Ler Blood Poker (Novel) – Capítulo 02 Online

Blood Poker 02
As cinzas se espalharam quando o vento soprou. Ele as enviou com a brisa para que partissem para bem longe, mas a dor em seu coração era insuportável. Seus olhos estavam tão vazios quanto o pó ressecado. Por carregarem demais, acabaram não refletindo nada. Seunghyun olhou obstinadamente para o céu e apertou os lábios. No fim, não conseguiu dizer “adeus”.
— …
Ele teve um sonho. Ao recuperar a consciência, uma respiração lenta e longa escapou do nariz de Seunghyun. A sensação de desamparo que o atingiu assim que acordou não foi bem-vinda. O corpo pesava tanto que até respirar parecia um fardo. Naturalmente molhadas, suas pálpebras estavam pesadas como pedras.
Pesadelos não eram grande coisa. Que sonho poderia ser mais cruel do que repetir os momentos mais dolorosos e sofridos? Memórias irresponsáveis, disfarçadas de sonhos, estimulavam e arranhavam incessantemente suas feridas.
À medida que sua mente clareava, dúvidas sobre onde estava, que horas eram e o que havia acontecido antes de dormir começaram a surgir uma a uma.
O que tocava sua pele era macio e fofo. Parecia estar sobre uma cama. No momento em que Seunghyun moveu a ponta dos dedos, sentindo que não deveria ficar ali parado, uma vibração ecoou de algum lugar e, logo após a segunda, ouviu-se o farfalhar do edredom. Não fora ele quem fizera o som.
— Haa…
O som de um suspiro carregado de tédio também não era dele. Seunghyun forçou os olhos a permanecerem fechados. Era porque acabara de se lembrar de tudo. Ele não havia pegado no sono, mas sim perdido os sentidos, e isso acontecera por causa da energia do homem ao seu lado.
A energia do homem que sentia na pele era semelhante à da tarde, mas com uma intensidade muito menor. Que sorte. Se aquilo não saísse do controle, ele sentia que poderia fingir que estava tudo bem. Seunghyun respirou compassadamente, como alguém que estivesse dormindo profundamente.
A cama balançou levemente. Ouviu-se o som de pés batendo no chão, como se alguém calçasse sapatos. Seguiram-se passos e, depois, o som de uma porta abrindo e fechando. Mesmo sem ver, percebia-se que os movimentos eram cuidadosos. Logo, o silêncio se instalou.
Após contar até dez mentalmente, Seunghyun abriu os olhos devagar. A luz do pôr do sol filtrava-se pelas cortinas semitransparentes.
*Click.*
— …!
Mas, ao ouvir o som da porta se abrindo novamente, ele voltou a fingir que dormia, assustado.
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Joong-yeol, um *poker* de classe A, era um dos Espers do tipo mental que recebera a ordem de convocação de emergência. Ele franziu o cenho ao verificar o celular. Seus olhos naturalmente rasgados tornaram-se ainda mais ferozes. Mesmo enquanto o enfiava no bolso para ignorá-lo, o som de mensagens chegando continuava a soar.
— O que tem de tão bom nesse moleque que só tem o rosto para mostrar, pro povo ficar pedindo o número dele? Ele deve ter esquecido que era um merda antes da redesperta. De qualquer forma, se o rosto for bonito, o povo perde o juízo. Pqp. Quando aquele desgraçado era um *triple*, ele rastejava aos meus pés.
Havia um tempo em que ele se divertia provocando e pisoteando Ha Jaeil, que era a vergonha da renomada família Ha, produzindo apenas *back-spl*. Agora, Jaeil se tornara alguém que ele não conseguia enfrentar em termos de força.
Lembrando-se da euforia do passado e do abismo do presente, Joong-yeol não tinha como acalmar seu coração vazio. Ele nunca imaginou que aquele pirralho teria uma redesperta, muito menos que despertaria em um nível tão alto quanto o *back-spl*. Ele atribuiu toda a sua amargura à sua irmã mais nova, que estava louca por Jaeil. “Acorda, garota. Eu nem sei o número pessoal do Ha Jaeil, nem quero saber, e ele nunca daria o número para ninguém.”
No caminho para o elevador, ele encontrou Jaeil saindo da sala de guia. Joong-yeol levantou um canto da boca de forma torta.
— Ainda vivo?
Os olhos de Jaeil se moveram levemente para o lado. Embora sua expressão estivesse gélida e rígida, sua saudação foi educada.
— Bom dia.
Embora o nível de Esper de Jaeil fosse maior, Joong-yeol era superior em idade e cargo. Joong-yeol deu um passo à frente com as mãos nos bolsos.
— Você vive fazendo escândalo dizendo que quer morrer, mas sua vida é bem resistente, hein? Não é?
Acostumado com a forma de falar de Joong-yeol, Jaeil não mudou sua expressão mesmo diante do tom abertamente sarcástico. Passando por Jaeil, que não respondeu, Joong-yeol abriu a porta da sala de guia. O cenho de Jaeil, franzido pela atitude rude de Joong-yeol, logo voltou ao normal. Ele engoliu o suspiro que quase escapou.
Olhando de soslaio para Seunghyun deitado na cama, Joong-yeol soltou uma risada desagradável.
— Qual é o gosto desta vez?
O olhar e a pergunta lançados a Jaeil eram extremamente vulgares. Os olhos de Jaeil, que estiveram inexpressivos até então, tornaram-se afiados. Era porque ele se sentia ofendido pela piada suja que sugeria uma relação luxuriosa entre ele e o Guia na sala.
Como Jaeil não respondeu, Joong-yeol sorriu mostrando os dentes. Desde o início, ele só queria ver a reação de Jaeil.
— Ei. Não me olhe assim. É brincadeira.
— …
Em posição de sentido, Jaeil ignorou a provocação de Joong-yeol e lançou o olhar pela janela. Não valia a pena responder a cada asneira. Sua intenção era deixar entrar por um ouvido e sair pelo outro até que o outro se cansasse.
— Você também recebeu a notificação, certo? Vamos.
Joong-yeol fez um sinal com o dedo indicador. Enquanto Jaeil o seguia em silêncio, Joong-yeol continuou a falar, olhando para trás.
— Aquela colegial que estava ao seu lado quando você pegou o Oni…
— …
Jaeil, que caminhava olhando para a janela com tédio, cruzou os olhos com Joong-yeol ao ouvir aquilo. Joong-yeol mencionava um incidente que saiu recentemente nos jornais. Foi o caso em que Jaeil eliminou sozinho um Oni de nível 3 que apareceu na frente de uma colegial atrasada, sendo tratado como herói por um tempo. No entanto, o próprio interessado não tinha o menor interesse no ocorrido.
— Ela nem sabe que foi usada como isca.
— …
Segundo a irmã de Joong-yeol, Ha Jaeil salvara a garota e até lhe dera várias explicações gentis. Joong-yeol soltou uma risada curta ao ouvir aquilo. Que besteira. Pelo que conhecia dele há anos, Ha Jaeil não era o tipo de pessoa que enfrentaria um Oni de nível 3 sozinho só para salvar uma estudante. Aquilo era apenas mais um de seus “shows de suicídio” que ocorriam em ciclos regulares.
Ha Jaeil frequentemente se levava ao limite da morte. Ou ele recusava o guia, ou enfrentava Onis que eram demais para ele sozinho, como desta vez, para causar um surto propositalmente. Eram atos puramente sádicos e autodestrutivos.
Provavelmente, aquela garota nunca imaginaria que fora apenas uma isca barulhenta para atrair o Oni e uma desculpa para ele lutar sozinho.
— Hein? Não é verdade?
— … Bem, é isso mesmo.
Jaeil não negou e selou a questão com uma resposta limpa. Joong-yeol riu, dizendo “Eu sabia”. Joong-yeol, que pensou em acrescentar algo mais para irritá-lo, hesitou por um momento. Era porque Jaeil o observava fixamente com a cabeça levemente inclinada.
— …
— …
Mesmo tendo suas intenções lidas, o homem de feições marcantes não demonstrou qualquer agitação. Era como se ele não se importasse se a verdade fosse revelada ou se o outro ficasse abalado. Ele apenas transmitia seus sentimentos a Joong-yeol com um olhar entediado.
“E daí? O que você vai fazer?”
A energia que ele emanava não era um blefe imaturo. Diante daquela aura que parecia pronta para usar xingamentos ou violência se não fosse pelo cargo, Joong-yeol deu de ombros. Parecia que, se o provocasse mais um pouco, aquela situação realmente aconteceria. Malditamente, ele não tinha confiança de vencer Ha Jaeil na força física. Lembrando-se de quando teve as costelas quebradas no passado, Joong-yeol deu um passo para trás sem perceber.
A insubordinação de Ha Jaeil ainda era comentada entre os Espers mesmo após um ano. Ele não mudara sua expressão ao dar uma surra em seu superior, da mesma forma que fazia ao enfrentar um Oni. A voz baixa que ele usou enquanto pressionava o peito do superior com o joelho ainda era vívida em seus ouvidos.
“Está doendo?”
Naquele momento, o som de ossos sendo esmagados ecoou até suas entranhas.
— Cara asqueroso.
Lançando um olhar desinteressado para Joong-yeol, que se afastava a passos largos resmungando, Jaeil baixou o olhar para o pulso. Ao tocar na tela preta do aparelho, os números que indicavam o risco de amplificação brilharam.
— …
Era 25%.
25%. Era um valor que o fazia hesitar até nos passos. O máximo dos guias gêmeos era 30%, se não me engano. O resultado de ter desistido e dormido, já que o Guia resmungava só de ele fazer menção de se afastar, foi surpreendente. Jaeil levou a mão à testa. Pensando bem, a dor de cabeça também diminuíra. Seus olhos castanhos claros subiram lentamente em direção à testa. Ele achou que era uma proposta absurda, mas o efeito fora bom. Era o momento em que Daniel Gray, que ele pensava ser um charlatão, parecia diferente.
“O nome dele é Ji Seunghyun. Ele é do Distrito 13, então é praticamente um leigo sobre guia. O nível dele é alto, então acho que aprenderá rápido, mas vamos ver. Vou fazer com que ele seja útil o mais rápido possível.”
Enquanto remoía as palavras de Daniel, os olhos de Jaeil subitamente se acalmaram.
— Ji Seunghyun.
Ele apenas pronunciou o nome para gravá-lo na memória, mas, por algum motivo, as pontas de suas orelhas esquentaram. Com o aumento da temperatura, lembrou-se do calor da pele que esfregara seu pescoço. E também do movimento de acariciar sua nuca. Era uma sensação estranha e desajeitada. Jaeil franziu o nariz e esfregou o queixo. É por isso que contatos devem ser feitos com cuidado. Mergulhado em pensamentos, ele manteve a mesma posição por um bom tempo.
A luz do pôr do sol criava longas sombras.
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O alarme tocou exatamente às 8 da manhã. O som vinha do celular que recebera ontem. A área ocupada por seu corpo encolhido como um camarão não chegava à metade da cama. Quando sua mão tateante tocou o celular, o som ensurdecedor parou instantaneamente.
Seunghyun, que se levantava com dificuldade, logo deixou a cabeça pender. O cansaço ainda era considerável. Seria problemático se ele acabasse ficando doente. Sua mão, que esfregava as pálpebras sem pensar, parou. Seus cílios estavam molhados de novo.
Ontem, o funcionário dissera que viria buscá-lo às 9 horas e que seria bom se ele usasse uma camisa arrumada. Uma camisa? As únicas roupas que Seunghyun possuía eram algumas calças jeans, camisetas e um casaco. Isso era tudo. No entanto, ao abrir o armário e ver as camisas e calças expostas, percebeu que sua preocupação fora desnecessária. Em uma pequena caixa na parte de baixo do armário, havia também sapatos baixos no seu tamanho.
Às 9 horas, ouviu-se uma batida educada na porta.
— Bom dia.
O funcionário era alguém muito pontual. Assim que viu Seunghyun, ele o cumprimentou com um sorriso amigável. Quando perguntou se ele dormira bem, Seunghyun também respondeu com um sorriso que dormira bem, graças a ele.
Após tomarem café no refeitório, eles apressaram o passo em direção ao local combinado. O funcionário, que caminhava meio passo à frente de Seunghyun, entregou-lhe o crachá de identificação.
— Você usará isso para todos os acessos ao Centro e ao dormitório. Considere como seu documento de identidade básico.
— Sim.
A cor do cordão era diferente da do funcionário. Seunghyun, que confirmou com o canto do olho, colocou-o no pescoço discretamente.
— Hoje você se apresentará aos guias do Centro. Também conhecerá o líder da equipe.
— Sim.
— Em vez do curso de treinamento regular, você passará pelo treinamento de mentoria.
Seunghyun assentiu. Quem seria? Aquele homem chamado Daniel ontem parecia ser alguém de duas caras. Ele esperava que fosse alguém de temperamento suave, pois queria evitar conflitos ou situações que o magoassem.
Caminhando enquanto olhava para o chão, Seunghyun focou distraidamente nos sapatos do funcionário. Seus tornozelos com meias cinzas apareciam e desapareciam.
— Soube que você encontrou o Esper Ha Jaeil ontem.
— Hein? Sim, sim.
Lembrando-se do choque antes da memória de ontem, Seunghyun franziu levemente o cenho. Aquele homem fora a pior primeira impressão possível. Ou será que *eu* fui o pior? A cabeça de Seunghyun pendeu profundamente em direção ao chão. Como ele tivera ânsia de vômito na frente de alguém que acabara de conhecer, provavelmente não deixara uma boa impressão. Além disso, talvez por estar assustado com a energia, o rosto do homem era um borrão, exceto pelo fato de ser bonito.
“Tenho que me desculpar quando o encontrar. E olhar bem para o rosto dele. Já que seremos pessoas que se encontrarão com frequência.” No momento em que ele se preparava mentalmente:
— Ele está ali, por acaso. Vamos cumprimentá-lo?
— O quê?
Ao levantar a cabeça, viu dois homens corpulentos conversando no fim do corredor. O cenho de Seunghyun se franziu visivelmente. Sentindo a presença, os olhares dos homens se voltaram para eles. O funcionário acrescentou uma explicação:
— Como os Onis têm aparecido com frequência em Haon, os Espers também ficaram ocupados.
— Pois é…
“Sou Ha Jaeil.”
A voz firme e grave e a mão que parecia ser maior que a sua por uma falange vieram à memória. Mesmo em meio à confusão, Seunghyun, que se lembrava claramente disso, sentiu um constrangimento desnecessário.
— Olá. Bom dia.
A voz alegre do funcionário ecoou pelo corredor. A distância diminuía, mas Seunghyun não conseguia levantar a cabeça facilmente. Mesmo sem olhar direito, percebia que “monstros” oscilavam ao redor do corpo dos homens. Ele não tinha confiança para encarar aquelas coisas horríveis de frente. Ele não tivera tempo de se preparar psicologicamente para encontrá-los ali. Incapaz de suportar a pressão, seus passos tornaram-se lentos.
— É aquele ali?
O homem ao lado de Jaeil era um Esper mental de nível B. Seu nome era Kwon Kiju, colega de colégio de Jaeil. Sua sub-classe era *full house*, a mais alta entre os de nível B, e sua vantagem era que suas habilidades eram variáveis dependendo da situação.
— Sim.
Assim que a resposta de Jaeil caiu, o homem que caminhava olhou para Jaeil.
— Vamos cumprimentar o nosso precioso Guia?
Lançando as palavras de forma brincalhona, ele encurtou a distância com suas pernas longas. Após trocar uma breve reverência com o funcionário, ele estendeu a mão repentinamente para Seunghyun.
— Olá. Sou Kwon Kiju. Soube que você chegou agora.
Aquela era uma forma de saudação que seguia as regras próprias dos sensitivos. Seunghyun, que estava com o olhar baixo, percebeu a mão e deu um sobressalto nos ombros.
— Sim, sim… Ah, sim. É isso mesmo.
Esfregando a mão na coxa, Seunghyun respirou fundo. Seu peito se estufou.
“Tenho que apertar, certo? Tenho que fazer isso.”
Se apertasse por um instante e soltasse, não seria nada demais. Seria melhor não olhar para o rosto. A ânsia de ontem já fora o suficiente. Seunghyun mordeu o lábio inferior. Ele mordeu com tanta força que empalideceu, tentando criar coragem, mas seu corpo paralisado não obedecia.
— …
Por que aquilo era tão difícil? O rosto de Seunghyun, que olhava fixamente para a palma da mão de Kiju, começou a se contorcer gradualmente.
— Vamos.
Uma voz baixa e firme atravessou o espaço entre eles. Era uma voz que ele já conhecia.
— Hein?
Kiju, que fora agarrado pelo pescoço por Jaeil, fez uma expressão de dúvida.
— Vamos logo.
— Eu só ia dar um aperto de mão…
Jaeil abaixou à força a mão que Kiju estendera novamente com lamento.
— Não faça isso.
— O quê?
O olhar de Jaeil fixou-se intensamente no topo da cabeça baixa de Seunghyun por um instante e depois se desviou.
— Ele está com medo.
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Kwon Kiju lamentou até o fim. Mesmo sendo arrastado por Jaeil, ele lançou uma despedida animada: “Vejo você mais tarde!”. À medida que os homens se afastavam, as sensações que picavam sua pele também enfraqueciam gradualmente.
No entanto, Seunghyun tinha uma expressão de insatisfação. Ele encarava o chão e mordiscava o lábio inferior repetidamente.
— …
Claro que ele estava com medo. Mas não era esse tipo de situação que ele desejava. Era apenas por ser desconhecido e repentino, mas a consideração do homem tocara em algum ponto interno seu. Aparentemente, ele o via como alguém passivo e fraco. O fato de a primeira impressão ter ficado pior do que imaginava o deixou desconfortável. Não era isso. Ele não queria ser visto assim. Ele não era aquele tipo de pessoa.
Seunghyun virou o corpo na direção em que os homens partiram. Com passos acelerados, ele logo diminuiu a distância entre eles.
— Com licença.
Os olhares dos homens se concentraram em Seunghyun. Suas expressões eram diferentes, mas todos transmitiam uma sensação de surpresa. Antes de cruzar os olhos com eles, Seunghyun identificou a energia. Aquilo era um comportamento instintivo que não precisava de treinamento. Ele apenas era mais lento e sabia menos que os outros. Os olhos determinados de Seunghyun os percorreram de forma circular. Um silêncio se seguiu por um instante, prolongado pela consideração de Jaeil, que conteve o impaciente Kiju.
A energia de Kwon Kiju não era tão ameaçadora quanto parecia visualmente. Apenas ondulava em uma frequência constante. A energia de Jaeil permanecia a mesma, mas felizmente não estava tão agressiva quanto ontem, sendo suportável. Seunghyun piscou uma vez e olhou para os dois, um de cada vez.
— Sou Ji Seunghyun. Conto com o apoio de vocês.
“Por que parece que estou gritando um comando militar?” Diante da saudação desafiadora de Seunghyun, os lábios de Kiju se abriram em um sorriso largo. Era um sorriso tão radiante que seus olhos quase desapareceram. Kiju empurrou levemente as costas de Jaeil em direção a Seunghyun e disse:
— Eu é que peço que cuide bem deste cara aqui.
— …
Por um momento sem entender o que ele quis dizer, Seunghyun soltou um “Ah” e olhou para Jaeil. Devido à diferença de altura e à proximidade de um passo, a cabeça de Seunghyun inclinou-se levemente para trás.
— Peço desculpas por ontem. É que eu tomei um susto muito grande…
Jaeil não tinha uma expressão específica. Ele apenas observava atentamente cada movimento de Seunghyun, que se desculpava enquanto coçava o nariz.
— … Além disso.
— …?
— Não tem mais nada?
A boca que se abriu tardiamente dizia algo incompreensível. Como assim “não tem mais nada”? Seunghyun arregalou os olhos. Quando a dúvida e o constrangimento preencheram suas grandes pupilas, elas tremeram levemente.
— Eu, por acaso… cometi algum… erro?
— …
Até a voz de Seunghyun tremeu.
“O que aconteceu depois que perdi os sentidos?” Ele não tinha memória. Ele tentou buscar desesperadamente, mas não estava apenas borrado, estava completamente às escuras.
Jaeil esperou pacientemente mais uma vez por Seunghyun, que estava confuso e agitado. O olhar do homem pousou pesadamente sobre as pálpebras que piscavam rapidamente e os lábios entreabertos, antes de se desviar.
— Nada.
Sua única lembrança de ontem fora ter tido ânsia de vômito, desmaiado e fingido dormir. Ele precisava saber o que era para poder se desculpar. Seunghyun não pôde nem segurar o homem que se virava. O desejo de perguntar o que ele quis dizer com aquilo fervia por dentro. Eles ainda não tinham intimidade para esse tipo de conversa. Além disso, o fato de não se lembrar parecia um erro ainda maior, então as palavras não saíam. Assim que fechou a boca hesitante, Seunghyun voltou a morder o lábio inferior.
— Nos vemos mais tarde.
— …
Por que as palavras do homem soavam como uma declaração de guerra? Para ele pontuar aquilo, certamente Seunghyun cometera um erro terrível. Os ombros de Seunghyun, que observava suas costas, caíram sem forças.
↫────☫────↬
Continua…
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✦ Tradução, revisão e Raws: Faby,Belladonna&Nala
Ler Blood Poker (Novel) Yaoi Mangá Online
Sinopse:
Jaeil é um Esper Backsplash de nível A que vive em um estado sempre perigoso, pois não consegue encontrar um Guia compatível com ele. Devido a um incidente do passado, ele não confia facilmente nas pessoas e evita contato físico até mesmo com Guias. Mesmo nessas condições adversas, Jaeil tem pouco apego ao mundo e se leva ao limite. Até que um dia, ele recebe uma notícia: um novo Guia Backsplash de nível A virá ao centro. No entanto, esse Guia, Seunghyun, é do Distrito 13. O único problema? Ele não recebeu nenhuma educação e nem sequer sabe como ser um guia!?