Ler Cão Preso na Gaiola (Novel) – Capítulo 07.7 Online

Capítulo 7.7 O Tempo de Heeyeon
Jung Heeyeon não estava em uma idade em que precisasse do abraço de outra pessoa, e esse pensamento tardiamente o fez se sentir um pouco envergonhado. Seus cílios tremularam para baixo.
— Eu pensei que você tivesse se agarrado a mim porque ainda é um bebê. Você não sabia?
Ao tom persuasivo, Jung Heeyeon hesitou, sem saber como responder. Parecia que ele realmente havia se enterrado nos braços de Yeon Woobeom . Embora já meio que esperasse por isso, ouvir o tom de provocação de Yeon Woobeom direcionado a ele fez seu rosto corar incontrolavelmente. Diante da risada baixa, Jung Heeyeon mexeu nos dedos por hábito.
— Eu nunca fiz isso antes…
Como sempre dormira sozinho até agora, era natural que nunca tivesse se enterrado nos braços de outra pessoa. Jung Heeyeon hesitou, perguntando-se se deveria se desculpar, antes de abrir a boca cautelosamente.
— Diretor, o senhor não gostou?
— Eu apenas pensei que talvez você tivesse alguns hábitos de sono porque é um bebê.
Yeon Woobeom colocou uma mão na bochecha que havia puxado para mais perto, esfregando suavemente os olhos macios e dóceis. Não era que ele não gostasse — era mais que isso o colocava em uma situação difícil. Ter seu sono encurtado pelo trabalho era uma coisa, mas tê-lo interrompido por um ômega se enterrando em seus braços era uma questão inteiramente diferente. Ainda assim, ele não conseguia afastar Jung Heeyeon, que respirava suavemente em seu abraço. Nem queria.
Claro, se manhãs como a de hoje continuassem se repetindo, isso se tornaria um problema.
Yeon Woobeom relembrou o que acontecera apenas alguns minutos atrás. Exausto de dias quase sem dormir, ele só conseguira cochilar pela manhã. Ele se tornara um tanto acostumado com a presença de Jung Heeyeon em seus braços e o fluxo inconsciente de feromônios ômega, o que tornou aquilo possível.
O que o despertara bruscamente fora a sensação provocante que sentira na parte superior de sua coxa — ou melhor, algo mais do que apenas sua coxa. Agarrar o pulso de Jung Heeyeon fora quase reflexivo. Ele só compreendeu totalmente a situação depois.
— Eu vou continuar dormindo com o senhor no futuro, Diretor…
Quer soubesse ou não do dilema de Yeon Woobeom , Jung Heeyeon apenas proferiu palavras inocentes. Seu rosto não mostrava nenhum sinal de compreensão sobre o que o alfa à sua frente poderia estar pensando.
— Mmm, você vai continuar dormindo comigo?
O alfa experiente escondeu facilmente os pensamentos que giravam em sua mente. A bochecha contra sua palma estava, como sempre, macia e quente.
— Sim. Mas se o senhor se sentir desconfortável…
Jung Heeyeon deixou suas palavras morrerem. Seus dedos pálidos e delgados mexiam-se ocupados, como se estivesse tenso com a perspectiva de ser mandado embora do lado do homem. Suas unhas levemente rosadas continuavam se escondendo sob os outros dedos e depois aparecendo novamente.
— Está tudo bem. Fui eu quem pediu para dormirmos juntos.
— Eu não sabia que me agarraria ao senhor enquanto dormia. Eu nem percebi isso sozinho até agora, mas parece que gosto do calor de outra pessoa.
— Outra pessoa?
A curva suave dos olhos de Yeon Woobeom estreitou-se em um instante.
— Heeyeon, você acha que gostaria do calor de outras pessoas também?
— Perdão? Não. Eu gosto do seu calor porque estou dormindo com o senhor… Eu só gosto do senhor, Diretor.
— Bom garoto.
Yeon Woobeom deu um selinho rápido nos lábios de Jung Heeyeon antes de se levantar. Justo então, o telefone na mesa de cabeceira zumbiu com uma vibração. O homem caminhou em direção a ele.
Jung Heeyeon baixou os pés no chão e encarou fixamente as costas de Yeon Woobeom . Então, com uma expressão confusa, inclinou a cabeça levemente.
O homem de costas estava vestido casualmente com uma camiseta de manga curta e calça de moletom. Jung Heeyeon tinha certeza de que sentira algo duro cutucando sua coxa antes, mas, não importa como olhasse, não parecia haver nada nos bolsos de Yeon Woobeom .
Também não havia nada embaixo do cobertor… então o que era aquilo? A preocupação trivial desapareceu no momento em que Yeon Woobeom se virou.
— Heeyeon.
— Sim?
— Você quer andar de helicóptero?
–
Jung Heeyeon engoliu a água ruidosamente. Ele gostava de olhar para baixo de lugares altos, mas o barulho e o balanço faziam sua cabeça girar.
— Vamos com calma quando formos para Seul.
Yeon Woobeom disse, segurando a garrafa de água nos lábios de Jung Heeyeon e dando tapinhas reconfortantes em suas costas.
— Sim. Estou bem. Mas, Diretor…
— Sim?
— Onde estamos?
O lugar onde haviam chegado de helicóptero era desconhecido. Os edifícios passaram rápido demais para distinguir qualquer cenário claro, mas era, sem dúvida, um local desconhecido.
— Você não deve se lembrar, já que o viu à noite. É aqui que nos conhecemos pela primeira vez.
Diante da resposta inesperada, os lábios de Jung Heeyeon se abriram com um — Ah. — Ele se lembrava vagamente de que era Busan.
— Então podemos ver o mar?
— Sim, é logo ali.
Yeon Woobeom acenou com a cabeça em direção ao lado de fora da janela com um movimento de cabeça. Jung Heeyeon finalmente se virou para olhar. Eles entraram direto em um carro depois de descerem do helicóptero, e ele estivera tão focado em Yeon Woobeom que não pensara em olhar para fora. O mar à luz do dia parecia uma entidade inteiramente diferente daquela que ele vira à noite, há muito tempo.
Em vez de ondas escuras, ele via espuma branca subindo e, em vez de luzes flutuantes, via os reflexos cintilantes da luz do sol.
— É lindo. Esta é a minha primeira vez vendo o mar durante o dia.
— Hmmm, é mesmo? Então o nosso Heeyeon pode olhar o quanto quiser.
O olhar de Yeon Woobeom não estava no mar que se estendia ao longo da estrada, mas na nuca pequena de Jung Heeyeon. Como esperado, parecia que ele havia esquecido completamente as memórias do acidente.
Não importa o quão jovem ele fosse, era difícil acreditar que pudesse esquecer que quase se afogou no mar. Mas, vendo que ele nem se lembrava de nada sobre o próprio mar, o choque daquela época deve ter sido imenso.
O pensamento do velho que fizera Jung Heeyeon acabar assim azedou o humor de Yeon Woobeom em um instante. O canto de sua boca inclinada afiou-se em um sorriso de escárnio frio e refinado.
Depois de dirigir por algum tempo, o carro parou suavemente no destino. Alfas da Jiwoo, que haviam chegado mais cedo, esperavam em frente a um contêiner. Eram mercadorias que deveriam ter caído nas mãos do homem há muito tempo em vez de Jung Heeyeon — itens que haviam sido lavados duas vezes.
Saindo do carro, Yeon Woobeom voltou-se para o ômega que o seguiu até o chão e perguntou.
— Heeyeon, quer entrar e dar uma olhada?
O olhar gentil de Jung Heeyeon deslocou-se em direção à massiva estrutura de ferro. Os líderes de equipe com quem ele estava familiarizado estavam abrindo as portas firmemente fechadas. Ele agora sabia que o objeto se chamava contêiner, não uma gaiola, mas não sentia vontade de entrar. Parecia que aquilo poderia desenterrar memórias de ser punido.
— O que tem guardado aí dentro?
— Armas.
— Armas?
— Sim. Ou você prefere ficar aqui fora olhando o mar?
O cheiro de metal enferrujado cavalgava a brisa marinha com odor de peixe e grudava em sua pele. Jung Heeyeon, estranhamente, recusou a primeira sugestão de Yeon Woobeom .
— Então eu vou ficar aqui olhando o mar.
— Tudo bem. Você pode ficar com o Líder de Equipe Shim Soocheon.
Yeon Woobeom inclinou a cabeça para chamar Shim Soocheon. Um homem, que deveria segui-lo para dentro do contêiner, aproximou-se rapidamente. A julgar pela animação que já transbordava em sua expressão, ele parecia ter adivinhado qual tarefa receberia.
— Cuide do bebê.
— Sim, senhor. Entendido.
Deixando Jung Heeyeon com Shim Soocheon, Yeon Woobeom entrou no contêiner. Antes mesmo que o som de botas esmagando metal pudesse ecoar, as armas de fogo preenchendo o espaço surgiram à vista. Kim Chulwoo aproximou-se e iniciou seu relatório.
— Terminamos de checá-las assim que chegaram nesta madrugada.
Ao entrar no contêiner, uma ressonância arrepiante o saudou — um som que despertava memórias desagradáveis. No entanto, sua expressão fria não mostrou uma única rachadura.
— E quanto ao código?
— Precisaremos verificar depois de movermos para Incheon, mas não há sinais de que o contêiner tenha sido adulterado.
Terminando sua declaração, Kim Chulwoo baixou ainda mais a voz para relatar detalhes adicionais. Os olhos de Yeon Woobeom , fixos nas armas, tornaram-se cada vez mais sombrios e pesados.
— Também identificamos a sombra que nos seguia. Parecia que estavam tirando fotos. Devemos apenas deixá-los?
As mercadorias já haviam entrado na Coreia, mas eram, afinal, armas de fogo negociadas ilegalmente. Ainda assim, o motivo de ter vindo checá-las em plena luz do dia era atrair a sombra para que continuasse por perto.
— Se eu soubesse que tirariam fotos, teria me vestido melhor.
Não era o tipo de comentário que se esperaria de alguém que viera conscientemente para Busan no meio do dia, plenamente ciente de que seria fotografado. A sombra do Grupo Sunha provavelmente tirara fotos dele entrando no contêiner. Não era difícil adivinhar qual rota aquelas fotos tomariam ou em mãos de quem acabariam.
— Estou realmente curioso sobre que tipo de exibição eles farão com algumas fotos.
Virando-se, Yeon Woobeom emitiu mais algumas ordens.
— Mova as mercadorias para Incheon por enquanto.
— Sim, senhor.
— E a Chefe Nam?
— Ela disse para lhe dizer que correu feito louca e perguntou se o senhor está satisfeito.
Ouvindo a piada sem graça de Nam Soohyun, Yeon Woobeom franziu a testa levemente.
— A Chefe Nam está fazendo umas piadas bem sem gosto.
— Confirmaremos tudo primeiro e depois entraremos em contato com o lado da Chefe Nam.
— Tudo bem.
— Devo preparar o helicóptero?
— Vamos de carro. Secretário Kim Chulwoo, você pode ir de helicóptero se quiser.
— Não, senhor. Vou deixar tudo pronto para o senhor partir imediatamente.
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Sinopse:
A sensação de flutuando na água. O cheiro de ferro enferrujado. Uma jaula cercada por todos os lados.
— O que é isso agora?
Um rosto tão frio quanto o ar do inverno.
— O que eu deveria receber era…
Uma cicatriz acima da pálpebra e,
— Não esse tipo de vira-lata.
Olhos ferozes, como se pudessem devorar alguém.
— …Ah.
E o cheiro salgado do mar.
Esse era um mundo que Jung Heeyeon nunca tinha visto antes.
Nem uma única vez.
—
Abrindo os olhos dentro de um contêiner vazio, Jung Heeyeon segue um homem que nunca conheceu antes sem resistência, simplesmente porque o homem é um alfa dominante.
Enquanto isso, o Diretor Yeon recebe uma ligação do Chefe Nam, que lhe enviou um “presente”, e descobre que o ômega no contêiner é parente do Presidente Jung, uma figura de um passado sombrio.
— Heeyeon.
— … Sim?
— Você tem dezenove anos?
— Sim.
— Então você é um bebê.
— Eu não sou um bebê.
— Bebês geralmente odeiam ser chamados de bebê.
— Não é assim… Quer dizer, eu tenho dezenove…?
Diante dessa resposta sincera, o Diretor Yeon solta uma risada suave.
— Você vai dar trabalho, não vai?
— Vou tentar… não ser um fardo.
— Não se preocupe, Heeyeon.
— ……
— Eu gosto de coisas que exigem muita atenção.
O homem, que trouxe Jung Heeyeon para dentro de sua casa, faz uma sugestão gentil.
— Que tal chamarmos isso de acordo?
— Acordo?
— Porque eu preciso de você.
Nome alternativo: Dog On The Hutch Co Preso Na Gaiola Cachorro Preso Na Gaiola