Ler Dog And Bird (Novel) – Capítulo 12 Online

↫─☫ Dog And Bird, Capítulo 12
Seo Gyu-ha estava sentado de pernas cruzadas sobre um tapete colorido.
O quarto estava repleto de bonecos e brinquedos por todos os lados, e havia até um berço para bebês que parecia uma miniatura. No entanto, Gyu-ha não sentia o menor desconforto. Pelo contrário, ele balançava distraidamente um chocalho que segurava na mão, tentando atrair a atenção do pequeno sentado a poucos passos de distância.
— Vem cá. Vou brincar com você.
O pequeno soltou uma risadinha deliciosa. Um sorriso suave, quase imperceptível, surgiu nos lábios de Seo Gyu-ha.
Para ele, a existência de um bebê não passava de um estorvo que exigia atenção do começo ao fim, e o pequeno à sua frente não era exceção. Mas, por algum motivo, ele não conseguia desviar o olhar. A criaturinha, que parecia caber em uma única mão, era adorável sorrindo daquele jeito e, quanto mais ele olhava, mais parecia se assemelhar a alguém que ele conhecia.
— ……-ah. Vem com o papai. Hum? Seja bonzinho.
Foi então que, ao ouvir subitamente a voz de outra pessoa, Seo Gyu-ha virou a cabeça bruscamente para o lado. Um rosto extremamente familiar entrou em seu campo de visão, e Gyu-ha logo soltou uma risada nasalada de descrença.
“Olha só para isso.”
Como de costume, Lee Cha-young exibia seu rosto atraente vestindo uma camisa de caimento perfeito e calças sociais. Era uma aparência que ele costumava ter na empresa, mas, em vez de uma maleta ou relatórios, ele segurava ambiciosamente um chocalho em cada mão. Além disso, ainda tinha um urso de pelúcia preso entre as pernas. “Desgraçado trapaceiro.”
Sentindo uma emoção semelhante a um espírito competitivo aflorar, Seo Gyu-ha endireitou a postura curvada e começou a atrair a atenção do pequeno com seriedade.
— Pa! Pa-pa!
Sem saber do conflito interno alheio, o pequeno, que não parava de rir, finalmente começou a mexer o bumbum, engatinhando devagar.
A corte dos dois homens em direção ao pequeno tornou-se cada vez mais intensa. “Ei, garoto, pense bem em quem te carregou na barriga e te deu à luz antes de escolher. Então, venha para cá… por aqui…”
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Seus olhos se abriram de sobressalto, como se alguém o tivesse chamado. Piscando repetidamente enquanto estava deitado de lado, Seo Gyu-ha finalmente se levantou e sentou na cama com a aparência desgrenhada.
Apesar de ter dormido profundamente a noite toda, sua expressão não era nada boa. O motivo era o sonho vívido que acabara de ter.
— Que sonho ridículo…
Estalando a língua e bagunçando os cabelos com força, ele ouviu o sinal sonoro de um bipe seguido pelo som da porta se abrindo à distância. Logo depois, o Secretário Choi apareceu. Pelas roupas leves, parecia que ele tinha voltado da academia logo cedo.
— Acordou cedo.
Ao ligar o celular, viu que passava pouco das 7 horas da manhã. Vendo-o se jogar na cama novamente, o Secretário Choi perguntou:
— Vai dormir mais?
— Não.
Como já tinha despertado completamente, não achava que conseguiria dormir mais. Seo Gyu-ha ficou deitado de braços e pernas abertos na cama, encarando o teto vagamente. Piscando lentamente, o sonho estranho da noite anterior veio à mente de forma involuntária.
Logo, os cantos de sua boca se contraíram em uma risada de escárnio. Mesmo sendo um sonho, a imagem de si mesmo agitando chocalhos em ambas as mãos era ridícula.
O que veio a seguir foi uma sensação estranhamente sinistra. Geralmente, ele era do tipo que apagava assim que encostava a cabeça no travesseiro e raramente sonhava durante o sono profundo. Mesmo quando tinha pensamentos entre o sonho e a imaginação enquanto cochilava, apenas uma sensação vaga restava ao acordar; mas o sonho de ontem foi desagradavelmente vívido. Desde suas roupas e o formato do chocalho até a cor do papel de parede, tudo estava nítido.
— …
Quanto mais pensava, pior era a sensação. Olhando de relance para o baixo ventre, Seo Gyu-ha se levantou e chamou o Secretário Choi.
— Hyung.
— Sim.
— Que tal irmos para outro lugar logo?
— Outro lugar?
O Secretário Choi, que estava mudando os canais da TV tranquilamente, ajeitou os óculos e perguntou, estranhando:
— Ficar no mesmo lugar o tempo todo é entediante. Ouvi dizer que há muitas outras ilhas por perto, que tal nos mudarmos logo?
O Secretário Choi sentiu um sobressalto interno. Isso porque ele havia recebido uma ligação da “Sra. Esposa” naquela madrugada.
Dizendo que estava preocupada demais e que só ficaria tranquila se visse com os próprios olhos como ele estava, o Secretário Choi não hesitou em informar o endereço do resort e até o número da suíte onde estavam hospedados.
Como ela disse que partiria de madrugada no horário da Coreia, deveria estar para chegar em breve; seria problemático se mudarem de residência de repente.
“Não é possível que ele tenha ouvido a conversa de ontem à noite.”
Como ele havia saído do quarto para atender a ligação, a menos que tivesse uma audição de super-herói, seria impossível. Sendo assim, só restava pensar que a intuição dele era muito aguçada.
— Você gosta daqui, Hyung?
— …Bem, um lugar familiar é sempre mais confortável e bom. Que tal tomarmos café primeiro e depois pesquisamos com calma?
— Pode ser. Já que tocamos no assunto, vamos comer?
Como costumava dormir muito pela manhã, geralmente pedia serviço de quarto tardio, mas hoje parecia que conseguiria aproveitar o buffet de café da manhã. Descendo ao restaurante no primeiro andar, Seo Gyu-ha exibiu um apetite voraz logo cedo, enchendo o estômago com diligência.
Graças a isso, ao contrário da ida, seus passos na volta estavam consideravelmente lentos. Ao sair do restaurante e caminhar em direção ao elevador, o Secretário Choi comentou como se tivesse acabado de lembrar:
— Já que estamos aqui fora, pretendo passar rapidinho no mercado, quer vir junto?
Ao ouvir isso, Seo Gyu-ha respondeu sem nem pensar:
— Não. Está quente, eu passo.
Embora fosse uma distância que poderia ser percorrida em 20 minutos de ida e volta, o sol forte e a alta umidade eram os obstáculos. Da primeira vez que o seguiu sem saber de nada, achou que fosse morrer de calor.
— Então eu volto logo. Leve a chave.
Após entregar o cartão-chave sem esquecer, o Secretário Choi seguiu na direção oposta. Subindo sozinho para a suíte, Seo Gyu-ha sentou-se no sofá em uma postura relaxada. Descansou um pouco sentado, levantou-se e aproximou-se da mesa.
Pegou um saco de batatas chips e o tablet que estavam entre os objetos espalhados e mudou-se para a cama. Encostando as costas confortavelmente na cabeceira, escolheu um dos filmes que o Secretário Choi havia baixado previamente e deu o play.
Mastigando as batatas crocantes e salgadas, Seo Gyu-ha manteve os olhos fixos na tela do tablet.
Como esperado do gênero de exorcismo, desde o início seguiram-se cenas cruéis, como um homem sendo estrangulado por uma corda e muito sangue jorrando. Não era exatamente o tipo de filme para se ver de manhã, mas Gyu-ha não se importava. Era melhor do que um melodrama de choradeira.
— “Oh, Senhor! Por favor, olhe por este cordeiro, argh!”
Quantos minutos haviam se passado? Sua expressão, até então calma, foi se fechando gradualmente. Pelo pôster, parecia que seria uma obra-prima, mas era pura enganação. Já haviam se passado cinco minutos desde o início e as únicas cenas mostradas até agora eram de um vulto negro matando pessoas indiscriminadamente.
— Que filme chato pra caralho.
O interesse sumiu rapidamente. Quando estava prestes a desligar o filme por não aguentar mais, de repente ecoou um alto som de campainha.
Era o som que ouvia toda vez que pedia serviço de quarto pela manhã. Em outras palavras, significava que alguém havia tocado a campainha da suíte.
Com uma expressão intrigada, olhou para a porta por um momento e, logo lembrando de um fato, Seo Gyu-ha se levantou. Parecia que o Secretário Choi, que fora ao mercado, havia retornado.
*Escancara—*
— Já volto…
Ao abrir a porta sem pensar, Seo Gyu-ha congelou no lugar.
A pessoa em seu campo de visão não era o Secretário Choi. A pessoa parada à sua frente, com a porta aberta entre eles, era o homem que jamais deveria estar ali agora.
“O que esse desgraçado está fazendo aqui… Será que estou tendo alucinações?”
Ele sentiu como se sua mente tivesse dado um branco total. Não apenas Seo Gyu-ha, que estava paralisado de choque, mas Lee Cha-young também exibia uma expressão indescritível.
Na ilusão de que até o tempo havia parado, os dois se encararam em silêncio. Quanto tempo teria se passado assim? No momento em que viu os lábios de Lee Cha-young se abrirem lentamente, Seo Gyu-ha soltou um grito de “Ah!” e fechou a porta por reflexo. Não seria exagero dizer que seu corpo se moveu antes de seu pensamento.
— Seo Gyu-ha!
No entanto, ele não conseguiu o que queria. Instantes antes de a porta fechar, sentiu algo travar e dedos longos se enfiaram na fresta.
Por um momento, ele se assustou achando que os dedos seriam esmagados, mas o espaço entre a porta aberta era consideravelmente largo para isso. Olhando para baixo, viu a ponta de um sapato social preto forçando a entrada pela fresta.
— Cai fora, seu merda.
Enquanto tentava tirar os dedos de Lee Cha-young que seguravam a porta, Seo Gyu-ha empurrava a porta com toda a força de seu corpo.
Esta situação agora era muito mais aterrorizante do que o filme que estava assistindo há pouco. Era uma situação sem realismo, como um sonho de olhos abertos, mas mesmo em meio a isso, uma coisa era certa: ele jamais deveria abrir esta porta, acontecesse o que acontecesse.
— Gyu-ha, espera um pouco. Vamos conversar um instante. Hum? Gyu-ha.
A força empurrando do lado oposto era transmitida integralmente através da porta. Seo Gyu-ha cerrou os dentes e tentou continuar fechando a porta, mas em certo momento, sentiu a inferioridade de sua força. Ansioso, ele gritou sem perceber:
— Porra, eu disse para sumir daqui agora!
Simultaneamente ao grito, uma força imensa foi aplicada subitamente do outro lado da porta com um estrondo. Por causa disso, antes que pudesse fazer qualquer coisa, Seo Gyu-ha foi arremessado para trás e caiu no chão.
— Seo Gyu-ha!
Ao vê-lo caído, Lee Cha-young aproximou-se apressadamente e levantou o tronco de Gyu-ha.
— Você está bem? Se machucou?
— Ai, cacete…
Talvez por ter apoiado mal o chão ao cair, seu pulso esquerdo latejava. Enquanto massageava o pulso dolorido resmungando, Seo Gyu-ha percebeu a situação tardiamente e recuou rapidamente. Seus olhos estavam cheios de desconfiança.
“Por que ele veio? Como ele descobriu este lugar?”
Como se não bastasse, seu coração, assustado pela queda repentina, começou a bater cada vez mais rápido, bombeando sangue. Seo Gyu-ha baixou o olhar involuntariamente e mordeu o lábio interno.
Ele já estava com um pressentimento ruim desde que Lee Cha-young apareceu em seu sonho, e agora via que era uma espécie de sonho premonitório. Se soubesse que seria assim, teria mudado de acomodação assim que abriu os olhos. Ele se arrependeu profundamente de ter relaxado e comido calmamente.
— …!
No momento em que levantou a cabeça tardiamente, desta vez seu coração deu um solavanco. Lee Cha-young continuava olhando para cá, mas seus olhos não se cruzavam como antes. O olhar dele estava voltado para algum lugar um pouco mais abaixo, de forma sutil.
Suas pontas dos dedos estremeceram ao perceber, mas ele conseguiu resistir e não se mover. Talvez pela tensão, seu baixo ventre deu um nó apertado. Seo Gyu-ha tentou esconder o nervosismo e disse com a expressão completamente distorcida:
— Sai. Antes que eu chame a polícia.
— Gyu-ha…
— Seus ouvidos apodreceram? Saia agora!
No ar, os olhares dos dois se entrelaçaram. Após um breve silêncio, Lee Cha-young moveu os lábios.
— …Você não tem nada para me dizer?
— Não tenho. Enquanto eu estou sendo legal…
— Seo Gyu-ha, você.
Uma voz grave se sobrepôs, interrompendo-o no meio da frase.
— …Ouvi dizer que você é um Ômega.
Uma tensão aguda como a corda de um arco puxada pairou no ar. Seo Gyu-ha encarou Lee Cha-young com o rosto rígido e logo soltou uma risada debochada.
— Veio até aqui só para questionar isso? Você é um desocupado do caralho mesmo.
— …
— Eu nunca disse com minha própria boca que era um Beta, seu idiota. “Alfa Dominante” meu ovo, você não sabe de porra nenhuma.
Ele usou deliberadamente palavras provocativas para zombar, mas Lee Cha-young não demonstrou a menor hesitação.
Quem ficou ansioso com isso, ao contrário, foi Seo Gyu-ha. Movendo apenas as pupilas, ele mediu a distância até a porta. Já que expulsá-lo estava fora de questão, seria mais rápido se ele mesmo saísse. Antes que as palavras que ele vagamente suspeitava viessem à tona, antes que a caixa que ele não queria abrir fosse revirada.
Enquanto media o tempo para sair correndo, a voz grave continuou:
— Você está certo.
— …O quê?
— Estou dizendo que você está certo. Por ser um idiota que não sabe de porra nenhuma, eu não conhecia meus próprios sentimentos e só agora descobri que você é um Ômega. E…
Lee Cha-young hesitou involuntariamente no final da frase. Apenas pensar no que diria a seguir fazia algo em seu peito latejar dolorosamente.
Para ser honesto, não era a primeira vez. Tanto durante o voo quanto no táxi a caminho da acomodação, ele não sabia quantas vezes pressionou a região do coração inconscientemente. E neste momento, em que estava frente a frente com Seo Gyu-ha, essa sensação atingiu o ápice.
Seu coração também já havia começado a bater fora de controle há muito tempo. Sabendo que era impossível esperar que se acalmasse, ele pressionou o peito com força mais uma vez e continuou lentamente:
— Eu também sei que você está carregando um filho meu.
— …
O coração de Seo Gyu-ha também começou a bater rápido, em outro sentido. Suas pontas dos dedos segurando a borda da mesa ganharam força involuntariamente. Após umedecer os lábios secos com a língua, ele tentou negar por enquanto.
— Ficou maluco? Que merda você está falando?
Mas o clima era de que isso não funcionaria de jeito nenhum. Como se dissesse para não perder tempo à toa, Lee Cha-young falou novamente com um olhar insistente:
— Eu já vim sabendo de tudo. …Que você foi ao hospital por causa da gravidez e que encontrou o Secretário Choi aqui há pouco tempo.
Ele não conseguia mais controlar sua expressão. Seo Gyu-ha acabou virando o rosto, franzindo-o totalmente.
Se fosse qualquer outro cara, ele teria negado até o fim, mas se tratando de Lee Cha-young, era um ato inútil. Coisas como consultar o registro médico de outra pessoa seriam possíveis com apenas um estalar de dedos, e ele não era um desgraçado desocupado o suficiente para vir até aqui baseado apenas em suposições incertas.
Mesmo assim, se continuasse negando, o resultado seria óbvio. Ele o arrastaria para o hospital dizendo para confirmarem juntos e o empurraria direto para a sala de cirurgia.
— …
Ele mordeu o lábio com força, fazendo-o rachar e o gosto de sangue se espalhar. Isso era algo que jamais poderia acontecer.
Seo Gyu-ha lembrava-se sem esquecer das palavras do médico dizendo que, se removesse a criaturinha na barriga à força, seu sistema de feromônios poderia ficar completamente arruinado. Havia outro motivo também. Mesmo agora, ao lembrar da gravidez, um suspiro escapava, mas não sentia apenas emoções negativas como antes. Gostasse ou não, e quer estivesse consciente disso ou não, onde quer que fosse, eles estavam juntos 24 horas por dia, e como às vezes ele até resmungava e falava com o bebê, era impossível não criar um afeto humano.
Acreditando que não havia para onde fugir, Lee Cha-young estava parado enviando um olhar que dizia “se tiver algo a dizer, diga”. Enquanto isso, Seo Gyu-ha pensava desesperadamente.
“Já que a mentira de que não há um filho não vai colar… Então…”
Ele engoliu em seco, sentindo o pomo de adão se mover. Logo, Seo Gyu-ha olhou novamente para Lee Cha-young com um rosto sarcástico. Seu coração batia ansiosamente, mas o segredo era jamais demonstrar isso.
— Você se enganou.
— …O quê?
— Eu disse que você se enganou. Não, seria mais preciso dizer que você acertou apenas metade.
Mesmo que seu coração batesse tão rápido que ele tinha a ilusão de ouvir o som do pulso, Seo Gyu-ha não desviou o olhar.
— É verdade que estou grávido, mas não é seu.
— …!
— Você acha que eu dormiria só com você?
Pela primeira vez, surgiu uma rachadura no rosto inexpressivo de Lee Cha-young. Diante disso, Seo Gyu-ha lançou um escárnio generoso.
— Você sabe que eu gosto de sexo. Já fiz até depois de encher a cara, então não lembro de cada um, mas pelas datas, com certeza não é seu. Aconteceu no dia em que tive um lance de uma noite em um clube.
Lee Cha-young, que ouvia sem se mover, de repente soltou um leve riso. O que se seguiu foi uma voz suave que não condizia com a situação atual:
— Teve um lance de uma noite?
— E você achou que eu só daria para você? Que autoconfiança de merda.
— …
— Quer que eu repita? É verdade que estou grávido, mas você não tem nada a ver com isso… !
Naquele instante, sem tempo para desviar, a distância foi encurtada. Seus pés perderam o contato com o chão e sua visão oscilou, e Seo Gyu-ha foi empurrado e deitado sobre a cama.
Antes mesmo de entender o que estava acontecendo, sentiu o peso opressor do corpo sobre o seu. Lee Cha-young, que montou em suas coxas como se o prendesse, começou a pressionar o baixo ventre calmamente com a palma da mão.
— Diga de novo.
Seo Gyu-ha só então recobrou os sentidos e agarrou o pulso de Lee Cha-young.
— Ficou louco? Sai de cima agora!
— Você está dizendo que não está grávido de um filho meu?
— Não estou! Estou dizendo que não estou!
— Então aborte.
Uma voz mais fria que gelo perfurou seus ouvidos. No momento em que compreendeu o significado das palavras, seus movimentos de luta para afastar a mão pararam subitamente.
Sua respiração parou como se estivessem pressionando seu pescoço, não sua barriga. Pouco depois, Seo Gyu-ha moveu os lábios lentamente.
— …O quê?
— Aborte. Se for realmente filho de outro cara…
Com um som de impacto, a cabeça de Lee Cha-young virou para o lado. Seo Gyu-ha tentou desferir outro soco, mas uma mão grande agarrou seu pulso mais rápido do que isso.
— Solta.
— …
— Solta, seu filho da puta!
Ele lutou para escapar, mas foi em vão. Mesmo que xingasse como um louco e gritasse, Lee Cha-young não soltava a mão que segurava. O peito de Seo Gyu-ha subia e descia violentamente a cada respiração ofegante. No silêncio que surgiu em certo momento, Lee Cha-young falou calmamente:
— Eu disse. Eu já vim sabendo de tudo. Então por que continua negando?
— …
Seu maxilar cerrado latejou. Com a sensação de algo quente subindo pelo interior de seus olhos, Seo Gyu-ha virou o rosto apressadamente para o lado.
“Se você engravidou sem o meu consentimento, é óbvio que deve abortar.”
“É óbvio que o objetivo é dinheiro.”
Vozes desprovidas de emoção que ouvira certa vez vieram à mente. Era verdade que engravidara sem consentimento, mas este lado também jamais desejou que isso acontecesse. Ele podia não ser como Lee Cha-young, mas nunca sentiu falta de dinheiro na vida e, muito menos, era o tipo de lixo que tentaria arruinar a vida alheia usando um filho como pretexto.
Mesmo que tivesse sido breve e passageiro, eles certamente haviam conversado sobre suas visões de relacionamento e casamento. Mesmo assim, se ele ainda não havia abortado, seria de se esperar que, ao menos uma vez, ele perguntasse o motivo… Mas a atitude de não conseguir esperar nem o tempo de voltar para a Coreia e, assim que soube da gravidez, persegui-lo até aqui para exigir o aborto, fez brotar uma amargura insuperável.
O silêncio retornou. Como odiaria mais que a morte mostrar lágrimas neste momento, Seo Gyu-ha mordeu o lábio interno com tanta força que a carne ficou em farrapos.
No entanto, ele não conseguiu resistir por muito tempo. No momento em que as lágrimas acumuladas escorreram pelo canto dos olhos, uma voz grave carregada de tremor tocou seus ouvidos.
— Me desculpe.
— …!
— Eu deveria ter dito isso primeiro… Eu errei.
— …
— Daquela vez, quando você perguntou o que eu faria se houvesse uma gravidez indesejada, eu respondi sem pensar, de acordo com meus valores habituais. Além disso, eu não estava de bom humor porque você tinha evitado meus contatos por dias. …Mas, pensando bem depois, acho que entendi. Por que você tocou nesse assunto de repente.
Quanto mais ele falava, mais o desespero aumentava no rosto de Lee Cha-young. Seu pomo de adão proeminente oscilava fortemente. Sua garganta estava quente como se tivesse engolido uma bola de fogo em vez de saliva.
— Foi porque eu realmente não sabia… Por favor, me perdoe só desta vez.
— …
— Vamos voltar comigo, Seo Gyu-ha.
Uma risada sarcástica escapou por entre os lábios firmemente cerrados. Com o olhar fixo em uma janela qualquer, Seo Gyu-ha finalmente falou:
— Para onde, para um hospital tirar o filho?
— …!
— …Se você fizer isso, eu juro que te mato.
Não eram palavras vazias. Se ele decidira dar à luz e criar, e perdesse o filho e tivesse seu corpo arruinado contra sua vontade, ele pretendia cortar a garganta de Lee Cha-young por qualquer meio necessário.
— Jamais. Como eu poderia fazer isso?
Olhando para os olhos que ficaram vermelhos como se contivessem o choro, Lee Cha-young ficou inquieto, sem saber o que fazer. Embora ele gostasse que Seo Gyu-ha chorasse, era apenas na cama, jamais dessa forma.
E ir ao hospital para tirar o filho, era algo que fazia seu coração tremer só de pensar. Parecia que as palavras impensadas daquela vez causaram um mal-entendido profundo, mas ele precisava corrigir isso agora, antes que a situação se tornasse realmente irreversível.
Ele estendeu a mão lentamente para o rosto que estava virado obstinadamente para o lado. Após enxugar os olhos úmidos com as pontas dos dedos com o máximo de cuidado, Lee Cha-young pronunciou baixinho as palavras que nunca dissera a ninguém antes:
— Eu gosto de você.
— …!
— Eu gosto de você, Seo Gyu-ha.
— …
— Pode soar como uma desculpa… mas se você tivesse dito desde o início que estava carregando um filho meu, sem dúvida eu teria dado uma resposta diferente.
Era a mais pura verdade. Ele apenas não tinha percebido, mas olhando para trás, seus sentimentos já estavam voltados para Seo Gyu-ha desde muito antes.
O fato de abrir seu espaço privado sem hesitação, de sentir uma expectativa semelhante à empolgação toda vez que marcavam um encontro, de esperar pelo dia de se verem e de nunca sequer ter pensado em outra pessoa para um lance de uma noite eram as provas disso. Em algum momento, seu mundo ficou inteiramente preenchido por uma única pessoa.
— Eu errei. …Então, por favor, me dê uma chance. Eu não posso te perder de jeito nenhum.
Seo Gyu-ha continuava olhando apenas para o nada. Pouco depois, uma voz bem mais calma soou:
— Você gosta de mim?
— Sim.
— Você me acha tão patético assim?
Finalmente seus olhos se cruzaram novamente, mas não era a situação que ele esperava. Diante do olhar que demonstrava um brilho de desprezo além da frieza, Lee Cha-young sentiu o coração despencar.
— …O que quer dizer com isso?
— Esqueceu o que disse com sua própria boca? Disse que se casaria por negócios, meu status social seria o suficiente para você? Ah, ou eu sou o cara com quem você trai? Seria uma cena e tanto.
As palavras ditas com indiferença atingiram seu peito dolorosamente. Como tudo era culpa sua, não podia culpar ninguém. Se pudesse, ele voltaria no tempo mesmo que tivesse que desistir de tudo o que possuía.
— …Não. Como eu poderia fazer isso com você?
Ele continuou falando com uma voz suplicante, mas Seo Gyu-ha não acreditou. Não, ele não conseguia acreditar.
Ele ouvira com os próprios ouvidos, a imagem dele dizendo friamente que tiraria o filho ainda estava vívida em sua memória… Não havia como acreditar piamente em uma mudança de atitude tão repentina.
A região do peito doía de forma latente. De repente, pensou que ele poderia estar tentando fazê-lo baixar a guarda dessa forma para, sob o pretexto de um exame, tirar o filho.
— Quer uma chance?
— …
— Então ligue para os seus pais agora mesmo. Ligue e diga claramente que um filho foi concebido e que você vai tê-lo e criá-lo como seu. Se fizer isso, eu penso no caso.
Ele disse isso com a certeza de que ele ficaria confuso e tentaria desconversar.
No entanto, uma situação diferente da esperada se desenrolou. Lee Cha-young enfiou a mão apressadamente dentro do paletó, tirou o celular imediatamente e começou a fazer uma ligação para algum lugar.
Como o ambiente estava silencioso, o som da chamada soou nítido nos ouvidos de Seo Gyu-ha. …Não pode ser verdade. No instante em que uma leve ansiedade estava prestes a surgir, a chamada foi atendida por um homem.
— Sim, Jovem Mestre.
— Preciso falar com o meu pai por um instante…
No momento em que ouviu a palavra “Pai”, Seo Gyu-ha involuntariamente arrancou o celular da mão de Lee Cha-young. Olhando para a tela, viu o nome “Chefe de Gabinete Park Jung-jun” e os números indicando o tempo de chamada continuavam subindo.
— Jovem Mestre?
Assustado com a voz chamando pelo Jovem Mestre, ele quase derrubou o celular, mas apressou-se em apertar o botão de encerrar. Seu rosto, com a compostura completamente destruída, voltou-se para Lee Cha-young.
— Para quem você ligou?
— Para o chefe de gabinete direto do meu pai. Me dá o celular. Vou ligar de novo.
— Ligar o quê, seu merda!
O grito saiu involuntariamente. Ele achou que ele obviamente mudaria de assunto, jamais esperou uma situação dessas.
— Ah…
Seo Gyu-ha soltou um curto suspiro e cobriu os olhos. Sentiu a tensão que estivera no limite ser cortada como por uma tesoura, deixando-o sem forças. “Porra, ele não fez isso de propósito sabendo que eu reagiria assim?”
*Trrr— Trrr—*
Ao baixar o olhar para o toque repentino, viu que uma chamada estava entrando com o mesmo nome de antes. O rosto de Seo Gyu-ha se distorceu terrivelmente mais uma vez.
“O que eu faço? Devo simplesmente arremessar isso longe?”
No momento em que agarrou o celular com a intenção de colocá-la em prática, a mão grande de Lee Cha-young se sobrepôs às costas de sua mão. Antes que pudesse repelir, a voz baixa tocou seus ouvidos primeiro:
— Eu gosto de você. Sinceramente.
— …!
— Vou compensar por tudo nesta vida, pelo tempo em que você sofreu por minha causa, por ter te feito passar por isso.
— …
— Por isso… vamos voltar comigo, Gyu-ha.
O celular em sua mão escorregou suavemente. Em seu lugar, sentiu dedos grandes e firmes entrarem entre os seus, entrelaçando-os gentilmente.
Com os olhares fixos um no outro, Seo Gyu-ha apenas soltou o ar em silêncio. Se quisesse repelir, poderia fazê-lo a qualquer momento, mas por algum motivo sua mão não se movia.
— Me desculpe.
— …
— De agora em diante, nunca mais farei nada que te machuque. Nem vou te fazer sofrer.
— …
— Eu prometo.
Seo Gyu-ha acabou virando o rosto com uma expressão franzida. Tentou retirar a mão tardiamente, mas sentiu que ele a segurava com força, como se jamais pudesse soltá-la.
— Sai da frente.
Só depois de se levantar é que Seo Gyu-ha falou lentamente:
— Você disse que faria qualquer coisa, não disse?
— Sim. Quer que eu me ajoelhe?
Seo Gyu-ha teve um sobressalto com as palavras repentinas, mas logo exibiu uma expressão de incredulidade.
— Você acha que seus joelhos são grande coisa? Esquece isso. Você trocou dinheiro?
Ao perceber que ele se referia ao câmbio, Lee Cha-young respondeu imediatamente:
— Ainda não consegui. Mas tenho dólares e cartões.
— Então saia, troque pela moeda deste país, vá a um restaurante na cidade e traga duas porções de camarão com creme para viagem.
— …Camarão com creme?
Viu-se uma expressão de perplexidade diante da missão inesperada, mas isso não era problema dele. Seo Gyu-ha continuou com o queixo erguido:
— Você disse que faria qualquer coisa. Era mentira?
— Não, não é isso…
— Se não é isso, então vá.
Lee Cha-young acariciou o queixo com uma expressão preocupada e confessou a verdade:
— É que tenho medo de que, enquanto eu sair, você fuja para outro lugar.
Ha, uma risada de escárnio escapou involuntariamente. Fugir para outro lugar era algo que este lado nem tinha pensado. Lee Cha-young, interpretando o silêncio atônito à sua maneira, perguntou novamente sem esconder as pupilas trêmulas:
— Você realmente pretendia fazer isso?
— Deixa de palhaçada. Para onde eu iria sem um centavo furado? Pare de falar asneira e vá logo comprar o camarão com creme. …De agora em diante, tudo o que o seu filho quiser comer, vou mandar você comprar.
Seu filho?
— Ah.
Assim que compreendeu o significado, seu rosto se iluminou instantaneamente. Como se nunca tivesse hesitado ansiosamente, Lee Cha-young levantou-se de uma vez.
— Já volto.
Então, parou um instante na porta e olhou para trás.
— Só por via das dúvidas… se bem que… não. Eu volto num vapt-vupt.
Engolindo as palavras de que, se ele fugisse para outro lugar, o caçaria até o fim do mundo, Lee Cha-young saiu.
*Click—* A porta se fechou e Seo Gyu-ha ficou sozinho num instante. Olhou para a porta fechada por um momento e só então desviou o olhar. O tablet em pausa e as batatas chips espalhadas só então entraram em seu campo de visão.
— Ah…
Ele ainda se sentia como se estivesse sonhando de olhos abertos. Se não fosse pelo celular de Lee Cha-young deixado sobre a cama, era uma situação em que ele não teria outra escolha a não ser pensar que era um sonho incrivelmente real.
Mas não era um sonho. Olhando para as mãos que pareciam ainda guardar o calor, Seo Gyu-ha jogou-se na cama.
A ideia de “será que eu fujo mesmo?” surgiu levemente por um instante, mas ao perceber que realmente não tinha um tostão em sua posse, desistiu rapidamente. E não havia razão para ele fugir por causa de outra pessoa.
— …
O rosto de Lee Cha-young surgiu em sua mente sem permissão. Não sabia até que ponto era sincero, mas pensando bem, não parecia ser totalmente mentira.
Como ele tinha tudo, nunca deve ter precisado pedir nada a ninguém na vida… Era inacreditável que ele tivesse pedido desculpas várias vezes, demonstrado uma atitude desesperada e até dito que se ajoelharia. E o que dizer do fato de ele ter saído correndo de alegria mesmo depois de ouvir que seria usado como entregador de comida?
— …Me deixando confuso.
Seo Gyu-ha virou-se de lado com a testa franzida. As palavras ditas com voz grave ecoavam em seus ouvidos como uma alucinação.
“Eu gosto de você. Sinceramente.”
“Vou compensar por tudo nesta vida, pelo tempo em que você sofreu por minha causa, por ter te feito passar por isso.”
“Vamos voltar comigo, Seo Gyu-ha.”
No momento em que aquele rosto trapaceiro veio à mente, Seo Gyu-ha fechou os olhos com força.
Com a mão direita, pressionou o peito involuntariamente. Seu coração começou a bater rápido por um motivo diferente de antes.
Mesmo que Lee Cha-young não tivesse vindo, ele voltaria para casa algum dia, mas não agora. Ele pretendia resistir o máximo que pudesse, nem que fosse por causa do camarão com creme que a criaturinha na barriga tanto gostava.
…Embora, contrariando sua resolução, ele não soubesse que acabaria fazendo as malas em menos de uma semana.
↫─☫ Continua…
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✦ Tradução, revisão e Raws: Faby&Belladonna
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Sinopse:
Em um mundo onde há 99,9% de chance de Alfas serem homens e Ômegas serem mulheres.
Seo Gyuha nasce como a rara exceção: um Ômega masculino. No entanto, tendo crescido mais como um beta, ele quase não está ciente de sua própria identidade omega.
Após uma noite de bebida e festa como de costume, ele acorda em uma manhã de fim de semana com uma dor de cabeça insuportável — apenas para se deparar com uma situação surpreendente…