Ler Dog And Bird (Novel) – Capítulo 08.2 Online


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↫─☫ Dog And Bird, Capítulo 08 – Parte 02

Diante da resposta sem um pingo de hesitação, Lee Cha-young olhou para Seo Gyu-ha com uma expressão de curiosidade.

— Você gosta mesmo, hein. Não enjoa de comer tanto isso?

— Não enjoo. E nem como com tanta frequência para enjoar.

— Só o que eu vi já é a terceira vez. Contando com hoje.

Diante do fato apontado com naturalidade, Seo Gyu-ha fez uma expressão de indignação. Ele sabia que o outro era inteligente, mas, ao ver que ele lembrava até a quantidade de vezes que alguém comia frango, parecia que ele não tinha mais o que fazer da vida.

— Por que você guarda esse tipo de coisa? Não tem onde usar o cérebro?

Lee Cha-young soltou mais risadas, achando graça.

— Por mais que eu seja eu, não lembro detalhadamente de tudo o que você come. É apenas que, em todas as vezes que você comeu frango na minha frente, nós fomos direto para as preliminares ou para o sexo. É isso que fica na minha memória.

Observando Seo Gyu-ha fazer uma expressão de “foi mesmo?”, Lee Cha-young mudou de assunto naturalmente:

— Vai beber vinho?

— Me dá um pouco.

O som do líquido sendo servido preencheu as taças. Após brindarem levemente, Seo Gyu-ha levou a taça à boca. No entanto, frustrando o momento de calma, assim que o vinho tocou seus lábios, ele franziu o rosto todo e afastou a taça.

— Não gostou?

— É amargo para cacete.

Não era nada parecido com o sabor que ele imaginava. Embora apenas a ponta da língua tivesse encostado, um gosto azedo e adstringente o atingiu em cheio.

— Isso não está estragado?

Em meio à crítica ácida, Lee Cha-young também levou a taça aos lábios com atraso. Assim que manteve um pequeno gole na boca, sua expressão também mudou levemente.

Quem lhe dera o vinho de presente fora sua irmã mais nova. A possibilidade de haver um problema com o vinho em si era zero. Além de ela ter o colecionismo de vinhos como hobby, ele acabara de abrir uma garrafa retirada da adega, então não haveria motivo para defeitos. No entanto, mesmo para o seu paladar, o aroma estava excepcionalmente pesado e forte.

— Estraguei meu paladar à toa. Me dá um pouco de queijo.

Apesar de dizer “me dá”, o próprio Seo Gyu-ha estendeu a mão. Puxou o prato branco para sua frente e colocou na boca um pedaço de queijo que estava no garfo.

— Pelo menos isso aqui dá para comer.

Embora fosse um pouco gorduroso, o sabor característico do queijo preencheu sua boca. Viu Lee Cha-young também estender a mão em direção ao prato. Para não ficar atrás, espetou mais um pedaço e o empurrou para a boca, quando de repente ouviu um som estranho ao seu lado.

Ao virar a cabeça, viu Lee Cha-young tapando a própria boca com uma das mãos.

— O que foi?

— …Nada.

O rapaz respondeu brevemente e se levantou num salto. Caminhou a passos largos e rápidos e logo desapareceu dentro do banheiro.

— O que deu nele?

Mesmo perguntando como quem fala sozinho, não havia ninguém para responder. Ficou observando a direção por onde Lee Cha-young sumira por um momento e Seo Gyu-ha espetou mais um pedaço de queijo com o garfo. Quando estava quase terminando de comer o que estava na boca, ouviu o som da porta do banheiro se abrindo e Lee Cha-young saindo. Como esperado, ele se aproximou com passos firmes e perguntou enquanto olhava para baixo:

— Você está bem?

— O que foi?

— O cheiro do queijo está muito enjoativo. Já estava meio estranho quando tirei da embalagem…

Seo Gyu-ha também franziu o rosto e perguntou:

— Não está vencido?

— Não está. Comprei no shopping há poucos dias e verifiquei a data de validade corretamente.

Seo Gyu-ha pegou o prato, cheirou e colocou mais um pedaço na boca. O cheiro forte era normal para aquele tipo de queijo e, embora estivesse ficando enjoativo por comer demais, não achou que o cheiro fosse nauseante.

— Para mim está normal.

— É? Então deve ser coisa do meu paladar.

— Quanta frescura.

No fim, todo o queijo restante foi parar no estômago de Seo Gyu-ha. Assim que ele largou o garfo, Lee Cha-young pegou o prato vazio e desapareceu na cozinha. Sem se importar, Seo Gyu-ha nem ligou, deitou-se ao comprido no sofá e ficou olhando o celular.

— Por que está demorando tanto?

A fome não passaria com apenas alguns pedaços de queijo. Enquanto balançava as pernas ansiosamente esperando, finalmente o som do interfone tocou.

— Bom apetite.

Apenas o peso da entrega já o deixou de bom humor. Seo Gyu-ha foi direto para a cozinha. Sentou-se apressadamente na cadeira e removeu a fita adesiva da caixa de frango; assim que abriu a tampa, um cheiro absurdamente delicioso se espalhou.

Após colocar um copo novo sobre a mesa com um estalo, Lee Cha-young também se sentou na cadeira oposta. Seo Gyu-ha separou os palitinhos de madeira às pressas e pegou uma coxa de frango. Abriu bem a boca, mas depois olhou para Lee Cha-young com uma expressão de quem estava fazendo um favor.

— Come.

Lee Cha-young, com as mãos entrelaçadas sobre a mesa, perguntou de volta com um sorriso no rosto:

— Posso comer mesmo? Você parece estar com muita fome.

— Se não quiser, sobra mais.

Em seguida, Seo Gyu-ha começou a devorar o frango para valer.

Lee Cha-young, em vez de pegar os palitinhos, fixou o olhar em Seo Gyu-ha. Ele geralmente não comia lanches tarde da noite e, talvez por causa do queijo, seu estômago estava enjoado e ele não sentia vontade de comer nada.

— Está gostoso?

— Gostoso pra cacete.

— …Parece que sim.

Realmente devia estar com muita fome. Caso contrário, não teria como haver uma pessoa bem na sua frente, olhando descaradamente, e ele sequer desviar o olhar do frango para dar uma olhadinha.

Uma risadinha escapou de Lee Cha-young. Parecia que não era apenas o gênio difícil que continuava o mesmo, mas também o fato de seus gostos serem muito claros.

Quando eram crianças, se a tia colocasse até mesmo um acompanhamento de vegetais em sua colher, ele fazia um escândalo de tanta seletividade alimentar; no entanto, quando era algo de que gostava, comia com tanto gosto que quem olhava ficava com água na boca. Estimulado por aquela cena, Lee Cha-young acabava raspando sua própria tigela de arroz também.

Ding-dong—

Foi então. Ao ouvir o som da campainha tocando mais uma vez, Seo Gyu-ha largou os palitinhos, que parecia que nunca soltaria, e se levantou da cadeira.

— Chegou.

Viu-se as costas dele correndo apressadamente. Chegou? O que exatamente? Enquanto Lee Cha-young hesitava entre se levantar ou não, Seo Gyu-ha reapareceu. Ao contrário de quando saíra, trazia nas mãos uma sacola plástica branca que parecia pesada.

— O que é isso?

— Sopa de ressaca (haejang-guk). Fiquei com vontade de tomar um caldo bem picante.

Assim que a tampa foi aberta, sem falta, o cheiro da comida se espalhou. Sua expressão se contorceu levemente, mas mantendo rapidamente sua “poker face”, Lee Cha-young perguntou de passagem:

— Pediu para mim também?

— Eles não entregam apenas uma porção. Se quiser comer, coma.

— …

Uma risada que parecia um escárnio saiu com atraso. Normalmente, em situações assim, a pessoa apenas diria que sim.

Ele pensou novamente que, por um lado, era uma sorte Seo Gyu-ha não trabalhar em uma empresa, mas, por outro lado, imaginou como seria se ele estivesse no departamento de planejamento.

No mesmo instante, ele caiu na risada de verdade. Se ele batesse de frente com o Gerente Yoon, cujo prazer na vida era claramente receber bajulação dos subordinados, uma “grande luta” que não se veria nem pagando aconteceria todos os dias.

— Por que está rindo de repente? Que estranho.

— …Por nada. Mas você consegue comer tudo isso? Parece ser muita coisa.

— Vou comer tudo.

— Se a barriga ficar cheia demais, vai ser difícil na hora do sexo.

Por um momento, Seo Gyu-ha estremeceu, mas respondeu enquanto mexia no caldo com a colher:

— Eu me viro. Pare de falar besteira e me dê uma tigela vazia.

O tom era insolente para um pedido, mas Lee Cha-young levantou-se docilmente. Enquanto pegava uma tigela no armário, ouviu-se o som abafado de um celular tocando vindo da sala.

— Vou atender uma ligação e já volto.

Independentemente disso, Seo Gyu-ha continuava empenhado em encher a barriga. Ele pedira em qualquer lugar sem nem olhar direito o nome do restaurante, mas, para um pedido aleatório, fora um sucesso total.

Ele continuou comendo freneticamente por um bom tempo. Ao terminar a refeição e largar a colher, um suspiro de saciedade saiu naturalmente.

— Ufa, estou cheio.

Como tomara quase todo o caldo, sentia que a barriga ia explodir. Mas, como tinha consciência, deu uma arrumada básica e saiu para a sala massageando o abdômen estufado.

Lee Cha-young não estava à vista. Ele disse que ia atender o telefone, ainda estava na chamada? Como não queria ficar parado sem fazer nada, Seo Gyu-ha sentou-se no sofá e pegou o controle remoto da TV.

Seu corpo, que estava sentado, inclinou-se naturalmente para o lado. Puxou uma almofada, colocou-a sob a cabeça e continuou apertando os botões do controle. A tela, que mudava rapidamente, parou em um canal de compras. Junto com frases anunciando pacotes de viagem, imagens de um resort de luxo gravadas em plano aberto preencheram a tela.

Pensando bem, já fazia muito tempo que ele não viajava. Era preguiçoso para fazer e desfazer malas e, se ficasse muito tempo no avião, sentia uma agonia difícil de suportar. O que ele mais odiava era preencher o formulário de imigração.

「Neste preço, você não encontrará uma configuração como esta em nenhum outro lugar!」

A oferta incessante de comidas e diversões tentava os telespectadores. Ao continuar assistindo, seu coração começou a se animar. Quando o gerente voltasse, talvez fosse bom combinar um horário com os amigos e fazer uma viagem.

— Aaah…

Deitado distraidamente, um bocejo escapou. Após mais de 12 horas de trabalho seguidas de uma refeição pesada, o sono veio com tudo.

Pisca, pisca… o movimento das pálpebras foi ficando cada vez mais lento. Ele olhava para a TV com os olhos pesados até que, em certo momento, eles se fecharam completamente.

— Sim. Então, descanse bem.

— Certo. Você também descanse, Cha-young.

Somente após confirmar que a outra pessoa desligara primeiro, Lee Cha-young afastou o celular do ouvido.

Um suspiro leve escapou. Como ficara mais de 20 minutos na ligação, sua orelha e bochecha estavam quentes.

Quem ligara fora sua avó, que mora na Inglaterra. Temendo atrapalhar os netos ocupados, ela era alguém que, mesmo quando ligava, o fazia estritamente nas tardes de fim de semana; porém, por algum motivo, hoje ligara tarde da noite.

O motivo era um sonho. Ela tirara uma soneca após a refeição e, nesse curto intervalo, disse que sonhara com Cha-young e resolveu contar.

“— Quando eu tocava, o ouro ficava preto, mas quando você tocava, ele continuava normal. Depois, as ginkgo leaves também viravam todas cor de ouro e brilhavam… Não sabe como foi extasiante.”

Lee Cha-young raramente sonhava. Ele não tinha interesse nem conhecimento sobre interpretação de sonhos, mas, como ela disse que havia ouro por todos os lados, mesmo sem saber muito, não parecia ser um mau presságio. Ainda mais porque, quando ele tocava, brilhava ainda mais forte.

— Será que eu compro um bilhete de loteria?

Rindo da ideia boba, ele abriu a porta do quarto. Assim que saiu para a sala, ouviu o som da TV e viu Seo Gyu-ha deitado no sofá.

Ao se aproximar, viu que ele estava de olhos fechados. Pelo rosto, parecia que ele tinha pegado no sono pesado, então Lee Cha-young sentou-se na beirada do sofá e tentou acordá-lo.

— Acorda.

— …

— Acorda, Seo Gyu-ha.

— …

Mas Seo Gyu-ha não se mexeu. Lee Cha-young moveu a mão, que estava sobre sua própria coxa, em direção ao rosto do outro. Cutucou a bochecha dele com o indicador, mas ele continuou imóvel. Após observar aquela cena por um momento, moveu os lábios novamente.

— Se não acordar, eu vou fazer o que eu quiser, hein?

— …

Naquele instante, como se fosse assombrado, o cenho de Seo Gyu-ha estremeceu. Mas, infelizmente, ele não abriu os olhos. Hesitando entre acordá-lo ou não, Lee Cha-young acabou desistindo de despertá-lo e o pegou silenciosamente nos braços. O fim de semana estava apenas começando, não havia pressa. Como ele parecia ter se esforçado muito lutando sem o gerente, pretendia deixá-lo dormir confortavelmente hoje.

↫────☫────↬

Após se revirar, ele acordou em algum momento. Assim que abriu os olhos, ouviu a voz de alguém.

— Dormiu bem?

Era Lee Cha-young. O rapaz, esticando as pernas longas, estava encostado na cabeceira da cama olhando para cá.

— Mais ou menos.

Seo Gyu-ha levantou o corpo e deu um grande espreguiçamento ainda sentado. Seu corpo estava leve, algo raro. Não sabia quanto tempo havia dormido, mas, como sua mente estava clara e revigorada, sentia que tivera uma noite de sono perfeita.

— Que horas são agora?

— Passou um pouco das oito.

“Acordou cedo pra cacete”, pensou ele, quando de repente sentiu uma sensação estranha na altura da cintura.

Não era impressão. Olhando de soslaio para baixo, viu que a mão de Lee Cha-young estava levantando a barra de sua roupa. Seo Gyu-ha rapidamente segurou aquela mão e franziu o cenho.

— O que é isso?

— Temos que fazer o que não fizemos ontem.

Lee Cha-young, que segurou a mão dele de volta sem dificuldade, a guiou em direção à sua própria virilha. Seo Gyu-ha franziu levemente o cenho. O pênis ereto desde cedo exibia uma presença pesada.

— Faça isso depois de comer. Estou com fome.

— Vamos fazer só uma vez, rapidinho. Aguentei muito a vontade de te acordar a noite toda.

Dizendo isso, Lee Cha-young enterrou os lábios na nuca exposta de Gyu-ha. Ele poderia até ter cedido fingindo que não conseguia resistir, mas Seo Gyu-ha empurrou o rosto de Lee Cha-young sem piedade. Se tivesse que escolher entre o apetite e o desejo sexual, resolver a fome vinha decididamente em primeiro lugar.

— Estou dizendo para comermos primeiro. Sinto que vou morrer de fome.

— Você comeu muito lanche ontem à noite.

— Tá maluco? Você acha que aquilo ainda está no meu estômago até agora?

No momento exato, o estômago dele roncou alto.

Uma expressão de descrença surgiu no rosto de Lee Cha-young. Chamava aquilo de “lanche” para ser gentil, mas ele comera o equivalente a uma refeição completa e fora dormir logo em seguida. No entanto, reclamar de estômago vazio assim que abria os olhos era uma capacidade digestiva fenomenal.

— No seu estômago…

— O quê?

— Nada.

Havia algo que lhe veio à mente espontaneamente, mas como era óbvio que só resultaria em briga, ele engoliu em silêncio. Soltou um suspiro leve e falou novamente:

— Torrada está bom para você?

Não era ruim, mas ele sentia que aquilo não seria suficiente para satisfazê-lo. Seo Gyu-ha pensou por um momento e voltou o olhar para Lee Cha-young. Havia um menu que lhe veio à cabeça de repente.

— Ei.

— O quê?

— Tem algum lugar por aqui que faça uma boa lagosta?

— …Lagosta?

A expressão de Lee Cha-young ao perguntar de volta foi estranha. Era o rosto de quem se questionava se ouvira corretamente.

Ele sabia. Sabia que não era o tipo de comida que se procura logo ao abrir os olhos de manhã. Mas também não havia nenhuma lei que proibisse. Só de imaginar a textura firme e macia, ele já sentia a boca salivar.

— Tem ou não tem?

Desta vez, em vez de responder prontamente, Lee Cha-young passou a mão pelos cabelos bagunçados. Ele sabia muito bem que o apetite do outro era grande, mas, mesmo assim, não era um menu que alguém pensaria logo cedo. Pelo contrário, só de imaginar o cheiro característico de frutos do mar, seu estômago ficou embrulhado.

— Você quer comer isso logo de manhã?

— Sim.

— Acho que não deve haver nenhum restaurante servindo pratos de lagosta a esta hora.

— Com tantos restaurantes, deve ter pelo menos um. Ou você não conhece nenhum chef entre seus conhecidos?

— Conheço, claro.

— Então vou te dar a chance de exibir seus contatos, então mexa seus pauzinhos. Eu vou ali na loja de conveniência rapidinho.

— Loja de conveniência?

— Estou com vontade de comer sorvete, e não deve ter na sua casa. Já volto.

Antes que ele pudesse responder qualquer coisa, Seo Gyu-ha abriu a porta do quarto e saiu.

Ha. Uma risada de escárnio tardia saiu da boca de Lee Cha-young, que ficou sozinho. O pedido repentino de lagosta já era absurdo, mas agora sorvete de estômago vazio… Era algo que ele jamais ousaria imaginar.

Ficando sentado com uma expressão rígida como alguém encarregado de resolver o dilema do século, Lee Cha-young estendeu a mão para o celular sobre a mesa de cabeceira. Procurou o nome de alguém e apertou o botão de chamada; um tom de discagem monótono começou a soar.

“Vou te dar a chance de exibir seus contatos, então mexa seus pauzinhos.”

Se ele queria tanto comer aquilo, Lee Cha-young poderia ao menos fazer a ligação. E, claro, ele pretendia cobrar o preço por isso muito bem cobrado.

↫────☫────↬

— Deixe seu horário livre este fim de semana, sem falta.

— Tá bom.

— Não diga apenas “tá bom”, seu moleque. Se você não vier de novo, eu vou lá no seu café e vou fazer um escândalo.

— Já entendi. Vou desligar, cheguei no hospital.

Após encerrar a chamada, Seo Gyu-ha abriu a porta do motorista e saiu do carro.

Ele estava indo ao hospital aproveitando um tempo livre para o check-up quando Park Chan-woong ligou. Começando com a reclamação de que ia acabar esquecendo o rosto de Gyu-ha, seguiu-se uma sucessão interminável de histórias de conhecidos pelas quais ele não tinha o menor interesse. Embora tivesse desligado resmungando, no fundo ele ficara feliz com a ligação.

A ausência do gerente continuava, e o fato de ele estar ocupado sozinho também permanecia. Graças a isso, ultimamente Seo Gyu-ha estava passando seus dias de forma extremamente dedicada, sem querer. Pela manhã, acordava no horário para se preparar para o trabalho e, quando chegava em casa à noite após o expediente, desabava de sono. Por causa disso, nem passava perto de clubes ou bares, e não tinha tempo nem para colocar uma gota de álcool na boca.

O hospital, como sempre, estava lotado de pacientes. Após concluir o pagamento, Seo Gyu-ha caminhou decididamente para a esquerda. Como frequentava o lugar há mais de dez anos, seus pés se moviam sozinhos.

Enquanto esperava na sala de espera da endocrinologia, um funcionário apareceu e chamou seu nome. Ao abrir a porta do consultório e entrar, viu Oh Tae-seok, que como sempre usava óculos de armação fina e um jaleco branco. Assim que Seo Gyu-ha se sentou na cadeira do paciente, Oh Tae-seok falou primeiro:

— Você pegou a nova receita dos remédios?

— Claro. Já faz tempo.

— Fez bem.

Só então Oh Tae-seok fez uma expressão de alívio e pegou o mouse do computador. Ele moveu as mãos fazendo alguns cliques, mas logo uma expressão de perplexidade surgiu em seu rosto.

— …O quê? Por que está assim?

Diante dessas palavras, Seo Gyu-ha desviou o olhar que estava perdido em outro lugar.

— O que foi?

Oh Tae-seok não respondeu. Continuou apenas fazendo sons de cliques com o mouse e, em seguida, ampliou o gráfico que estava na parte inferior do monitor para ocupar a tela inteira.

Seo Gyu-ha também olhou para o monitor, mas não tinha como saber o que a linha do gráfico representava. Seu olhar voltou para a frente. O perfil de Oh Tae-seok enquanto olhava para a tela parecia bastante sério. Seo Gyu-ha não aguentou e falou mais uma vez:

— Tem algum problema?

— …

Só então Oh Tae-seok virou a cadeira. Massageou o queixo com uma expressão carregada de hesitação e, finalmente, como se tivesse se decidido, encarou-o nos olhos.

— Ouça o que vou dizer sem ficar chateado.

— O que é, afinal?

Mesmo assim, Oh Tae-seok demorou a continuar. Vendo aquela cena, um súbito pressentimento ruim atingiu Gyu-ha. No momento em que ele ia insistir mais uma vez, Oh Tae-seok moveu os lábios novamente.

— …Escute.

— Fala.

— Por acaso você teve relações sexuais com um alfa?

— O quê?

A pergunta saiu involuntariamente. Foi por causa do espanto diante de uma pergunta tão inesperada, mas Oh Tae-seok interpretou a expressão franzida de outra forma e apressou-se em se explicar:

— Eu sei. Eu sei que não é o caso, mas estou perguntando por precaução. É que, se não for isso, não teria como esses níveis aparecerem… Não. Pode ser um erro, então vamos fazer o exame de novo.

Um arrependimento tardio o atingiu. Se soubesse que seria assim, deveria ter falado sobre o reexame primeiro.

Era verdade que o rapaz diante dele era um ômega, mas ômegas eram diferentes entre si. Por ser irmão de seu melhor amigo e por conhecê-lo desde pequeno, Oh Tae-seok sabia bastante sobre Seo Gyu-ha.

Ele não tinha o menor interesse em mulheres, e dizia que só se encontrava com homens menores e mais delicados que ele. Era seguro dizer que não havia possibilidade de um rapaz assim ter tido contato sexual com um “alfa” ou permitido ser penetrado por um, independentemente do gênero. E gravidez, então, era algo ainda mais absurdo.

— …

No entanto, por algum motivo, a reação de Seo Gyu-ha foi estranha. Ele achou que o rapaz ia ter um surto perguntando que tipo de loucura era aquela, mas viu Gyu-ha massageando a nuca com uma expressão perturbada.

Com um pensamento de “será?”, Oh Tae-seok perguntou novamente sem perceber:

— Você teve?

Seo Gyu-ha, em vez de responder diretamente, perguntou rodeando o assunto:

— Eu preciso mesmo dizer?

O olhar de Oh Tae-seok se estreitou. Esse tipo de contrapergunta era o mesmo que admitir que “sim”. — Diga. — Diante da expressão que o pressionava com o olhar, Seo Gyu-ha moveu os lábios relutantemente.

— Eu estava bêbado… e acabou acontecendo. Mas por que você está perguntando isso?

Diante da pergunta feita com uma expressão subitamente mal-humorada, Oh Tae-seok sentiu uma dor de cabeça começando a surgir. Era como se o culpado estivesse ficando bravo. Após soltar um suspiro pesado que representava seu estado de espírito, Oh Tae-seok apontou para a tela do monitor com uma expressão rígida.

— Está vendo isso? Normalmente fica registrado abaixo de 10, mas agora apareceu como acima de 90. Para falar de um jeito fácil de entender, são níveis que só se vê em pessoas grávidas.

Quando Oh Tae-seok se calou, o silêncio pairou. Seo Gyu-ha repetiu mentalmente o que acabara de ouvir. Ele ouvira corretamente, mas precisou de um tempo para processar.

Níveis que só se vê em pessoas grávidas?

— …Por que algo assim apareceria em mim?

Oh Tae-seok soltou outro longo suspiro, ajeitou os óculos e disse:

— Como o resultado pode estar errado, vamos fazer o reexame imediatamente. …Não se preocupe tanto.

Deixando para trás a recomendação de ir novamente à sala de exames, Seo Gyu-ha saiu do consultório.

Após dar alguns passos, ele parou bruscamente. Seu coração, que estava calmo, começou a bater acelerado. Em sua mente, o que acabara de ouvir se repetia contra sua vontade.

“Para falar de um jeito fácil de entender, são níveis que só se vê em pessoas grávidas.”

Ele fechou os olhos com força e balançou a cabeça. Era algo impossível. Assim que as características sexuais secundárias começaram, ele fizera o procedimento para inibir a secreção de feromônios e tomara remédios regularmente, então seu estado corporal atual não era muito diferente de um beta…

“Espere.”

Naquele instante, um pensamento o atingiu como um raio. Seo Gyu-ha voltou como um búfalo enfurecido e escancarou a porta do consultório. Tanto Oh Tae-seok quanto o paciente que estava à sua frente levaram um susto enorme, mas Seo Gyu-ha não via nada além do médico.

— Aquele remédio, o que era?

— O quê?

— Porra, que merda de remédio era aquele que aquele charlatão receitou?!

— …Ah.

A mudança na fisionomia de Oh Tae-seok atingiu a retina de Seo Gyu-ha como se fosse em câmera lenta. Oh Tae-seok moveu os lábios como se estivesse confuso, levantou-se e aproximou-se de Seo Gyu-ha. Sua mente estava extremamente caótica, mas, por enquanto, o mais importante era acalmar o rapaz exaltado.

— Talvez os níveis tenham dado alto por causa daquele remédio. Vou marcar um novo horário para você agora mesmo…

— Está brincando comigo?

Uma voz cínica saiu da boca de Seo Gyu-ha.

— Um remédio de muito tempo atrás, que eu tomei umas duas vezes e parei, ainda estaria no meu corpo?

Diante da observação aguçada, Oh Tae-seok engoliu um gemido internamente. Com um pensamento súbito de “será?”, ele voltou ao seu lugar e pegou o mouse. Mas o que ele esperava não aconteceu. O nome do paciente no topo da tela era, sem dúvida, Seo Gyu-ha.

Enquanto massageava a nuca expressando sua perplexidade, Oh Tae-seok voltou a encarar os olhos de Seo Gyu-ha.

Para ser honesto, era improvável que o resultado do exame estivesse errado. Mesmo assim, como não se podia descartar a possibilidade — mesmo que fosse uma em um milhão — de os níveis terem subido temporariamente, o certo era fazer um exame preciso agora.

— Vamos refazer o exame primeiro. Vou marcar agora mesmo para você.

— Que exame?

— …Temos que verificar se há gravidez. Já que você disse que teve relações com um alfa.

Exatamente esse fato era o problema. Oh Tae-seok recuperou rapidamente a calma e fez uma ligação interna. Era a recepção da ginecologia, que tinha uma ligação estreita com a endocrinologia.

↫────☫────↬

— Mamãe, quem é aquela pessoa?

— A mamãe também não sabe. Tae-ho, quer ver o vídeo da Vila das Tartarugas?

A jovem mulher ligou apressadamente um vídeo no celular e o entregou nas mãos da criança. O menino logo abriu um grande sorriso e balançou as pernas alegremente. Aproveitando que captara facilmente a atenção do filho, a mulher apenas moveu os olhos para observar o canto da sala de espera.

Havia alguém parado ali há algum tempo. Com o capuz do moletom cobrindo a cabeça, o rosto não era visível, mas o gesto de ficar mordendo os lábios incessantemente era fora do comum até de relance. Tanto que a mulher ficara preocupada com o fato de o filho não parar de olhar para lá e colocara o desenho animado. O problema era que a pessoa em questão não tinha a menor ideia de como os outros a estavam olhando.

O dono do moletom era Seo Gyu-ha. Com as mãos enfiadas nos bolsos da calça, ele mordia os próprios lábios como alguém que guarda um grande rancor. Era um comportamento inconsciente que ele tinha quando sentia ansiedade ou nervosismo.

Alguns minutos antes.

Ao ouvir Oh Tae-seok mencionar a ginecologia, Seo Gyu-ha soltou uma risada de descrença.

“Você está brincando comigo agora?”

Mas Oh Tae-seok estava com uma expressão extremamente séria. Ele convenceu Seo Gyu-ha dizendo que, como houvera um resultado claramente diferente do anterior, era justo procurar a causa, e que verificar a gravidez era apenas uma das formas de encontrar essa causa.

No fim, quem cedeu foi Seo Gyu-ha. Não era porque ele achava que, por um acaso, pudesse estar grávido. Pelo contrário. Era porque tinha certeza de que não estava. Mas, como se fosse embora agora, sentiria uma sensação péssima e desconfortável, ele decidiu fazer o exame para ter certeza absoluta de que não era nada.

No entanto, após fazer o exame, uma ansiedade inexplicável o dominou. “Porra, será que eu vou embora agora?” Parecia que seria o melhor. No momento em que se decidiu e ia começar a andar, uma enfermeira com uma prancha de anotações chamou seu nome em voz alta.

— Sr. Seo Gyu-ha! Por favor, entre no consultório 7! Sr. Seo Gyu-ha?

“Que merda…”

Ele sentiu o gosto salgado de sangue no lábio ferido. Segurando a borda do capuz, Seo Gyu-ha entrou no consultório como se estivesse fugindo.

— Sr. Seo Gyu-ha?

— Sim.

O médico que o atendeu novamente recebeu o paciente com um sorriso gentil. E soltou uma bomba enorme.

— O resultado saiu, e o senhor está mesmo grávido. Meus parabéns.

Ele parecia realmente estar dando os parabéns. Ao contrário dele, o rosto de Seo Gyu-ha ficou terrivelmente rígido. Seus olhos, que já demonstravam uma tensão sutil, começaram a tremer descontroladamente.

O médico também começou a demonstrar um pouco de perplexidade. Sentindo algo incomum, ele observou cuidadosamente a fisionomia do paciente e perguntou:

— O senhor está bem?

Ele não estava nada bem. Com a mente em branco, como se seu cérebro tivesse sido roubado, Seo Gyu-ha mal conseguiu mover os lábios.

— …Grávido?

— Sim.

— Eu?

— Sim. O senhor está com cerca de 4 semanas, e em mais alguns dias será possível confirmar o saco gestacional pelo ultrassom. E…

A explicação suave continuou, mas nada entrava em sua cabeça. Após um longo silêncio, ele forçou as palavras a saírem:

— …Sério que eu vou ter um filho?

— Sim.

Embora pudesse se irritar com a pergunta repetitiva, o médico não perdeu o sorriso. Ele tirou um papel que estava em uma pasta e o estendeu para Seo Gyu-ha.

— Aqui, está vendo este campo? O hCG do Sr. Seo Gyu-ha deu 170, o que corresponde, em média, a 4 semanas e 1 dia de gravidez.

Seguiu-se uma explicação um pouco mais técnica, mas ele continuava sem acreditar da mesma forma. Gravidez. Era algo impossível.

— Eu bloqueei totalmente a liberação de feromônios, como pode um filho…

— A inibição e a contracepção são áreas completamente diferentes. De forma simples, o senhor apenas inibiu artificialmente a secreção de feromônios, mas o órgão em si não atrofiou. E casos de gravidez em relações comuns acontecem mais do que se imagina. Sem falar em períodos de Heat ou Rut.

Ele sentiu como se o céu estivesse desabando sobre sua cabeça.

Como havia bloqueado os feromônios, achou que não precisava se preocupar… Quer dizer que ele estava em uma condição em que era possível engravidar? E que um filho fora gerado?

Era algo que ele jamais havia sequer cogitado em toda a sua vida.

Mesmo que uma bomba caísse em sua cabeça, ele não se sentiria mais confuso do que agora. Sentado com a expressão de alguém que perdeu a carteira sete vezes seguidas, Seo Gyu-ha levantou a cabeça lentamente. Ignorando o coração que batia ansioso, ele perguntou ao médico com os lábios ressecados:

— …Eu posso tirar, não posso?

Um silêncio desconfortável se instalou. Pouco depois, a voz do médico soou:

— Não é impossível. Mas, como médico, gostaria de dar minha opinião e recomendar que o senhor pense mais uma vez. Olhando o histórico médico, vi que o senhor fez o procedimento de inibição quando era menor de idade; por causa disso, o desenvolvimento parou naturalmente e seu útero está em um estado bastante frágil. Se o senhor fizer um aborto, há uma chance muito grande de se tornar permanentemente estéril.

— …Isso não importa para mim.

Mas os efeitos colaterais informados pelo médico não paravam por aí.

— Há outro motivo. Da mesma forma, é um problema relacionado à saúde do Sr. Seo Gyu-ha. Como o senhor tomou estimulantes e suas funções corporais ficaram subitamente ativas, se houver outra mudança repentina, há uma grande chance de o seu corpo não se adaptar e causar problemas. O autocontrole de feromônios pode se tornar impossível ou, no pior dos casos, pode não ser mais controlável nem com medicamentos.

— E então…

— Seria muito difícil levar uma vida social normal.

— …

— Não sei quais são as circunstâncias, mas, pelo bem da saúde do Sr. Seo Gyu-ha, eu recomendaria que o senhor considerasse a possibilidade de levar a gestação adiante.

Eram palavras que faziam o seu mundo desabar.

↫─☫ Continua…

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✦ Tradução, revisão e Raws: Faby&Belladonna

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Sinopse:
Em um mundo onde há 99,9% de chance de Alfas serem homens e Ômegas serem mulheres.
Seo Gyuha nasce como a rara exceção: um Ômega masculino. No entanto, tendo crescido mais como um beta, ele quase não está ciente de sua própria identidade omega.
Após uma noite de bebida e festa como de costume, ele acorda em uma manhã de fim de semana com uma dor de cabeça insuportável — apenas para se deparar com uma situação surpreendente…

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