Ler No fim do inverno – Capítulo 21 Online


Modo Claro

Quando Você Terminar Isto

 

Era realmente um dia festivo. A rua inteira estava repleta de eventos mágicos.

 

Luzes brancas flutuavam ao redor como vagalumes, e fogos de artifício de papel colorido ocasionalmente explodiam com estrondos, decorando o céu azul.

 

As crianças corriam em grupos pelos becos, rindo alegremente enquanto tentavam pegar os papéis que caíam. Até os adultos estavam completamente envolvidos pela atmosfera do festival.

 

‘Que magia inútil eles têm.’

 

Eunice ficou secretamente surpresa enquanto observava fogos explodindo ao longe. Parecia um desperdício nacional gastar mana daquela forma. Mana, pedras mágicas e magos não deveriam ser recursos raros e preciosos?

 

No entanto, ninguém ali parecia pensar como Eunice.

 

— Não é maravilhoso? É criação do senhor Rowell.

 

— Do senhor Rowell?

 

A voz de Eunice carregava um leve tom de confusão. Afinal, até onde ela sabia, Rowell ainda não havia retornado da Terra da Morte.

 

Imaginando se ele havia chegado sem que ela soubesse, ela perguntou curiosa, e Hannah respondeu com um leve sorriso..

 

— Funciona com ferramentas mágicas.

 

— Ah, ferramentas mágicas.

 

Embora tenha assentido, por dentro ela se surpreendeu novamente. Ferramentas mágicas eram tão preciosas, e ainda assim haviam desenvolvido aquilo para algo tão trivial quanto fogos de artifício de papel?

 

Talvez o nível da magia de Nordish excedesse a imaginação de Eunice. Pensando dessa forma, ela se sentiu extremamente sortuda por essa aliança matrimonial ter caído nas mãos de Tranche.

 

‘Marie, eu vou me casar.’

 

Dirigindo-se silenciosamente à sua babá, que devia estar observando do céu, Eunice se levantou. Era hora de se mover para o salão onde a cerimônia aconteceria.

 

Seguindo a orientação de Hannah, ela se sentiu estranha enquanto andava. Mais criadas a seguiam atrás, cuidando da longa cauda de seu vestido.

 

Usar um véu, receber ajuda de criadas desconhecidas, andar em direção ao salão onde Johannes a esperava — todos esses processos agitavam seu coração.

 

Apenas alguns meses atrás, ela jamais sonharia que viria a esta distante terra de inverno, se casaria e viveria como a esposa de um governante conhecido por sua ferocidade.

 

Sua vida havia se limitado a suportar cada dia, tolerando a corte e o assédio unilateral de Kallian.

 

As grandes portas de arcos antigos se abriram para ambos os lados, e uma luz intensa invadiu o ambiente. Através daquela claridade ofuscante, Eunice viu um homem alto parado ali.

 

‘Johannes Reinhardt.’

 

O encontro de ontem com ele ainda permanecia em seu coração. A gentileza dele era um capricho ou sinceridade?

 

Embora ainda não pudesse saber, queria confiar nele. Eunice entrou na luz.

 

Foi então que pétalas rosadas começaram a cair do teto. Eunice se perdeu por um momento, observando essa cena de sonho.

 

Ah, é como a primavera em St. Laurent.

 

Uma lembrança nebulosa passou por sua mente — rindo e conversando com alguém sob a cerejeira em um canto do orfanato.

 

A diferença agora era que essas milhares de pétalas criadas magicamente desapareciam como uma mentira no instante em que tocavam o chão.

 

Ela descobriria mais tarde que isso também foi desenvolvido por Rowell. As pessoas o elogiavam como um mago romântico por essa magia puramente ornamental que não tinha um pingo de praticidade.

 

— Ah.

 

Após ficar brevemente encantada pela fantasia, Eunice voltou a si. Seus olhos encontraram os do homem parado no altar.

 

Apesar da distância considerável, ela conseguia perceber que Johannes a observava intensamente. Ele inclinou levemente a cabeça, como se a incentivasse a vir logo.

 

Seu cabelo prateado, banhado pela luz do sol, brilhava e capturava sua atenção. O rosto branco visível abaixo dele era perfeitamente alinhado, e a capa vermelha que caía de seus ombros ao chão o tornava um noivo incomparavelmente nobre.

 

Parecia que Johannes Reinhardt era o único que existia no mundo inteiro.

 

Um passo, depois outro.

 

Ela se moveu como se estivesse enfeitiçada. Andando por um caminho assustador e desconhecido, olhando apenas para um homem.

 

Às vezes assustador, às vezes bonito e outras vezes gentil…

 

‘Meu marido.’

 

Repetindo internamente as palavras constrangedoras para si mesma, Eunice parou ao lado dele. Foi então que Johannes inclinou levemente a cabeça e sussurrou de forma brincalhona, apenas alto o suficiente para que ela ouvisse.

 

— Você vai fazer um buraco em mim com esse olhar.

 

— …!

 

As bochechas de Eunice ficaram rosadas como pétalas de cerejeira. Enquanto mantinha obstinadamente os olhos baixos, uma risada suave veio ao seu lado.

 

Trocarem olhares daquela forma e depois ele provocá-la assim. Pensando nisso, ela se sentiu injustiçada e tentou retrucar.

 

— Meu rosto também vai queimar—

 

— O primeiro casamento real do Reino de Nordish foi solenemente iniciado.

 

Suas palavras foram abafadas pela voz do sacerdote que começou naquele instante.

 

Depois de lançar um olhar de lado e baixar os olhos modestamente, ouviu um som de risada ao seu lado. Eunice fechou os olhos com força, o rosto completamente ruborizado.

 

Felizmente, o longo discurso matrimonial amenizou um pouco sua vergonha.

 

— O marido amará fielmente sua esposa, e a esposa respeitará profundamente seu marido, e ambos não deverão soltar as mãos um do outro em meio a qualquer dificuldade ou adversidade…

 

Ouvindo a voz solene ecoando em seus ouvidos, Eunice olhou para o sacerdote com novos olhos.

 

As mesmas vestes dos sacerdotes do sul.

 

Ela sabia secretamente que havia aqueles que tinham ido para o norte ao longo do caminho pioneiro para transmitir a vontade de Deus. Não era surpreendente que sacerdotes e clérigos viajassem pelo mundo para evangelizar.

 

O que a surpreendeu foi Johannes ter aceitado, como religião oficial.

 

‘No que ele está pensando?’

 

Ela sabia que Nordish originalmente não possuía uma religião estabelecida.

 

Alguém lhe ensinara muito tempo atrás que era costume carregar talismãs ou estátuas de madeira como superstições e rezar segundo suas crenças.

 

Eunice lançou um olhar furtivo para Johannes. O longo discurso matrimonial havia terminado, e ele apenas segurava uma pena.

 

Enquanto observava o homem assinando com um rosto seriamente composto, os pensamentos pequenos e complicados que giravam em sua cabeça voaram para longe. Até a luz do sol passando sobre seus longos cílios parecia pausar por um momento.

 

Enquanto admirava inconscientemente sua beleza escultural, Johannes virou a cabeça. Assustada com o contato visual repentino, ela congelou.

 

Enquanto piscava algumas vezes e engolia em seco silenciosamente, ele sorriu levemente e lhe entregou a pena.

 

‘Ah, a assinatura.’

 

Eunice soltou um suspiro quente ao recebê-la. O leve toque de seus dedos deixou uma sensação ardente.

 

Agora eles realmente se tornariam marido e mulher. O som da pena arranhando o papel fazia cócegas desconfortáveis em seu coração.

 

— Com isto, os dois fizeram um voto sagrado como marido e mulher. Como prova disso, pode beijar a noiva.

 

Os olhares de Johannes e Eunice se travaram no ar.

 

Enquanto ela o observava com os olhos suavemente trêmulos, os olhos azuis do homem se curvaram gentilmente. De alguma forma, seu coração turbulento pareceu se acalmar. Seus lábios se encontraram diante de inúmeros testemunhos.

 

Como marcar a primeira pegada sobre um campo coberto de neve onde ninguém jamais havia pisado.

 

 

O majestoso salão de banquetes com seu teto alto. Bandeiras vermelhas decorando as paredes. Longas mesas alinhadas, repletas de bebidas e iguarias. Pessoas dançando ao som alegre dos músicos.

 

O calor da recepção se dissipou e desapareceu como uma miragem. E um ar fresco preencheu o lugar onde o calor intenso havia estado.

 

O ar desconhecido envolvendo sua pele lhe causava arrepios. Vestindo desajeitadamente uma fina camisola com decote profundo, Eunice olhou ao redor com olhos trêmulos.

 

Tomar banho, passar perfume, adornar-se.

 

Assim, ela havia entrado no quarto dos recém-casados. Johannes parecia não ter chegado ainda.

 

— Ufa…

 

Respirando fundo, Eunice foi em direção à cama. Sentando-se levemente na borda, olhou ao redor, e seus olhos pousaram sobre uma elegante garrafa de álcool e dias taças dourados.

 

Seria ela capaz de passar a noite sóbria?

 

Seu coração batia ainda mais forte, sem saber quando Johannes abriria aquela porta e entraria. Incapaz de esperar indefinidamente, Eunice desejava desesperadamente tomar emprestado o poder do álcool.

 

Se soubesse, teria bebido um pouco na festa de recepção. Agora se arrependia de sua moderação devido à baixa tolerância.

 

‘Mesmo agora…’

 

Justo quando estava prestes a servir a bebida. Clique — ao som da porta se abrindo, Eunice virou a cabeça como se tivesse se queimado. Era Johannes.

 

Ele se apoiava casualmente na porta, exalando uma energia lânguida.

 

— Eunice.

 

— Você chegou?

 

Seria porque ela estava nervosa demais?

 

Constrangedoramente, sua voz saiu rouca. Limpando rapidamente a garganta em vergonha, acrescentou algo em tom normal.

 

— Eu vi você bebendo mais cedo, então pensei em beber um pouco também. Para entrar no clima…

 

Eunice não conseguiu terminar a frase. Johannes, que de alguma forma já havia se aproximado, pegou gentilmente a garrafa de sua mão. Então ele a abriu habilmente e a inclinou.

 

Eunice prendeu silenciosamente a respiração enquanto ouvia o líquido vermelho preencher a taça dourada.

 

— Aqui.

 

— Obrigada.

 

Justo quando levava a taça que ele lhe entregara até os lábios—

 

— Se você terminar isso, posso esperar alguma coisa?

 

— …!

 

Eunice afastou a taça dos lábios e olhou para cima. Johannes a observava de cima, segurando frouxamente sua própria taça entre os dedos.

 

Uma atmosfera sensual e perigosa fluía entre eles.

 

Como se dissesse a ela o que esperar, seu olhar se moveu ligeiramente para baixo. Os lábios vermelhos de Eunice refletiam-se nos olhos azuis revelados sob seus longos cílios.

 

Continua …

Tradução e Revisão: Elisa Erzet 

 

Ler No fim do inverno Yaoi Mangá Online

— Tenha um filho de Johannes, Reinhardt, e solidifique a aliança.
Ela estava prestes a ser enviada como uma espécie de refém para o infame governante do Norte, conhecido por sua crueldade.
— Por favor… Que ele não seja tão aterrorizante quanto dizem os rumores.
Com o coração cheio de medo, Eunice parte rumo à terra desconhecida do inverno…
— Perdão, sinto muito, não quis te assustar.
— Você é bonita mesmo sem maquiagem. Sinceramente, não consigo ver diferença.
— Quando estivermos só nós dois, me chame pelo nome.
O afeto inexplicável do rei… Seria apenas um capricho, ou algo genuíno?
Johannes, se lembra da garota como um raio de sol, e Eunice, não reconhece o menino antes tão mal-humorado.
Um doce romance de inverno sobre cura e reencontros, entre Eunice, que viveu uma vida inteira lutando para ser amada, e Johannes, que a ama incondicionalmente pelo que ela é.
 
Uma das frases favoritas dessa tradutora aqui.
 
— Está tudo bem se você não provar a sua utilidade.

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