Ler Vamos nos Encontrar Vivos (Novel) – Capítulo 129 Online

↫─Capítulo 129
Shinu abaixou-se, segurando cuidadosamente a panturrilha de Taebaek, e puxou lentamente sua perna para fora. O sangue que manchava suas calças era de fato de Taebaek.
Uma ferida longa, do tamanho de uma palma, estendia-se pela parte externa de sua coxa esquerda. Não era um corte preciso como o de uma faca, mas parecia ter sido causado por algo rombo, porém afiado o suficiente para criar um rasgo longo. A ferida era bastante profunda. Não havia se rompido de forma limpa, fazendo com que a pele ao redor ficasse irregular e rústica. O ferimento havia piorado, provavelmente devido à corrida, ao negligenciamento e ao manuseio brusco, a ponto de os músculos estarem agora visíveis.
Não era um ferimento que pudesse ser tratado apenas com um pouco de pomada e bandagens. Precisava de pontos. No entanto, com o kit de primeiros socorros do carro, tal tratamento era impossível.
Shinu mordeu o lábio inferior enquanto olhava para Taebaek. O rosto de Taebaek havia ficado pálido como o de um fantasma, como se tivesse visto um espírito. Shinu agarrou urgentemente a mão de Taebaek.
— Taebaek-ah.
— …Poderia ser… eu fui mordido por um Devorador?
— …
Shinu não conseguia responder facilmente. A ferida fora infligida há menos de uma hora. Pelo que podia ver, não havia sinais visíveis de infecção viral. Mas o que poderia acontecer em mais uma hora — ele não podia garantir.
Ainda assim, como ele poderia confessar a verdade? Shinu aprendera com a família que conheceu no outlet que, às vezes, em situações como estas, mentiras eram necessárias.
— Não. Eu não acho que sim.
Shinu, encontrando os olhos de Taebaek, negou firmemente. No entanto, apesar de suas palavras, a expressão tensa de Taebaek não suavizou.
— Mas e se eu fui mordido… o que acontece então?
— Eu te disse, não é isso.
— Como você sabe? Naquele momento caótico, um Devorador poderia ter arranhado minha perna com os dentes enquanto emergia do chão.
— …Taebaek-ah.
Shinu chamou o nome de Taebaek novamente. Ele também estava completamente perdido. Esta era uma situação que ele nunca havia imaginado.
Ele pensara que poderia proteger Taebaek. Por que não conseguiu? Taebaek não era alguém que agia de forma imprudente ou desobedecia ordens. Além disso, ele tinha habilidades de combate decentes, estava em boa forma física e possuía bom julgamento em crises.
Como guarda-costas, não havia nenhum desafio particular em protegê-lo.
Portanto, o fato de as coisas terem chegado a este ponto — era o fracasso de Shinu. Ele deveria ter vigiado Taebaek mais de perto.
Ele não tinha ideia de quando ou como este ferimento havia acontecido. Por mais que forçasse o cérebro, não conseguia se lembrar de um momento durante a fuga do outlet em que Taebaek tivesse se ferido. Foi pura negligência. Mesmo que Taebaek o culpasse, Shinu não tinha desculpas ou dignidade para se esconder.
O rosto de Shinu gradualmente se contorceu de culpa, e Taebaek deu um sorriso autodepreciativo.
— …Eu vou morrer agora?
— Por que você morreria? Você não vai morrer.
— Se eu estiver infectado com o vírus, eu vou morrer.
Shinu fechou os olhos com força. Era apenas um ferimento. Certamente, era apenas um corte de um dos muitos obstáculos que encontraram ao fugir. Ele sabia disso. Mas, ainda assim, no fundo de sua mente, uma pequena e perversa dúvida começou a surgir — E se, por acaso….
Se Taebaek morrer…
Se ele não puder mais tocar aquele rosto bonito e aqueles fios de cabelo macios…
Se a voz que chamava seu nome desaparecer do mundo…
Se aqueles olhos adoráveis que o observam apodrecerem e decaírem…
Se o calor do abraço de Taebaek evaporar…
Se a primeira pessoa que Shinu amou deixar o seu lado…
Se ele for deixado completamente sozinho neste mundo ensanguentado…
Apenas imaginar isso o sufocava. Seus olhos queimavam, como se acesos por um fogo abrasador, e Shinu, de cabeça baixa, esfregou os olhos com as costas da mão. Taebaek, vendo isso, puxou o pulso de Shinu em sua direção e, com olhos suaves, olhou para ele. Com uma voz carregada de resignação e misturada ao vento, ele falou.
— Eu imaginei minha morte… algumas vezes, na verdade.
— Taebaek-ah.
— Mas… eu nunca imaginei uma morte tão sem sentido como esta. Eu sempre pensei que seria devorado inteiro por um Devorador. Eu só esperava não me tornar um deles, que pelo menos minha cabeça não fosse comida. Mas pensar que eu morreria de uma morte tão trivial.
— …
— Bem, pelo menos é um alívio que você seja a última pessoa que eu vejo, não um Devorador, certo?
Taebaek sorriu fracamente. Era um sorriso deslumbrante, mas não tão brilhante quanto antes. Havia tristeza e resignação nele.
Taebaek já havia aceitado sua morte, falando como se fosse inevitável. Ouvindo essa tragédia se desenrolar, Shinu sentiu como se pudesse morrer ali mesmo. Ele se sentia como uma planta secando sob o sol escaldante, murchando gradualmente.
Ele não sabia o que dizer. Deveria se desculpar, dizer que sentia muito por não tê-lo protegido? Ou deveria oferecer conforto, garantir a Taebaek que tudo ficaria bem, que ele não morreria, que ele seria diferente dos outros? Ou talvez devesse apenas abraçá-lo com força e chorar tudo o que sentia?
Enquanto Shinu hesitava, ele subitamente notou o sangue ainda fluindo da coxa de Taebaek. Estivesse infectado com o vírus ou não, ele não podia ficar parado sem fazer nada.
Shinu buscou o kit de primeiros socorros e uma mangueira de borracha no porta-malas do carro. A mangueira era algo que ele guardava para sugar gasolina.
Agachado ao lado do assento do motorista, Shinu enrolou firmemente a mangueira em volta da coxa de Taebaek. Se, por qualquer chance, a ferida estivesse infectada com o vírus, ele precisava ganhar tempo para eles. Depois disso… depois disso…
Shinu fechou os olhos com força, depois os abriu novamente, falando com a voz mais calma que conseguiu manter.
— Dói?
— …Não tenho certeza. Sinto que estou ferido, mas não dói tanto quanto eu pensei que doeria.
— Não é o tipo de ferimento que doeria muito. Deve apenas arder e parecer quente e latejante, certo?
Taebaek assentiu. Ele torceu levemente a perna para olhar a ferida. A visão do corte o fez estremecer. Tendo vivido uma vida bastante protegida, ele nunca havia se machucado tanto antes. Sua pele estava rasgada e ele podia sentir a dor, mas ainda não parecia inteiramente real. Era como um sonho.
— Como eu não percebi um ferimento assim…
— Quando as coisas estão caóticas, você nem percebe a dor. Eu já fui esfaqueado algumas vezes e até baleado, então eu sei.
A resposta monótona de Shinu fez Taebaek rir baixo.
— Você não deveria usar palavras como “normalmente” ou “geralmente” para descrever suas experiências.
— …
Shinu respondeu arqueando levemente as sobrancelhas. Ele arrastou uma caixa de bebidas próxima e sentou-se nela. Então, tirou um par de tesouras médicas do kit de primeiros socorros.
Shinu cortou cuidadosamente as calças rasgadas de Taebaek para limpar a ferida. Enquanto pegava as bandagens para estancar o sangramento, seu olhar foi capturado pela ferida aberta.
Sim, isso deve… doer…
Após encarar a ferida por um momento, Shinu subitamente bateu com a palma da mão sobre ela. Pá! Um som alto ecoou enquanto Taebaek recuava em choque e se contorcia de dor.
— Ai!
Foi excruciante. Seus olhos até se encheram de lágrimas pelo solavanco súbito. Ele mordeu o lábio com força e encarou Shinu. Pela primeira vez, realmente a primeira vez, Taebaek sentiu um momento passageiro de raiva em relação a Shinu.
— Por que você fez isso?!
— …Dói?
— Como não doeria quando você me bate assim?!
Até se você batesse em pele não ferida, isso ainda doeria!
Taebaek, com lágrimas acumuladas nos olhos, gritou em frustração. Shinu gemeu baixinho em resposta. Apesar de ter acabado de infligir uma violência aleatória, ele permanecia estranhamente calmo. Era enfurecedor. Rangendo os dentes, Taebaek agarrou as bochechas de Shinu com ambas as mãos e começou a apertá-las.
— Você está me tratando assim porque acha que eu estou prestes a morrer? Não poderia ser um pouco mais gentil? Precisa me fazer sentir tão miserável?
— Taebaek-ah.
Shinu, com o rosto espremido fazendo sua voz parecer tensa, chamou.
— O quê?!
— Se você estivesse infectado com o vírus, não doeria.
— …
A respiração de Taebaek parou. Seus olhos endureceram como pedra. Shinu agarrou as mãos de Taebaek, que ainda seguravam suas bochechas, e continuou gentilmente.
— Você se lembra da governanta que foi à sua casa? Ela teve um pedaço do tornozelo arrancado por uma mordida, mas não emitiu um único som enquanto era tratada, como se tivesse sido anestesiada. E aquele cara com os óculos de armação de tartaruga — foi a mesma coisa com ele. A boca dele estava rasgada pela infecção, mas ele não mostrava sinais de dor.
— …
— Quando você está infectado, seu senso de dor fica paralisado.
Diante das palavras de Shinu, Taebaek engoliu em seco. Ele olhou para a ferida em sua coxa, ainda sangrando pela batida que Shinu lhe dera. O local ainda ardia com a dor, como se sua carne estivesse fervendo.
— Aquilo doeu… muito, agora pouco…
— Significa que você não está infectado.
— …Então, eu não vou morrer?
— Sim.
— E eu não vou virar um Devorador também?
— Sim.
— Sério?
— Sim.
Shinu assentiu. A boca de Taebaek ficou levemente entreaberta. De repente, toda a força drenou de seu corpo. Ele não conseguia nem mover um dedo. Seu olhar continuava derivando em direção ao céu. Estava chovendo torrencialmente há pouco, mas agora, sob o céu claro e refrescante, ele se sentia irritado e, ao mesmo tempo, grato.
Enquanto Taebaek, tendo escapado por pouco das garras da morte, jazia mole de alívio, Shinu começou a aplicar os primeiros socorros. Primeiro, ele aplicou pressão para parar o sangramento com gaze e bandagens, depois lavou as próprias mãos com soro fisiológico antes de desinfetar os ferimentos de Taebaek. Levou muito tempo para limpar a sujeira dos cortes.
Depois disso, ele praticamente lambuzou a ferida com pomada e pegou as bandagens. Ele precisava enrolar firmemente para evitar que a ferida se abrisse novamente.
Com as sobrancelhas franzidas em concentração, Shinu moveu as mãos cuidadosamente. Ele enrolou a bandagem firmemente na direção oposta à ferida, prendendo-a com fita médica.
A essa altura, Taebaek já havia recuperado um pouco da compostura. Ele observava Shinu tratar seus ferimentos com um sorriso, até mesmo desembrulhando casualmente uma bala MyChew. Ele não estava infectado com um vírus, não estava se transformando em um Devorador, e nem seus braços nem pernas foram amputados.
Depois de se preocupar com os piores resultados possíveis, esta lesão parecia insignificante. Doía, mas a dor era um sinal de que seus nervos ainda estavam vivos, e ele encontrou conforto nisso.
Tudo graças a Shinu. Pela 170ª vez, Taebaek pensou em como tinha sorte de ter o inteligente e calmo Shinu ao seu lado.
Assim que Shinu terminou o tratamento e começou a guardar o kit de primeiros socorros, Taebaek decidiu mostrar sua gratidão oferecendo-lhe uma bala MyChew. Era a coisa mais preciosa que ele tinha agora, e ele havia se decidido a dar uma para ele.
— Hyung, aqui, pega isso…
Mas Taebaek não conseguiu entregar a bala para Shinu. Porque, naquele momento, Shinu de repente lançou-se em seus braços.
Continua…
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✦ Tradução, revisão e Raws: Faby&Belladonna
Ler Vamos nos Encontrar Vivos (Novel) Yaoi Mangá Online
Sinopse:
Um vírus zumbi se espalhou na pacífica Seul.
A Coreia deu aos zumbis o nome de ‘Meogbo/Comedores’, e, após uma luta, eles falham em erradicar os meogbo.
– Caros coreanos, no dia 30 de setembro, nosso governo e Seul decidiram abandonar a Península Coreana.
– Venham para Jeonnam.
– Os militares estão esperando no Porto de Mokpo, em Mokpo, Jeollanam-do.
– Queridos cidadãos. Vamos todos nos encontrar vivos.
Shin-hoo: um bodyguard bruto, das forças especiais.
Han Tae-baek: um chefe brincalhão, de rosto frio e estômago fraco.
Han Tae-baek precisa sobreviver, Shin-hoo precisa salvar Tae-baek.
Juntos, os dois navegam por um mundo em caos.
– Se você achar que sua vida vai correr perigo para me salvar, então me abandone. Eu não quero ir para lá.
Tae-baek tentou falar com calma.
– Não vou te deixar sozinho. Não importa o que aconteça, não vou embora.
Shin-hoo respondeu com seu tom calmo característico.
Os dois se aproximam à medida que passam tempo juntos.
Tae-baek descobre a ternura escondida na indiferença de Shin-hoo; Shin-hoo se encharca do afeto imprudente de Tae-baek.
– Você gosta de mim? Acho que vou me apaixonar em alguns dias. É o que estou sentindo.
– …
– E talvez você também me ame.
Tae-baek confessa seu amor com orgulho, sorrindo como um garoto que acabou de viver seu primeiro amor.
Shin-hoo ri baixinho, sem responder.
Os ‘Comedores’ se aglomeraram ao redor dos dois.
Não morra, não desista. Vamos todos nos encontrar vivos.
Nome alternativo: Vamos Nos Encontrar Vivos Stay Alive Lets Meet Alive