Ler My Perfect Omega (Novel) – Capítulo 8.3 Online

ꕥ Capítulo 8 – Uma Corte Tão Barulhenta, Parte 03
O olhar de Nick para o sofá era feroz. Agora que ele havia voltado a si, lembrou-se de quem era aquele móvel. Ele trouxe Owen para cá porque não havia mais nada à vista, mas ver o sofá encharcado com os fluidos corporais de Owen azedou seu humor. Mover Owen para outro lugar e queimar o móvel seria a solução mais limpa.
— Chefe, finalmente ouvindo sua voz. Não importa o quanto eu chamasse, nenhuma resposta.
Simon respondeu em vez de Cooper.
— Eu disse para ficarem de prontidão. Por que ligou?
— John e o Doc da Equipe chegaram.
É chocante que tanto tempo tenha passado. Não que ele não acreditasse em Simon, mas o próprio Nick girou o pulso para verificar as horas. Seis horas haviam se passado.
— Entendido. Espere um pouco mais. Antes disso, preciso de um quarto limpo. Pergunte aos funcionários aí.
Ele não queria deitar Owen em um quarto onde sabe-se lá o que aconteceu, mas também não podia mantê-lo naquele sofá encharcado. Algo surgiu que precisava ser resolvido antes de deixarem a ilha. Ele não podia mandar Owen embora sozinho em um helicóptero, então eles teriam que ficar aqui por algumas horas.
— Chefe, estou na porta.
A voz de Cooper veio pelo fone.
Antes de abrir a porta, Nick se levantou para bloquear a visão da posição de Owen.
— Decidiu viver como uma fera agora, chefe?
Nick abriu a porta vestindo apenas calças. Sua camisa estava sendo usada no momento para manter fracamente a temperatura corporal de Owen.
— Você sabe que o Simon e o Hugh não podem chegar nem perto daqui, certo?
O cheiro de feromônios havia se espalhado além da porta do laboratório.
— Diga a eles para ficarem longe de nós.
Não importa o quanto o purificador de ar trabalhasse, ele não conseguia filtrar os feromônios derramados ao longo de horas.
— Haverá um convidado. Se um helicóptero chegar, não o derrubem.
— Um convidado? Quem? Quando?
— Vá agora. Detalhes pela comunicação.
Mesmo que Cooper seja um beta, incomoda Nick que Owen esteja deitado nu a apenas alguns passos de distância. Nick pegou o cobertor e, como quem enxota uma criança, empurrou os pés de Cooper para fora da porta enquanto a fechava. Cooper disse algo incrédulo enquanto era empurrado, mas ele não entenderia a situação de qualquer maneira.
Seria necessário testar para confirmar, mas eles provavelmente fizeram a marcação. Com aquela quantidade de feromônios derramados um no outro, a marca está gravada em seus ossos. Betas não entendem a obsessão irracional por um parceiro recém-marcado.
— John.
— Sim, chefe. Esperando sua ligação. Devo trazer o decifrador de códigos agora?
— Não, depois. Não é urgente.
— O quê? Você não me ligou para abrir aquela porta?
— Isso foi antes, mas o Locke morreu nesse meio tempo.
— O quê?
— O quê, chefe?
— Hein?!
Cada membro da equipe que ouvia interveio.
— Eu não vi pessoalmente, mas é o que eu sinto.
— Se você diz, é verdade.
— Morto com certeza, então. Mas por quê? Ou melhor, como? Você abriu a porta sozinho?
— Não, eu disse que não vi. Vamos confirmar mais tarde. John, diga ao Milstone para ficar de prontidão e vasculhe o computador do Locke para preparar materiais para Victor Rose.
Milstone é o advogado de direito contratual da Security Solutions. Ele ajuda a redigir contratos para proteger a empresa de Nick de perdas.
— Já tenho bastante disso. Transbordando. O que você acha que eu estive fazendo enquanto esperava sua ligação? Esse primo lunático é seriamente perturbado. Um pervertido total. Ugh. Mostre metade disso ao advogado e ele falará em 300 anos sem condicional.
— Ótimo. Informe o Milstone e convença o Victor a vir aqui.
— Vou contatá-lo agora. Mas chefe, pelo que vejo, Victor não parece envolvido nas loucuras do Locke, incluindo o desenvolvimento do Feromônio Ácido. Sem rastros.
Isso poderia ser verdade. Ele pode financiar seu filho patético infinitamente, mas conspiração criminosa é outra questão. Arrisca o próprio futuro deles.
— Ligue para ele de qualquer maneira. O dono da ilha e do laboratório, e família do Locke, precisa vir para encerrar isso. Então poderemos ir para casa.
— Ok. Ainda bem que é apenas uma pessoa. Vou fazer isso agora.
— Simon, o quarto?
— Ia dizer agora. A vista não é boa, mas dizem que nunca foi usado, então está definitivamente limpo. Era o que você queria, certo?
— Certo. Guie-me. Quero dizer, verbalmente. Retire qualquer pessoa que esteja no caminho.
Owen estará coberto com um cobertor, mas mesmo enrolado, ninguém deve vê-lo.
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A afirmação de que nunca foi usado parece verdadeira. Escaneando o quarto com seus sentidos aguçados, Nick apenas sentiu cheiro de poeira. Ele se encostou em um canto do quarto de funcionários decorado de forma austera.
— Como ele está?
— Desconfortável, chefe. Encarar desse jeito faria até um médico experiente cometer um erro.
Sabendo que não era isso que Nick queria dizer, o Doc da Equipe deu deliberadamente uma resposta atrevida.
A testa de Nick franziu-se mais.
— Detalhes precisam de um exame de sangue, mas a respiração e o pulso estão decentes. Não perfeitamente normais, no entanto.
— O que não está normal?
— Há febre. Mas isso provavelmente é porque os efeitos da droga não passaram totalmente.
— Doc da Equipe.
Nick chamou o nome do Doc, com a insatisfação clara na voz diante do diagnóstico vago.
— Com equipamento de teste, poderíamos acelerar as coisas.
— Então faça isso agora. Não sei do que você precisa, mas provavelmente está em algum lugar neste prédio. É um laboratório, então deve estar totalmente equipado.
— Sim, eu também pensei nisso. Vou coletar sangue primeiro.
O Doc da Equipe tirou o material de coleta de sangue da bolsa.
— Tire apenas um pouco.
Diante da interferência absurda, a mão do Doc, amarrando a tira de borracha, parou brevemente.
— Não o machuque.
— Chefe.
— …Tudo bem. Depressa.
Suspiros escaparam de ambos simultaneamente.
Nick se afastou levemente da parede, observando obsessivamente cada movimento do Doc. Ele confirmou que o frasco com o sangue precioso de Owen estava seguro na bolsa, então puxou o Doc para cima e o empurrou para fora do quarto.
— Cooper, você fica do lado de fora da porta. Se o Owen acordar, entre em contato comigo imediatamente. Não entre, fique do lado de fora.
— Já disse isso. Por que repetir? Não é difícil.
Cooper arrastou uma cadeira, provavelmente da sala ao lado, e sentou-se nela.
— Chefe, se terminou aí, venha me ver.
Como se esperasse o momento certo, John chamou.
— Onde?
— Laboratório do terceiro andar.
— Estou indo.
Ao entrar no laboratório do Locke, Nick franziu o cenho mais do que antes.
— John, o sistema de purificação de ar aqui está quebrado?
John também está aqui pela primeira vez hoje, mas com sua natureza curiosa, provavelmente já havia entendido o sistema de gerenciamento do prédio enquanto esperava a ligação de Nick.
— Não. Está funcionando bem.
O nariz de Nick se contraiu novamente com a resposta de John. O perfume de Owen ainda persistia.
— Acho que você sobrecarregou até a máquina.
Percebendo por que Nick estava franzindo o cenho, John acrescentou sua opinião.
— Hugh e Simon tentaram subir, mas voltaram. Pareciam que iam vomitar.
O vômito nos dois alfas provavelmente foi causado pelos feromônios de Nick. Bem, eles se foram, então está tudo bem.
— Por que me chamou?
— Aqui.
John apontou para o monitor que exibia os sinais vitais de Owen. Os gráficos de alarme pesadelescos haviam sumido, substituídos por novos dados.
— Achei que você deveria ver isso antes do Victor chegar. Louco ou não, o cientista mantinha registros de laboratório meticulosos. Veja, tem tudo, desde a data de início do desenvolvimento do Feromônio Ácido até as datas de atualizações das versões.
John rolou o monitor com o dedo, parando para destacar e explicar cada documento relevante.
John estava certo. Os registros detalhavam mudanças nas receitas e reações a cada versão da droga.
— Não vou reproduzir aqueles vídeos de experimentos horríveis. Mas tive que passar o olho neles para entender o contexto. Ugh… Enfim, assistindo àqueles chamados experimentos, pensei que esse cara pudesse odiar ômegas. Cada sujeito de teste era um ômega. O gênero não importava, mas a designação era sempre essa.
Estranhamente, a voz de John carecia de sua brincadeira habitual. Ele fechou a janela e abriu outra pasta. Dentro havia subpastas, rotuladas apenas com números.
John entrou em uma e clicou em um arquivo. Parecia outro registro de laboratório. Fotos e vídeos estavam anexados, mas Nick não tinha desejo de abri-los. A informação escrita era suficiente.
— Lembra daquele corpo, chefe? Aquele que apareceu no Hudson Dock. Você recuperou sua bolsa por causa disso.
Nick se lembra.
— Ouvi da empresa de segurança lá embaixo. Eram todos sem-teto. Óbvio, talvez, mas estes não foram experimentos consensuais. Eles escolheram pessoas de quem ninguém sentiria falta, então provavelmente nunca planejaram deixá-las viver. Isso veio do soro da verdade, então é legítimo.
— ….
Os registros de laboratório meticulosamente mantidos revelam o propósito de Locke. Ele queria conquistar e destruir ômegas. Ele começou com designações mais fracas, depois passou para as mais fortes. Mais tarde, ele visava apenas os já marcados.
— Um pervertido e psicopata total.
Ainda de forma atípica, a voz de John estava contida.
Os registros de laboratório, percorridos rapidamente, eram todos assim. John disse que Locke parecia odiar ômegas, mas Nick sentiu que era algo mais próximo do medo. Pelo menos o suficiente para manter distância de Owen.
— Por que diabos esse primo lunático sequestrou o Presidente Rose?
— ….
Nick não tem mais curiosidade sobre isso, mas John parece ter.
Ele poderia mencionar o incidente da infância, mas isso justificaria? Nick acha que não. Vale o esforço de encontrar desculpas para entender um criminoso? Existem pessoas para isso.
— Porque ele é esse tipo de cara.
— Hm. Verdade. É isso.
Aquele tipo de cara. Distorcido e patético. Com dinheiro e tempo infinitos, ele pôde escalar as coisas até esse ponto, mas nunca foi capaz de mais do que isso.
John assentiu em concordância.
— Chefe, parece que o pai do cientista maluco chegou.
Continuar lendo era difícil e, exatamente naquele momento, o fone anunciou a chegada de Victor.
— Mande-o subir.
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— Locke? Onde está o Locke!
Talvez chamado de casa, Victor estava vestido casualmente. Ainda tentando entender a situação, ele entrou no laboratório e imediatamente gritou pelo filho.
Nick ficou de braços cruzados, esperando até que Victor vasculhasse o pequeno laboratório com os olhos. Ele observou Victor. A afirmação de John de que Victor não estava envolvido nos crimes parece credível. Victor recuou diante do dispositivo suspeito que parecia uma cadeira odontológica e das correntes descartadas no chão.
— Onde está o Locke?
Não vendo o filho após olhar ao redor, Victor finalmente se dirigiu a Nick.
Nick apontou com o queixo para a parede onde Locke havia desaparecido. Para um estranho, é apenas uma parede de ferro, mas alguém familiarizado com o layout do prédio entenderia.
— Locke! Saia. Eu estou aqui, então está tudo bem. Saia agora.
Victor não apenas sabia que era uma sala, mas também a localização da câmera. Ele falou para ela.
— Ele não vai sair. Trancou-se lá dentro. Eu gostaria de ver isso eu mesmo.
Cético, mas movendo-se lentamente em direção à parede, Victor se aproximou. Uma parede impenetrável ao fogo de metralhadora abriu-se facilmente com o gesto de Victor. O sistema de acesso da sala estava registrado com os dados biométricos de Victor também, não apenas os de Locke.
Compartilhar a chave de um quarto do pânico e de um quarto. Isso significa que Locke confiava tanto assim no pai, ou que Victor não confiava totalmente em Locke? É confuso. John franziu os lábios, imitando os olhos semicerrados de Nick.
— Locke? Locke!!
O que se seguiu foi um som semelhante a um grito. Nick moveu os pés levemente de onde estava. Ele também estava curioso sobre a expressão final de Locke.
Hm.
Parece que ele morreu sentindo dor. Suas mãos, agarrando a cabeça, pareciam congeladas no lugar, como se o rigor mortis já tivesse se instalado. A mão com o ferimento de entrada e saída estava rudemente enfaixada. Havia manchas de sangue no chão, mas aquela quantidade de sangramento não poderia ser a causa da morte, embora o aspecto visual fosse pavoroso o suficiente.
— Assassino!!!!
Ao confirmar a morte irreversível de seu filho, Victor avançou. Os feromônios agressivos emanando do corpo de Victor atingiram Nick mais rápido do que sua corrida vacilante. Mas nada tocou Nick. Em vez disso, Victor vacilou, dominado pelos feromônios que Nick liberou em resposta. Tardiamente, Victor ergueu uma mão para cobrir o nariz e a boca.
— Que diabos de cheiro é este?
Para mascarar o aroma persistente de Owen, que o purificador de ar não havia filtrado totalmente, Nick liberou mais feromônios. O cheiro estivera presente o tempo todo, mas com as defesas baixas devido ao ataque recente, provavelmente parecia mais nocivo para Victor agora.
Da morte de seu filho ao contra-ataque de Nick, a rápida sucessão de choques pareceu demais para o corpo envelhecido de Victor, que parecia estar suprimindo a náusea.
Nick abriu um dos muitos bolsos de suas calças táticas e tirou um porta-comprimidos. Ele o jogou aos pés de Victor, que parecia pronto para vomitar a qualquer momento. Era o inibidor que o Doc da Equipe lhe dera mais cedo.
— Tome. Isso tornará mais fácil de suportar.
Victor se curvou para pegar o porta-comprimidos do chão. Ele o virou, como se estivesse verificando a marca, então tirou um comprimido e o engoliu.
— Como os inibidores são humanitários. Eles facilitam as coisas até para alguém como você. Eles passaram por todos os testes clínicos exigidos pelas autoridades de saúde, então você pode confiar e engoli-los mesmo em um momento como este. Diferente das drogas que seu filho fabricava.
— Do que você está falando?
— Não sabe?
— Locke nem sequer tocou em um único estimulante comum durante a faculdade. Ele é um garoto limpo que não conhecia drogas.
Victor parecia estar se esforçando para não olhar para o filho.
— O Feromônio Ácido, a nova droga sórdida que está dando dores de cabeça à polícia, foi desenvolvida pelo seu filho. Você realmente não sabia?
— Absurdo!
O rosto de Victor ficou vermelho.
— Você matou meu filho e agora está tentando imputar acusações infundadas a ele?! Quem te mandou fazer isso? Owen? Magoar meu filho não foi o suficiente e agora você está tentando incriminá-lo com falsas acusações?!
— ….
Ele estava perguntando e respondendo a si mesmo, tudo errado. Atordoado, Nick apenas observou, e Victor, encorajado, pegou seu telefone.
— Vou ligar para a polícia. Eu não deveria ter sido enganado para vir aqui por gente como você. Meu advogado sabe que estou aqui. Se você está pensando em me matar também, é melhor pensar de novo. Se eu não entrar em contato com ele, ele trará a polícia aqui.
O motivo pelo qual o advogado de Victor sabia era porque Milstone lhe dissera para ter um de prontidão. Esquecendo o contexto no calor do momento, Victor apertou o botão de chamada. Ouvindo o tom de discagem, Nick caminhou até ele e apertou o botão de encerrar.
— Ligue em dez segundos. Ouça primeiro.
Nick tirou o telefone da mão dele.
— Seu filho desenvolveu, sim, o Feromônio Ácido. Há evidências no computador dele provando que ele não apenas o desenvolveu, mas também o distribuiu. Evidências de experimentos ilegais e múltiplos assassinatos também estão documentadas nos registros de laboratório dele.
Não foram exatamente dez segundos, mas Nick devolveu o telefone apreendido.
— Ligue. Se quiser chamar a polícia, vá em frente. Mas se eu fosse você, gostaria de verificar se as evidências são reais primeiro.
Nick apontou com o queixo para a localização do computador.
— Aquele é o computador do seu filho.
— As evidências de que você está falando podem ter sido plantadas por você.
Victor hesitou, sem se mover em direção ao computador, e retrucou.
— John.
Ao chamado de Nick, John aproximou-se do computador. Logo, a voz de Locke soou no monitor.
— Sujeito de Teste 4.
A cabeça de Victor virou bruscamente em direção ao som da voz de seu filho.
— Seu filho não mantinha apenas registros escritos. Ele nem sequer se esquivou de aparecer pessoalmente. Vá ver o que ele fez. Você precisa ver também.
Mas Victor ainda não se moveu.
— Trinta minutos após a administração, as reações começam. Febre. Ereção. Como esperado de um ômega fervoroso, progressão rápida. Tempo estimado da liberação total até o esgotamento… cerca de duas horas?
Talvez com medo demais para confirmar, Victor ficou paralisado, como alguém que tivesse apenas os ouvidos abertos.
— Existem anos disso. Como você suspeita, plantar informações é possível. Mas não importa quão avançada seja a tecnologia de deepfake, você não pode fabricar anos de filmagens em vídeo. Não há dados de treinamento para criar deepfakes. Pergunte a qualquer especialista. Para criar esse nível de dados falsos, seriam necessários centenas de vezes mais dados de treinamento para a IA aprender e gerar as falsificações. Mas, como o mundo sabe, seu filho se isolou em sua ilha, não encontrando ninguém, não indo a lugar nenhum. Ele não se expôs. Se quiser insistir no contrário, vá em frente. Não vai se sustentar.
O monitor continuou reproduzindo o vídeo do registro de laboratório de Locke. A voz e o conteúdo irritavam os nervos de Nick. Ele sinalizou para John desligar.
— Ah, você sabia que a receita do Feromônio Ácido também está lá?
A cabeça de Victor virou-se lentamente para Nick. Sua expressão mostrava que ele ainda não havia decidido se acreditava. Razão e emoção provavelmente estavam em conflito.
— Você precisará explicar como seu filho poderia ter a receita de uma droga nova, desconhecida pelo mundo, armazenada em seu computador. Nem as autoridades sabem disso, mas seu filho a tinha, versão por versão, para que você saiba.
— É mentira.
Victor parecia inclinar-se para a negação. Ele fez sua escolha, mas sua voz negadora não carregava um pingo de convicção.
— Existe um laboratório de fabricação também. Naturalmente, temos depoimentos de funcionários confirmando que é o laboratório de seu filho. As evidências estão garantidas.
— É fabricado.
— Por curiosidade, contratar mercenários para atacar Owen foi apenas obra do Locke, ou você estava envolvido? Você não aparece nos vídeos dos experimentos, então sei que não participou lá, mas esta parte é confusa.
Victor pareceu chocado.
— Por que diabos ele faria isso? Pela presidência? Acho que entendo, mas não compreendo totalmente. Por que atormentar Owen assim? Até arrastando o conselho para isso.
— …A presidência não me interessa.
Victor virou-se para olhar para Locke, caído além da porta aberta.
— Owen arruinou meu filho. Meu filho ficou preso nesta ilha, enquanto Owen andava por aí, prosperando, fazendo todo tipo de boa ação. Isso é injusto.
— Ha! Você está vivendo em um delírio.
O escárnio alto veio de John.
— Owen contratou você? Para orquestrar tudo isso?
— ….
John não percebeu, mas o ar da sala tornou-se hostil. Nick cerrou e abriu o punho, contendo os feromônios que tentavam escapar. Assim que julgou que sua raiva estava sob controle, Nick deu um passo à frente. Ele caminhou e agarrou rudemente o braço de Victor.
Arrastando o tropeçante Victor, ele o posicionou na frente do monitor. Ele rolou até o último vídeo do arquivo rotulado como Sujeito de Teste 4 e clicou nele.
— Olhe.
Ele torceu o braço de Victor nas costas para impedi-lo de desviar o olhar. Enquanto Victor era forçado a assistir, seus ombros rígidos desabaram rapidamente.
Locke atormentou um ômega, referido apenas como Número 4, nem mesmo pelo nome, por duas horas inteiras. O ômega no vídeo estava rastejando no chão após vomitar. De acordo com o registro de Locke, era um efeito colateral de marcação forçada. Talvez algo não tenha saído como planejado, pois Locke balançou a cabeça e se afastou. Ele se aproximou da câmera para desligar a gravação. A imagem final mostrava uma expressão zombeteira, mas satisfeita.
— Owen não arruinou seu filho. Você não vai alegar que não sabia que Locke tinha tendências sádicas, vai?
Três noivados rompidos deveriam ter levantado pelo menos alguma suspeita. Catherine também lembrou que Locke atormentava animais quando criança. Pais não podem ser alheios a isso. Estar ocupado não é desculpa.
— Seu filho estava quebrado desde o início. Não arraste o meu Owen para isso! Locke apenas precisava de um alvo e de uma desculpa. Há evidências de sobra, então pare de se fazer de vítima!
Nick soltou o pulso de Victor com força. Não foi um golpe, mas seu peito subia e descia com a agitação. Enquanto Nick parava para se acalmar, Victor, agora com as mãos livres, pegou lentamente o mouse.
No silêncio pesado do laboratório, soavam apenas cliques intermitentes. Sem coragem para reproduzir os vídeos, ele leu os arquivos de texto.
— Eu…
Victor finalmente falou, mas não conseguiu continuar por um tempo.
— …Eu não sabia. Não a este ponto… eu não sabia.
— ….
Ele não sabia que era tão ruim. Então ele está admitindo que sabia até certo ponto. Nick não deu resposta.
— Tudo bem. Eu agitei o conselho. Não faria o Owen renunciar de qualquer maneira. Eu também não estava interessado naquela posição. Foi apenas… apenas.
— Apenas para atormentá-lo até se sentir satisfeito? Agora vejo a quem Locke puxou.
Nick terminou a frase de Victor. Ele sabia que era duro, mas Owen fora sequestrado para cá ontem e quase se tornou um deles.
— …Como o Locke morreu?
— Não vi. Ele se trancou e você acabou de abrir pela primeira vez. …Talvez uma overdose de analgésicos narcóticos.
— Meu filho não tocava em drogas.
Continua…
⌀ ⌀ ⌀
✦ Tradução, revisão e Raws: Belladonna
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Sinopse: — Quero te abraçar como um louco, meu ômega.
Pela primeira vez na vida, Nick Stockton, ex-mercenário e chefe de uma empresa de segurança, encontra um homem deslumbrante e involuntariamente sente um feromônio que o excita intensamente.
O dono daquele feromônio é Owen Rose, CEO da Rose Pharmaceuticals.
No momento em que seus olhos se cruzam, Nick, convencido de que Owen é seu ômega, salva Owen de um ataque terrorista bem a tempo.
Owen, que sempre se reprimiu, acreditando ser um ômega “monstro” por ter machucado seu primo alfa quando jovem, fica sem palavras diante de Nick.
Enquanto investiga o terrorista que atacou Owen, Nick descobre que os homens que ameaçam Owen não estão apenas contra a Rose Pharmaceuticals, mas têm como alvo o próprio Owen.