Ler Blood Poker (Novel) – Capítulo 02.2 Online

Blood Poker 02, Parte 02
Ao chegar em frente à sala de reuniões, o funcionário exibiu um sorriso amigável.
— De agora em diante, você ficará com seu mentor. Eu me despeço aqui. Por favor, me cumprimente se me vir depois.
Seunghyun curvou-se profundamente em agradecimento. Ele sentia que o funcionário fizera muito por ele apenas por trazê-lo em segurança do Distrito 13 até ali.
— Hum… Guia.
Atrás de Seunghyun, que ia segurar a maçaneta, o funcionário hesitou por um momento.
— Sim?
Era estranho ele ter chamado o nome e depois ter feito uma pausa. Parecia estar se esforçando para escolher as palavras adequadas. O funcionário, que molhou os lábios após desviar o olhar para os lados, finalmente começou a falar. Ele baixou o tom de voz e sussurrou no ouvido de Seunghyun:
— Bem… os guias de nível A têm um orgulho fora do comum. Todos vêm de boas famílias e foram criados assim.
— …
— Espero que você não se magoe muito. Pense neles apenas como esse tipo de gente.
O olhar de Seunghyun desceu fixamente para o crachá do funcionário e depois subiu. Era um homem de cabelo curto e um sorriso nos olhos que parecia o de uma criança.
— Obrigado.
Após se despedir e virar o corpo, Seunghyun bateu levemente na porta. Como só encontrara pessoas boas até então, acabara baixando a guarda por um momento. Aquele lugar era Neo, e ele era do Distrito 13. O único motivo para não ser rejeitado abertamente por vir daquela região pobre e devastada era puramente por sua natureza genética. “Sim. Não vamos ser tolos de nos magoar.”
Uma voz lá de dentro disse para entrar. Seunghyun girou a maçaneta.
— …
Seu olhar, que subiu pelo chão, passou pelas pontas dos sapatos e pelas panturrilhas, seguindo lentamente até o rosto da mulher que o encarava com frieza.
— Olá. Sou Ji Seunghyun.
— Eu sei. Sou Lee Juyeong, líder da 1ª equipe do departamento de guias do Centro de Sensitivos da filial de Haon.
O uso da linguagem formal parecia ser o máximo de cortesia que ela conseguia demonstrar. Apresentando-se com um tom rígido, ela fez um breve sinal com o queixo.
— Vá se sentar.
Ao virar a cabeça, Seunghyun ficou bastante surpreso. Embora esperasse não ser bem-vindo após ouvir o conselho preocupado do funcionário, não imaginava que seria tanto. Recebendo os olhares de cerca de dez pessoas que usavam crachás da mesma cor que o seu, Seunghyun baixou o olhar sob o pretexto de uma saudação.
A hostilidade acumulada parecia uma parede. Enquanto caminhava em busca de um lugar vago, ouviu cochichos. Eles nem pareciam tentar esconder. Pelo contrário, mostravam a audácia de aumentar o tom de voz no momento em que ele passava, como se quisessem que ele ouvisse.
“Aquele ali é mesmo um Guia?”
“É a primeira vez que vejo alguém do Distrito 13.”
“Ele veio mesmo, né?”
“Ah, que baixo nível. Por que logo na equipe 1?”
“Não parece que está cheirando mal?”
“Não sei se ele vai passar alguma doença.”
A reação do Guia que acabou se tornando o vizinho de assento de Seunghyun não foi diferente. Ele apenas não falava, mas demonstrava claramente sua indignação e desagrado. Desviou o olhar ostensivamente e cruzou os braços, afastando-se de propósito.
Seunghyun tentou manter a compostura. Ele desejava que seus sentimentos não transparecessem em sua expressão, mas não pôde evitar que um lado de seu coração doesse friamente.
O desprezo deles era, de certa forma, natural. Os guias ocupavam uma posição social elevada. Literalmente, um grupo de elite valorizado pelo país. Esse era um fato que até Seunghyun, que não conhecia bem o mundo deles, sabia. Era comum seguirem para a política ou para cargos de comando após a aposentadoria, e como a linhagem familiar era forte, o histórico acumulado era poderoso.
Em meio aos descendentes cheios de riqueza e poder, Seunghyun, que estava ali apenas por sua genética e sem nenhum contato, era um intruso. Um paraquedista barato. Uma existência que não tinha nenhuma intersecção com eles estava ocupando um espaço em seu domínio.
— Continuando. Aceitarei voluntários para a mentoria. Os benefícios são os mesmos que mencionei anteriormente.
Ao ouvir a palavra “mentoria”, Seunghyun percebeu que aquilo provavelmente tinha relação com ele. No momento em que Seunghyun observava discretamente, alguém no grupo disse rispidamente:
— Não seria melhor ele apenas passar pelo curso regular? Não acho que tenhamos essa obrigação.
A líder da equipe balançou a cabeça.
— Isso consumiria muito tempo e custo. E como a ordem já foi dada, é difícil mudar.
Outra reclamação surgiu de algum lugar.
— Não é como se estivéssemos sem trabalho. Como vamos ensinar alguém que nem sequer recebeu a educação obrigatória?
— Como o conhecimento relacionado ao guia é mais urgente do que qualquer coisa no momento, a decisão da diretoria é que o treinamento de mentoria é mais eficiente.
O cansaço também transpareceu no rosto da líder da equipe enquanto ela tentava convencê-los. Após acrescentar algumas palavras, ela estalou a língua. Era óbvio que ela queria encerrar a situação rapidamente.
— Se não houver voluntários, decidirei arbitrariamente.
Os guias franziram o cenho e começaram a murmurar. Foi quando os olhares cheios de ressentimento começaram a se dirigir abertamente para Seunghyun. No fundo da sala de reuniões, uma mão se levantou timidamente.
— Eu farei.
O interesse dos guias concentrou-se instantaneamente no fundo da sala. A pessoa que levantou a mão foi Joy, uma mulher de pequena estatura, cabelos loiros e olhos azuis, com um espírito forte. Rowan, sentado ao lado dela, bateu a cabeça na mesa com uma expressão de “estamos ferrados”.
— E este aqui também fará.
Joy agarrou o braço de Rowan e o levantou com força. Rowan ficou pálido e se assustou: “Você enlouqueceu?”. Joy não soltou a mão dele. Pelo contrário, ela ergueu a mão bem alto e a balançou vigorosamente, como se quisesse mostrar a todos. Em seus olhos ardentes e lábios cerrados, via-se até uma certa solenidade.
“Joy Lee finalmente enlouqueceu.”
“Ah, que alívio.”
“Que sofrimento para o Rowan.”
“Tudo bem. Se eles vão assumir o trabalho sujo, não me importo.”
O burburinho continuou por um tempo.
Enquanto observava a mulher que surgiu como uma heroína, o celular de Seunghyun vibrou. Era uma notificação de mensagem recebida. Ao lado do número já salvo, via-se o nome “Daniel Gray”.
[Você tem tempo hoje?]
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Os olhos de Joy, que olhava para frente com o queixo apoiado na mão, moviam-se com tédio.
Ela já esperava o embate dos guias que lutariam para não assumir um guia vindo do Distrito 13. Mas ver com os próprios olhos foi ainda mais patético.
— Não é como se estivéssemos sem trabalho. Como vamos ensinar alguém que nem sequer recebeu a educação obrigatória?
“O clima está ótimo.”
Joy ironizou mentalmente. Era ridículo como todos colocavam um guia novato que não sabia de nada na tábua de cortar e o retalhavam.
A medida da líder da equipe foi claramente mal-intencionada. Como se não bastasse ser guia, ela era incrivelmente boa em hierarquizar e distinguir as pessoas. Apenas pelo fato de ele ter uma origem diferente, ela estava envergonhando publicamente um *back-spl*. Ela estava expressando sua insatisfação com a ordem superior daquela maneira, assim como os outros guias. “Mesmo assim, como líder da equipe, você não deveria protegê-lo? Por que está liderando essa palhaçada?”
Em Haon, a discriminação de classe era especialmente mais severa do que em outras regiões. Além disso, a 1ª equipe do departamento de guias era um grupo de elite composto apenas por níveis A. Joy, que não era de Haon, lembrou-se de quando se apresentou aqui pela primeira vez, há três anos. Embora tenha sido menos intenso que aquela reação, fora bastante frio. O motivo era que a peculiaridade dos gêmeos, que individualmente eram apenas *poker*, não satisfazia os padrões deles.
“Será que eles odeiam tanto assim? Por que odeiam? Só por odiar?” Talvez por terem vivido sem faltar nada desde o nascimento, a maioria tinha um caráter deficiente. Pirralhos que se achavam por causa dos pais ou das habilidades. Ela não sabia onde tinham enfiado a maturidade. Eles tinham a ilusão de que ser diferente era errado e que ser especial era exclusividade deles. Era óbvio que o cérebro deles estava atrofiado por terem aprendido assim com os pais.
Mais da metade da decisão de Joy foi por impulso, e o restante deveu-se à atitude de Jaeil que ela vira ontem.
— Eu farei.
Assim que Joy levantou a mão vigorosamente, Rowan suspirou profundamente com um olhar que perguntava se ela realmente tinha que fazer aquilo.
Rowan já esperava um pouco que Joy fizesse isso. Ele sabia que ela tivera um interesse incomum por Ji Seunghyun e também sabia que ela, embora fosse guia, não suportava a natureza comum dos outros guias. Mas, por mais que ela o visse como um bobo, ele nunca sonhou que ela o arrastaria para um trabalho tão chato.
— Você enlouqueceu? Acha que isso é brincadeira? Quem vai ensinar quem?
Se estivessem sozinhos, Rowan provavelmente teria aumentado o tom de voz. Ele alertou Joy com um tom extremamente sério, mas ela não piscou.
— Ainda temos o nosso manual de conceitos?
— Uaa…
“Eu não aguento.” Rowan segurou a cabeça e bateu a testa na mesa. Por causa da irmã que tinha um ímpeto incrível, ele acabou em uma situação em que teria que brincar de professor.
Graças à iniciativa de Joy, a reunião terminou sem sobressaltos. Joy caminhou rapidamente entre os guias que saíam e aproximou-se da líder da equipe. Era para perguntar sobre os planos futuros.
— Quando será o início da atuação em campo?
O olhar desprovido de afeto da líder da equipe dirigiu-se brevemente a Seunghyun e voltou. Para ela, Ji Seunghyun ainda era um espinho no olho.
— Dependerá da capacidade, mas espero que resultados visíveis apareçam em três semanas.
— … Três semanas?
Joy quase soltou um xingamento por hábito diante daquela loucura de comprimir um curso educacional de 10 anos em três semanas. Quando o rosto de Joy empalideceu, a líder da equipe inclinou a cabeça.
— Por enquanto, limita-se ao Esper Ha Jaeil. Se for possível com um nível *back-spl*, o restante virá naturalmente, não acha?
— Em troca, farei o relatório de trabalho uma vez por semana — disse a líder da equipe, sorrindo como se estivesse fazendo um grande favor. Joy também forçou um sorriso, embora tremesse levemente por não conseguir controlar suas emoções.
Maldita. É a mesma coisa. Ela está dizendo para fazer o Guia ser capaz de guiar o “chefão final” em três semanas. Isso faz sentido?
Sentiu-se como se tivesse caído em uma armadilha. Joy mergulhou em pensamentos por um momento. Qual seria o motivo de Ji Seunghyun ter sido designado para a 1ª equipe do departamento de guias sem qualquer apoio? A ordem para guiar apenas Ha Jaeil, o período de treinamento absurdamente curto. Se ele não conseguisse, ele se tornaria um fardo ou uma carta descartada?
Joy voltou o olhar para Rowan. Ela enviou um olhar que dizia: “Será que eu fiz bobagem?”. Rowan evitava o olhar de Joy. Significava que ele nem queria olhar para o rosto dela.
Joy pensou, no fundo, que fora bom ter arrastado Rowan. Rowan era um pouco lento e ingênuo, mas era melhor do que qualquer um no guia. Além disso, embora aquele bobo não perceba, Rowan amava muito sua irmã Joy. Agora ele pode estar com essa cara de enterro, mas se houver algum problema, ele certamente se dedicará mais do que qualquer um.
Após receber os materiais de Seunghyun da líder da equipe, Joy foi direto até ele. Ela caminhou em direção a Seunghyun com uma velocidade assustadora.
Ao percebê-la, Seunghyun levantou-se hesitante. Seu rosto estava um pouco corado. Era natural. Afinal, ele fora praticamente agredido com deboches e desprezo intensos. Mesmo assim, ele aguentara bem até ali. Joy, que leu o material por alguns segundos, apresentou-se de forma agressiva.
— Sou Joy Lee. E aquele ali é Rowan Lee.
Onde ela apontou com o queixo, havia um homem com cara de enterro. Ele, que se parecia muito com ela com seus cabelos loiros e olhos azuis, tinha uma aparência mais suave que a de Joy.
— Sim, prazer em conhecê-los. E obrigado.
— Deixe os agradecimentos para depois. Como sou superior em vários aspectos, vou falar de forma informal, tudo bem?
Foi tudo muito rápido. Os olhos de Seunghyun se arregalaram levemente e voltaram ao normal.
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Ao abrir a porta da sala de consulta, a primeira coisa que Seunghyun viu foram as costas largas do homem. Ele sabia quem era mesmo sem ver o rosto. Bastava olhar para a cor da luz que a energia emanava. Daniel, que estava escondido atrás de Jaeil, colocou a cabeça de fora e deu um sorriso.
— Você veio?
Seunghyun e Jaeil, que já haviam se encontrado pela manhã, apenas trocaram uma breve reverência. Seunghyun, que puxou uma cadeira para se sentar ao lado de Jaeil, olhou de soslaio para a postura ereta de Jaeil. Ele fazia isso sem perceber. O que ondulava nos ombros do homem tentava constantemente passar para o seu lado, buscando uma oportunidade. Debaixo da mesa, os dedos de Seunghyun, que travava uma luta de energias secreta, entrelaçavam-se e se moviam inquietos.
O sorriso de Daniel era tão limpo quanto sua imagem. Olhando alternadamente para Jaeil e Seunghyun, ele entrelaçou as mãos e inclinou levemente o tronco para frente.
— Gostaria de dar uma tarefa a vocês.
Embora a pessoa que falava estivesse muito animada, um leve suspiro escapou de Jaeil. Por um instante, a energia que mudou de ângulo cutucou o corpo de Seunghyun. A boca de Seunghyun, que olhou de soslaio para o rosto inexpressivo, ficou rígida.
Jaeil não disse nada em especial nem fez movimentos notáveis, mas Seunghyun não podia deixar de prestar atenção. Era como se a energia estivesse falando com ele. Que era desagradável, que era desconfortável. Seunghyun supôs vagamente que o incidente do qual ele não se lembrava devia ter contribuído para isso.
— Seria demais para Seunghyun fazer o guia agora, mas não é como se sua capacidade fosse insuficiente. A sinergia entre a taxa de compatibilidade e o subconsciente é assustadoramente poderosa. Só de estarem no mesmo espaço, deve ter surtido — ou melhor, surtiu — um efeito muito bom. Não é?
Jaeil, que cruzou os olhos com Daniel em busca de concordância, não confirmou nem negou. Ele apenas movia os olhos amplamente com o rosto em silêncio.
— Então. Duas vezes por semana…
Daniel, que deixou a frase incompleta, pensou por um momento e logo sorriu radiantemente, como se tivesse tomado uma decisão.
— Eu gostaria que vocês compartilhassem a mesma cama.
Era uma proposta absurda. Compartilhar a mesma cama? Ao contrário de Seunghyun, que tinha pontos de interrogação flutuando sobre a cabeça, Jaeil franziu o cenho e moveu os lábios. Ele ia dizer algo. Daniel, não perdendo o momento, acenou com a mão como se dissesse para ele primeiro ouvir.
— Por melhor que seja a habilidade de guia dos gêmeos, 30% é o máximo. Seunghyun substituirá a parte que lhes falta.
— … É possível fazer isso apenas compartilhando a mesma cama? Mesmo apenas dormindo?
Normalmente, seria uma proposta bastante constrangedora. No entanto, Seunghyun fazia perguntas ingênuas, sem se importar. Parecia estar apenas curioso com tudo. Jaeil, que olhou brevemente para Seunghyun, desviou o olhar para o nada. Havia uma certa resignação no gesto de encostar o tronco no encosto da cadeira.
— Sim. Incrível, não? Mas isso é porque Seunghyun é do nível *back-spl*. Mesmo que fossem do mesmo nível A, seria difícil. Esse tipo de habilidade.
— Não preciso fazer nada?
— O que você pretendia fazer?
— Hum… Bem. Só…
Seunghyun ficou sem palavras diante da pergunta maliciosa de Daniel. O constrangimento subiu tardiamente, fazendo-o coçar a nuca e se mexer na cadeira. Suas bochechas também ficaram coradas, a ponto de quem via ficar curioso sobre o que ele estava imaginando.
— Quanto mais perto a distância, melhor, mas…
“Provavelmente isso não vai acontecer.”
O olhar de Daniel dirigiu-se silenciosamente para Jaeil. Ele era uma das poucas pessoas que conheciam a causa do trauma de Jaeil. Ele não conseguia medir com precisão o quão destruído estava o interior escondido por aquele rosto inexpressivo.
Vendo isso, o problema eram sempre os guias. Pessoas de personalidade bizarra que queriam o que desejavam e, se não conseguissem, destruíam tudo. Membros da classe dominante cheios de desejo de domínio e conquista. Alguns os exaltavam como a forma mais evoluída da humanidade, o que era ridículo. Como poderia haver evolução para aqueles a quem faltavam as virtudes mais importantes de um ser humano? Pelo contrário, eram os mais inferiores.
De qualquer forma, Jaeil já deveria ter começado a teimar que não faria aquilo há muito tempo, mas foi surpreendente ele estar calmo. Ontem também foi assim. Mesmo estando claramente descontente, ele acabou carregando o Guia no colo. E dizem que ele até dormiu direito. Para o comportamento de Jaeil, que costumava apenas causar preocupação como um “sapinho teimoso”, aquilo foi bem louvável. Se continuasse assim, tudo correria muito bem.
Como o silêncio fora longo, as pupilas de Jaeil, que evitavam o contato, voltaram-se para Daniel. Com receio de que ele dissesse algo novamente, Daniel apressou-se em encerrar.
— Vocês dois decidam o dia. Certifiquem-se de estarem juntos no dia em que receber o guia ou no dia seguinte. Vocês podem variar a frequência de acordo com a situação de vocês, mas, por favor, não a diminuam.
Os dois só foram liberados após ouvirem várias recomendações de Daniel por um bom tempo. Seunghyun saiu primeiro da sala de consulta e Jaeil veio em seguida. Seunghyun, após se despedir, hesitou atrás de Jaeil, que ia se virar, e começou a falar:
— Com licença, Esper.
Ao chamado de Seunghyun, Jaeil virou-se lentamente e respondeu com um olhar. O olhar de Seunghyun, que coçava a têmpora, dirigiu-se a algum lugar no chão. Jaeil já estava quase acostumado com o topo redondo da cabeça de Seunghyun.
— Eu não me lembro de nada. Sinto muito, de verdade.
Diante do pedido de desculpas repentino, Jaeil soltou um pequeno “Ah”.
— Não houve… motivo para pedir desculpas. Não se preocupe.
Seunghyun, que assentiu logo em seguida, mexeu nas mãos entrelaçadas. Parecia ter algo que queria dizer. Jaeil teve a intenção de esperar pacientemente, mas o silêncio foi curto. Seunghyun, que respirou fundo a ponto de estufar o peito, começou a falar:
— Eu… sou do Distrito 13. N-não tenho nenhuma doença. Fiz todos os exames. Lá não existem escolas. Por isso, não sei de nada. Realmente não sei de nada. Eu nem sabia que me tornaria um Guia. Não tinha interesse em sensitivos, seja guia ou o que for. Apenas… fiz o teste como uma última loucura antes de morrer e… acabou assim. Sei que sou muito deficiente. Soube que nossa taxa de compatibilidade é alta, mas também sei que essa situação não é exatamente boa para você.
Seunghyun despejou as palavras na frente de Jaeil. Pelo fato de não ter hesitado, parecia que ele havia ensaiado. Claro, as partes que soavam como se ele estivesse falando sozinho entre uma frase e outra eram bem estranhas. Parecia que ele perdera o controle para o fluxo de consciência enquanto falava. Sua expressão também foi escurecendo.
Jaeil, que remoeu lentamente as palavras confusas dele do início ao fim, acabou franzindo o cenho. Em seguida, estalou levemente a língua. Era porque ele tinha uma ideia do que estava acontecendo. Aquela gente autoritária não teria deixado este homem em paz.
— Mas hoje eu até ganhei mentores. Dois. Por isso… hum. Farei o meu melhor para aprender rápido. Se você puder esperar só um pouco.
A ansiedade era sentida de perto. Jaeil, que piscou lentamente as pálpebras, finalmente abriu a boca. Se não o fizesse, este homem seria sempre arrastado por uma velocidade que ele próprio não conhece e não consegue controlar.
— … Você pode ir… devagar.
Seunghyun, que não conseguiu aceitar as palavras de Jaeil de imediato, piscou os olhos. Por um instante, houve silêncio.
— Ah…
Não demorou muito para que a cabeça de Seunghyun pendesse lentamente para trás. Seus grandes olhos sem pálpebra dupla preencheram completamente a visão de Jaeil. Como se estivesse emocionado com a consideração de Jaeil, seus lábios se abriram levemente e logo esboçaram um sorriso. Foi por um instante, mas transbordou um sentimento de alegria sincera. Foi também nesse momento que o olhar de Jaeil se estreitou levemente enquanto observava a sequência de movimentos e depois voltou ao normal.
— Obrigado.
— …
— Sendo assim, eu gostaria de dar uma olhada no aparelho em seu pulso.
Desta vez, Jaeil também fez um olhar de dúvida. Os lábios de Jaeil se abriram para perguntar por que ele queria ver, mas logo se fecharam. O olhar do homem era extremamente determinado.
— Disseram que, ao olhar para isso, é possível saber o risco de amplificação. O Esper usa o aparelho e o Guia…
Ele deixou a frase incompleta enquanto tateava o bolso. O que saiu do bolso foi nada menos que uma faca. Seunghyun levantou o braço e mostrou a faca para que Jaeil pudesse ver bem.
— Disseram que eu tenho que carregar isso. Recebi hoje quando fui com meus mentores.
— …
Assim que um Esper era registrado no país, uma pequena bomba era implantada na parte de trás de sua cabeça e um aparelho era colocado em seu pulso. A bomba era uma arma letal para Espers, para ser detonada caso se julgasse que nem mesmo um Guia poderia controlá-lo, a fim de evitar mais perdas humanas e materiais. O aparelho era uma algema essencial para a gestão eficiente do Esper. Tinha funções como risco de surto, informações de localização, notificações e comunicação, e também servia como cartão de acesso ao entrar e sair do Centro.
Em contrapartida, o Guia deveria sempre carregar uma pequena faca para o caso de o Esper estar em uma situação em que o guia comum não fizesse efeito. Era usada para fazer o Esper ingerir o sangue do Guia diretamente. Como o sangue do Guia tinha um efeito equivalente ao ato sexual, a ideia era dar sangue para salvá-lo em situações em que nem o ato sexual fosse possível. No entanto, como havia o risco de danos vasculares, só era permitido em situações extremas. Por isso, a faca tinha um forte simbolismo. Pois salvar o Esper era a lealdade ao país, e isso era a alma do Guia.
Jaeil estendeu o pulso como se estivesse hipnotizado. A pressão implícita de que “eu mostrei o meu, agora mostre o seu” assemelhava-se à insistência de ontem para que ele viesse ali sem motivo.
Seunghyun, que tocava no aparelho, na verdade estava agarrando o pulso de Jaeil. A sensação da ponta dos dedos mexendo ao redor do aparelho era embaraçosa. Jaeil fingiu não notar. Ele perdia o tempo de intervir a cada momento, pois o outro cruzava a linha repetidamente de formas sutis e não intencionais.
— É para tocar aqui?
— Sim. Duas vezes.
— Então agora está em 30,25%?
— Sim. É isso.
— Não está alto?
— …
Para Jaeil, era um valor baixo, mas para um Esper comum, era alto. Enquanto pensava em como explicar de forma fácil, Seunghyun aproximou-se meio passo. Jaeil inclinou o tronco para trás sem perceber.
Como ele não tinha nenhuma informação sobre Jaeil, conseguia agir assim sem hesitar. Ninguém no Centro se aproximava de Jaeil dessa maneira. Era um comportamento possível por ele vir do Distrito 13 e ser, de certa forma, um ser isolado, mas ele não tinha a menor noção. Por isso, era ainda mais difícil lidar com ele.
Após observar atentamente ao redor de Jaeil, ele disse com um rosto decidido. Sua mão, cheia de determinação, agarrou firmemente o pulso de Jaeil.
— Se não houver problema, vamos… d-dormir juntos hoje?
O entusiasmo era notável.
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Continua…
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✦ Tradução, revisão e Raws: Faby,Belladonna&Nala
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Sinopse:
Jaeil é um Esper Backsplash de nível A que vive em um estado sempre perigoso, pois não consegue encontrar um Guia compatível com ele. Devido a um incidente do passado, ele não confia facilmente nas pessoas e evita contato físico até mesmo com Guias. Mesmo nessas condições adversas, Jaeil tem pouco apego ao mundo e se leva ao limite. Até que um dia, ele recebe uma notícia: um novo Guia Backsplash de nível A virá ao centro. No entanto, esse Guia, Seunghyun, é do Distrito 13. O único problema? Ele não recebeu nenhuma educação e nem sequer sabe como ser um guia!?