Ler Deflower Me If You Can (Novel) – Capítulo 125 Online


Modo Claro

Capítulo 125

 

— Haaah…
Soltando um som alto, como se estivesse expelindo todo o ar que havia prendido nos pulmões, ele jogou-se de costas na cama. “Eu fiquei tããão tenso…”, pensou.
— Huuu.
Somente após soltar mais um suspiro audível é que ele sentiu seu coração finalmente se acalmar. Cassian Strickland… Enviar Penélope para espionar foi uma jogada astuta, admito.
“Mas, no fim das contas, ele continua na palma da minha mão.”
Bliss esboçou um sorriso convencido, com os cantos dos lábios arqueados para cima, e passou a cantarolar baixinho enquanto refletia: “Qual será o próximo truque que ele vai tentar usar? Que venha com tudo, porque eu vou vencer todas as jogadas dele.”
— Mwahahat!
Foi bem no instante em que ele soltou uma risada alta e pomposa, digna de um verdadeiro vilão de história. Toc, toc. Diante do som repentino de batidas na porta, Bliss parou e girou o corpo na direção da entrada. Fazia menos de cinco minutos que Penélope havia deixado os aposentos. Será que ela havia esquecido alguma coisa e resolvido voltar?
“Não é possível que ela tenha escutado a minha risada, é?”
Sentindo um frio na barriga, ele desceu da cama e aproximou-se da porta com passos cautelosos antes de indagar:
— Q-Quem é?
Após sua pergunta formulada em tom baixo, houve uma breve pausa antes que uma voz respondesse do outro lado:
— Jovem Blair, é a Dorothy. Eu vim até aqui porque preciso conversar com o senhor.
Tratava-se de uma das funcionárias da residência. Bliss finalmente respirou aliviado, destrancou a porta de leve e colocou o rosto para fora para confirmar. Ao deparar-se com a feição familiar da mulher que o olhava de baixo para cima, Bliss desarmou sua postura defensiva e perguntou:
— Olá, Dorothy. O que aconteceu?
Diante daquela abordagem totalmente desprovida de defesas, Dorothy esboçou um sorriso sereno na direção dele.
Como há muito tempo não se via, o céu exibia um tom de azul completamente limpo e radiante. Exceto por duas ou três nuvens isoladas que flutuavam timidamente ao longe, o clima estava tão agradável que os funcionários trocavam piadas bem-humoradas entre si e agilizavam os afazeres para conseguir desfrutar de um banho de sol o quanto antes.
Contudo, em meio àquela atmosfera vibrante e cheia de vida, existia uma única pessoa que se encontrava totalmente alheia a qualquer vestígio de bom humor.
— …Ele realmente disse isso com todas as letras?
Cassian questionou exibindo um semblante pálido diante do relatório da governanta que aguardava de pé. Penelope, posicionada do outro lado da mesa de mogno do escritório, assentiu com a cabeça rigidamente na direção de seu patrão, que a encarava de sua poltrona:
— Sim, foi exatamente nos moldes do que acabei de relatar ao senhor.
Cassian moveu os lábios, mas as palavras pareceram travar em sua garganta. Ele cobriu a boca com uma das mãos, como se estivesse tentando conter um impulso violento, mas acabou deixando um xingamento ríspido escapar por entre os dentes.
“O cabelo dele é castanho-escuro. Os olhos também são da mesma cor. E ele ostenta uma barba mais ou menos deste tamanho contornando o maxilar. Quanto à estatura, ele é mais baixo que o Conde, mas é bem mais alto do que eu. Sem contar que ele tem um porte físico extremamente robusto.”
Ouvir aquela descrição detalhada de Bliss saindo da boca de Penélope fez com que Cassian se sentisse como se tivesse levado uma pancada violenta na cabeça. Cabelos castanho-escuros, barba cheia, porte físico robusto e muito mais alto que o garoto…
“Maldito… É aquele desgraçado!”
Ele bateu com o punho cerrado sobre a superfície da mesa com força. Não restavam dúvidas. Era o mesmo sujeito com quem Bliss tivera aquele encontro secreto na calada da noite. O noivo de Bliss. Era realmente aquele canalha.
“Por que diabos ele resolveu aparecer logo aqui?”
A suspeita inicial transformou-se em uma certeza absoluta. Embora Penelope não tivesse mencionado o motivo, Cassian conseguia decifrá-lo perfeitamente. A razão por trás daquilo tudo só podia ser…
“Ele deve ter vindo movido pela saudade daquele garoto.”
O que, pensando bem, era o mais lógico. Afinal de contas, deixar uma criatura adorável como aquela desamparada por tanto tempo seria algo totalmente inconcebível…
“Não, espere um pouco.”
Cassian tratou de dissipar aquele pensamento de sua mente em um sobressalto. O brutamontes com certeza viera até ali preocupado com a possibilidade de o garoto estar causando problemas. E, de fato, a presença daquele moleque já havia transformado sua rotina em um verdadeiro caos.
“Sim, com certeza não há outro motivo.”
Ele tentou relaxar as feições ao alcançar aquela conclusão, mas bastou endireitar o tronco na cadeira para que suas sobrancelhas se unissem novamente em um vinco profundo de indignação.
“Não, mas por que cargas d’água aquele tampinha precisava correr de forma tão radiante para os braços dele?!”
Quanto mais ele ruminava sobre a cena, mais sentia o sangue ferver. Até poucos dias atrás, o garoto insistia em dizer que era apaixonado por ele; como podia agora correr daquele jeito na direção de outro homem? Isso significava que Cassian era apenas um capricho, enquanto o noivo ocupava o papel oficial? O corpo e o coração agiam de forma totalmente separada para ele? Bliss Miller… Como ele podia abrigar pensamentos tão levianos por trás daquela fisionomia que exalava pura inocência?
— Mas que atrevido…
Ao ouvir o murmúrio carregado pelo som do ranger de dentes do patrão, Penélope o encarou com uma expressão surpresa. Desde o início da conversa, o Conde alternava freneticamente entre crises de fúria, momentos de calmaria forçada e novos acessos de indignação. Será que o choque de realidade sobre a existência do noivo havia provocado aquela reação? A governanta concluiu que seus palpites estavam cirurgicamente corretos.
“Então trate de admitir logo os seus sentimentos, Conde. Se continuar hesitando dessa maneira, o adorável jovem Bliss vai acabar sendo roubado bem diante dos seus olhos. O senhor vai mesmo ficar de braços cruzados?”
…Embora estivesse morrendo de vontade de despejar aquelas palavras e cobrá-lo de forma enérgica, ela conteve o impulso beliscando discretamente o dorso da própria mão. Na arte da conquista, é fundamental saber o momento exato de avançar e o de recuar. No cenário atual, a melhor estratégia era manter-se como espectadora. Quando a paciência de seu patrão estivesse prestes a ruir por completo, aí sim seria a hora de desferir o golpe de misericórdia…!
— E o subgênero?
Diante do questionamento abrupto de Cassian, Penélope despertou de seus devaneios e respondeu prontamente:
— Ah, sim. Eu fui informada de que ele é um alfa.
— O quê?
Cassian ergueu a cabeça num sobressalto, encarando-a com os olhos fixos. Surpresa com aquela reação totalmente desproporcional, Penélope indagou, confusa:
— O senhor não estava me perguntando sobre o segundo gênero do noivo dele? Disseram-me que ele é um alfa.
— Esse…
Cassian contraiu as feições e rangeu os dentes com força. Que diferença fazia se aquele sujeito era a porcaria de um alfa ou qualquer outra coisa? O que ele realmente queria arrancar de Penélope era o segundo gênero do próprio Bliss! Ele queria confirmar se ela havia verificado se o garoto era de fato um ômega, como ele estava lidando com os medicamentos supressores e se haviam tomado as devidas precauções dentro do castelo…
— Um alfa, você diz?
Como a pergunta havia saído totalmente distorcida de suas reais intenções, Penélope limitou-se a assentir com a cabeça, repetindo a informação pela terceira vez:
— Sim, o noivo do jovem Bliss é um alfa.
“Que inferno, que maldito azar!”
Cassian quase deixou um palavrão escapar pelos lábios, contendo-se no último milésimo de segundo. Em vez disso, ele pressionou uma das mãos contra a boca, respirou fundo para recuperar a compostura e afastou os dedos, exibindo uma fisionomia completamente transtornada.
“Um alfa? Ashley Miller, então você também não passa de um aristocrata comum e previsível? Alfas com ômegas, ômegas com alfas… É sempre essa mesma dinâmica?”
Pensando por esse lado, talvez Bliss estivesse aceitando aquele casamento arranjado de forma tão passiva justamente por ter consciência dessa realidade. Mesmo nutrindo sentimentos por Cassian, o Conde continuava sendo um beta.
“Mas se o empecilho for apenas esse, eu…”
Ao perceber a linha perigosa que seus pensamentos adotavam, Cassian balançou a cabeça negativamente de forma enérgica. “No que você está pensando, Cassian? Recomponha-se!”, repreendeu-se mentalmente. “Deixe de bobagens. O único motivo para você estar com os nervos à flor da pele é o fato de um lixo qualquer ter invadido a sua propriedade sem permissão. E também porque aquele tampinha ousou trazer o sujeito para cá, envolvendo-o em um abraço e tagarelando alegremente sem o meu consentimento.”
Foi nesse momento que Cassian alcançou uma nova conclusão. Sim, aquela situação exigia uma intervenção imediata e severa. Permitir que qualquer desconhecido cruzasse os portões de seu castelo daquela maneira era uma falha de segurança intolerável. Se o garoto ousasse repetir aquele ato, da próxima vez… da próxima vez…
“O que eu deveria fazer?”
Cassian afundou em um dilema profundo. Simplesmente enxotar o invasor não seria o suficiente. Ele precisava aplicar uma punição muito mais exemplar. Um castigo pesado e implacável, capaz de fazer Bliss refletir de verdade sobre suas ações…
“Sim”, concluiu Cassian. “Vou decretar que, sem a minha expressa autorização, ele estará terminantemente proibido de dar um único passo para fora dos limites deste castelo.”
Aquela parecia uma solução impecável. A restrição “fora do castelo” englobava automaticamente toda a extensão dos jardins, o que significava que Bliss estaria impossibilitado de perambular por aí por conta própria. Mesmo que aquele noivo maldito decidisse aparecer novamente.
— …Excelente.
Um sorriso discreto finalmente desenhou-se nos lábios de Cassian enquanto ele murmurava a palavra. Penelope, que até então acompanhava as reações oscilantes do patrão sem entender absolutamente nada, sobressaltou-se quando ele quebrou o silêncio de forma direta:
— Penelope.
— Sim, Conde.
Diante da resposta imediata da governanta, Cassian retomou seu tom de voz habitual e ordenou:
— Vá até os aposentos daquele garoto e traga-o aqui agora mesmo.
— Perdão? O jovem Bliss?
— Sim — Cassian assentiu com a cabeça. — Eu tenho um assunto sério a tratar com ele. Portanto, traga-o à minha presença imediatamente.
— Ah… — ele acrescentou logo em seguida: — Peça para prepararem um chá quente acompanhado de uma seleção de doces apropriada para a ocasião. A propósito, o que aconteceu com aquela torta de limão que você levou mais cedo? Ele comeu?
Diante do questionamento de Cassian, Penélope optou por fingir total demência:
— Ele se recusou terminantemente a tocar no alimento, então acabei deixando a bandeja por lá. Não faço ideia se ele mudou de ideia.
— Entendo…
Cassian franziu o cenho, passou os dedos entre os fios de cabelo de forma inquieta e mudou as diretrizes:
— Então faremos o seguinte. Quando chegar o horário do jantar, conduza-o diretamente para a sala de jantar principal. Como ele passou os últimos dias em jejum, ordene ao chefe de cozinha que prepare um menu especial, dedicando total atenção à refeição de Bliss.
— Sim, Conde. Entendido! Vou transmitir as ordens imediatamente!
Penelope retirou-se do escritório sem perder tempo. Sozinho no cômodo, Cassian soltou um suspiro revigorado e acomodou o corpo na poltrona de forma relaxada. Ao girar o assento de leve, a imensa vidraça trouxe a paisagem do jardim diretamente para o seu campo de visão. Em poucos segundos, os olhos de Cassian fixaram-se em um ponto bem específico: o exato local onde, na noite anterior, aquele encontro ultrajante havia se desenrolar.
“Ousar cometer uma audácia dessas sob o meu teto…”
Ele tamborilou os dedos rapidamente sobre o braço da poltrona e, logo em seguida, soltou uma risada abafada.
“Mas de agora em diante, isso acabou.”

 

Continua…

 

•Raws, Revisão & Tradução: Othello

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Sinopse:
Bliss Miller, o filho mais novo da família Miller e um ômega dominante, apaixona-se à primeira vista por Cassian Strickland quando ainda era criança. Chega até a pedi-lo em casamento com a inocência da sua idade.
Cassian, herdeiro da poderosa família Strickland, não leva a sério essa promessa e eles se separam após um ano. No entanto, Bliss nunca esquece o que aconteceu.
Anos depois, ao ver por acaso o rosto de Cassian no noticiário, lembra-se de tudo o que aconteceu entre eles. A promessa, a traição e a humilhação que sofreu. Decidido a se vingar, Bliss toma uma decisão extrema: infiltrar-se na casa de Cassian como empregado para fazer com que aquele homem arrogante acabe de joelhos pedindo perdão.
Mas o reencontro entre ambos não será tão simples como ele imaginava.

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