Ler Second Half – Capítulo 23 Online


Modo Claro

Capítulo 23
Até o tímido Leman costumava rugir e correr para abraçar Jerim com força nos dias em que marcava gols a partir de suas assistências. Nem precisa dizer que os companheiros com quem jogava há mais tempo faziam o mesmo. Jerim também sentia um imenso carinho quando um colega marcava um belo gol após um passe seu — algo que o deixava transbordando de afeto — e costumava dar tapinhas rudes na cabeça e batidinhas leves nas bochechas e na bunda deles.
O problema era que isso não estava acontecendo durante uma partida ou uma cerimônia de premiação.
Um contato físico em um nível que nem sequer viraria notícia se ocorresse durante um jogo tornou-se um problema porque aconteceu durante uma transmissão ao vivo, onde não havia razão para a adrenalina estar nas alturas. Mesmo que isso não gerasse boatos de que eram gays, o problema imediato era que seria o suficiente para garantir perguntas irritantes mais tarde, do tipo: “Então não era uma rivalidade, mas um caso de amor?”.
Claro, se ele realmente recebesse uma pergunta dessas, Jerim a resolveria suavemente e sem hesitar, dizendo algo como: “Bem, não dá no mesmo se o clima estiver quente?”. Mas a mera ideia de termos cafonas como “caso de amor” ficarem presos entre ele e Aaron era desconfortável. Porque, baseando-se no histórico deles, não seria totalmente mentira…
— Isso é loucura. Você está realmente maluco?
— Aaron, valeu! Meus seguidores estão disparando por sua causa!
— Jerry, você deveria fazer algo louco também, aproveitando o embalo. Ah, estou rindo tanto que minha barriga dói.
Antes que percebesse, os arredores haviam se tornado um mar de gargalhadas. Sentindo-se traído pelos companheiros que rolavam de rir em vez de confortar seu capitão que fora subitamente emboscado, a mente de Jerim teve um estalo.
Algo louco.
Sim, dizem que para um louco, o remédio é a chicotada. Mas já que ele não podia batê-lo abertamente naquela situação, não seria justo retribuir com um ato igualmente insano? Ele até pensou em um método muito bom.
Assim que idealizou o método, Jerim agiu. Ele sabia melhor do que ninguém que, em uma situação como essa, onde cada segundo conta, um momento de hesitação — “devo ou não devo?” — poderia arruinar tudo. Refletir profundamente, mas decidir rápido; esse era o jeito como Jerim sobrevivera na Premier League até hoje.
Ele segurou firmemente a bochecha de Aaron, puxou-a para baixo, pressionou sua própria bochecha contra a dele e fez um som de beijo. E antes que Aaron pudesse reagir, fez o mesmo na outra bochecha.
— Dizem que na Espanha se faz duas vezes assim, por que só em uma bochecha e depois… puta merda.
— Eu aprendi a saudação espanhola com esse cara há muito tempo. É um cumprimento, um cumprimento.
Dando tapinhas repetidos na bochecha paralisada de Aaron, ele forçou um sorriso. Ambos estavam em uma posição onde o riso não vinha fácil, mas ali, ele precisava absolutamente rir. Só assim aquilo seria descartado como um simples “bizu” e aquelas palavras cafonas como “caso de amor” desapareceriam.
Dito e feito, o chat já estava cheio de fãs pouco familiarizados com a cultura do bizu, reunindo-se e expressando dúvidas se as pessoas na Europa realmente se cumprimentavam daquela forma. Jerim assentiu calmamente.
— Sim, beijos de saudação na bochecha são muito comuns. Eu fiquei confuso no começo também, mas agora, bem, estou acostumado.
Honestamente, não é comum entre homens… e casos onde você realmente encosta os lábios na pele como o Aaron fez são raros também… Além disso, o Aaron beijou meu pescoço, não minha bochecha, antes… e ele até me mordeu como se estivesse me acariciando…
Mas enfim, fosse na bochecha ou no pescoço, por trás da câmera tudo pareceria a mesma coisa. Ele poderia apenas insistir teimosamente que fora na bochecha. Aproveitando o momento, chamou Jesus, que vinha de uma esfera cultural semelhante, e fez com que ele realizasse a mesma pantomima. Jesus reclamou que era nojento, mas entrou na brincadeira, o que permitiu que Jerim relaxasse um pouco.
O entusiasmo dos fãs esfriou instantaneamente assim que ficou claro que era uma saudação simples e não uma exibição pegajosa de afeto. Vendo que as coisas haviam se acalmado um pouco, Jerim entregou o foco da câmera para os outros companheiros que se juntaram e saiu de cena.
Estavam todos tão absorvidos na transmissão, gargalhando, que ninguém notou ou se importou se alguém saísse de fininho. Jerim levantou-se silenciosamente de seu lugar e arrastou Aaron para fora do local. Aaron, que por algum motivo veio sem resistência, murmurou friamente assim que a porta se fechou.
— Você é realmente irritante.
O fato de ele estar até o encarando com um olhar reservado para quando se vê algo imundo era totalmente ridículo. Há um limite para o sujo falar do mal lavado. Jerim respondeu agarrando o colarinho dele e arrastando Aaron por todo o caminho até o quarto de hotel onde estava hospedado.
Quando abriu a porta do quarto, as malas que ele jogara de qualquer jeito estavam espalhadas desordenadamente. Chutando uma mochila de lona considerável para o lado para abrir espaço, ele empurrou Aaron para dentro do quarto e fechou a porta.
Após certificar-se de que a pesada porta de metal estava bem fechada e de que estavam em um espaço completamente isolado do exterior, Jerim abriu a boca.
Ou melhor, estava prestes a abrir. Antes que Aaron avançasse sobre ele como um cão raivoso e mordesse seu pescoço.
— Ugh! Louco, que porra você está fazendo!
Diferente da mordida leve de antes, um som de estalo acompanhou uma dor aguda enquanto sua pele se rompia, aquecendo sua nuca. Jerim empurrou Aaron para longe e sentiu a área mordida com a mão. Exatamente do ponto onde Aaron o beijara antes, um sangue pegajoso agora escorria.
— Me arrastar para o quarto não era um convite para sexo?
Aaron desdenhou, limpando o sangue dos lábios com o polegar. O sangue, borrado descuidadamente, passou pelos cantos de sua boca, como um batom mal aplicado. Em um rosto que já irradiava perigo, o sangue vermelho vivo pintando as bordas de seus lábios de formato sensual era o toque final perfeito e aterrorizante.
Jerim apenas observou a cena em silêncio por um tempo. Ele esqueceu momentaneamente sua resposta pretendida de: “Você está cheio de merda”. Foi porque uma reação anormal muito grande fora detectada em sua parte inferior.
…Deve ser porque faz tempo que não transo; surgiu um pequeno problema. Ou talvez a raiva extrema tenha feito sua adrenalina subir, acelerando seu fluxo sanguíneo.
É, essa maldita e porra de adrenalina.
Fazia sentido se ele pensasse nisso como um fenômeno semelhante a ter uma ereção logo após uma partida. Ele precisava racionalizar dessa forma para evitar bater no próprio pau por ficar excitado em uma situação onde deveria estar agarrando alguém pelo colarinho. Jerim ignorou deliberadamente o fato de que não sentia excitação sexual olhando para um homem desde que terminara com Aaron e cantou silenciosamente o hino nacional.
Agora é o jogo decisivo das oitavas de final da Copa do Mundo… Não. A final dos Jogos Asiáticos onde a isenção militar está em jogo… Ouvi a carta de um soldado logo antes de sair do túnel… Imagine-se diante da bandeira com o coração solene, batendo continência e cantando o hino antes do jogo começar… O membro que estava se posicionando começou a se acalmar.
— Sexo, o caralho? Morder o pescoço de alguém até sangrar é o que você chama de sexo?
Jerim limpou o sangue da mão e retrucou como se estivesse cuspindo as palavras. Um rápido olhar para baixo confirmou que, felizmente, além do tecido sobre sua coxa esquerda estar levemente estufado, tudo estava bem.
Mas não havia nada que ele pudesse fazer sobre seu rosto, que ficara vermelho vivo pelo súbito fluxo de sangue. Jerim orgulhava-se de ser um cara bonito e descolado, mas não gostava de sua pele clara, que mostrava claramente quando o sangue subia.
Porque criava situações muito problemáticas exatamente como essa.
— Isso é uma saudação, não sexo. Você disse que era uma saudação. O sexo vem depois.

Continua…

⌀ ⌀ ⌀

✦ Tradução, revisão e Raws: Faby&Othello

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Sinopse:
— Não preciso da sua mão, então cai fora, seu filho da puta.
Após provar uma derrota amarga na final da Champions League pela segunda vez em sua carreira, Jerim rejeita a mão do atacante do time adversário e ex-companheiro de equipe na academia de base, Aaron, fazendo com que rumores de discórdia voltem a circular.
Na verdade, o relacionamento deles não era bom, então não eram apenas rumores — era discórdia de verdade. Como eles estavam em ligas diferentes de qualquer maneira, ele nunca tinha se preocupado particularmente com isso.
— Vamos tentar nos dar bem de novo, Jerim.
…Até que um mês depois, Aaron veio para o mesmo clube que ele através de uma transferência gratuita*.
Já era irritante o suficiente estar no mesmo time que o cara que o havia humilhado na final recente, mas para piorar as coisas, esse cara por acaso era seu ex de muito tempo atrás.
E eles haviam terminado da pior maneira possível.
*Transferência gratuita: quando o contrato de um jogador termina e ele se muda para um novo clube sem o pagamento de uma taxa de transferência.
[Benefícios para Aaron Reyes se ele se naturalizar coreano]
– Banir Jerim
– Camisa número 9 garantida na seleção nacional
– Cobertura gratuita com vista para o Rio Han em um complexo residencial (excluindo taxa de condomínio)
– Entrega direta dos frutos do mar mais frescos do dia do Mercado de Peixes de Noryangjin (uma vez por semana; caranguejo-rei/caranguejo-das-neves uma vez por mês)
– Entrada gratuita no Lotto World (inclui um acompanhante, uma vez por mês)
– Uso gratuito de bicicletas públicas para o resto da vida
⤷ Hum, usar as bicicletas de graça não é um pouco demais??
⤷ Droga, eles estão até jogando o Jerim no pacote? Se eu fosse o Aaron, nunca deixaria passar essa oportunidade.
Nome alternativo: Second Half Segundo Tempo

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