Ler Cão Preso na Gaiola (Novel) – Capítulo 04.3 Online

Capítulo 4.3 Vínculo
Em vez de responder, Yeon Woobeom continuou a encarar Jung Heeyeon, com o queixo ainda apoiado na mão. Normalmente, Jung Heeyeon teria notado o olhar e levantado a cabeça, mas hoje seu rosto, levemente rechonchudo, permaneceu fixo na sopa. O homem rapidamente percebeu que Jung Heeyeon estava evitando seu olhar intencionalmente. Os olhos escuros do alfa se estreitaram levemente.
— Obrigado pela comida.
Mesmo evitando visivelmente o contato visual, Jung Heeyeon ofereceu sua gratidão educadamente. Depois de misturar as belas guarnições na sopa, ele mergulhou a colher no caldo branco. Um pedaço de bolo de arroz fatiado finamente deslizou para a colher. Quando ele comeu o caldo e o bolo de arroz juntos, um sabor salgado se espalhou em sua boca. As cenouras e as tiras de ovo que ele mastigou junto também estavam deliciosas.
— Heeyeon.
— Sim?
Yeon Woobeom recostou-se e fez uma piada descontraída.
— Já que você tem que comer tanto quanto a sua idade, teria que comer vinte tigelas.
Só então o olhar de Jung Heeyeon se voltou para Yeon Woobeom. Suas bochechas claras, que estavam ocupadas mastigando a sopa de bolo de arroz, inflaram levemente.
— Eu não consigo comer tudo isso…
Jung Heeyeon franziu a testa um pouco, como se estivesse considerando seriamente quantas tigelas mais de sopa ele conseguiria aguentar.
— Tradicionalmente, você come uma tigela de sopa de bolo de arroz para envelhecer um ano. Você não sabia?
— Hein? Mas você envelhece naturalmente conforme o tempo passa…
Somente quando Yeon Woobeom riu baixinho é que Jung Heeyeon percebeu que estava sendo provocado.
— Eu tenho vinte anos agora.
— Entendo. Você tem vinte.
— Sim.
Jung Heeyeon respondeu educadamente, balançando a cabeça.
— O que você quer fazer?
— O que eu quero fazer?
— É.
Pego de surpresa pela pergunta inesperada, Jung Heeyeon mastigou diligentemente seu bocado de sopa de bolo de arroz enquanto mergulhava em pensamentos. Eles já tinham tido uma conversa semelhante antes, mas nada mudara muito desde então. Cada dia era agradável, e apenas estar com o Diretor Yeon Woobeom parecia mais do que suficiente.
— Não tenho certeza… mas tudo é ótimo quando estou com o senhor, Diretor Yeon Woobeom.
Ouvindo a resposta mansa, Yeon Woobeom inclinou a cabeça levemente. Embora a resposta não fosse diferente do habitual, algo na atmosfera estava sutilmente estranho. Estava claro que ele estava escondendo algo, embora Yeon Woobeom não conseguisse discernir o que era. O fato de que este pequeno e claro ômega poderia estar escondendo algo dele corroía a mente do homem.
— E quanto ao Presidente Jung?
— O presidente? Por quê?
— Você não guarda mágoas dele?
Jung Heeyeon hesitou brevemente antes de balançar a cabeça. Ele nunca tinha pensado realmente em nutrir sentimentos pessoais em relação ao presidente.
Em vez disso, outros pensamentos inundaram sua mente, sobrecarregando seu foco. Para afastá-los, Jung Heeyeon fingiu estar absorto em comer sua sopa de bolo de arroz, evitando sutilmente o olhar de Yeon Woobeom. Mas o homem continuava inclinando a cabeça, fazendo com que seus olhos se encontrassem continuamente.
Normalmente, isso não seria um problema, mas a culpa remanescente do sonho da noite anterior tornava difícil para Jung Heeyeon encontrar o olhar dele diretamente.
— Heeyeon.
Yeon Woobeom chamou seu nome lentamente.
— Sim?
Ele achava que estava evitando aquele olhar de forma sutil, mas para o homem perceptivo, era óbvio.
— Por que você não olha para mim?
O alfa experiente falou com uma voz que provavelmente faria Nam Soohyun ter ânsia de nojo — um tom que era um pouco exageradamente doce.
— Perdão?
— Você disse que eu era bonito. Eu não sou mais bonito?
Assustado pela pergunta absurda, Jung Heeyeon rapidamente olhou para cima. Yeon Woobeom, quem ele genuinamente achava que era lindo, estava perguntando com um rosto cheio de decepção fingida. Ele parecia chateado, como se estivesse profundamente ferido, o que deixou Jung Heeyeon atordoado.
— Não! Não é isso. O senhor é bonito, Diretor Yeon…
— Se eu sou bonito, por que você não encontra meus olhos?
Jung Heeyeon segurou a colher com força.
— Nosso bebê ama coisas bonitas, certo?
— Sim, eu amo. Eu também gosto do senhor, Yeon Woobeom…
— Então por que não olha para mim?
Como se refletisse a pressão em sua colher, Jung Heeyeon mordeu os lábios com a mesma tensão. Jung Heeyeon piscou, encarando Yeon Woobeom. Ele estava completamente perdido, tudo por causa dele.
Os longos cílios tremularam ansiosamente, espelhando as emoções instáveis de seu dono. Jung Heeyeon, como se tentasse se distrair, bebericou seu chá enquanto olhava de relance para Yeon Woobeom. Desde que mencionara sobre sua beleza mais cedo, Yeon Woobeom o encarava abertamente, causando um silêncio desconfortável que afetava apenas Jung Heeyeon.
No fim, Jung Heeyeon mexeu na xícara de chá em suas mãos antes de falar cautelosamente. Ele decidiu que era melhor inventar algum tipo de desculpa.
— Diretor Yeon Woobeom.
— Sim, Heeyeon?
— Sobre ontem…
— Ontem?
Baixando seus cílios trêmulos em hesitação, Jung Heeyeon finalmente olhou para o alfa sentado diagonalmente à sua frente.
— Por que o senhor me deu um selinho?
Sua expressão era inocente.
Yeon Woobeom repetiu a palavra que Jung Heeyeon usara em sua língua.
Selinho.
Para um ato que ele havia cometido, a palavra era adorável e carinhosa demais. Na verdade, o que acontecera no início daquela madrugada fora mais próximo de violência. Ele pressionara a bochecha ainda rechonchuda de Jung Heeyeon, abrira seus lábios sem noção e soprara fumaça de cigarro em sua boca.
Para Yeon Woobeom, o ato mal se qualificava como coerção, muito menos violência, mas para o ômega inocente, foi inegavelmente um ato de força. Mesmo que o destinatário não o reconhecesse como tal.
As emoções que surgiram em Yeon Woobeom no momento em que ele travou os olhos com Jung Heeyeon estavam longe da doçura da palavra “selinho”. Obsessão, possessividade, desejo, fome — sentimentos familiares para Yeon Woobeom, mas estranhos para Jung Heeyeon. Essas emoções cruas e turbulentas dificilmente eram gentis.
— Heeyeon.
Yeon Woobeom chamou o nome de Jung Heeyeon. Sua voz fluía suave como sempre — uma voz reservada unicamente para este ômega inocente. Sua suavidade era suficiente para ocultar os impulsos afiados por baixo.
— Sim?
— Isso parece um selinho para você?
O ato que Jung Heeyeon chamava de “selinho” era, na realidade, uma forma de exploração. Tirar seu fôlego, invadir seu espaço — era um ato indistinguível de violência.
— Perdão? Sim.
Jung Heeyeon assentiu, envolvendo as palmas das mãos no calor da xícara de chá. Lábios tocando lábios — deve ter sido um selinho. Chamar de qualquer outra coisa, como um “toque de lábios” ou “beijo” no sentido romântico… parecia inapropriado. Jung Heeyeon afastou apressadamente os pensamentos das imagens cada vez mais vívidas em sua mente. Os resquícios persistentes do sonho que ele vinha suprimindo ameaçavam ressurgir. Em uma tentativa de se distrair, ele mexeu em sua xícara de chá.
— Ah, então… um toque de lábios…?
Ao uso mais inocente do termo, Yeon Woobeom soltou uma breve risada. Parecia que Jung Heeyeon considerava o ato unilateral de força do alfa como algo delicado e carinhoso. Ele estava enganando o ômega sem noção, mas não era inteiramente desagradável.
— Eu fiz porque eu quis.
Inclinando a cabeça, os olhos de Yeon Woobeom se curvaram. Ele considerara explicar a Jung Heeyeon o quão violentas foram suas ações, mas seu humor esta manhã tomara um rumo torto diferente. Sua irritação começara quando Jung Heeyeon evitara suas mãos mais cedo.
Com olhos estreitados e um sorriso preguiçoso, Yeon Woobeom habilmente mascarou suas verdadeiras intenções. Sua mudança deliberada de expressão deu ao alfa agressivo uma aparência mais relaxada. Yeon Woobeom há muito dominava a arte de esconder seus verdadeiros sentimentos, de forma ágil e habitual.
— O senhor quis… me dar um selinho?
— É.
Assustado pela resposta direta, os lábios de Jung Heeyeon moveram-se hesitantes. Tudo bem dar um selinho em alguém só porque você quis? Adultos dariam um selinho em seus filhos ou animais de estimação, portanto, parecia aceitável.
— Então… eu posso dar um selinho no senhor também?
À pergunta ingênua, Yeon Woobeom levantou uma sobrancelha como se tivesse ouvido algo completamente inesperado. Os cantos de seus lábios se aprofundaram em um sorriso divertido.
— Você quer?
— Não tenho certeza ainda… mas posso querer mais tarde.
— Heeyeon, se você quiser, você deve fazer.
Os lábios preguiçosamente desenhados de Yeon Woobeom sussurraram doces mentiras como uma serpente tentando sua presa. Seu rosto, que parecia gentil à primeira vista, escondia uma astúcia furtiva por baixo.
— Você quer fazer agora?
Claro, ele não se esqueceu de deixar Jung Heeyeon atordoado. A sugestão repentina fez os longos cílios de Jung Heeyeon tremularem ansiosamente. Ele evitou o olhar de Yeon Woobeom, levando sua xícara de chá aos lábios. Felizmente, o chá havia esfriado, ou ele poderia ter se queimado.
— Heeyeon. Por que não está respondendo? Você quer fazer agora?
— Eu não vou fazer agora.
— Hmmm, não agora? Então, bebê, você pode fazer quando quiser.
Tomando um gole do chá perfumado, Jung Heeyeon tentou estabilizar seus sentimentos. Havia algo mais que ele queria perguntar ao homem.
— Então… o senhor vai continuar me dando selinhos, Diretor Yeon Woobeom?
— Sim, eu vou continuar te dando selinhos.
Yeon Woobeom arrastou a palavra “selinho” como se ela o divertisse. Observando-o repeti-la, Jung Heeyeon se perguntou se deveria estar usando uma palavra diferente. Enquanto contemplava termos alternativos, não encontrou nenhum, então simplesmente mexeu em suas mãos.
— Diretor Yeon Woobeom… então… e quanto a outras pessoas?
O braço de Yeon Woobeom, que estivera alcançando seu café, congelou no ar. Embora a pausa tenha sido breve, foi o suficiente para trair o desconforto que se agitava nele. A linha elegante de seus olhos endureceu em um instante.
Continua…
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✦ Tradução, revisão e Raws: Faby&Belladonna
Ler Cão Preso na Gaiola (Novel) Yaoi Mangá Online
Sinopse:
A sensação de flutuando na água. O cheiro de ferro enferrujado. Uma jaula cercada por todos os lados.
— O que é isso agora?
Um rosto tão frio quanto o ar do inverno.
— O que eu deveria receber era…
Uma cicatriz acima da pálpebra e,
— Não esse tipo de vira-lata.
Olhos ferozes, como se pudessem devorar alguém.
— …Ah.
E o cheiro salgado do mar.
Esse era um mundo que Jung Heeyeon nunca tinha visto antes.
Nem uma única vez.
—
Abrindo os olhos dentro de um contêiner vazio, Jung Heeyeon segue um homem que nunca conheceu antes sem resistência, simplesmente porque o homem é um alfa dominante.
Enquanto isso, o Diretor Yeon recebe uma ligação do Chefe Nam, que lhe enviou um “presente”, e descobre que o ômega no contêiner é parente do Presidente Jung, uma figura de um passado sombrio.
— Heeyeon.
— … Sim?
— Você tem dezenove anos?
— Sim.
— Então você é um bebê.
— Eu não sou um bebê.
— Bebês geralmente odeiam ser chamados de bebê.
— Não é assim… Quer dizer, eu tenho dezenove…?
Diante dessa resposta sincera, o Diretor Yeon solta uma risada suave.
— Você vai dar trabalho, não vai?
— Vou tentar… não ser um fardo.
— Não se preocupe, Heeyeon.
— ……
— Eu gosto de coisas que exigem muita atenção.
O homem, que trouxe Jung Heeyeon para dentro de sua casa, faz uma sugestão gentil.
— Que tal chamarmos isso de acordo?
— Acordo?
— Porque eu preciso de você.
Nome alternativo: Dog On The Hutch Co Preso Na Gaiola Cachorro Preso Na Gaiola