Ler Cão Preso na Gaiola (Novel) – Capítulo 02.3 Online


Modo Claro

Capítulo 2.3 Zona de alta criminalidade

Quando Jung Heeyeon retornou, ele sussurrou suavemente.

— Diretor, eu não preciso de tantas roupas assim.

— Pense nisso como um presente de Natal.

Levantando-se, o Diretor Yeon mencionou a palavra “presente” enquanto esperava Jung Heeyeon se aproximar.

— Natal?

Ouvindo o termo desconhecido, Jung Heeyeon franziu levemente a testa.

— Você não sabe o que é Natal?

— Não.

— É o dia em que o Papai Noel dá presentes para as crianças boas.

— Entendo.

— Você nunca recebeu um presente antes?

Jung Heeyeon balançou a cabeça. A palavra “Natal” era estranha para ele. Ele lembrou que sempre havia um dia marcado em vermelho em dezembro no calendário — talvez fosse o Natal.

Para ele, sempre fora um dia comum, então ele não sentiu nenhum arrependimento repentino nem agora.

— Então, Heeyeon…

Ao som da voz do Diretor Yeon, Jung Heeyeon olhou para ele.

— Você pode simplesmente ganhar todos os presentes que perdeu de mim. Certo?

Os olhos do Alfa, curvando-se languidamente, fizeram as pontas dos dedos de Jung Heeyeon formigarem involuntariamente. Suas mãos pareciam coçar.

Talvez fosse por causa das mangas grandes demais que cobriam metade delas.

O Diretor Yeon parou em seus passos. Ele percebeu que o ômega, que sempre o seguia como uma sombra, havia parado de repente.

A menos que ele não estivesse no campo de visão do outro, o olhar de Jung Heeyeon estava sempre fixo nele. Quando chegavam a lugares desconhecidos como este, não era apenas seu olhar — ele o seguia fisicamente também.

Mas hoje foi a primeira vez que Jung Heeyeon parou em seus passos em vez de seguir o Diretor Yeon.

— …

O Diretor Yeon virou-se lentamente. Seus sapatos de couro preto bateram contra o chão de mármore branco enquanto ele mudava de direção suavemente.

Jung Heeyeon estava encarando uma enorme árvore de Natal. A árvore, que parecia ter mais de 3 metros de altura, tinha cativado completamente sua atenção.

O Diretor Yeon seguiu o olhar de Jung Heeyeon até a árvore.

Cordões de luzes minúsculas, brilhando como vaga-lumes, adornavam seus galhos. Na base, vasos de flores grandes sustentavam a árvore, cercados por caixas de presente embrulhadas em papel elegante — sem dúvida feitas de isopor. As decorações, embora parecessem colocadas aleatoriamente, estavam, sem dúvida, arranjadas com cuidado meticuloso. Conforme seu olhar se desviava para cima, ele avistou uma estrela dourada brilhando bem no topo.

Era uma árvore de Natal bastante comum, nada extraordinário.

Enquanto o Diretor Yeon a observava com indiferença, ele desviou o olhar de volta para Jung Heeyeon. O cardigã que servia perfeitamente no Diretor Yeon pendia folgado em Jung Heeyeon, com a bainha balançando abaixo de suas coxas.

A luz quente do teto e as luzes brancas cintilantes na árvore complementavam Jung Heeyeon lindamente. Daqui a alguns meses, o brilho do sol da primavera inundando o céu poderia lhe cair ainda melhor.

Uma sutil rachadura apareceu na expressão, de outra forma composta, do Diretor Yeon.

— …

Ele sentiu um desejo repentino. O desejo de recuperar a atenção de Jung Heeyeon, que uma árvore insignificante havia roubado momentaneamente. Mesmo para ele, era um senso de anseio inesperadamente abrupto.

— Heeyeon.

O Diretor Yeon chamou por Jung Heeyeon.

— Sim?

Ao chamado de seu nome, o olhar de Jung Heeyeon retornou. Junto com ele veio a resposta que ele invariavelmente dava toda vez que seu nome era chamado.

— Eu me sinto chateado.

As palavras derivaram preguiçosamente dos lábios do Alfa em um tom que não traía nenhum sentimento real de chateação. Pego de surpresa pelo comentário inesperado, Jung Heeyeon piscou lentamente, seus lábios se contraindo como se estivesse prestes a falar.

— Por quê?

Ele mexeu nas mangas do cardigã que cobriam parcialmente suas mãos, virando-se completamente para enfrentar o Diretor Yeon. Embora seus movimentos fossem lentos, foram o suficiente para que o cardigã pousado em seus ombros deslizasse para baixo. Felizmente, como seus braços já estavam através das mangas, o cardigã não caiu no chão, mas ficou pendurado frouxamente em seus antebraços.

O olhar do Alfa, que repousava no rosto claro e inocente, deslizou lentamente para baixo, seguindo o cardigã que havia saído do lugar. Seu olhar finalmente pausou nos dedos que espreitavam para fora. Aqueles dedos pequenos estavam agarrando suavemente a borda da manga. As mãos pálidas não tinham quase nenhuma cor, exceto pelas unhas minúsculas.

— Porque Heeyeon me deixou sozinho…

O Diretor Yeon estendeu a mão, puxando o cardigã de volta para os ombros de Jung Heeyeon.

— …e agora estou solitário.

O cardigã macio e felpudo trouxe calor de volta aos ombros de Jung Heeyeon. Foi só então que ele percebeu que inconscientemente fora privado de seu calor.

— Oh… sinto muito.

Na verdade, foi o Diretor Yeon quem partiu primeiro. Mas alheio a esse fato, Jung Heeyeon se desculpou obedientemente.

— Mmhm, tudo bem.

Aceitando casualmente o pedido de desculpas, o Diretor Yeon começou a abotoar o cardigã. Começando de baixo, seus dedos cuidadosos subiram de forma constante. Não houve hesitação — cada movimento era preciso.

Jung Heeyeon ficou parado, com os olhos fixos no Diretor Yeon. O homem baixou o olhar para prender os botões, e a cicatriz acima de sua pálpebra tornou-se mais visível de perto. Era um ferimento que poderia ter perfurado seu olho se as coisas tivessem dado errado. A cicatriz afiada e irregular inesperadamente complementava muito bem seus olhos languidamente relaxados.

Por hábito, Jung Heeyeon agarrou firmemente a borda de sua manga com as pontas dos dedos. A sensação de cócegas que começara mesmo antes de descerem do andar de cima parecia se intensificar, subindo em sincronia com o toque do Diretor Yeon.

— Heeyeon.

— Sim?

— A árvore. Você gosta dela?

Com a pergunta, Jung Heeyeon voltou-se para a árvore. Sob a iluminação quente, a árvore estava tão bonita e deslumbrante quanto estivera antes, facilmente desviando seu olhar com sua beleza.

— Hmm?

Antes que pudesse responder, o Diretor Yeon tocou levemente sua bochecha, trazendo sua atenção de volta para o homem. Durante o curto período em que Jung Heeyeon se virara, o Diretor Yeon já havia terminado de abotoar o cardigã e retirado as mãos.

— Sim, eu gosto.

— De qual parte dela?

— Ela é bonita.

— Você gosta dela porque ela é bonita?

Após um breve momento de contemplação, Jung Heeyeon assentiu. Era a primeira vez que via uma árvore brilhar daquela maneira. Embora soubesse que era por causa das luzes, ainda o impressionou como inegavelmente bela.

Os lábios do Diretor Yeon se curvaram em um sorriso profundo com a resposta simples.

— Então acho que precisarei me esforçar mais para ser querido por você.

— Perdão? Por quê?

— Por quê?

A piada alegre provocou uma resposta confusa, levando o Diretor Yeon a semicerrar um olho. Ele estudou o rosto de Jung Heeyeon, mas, como sempre, não havia emoção em sua expressão clara e inocente.

— Eu já gosto do senhor, Diretor. O senhor não precisa se esforçar mais…

Jung Heeyeon declarou seus sentimentos claramente, sem hesitação. Embora eles se conhecessem há apenas algumas semanas, ele genuinamente gostava do Diretor Yeon. Ele apreciava sua gentileza, seu calor e como ele era diferente dos adultos que encontrara até agora. O Diretor Yeon foi a primeira pessoa que respondeu às perguntas em vez de levantar a mão contra ele. Ele também foi o primeiro a lhe dizer que ele podia fazer o que quisesse.

Ouvindo uma confissão tão sincera de Jung Heeyeon, o Diretor Yeon riu baixinho. Os olhos que olhavam para cima eram completamente inofensivos.

— Heeyeon, você gosta de mim?

— Sim.

O “gostar” a que Jung Heeyeon se referia era, sem dúvida, diferente do “gostar” trocado entre Alfas e Ômegas.

— Eu disse para você parar de ser fofo, mas você continua fazendo coisas fofas.

Confuso com a observação, Jung Heeyeon apenas piscou. Não importava como pensasse sobre isso, ele devia ter cometido outro erro.

Alguns dias atrás, ele havia perguntado abertamente a Kim Jiwon na frente do diretor: “Eu gosto de usar as roupas do Diretor… Você acha que tem algo estranho comigo?”, e a reação atual do Diretor Yeon o lembrou de como ele havia respondido naquela época.

— Não diga coisas assim para mais ninguém.

Percebendo que o outro não entendia suas palavras, os lábios do Diretor Yeon se curvaram enquanto ele tocava levemente a bochecha macia de Jung Heeyeon.

— Por quê?

— Eu disse para você não agir tão fofamente perto de qualquer um.

Lembrando-se das palavras anteriores do Diretor Yeon, Jung Heeyeon assentiu obedientemente.

Seguir o conselho do Diretor Yeon nunca levara a nada ruim, então ele achou que o melhor era ouvir todas as palavras dele. O problema era que ele não entendia muito bem como não agir de forma “fofa”.

Enquanto Jung Heeyeon estava perdido em pensamentos, o Diretor Yeon checou seu relógio.

— Devemos jantar antes de sair?

— Diretor.

— Sim, Heeyeon?

— Eu quero comer aquela coisa.

Na última semana, o Diretor Yeon continuou perguntando se havia algo que ele queria comer. Agora, Jung Heeyeon tomou a iniciativa de dizer primeiro.

O Diretor Yeon ficou bastante satisfeito com essa atitude de Jung Heeyeon. Ele tinha toda a intenção de remodelar completamente o ômega criado pelo Presidente Jung. Embora não soubesse por quanto tempo o manteria ao seu lado, ele não tinha planos de deixá-lo como um ômega submisso ligado a um alfa. Sob seu abrigo, Jung Heeyeon viveria livremente, de acordo com sua própria vontade.

— Aquela coisa?

— Aquela que o senhor Secretário comeu no almoço hoje.

— Ooooh, você queria aquilo? Duvido que haja um restaurante decente por perto para isso… Quer que eu faça para você?

— O senhor faria?

— Sim.

Continua…

⌀ ⌀ ⌀

✦ Tradução, revisão e Raws: Faby&Belladonna

Ler Cão Preso na Gaiola (Novel) Yaoi Mangá Online

Sinopse:
A sensação de flutuando na água. O cheiro de ferro enferrujado. Uma jaula cercada por todos os lados.
— O que é isso agora?
Um rosto tão frio quanto o ar do inverno.
— O que eu deveria receber era…
Uma cicatriz acima da pálpebra e,
— Não esse tipo de vira-lata.
Olhos ferozes, como se pudessem devorar alguém.
— …Ah.
E o cheiro salgado do mar.
Esse era um mundo que Jung Heeyeon nunca tinha visto antes.
Nem uma única vez.

Abrindo os olhos dentro de um contêiner vazio, Jung Heeyeon segue um homem que nunca conheceu antes sem resistência, simplesmente porque o homem é um alfa dominante.
Enquanto isso, o Diretor Yeon recebe uma ligação do Chefe Nam, que lhe enviou um “presente”, e descobre que o ômega no contêiner é parente do Presidente Jung, uma figura de um passado sombrio.
— Heeyeon.
— … Sim?
— Você tem dezenove anos?
— Sim.
— Então você é um bebê.
— Eu não sou um bebê.
— Bebês geralmente odeiam ser chamados de bebê.
— Não é assim… Quer dizer, eu tenho dezenove…?
Diante dessa resposta sincera, o Diretor Yeon solta uma risada suave.
— Você vai dar trabalho, não vai?
— Vou tentar… não ser um fardo.
— Não se preocupe, Heeyeon.
— ……
— Eu gosto de coisas que exigem muita atenção.
O homem, que trouxe Jung Heeyeon para dentro de sua casa, faz uma sugestão gentil.
— Que tal chamarmos isso de acordo?
— Acordo?
— Porque eu preciso de você.
Nome alternativo: Dog On The Hutch Co Preso Na Gaiola Cachorro Preso Na Gaiola

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