Ler Sweet Sugar Candyman (Novel) – Capítulo 02 Online

↫─Capítulo 02
Então o sonho que tive pela manhã devia ter sido por causa das preocupações que carregava havia meses.
Pressionei a região latejante ao redor do nariz, tentando afastar os resquícios do sono. Fazia um tempo que estava tudo quieto, mas hoje “aquilo” voltou a incomodar.
Agora eu podia dizer com confiança que já tinha me acostumado com isso, mas era inegável que as lembranças continuavam tão vívidas como se tivessem acontecido ontem. Depois de tanto esforço para esquecer, ter um sonho desses me fez sentir culpado outra vez. A culpa começou a apertar meu peito. Forcei minha visão embaçada e tentei despertar.
—…Haa…
Um pequeno murmúrio, parecido com um suspiro, misturado a um nome impossível de pronunciar.
***
—Você já está acordado?
A paisagem da manhã era semelhante à de sempre. O noticiário sendo exibido na televisão e pão e café foram preparados na mesa voltada para a sala de estar.
—Bom dia. Dormiu bem?
Sentei-me no assento vazio, e tomei um gole de café amargo. O líquido escuro, quase preto, deu vida à minha mente sem rumo.
Meus pais eram professores, então, desde cedo, só pude ver minha família durante o café da manhã. Durante as férias, tanto meus pais quanto eu tínhamos um pouco mais de tempo livre do que o normal, mas hoje era o último dia dessa rotina.
—Você já arrumou tudo?
—Sim. Tudo que preciso fazer é guardar as roupas que estou usando agora.
—Ok, bom trabalho. A que horas mesmo o papai disse que o voo do Capitão Kwon chegaria?
—11h30, acho melhor a gente comer e sair imediatamente. Ah, tenho que passar no vizinho antes de ir, vou ter que me apressar…
Meu pai, que estava sentado à minha frente, respondeu enquanto ouvia às notícias com os ouvidos e lia o jornal com os olhos. Senti como se o líquido amargo que de repente entrou no meu estômago fosse voltar. Peguei o pão maravilhosamente dourado e bem assado e devolvi silenciosamente ao prato.
— Devemos nos arrumar agora? Não tenho apetite, então acho que podemos ir.
—Por quê? Coma pelo menos um pouco.
Meu pai tinha uma expressão de desculpas por me incentivar a continuar comendo, mas eu realmente sentia que não conseguia comer nem um pedaço. Meu coração, que de repente se fez presente, empurrou todos os meus órgãos internos e tomou seus lugares.
—O que é tão urgente? Tudo que você precisa fazer é comer o que quiser e depois saímos.
—Não, eu…
Minha mãe começou a dizer algo me repreendendo, mas eu não consegui ouvir direito. Senti como se o coração fosse pular da minha boca enquanto batia forte. Levantei-me rapidamente da cadeira.
Quando corri para o banheiro, vi no espelho que meu cabelo parecia um ninho. Talvez por ser manhã, mas meu reflexo parecia ainda mais abatido. Por hábito pressionei o dedo indicador na área ao redor dos meus olhos, então lembrei do motivo de ter ido ao banheiro e lentamente comecei a tirar a roupa.
Março começou hoje, mas o ar frio ainda grudava na minha pele. Liguei a água do chuveiro e esfreguei os arrepios nos braços com as palmas das mãos para afastar o frio. Logo a água morna caiu da minha cabeça.
Conscientemente ou não, meus ombros, que estavam rígidos de tensão, se soltaram na água quente. Enquanto lavava o rosto, encostei a testa na parede ainda fria. Uma sensação fresca fluiu, contrastando com meu couro cabeludo aquecido. Em silêncio, senti a água e fechei os olhos.
“Faz muito tempo que não vejo Saheon.”
Mesmo sob a água morna, meu corpo começou a tremer levemente. Não consegui dizer se isso era por causa da tensão ou da alegria.
Minha vida poderia ser dividida grosseiramente em duas partes. Memórias de estar com Saheon, memórias de não estar com Saheon. A razão dessa divisão tão marcante começou antes mesmo de eu nascer.
No ano de 19**, meus pais, recém-casados, compraram um apartamento sonhando com um futuro doce juntos. O apartamento que compraram, apesar de ter pesado um pouco financeiramente, não era o típico apartamento de corredor comum da época, mas sim um modelo com escadas, e o casal que morava ao lado tinha dois filhos.
Se me perguntassem como um casal recém-casado e uma família de quatro pessoas com dois filhos homens — Kwon Chaehun, aluno da sexta série, e Kwon Saheon, da terceira série — acabaram se tornando próximos, eu também não saberia explicar direito. Mas coincidências foram se acumulando.
O casal recém-casado, ambos professores, se estabeleceu perto da escola onde trabalhavam, enquanto o chefe da família de quatro pessoas havia acabado de se mudar para Gyeonggi-do, um lugar onde não conhecia ninguém, fugindo dos preços absurdos das moradias em Seul. Assim, os dois casais rapidamente ficaram próximos.
Os recém-casados engravidaram pouco tempo depois de se mudarem para sua nova casa e no ano seguinte um menino nasceu. O casal deu ao filho o nome de ‘Cheongmyeong’. Como você deve ter imaginado, aquele bebê era eu.
Os vizinhos e meus pais, que haviam criado um vínculo familiar no último ano, estavam muito felizes com o bebê. Em especial, os dois filhos amavam o irmão mais novo recém-nascido, a ponto de não conseguirem evitar dar apelidos para ele.
Eles pegaram o último caractere do nome Cheongmyeong, “myeong”, e passaram a chamá-lo de “Myeong”. Só que acharam difícil de pronunciar e trocaram para “Mongmong”. Aí uma tia reclamou dizendo que parecia um cachorro… e virou *“Mungmung”, que também lembrava um cachorro.
*NT:Em coreano, “cachorro latindo” é “멍멍” (meongmeong).
Como meus pais trabalhavam, não seria exagero dizer que, logo depois que nasci, eu praticamente vivi na casa dos vizinhos. Minha tia, dona de casa em tempo integral, cuidava de mim com prazer.
Depois do café da manhã, eu ia para a escola, fazia minhas aulas e depois da escola quando voltava, ficava com minha tia, jantava com meus hyungs e depois jogava até meus pais chegarem do trabalho. E após isso, repetimos nossa rotina. Até certo ponto, minha casa era só um lugar para dormir.
Não era diferente nos eventos escolares. Eu gostava mais de brincar com meus hyungs do que com meus colegas, então eu literalmente ficava junto deles o dia todo.
Tia e tio, Chae-heon e Sa-heon. Meu vizinho simpático, que morava ao lado, era como família para mim, mesmo sem sermos parentes de sangue. Mas em algum momento comecei a olhar para meu hyung de uma perspectiva diferente.
Imerso em água morna, atordoado, apertei o shampoo mecanicamente e esfreguei na cabeça. A espuma branca escorria e cobria meus olhos, mas, diferente do meu cabelo, minha mente não mostrava sinais de purificação.
As preocupações acumuladas ao longo dos meses, combinadas com o sonho que tive hoje, deixavam meus pensamentos uma bagunça que a espuma branca não conseguia lavar. Pensei que enxaguar com água fria ajudaria, então coloquei a alavanca no frio, mas tudo o que aconteceu foi me fazer estremecer.
Depois de tomar banho tremendo de frio, fiz contato visual com meu reflexo no espelho. Minhas bochechas estavam vermelhas a ponto de ser constrangedor.
—Aff. M
Murmurei baixinho e joguei água fria no rosto.
Quando a temperatura corporal caiu, não parecia voltar facilmente. Enquanto saí tremendo, percebi minha mãe tirando coisas da geladeira e colocando-as na caixa térmica. Ao me ver saindo do banheiro tremendo e pulando nas pontas dos pés, minha mãe perguntou:
—Cheongmyeong, se eu colocar um pouco de pão, você vai dividir com seu hyung?
—Sim. Eu vou!
Respondi quase com os dentes cerrados e rapidamente peguei o secador de cabelo. O ar quente começou a sair da pequena máquina. O arrepio que era tão forte a ponto de fazer meus dentes bater parecia ter diminuído um pouco. Depois de respirar fundo, sentei-me na penteadeira da minha mãe e comecei a secar o cabelo.
Talvez graças ao esforço de esfregar com água fria, o rubor nas minhas bochechas já tinha quase sumido. Os dedos que se moviam como se checassem o nível de rubor mudaram para pressionar os cantos dos olhos, que pareciam apresentar uma aparência afundada e inchada. Repeti distraidamente meus gestos habituais e, quando meu cabelo secou um pouco, voltei para o meu quarto.
As roupas que eu usaria — e com as quais eu vinha me preocupando há quase uma semana — estavam cuidadosamente dobradas sobre a mesa. Depois de muito quebrar a cabeça tentando escolher algo apresentável, mas que não chamasse tanta atenção, acabei optando por um suéter preto de tricô, jeans escuro e uma camisa branca. Tirei rapidamente o pijama e o enfiei de qualquer jeito dentro da mala..
O tecido áspero das minhas roupas roçava contra a pele. Talvez porque a camisa estivesse abotoada até o pescoço, parecia que estava me sufocando. Eu não sabia se era por causa do nervosismo ou se a gola estava apertada demais.
Depois de vestir as calças, uma perna de cada vez, puxei o suéter por cima da camisa. Segurei a barra da malha e abaixei o olhar, inexpressivo. Das roupas impecavelmente limpas vinha o agradável cheiro de peças recém-lavadas. Por um instante, questionei se não estava arrumado demais. Mas então uma batida na porta arrancou meus pensamentos dali.
— Você trocou de roupa? Quando terminar de se arrumar, me de suas malas para colocar no carro.
Meu pai espiou pela fresta da porta. Soltei a barra do meu suéter que eu segurava e entreguei a mala a ele.
Com a mão presa à alça da mala, meu pai hesitou antes de sair e voltou o olhar para mim.
Desviei os olhos em silêncio, tomada por uma vergonha sem motivo aparente.
— Meu filho, você está bonito. Comprou roupas novas?
— Ah… são roupas que eu já tinha.
— Mesmo assim, ficou bom em você. Está nervoso pra ver seu hyung depois de tanto tempo, né?
Meu pai, que sabia que eu seguia Saheon desde pequeno, sorriu de leve, como se estivesse brincando, ao perguntar aquilo. Eu respondi apenas com um sorriso sem graça.
As preocupações que me mantiveram acordado por meses voltaram justamente naquele momento.
Tudo começou depois que os exames de admissão terminaram. Tive a sorte de ser aceito na universidade para a qual me inscrevi, tudo o que precisava era alcançar a nota mínima e terminar o exame com sucesso e sem problemas.
Meus pais, que estavam secretamente ansiosos por serem um casal de professores, ficaram muito felizes quando entrei em uma universidade decente e começaram a compartilhar as novidades aqui e ali. Foi natural que meus tios, que moravam ao lado e eram como família para mim, fossem os primeiros a receber a notícia.
—Universidade Korea City? Muito bem, Cheongmyeong! Então, qual departamento é?
—Língua e literatura francesa.
Minha mãe, animada demais, respondeu no meu lugar. Ao ouvir a resposta orgulhosa dela, minha tia falou de forma escandalosa:
— Que ótimo! Isso é maravilhoso! Mas você não vai levar umas duas horas de ônibus?
— Bem, pelo menos é só uma baldeação.
— Você fala como se fosse fácil; ainda tem que andar até o ponto só para pegar o ônibus. O Chaehun até começou a morar sozinho no meio do primeiro semestre porque achava o trajeto cansativo demais. Você não está pensando em morar sozinho também?
— Para mim ele ainda é uma criança… fico preocupada.
Minha mãe ficou em silêncio, como se não conseguisse pensar em uma solução melhor. Sem saber do medo dela pelo trajeto de duas horas até a universidade, simplesmente acompanhei silenciosamente a conversa entre minha mãe e minha tia, imerso na alegria de ter sido aceito na faculdade. Esse foi meu erro. A tia, que parecia estar pensando profundamente, abriu a boca e bateu palmas como se tivesse encontrado a solução.
—Que tal você morar com o Saheon?
Quase cuspi o suco que estava bebendo. Minha mãe ouviu de olhos arregalados enquanto a solução inesperada era revelada.
—Com o Capitão Kwon?
— Sim. Perto de Magok tem um complexo de apartamentos recém-construídos onde o Saheon mora. Pelo que ouvi, se pegar o ônibus no ponto em frente ao prédio, dá para chegar a praticamente qualquer lugar de Seul em uns trinta minutos. Não seria ótimo? Acho que resolveria tudo.
— Meu Deus, sério? Mas… será que não vamos acabar incomodando?
— Que nada. Ele mora sozinho naquela casa enorme. Aposto que adoraria ter o Cheongmyeong por lá fazendo companhia. Até tem sobrado um quarto para ele usar à vontade.
Depois disso, minha mãe e minha tia começaram a planejar minha mudança sem sequer pedir minha opinião ou a de Saheon.
Discutiram em detalhes o valor do aluguel, o tempo que eu levaria para chegar à faculdade e até a rota do ônibus. Ainda assim, eu nunca imaginei que aquilo realmente aconteceria.
Como esperado, minha mãe reagiu de forma positiva quase imediatamente. Mais tarde, quando comentou com o pai sobre a dificuldade que eu teria para ir à faculdade, ele chegou até a dizer que compraria um carro usado para mim como presente de entrada na universidade, já que eu tinha acabado de tirar a carteira, sem nem mencionar o assunto de morar com Saheon.
O problema foi que minha tia realmente entrou em contato com ele — e Saheon aceitou que eu morasse lá. Quando a situação chegou a esse ponto, qualquer tentativa de recusar começou a parecer que eu estava rejeitando ele pessoalmente.
Minha mãe, sem saber que minha tia realmente levaria a ideia adiante, acabou entrando em contato com Saheon por conta própria, pedindo desculpas e oferecendo até um aluguel acima do valor de mercado da região. Mas ele recusou. E eu estava no meio de tudo aquilo, sem conseguir interferir em nada. No fim, a única coisa que ficou decidida foi que cada um arcaria com suas próprias despesas. E, ainda assim, a decisão de onde eu iria morar já parecia ter sido tomada sem mim, como se minha opinião tivesse sido deixada de lado desde o começo.
Ainda assim, uma vez tomada a decisão, minha mãe pareceu aceitar positivamente a ideia de eu morar com Saheon. Ficou claro que era porque ela se sentia mais segura, deixando seu único filho morar com o hyung, que cresceu como se fosse da família, do que deixá-lo morar sozinho.
Não havia como os adultos saberem o risco que eu corria ao morar com alguém que me rejeitou depois que eu confessei meus sentimentos. A partir daquele dia, uma tempestade varreu o mar tranquilo e calmo do meu coração.
Quando me declarei para Saheon no inverno entre os meus dezesseis e dezessete anos, foi em parte devido às emoções que eu vinha reprimindo explodirem, mas também porque fiquei chocado com o fato de não poder ver o rosto do meu hyung por muitos anos.
Saheon, que desde jovem dizia querer ser piloto, sempre foi bom nos estudos e acabou entrando em uma universidade que o colocaria no caminho da aviação. Depois de passar por várias separações enquanto ele se formava na universidade e completava o serviço militar, eu claramente pensava que a formatura seria a última vez que ele iria embora.
Mas eu tinha entendido tudo errado. Quando descobri que ele precisaria passar pelo menos três anos em um centro de treinamento de voo nos Estados Unidos para cumprir as horas exigidas pela companhia aérea em que o meu hyung queria trabalhar, eu fiquei atordoado.
Depois de ser rejeitado pelo meu hyung, chorei até não ter mais forças. Fiquei tão exausto que acabei passando alguns dias no hospital. Só depois disso minhas emoções finalmente se acalmaram — e eu consegui perceber o quão imprudente eu tinha sido.
Eu tinha feito algo completamente insano. Foi tão louco que eu nem sabia como encarar Saheon, muito menos Chaehun, minha tia e meu tio.
Eu não suportava o constrangimento. Então, sempre que Saheon voltava para a Coreia, eu me escondia em outro lugar, usando a desculpa de que estava com meus amigos.
Mesmo isso me deixando desconfortável, eu deveria ter encarado de frente e resolvido. Mas, com o tempo, esse desconforto só foi se solidificando dentro de mim. Mesmo depois que meu hyung entrou na empresa como funcionário copiloto, ele ainda visitava frequentemente nossa cidade natal, e eu sempre me antecipava, evitando encontrá-lo.
O que isso significava era simples: hoje seria a primeira vez que eu o veria desde aquela confissão. E, mesmo tendo sido rejeitado, meus sentimentos por ele não desapareceram nem por um segundo.
***
↫─☫ Continua….
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✦ Tradução, revisão e Raws: Natali Ferraz
Ler Sweet Sugar Candyman (Novel) Yaoi Mangá Online
Sinopse:
Desde a infância, Cheongmyeong, que tem um histórico de ser rejeitado após se confessar para o vizinho mais velho que mora ao lado, acaba indo morar com ele por causa da faculdade. Porém, desta vez, a atmosfera parece um pouco diferente…
— Bom trabalho. Agora abra as pernas.
Nome alternativo: Sweet Sugar Candyman El Dulce Hombre De Azcar