Ler Dog And Bird (Novel) – Capítulo 09.2 Online


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↫─☫ Dog And Bird, Capítulo 09 – Parte 2

Apesar de ter tomado uma decisão importante que mudaria completamente sua vida daqui para frente, o mundo não mudou em nada. Quando a manhã chegava, o sol nascia; quando o sol nascia, seus olhos se abriam; e ao abrir os olhos, a rotina de sentir fome se repetia.

O fato de sentir sono quando estava de barriga cheia também permanecia igual. Depois de tirar um belo cochilo e acordar, Seo Gyu-ha verificou a hora e se preparou para sair. Era dia de sua consulta periódica no ginecologista.

Hoje, em vez de apenas o moletom, ele usou um boné e uma máscara para esconder o rosto. Não tinha a menor intenção de chamar atenção em um lugar onde só havia mulheres. Encontrar algum conhecido seria ainda mais problemático.

— Com licença…

Enquanto estava sentado em um canto jogando no celular, como de costume, ouviu uma voz falando ao seu lado. Assustado, ele puxou a máscara um pouco mais para cima e olhou para o lado. Viu o rosto de um senhor que parecia ter uma certa idade.

Por um instante, a expressão de Seo Gyu-ha tornou-se peculiar. Será que esse senhor também…?

— Você veio porque está grávido?

Ouviu-se a voz baixa, quase um sussurro. Seo Gyu-ha hesitou por um momento e perguntou de volta.

— E o senhor?

O homem, então, coçou a nuca e sorriu timidamente.

— Pois é, tive um filho tardio nessa idade, que coisa. Eu estava meio sem jeito porque hoje não tinha nenhum homem aqui, mas fiquei feliz quando vi um rapaz entrando. Ah, não deveria chamá-lo de rapaz. Haha.

Ele sentiu algo estranho. Embora fosse uma clínica, não esperava encontrar um homem Ômega grávido.

Após hesitar um pouco, ele moveu os olhos lentamente para a parte de baixo da barriga do homem. Instantaneamente, um suspiro de alívio escapou. Embora estivesse começando a aceitar e processar o fato de que havia uma criança em seu ventre, ainda não estava emocionalmente preparado para ver uma barriga grande.

Ele ligou o jogo no celular novamente, mas não conseguia se concentrar. De relance, seu olhar voltou-se para o lado. Hesitando um pouco, desta vez foi Seo Gyu-ha quem puxou conversa.

— De quanto tempo o senhor está?

Era uma frase incerta, mas o homem entendeu perfeitamente e respondeu.

— Estou de 7 semanas agora. E você?

Diante da pergunta feita com um sorriso radiante, Seo Gyu-ha hesitou antes de abrir os lábios.

— … 5 semanas.

— Nossa, então logo você vai ouvir o som do coração do bebê!

Ele forçou um sorriso, mas os cantos de sua boca tremeram. Lembrou-se de ter ouvido algo parecido do médico da última vez.

As pontas de seus dedos, que estavam unidas, estavam frias. Seo Gyu-ha abriu a boca novamente.

— O senhor não tem medo?

— Perdão?

— Perguntei se não tem medo. … De dar à luz.

— Bem, é claro que tenho medo.

— …!

Seo Gyu-ha ficou paralisado diante da resposta inesperada.

— Como você deve saber, não existem muitos homens Ômegas, e os casos em que realmente dão à luz são ainda mais raros. No começo, eu tive tanta vergonha que nem conseguia ir ao hospital direito. Mas aí… acabei descobrindo tarde que meu primeiro filho tinha um pequeno problema…

Os olhos do homem começaram a ficar marejados subitamente. Seo Gyu-ha ficou extremamente desconcertado com a provação repentina. Ele tinha muitas dificuldades, mas, entre elas, não tinha talento algum para consolar os outros. Nervoso, moveu os lábios e finalmente conseguiu falar.

— O-o quê, por acaso…

— Felizmente, era uma doença tratável com remédios e ele ficou totalmente curado. Ele vai para o ensino fundamental II no ano que vem. Haha.

— Mer…

Ele quase soltou um palavrão. Por um momento, seu coração parou achando que algo tinha dado errado.

O homem, que limpou o canto dos olhos dizendo que, com a idade, as lágrimas saíam sem querer, continuou falando com um sorriso.

— Enfim, como você disse, no começo eu tive muito medo e muitas preocupações. Mas quando o segurei nos braços pela primeira vez depois que nasceu, só de olhar para ele, todo o sofrimento de antes desapareceu como se tivesse derretido. Meu coração ficou comovido, e eu só sentia gratidão por ele ter vindo para nós… Se não fosse por essa alegria e emoção, eu não teria pensado em ter o terceiro. Haha.

Em seguida, a enfermeira chamou um nome. O homem, que respondeu levantando a mão energicamente, virou-se para o lado e despediu-se cordialmente antes de sair.

Um silêncio flutuante como poeira se instalou. Seo Gyu-ha, deixado sozinho, ficou mexendo na ponta do boné.

“No começo eu tive muito medo e muitas preocupações. Mas quando o segurei nos braços pela primeira vez depois que nasceu, só de olhar para ele, todo o sofrimento de antes desapareceu como se tivesse derretido.”

As palavras do homem que acabara de ouvir ecoavam em sua cabeça. Ele ainda não conseguia imaginar a felicidade de ter um filho ou a alegria após o nascimento, mas o sorriso radiante do homem provavelmente ficaria em sua memória por muito tempo.

↫────☫────↬

Após o término da consulta, Seo Gyu-ha dirigiu para a casa dos pais depois de muito tempo. Não era, é claro, pelo motivo louvável de estar com saudades. Além de sua mãe ter entrado em contato ontem, para ser sincero, ele vinha pensando constantemente que queria comer comida caseira.

Ao tocar a campainha da casa e esperar, sua mãe abriu a porta pessoalmente, o que era incomum.

— Deveria ter ligado antes de vir.

— Eu estava por aqui e resolvi passar.

— E o almoço?

— Quero comer.

— Que horas são e você ainda não comeu?

Antes que ele pudesse responder que já havia tomado café da manhã há muito tempo, Jung Eun-hee apressou-se em chamar a governanta em voz alta.

Pouco tempo depois, Seo Gyu-ha estava sentado diante de uma mesa farta. A comida caseira que não comia há tempos estava simplesmente deliciosa. Como estava acostumado com o tempero da governanta desde pequeno e ainda tinha um ser que parecia um buraco negro em seu ventre, ele devorou duas tigelas de arroz de uma vez.

— Obrigado pela comida.

Ele bebeu um copo cheio de *shikhye* (bebida de arroz doce) caseiro e sentiu que sua barriga ia explodir de tão cheia. Ao ir para a sala, não viu sua mãe. Como não tinha nada em especial para dizer, Gyu-ha subiu para seu quarto no segundo andar arrastando os chinelos.

Ele encostou as costas nos travesseiros empilhados e ligou o celular. Infelizmente, não havia ninguém procurando por ele. Talvez, quem sabe, Lee Cha-young tivesse tentado contato, mas como ele o bloqueara no mesmo dia, não tinha como verificar.

Também não tinha vontade de verificar. Se não visse registros de chamadas perdidas ou mensagens, ficaria bravo de qualquer maneira.

Acomodando-se em uma posição mais confortável, Seo Gyu-ha tocou no aplicativo de jogo que sempre usava quando estava entediado. Suas habilidades não haviam enferrujado. *Pyong, pyong-pyong!* Ele estava concentrado no jogo, demonstrando habilidades ágeis, quando ouviu batidas na porta.

— É a mamãe. Vou entrar um instante.

Jung Eun-hee, que abriu a porta e entrou, franziu o cenho ao ver o filho sentado na cama. Dizer que ele estava sentado era um eufemismo; ele estava quase deitado.

— Não deite logo depois de comer. Dizem que faz muito mal para o corpo.

— Eu comi faz tempo.

— Como assim faz tempo? Não deu nem dez minutos.

Jung Eun-hee aproximou-se reclamando e sentou-se levemente na beirada da cama. O motivo de ter chamado o filho para casa hoje era, claro, a saudade, mas também porque tinha algo importante para dizer.

— Pare com esse celular e olhe para a mamãe.

— …

Um olhar de desconfiança surgiu no rosto que se voltou para a mãe. Quando ela usava aquela voz doce do nada, sempre havia um motivo. Ou ela ia pedir algo, ou ia tentar convencê-lo de algo.

— Gyu-ha, você ainda não está saindo com ninguém?

— Não.

— Então vá conhecer uma pessoa que a mamãe quer apresentar.

Como esperado, Seo Gyu-ha franziu o cenho e recusou imediatamente.

— Não quero. Não sabe que não tenho interesse nessas coisas?

— O interesse a gente cria. É uma moça Alfa, estudou no exterior, tem uma boa formação, um ótimo emprego e tem a mesma idade que você. E ela é linda como uma celebridade.

Diferente de sua mãe entusiasmada, Seo Gyu-ha não poupou o deboche.

— Por que uma mulher assim iria querer me ver?

— Por que mais? Porque ela quer conhecer um Ômega homem. E o que tem de errado com você? Minhas amigas sempre elogiam dizendo que você é alto e bonitão.

Ele soltou um risinho. Dizem que até a toupeira acha seu filhote bonito; vendo-a assim, parecia mesmo que ele era o filho que ela dera à luz com dor.

De qualquer forma, Seo Gyu-ha não tinha o menor interesse em ir a esse tipo de encontro. Ele ia ligar o jogo novamente quando, de repente, uma mão se estendeu e pegou o celular, impedindo-o.

— Ela é uma moça realmente incrível, mas parece que está tendo dificuldades porque quase não existem Ômegas homens. E ela detesta as pessoas que os mais velhos da família apresentam. Pense nisso como “um destino” e apenas vá conhecê-la uma vez. Hein?

Jung Eun-hee não se esquecera do sonho dourado que tivera tempos atrás. Ela tinha a esperança íntima de que, por ser um sonho de bom agouro, o filho teria boas notícias em breve, e ao ouvir sobre a proposta de encontro arranjado, pensou imediatamente: “É isso!”.

Assim como Ômegas homens eram raros, Alfas mulheres também eram muito valiosas. Como conhecia bem o temperamento indomável de seu filho caçula, não queria forçar o casamento — ou melhor, sabia que forçar não adiantaria nada —, mas o coração de mãe queria aproveitar as oportunidades. E Jung Eun-hee sabia muito bem que, apesar de fingir que não, seu caçula era secretamente vulnerável a ela.

— Então vou dizer que você vai?

Mas o filho nem levantou a cabeça e recusou terminantemente.

— Já disse que não. Não quero perder tempo à toa.

Jung Eun-hee arregalou os olhos por um instante ao ouvir “perder tempo”, mas conteve a irritação e falou mais uma vez de forma persuasiva.

— Você sabe como é difícil encontrar uma moça Alfa? E não estou dizendo para namorar ou casar agora. Já que é um destino terem nascido diferentes dos outros, apenas vá conhecê-la.

— Ugh… — Seo Gyu-ha soltou um suspiro e massageou a nuca. Só pela expressão determinada da mãe, dava para sentir que desta vez ela estava falando sério.

No entanto, o coração de Seo Gyu-ha não mudara. Soltando outro suspiro, ele olhou para a mãe com um olhar enviesado.

— Não adianta insistir. Não pretendo ir a nenhum encontro arranjado, então não perca seu tempo.

O cenho de Jung Eun-hee tremeu. Em seguida, sua mão levantada começou a dar tapas nas costas do filho.

— O quê? Perda de tempo?

— Ai! Por que está me batendo de novo?

— Eu digo isso pensando no seu bem, mas você nunca escuta sua mãe até o fim, né? Hein?

Hoje a mão dela estava pesada. Normalmente, quando ele reclamava de dor, ela dizia “eu não aguento você” e parava logo, mas hoje o som rítmico dos tapas durou um bom tempo.

De repente, uma onda de amargura o atingiu. Ele já andava com o coração inquieto e o humor péssimo ultimamente, e a insistência dela em algo que ele não queria o deixou irritado.

— Ah, caramba, sério…

Murmurando com o rosto franzido, ele colocou a mão no baixo ventre. Sentiu uma dor latejante e incômoda, como se os músculos estivessem se contraindo. Segundo o médico que ele vira hoje, era uma dor que surgia no processo do feto se implantar e formar o saco gestacional.

Ele se arrependeu de ter vindo para casa, mas o celular que estava ao lado de sua mãe apitou.

Achando que era a oportunidade perfeita, ele pegou o celular rapidamente. Em seguida, seu cenho se franziu ainda mais. Viu uma mensagem perguntando se a consulta de hoje correu bem e informando a data da próxima consulta ginecológica.

Mesmo assim, graças a isso, ele teve um pretexto para sair e levantou-se imediatamente.

— Vou sair um pouco.

— Quem é?

— O Urso.

Park Chan-woong era o alvo mais fácil. Com medo de ser pego pela mãe, Seo Gyu-ha abriu o guarda-roupa às pressas. Enquanto vestia o casaco de moletom com o qual viera, algo caiu sobre a cama.

Ele virou a cabeça sem dar muita importância, mas assim que viu o que caíra no chão, seu rosto ficou pálido. Era a foto do ultrassom do feto que ele pegara na sala de exames há pouco.

— Caiu uma coisa.

Ele tentou pegar rápido, mas Jung Eun-hee foi mais ágil. Por uma fração de segundo, ela pegou a foto primeiro e olhou para o que tinha na mão.

Em seguida, o olhar dela se voltou para o filho. Era uma expressão de total surpresa.

— O que é isso?

— … Ah, sério.

Seo Gyu-ha estalou a língua com o rosto profundamente franzido. Havia muita irritação no gesto de bagunçar o cabelo.

O olhar chocado da mãe ainda estava voltado para ele. Soltando um longo suspiro, ele moveu os lábios a contragosto.

— É por isso que não dá.

— O quê?

— Por isso que não dá. Tenho uma criança na barriga, como vou conhecer alguém nessas condições?

Outro suspiro escapou. Por um lado, pensou “que se dane”. Mesmo que conseguisse esconder agora, em algum momento teria que contar a verdade.

— … Gyu-ha, o que você acabou de dizer?

Seo Gyu-ha virou a cabeça ao ouvir a voz tardia da mãe. Viu uma expressão que parecia estar em choque total.

— Tem uma criança na sua barriga?

— … Não dá para ver? É claramente a foto de um bebê.

Embora fosse apenas o saco gestacional menor que uma moeda, era impossível que sua mãe, que criara três filhos, não reconhecesse uma foto de ultrassom de gravidez.

… Ele achou que ela reconheceria, mas a previsão de Seo Gyu-ha estava redondamente enganada.

— Não é que você tirou na consulta periódica… Você está grávido?

— …

Como se tivessem combinado, os olhos dos dois tremeram. Em meio ao choque e à confusão, uma frase passou pela mente de Seo Gyu-ha.

“Ah, fodeu.”

↫────☫────↬

— Então.

Mesmo tentando manter a calma, a voz de Jung Eun-hee saiu inevitavelmente trêmula.

— Você engravidou por um erro de uma noite?

— Isso.

Seo Gyu-ha respondeu secamente. Sentar-se na beirada da cama parecia mais desconfortável do que sentar em uma cama de pregos.

— Meu Deus…

Jung Eun-hee lamentou, levando a mão à testa.

A história do filho era curta e grossa. Mas o peso dela não era nem um pouco leve. Justo quando ele parecia estar quieto e sem causar problemas por um tempo, ele me apronta uma dessas.

Suspiros profundos saíam um atrás do outro. Com o rosto já abatido, ela virou a cabeça e perguntou baixinho.

— Quem é a mãe da criança? Ela sabe que você engravidou?

— …

Seo Gyu-ha manteve o silêncio com uma expressão perturbada.

Infelizmente, sua mãe parecia estar cometendo um erro crasso. Ela parecia acreditar que ele fizera a besteira com uma Alfa mulher, mas o parceiro era um homem, não uma mulher. E ele não podia dizer o nome de Lee Cha-young nem que o matassem. No fim, o único recurso era a mentira.

— Não sei.

— Você não sabe se ela sabe?

— Não. Estou dizendo que não sei quem é a mãe da criança.

— …

— Não me lembro.

— Ha.

Seo Gyu-ha estremeceu com o suspiro incrédulo que ela soltou. Ele moveu as mãos lentamente, em posição de guarda. Fugir antes de apanhar seria o ideal, mas ele tinha o pressentimento sombrio de que, desta vez, ela o perseguiria até o fim.

— Como diabos você anda se comportando lá fora para nem saber quem é a mãe da criança?! Hein?! Você acha que eu te dei independência para fazer isso?

Como esperado, a sessão rítmica de tapas começou. Apesar da sensação de ardência, Seo Gyu-ha se contorcia como uma lula, mas aguentou sem fugir. No fim, quem se cansou primeiro foi Jung Eun-hee. Ofegante, ela levou as duas mãos à testa novamente.

— Eu vou enlouquecer, sério… Ai, que destino o meu.

Um momento depois, Jung Eun-hee apenas virou a cabeça para olhar o filho.

— O que vai fazer agora?

— … O que mais? Vou ter que ter.

— Você sabe como é difícil criar um filho? Se já é difícil criar com o casal unido, você quer ter e criar sozinho?

— Se tiver dinheiro, a gente dá um jeito, AIII!

Finalmente, ouviu-se o som de outro tapa estalado. Após recuperar o fôlego novamente, Jung Eun-hee hesitou e moveu o olhar para o abdômen do filho. Sua expressão estava tão complexa quanto seu estado emocional.

— Você está realmente grávido?

— Estou. Você viu a foto.

Outro suspiro escapou.

— De quanto tempo?

— Dizem que 5 semanas.

As palavras calmas do filho soavam extremamente estranhas.

Um silêncio profundo se instalou, como se nunca tivesse havido uma confusão. Com as pontas dos dedos unidas, Seo Gyu-ha olhou para o nada e falou.

— Não conte para ninguém. … Nem para a tia Tae-seon.

Era para evitar que a notícia chegasse aos ouvidos de Lee Cha-young. Jung Eun-hee entendeu simplesmente como “não conte nem para as amigas mais próximas” e respondeu com a voz carregada de desânimo.

— É claro. Ela nem sabe que você é Ômega.

As únicas pessoas que sabiam da natureza do filho caçula eram a família, o Secretário Choi e o médico da família. Além do pedido do marido, Jung Eun-hee também ficara muito chocada com a notícia que dominou a mídia na época em que seu caçula nascera: um estudante Ômega homem que cometera suicídio por não aguentar o bullying severo. Por isso, não era exagero dizer que ela seguiu o conselho do marido de “criá-lo como um Beta”.

— … Eu não aguento você, sério.

— Desculpa.

— …

— Obrigado.

Jung Eun-hee, que estava com a testa apoiada nas mãos unidas, olhou de relance para o lado ao ouvir aquilo.

— Você só pede desculpas e agradece nessas horas, né? Hein?

— Não é verdade. Sempre me sinto assim.

— … Se você não fosse bom de lábia. Como se sente?

— Acho que estou bem.

— Não tem enjoos?

Diante de uma palavra que ainda soava estranha e distante, Seo Gyu-ha respondeu franzindo levemente o rosto.

— Acho que é aquele enjôo que dá fome, sabe?

— … É melhor do que o enjoo normal.

Eram palavras que ela podia dizer por conhecer bem a personalidade do filho. A gravidez por si só já deveria ser um estresse enorme; se ele ainda não conseguisse comer direito, ela já previa o quanto ele ficaria insuportável.

Outro suspiro escapou. Seu filho caçula grávido… Era como se uma criança mimada tivesse um bebê; quanto mais ela pensava, mais absurdo e inacreditável parecia.

— Se quiser comer alguma coisa, peça para a governanta fazer. Não, por enquanto, fique em casa.

— Não quero. Como vou aguentar os sermões do velho?

Só de pensar era terrível. Como era sua mãe, a coisa parou por ali; se dissesse o mesmo para seu pai, desta vez ele poderia realmente acabar com as pernas quebradas.

— Esse é o problema agora? Seu pai precisa saber para se preparar psicologicamente.

— Por que ele tem que se preparar? Ele não vai parir no meu lugar.

— Menino!

— Enfim, ainda não pretendo contar. … Não sei o que pode acontecer.

Diante da frase acrescentada em tom baixo, Jung Eun-hee acabou fechando os lábios que estavam prestes a se abrir. O filho, com os olhos baixos, tinha uma expressão raramente séria.

— Por enquanto, tudo bem, então descanse. E não pense em sair com esse corpo.

Após dar uma olhada no abdômen do filho, Jung Eun-hee se levantou.

“Será que tem calmante em casa?”

Enquanto descia as escadas segurando o corrimão, passo a passo, sentimentos indescritíveis a atingiram como uma onda tardia. Ela fechou os olhos e pressionou a testa que latejava. O marido era uma coisa, mas, primeiro, ela sentia que precisava urgentemente de um tempo para preparar seu próprio coração.

↫────☫────↬

O café após a refeição era uma virtude essencial para os trabalhadores. Enquanto voltavam para a empresa segurando copos de café para viagem, o Gerente Choi aproximou-se e puxou conversa.

— Cha-young, você está bem? Seu semblante não parece nada bom.

— Estou bem.

Lee Cha-young, o único com as mãos vazias, deu seu sorriso habitual, mas a preocupação não sumiu do rosto do Gerente Choi. Afinal, ele vira Cha-young mal tocar na comida, dizendo que não estava se sentindo bem.

— Se continuar se sentindo mal, vá logo ao hospital. Não há nada mais tolo do que aguentar a dor.

— Sim.

Lee Cha-young respondeu prontamente, mas a verdade é que ele já fora ao hospital há muito tempo.

O problema em seu corpo começara há alguns dias. Ele perdia o apetite quando chegava a hora de comer e, às vezes, sentia uma dor como se alguém estivesse apertando seu estômago. Ocasionalmente, sentia náuseas, como alguém que está com indigestão.

Como cresceu em um ambiente familiar onde o corpo era o maior patrimônio e onde se ia ao hospital ao menor sinal de dor, Lee Cha-young procurou o médico assim que sentiu algo estranho. No entanto, os resultados dos exames foram impecáveis. Por recomendação do médico, ele fez exames detalhados em vários lugares, mas não encontraram nenhuma anormalidade.

Alternando o olhar entre o paciente que parecia de péssimo humor e o prontuário limpo, o médico deu seu parecer cautelosamente.

“Em casos assim, é muito provável que a causa seja estresse ou pressão psicológica. Você tem passado por muito estresse ou teve algum problema difícil ultimamente?”

Assim que ouviu isso, o rosto de Seo Gyu-ha veio à mente. Desde aquele dia em que percebeu, indiretamente, o fato bombástico de que “Seo Gyu-ha poderia ter engravidado alguém”, Lee Cha-young pensava nisso a cada momento livre.

Toda vez, seu peito ficava apertado e ele suspirava. Quando sugeriu serem apenas parceiros sexuais no início, nunca imaginou que se envolveria tão profundamente. Achou que, como sempre, o relacionamento terminaria naturalmente quando o interesse esfriasse.

Mas, em algum momento, seus pensamentos mudaram sem que ele percebesse. Em vez de enjoar conforme o encontrava, ele gostava cada vez mais e, naturalmente, esperava pelo próximo encontro.

Ele achava que Seo Gyu-ha sentia o mesmo. Do contrário, ele não continuaria aceitando a posição de “bottom” e dedicando seu tempo a ele.

No entanto…

Pensar que o sujeito que dissera com a própria boca que não tinha interesse em mulheres, não apenas transou, mas até engravidou uma, era simplesmente absurdo. Se ele estivesse na sua frente agora, Cha-young teria vontade de agarrá-lo pelo colarinho.

Havia outro problema complicado. Ele pensou que Gyu-ha, agindo como um amigo, viera desabafar com ele… E agora, tardiamente, percebeu que Gyu-ha poderia ter ficado magoado — ou algo pior — com a sua resposta de “teria que tirar”, dita sem conhecer o contexto. Do contrário, não haveria motivo para ele continuar ignorando suas ligações.

— Brrr, que frio. Vamos entrar logo.

Enquanto caminhava, a empresa já estava bem à frente. Mesmo andando a alguns passos de distância do grupo pelo saguão, seus pensamentos continuavam.

Já se passara quase uma semana desde aquele dia, e Seo Gyu-ha continuava ignorando suas ligações de forma implacável. Antes que fosse tarde demais, parecia que desta vez ele teria que ceder e ir atrás dele.

↫────☫────↬

*Tum—*

O som da porta do carro fechando ecoou alto no beco silencioso. Lee Cha-young desceu do carro e caminhou com passos firmes em direção ao portão familiar.

Antes de tocar a campainha, ele ligou primeiro. Mas, como esperado, o celular de Seo Gyu-ha estava desligado. Lee Cha-young desligou o telefone com o rosto inexpressivo e tocou a campainha imediatamente. Como o celular já estava desligado quando ligou logo após o trabalho, ele não ficou surpreso.

*Ding-dong—*

Ele apertou a campainha mais uma vez com seu dedo longo. Mas não houve reação. Ele aguçou os ouvidos para ver se ouvia algo pelo interfone, mas não houve nem mesmo um pequeno ruído.

— …

Ele levou a mão à campainha novamente, mas ao ver que todas as janelas estavam na escuridão, abaixou-a silenciosamente.

Contendo a impaciência que começava a surgir, ele continuou com seus pensamentos racionais. Já que era hora do jantar, ele poderia ter saído para comer ou ter outro compromisso.

Lee Cha-young entrou novamente no banco do motorista. Ele deu ré lentamente e estacionou o carro em um canto do beco oposto. Era uma posição de onde podia ver perfeitamente a casa onde Seo Gyu-ha morava — especificamente, o portão.

Ele inclinou o assento para trás e, de braços cruzados, observou o local fixamente. Não importava se não sabia que horas ele voltaria. Ele viera decidido a resolver as coisas antes que fosse tarde demais.

Em meio ao silêncio, ele mergulhou em pensamentos. Não sabia quem diabos havia engravidado de Seo Gyu-ha, mas sua ideia de que tirar seria o melhor continuava inalterada. Se ele dissesse que ia ter o filho, ou se fosse além e dissesse que ia se casar com a mulher…

— …

Seus olhos, que continuavam fixos no mesmo lugar, escureceram como o mar à noite.

Mesmo se fosse o caso, não importava. Quando encontrasse Seo Gyu-ha hoje, a última coisa que diria já estava decidida desde o começo.

“Eu não tenho a menor intenção de terminar com você assim.”

No entanto, o plano de Lee Cha-young foi frustrado impiedosamente. Seo Gyu-ha não apareceu durante toda a noite, nem na madrugada, nem até o amanhecer.

↫─☫ Continua…

⌀ ⌀ ⌀

✦ Tradução, revisão e Raws: Faby&Belladonna

Ler Dog And Bird (Novel) Yaoi Mangá Online

Sinopse:
Em um mundo onde há 99,9% de chance de Alfas serem homens e Ômegas serem mulheres.
Seo Gyuha nasce como a rara exceção: um Ômega masculino. No entanto, tendo crescido mais como um beta, ele quase não está ciente de sua própria identidade omega.
Após uma noite de bebida e festa como de costume, ele acorda em uma manhã de fim de semana com uma dor de cabeça insuportável — apenas para se deparar com uma situação surpreendente…

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