Ler Dog And Bird (Novel) – Capítulo 09 Online

↫─☫ Dog And Bird, Capítulo 09
Acordei de um sono pesado e prolongado, e o quarto estava todo iluminado pela luz do sol. Após ficar sentado na beirada da cama por um momento, meio atordoado, Seo Gyu-ha finalmente se levantou e saiu.
Seu destino era a cozinha. Ao abrir a porta da geladeira, o espaço que antes continha, no máximo, cerveja e o kimchi enviado de casa, agora estava repleto de todo tipo de comida. Entre os itens, Gyu-ha retirou pratos contendo *jokbal* (pezinho de porco) e *suyuk* (carne de porco cozida). Eram as sobras do lanche que pedira na noite anterior.
Dizem que não há quem resista à fome, e era a mais pura verdade. Mesmo sem sequer lavar o rosto, ele começou a manejar os pauzinhos; a comida descia pela garganta como se alguém a estivesse puxando lá de dentro.
Passado um tempo, um suspiro profundo, como se o chão fosse engoli-lo, escapou de seus lábios. Seu olhar se voltou instintivamente para o abdômen. Como alguém que vê algo que não deveria, Seo Gyu-ha fechou os olhos com força.
— Merda.
Pensar que havia uma criança dentro de sua barriga era algo em que, mesmo após alguns dias, ele ainda não conseguia acreditar.
Mesmo repensando, parecia algo distante, como se estivesse acontecendo com outra pessoa. No entanto, era uma realidade inegável, e alguns dias já haviam se passado desde que recebera aquela notícia como um raio em céu azul.
Se dependesse de sua vontade, ele abortaria imediatamente, mas as palavras do médico o impediam. O fato de que ele poderia nunca mais engravidar pelo resto da vida era, na verdade, algo pelo qual ser grato; o problema era o segundo motivo.
Por mais que vivesse como um Beta, ele não era um Beta de verdade, mas sim um Ômega cujo número de identificação pessoal começava com a letra “O”. Mesmo que nunca tivesse praticado o autocontrole de feromônios… o fato de os inibidores não funcionarem era um problema enorme.
— Vou enlouquecer, sério.
Dando um suspiro, ele enterrou o rosto nas palmas das mãos. Havia ainda outra coisa absurda: mesmo em meio a tudo isso, sentia fome a cada momento livre e não conseguia suportar sem comer algo.
Ele mastigava ruidosamente; o porco cozido, que já havia esfriado, estava extremamente seco. Ao fim do fluxo de sua consciência, os pensamentos que restavam como resíduos inclinaram-se naturalmente para um único lugar.
— Ei, você.
Seu olhar também se dirigiu para a parte inferior do abdômen.
— Eu já estou ferrado, mas em que diabos você está confiando para…? Ah.
Ele cobriu os olhos com a palma da mão. As lembranças continuavam. Após o término da sessão de perguntas e respostas, que foi uma sucessão de colapsos mentais, o médico, com uma expressão de preocupação persistente, fez a última pergunta: se ele havia consumido álcool, cigarro ou remédios para resfriado nas últimas três semanas.
Malditamente, a resposta era sim. No dia em que Lee Cha-young foi à sua casa trazendo frango frito, eles tiveram sexo pesado sem falta, e como sua condição física estava no fundo do poço, ele ficou enfurnado em casa por vários dias. Quando finalmente sentiu que estava voltando à vida, o gerente entrou em contato. Logo em seguida, o funcionário de meio-período pediu demissão, então ele não teve tempo para diversão.
O mesmo valia para o cigarro. Normalmente, ele não fumava com frequência; apenas acendia um de vez em quando quando estava em boates ou saindo com amigos. Mas, como não tinha ido a lugar nenhum recentemente, não teve motivo para fumar. Quanto mais pensava, mais absurdo parecia.
— …Que sorte desgraçada.
Essas palavras eram direcionadas ao ser que estava em seu ventre. Se tivesse bebido demais ou fumado excessivamente pelo menos uma vez, não importava o que acontecesse depois, isso teria servido como uma excelente desculpa para tomar uma decisão imediata.
No entanto, ele não tinha lembrança de ter bebido ou fumado desde o último sexo. Mesmo pensando de novo, era uma coincidência de dar calafrios. Qual seria a probabilidade de uma pessoa que bebe e fuma passar quase um mês sem tocar em nada disso? Era uma força vital impressionante, mesmo antes de nascer.
— Ah…
O espaço deixado pelo longo suspiro foi preenchido por mais carne de porco. Resolver a fome imediata era a prioridade.
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Categoria > [Dilemas]
Aconselhamento (Relacionado a grvdez)
Anônimo 20XX-XX-XX 22:19:38
Engravidei por um erro de uma noite.
Quero tirar, mas disseram que, se eu der azar,
posso ter problemas graves de saúde, então estou na dúvida.
(É um problema muito sério)
O que seria melhor eu fazer? ㅜ
Deixem apenas uma palavra cada um…
Seo Gyu-ha já estava há vários minutos encarando o celular na mão. Suas pernas, expostas sob a bermuda, tremiam ansiosamente.
Incapaz de suportar a passagem do tempo, a tela escureceu por conta própria. Mais um pouco e ela se apagaria completamente.
Chegara a hora de tomar uma decisão. Após morder os lábios repetidamente, ele finalmente apertou o botão “enviar” com os dedos trêmulos.
— Caramba, e agora?
Suas pernas tremiam ainda mais violentamente. Mas agora não havia mais volta. Como se estivesse esperando, a tela mudou instantaneamente e as palavras “Publicado com sucesso” apareceram.
Um fórum de portal onde qualquer pessoa podia postar livremente. Seo Gyu-ha acabara de registrar seu post ali. Por mais que pensasse, sentia que estava andando em círculos, então queria buscar conselhos na esperança de encontrar uma luz.
*Ding, ding—*
— Chegou!
Ao ouvir o som da notificação, Gyu-ha ligou o celular num salto. Ao ver o número (4) ao lado do título, parecia que já haviam surgido quatro comentários. *Tum-tum, tum-tum.* Seu coração batia muito rápido.
Categoria > [Dilemas]
Aconselhamento (Relacionado a grvdez) (4)
Anônimo 20XX-XX-XX 22:19:38
Engravidei por um erro de uma noite.
Quero tirar, mas disseram que, se eu der azar,
posso ter problemas graves de saúde, então estou na dúvida.
(É um problema muito sério)
O que seria melhor eu fazer? ㅜ
Deixem apenas uma palavra cada um…
Comentários
1º 20XX-XX-XX 22:22:41
Que tipo de problema será… Se for sério, melhor não tirar. concordoo
2º 20XX-XX-XX 22:24:04
2222 (Concordo)
3º 20XX-XX-XX 22:25:13
Parece que é menor de idade tsc tsc. Os pais vão ficar com o coração destruído.
3º 20XX-XX-XX 22:25:57
Deveria ter usado borracha.
Assim que viu o comentário deixado pelo anônimo “3º”, as veias da testa de Gyu-ha saltaram.
— Que merda, de onde esse vidente saiu dando palpite?
Seo Gyu-ha apertou o botão de editar e adicionou algumas palavras.
Categoria > [Dilemas]
Aconselhamento (Relacionado a grvdez) (4)
Anônimo 20XX-XX-XX 22:19:38
Engravidei por um erro de uma noite.
Quero tirar, mas disseram que, se eu der azar,
posso ter problemas graves de saúde, então estou na dúvida.
(É um problema muito sério)
O que seria melhor eu fazer? ㅜ
Deixem apenas uma palavra cada um…
Não sou menor de idade ㅡㅡ Tenho 28 anos.
Comentários
1º 20XX-XX-XX 22:22:41
Que tipo de problema será… Se for sério, melhor não tirar. concordoo
2º 20XX-XX-XX 22:24:04
2222
3º 20XX-XX-XX 22:25:13
Parece que é menor de idade tsc tsc. Os pais vão ficar com o coração destruído.
3º 20XX-XX-XX 22:25:57
Deveria ter usado borracha.
Pouco tempo depois, o som da notificação ressoou novamente.
Categoria > [Dilemas] (8)
(…)
Comentários
(…)
3º 20XX-XX-XX 22:29:17
Então tem que parir e criar rs. Quem tira criança é castigado.
4º 20XX-XX-XX 22:30:37
A pessoa disse que foi um erro de uma noite. Você acha que ter um filho é assim tão fácil?
3º 20XX-XX-XX 22:32:03
Quem disse que é fácil? Se é adulto, tem que assumir a responsabilidade pelos próprios atos.
5º 20XX-XX-XX 22:32:59
Você já conversou com o pai da criança?
Lendo os comentários com uma expressão amarga, seu olhar parou em um ponto.
“Você já conversou com o pai da criança?”
Impossível. Toda vez que recebia uma ligação, ele levava um susto e se apressava em evitar; nunca tinha cogitado a ideia de conversar. Após hesitar, Seo Gyu-ha respondeu ao comentário do “5º”.
(…)
5º 20XX-XX-XX 22:32:59
Você já conversou com o pai da criança?
┗ Autor: Ainda não consegui, será que eu deveria?
┗ 5º: Com certeza. Não foi só você, os dois fizeram a besteira juntos… Comece conversando primeiro.
┗ 3º: Postou aqui antes de falar com o pai da criança?
— Esse desgraçado do 3º…
Ele rangeu os dentes. Não sabia quem era, mas sentia que se pudesse dar um soco naquela cara, ficaria aliviado.
(…)
6º 20XX-XX-XX 22:37:01
3º, para de agir como um velho chato…
┗ 3º: Eu disse algo errado por acaso?
┗ 6º: Parece que a sua própria existência está errada.
Achando que só ficaria mais irritado se continuasse lendo, ele acabou deletando o post. Após largar o celular na mesa, Seo Gyu-ha deitou-se no sofá. Seu cenho estava profundamente franzido.
O pai da criança…
O rosto de Lee Cha-young surgiu em sua mente. Ele ficou deitado assim por um momento e logo se levantou abruptamente.
Quanto mais pensava, mais parecia que o que o 4º ou o 5º disseram estava certo. Embora ele também tivesse culpa por continuar sabendo que não havia camisinha, a culpa de Lee Cha-young não era menor se fosse considerar a causa fundamental.
— Aquele filho da puta, eu disse tantas vezes para não gozar dentro.
Enquanto se arrependia inutilmente, Seo Gyu-ha esticou a mão para o celular que estava equilibrado precariamente na borda da mesa. Já que era verdade que os dois haviam feito a besteira juntos, parecia correto, por enquanto, tocar no assunto.
Ele abriu o aplicativo de mensagens e enviou um texto rapidamente.
[Tem tempo hoje? Tenho algo a dizer]
Desta vez, ele apertou o botão de enviar sem hesitar. “Fuu”, outro longo suspiro escapou.
Até ontem mesmo ele se gabava, dizendo que não tinha a menor intenção de namorar, muito menos de ter filhos… Pensar que estaria angustiado por causa de uma gravidez em sua própria vida fazia sua cabeça doer.
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O tempo de espera era tedioso. Depois de jogar um pouco no celular, ele achou que muito tempo havia passado, mas tinham se passado apenas cerca de três minutos. Enquanto continuava jogando sem alma, finalmente chegou uma mensagem de Lee Cha-young.
[Estou na frente do café. Vou entrar]
Seo Gyu-ha levantou-se num pulo. Enquanto esperava com a porta do escritório aberta, ouviu o som de passos firmes e Lee Cha-young subiu as escadas.
Em seguida, os dois sentaram-se frente a frente com a mesa entre eles. Lee Cha-young foi o primeiro a falar.
— O que foi? Você disse que estava ocupado o tempo todo.
Havia uma rispidez incomum em seu tom de voz. À primeira vista, ele parecia o mesmo de sempre, mas Seo Gyu-ha percebeu instantaneamente.
Ele tinha motivos para estar descontente. Desde que soube da gravidez, Seo Gyu-ha evitava visivelmente os contatos de Lee Cha-young. Quando recebia uma ligação, apressava-se em recusar, e mesmo quando atendia de vez em quando, dava qualquer desculpa esfarrapada e desligava rápido. Era porque ainda não tinha o preparo emocional necessário para agir com naturalidade.
Sabendo que ele mesmo era a causa, em vez de repreender ou retrucar, Gyu-ha mudou de assunto naturalmente.
— O que houve com seu rosto? Não almoçou?
O rosto bonito continuava o mesmo, mas a linha facial que ia do lóbulo da orelha até a ponta do queixo parecia marcadamente mais afiada hoje. Havia uma sensação de agudeza em algum lugar, e ele também parecia cansado.
Gyu-ha acabou soltando um risinho irônico. Cansaço? Essa definitivamente não era uma palavra que se aplicava a alguém que aguentava firme mesmo fazendo *aquilo* por três dias seguidos.
— Almocei. Por que quis me ver?
Seo Gyu-ha hesitou diante da pergunta direta.
Seu olhar começou a vagar sem rumo. Ele o chamara para contar sobre a gravidez, mas agora que estavam sentados frente a frente, as palavras não saíam.
Havia uma criança em seu ventre. Mesmo pensando nisso novamente, não parecia real. Era tão estranho quanto atribuir a palavra “cansaço” a Lee Cha-young.
Para se acalmar, ele inspirou e expirou profundamente. Já havia ensaiado várias vezes. O ponto crucial era tocar no assunto da forma mais natural possível, como se fosse algo passageiro, sem constrangimento.
Decidido, Gyu-ha levantou os olhos e encontrou o olhar de Lee Cha-young. Repassando mentalmente o cenário que havia planejado, abriu a boca fingindo calma.
— Ei.
— O quê?
— O que você faria se alguém dissesse que está grávida de um filho seu?
A expressão de Lee Cha-young mudou ligeiramente. Diante do seu “O quê?” de retorno, Gyu-ha continuou sem perder a compostura.
— Estou perguntando o que você faria se alguém aparecesse de repente dizendo que tem um filho seu.
Dada a situação, uma tensão sutil surgiu. No entanto, Seo Gyu-ha não desviou o olhar e encarou o rosto de Lee Cha-young diretamente.
Lee Cha-young não respondeu de imediato. Ao vê-lo em silêncio, com uma expressão indecifrável, parecia estar formulando uma resposta.
*Tum, tum,* os batimentos cardíacos de Gyu-ha aceleraram gradualmente por conta própria. Como se tivesse terminado de organizar seus pensamentos, Lee Cha-young deu um sorriso de canto e moveu os lábios.
— A própria premissa está errada.
— O quê?
— É algo que não pode acontecer. Eu faço a prevenção de forma garantida.
Seu tom era cheio de convicção. Vendo-o inclinar calmamente a xícara de chá, Seo Gyu-ha soltou um riso interno. “Garantida”, ele dizia.
— Por isso estou dizendo “se”. Você não conhece o “se”?
Sua voz ganhou força involuntariamente. Como ele era um sujeito de temperamento difícil e imbatível no argumento, Gyu-ha já esperava que não seria fácil sondá-lo. Mas a atitude de erguer um muro de forma ainda mais sólida do que o esperado provocou uma impaciência natural.
Por mais que pensasse em alternativas, nenhuma outra surgia. Achando que seria melhor mandar a real logo agora, Gyu-ha respirou fundo. No entanto, por uma fração de segundo, os lábios de Lee Cha-young se abriram primeiro.
— Se, por um acaso em um milhão, algo assim acontecesse…
— …
— Teria que tirar.
Era um rosto inexpressivo, sem qualquer sinal de hesitação.
— …O quê?
A pergunta escapou sem que ele percebesse. Seu corpo começou a enviar sinais estranhos por conta própria. Sua mente ficou em branco, como se os pensamentos tivessem parado, e as pontas dos dedos ficaram geladas.
Independentemente disso, Lee Cha-young não desfez sua expressão gélida. Ele parecia demonstrar um certo cansaço, como se questionasse por que precisava responder àquilo.
— Detesto disputas. Eu não cometeria tal erro, mas se alguém engravidasse sem o meu consentimento, é óbvio que teria que abortar.
— …
— Porque é óbvio que o objetivo seria dinheiro.
Seo Gyu-ha cerrou os punhos silenciosamente. Uma frieza sem forma espalhou-se como tinta. Ele sentia que, mesmo se jogassem água gelada sobre sua cabeça, não sentiria tantos arrepios quanto agora.
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*Bang!*
Os dois punhos fechados atingiram o volante com violência. *Tum! Tum!* Ele golpeou repetidamente como se quisesse destruí-lo, mas a indignação que parecia prestes a explodir não diminuía.
— Aquele desgraçado, o que ele disse?
No começo, ele nem sequer sentiu raiva. A resposta exata era que todos os pensamentos pararam instantaneamente. Ele apenas olhou para Lee Cha-young com uma expressão atônita e, com um riso seco, murmurou para si mesmo.
“… É mesmo um filho da puta.”
Ele se levantou e saiu do escritório primeiro. A fúria veio com atraso. Ao descer as escadas, seus punhos tremiam e, quando saiu do café, seu rosto estava vermelho como brasa. E, ao chegar diante do carro estacionado, ele explodiu completamente.
— Ah…
Depois de se debater como um louco por um tempo, ele enterrou o rosto no volante, desabando.
Na verdade, ele já havia imaginado essa situação. Pois já ouvira da boca do próprio Lee Cha-young que, embora o casamento não passasse de negócios, ele só teria herdeiros através de sua esposa.
Mesmo assim…
Havia uma diferença abissal entre apenas imaginar algo vagamente e vivenciar aquilo na realidade. Ouvir, bem na sua frente e com tanta naturalidade, que ele certamente faria alguém abortar, causou um choque muito maior do que esperava.
Além disso, quanto mais remoía, mais raiva sentia. O que ele disse? Que o objetivo seria dinheiro de qualquer maneira?
— Maldito filho da puta. Lixo sem coração.
O arrependimento de não ter dado um soco nele veio tarde. Enquanto rangia os dentes e soltava sua indignação, o celular no bolso de trás da calça vibrou.
— Lee Cachorro —
Assim que viu a tela, sua pressão subiu. Ele pensou em desligar o aparelho, mas mudou de ideia e apertou o botão de atender. Sua voz, carregada de raiva, explodiu.
— Nunca mais entre em contato comigo, seu desgraçado. Se eu te vir na minha frente, eu te mato.
Ele despejou as palavras com fúria e desligou. O celular vibrou novamente de imediato. Desta vez, Seo Gyu-ha desligou o aparelho de vez e o jogou no banco do passageiro.
*Tum—*
Ele bateu a cabeça repetidamente no volante. O som de sua respiração pesada preenchia o interior do carro. Sua cabeça parecia prestes a explodir com tantos pensamentos misturados.
“… Então é assim, hein.”
Um momento depois, seu olhar, agora cheio de obstinação, voltou-se para o baixo ventre.
— Ei.
Embora não houvesse ninguém ouvindo, sua voz saiu solene. Bem, na verdade, havia alguém. Ele não sabia se já tinha olhos, nariz ou boca formados, mas, de qualquer forma, ele não estava sozinho agora.
Com o rosto profundamente franzido, Seo Gyu-ha continuou.
— Eu não sei como será o seu futuro. Eu não sei, mas já que eu não vou te tirar à força…
*Aperto.* Ele colocou toda a sua força nas mãos que agarravam o volante.
— Vamos juntos até onde der.
Aquele foi o momento em que ele finalmente pôs um fim ao dilema que era o maior problema de sua vida.
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No mesmo momento, Lee Cha-young olhava para o celular com uma expressão atônita. As palavras que acabara de ouvir de Seo Gyu-ha ecoavam em seus ouvidos como uma alucinação.
“Nunca mais entre em contato comigo, seu desgraçado. Se eu te vir na minha frente, eu te mato.”
Seu cenho bem desenhado se franziu. Era simplesmente absurdo e inacreditável. Ele imaginou que se alguém levasse um tapa no meio da rua sem motivo, a sensação seria parecida.
Para ser honesto, quem deveria estar bravo era ele. Gyu-ha não atendia bem as ligações há dias e, quando finalmente atendia, mal respondia e desligava logo em seguida. Ele se sentia insatisfeito com isso, mas, mesmo assim, veio ao café hoje como ele queria e respondeu sinceramente até às perguntas mais sem pé nem cabeça. E tudo o que recebeu em troca foi um desprezo totalmente descabido.
— …
Olhando para o celular com uma expressão rígida, Lee Cha-young apertou o botão de ligar mais uma vez. Mas, em vez da voz que esperava, ouviu apenas a mensagem mecânica dizendo que “o celular do cliente encontra-se desligado”.
— Ah…
Ele soltou um longo suspiro e pressionou o canto dos olhos.
A imagem de Gyu-ha saindo sem dizer nada veio à sua mente. Parecia que ele tinha se irritado sozinho com alguma coisa de novo, mas Cha-young não conseguia pensar em nada que justificasse aquilo no momento.
Ainda assim, sentia-se incomodado em simplesmente ir embora, então decidiu pensar com mais calma. Apesar de Gyu-ha ter uma personalidade imprevisível e agir conforme seus impulsos, ele não era do tipo que abandonaria o lugar repentinamente no meio de uma conversa ou ficaria bravo sem motivo.
Lee Cha-young afundou-se no sofá e relembrou a conversa que tivera com Seo Gyu-ha há pouco.
Depois de perguntar se ele tinha almoçado, ele fez uma pergunta totalmente do nada.
“O que você faria se alguém dissesse que está grávida de um filho seu?”
Era uma fala suficiente para gerar desconforto. Tendo nascido em uma família dita “de berço de ouro” e ouvido histórias desde pequeno, Lee Cha-young era extremamente cético em relação a “gravidezes indesejadas”.
Os exemplos não estavam longe. Seu tio paterno, que era viciado em sexo, tinha quatro filhos de mães diferentes, e como ele até estragou a criação deles, não havia um dia de paz na família. Enquanto os filhos entravam com processos contra o pai biológico, algumas das mães chegavam a ir à casa principal para gritar e causar escândalos de tentativa de suicídio. Quando ouviu que eles exigiam ações da empresa de eletrônicos, que era o carro-chefe do grupo, Lee Cha-young chegou a soltar um riso irônico.
E não era só o seu tio. Sempre que ele aparecia em reuniões de amigos com origens semelhantes, invariavelmente ouvia todo tipo de histórias sujas.
Por causa disso, a ideia de que “assuntos que podem gerar disputas devem ser resolvidos logo no início, antes de criarem raízes” acabou se tornando inabalável. O fato de ter decidido que, mesmo em um casamento arranjado, só teria filhos com sua cônjuge, também se devia a esses motivos.
Nesta situação, como ele continuava perguntando sem mais nem menos o que faria se alguém tivesse um filho seu, não havia como sair uma resposta boa. Como já dissera repetidamente, ele não cometeria tal erro, mas se algo assim acontecesse, como Seo Gyu-ha sugeriu, era óbvio que teria que tirar.
Ele certamente não era o único a pensar assim. Seus amigos, e até mesmo Seo Gyu-ha, eram do tipo que pensariam exatamente da mesma forma.
Ele já detesta coisas incômodas por si só, imagine se ouvisse que teria um filho, com certeza diria para tirar… m…
“Espere um pouco.”
Naquele momento, um pensamento passou por sua mente.
“Será que…”
… Ele realmente fez besteira?
Junto com o pensamento, sua expressão endureceu instantaneamente. Seus dedos, que estavam sobre a coxa, começaram a se mover nervosamente.
E se alguém realmente tivesse procurado Seo Gyu-ha dizendo que estava grávida dele? E se ele tivesse feito aquela pergunta por causa disso? E se ele estivesse angustiado antes de tocar no assunto…?
— Ha.
Um gemido que parecia um lamento escapou. Era algo óbvio se parasse para pensar um pouco, mas há pouco ele estava com a cabeça em outro lugar e achou que era apenas uma pergunta provocativa feita do nada.
— O que diabos ele andou fazendo por aí…?
Ele rangeu os dentes involuntariamente.
O que ele dissera sobre não ter encontrado mais ninguém não era mentira. Desde que começou a dormir com Seo Gyu-ha, Cha-young não teve nem mesmo um encontro de uma noite, quanto mais frequentar boates. E ele acreditava implicitamente que o mesmo valia para Gyu-ha.
Afinal, eles se viam quase toda semana. Todas as vezes, eles se uniam fisicamente a ponto de ele sentir que Gyu-ha estava sobrecarregado. Eles passavam noites tão intensas e quentes que Gyu-ha parecia mal conseguir se levantar no dia seguinte, tornando impensável dormir com outra pessoa.
Mas, pelo visto, fora um equívoco seu. Alguém estar grávida dele… Quanto mais pensava, mais absurdo parecia. Ao pensar que o motivo do sumiço dele nos últimos dias foi a angústia por causa da gravidez, um sentimento semelhante à traição surgiu.
*Bzzzz— Bzzzz—*
O celular vibrou, quebrando o silêncio. Pensando que pudesse ser Seo Gyu-ha, ele olhou rapidamente para a tela, mas a palavra que viu foi “Mãe”.
Sua expressão rígida não dava sinais de suavizar. Após soltar um breve suspiro, Lee Cha-young levou o celular ao ouvido.
— Sim, mãe.
— Alô? Já saiu do trabalho?
— Sim.
— E o jantar?
— Já comi. Aconteceu alguma coisa?
— Seu pai quer ter uma reunião de família depois de muito tempo. Você tem tempo no sábado, na hora do almoço?
Lee Cha-young tentou se lembrar de sua agenda antes de responder.
— … Acho que sim. Se houver alguma mudança, eu ligo de volta.
— Está bem. Tente não marcar outros compromissos.
A ligação terminou rápido. Em vez de desligar a tela, Lee Cha-young ligou mais uma vez para Seo Gyu-ha. Mas o resultado foi o mesmo. Apenas a voz gravada dizendo que o celular estava desligado.
Ele achou que foi até melhor. Ele estava em um estado de agitação raro. Se encontrasse Seo Gyu-ha assim, havia uma grande chance de a conversa dar errado novamente ou de eles aumentarem o tom de voz. Parecia melhor esfriar a cabeça primeiro e organizar os pensamentos com calma.
↫────☫────↬
↫─☫ Continua…
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✦ Tradução, revisão e Raws: Faby&Belladonna
Ler Dog And Bird (Novel) Yaoi Mangá Online
Sinopse:
Em um mundo onde há 99,9% de chance de Alfas serem homens e Ômegas serem mulheres.
Seo Gyuha nasce como a rara exceção: um Ômega masculino. No entanto, tendo crescido mais como um beta, ele quase não está ciente de sua própria identidade omega.
Após uma noite de bebida e festa como de costume, ele acorda em uma manhã de fim de semana com uma dor de cabeça insuportável — apenas para se deparar com uma situação surpreendente…