Ler Deflower Me If You Can (Novel) – Capítulo 119 Online

Capítulo 119
“Vamos, rápido. Beba, beba isso logo.”
Cassian esperava tomado pela ansiedade. Bliss pareceu erguer um pouco a cabeça, como se olhasse na direção do copo. No instante em que o conde pensou: “Finalmente”, o garoto voltou a desabar a cabeça.
— Estou… bem.
Ah. Cassian quase soltou um lamento audível. A voz de Bliss, que ele ouvia pela primeira vez naquele dia, estava completamente abafada e terrivelmente rouca. O quanto ele devia ter chorado e esgoelado para que o som mal conseguisse sair de sua garganta?
Chegava a dar um aperto no peito por ter exigido a presença dele à mesa do café da manhã. Pensar que ele estaria recuperado a essa altura… Como eu pude ser tão insensível?, recriminou-se internamente.
O garoto acreditava piamente que era correspondido, e então foi obrigado a ouvir que tudo não passava de uma farsa e que eu nunca tinha gostado dele. Como pude achar que ele agiria como se nada tivesse acontecido?
— Bli… Blair…
Cassian hesitou ao tentar pronunciar o codinome de Bliss por puro hábito. “Será que manter esse universo agora é mesmo o mais importante? Não posso retomar isso depois que ele melhorar? No momento, o Bliss é a prioridade; ele está em um estado deplorável.”
Firme em seu novo direcionamento, Cassian tomou fôlego para falar. Embora o nome verdadeiro do garoto parecesse travar em sua garganta, ele precisava dizer. No exato momento em que reuniu determinação e soltou o som:
— Bliss.
— Com licença, eu já vou indo.
Quase em sincronia com a fala dele, Bliss levantou-se abruptamente da cadeira. Pego no contrapé, Cassian piscou os olhos confuso antes de se levantar num salto para contê-lo.
— Espere um pouco, você já vai? Não tomou sequer um gole de água!
Cassian exclamou tomado pelo desespero, mas Bliss permaneceu estático no lugar e respondeu em um sussurro:
— Estou bem, não tenho apetite. Com licença…
Curvando-se em uma reverência polida, Bliss girou nos calcanhares e caminhou em direção à saída. Cassian tentou ir atrás dele, mas mais uma vez foi interceptado. Penelope vinha retornando com a toalha úmida e deu de cara com o garoto no meio do caminho.
— Meu Deus, Bli… Blair. Aonde você vai? E a sua refeição?
— Estou bem, vou voltar para o meu quarto.
Bliss repetiu a mesma resposta de antes e seguiu a passos trôpegos. Diante do olhar de Penelope, que se virou para ele como quem pede autorização, Cassian fez um sinal com a mão indicando para que ela o acompanhasse. Assim que a governanta saiu às pressas amparando o garoto, Cassian, vendo-se sozinho, chamou um dos criados.
— Traga-me uísque. Com gelo.
— Sim, senhor.
Embora o funcionário tenha ficado visivelmente surpreso com a ordem de servir bebida alcoólica logo nas primeiras horas da manhã, ele se retirou sem questionar. Quando Penelope retornou ao recinto, Cassian já estava esvaziando seu segundo copo de uísque.
— Bebendo logo cedo, Conde? — Penelope comentou com a voz carregada de preocupação, mas o foco de Cassian era inteiramente outro.
— Como está o Bliss?
Diante do questionamento direto, Penelope soltou um suspiro angustiado e levou uma das mãos à face.
— Péssimo, é claro. Consegui fazê-lo deitar na cama antes de vir para cá, mas ele está completamente sem forças. Perguntei se precisava de alguma coisa, mas ele apenas insiste que está bem.
Enquanto a governanta soltava mais um suspiro profundo, como se o mundo estivesse desabando, Cassian permaneceu em silêncio por um breve instante antes de indagar:
— Como… como ele estava ontem?
Penelope respondeu de imediato, como se estivesse esperando por aquela pergunta:
— Eu sequer consegui ver o rosto dele. Ele trancou a porta e passou o tempo todo chorando sem parar.
Sentindo um aperto incômodo no peito, Cassian baixou a cabeça. Ele fez menção de tomar mais um gole, mas, ao notar que o copo estava vazio, pousou-o sem forças na mesa e perdeu-se em pensamentos.
— …Você provavelmente não conseguiu dar os doces a ele, não é?
Ao ouvi-lo resmungar para si mesmo, Penelope o encarou com uma expressão de total incredulidade.
— O senhor acha mesmo que alguém que está chorando daquele jeito teria estômago para comer doces? Ele nem abriu a porta, mal pude ver a sombra dele.
Cassian fechou a boca com uma feição amarga. O clima não era dos melhores, mas, analisando por outra perspectiva, aquela era uma barreira que precisava ser rompida de qualquer forma. Afinal, o momento de revelar a verdade inevitavelmente chegaria mais cedo ou mais tarde.
Só calhou de ser agora.
Cassian organizou seus pensamentos de forma fria. Embora a situação estivesse se arrastando mais do que o previsto, ele não deixaria passar de hoje. “Amanhã de manhã o Bliss certamente voltará a ser o mesmo de antes. Sim, isto é apenas uma fase de transição.”
Assentindo com a cabeça como se fizesse uma promessa a si mesmo, ele serviu mais bebida no copo e virou-a de uma só vez. Enquanto isso, o prato que Bliss sequer havia tocado ia esfriando por completo.
“Que tipo de idiota imbecil teve a brilhante ideia de achar que bastava dar algumas migalhas de doces para resolver tudo?”
Na manhã seguinte, ao encarar a cadeira vazia que deveria ser ocupada por Bliss, Cassian deu-se conta da própria estupidez com o rosto completamente pálido. Vendo o patrão sentado sozinho diante de uma mesa deserta, a governanta aproximou-se trêmula de ansiedade e perguntou com angústia:
— Hoje ele nem sequer conseguiu se levantar da cama. Meu Deus, o que nós vamos fazer?
Penelope mexia as mãos de forma inquieta, fixando os olhos tensos em Cassian.
— Ele vai acabar desfalecendo se continuar assim. Sabe… se o próprio Conde fosse até lá pessoalmente e tentasse confortar o Bliss…
— Que tremenda bobagem.
Apesar de ver Penelope desestabilizada, com os olhos oscilando de pânico, Cassian ignorou friamente as preocupações dela.
— Ele está apenas fazendo pirraça. Logo isso passa.
— …
— O que foi? Que cara é essa?
Diante do semblante rígido e silencioso com que a governanta o encarava, Cassian acabou questionando com irritação. Penelope, adotando uma postura severa como nunca antes vista, disparou:
— O Conde realmente enxerga o Bliss como uma mera criança de seis anos de idade?
— …O quê?
Pego de surpresa por aquela abordagem repentina, Cassian vacilou por um instante. Encarando a feição do patrão, Penelope continuou com a voz afiada como espinhos:
— O Bliss já é um homem feito. Ele cresceu. O senhor ainda não se deu conta de que ele não é mais aquele garotinho que se aquieta se você lhe der alguns doces e um tapinha nas costas?
— Mas que grande absurdo…
Cassian quase soltou uma risada sarcástica de pura descrença. “Aquele moleque é uma criança, um pirralho imaturo e ponto final.” Penelope estava sendo enganada por ele, mas a realidade é que Bliss ainda era menor de idade. “Quando ela descobrir isso, vai perceber o quão ridículo é esse sermão que está me dando. ‘Não é uma criança’? Que piada. Aquele moleque é um pirralho, um pirralho mimado e…!”
No entanto, apesar de construir toda aquela linha de raciocínio, ele não conseguiu verbalizar uma única palavra. Afinal, ele sabia melhor do que ninguém quem era o homem que quase havia beijado aquela dita “criança” por diversas vezes.
“Cassian.”
No instante em que a imagem do rosto adorável de Bliss chamando por seu nome invadiu sua mente, Cassian cobriu a face às pressas com uma das mãos. Tentando esconder o rosto que, por algum motivo, ardia em brasa, ele esbravejou de forma ríspida:
— Deixe-o em paz. Quando a fome apertar, ele vai sair por conta própria. Não tenho tempo disponível para ficar alimentando caprichos de criança. Esqueça isso de uma vez e volte ao seu trabalho.
Diante daquela resposta implacável, Penelope sentiu, pela primeira vez na vida, uma mistura de profunda mágoa e fúria legítima borbulhar contra seu mestre.
— Sim, eu estava errada. O Conde tem toda razão. O Bliss é jovem, ele ainda é uma criança. Mas o senhor, sendo um homem maduro e adulto, acha correto bater o pé e agir dessa forma contra uma criança?
Cassian estacou por um instante diante do tom de voz elevado da governanta, que extravasava sua indignação sem rodeios. Penelope não recuou e continuou a despejar as palavras:
— Por que tanta teimosia? Não custa nada. O Bliss vai acabar indo embora daqui a algum tempo de qualquer forma. O senhor não poderia simplesmente tratá-lo com um pouco de afeto até que esse dia chegue? Por que precisa despedaçar o coração do Bliss dessa maneira? Por quê?!
— Isso é…
Cassian tentou formular uma resposta, mas travou. Penelope manteve a postura altiva, aguardando que ele se justificasse se tivesse argumentos, mas o homem apenas balbuciou sem conseguir emitir som algum. Após um longo e constrangedor silêncio se instalar no recinto, Cassian finalmente levou a mão à testa, murmurando com a voz visivelmente embargada:
— Eu não posso. Não… não há necessidade disso.
— Sim, é claro. Como o senhor preferir.
Penelope soltou um estalo sarcástico com a língua, como se já esperasse por aquela resposta, e posicionou as mãos na cintura, cravando um olhar afiado contra ele.
— Seja honesto consigo mesmo de uma vez, Conde. Continuar batendo o pé desse jeito só vai servir para acumular mais carma negativo para as suas costas.
— Mas do que diabos você está falando agora? — Cassian retrucou de olhos fechados, demonstrando total exaustão, até que Penelope soltou uma verdadeira bomba:
— O senhor está apaixonado pelo Bliss! Pare de negar o óbvio e aceite logo os seus verdadeiros sentimentos!
No mesmo segundo, Cassian arregalou os olhos. Suas pupilas se moveram lentamente até travarem na figura da governanta. E, a partir daquele instante, os dois permaneceram em completo silêncio, apenas sustentando o olhar um do que o outro.
•Continua…
•Raws, Tradução & Revisão: Othello
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Sinopse:
Bliss Miller, o filho mais novo da família Miller e um ômega dominante, apaixona-se à primeira vista por Cassian Strickland quando ainda era criança. Chega até a pedi-lo em casamento com a inocência da sua idade.
Cassian, herdeiro da poderosa família Strickland, não leva a sério essa promessa e eles se separam após um ano. No entanto, Bliss nunca esquece o que aconteceu.
Anos depois, ao ver por acaso o rosto de Cassian no noticiário, lembra-se de tudo o que aconteceu entre eles. A promessa, a traição e a humilhação que sofreu. Decidido a se vingar, Bliss toma uma decisão extrema: infiltrar-se na casa de Cassian como empregado para fazer com que aquele homem arrogante acabe de joelhos pedindo perdão.
Mas o reencontro entre ambos não será tão simples como ele imaginava.