Ler Roses And Champagne (Novel) – Capítulo 14 Online

Capítulo 14
Isso não era bom. Won mordia o canto do lábio, tentando não entrar em pânico. Antes da última corrida até um lugar seguro, Caesar não parecia estar ferido. Foi por isso que Won não tinha percebido no início. Mas agora… o ritmo deles havia diminuído, e Won não sabia por quanto tempo mais Caesar conseguiria continuar. Cada respiração era irregular e forçada, como se Caesar lutasse para puxar o ar até os pulmões. Eles não podiam parar. Leonid estava em algum lugar atrás deles, se aproximando a cada segundo. Mas talvez não tivessem escolha. Caesar estava perdendo muito sangue, o rosto de um branco cadavérico. Ainda assim, o aperto na Beretta permanecia firme e seguro, como se toda sua energia estivesse concentrada ali.
Um farfalhar. Won se sobressaltou, desviando os olhos de Caesar para procurar a origem do som. Caesar o agarrou pelo ombro, virou-o de volta e o puxou para frente.
— Só o vento.
Eles pararam então, Caesar apoiando-se pesadamente numa rocha, a mão ainda sobre o ombro de Won. A poucos metros dali, folhas secas mortas arrastavam-se pelo chão, fazendo leves estalidos e farfalhos. Tinha sido só o vento. A segurança que isso trazia era pequena, mas era alguma coisa. Os olhos de Won se voltaram para a mão que segurava seu ombro, e então para a arma na outra mão, a mão não dominante de Caesar. E, de alguma forma, tão capaz quanto a outra.
Com os pensamentos girando em torno do que aquilo implicava, Won se deu conta, tardiamente, de que ainda estava com o casaco de Caesar e o colocou sobre ele rapidamente.
Caesar abriu os olhos, um pequeno sorriso surgindo nos lábios pálidos.
— Devia saber que você não ia deixá-lo para trás.
Won deu de ombros, tentando parecer calmo.
— Eu devia saber que você traria sua arma.
O sorriso de Caesar tornou-se melancólico, mas Won não conseguiu esboçar nenhuma reação. Ao devolver o casaco, ele havia tocado na pele de Caesar; Caesar estava congelando. Suas preocupações com Leonid e com a queda de temperatura agora pareciam pequenas diante do medo de que Caesar não sobrevivesse àquilo. Seu desespero devia estar estampado no rosto; ele achou que ouviu Caesar dar uma risada fraca.
— Não tema, pequeno advogado, já passei por pior.
Com dificuldade, Caesar levantou a mão para afagar a cabeça de Won.
— Vou te manter seguro, sempre. Custe o que custar.
O coração de Won tropeçou no peito, de repente sentindo tudo demais de uma só vez – porque ele sabia que aquilo era real. Caesar havia se mostrado por completo e Won percebeu – ele confiava nele.
Ali, na floresta, com a neve, o frio, o sangue e tudo o que havia entre eles; e ainda assim – Won confiava que Caesar estava dizendo a verdade. A revelação tirava o fôlego, mas também provocava tantas perguntas – coisas sobre Caesar que ele nunca havia considerado antes.
“O que ele deve ter passado, para dizer que já passou por pior?” Won não conseguia imaginar. Ele sabia que Caesar havia sido sequestrado, testado; que outras coisas ele teria sido forçado a suportar? Caesar poderia tê-lo deixado para trás com facilidade, provavelmente já estaria a meio caminho de casa… e mesmo assim, ele ficou.
Caesar queria protegê-lo. Nunca antes Won se sentira tão impotente. Ele era um fardo, um peso morto que atrasava Caesar. Não sabia atirar, nem se mover em silêncio, nem estancar um ferimento.
Ele era inútil. Won mordeu o lábio inferior, o peso de tudo aquilo o esmagando. Estava tão perdido nos próprios pensamentos que demorou bem mais do que deveria para perceber que Caesar estava anormalmente quieto, e uma onda de pânico atravessou seu peito.
— Caesar!
Ele gritou antes mesmo de conseguir pensar melhor, o desespero sobrepujando a cautela. Sacudiu o ombro de Caesar mais uma vez, com mais força, rezando para que ele abrisse os olhos, para que aquilo não fosse o fim.
— Caesar!
— Arrependida, mas não tem outro jeito. — O rosto da mulher era contrito, a voz carregada de tristeza. Matar uma criança nunca era fácil; ela queria que ele soubesse que não teve escolha.
Os olhos de Caesar subiram, para a arma apontada para ele, para a mulher que a segurava, sentindo pouco mais do que irritação. Tinha sido largado numa montanha, esfaqueado, forçado a procurar comida para não morrer de fome – aquilo era só mais uma coisa para adicionar à pilha.
Ele se lembrou de uma vez, na escola, em que a professora deu um exercício de escrita à turma. “Me diga o que você quer ser quando crescer.”
“Você nunca sabe qual será o seu último momento,” ele escreveu. A professora ficou chocada. Chamaram os pais. Isso não tornava a frase menos verdadeira.
A mulher podia estar arrependida — ou não. Não importava. Você nunca sabia qual seria seu último momento, e Caesar fez exatamente o que foi treinado para fazer. Ela puxou o gatilho no exato momento em que sua faca se cravou no centro do coração dela. O sangue escorria do buraco no ombro dele enquanto ele encarava o corpo dela, sem vida no chão. Ele tinha sete anos, e a mulher tinha sido sua governanta.
— Caesar! Caesar, por favor!
Uma voz frenética o alcançou, puxando sua consciência para cima, para fora da escuridão. Ele havia desmaiado? Devia ter desmaiado. Que patético. Ele era melhor do que isso.
Seus olhos se abriram devagar, e seu pequeno advogado estava ali, um traço de alívio suavizando seus traços apavorados. Caesar passou a mão pelo cabelo de Won, querendo acalmá-lo. Não havia razão para parecer tão assustado. Ele não viu o olhar que Won lhe lançou, ocupado demais em liberar o carregador da Beretta para contar quantas balas ainda restavam.
Apenas uma. Nada bom.
Ele soltou um suspiro, puxou Won para perto.
— Quando eu atirar, você corre.
Apertou Won com mais força, a voz mal um sussurro.
— Fique forte, sem concessões. — As palavras finais de Hans Scholl ao irmão.
Empurrou Won para baixo e para longe, ficando de pé e vasculhando o horizonte. Uma figura tênue se movia na escuridão, obscurecida pela distância e pela neve, mas se aproximando cada vez mais.
Sem hesitação, Caesar mirou e atirou.
O som foi ensurdecedor, parecendo reverberar até os céus. Grandes pilhas de neve despencaram ao chão da floresta, sacudidas de seus poleiros nas árvores. Won correu, Caesar logo atrás dele.
✦ ✦ ✦
A esposa do estalajadeiro quase terminava de limpar o saguão quando a porta da frente se escancarou, e uma sombra maciça se ergueu sobre ela, lhe dando um baita susto. Ela arfou, o coração quase saltando do peito, antes de perceber que era o belo homem loiro, coberto por uma camada de neve, respirando com dificuldade, encarando-a com olhos vazios.
Então, ele desabou.
O outro hóspede estava ali, Won, e tentava inutilmente manter o belo homem de pé. Foi então que ela notou todo aquele sangue – e gritou.
— Minha nossa, o que aconteceu com ele?!
Won, também ofegante, tentou tirar o loiro do chão, mas aparentemente não conseguia levantar tanto peso morto e cambaleou para trás.
— Não-não… tá tudo bem, — conseguiu dizer entre arfadas. — Ele só… numa trilha… caiu. Será que você poderia… chamar um médico, talvez?
— Pelo amor de Deus, sim, claro! Querido! Chame o Dr. Boris! Oh, isso parece sério, querido. Onde vocês estavam?
Seu marido apareceu depois de ligar para o médico, e entre os dois, conseguiram levar os hóspedes para um quarto e colocar o loiro em uma cama.
Won ficou aliviado quando o médico chegou logo depois. Encarar a forma pálida de Caesar, incapaz de ajudá-lo, sem saber se era tarde demais — era demais para suportar.
— Eles disseram que estavam em uma trilha, — explicou a esposa freneticamente ao Dr. Boris assim que ele entrou no quarto.
— Como? Ele não para de sangrar—
O médico agiu rapidamente, inclinando-se para inspecionar o ferimento. Seus olhos se arregalaram.
— Dr. Boris! O que houve? — exclamou a esposa, à beira de um colapso.
— É grave? Ele vai ficar bem?
Boris recompôs a expressão, examinando o ferimento por mais um instante.
— Ele vai ficar bem. — Parecia distraído.
— Mas vou precisar de espaço para trabalhar. Se puderem ser gentis. Você —
olhou para Won — pode ficar.
A esposa corou e saiu correndo do quarto, levando o marido consigo. A porta se fechou, e o médico abriu sua maleta e começou a trabalhar, tudo em silêncio. Won já não se sentia tão aliviado – o silêncio do homem não era reconfortante.
Boris lidou com o sangue, limpando a área com antisséptico, verificando a profundidade do ferimento. Quando tudo estava limpo, pressionou um grosso quadrado de gaze contra o ombro de Caesar.
— Você disse que estavam em uma trilha.
O médico não o olhou, deixando Won ainda mais inquieto. Aquilo soava como um interrogatório.
— É… a gente estava…
Dr. Boris trocou a gaze por um novo quadrado.
— Não escalo muitas montanhas, mas gosto das colinas ao redor da vila, de vez em quando.
Won se retesou.
— Houve um grande alvoroço hoje. — A voz de Boris era baixa, impassível.
— Muita gente ficou assustada. Tiros bem aqui na vila, todo mundo se sentindo
inseguro.
Lentamente, virou a cabeça, olhando Won diretamente nos olhos.
— Se foram vocês que atiraram ou não, não me importa. Mas me importo se estrangeiros vêm aqui e trazem seus problemas com eles.
Mais uma gaze e mais silêncio. Won só podia esperar e observar enquanto o médico suturava e enfaixava o ferimento. Ele não falou novamente até terminar.
— Ele teve sorte, foi um tiro limpo. Estanquei o sangramento, e ele não está mais em estado crítico. Quando ele acordar, quero vocês dois fora daqui.
Boris pegou sua maleta e olhou para Won novamente.
— Essa é uma vila boa, tranquila, com gente gentil, não é lugar para gente como vocês.
Boris saiu; Won ficou encarando a porta fechada por um longo tempo.
✦ ✦ ✦
A consciência retornou devagar, quase nada sendo registrado além da dor lancinante. O tato veio primeiro; ele reconheceu os membros e a sensação de linho contra a pele, de um travesseiro amparando sua cabeça. A dor estava concentrada em uma dor latejante no ombro. “Ah, é verdade”, pensou Caesar, “Fui baleado”. Já tinha acontecido antes, mas fazia muito tempo.
O olfato veio em seguida – e era estranho, pois havia um aroma doce e limpo no ar. Ele tentou abrir os olhos para ver o que era, mas a visão era teimosa e continuava turva. Piscando com força, borrões enevoados de cor finalmente se solidificaram em formas: olhos grandes e arredondados; mechas de cabelo; lábios pequenos; bochechas rosadas. Algo o encarava, a poucos centímetros de seu rosto.
Caesar se sobressaltou violentamente, de repente muito desperto.
Quase imediatamente, a menininha escalou para fora de seu peito, pulou no chão e correu para fora, gritando:
— Acordou! Ele acordou! Mamãe! Senhor Won!
Talvez ele não estivesse consciente, afinal. Um delírio febril, talvez? Já os tivera naquela época, muito tempo atrás. Caesar olhou para a porta, quase perturbado em seu espanto, quando o som de passos apressados o alcançou — e todos os pensamentos se dissiparam ao ver seu pequeno advogado na porta.
— Você acordou, — exclamou Won, correndo até a cabeceira de Caesar — Como você está se sentindo?
Com delicadeza, afastou algumas mechas rebeldes da testa de Caesar. A julgar pela expressão sonhadora em seu rosto, Caesar ainda estava bastante grogue.
— Estou bem, — murmurou Caesar, depois franziu a testa, surpreso com a rouquidão em sua voz. Won lhe deu um sorriso irônico, mas Caesar podia perceber que algo o preocupava.
— Você estava certo, antes, sobre a tempestade.
Com os olhos se voltando para a janela, Caesar notou que já era noite e que uma espessa camada branca cobria tudo o que se podia ver.
— Fiz algumas ligações mais cedo, — acrescentou Won, baixinho.
— Os voos estão cancelados. Não vamos conseguir sair daqui por um tempo.
Caesar teria dado de ombros, se conseguisse. Não haveria aviões nem balsas para fora da ilha durante uma grande tempestade; ele já esperava por isso. Preparava-se para dizer a Won que estava tudo bem, quando foi interrompido por alguém correndo pelo corredor. Ele e Won olharam para a porta, observando enquanto a menininha de antes empurrava com determinação até conseguir abrir espaço suficiente para escorregar para dentro e correr até Caesar.
— Água!
Katya enfiou um copo cheio no rosto de Caesar, rindo e parecendo extremamente orgulhosa de ter cumprido sua missão.
Os olhos de Won iam de Katya para Caesar, inexplicavelmente nervoso, mesmo sabendo que Caesar não podia fazer muita coisa naquele estado. De fato, a única reação de Caesar foi parecer completamente perplexo por alguns momentos antes de tentar se sentar.
— Quer ajuda? — perguntou Won, imaginando que ainda devia doer para Caesar se mexer.
Mas Caesar o ignorou e se sentou sozinho, então olhou de volta para Katya e o copo. Lentamente, Caesar estendeu a mão, e Won sentiu o nó de tensão em seu peito se desfazer quando Caesar aceitou a água e levou o copo aos lábios. Ele devia estar com bastante sede, pois tomou tudo de uma vez.
— Obrigado, — murmurou Caesar de forma rígida, desconfortável, mas aparentemente educado demais para não agradecer.
Mesmo assim, a menininha ficou encantada. Seus olhos brilharam de alegria, e ela praticamente se contorcia de empolgação.
— Você é um anjo? — perguntou Katya de repente, sem um pingo de malícia nos olhos grandes.
Caesar pareceu surpreso, mas Katya já tagarelava do jeito que crianças pequenas fazem.
— Na igreja tem anjos, nas fotos, e você é bonito, como eles. Anjos têm que ser lindos e brilhantes, então acho que você é um anjo.
Os olhos de Caesar baixaram para o copo e depois voltaram para ela.
Katya, aparentemente satisfeita com sua declaração e indiferente à falta de reação de Caesar, estendeu a mão para pegar o copo.
Uma sensação horrível percorreu repentinamente a nuca de Won, e todos os pelos do seu corpo se arrepiaram. Um segundo depois, o copo explodiu, estilhaços de vidro voando em todas as direções. Os olhos de Katya se arregalaram, e Won congelou, mas Caesar já estava em movimento, agarrando Katya e se jogando no chão.
— O que você está fazendo?! Abaixem-se! — a voz de Caesar tirou Won de seu torpor, e ele se encolheu em um canto, se enfiando o mais para trás que podia.
Como se fosse um sinal, uma rajada contínua de tiros veio em seguida, os estampidos formando um ritmo grotesco enquanto as balas ricocheteavam nas paredes e nos móveis. Então, tão rápido quanto começou, parou.
Com os ouvidos zunindo, Won ficou imóvel por um tempo, sem saber se aquilo tinha mesmo acabado.
Por fim, espiou de seu esconderijo e viu Caesar fazendo o mesmo, olhar penetrante fixo na escuridão além da janela quebrada. Um silêncio opressor se instalou, mas, finalmente, Caesar virou a cabeça para olhar para Won e seus olhos se arregalaram.
Ele ainda segurava Katya contra o peito. Ela parecia uma boneca, tão pequena em comparação a Caesar.
E ele a tinha protegido, sem pensar duas vezes. Won quase não acreditava e pelo olhar completamente atônito em seu rosto, Caesar também não.
Ele olhou para a garotinha em seus braços, e Katya retribuiu o olhar, o rosto se contorcendo ao perceber, com atraso, que algo assustador acabara de acontecer. Soluçando baixinho, ela começou a chorar. Caesar pareceu ainda mais perdido, mas, mesmo assim, não a soltou.
Aquela sensação de antes voltou, de quando ainda estavam lá fora na neve e Caesar parecia à beira da morte. Won tinha sido inútil naquela hora também. Não conseguia proteger Caesar, não conseguia proteger Katya. Para que ele servia, afinal, além de atrapalhar?
Seus pensamentos sombrios foram interrompidos pela chegada da mãe de Katya, da dona da pousada e de uma multidão de hóspedes que vieram ver o que havia acontecido.
— Meu Deus, Katya! — sua mãe gritou ao mesmo tempo em que seu pai exigia saber o que estava acontecendo.
Trêmulo, Caesar se levantou para devolver Katya aos pais. Sua mãe a arrancou de seus braços, perturbada com o estado dela e com o caos no quarto.
A multidão trocou olhares desconfiados, sussurrando entre si e lançando olhares suspeitos para Won e Caesar.
Won já sabia o que o pai de Katya ia dizer antes mesmo que ele abrisse a boca.
— Sinto muito, mas vou ter que pedir que os dois vão embora.
Parecendo desconfortável, ele acrescentou:
— Vou reembolsar o restante da estadia.
Estava claro que só queria se livrar deles o mais rápido possível.
Mordendo o lábio, Won olhou para Caesar, ele precisava de tempo para se recuperar.
— Será que… poderíamos ficar até a tempestade passar? Ou pelo menos até… o sol nascer… — Won engoliu em seco e deixou a frase morrer, incapaz de suportar todos aqueles olhares acusadores direcionados a ele.
Só torcia para que Leonid não estivesse lá fora, esperando por eles.
Caesar, por outro lado, não demonstrou nenhum sinal de preocupação ou surpresa. Calmamente vestiu seu paletó—com manchas de sangue e tudo—e aceitou o casaco que Won lhe entregou. Pendurando o casaco no braço, virou-se para a porta, e a multidão instantaneamente se abriu para deixá-lo passar.
Em qualquer outra situação, Won talvez tivesse rido ou revirado os olhos, mas tudo o que sentia agora eram profundas pontadas de tristeza. Não importava o que enfrentasse, Caesar apenas… seguia em frente. As pessoas podiam odiá-lo, admirá-lo ou temê-lo—mas, para Caesar, era tudo a mesma coisa. Ninguém o conhecia de verdade, e isso fez Won perceber o quão solitária sua vida devia ser.
O quão sozinho ele era.
Caesar passou pelos pais de Katya quando, de repente, ela estendeu a mão para ele.
— Katya, o que foi? — sua mãe tentou segurá-la, mas quanto mais Caesar se
afastava, mais Katya se debatia, até que sua mãe foi forçada a colocá-la no chão.
Assim que seus pés tocaram o chão, ela correu o mais rápido que pôde até Caesar.
Olhou para ele, olhos brilhando de sinceridade.
— Obrigada, Senhor Anjo.
O cômodo inteiro prendeu a respiração, esperando para ver o que Caesar faria.
Ele olhou para Katya por um longo momento, antes de se inclinar e bagunçar os cabelos dela.
Won assentiu para os pais dela enquanto Caesar saía pela porta.
— Sinto muito.
O dono da pousada e sua esposa fungaram, nenhum dos dois parecia muito convencido com o pedido de desculpas, mas ainda assim ofereceram algumas palavras secas de despedida.
Com isso, Won seguiu Caesar para fora da pousada e adentrou a tempestade.
✦ ✦ ✦
Lascas de neve caíam, contrastando fortemente com a noite.
— Ei, — chamou Won em voz baixa, aproximando-se de Caesar.
— A gente não devia, sei lá, evitar ficar ao ar livre?
Caesar continuou andando, a voz sem emoção alguma.
— Ele teria que ser sobre-humano pra conseguir nos enxergar nisso aqui. Se
quisesse a gente morto, já estaríamos.
— Mas…
Um sorriso amargo apareceu nos lábios de Caesar.
— Ele ainda está por aí, pode nos encontrar quando quiser, matar a gente quando
tiver vontade, da forma que preferir, escolha a que quiser. Ele só está brincando e queria se vingar do que aconteceu mais cedo. Não vai estar esperando aqui fora.
Bom… isso era reconfortante, supôs Won. Eles não seriam alvejados no meio da rua.
Só morreriam de frio.
Ótimo.
Entre a neve e o vento, Won já estava perdendo a sensibilidade no rosto.
— Então — ele olhou para Caesar — qual é o plano?
O olhar que Caesar lhe lançou não foi nada tranquilizador.
— Se você não tinha pra onde ir, não devia ter saído do único abrigo que tínhamos pra ficar vagando por aí numa nevasca.
Ao dizer isso, Caesar arqueou as sobrancelhas, perguntando em silêncio se Won tinha uma ideia melhor, já que foi ele quem o seguiu para fora do único abrigo, afinal de contas.
Won bufou.
— Você acha mesmo que eu não teria um plano?
Caesar olhou para ele com incredulidade, mas Won apenas virou à direita e começou a andar. A neve caía espessa; qualquer coisa além de alguns metros de distância desaparecia na escuridão turva. Aquilo deixava Won nervoso.
Ele estremeceu; depois parou e olhou para trás.
Lenta, mas firmemente, Caesar seguia em frente, mas seu andar era pesado, seus passos arrastados. E ainda assim, ele não pedia ajuda, nem que Won o esperasse.
Simplesmente continuava.
Sozinho.
Sempre sozinho.
Won o observou por um tempo, depois se virou e voltou. Caesar parecia ainda mais incrédulo agora, obviamente se perguntando o que diabos Won estava fazendo; mas Won ignorou isso e, sem dizer nada, ergueu o braço de Caesar e o passou por cima de seus ombros, sem perceber a surpresa genuína no rosto de Caesar quando começaram a andar novamente.
Mas, aos poucos, Caesar relaxou, e eles caminharam lado a lado, Won apoiando Caesar enquanto atravessavam a neve.
Eles não disseram nada; mas, de alguma forma, Won sentiu que algo passou entre eles nesses minutos que ia além das palavras, algo além de tudo que já haviam compartilhado antes.
Eventualmente, conseguiram atravessar a nevasca e chegaram a uma porta.
Caesar olhou para a casa familiar.
— Mas…
— É, — disse Won com um aceno de cabeça — A casa do Shishkin.
Continua…
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✦ Tradução, revisão e Raws: Belladonna
Ler Roses And Champagne (Novel) Yaoi Mangá Online
Sinopse:
O advogado de direitos civis Lee Won atua na Rússia, defendendo clientes de baixa renda que não teriam acesso a um jurista. Um dia, ele visita o vereador Zhdanov para interceder por seu cliente Nikolai. Won desconhece que o político tem ligações com a máfia russa — até se deparar com César durante a reunião. E aquele homem de olhos prateados e cinzentos… era o mesmo com quem Won quase colidira na rua dias antes! Algo fora do comum está prestes a acontecer quando ele conhece César Aleksandrovich Sergeyev, o homem que em breve liderará um dos grupos mafiosos mais temidos do país.