ao contrário do meu pai e de mim, que estávamos agasalhados com casacos de inverno, Saheon, vestindo apenas o paletó fino do uniforme, acomodou-se no banco de trás sem nenhuma reclamação.
Como o carro estava estacionado há algum tempo na área externa, a temperatura de dentro estava bem fria. Assim que meu pai deu a partida no motor, ele ligou o aquecedor no máximo. Sentado no banco do passageiro com o cinto de segurança afivelado, endireitei a postura ao sentir a movimentação vinda de trás.
A presença que eu sentia do banco de trás era marcante demais. Sem perceber, olhei de relance para o espelho retrovisor, mas ele estava virado na direção do meu pai, então não consegui ver Saheon. A sensação de ter minha linha de visão parcialmente bloqueada me fez focar ainda mais nos sons vindos de trás.
O som do tecido roçando contra o tecido, o couro do banco se movendo conforme ele ajustava sua posição, o perfume forte que Saheon usava. Engoli em seco, sem emitir som. Meu pai desligou o rádio, que estava tocando automaticamente, e perguntou:
–Está muito frio, não está? Quer que eu aumente mais o aquecimento?
— Não, acho que está tudo bem. Nossa, a Coreia está mesmo muito fria.
A voz de Saheon carregava um leve tom de riso. Ao ouvir o som de suas mãos se esfregando uma na outra, olhei para o banco de trás inconscientemente e meus olhos se encontraram com os dele. Ele ergueu levemente os cantos da boca.
Novamente, era o típico sorriso de um modelo de companhia aérea. No passado, ele tinha um rosto mais travesso, e embora fosse diferente e desconfortável, era inegavelmente lindo o suficiente para fazer meu coração errar uma batida.
Percebendo mais uma vez o quão incrivelmente legal o Hyung era, preferi ficar de boca fechada. O carro começou a se mover suavemente.
A estrada que pegamos depois de pagar a taxa de estacionamento estava deserta. Meu pai dirigiu em direção a uma ponte com vista para o mar e perguntou:
—Capitão Kwon, por favor, me diga seu endereço.
—Ah, Magok-dong, Gangseo-gu, Seul…
Digitei o endereço no lugar do meu pai que dirigia. Conforme eu digitava, vários endereços detalhados surgiram logo abaixo. Apontei o dedo para o primeiro endereço da lista e me virei para trás.
— Este é o endereço certo?
Saheon, que havia se deslocado para o assento do meio, segurou o encosto de cabeça do banco do passageiro e se inclinou mais perto. O aroma do seu perfume, que vinha preenchendo o carro sutilmente, intensificou-se. O cheiro que antes eu tinha achado forte agora fazia minha cabeça girar. Segurei o fôlego e, com esforço, virei os olhos para olhar para o Hyung.
Senti a presença da mão dele perto do meu ombro, como se ele estivesse me abraçando por trás. Ele estava perto o suficiente para que qualquer mínimo movimento nos fizesse entrar em contato. O Hyung soltou um som baixo, como se estivesse limpando a garganta, e respondeu animadamente:
— Sim, é esse mesmo.
Mexi os dedos, tentando não demonstrar o quão rígido eu tinha ficado. Um sinal sonoro tocou, indicando a rota. O Hyung voltou lentamente para o seu lugar. Apoiei as costas contra o banco, tentando parecer relaxado. Meu coração ainda estava disparado.
Saheon, que abalou meu coração com suas pequenas ações, continuou sua conversa com meu pai como se nada tivesse acontecido. Eles conversavam sobre coisas triviais como quando ele comeu em um restaurante chinês depois de desembarcarem do avião, como andavam as coisas e outros assuntos soltos sobre o que havia acontecido durante a escala.
Eu simplesmente gostava de ouvir a voz de Saheon. O tom baixo e firme da sua voz era reconfortante, mas isso não significava que eu estava confortável. Eu não conseguiria recuperar tudo o que aconteceu nesses três anos de ausência, mas prestava atenção em silêncio, querendo preencher nem que fosse um pouco daquela lacuna.
Quando o carro passou por uma longa ponte sobre o oceano e por uma estrada movimentada, consegui ver meu Hyung de relance pelo espelho do lado do passageiro.
É claro que eu não conseguia vê-lo com clareza; só conseguia vislumbrar as três listras douradas em seu braço, a linha do seu maxilar ou partes do seu perfil, mas eu estava satisfeito por poder roubar esses vislumbres dele constantemente. Talvez tenha sido estranho eu ter ficado tão quieto por um longo tempo, já que meu pai perguntou casualmente:
— Cheongmyeong, está com sono?
— …Sim, o quê?
Respondi com a voz quase engasgada. Ainda assim, não soou estranho demais. Tentei voltar meus olhos arregalados ao normal e continuei falando com indiferença:
— …Ah, sim. Um pouco.
— É, você estava tão ansioso para ver o Hyung desde ontem que provavelmente não conseguiu dormir.
Meu pai casualmente jogou uma grande bomba que eu não queria revelar. Ele provavelmente tinha a intenção de mostrar ao Saheon que “o Cheongmyeong está emburrado não porque não gosta de você, mas porque está feliz demais por te ver depois de tanto tempo”, mas o problema era que o entendimento do meu pai sobre esse “gostar” era de uma natureza totalmente diferente.
—Ah, não…
Meu pai, sem saber que eu havia me confessado para o Saheon e sido rejeitado, apenas sorriu com carinho, sem perceber meus verdadeiros sentimentos. Eu ri sem jeito e tentei olhar para a pessoa no banco de trás. Mas não tinha coragem de me virar para confirmar, então tive que tentar adivinhar pelo clima no carro. Meu pai deu leves batidinhas no volante e continuou:
—Ele pode parecer um pouco estranho porque vocês não se veem há algum tempo, acho que está com vergonha, está?
— Não, não estou… Não sou mais criança…
Era uma situação estranha de qualquer jeito, respondesse eu ou não. Quanto mais frases eu acrescentava, mais estranhas as palavras pareciam soar. Fiquei em silêncio. Talvez por causa da minha mente frustrada, meus lábios ficaram levemente contraídos. Meu pai, que falava em tom brincalhão fez contato visual com Saheon pelo retrovisor e perguntou:
— E então, Capitão Kwon? Faz um bom tempo que você não vê o Cheongmyeong. O que achou dele?
Saheon continuou com aquele sorriso perfeito digno de um modelo. Uma risada curta escapou pelo seu nariz, misturada com o som do ar. Eu esperava ansiosamente por aquela breve pausa, segurando o cinto de segurança com força enquanto aguardava a resposta do Hyung.
— Ele cresceu até demais.
As linhas nítidas do tecido rígido do cinto de segurança se pressionavam contra a palma da minha mão. Era uma resposta inteligente para uma pergunta boba. As montanhas do lado de fora da janela do carro passavam rapidamente. Mas meu pai não pareceu notar nenhum clima estranho e concordou:
— Não é? Depois que entrou no ensino médio, ele cresceu 20 cm de repente.
— É, verdade. Por isso eu não o reconheci de primeira. Ele está muito bonito.
↫─☫ Continua….
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✦ Tradução, revisão e Raws: Natali Ferraz
Ler Sweet Sugar Candyman (Novel) Yaoi Mangá Online
Sinopse:
Desde a infância, Cheongmyeong, que tem um histórico de ser rejeitado após se confessar para o vizinho mais velho que mora ao lado, acaba indo morar com ele por causa da faculdade. Porém, desta vez, a atmosfera parece um pouco diferente…
— Bom trabalho. Agora abra as pernas.
Nome alternativo: Sweet Sugar Candyman El Dulce Hombre De Azcar