Ler Roses And Champagne (Novel) – Capítulo 11 Online

Capítulo 11
Durante a noite, o mundo se transformou em um branco cristalino pálido, a neve envolvendo a terra. A agitação de arados e pás, e sal, e sua valente batalha para limpar estradas e calçadas começou cedo pela manhã, mas o esforço parecia em vão. Os enormes tufos de neve caíam em ondas incessantes, tornando qualquer tentativa de remoção quase inútil.
Won acordou no horário de costume e desceu para o café da manhã. Caminhando lentamente até a sala de jantar, soltou um suspiro silencioso quando Caesar se virou e sorriu assim que ele entrou pela porta.
— Essa tempestade é tenaz — comentou Caesar lamentavelmente, como se geralmente tivesse alguma palavra a dizer sobre como seria o clima naquele dia. Won não disse nada, foi para sua cadeira, colocou o guardanapo no colo e pegou um pãozinho da cesta de pães.
Caesar, é claro, não se importou com a falta de resposta de Won.
— A neve tornou a direção imprudente. Trabalharei daqui nos próximos dias. — Won mordeu o pão.
— Disseram-me que o sal pode ajudar a manter as coisas sob controle, mas com tanta neve…
— Ei.
Caesar parou, inclinando a cabeça para olhar através da mesa, com um sorriso expectante no rosto. Won retribuiu o olhar, com uma expressão totalmente inexpressiva.
— Não estou falando com você agora.
Won voltou para o café da manhã, enquanto Caesar o observava do outro lado da mesa, com o queixo apoiado na mão. Depois de um tempo, ele deu de ombros – e voltou direto para sua conversa unilateral.
— Planejando se isolar no escritório o dia todo, imagino — comentou amigavelmente.
Won mordeu outro pedaço de pão.
— As rosas na estufa…
O som de Won empurrando a cadeira para trás o interrompeu. Jogando o guardanapo na mesa, Won ofereceu um silencioso agradecimento ao mordomo antes de sair da sala de jantar sem dizer mais uma palavra.
Igor começou a retirar a louça usada.
— Ele está bem? — perguntou suavemente.
Caesar recostou-se na cadeira, olhando para longe.
— Não tenho ideia.
Won cerrou a mandíbula enquanto descia o corredor. Aquela interação apenas confirmou que Caesar realmente não tinha ideia – nem a mais remota pista – do que estava incomodando Won, mesmo depois de uma noite para pensar sobre isso.
Era como se Caesar fosse alguma espécie alienígena – mas talvez isso fosse lhe dar muito crédito. Pelo menos se ele fosse de algum outro planeta, poderia possivelmente existir uma desculpa para suas flutuações selvagens de comportamento e total falta de coração – um extraterrestre poderia não entender o significado da morte ou conhecer a etiqueta social ou como processar emoções humanas…
Mas Caesar não era um alienígena. Ele era apenas um homem. Um homem que podia apontar uma arma para a cabeça de uma criança e puxar o gatilho sem pensar duas vezes, depois se virar e brincar sobre salvar a vida de Won.
Won sentiu náuseas só de pensar nisso. Eles passaram horas juntos, mas ele não tinha a menor ideia do demônio que espreitava logo abaixo da pele. Aquele homem com quem ele passara todo aquele tempo não era real – era? Ele conhecia Caesar de verdade? Ele não tinha como saber.
Com o estômago embrulhado de apreensão, os passos de Won se aceleraram. A única coisa firme em sua mente era a necessidade de sair dali o mais rápido possível.
Nos dias seguintes, Won realmente se dedicou, correndo por tudo no escritório com uma rapidez nunca antes vista em seu próprio trabalho. A ideia de escapar da mansão e nunca mais precisar interagir com Caesar pelo resto de sua vida aparentemente era suficiente para mantê-lo em movimento.
Ele comia no escritório quando podia e dormia o mínimo possível. O resultado de tudo isso foi que suas interações com Caesar diminuíram quase a zero. Eles ocasionalmente se viam quando Won não podia evitar a sala de jantar, ou de passagem em um dos corredores, mas era só isso. Se não fosse pelo fato de que Caesar estava preso na mansão durante a tempestade de neve, Won tinha certeza de que nunca teriam se encontrado.
Previsivelmente (embora não menos frustrantemente), Caesar agiu como sempre, totalmente indiferente à fria indiferença de Won. As poucas vezes que se encontraram, Caesar sorria e fazia alguns comentários que provavelmente achava espirituosos. No início, Won deixou que isso o incomodasse um pouco. No entanto, ele rapidamente decidiu que nenhuma reação era a melhor resposta. O desprezo alegre ainda o atingia, mas ele sentiu que não havia hora melhor do que o presente para começar a fingir que não tinha ideia de quem era aquele homem loiro irritante.
Infelizmente, o homem loiro irritante também era seu cliente, e Won não podia evitá-lo para sempre.
Won franziu a testa, lendo o histórico de escrituras de um certo empreendimento imobiliário pela enésima vez. As transferências de propriedade foram todas registradas em detalhes minuciosos ao longo de um número considerável de páginas, mas não importa quantas vezes ele olhasse, o atual titular não era nomeado. Supostamente, a propriedade pertencia a Berdyaev – mas, no papel, parecia que a propriedade não pertencia a ninguém. Era provável que Berdyaev a tivesse descarregado antes de declarar seus impostos, dada a quantia que devia – mas esse pensamento estava longe de ser reconfortante. Isso significava que a escritura poderia pertencer a qualquer um agora.
Won recostou-se e fechou os olhos. Ele estava relutante em fazê-lo, mas era hora de ir ver Caesar. Pegando seus papéis, Won saiu do escritório. Levou um momento para perceber que esta era a primeira vez que ele procurava Caesar por conta própria desde que chegara à mansão. O homem simplesmente sempre parecia aparecer… e nunca mais ir embora. Ele era como aquela aranha no seu banheiro, sempre observando do canto do chuveiro.
Won estremeceu, preferindo não pensar em Caesar ou em aranhas, e esbarrou no mordomo que vinha do outro lado do corredor.
— Havia algo que o senhor precisava? — perguntou Igor suavemente.
— Na verdade, sim — disse Won. — Por acaso você sabe onde Caesar…
O rosto do mordomo se contraiu em desagrado.
— Ah–o Czar está…? — Won corrigiu rapidamente. — Preciso falar com ele.
— Atualmente, ele está passando a tarde na estufa, no final do corredor do andar principal.
Won inclinou a cabeça e ofereceu um breve agradecimento antes de partir na direção oposta, repassando seu mapa mental da mansão. A estufa era onde ele havia conhecido Caesar em sua visita inicial.
Algo parecia estranho enquanto ele ia para lá. Além do som de seus passos, a jornada foi quase completamente silenciosa. Assustadoramente silenciosa. Ele se viu estremecendo mais de uma vez, sentindo como se estivesse sendo observado. Ele ficou feliz quando a estufa surgiu no final do corredor, paredes sólidas abruptamente se tornando vidro translúcido, proporcionando uma vista desobstruída da vegetação interna, quase como se o cômodo não conseguisse decidir se era parte do jardim ou parte da mansão. Ainda assim, era lindo de qualquer maneira.
Chegando às portas, Won por acaso olhou para baixo e viu um par de chinelos jogados descuidadamente do lado de fora. A falta de cuidado parecia atípica de Caesar, mas pelo menos ele sabia que o mordomo não o havia enganado. Tirando seus próprios chinelos, Won abriu uma das portas de vidro e escorregou para dentro, sentindo uma sensação de calma o envolver. O mal-estar que o afligira no caminho se tornou remoto – alguns pequenos fragmentos ainda o picavam no cérebro, mas algo na estufa desgastou as arestas afiadas e os núcleos duros. Era como entrar em um jardim secreto ou no recanto escondido de uma fada; o mundo exterior simplesmente parecia… desaparecer.
Grama macia amortecia seus passos, abafando qualquer som que sua aproximação pudesse ter feito; toda a vegetação o mantinha quase completamente escondido da vista. Através das lacunas em alguns galhos baixos, ele espiou a cadeira de vime pendurada no teto, inclinada metade em sua direção desta vez, proporcionando-lhe uma visão melhor da própria cadeira. Ele percebeu que era mais profunda do que pensara inicialmente. Antes, parecera um pouco demais com um casulo, mas agora via que parecia bastante aconchegante – se Caesar servisse de parâmetro.
Com uma das pernas dobrada sob ele e a outra esticada na grama, Caesar havia se afundado nas almofadas, um livro no peito e – Won percebeu com um sobressalto – ele estava cochilando.
Era como seu primeiro encontro novamente, quando Won ficou fascinado pela beleza incompreensível de um estranho misterioso, uma figura etérea contra as ruas invernais sombrias. Certamente, deve ser isso que Michelangelo e Milton queriam dizer quando criaram sua arte. Se anjos realmente existissem, seria exatamente assim que eles se pareceriam.
Uma pequena parte da mente de Won reconheceu a comparação entre Caesar e Lúcifer, mas ele estava muito extasiado para se importar de verdade; então, por um longo momento, Won simplesmente estudou o rosto de Caesar em silêncio, absorvendo as linhas elegantes e os ângulos delicados que ele nunca tivera a oportunidade de observar antes, banhados em sombras douradas e brilho prateado.
Os pés de Won o levaram um pouco mais perto. Ele não conseguia desviar o olhar da luz que mudava e dançava sobre o cabelo loiro branco, brilhando com um brilho diáfano. Seus olhos seguiram a curva suave das maçãs do rosto até os lábios carnudos, finamente esculpidos contra a pele branca como porcelana.
Antes que percebesse totalmente o que estava fazendo, a mão de Won estava estendida – o canto de sereia do Adônis adormecido o atraindo para mais perto. Os fios de cabelo pareciam tão macios, sobrenaturais, e Won precisava sentir como eram sob seus dedos, ver se eram tão sedosos quanto pareciam…
Clique.
Os olhos de Won dispararam para baixo, encontrando os de Caesar semicerrados para ele, com o dedo no gatilho de sua Beretta. Por um momento tenso, nenhum dos dois se moveu. Won temeu respirar, incapaz sob o peso dos olhos prateados e penetrantes que o prendiam no lugar. Então, tão rapidamente quanto surgiu, a frieza letal no comportamento de Caesar desapareceu, substituída pela familiar despreocupação.
— Eu não aconselharia fazer isso de novo — Caesar sorriu, engatilhando a trava enquanto a Beretta desaparecia nas almofadas atrás dele. — É um jogo perigoso, aproximar-se sorrateiramente de alguém como eu.
Caesar se levantou e lançou a Won um olhar expectante. Won mordeu a parte interna da bochecha, a mudança na expressão de Caesar ainda tão chocante quanto da primeira vez.
— Há alguns problemas — disse Won bruscamente. — Você tem tempo para falar comigo agora?
— Você está aqui para falar sobre Berdyaev? — A decepção era clara na testa franzida de Caesar. Então ela desapareceu e ele deu de ombros. — Vamos discutir isso tomando um chá.
Caesar se virou, voltando para as portas de vidro deslizantes, e Won o seguiu a contragosto, deixando para trás a tranquilidade quente da estufa. Sair para o corredor foi quase pior desta vez, a sensação sinistra agora sobreposta à distância entre Caesar e Won – um desconforto palpável crescia a cada passo.
✦ ✦ ✦
O lugar para onde Caesar o levou era uma mesinha em um “pequeno” salão. Na verdade, era muito maior do que o apartamento de Won, mas comparado à casa à qual pertencia, era praticamente um armário.
Caesar esperou até que Igor os deixasse com o chá para começar a falar.
— Então — qual é o problema?
O tom casual fez os dentes de Won rangerem. Ele tinha estado a segundos de virar adubo para as rosas queridas de Caesar, e seu coração ainda batia descontrolado no peito; no entanto, Caesar apenas tomava seu chá, como se não houvesse nada fora do comum.
Era surreal, mas os arrepios que cobriam os braços de Won lhe diziam que o incidente de mais cedo definitivamente havia acontecido, e ele teve que se lembrar de que, independentemente da beleza de Caesar, ele estava mais próximo de Lúcifer depois da queda, não antes.
— Há uma propriedade suspeita — disse Won, mantendo o tom o mais neutro possível.
— Zhdanov e Berdyaev estiveram ambos envolvidos; mas, nominalmente, agora
não pertence a nenhum dos dois.
— Então você quer descobrir quem a estaria mantendo por eles.
— Sim. Acredito que seja uma pista importante sobre a ligação entre eles, especialmente se o atual proprietário concordar em testemunhar.
O testemunho provavelmente seria a peça-chave no julgamento de Berdyaev. Qualquer outro cliente ficaria feliz em ouvir isso, mas Caesar não teve reação alguma.
Won pegou um dos biscoitos que o mordomo trouxera com o chá e deu uma mordida, esperando por uma resposta. Como nenhuma veio, ele engoliu e acrescentou:
— Berdyaev provavelmente fez algo semelhante com os outros bens. Se conseguirmos descobrir exatamente o que aconteceu com esta propriedade, todo o esquema vai desmoronar.
Ele fez um gesto amplo com meio biscoito ainda na mão. — Deveria ser—
— Eu te assusto?
Won piscou, com o braço ainda estendido. Caesar o encarava, o olhar uma mistura de devastação e sinceridade.
Won abaixou o braço. — Como assim?
A voz de Caesar estava baixa. — Você está me evitando.
Pela primeira vez, não havia um sorriso irônico, nem uma risada, nem um eufemismo grosseiro para acompanhar a afirmação. Era uma pergunta honesta, e Won ficou sem saber o que dizer.
— Não é você em particular — Won sussurrou como se desviasse da pergunta, mas desistiu, falando: — Você… está na máfia… — acrescentou baixinho. — E eu não…
Os olhos de Caesar examinaram o rosto de Won, como se tentassem resolver um enigma.
— Você ainda está chateado com o outro dia. É isso, não é?
— E importa? — bufou Won.
— Não é como se você fosse entender o porquê. E eu nunca vou te entender,
então estamos quites.
Os dois se observaram em silêncio.
— Eu não gosto disso — disse Caesar, finalmente.
— De você me manter afastado.
A testa de Won se franziu, incrédula.
— O quê? Que diferença faz pra você o que eu faço?
Um breve silêncio.
— Porque eu estou interessado em você.
A mente de Won travou. “Ele o quê?” Flashs de todas as interações anteriores entre eles passaram por sua cabeça, exigindo um beijo em troca de provas, arrastando-o até a mansão sob o pretexto de colocá-lo sob contrato, destruindo sua scooter para que ele não pudesse ir embora…
— Essa é sua definição de demonstrar interesse? — zombou Won.
Quanto mais pensava naquilo, mais irritado ficava e não fez questão de esconder.
Curiosamente, Caesar não respondeu. Pela segunda vez, não havia piadas bobas nem provocações, apenas Caesar, olhando para ele com um tipo estranho de franqueza.
— Quando você está na sala — Caesar admitiu lentamente — acho que você é tudo o que consigo ver.
— Você e todo mundo. Eu sou alto.
Um sorriso triste curvou os lábios de Caesar. Ele continuou a observar Won, eventualmente levantando uma mão. Won imediatamente ficou tenso, provando que mantinha Caesar à distância; ainda assim, a mão de Caesar se aproximou, as pontas dos dedos pousando suavemente no cabelo de Won. Won não se moveu nem protestou, incapaz de lembrar como em seu choque, enquanto dedos elegantes o acariciavam. Os olhos de Caesar nunca deixaram os seus, mesmo quando ele se levantou e se inclinou sobre a pequena mesa.
Com os lábios quase tocando sua orelha, Caesar sussurrou:
— Tenho pena de todos os corações que você partiu.
Won estremeceu com o som, com a sensação de pele quente e hálito misturados a uma voz grave; achou difícil respirar, seu coração acelerando no peito.
Ele inspirou bruscamente e levantou-se de um salto.
— Preciso voltar ao trabalho — anunciou com rigidez, e imediatamente virou-se para sair, forçando-se a ignorar o peso do olhar de Caesar em suas costas enquanto fazia uma saída rápida.
“Que diabos foi isso?” A pergunta ecoou em sua mente repetidamente enquanto ele marchava de volta ao escritório, mas nenhuma resposta veio.
Involuntariamente, o pensamento era cada vez mais entremeado pela sensação de dedos longos, de olhos impenetráveis perfurando os seus, e de uma voz grave.
Ele bateu a porta do escritório atrás de si.
“Odeio que eu só esteja aqui para Caesar brincar comigo.”
“Odeio isso.”
Mas, acima de tudo, ele se odiava.
Por um breve momento, aquele hálito quente em sua orelha fizera tudo mais desaparecer e ele odiava não conseguir esquecer.
Won acordou no dia seguinte com o burburinho de homens limpando a neve da entrada. A tempestade finalmente passara, ao que parecia. Ele saiu da cama e arrastou-se até a janela, um alívio brotando em seu coração enquanto observava a neve desaparecer.
A consciência de que a nevasca não mais o mantinha preso na mansão impeliu-o a enfrentar o dia e voltar ao trabalho. Quanto antes terminasse, melhor.
É claro, ele nunca tinha tanta sorte assim.
Pegando alguns papéis do escritório para revisar durante o café da manhã, Won abriu a porta –e quase colidiu com Caesar. Ele recuou, os olhos saltando para Igor carregando o casaco de Caesar, depois de volta.
— Ah, se eu tivesse saído um momento antes… — Caesar disse com nostalgia.
Won observou os braços estendidos de Caesar e seu sorriso provocador, qualquer senso de surpresa ou constrangimento imediatamente substituído por irritação. Vê-lo apenas lembrava Won do que acontecera no dia anterior, e sua ira retornou em força total.
— Preciso que você revise isso — Won disse abruptamente, enfiando os papéis na mão de Caesar. — Precisa ser feito hoje.
E com isso, ele virou nos calcanhares e trancou-se novamente no escritório, o som suave de risadas atravessando as paredes.
Won bufou, agitado e encarando a porta. O que exatamente Caesar achava tão engraçado estava além dele. Pessoas não eram brinquedos; ainda assim, Caesar parecia pensar o contrário.
Revirando os olhos, Won passou a mão com raiva pelo cabelo e dirigiu-se com passos pesados ao seu lugar no chão. “Maldita máfia.”
✦ ✦ ✦
O humor de Won só piorou conforme o dia avançava. Ele mal conseguia se concentrar, empilhando papéis de lado apenas para puxá-los de volta pela terceira, quarta, quinta vez, porque não tinha absorvido uma única palavra. Já estava se arrastando em ritmo de tartaruga no meio da tarde, o que não era nada reconfortante. A única razão de estar ali era para ajudar Nikolai, mas em vez de encontrar algo útil, ele estava perdendo tempo atolado nos mesmos conjuntos de documentos repetidamente.
“Por quanto tempo ainda vou ficar preso nisso?”
Sentindo-se frustrado e derrotado, Won decidiu que precisava de uma pausa. Sair e dar uma caminhada provavelmente lhe faria bem, especialmente depois dos últimos dias enclausurado e… todo o resto.
Sim, uma caminhada era definitivamente necessária.
Feliz por escapar um pouco, ele se levantou e foi até o quarto buscar o casaco, usando a porta que o conectava ao escritório, depois saiu para o corredor.
Uma voz baixa soou atrás dele.
— Algo que o senhor deseja?
Won levou um susto e se virou no mesmo instante, encontrando o mordomo parado atrás dele. Reprimiu um arrepio; Igor sempre parecia se materializar onde quer que fosse, e aquilo nunca deixava de ser um pouco assustador. Dava-lhe a sensação constante de estar sendo observado.
— Eu só ia dar uma volta no jardim — disse ele, enrijecendo ao notar algo reluzir nos olhos de Igor.
— Ah — disse Igor. — Um momento, por favor.
Igor desapareceu pelo corredor, retornando logo depois com um chapéu.
— O Czar pediu que eu lhe entregasse isto, caso precisasse sair.
(Ushanka = Gorro com orelha para inverno russo)
Com relutância, Won aceitou a ushanka, desejando que estivesse quente o suficiente para recusá-la. Estudou-a nas mãos por um longo momento antes de colocá-la, murmurando um agradecimento.
— Vai demorar muito? — indagou o mordomo.
— Sim… provavelmente… — Os olhos de Won vagaram pelo corredor.
— Vou me certificar de estar de volta antes do jantar — acrescentou, como um
pensamento tardio.
— Fique o tempo que quiser. O jantar pode ser servido quando for conveniente ao senhor.
Won assentiu.
— Certo. Obrigado — disse, e seguiu rumo ao jardim, distraído demais para notar os olhos do mordomo acompanhando cada um de seus movimentos.
Uma camada de neve estalava sob os pés enquanto Won vagava sem rumo pelos caminhos intermináveis do jardim, pequenas nuvens brancas surgindo de sua boca enquanto respirava.
Apesar do tamanho assustador — e se eu me perdesse? — o jardim era um espetáculo, uma terra encantada cintilante de geada e cristais de neve.
Ou, ao menos, deveria ser; mas a mudança de cenário aparentemente não ajudou em nada a acalmar a mente de Won. Seus pensamentos ainda estavam pesados de ansiedade, um duplo sentimento de inquietação pesando em seu estômago. Assim, ele continuou andando, distraído e infeliz, erguendo a mão para reposicionar a ushanka depois que ela escorregou sobre sua testa. Isso foi um erro.
Sem aviso, pensamentos de dedos quentes e graciosos roçando seus cabelos substituíram suas preocupações com o caso de Nikolai e a corrupção de Berdyaev. Ele balançou a cabeça, forçando o braço para baixo e trancando essas memórias bem fundo.
“Isso não importa.”
Mas não importava quantas vezes empurrasse aquelas lembranças para o fundo da mente, elas nunca pareciam ficar lá – olhos cinzentos e penetrantes, o menor indício de um sorriso, mãos lindas se estendendo em sua direção.
Ele havia parado de andar antes mesmo de perceber, levando as mãos à cabeça e apertando os olhos com força.
“Por quê?”
“Por que eu me importo? Por que não consigo parar de pensar no Caesar?”
O desprezo por si mesmo do dia anterior voltou com força total. Por mais que achasse Caesar insuportável, não era como se ele não soubesse exatamente o jogo que o homem estava jogando. O fato de deixá-lo atingi-lo de qualquer forma o fazia se sentir patético – ele estava apenas fazendo exatamente o que Caesar queria.
Carrancudo, Won avistou um pinheiro bem alto e marchou até ele para chutar o tronco, precisando de um escape físico para todas as emoções fervilhando em sua mente.
Cerca de um segundo e um baque surdo depois, ocorreu a Won por que chutar uma árvore coberta de neve talvez não fosse uma boa ideia.
Teve tempo apenas de olhar para cima e abrir a boca para gritar antes que uma grande pilha de neve despencasse sobre ele, encharcando suas roupas e o jogando no chão. Ele tossiu, engasgando com neve meio derretida e agulhas de pinheiro enquanto os braços trabalhavam freneticamente para cavar e sair da mini avalanche que havia provocado.
— Merda! — gritou assim que se viu livre, a voz trêmula enquanto estremecia. Reprimiu por pouco o impulso de chutar a árvore de novo por ser um maldito idiota, mas pensou melhor a tempo, sacudindo o punho para ela em vez disso.
Ele tinha certeza de que estava prestes a explodir.
Ele havia desperdiçado tempo e energia se irritando com Caesar, e agora estava congelando porque chutou uma porra de uma árvore.
Won gemeu, apressando-se para voltar para dentro, enquanto xingava sua sorte, xingava as malditas árvores de pinho e xingava o maldito Caesar. Aquilo era tudo culpa dele.
O sol estava justamente desaparecendo no horizonte quando Won voltou para dentro, tremendo violentamente e morrendo de fome, apesar de sua excursão ter sido interrompida.
Ele se lembrou que o mordomo havia dito que ele poderia comer quando quisesse. Com os dentes batendo alto, decidiu que um banho quente era a questão mais urgente. Depois, ele comeria.
Assim que alcançou seu quarto e pôs a mão na maçaneta, um arrepio percorreu sua espinha – mas dessa vez não por causa do frio.
Algo não estava certo.
Girando a maçaneta com cautela, Won abriu a porta lentamente e não viu nada fora do comum até o aparador entrar em seu campo de visão – uma figura sombria revirava as gavetas, procurando algo no escuro.
— Ei! Quem diabos é você?! — gritou Won.
Com um grito, o homem se sobressaltou e se virou. As cortinas pesadas sobre as janelas tornavam impossível ver o rosto do homem, mas estava claro que ele não tinha passado ali para tomar chá. Também estava claro que a silhueta sombria procurava desesperadamente uma saída, e ele saltou em direção à porta que conectava ao escritório assim que a avistou, com Won no encalço.
— Aonde você acha que vai, porra?!
Won gritou, segurando o ombro do homem com uma mão e o derrubando com um soco sólido na cabeça com a outra.
Agora precisava ver quem era aquele homem. Mas mal havia estendido a mão para o interruptor quando sentiu um braço envolver sua perna, puxando-o para baixo.
Seu corpo bateu contra o chão, e o homem tentou imobilizá-lo, os dois lutando no escuro.
A falta de luz tornava quase impossível obter vantagem, tantos dos golpes de Won erravam quanto acertavam; mas o invasor parecia mais preocupado em fugir do que em machucá-lo de fato, seus socos eram facilmente desviados e careciam de peso real. Won se abaixou, usando o impulso para desferir um chute na canela do oponente, ouvindo um estalo doentio seguido de um grito imediato.
Won correu para o interruptor assim que o homem caiu, mas então cometeu um erro.
O ronco de um motor o distraiu, e naquele momento de hesitação, o homem agarrou seu ombro, desferindo uma cotovelada contra sua têmpora e fugindo enquanto Won desabava no chão, atordoado.
— Ei-porra! Onde— Won tentou gritar enquanto se apoiava na parede para se erguer, mancando para o corredor.
Mas então as luzes estavam tão brilhantes. Ele não conseguia manter os olhos abertos, o brilho era doloroso demais.
— Está tudo bem, senhor? — Won reconheceu a voz do mordomo e o som apressado de seus passos.
— O que aconteceu?!
— Tinha–tinha alguém–você viu alguém? Agora há pouco? Eles–eles saíram do meu quarto… — Won cambaleou, os olhos ainda firmemente fechados.
— Ver alguém? Não–não havia ninguém… — Igor parecia um pouco desesperado com a ideia de que alguém havia invadido.
Won levou a mão à cabeça, um gemido doloroso escapando de sua garganta.
Em algum lugar atrás dele, ele ouviu o som de pessoas se aproximando.
— O que aconteceu? Ouvimos barulhos, — perguntou um homem.
— Espera, por que o advogado tá sangrando? O que tá acontecendo? — outro exigiu, e Won o ouviu se aproximar e pedir para olhar sua cabeça, enquanto mais um começou a gritar para que chamassem um médico.
O corredor rapidamente se transformou em caos, e as luzes fortes e os gritos eram demais. Won escorregou até o chão, sentindo que tudo girava, mesmo com os olhos fechados. De forma distante, ele percebeu que havia algo molhado em sua mão, e entreabriu um olho para olhar – era sangue – uma poça já se formava ao redor de seus pés.
Subitamente, todo o barulho cessou, e uma voz familiar cortou o silêncio.
— Qual é o problema aqui?
Cuidadosamente, Won levou a mão de volta à têmpora e levantou a cabeça. Caesar estava diante dele, cercado por homens que se curvavam.
Por um longo momento, Caesar não se moveu nem falou. Foi então que Won percebeu que o homem à sua frente era quase totalmente estranho.
Sua estatura alta e cabelos loiro-prateados estavam lá, assim como o terno impecável, mas não havia um sorriso indolente nem a indiferença arrogante – em vez disso, uma pele incrivelmente lisa como mármore vivo estava mortalmente pálida, e os olhos cinzentos arregalados e tensos.
Então, como se nunca tivesse acontecido, aquilo desapareceu. O rosto de Caesar endureceu, ilegível – qualquer traço de medo ou surpresa trancado atrás de uma impassividade estoica; e este, Won conhecia. Era o mesmo Caesar da rua atrás da livraria e escondido no conservatório.
Por mais doloroso que fosse se mover, a sensação de pressentimento provocada pelo comportamento de Caesar forçou Won a tentar amenizar a situação antes que Caesar fizesse algo drástico.
— Alguém invadiu, — ele explicou simplesmente.
Um segundo de silêncio, então:
— Invadiu…?
A voz de Caesar era quase inaudível. Won estremeceu – a reação era ainda mais assustadora por sua sutileza. Caesar sempre foi imponente, mas essa versão dele, sem a fachada despreocupada, era assustadoramente letal.
Won pressionou com mais força a têmpora, uma quantidade alarmante de sangue escorrendo por entre seus dedos.
— Você devia dar uma olhada por aí, — ele disse com dificuldade. Sua cabeça latejava. — Provavelmente ainda não foram longe.
Com um leve movimento de cabeça, Caesar mandou um grupo de homens correr para fora e outro para revistar a mansão, voltando sua atenção para Won quase que imediatamente.
— Enquanto isso, — começou ele, inclinando-se e oferecendo uma das mãos, — você precisa cuidar desse ferimento. Podemos conversar depois que o médico cuidar de você.
Se fosse capaz, Won teria torcido o nariz. Ele não queria a ajuda de Caesar. Ao mesmo tempo, sua vertigem estava ficando cada vez pior (provavelmente pela perda de sangue, seu cérebro registrou vagamente), e ele nem sabia por quanto tempo ainda conseguiria ficar sentado, muito menos de pé e andando.
Concluindo que aceitar a ajuda de Caesar era melhor do que desmaiar no meio do corredor, Won colocou a mão livre na de Caesar e permitiu-se ser puxado para cima.
A única pessoa que ficou com eles foi o mordomo, que percebeu tarde demais que estava encarando e rapidamente abaixou a cabeça.
— Ofereço minhas mais profundas desculpas, Czar. É minha responsabilidade garantir a segurança da mansão, e nosso hóspede se feriu por minha negligência. Isso não se repetirá.
— Agora não é hora para isso, — Caesar disse com aspereza. — Vá, procure com os outros.
— Imediatamente, Czar. — Igor se curvou mais profundamente e saiu apressado.
Won engoliu em seco, o cérebro focando inutilmente em como Igor o tratava de forma diferente comparado a Caesar. Era quase desconfortável ver o homem tão servil.
— Vamos esperar no meu quarto. — Caesar começou a andar, arrastando Won de seus pensamentos.
— Espera, — Won disse, livrando-se rapidamente do aperto de Caesar.
— A gente precisa verificar meu quarto antes.
Ele felizmente chegou até a porta sem cambalear muito, mas ao abri-la, teve que parar, certo de que havia pegado o quarto errado.
Franzindo a testa, seu olhar percorreu o ambiente, percebendo que não, de fato, ele não tinha ido acidentalmente para o escritório – seu quarto apenas fazia o melhor possível para imitá-lo. O lugar estava um caos. Seus poucos pertences estavam espalhados pelo chão, a maioria das gavetas do aparador removidas e reviradas. Ele procurou mais até avistar uma cueca sua pendurada em uma das poucas gavetas que ainda estavam no móvel.
O mais rápido que conseguiu, agarrou a gaveta e a puxou também, despejando o restante das roupas íntimas no chão ao virá-la.
Colado na parte de trás, havia um envelope pardo.
— O que é isso? — Caesar perguntou, com um tom perplexo.
— Eu escondi alguns dos documentos mais importantes, — Won respondeu distraidamente, verificando se nada estava faltando.
— Por precaução.
— E? Está faltando algo?
— Está tudo aqui, — disse Won, selando novamente o envelope — e com um suspiro exausto, afundou no canto da cama.
Aquilo não havia sido coincidência. Quem quer que tivesse invadido havia ido direto ao seu quarto e sabia onde procurar entre suas coisas. Para atrapalhar seu trabalho, talvez? Mas por quê? E quem? Quem conseguiria sequer entrar, para começo de conversa?
— Esse corte parece ruim, — comentou Caesar, do nada.
— Estou bem. — Won descartou a preocupação, mais preocupado com a identidade do invasor.
Mas agora que Caesar o havia interrompido, sua mente começou a divagar. Ele pressionou com mais força a têmpora, todo aquele sangue dificultando manter a mão no lugar. Ele podia sentir o cheiro também. Mas agora havia outro aroma se misturando a ele, um muito mais agradável.
Percebendo que era o perfume de Caesar, Won levantou os olhos para vê-lo silenciosamente se aproximando, retirando o lenço do bolso do paletó.
Firme, mas de alguma forma gentil, Caesar tirou a mão de Won de sua testa e colocou o lenço em sua palma. Então, com o mesmo cuidado contido, posicionou a mão de Won com o lenço sobre o ferimento – mas Caesar não recuou, uma pressão quente e constante envolvendo a mão de Won.
Won apenas piscou, a compreensão aparentemente além dele naquele estado.
No silêncio, seus olhos seguiram a outra mão de Caesar enquanto ela se aproximava, pairando no ar por um breve segundo de hesitação antes de afastar suavemente os cabelos úmidos de sangue de sua testa.
Nenhum dos dois se moveu.
Por um instante, algo pareceu diferente, como se Caesar não tivesse nem a ameaça letal nem a fachada indiferente como escudo.
Os lábios de Caesar se entreabriram, como se fosse dizer algo – mas não disse. Won podia sentir a distância entre eles retornando, crescendo, esticando-se, os dois em lados opostos de um abismo interminável, e Won sentiu a mais leve pontada de arrependimento por nunca saber o que Caesar queria dizer, porque o abismo se tornou um vazio num instante, e Caesar desviou o olhar.
— Parece que o médico chegou, — Caesar disse, quase mecanicamente.
Então Won também ouviu – por baixo do tropel de passos, havia o ronco distinto de um carro se aproximando.
O caos da mansão só parecia aumentar com o passar do tempo, todos correndo para cá, gritando sobre algo lá longe, e alguém sequer pensou em verificar a despensa? Caesar permanecia afastado de tudo, braços cruzados enquanto se encostava na parede, observando o médico costurar o corte na testa de Won.
— Não vai deixar cicatriz, vai? — As bandagens pararam em sua trajetória ao redor da cabeça de Won. Era a primeira vez que alguém falava desde que o médico começara seu trabalho – e o tom de Caesar estava mais próximo de uma afirmação do que de uma pergunta.
Won segurou as bandagens antes que caíssem no chão, respondendo no lugar do médico enquanto ele ainda procurava o que dizer.
— Vou dizer que fiz uma tatuagem.
— Então eu teria que questionar seus hobbies tanto quanto seu gosto, — retrucou Caesar sem rodeios, lançando um olhar afiado para o médico.
Com um sobressalto, o médico terminou de prender as bandagens, balbuciando algo sobre não se preocupar porque o corte não era tão grande – com um aceno de cabeça que parecia mais para se convencer do que para convencer os outros – antes de empilhar seus suprimentos de volta na bolsa e sair às pressas da sala.
Ele mal havia saído quando foi substituído por um dos homens de Caesar parado na porta, que relatou que não tinham visto sinal algum do invasor, nem mesmo qualquer evidência de entrada forçada.
Won franziu o cenho. Havia passado algum tempo entre o ataque e quando ele foi encontrado, mas não poderia ter sido tanto assim – certamente não o suficiente para desaparecer sem deixar vestígios. Isso podia ser pior do que ele pensava.
— Você se lembra de algo sobre a aparência dele? — Won olhou para Caesar ao perceber que a pergunta fora dirigida a ele. “Eu me lembro de algo?” Inclinou a cabeça em pensamento.
— Não muito… — admitiu lentamente — Estava escuro demais para ver qualquer coisa. O corpo parecia masculino, mas só isso.
— Devem ser impressionantes para te derrubar e depois sumir no ar, — murmurou Caesar, com um tom de provocação.
— Ah, ah. — Won bufou — Vai você lutar com alguém num quarto completamente escuro e me diz como isso funciona pra você.
Caesar soltou uma risada baixa e então voltou sua atenção para seu subordinado.
— Aumente a segurança. Em todo lugar. Isso nunca deveria ter acontecido. — O gelo em sua voz era gritante após a risada.
E ainda assim, sua voz ficou ainda mais fria.
— Recomendo que pense com muito cuidado sobre suas próximas ações. Quem sabe, a próxima pessoa a invadir pode muito bem cortar sua cabeça inútil enquanto você dorme e me poupar o trabalho.
— Por favor, perdoe-me, Czar! — O corpo do homem inteiro tremia enquanto ele se curvava, a voz um pouco alta demais.
— Eu juro que não acontecerá de novo!
— Fora.
A porta se fechou um instante depois, deixando Caesar e Won sozinhos.
O olhar de Caesar voltou para Won.
— Nada faltando, exceto o próprio invasor, — comentou com secura.
— Mas como, — murmurou Won, quase para si mesmo.
— Isso não parece possível.
Os olhos de Caesar se estreitaram.
— Como, de fato.
Ocupado demais tentando decifrar o mistério, Won não percebeu que o brilho no olhar de Caesar não parecia nem um pouco curioso.
Continua…
⌀ ⌀ ⌀
✦ Tradução, revisão e Raws: Belladonna
Ler Roses And Champagne (Novel) Yaoi Mangá Online
Sinopse:
O advogado de direitos civis Lee Won atua na Rússia, defendendo clientes de baixa renda que não teriam acesso a um jurista. Um dia, ele visita o vereador Zhdanov para interceder por seu cliente Nikolai. Won desconhece que o político tem ligações com a máfia russa — até se deparar com César durante a reunião. E aquele homem de olhos prateados e cinzentos… era o mesmo com quem Won quase colidira na rua dias antes! Algo fora do comum está prestes a acontecer quando ele conhece César Aleksandrovich Sergeyev, o homem que em breve liderará um dos grupos mafiosos mais temidos do país.