Ler Roses And Champagne (Novel) – Capítulo 12 Online


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 Capítulo 12

O dia amanheceu antes que Won quisesse, seu corpo se sentindo pegajoso e inchado. Ele havia sido levado para outro quarto de hóspedes, mas o sono não veio facilmente. Parecia que toda vez que ele finalmente adormecia, acordava sobressaltado momentos depois. Com os olhos turvos, esfregou o rosto, sentindo como se suas pálpebras não fossem se abrir completamente. Ainda assim, a perspectiva do café da manhã foi suficiente para tirá-lo da cama e levá-lo para fora do quarto.

O mordomo estava esperando para escoltá-lo até a sala de jantar – mas isso era tudo o que havia de familiar naquela manhã. Vários homens faziam guarda do lado de fora da porta, e ainda mais patrulhavam os corredores, trocando olhares e “tudo limpo” sempre que passavam. Won sentia os olhares seguindo seus passos, percebendo o desprezo escondido por trás das expressões sérias enquanto obedeciam, a contragosto, à ordem de vigiar um rossiyanin. No entanto, ele se recusava a deixar que os russkiye o intimidassem. Ombros erguidos e cabeça erguida, Won entrou na sala de jantar, certo de que teria de enfrentar mais uma manhã de tagarelice interminável de Caesar.

(Rossiyanin = Palavra Russa para Cidadão, no sentido de nacionalidade, não necessariamente étnico) / ( Russkiye = Palavra para Russos étnicos, origem eslava, cultura e língua russa)

E embora Caesar estivesse em sua cadeira habitual à mesa, nada mais estava igual. O cumprimento usual de Won foi substituído por uma visão das costas de Caesar, com um de seus homens inclinado, sussurrando rapidamente em seu ouvido. Won mal havia passado pela porta quando o homem o viu e se afastou bruscamente, interrompendo o que quer que estivesse dizendo. Won olhou de soslaio ao passar, achando aquilo extremamente suspeito, mas fingiu que não notou nada.

— Aumentei a segurança, — disse Caesar assim que Won se sentou.

Won se perguntou se era possível revirar os olhos com força suficiente para se machucar.

A mansão estava literalmente infestada de homens de terno. Era como se uma loja de ternos tivesse decidido equipar um formigueiro inteiro e enviado tudo para lá. Até mesmo a sala de jantar tinha pelo menos cinco homens de guarda – como se esperassem que algum louco invadisse a qualquer momento e os esfaqueasse com um pedaço de pão. Won fez uma careta, detestando a ideia de passar o dia todo em contato tão próximo com capangas do Sindicato e seu desprezo mal disfarçado. Nem uma hora havia se passado e ele já se sentia desgastado o suficiente para o resto do dia, muito obrigado.

Reprimindo um suspiro, ele cortou um pedaço de pão para si, de repente sem muito apetite.

— Não precisa parecer tão irritado, — interveio Caesar suavemente.

— Eles não vão ficar aqui dentro por muito tempo. — O olhar de Won se voltou para Caesar, avaliando-o com ceticismo, e Caesar sorriu.

— Não há com o que se preocupar se o invasor não conseguir passar do jardim, não é mesmo?

Caesar sorriu amplamente, mas Won não deixou de notar os olhares trocados entre os homens na sala, como se, na verdade, houvesse sim motivo para preocupação, antes que todos se recompusessem rapidamente. Ele estreitou os olhos por um momento e depois voltou-se para a comida, um pressentimento se instalando no fundo de seu estômago.

Assim como Caesar havia dito, a mansão voltou ao silêncio costumeiro logo após sua saída e, de fato, o exterior e os jardins pareciam mais barulhentos do que o normal, mas Won aguentaria um pouco de barulho extra lá fora se isso significasse não ter que lidar diretamente com os capangas de Caesar.

Ser deixado em paz para trabalhar era apenas um pequeno alívio, no entanto, já que… bem, o escritório era espaçoso, mas não tanto assim. Ainda assim, se toda vez que ele saísse de lá fosse como aquela caminhada até a sala de jantar naquela manhã, ele preferia improvisar uma cama com almofadas de sofá e escrituras de propriedades e pedir para o mordomo deixar todas as refeições do lado de fora da porta. Tomar banho seria um problema, mas ele daria um jeito. Seria apertado, mas ainda assim melhor do que lidar com eles. Won estremeceu e balançou a cabeça – havia sido reduzido a planejar sua sobrevivência dentro do escritório de um mafioso, e ele não gostava nem um pouco disso.

Foi então que uma batida na porta interrompeu seus pensamentos sombrios. Virando-se para olhar, viu o mordomo abrindo cuidadosamente a porta com uma mão enquanto equilibrava uma bandeja com a outra. Quando seus olhos se encontraram, ambos congelaram, incertos sobre onde estavam depois dos acontecimentos da noite anterior, até que a expressão de Igor retornou à neutralidade habitual.

— Achei que gostaria de um chá.

Ele entrou e colocou a bandeja com uma reverência profunda. Won esperava que ele saísse em seguida, como de costume, mas – mais uma vez – aparentemente o chá e a expressão neutra eram as únicas coisas familiares que ele teria naquela interação, porque Igor se acomodou no chão à sua frente e começou a preparar a xícara de chá de Won.

Pego de surpresa, os olhos de Won se voltaram para Igor, se perguntando o que exatamente havia motivado aquilo. O homem nunca tinha sequer dito uma palavra amigável a ele, muito menos demonstrado vontade de passar tempo juntos, e aquela mudança abrupta era suspeita demais para não ter um motivo oculto.

Igor começou a servir o chá.

— Deve ter sido um grande choque para você ontem, — disse ele em voz baixa.

Ah. Won agora compreendia o jogo de Igor — o mordomo queria sondar o quanto de ressentimento Won guardava contra ele. Talvez acreditasse que cair nas boas graças de Won diminuiria sua punição.

O vapor subia da xícara enquanto Igor a colocava diante de Won.

— Você se feriu por minha negligência, e ofereço minhas mais sinceras desculpas.

— Não, não foi culpa sua, — disse Won com um leve aceno de cabeça.

— Na verdade, estou mais aliviado por nada ter sido levado.

Pela primeira vez, Igor olhou para ele e sorriu.

Oferecendo um pequeno sorriso em resposta, Won agradeceu, e Igor assentiu, permitindo que Won aproveitasse sua bebida em silêncio por alguns instantes.

Saboreando o chá, Won lançou um olhar ao mordomo, cujos olhos revelavam um brilho sutil de surpresa ao comentar:

— Não esperava que um advogado soubesse se defender em uma briga.

Won sorriu com o elogio.

— Foi mais sorte do que habilidade, para ser honesto.

De repente, Igor pareceu preocupado.

— Algo foi levado?

— Não, tudo que importa ainda está exatamente onde deveria, — respondeu Won com um leve aceno de cabeça.

Igor fez um som pensativo em resposta. Tomando outro gole de chá, Won percebeu que estava mais forte do que costumava gostar. Amargo demais para o seu paladar.

O pensamento o fez lembrar de Caesar e de como ele sempre reclamava do chá de Igor… mas por alguma razão, sempre esperava Igor sair da sala primeiro… sair… da sala?

Won olhou para Igor, se perguntando se sempre houveram dois dele, então balançou a cabeça. Ela estava pesada demais, e tudo ao redor parecia girar lentamente em círculos. Ele deixou a cabeça cair e viu a xícara em sua mão.

O chá.

“Era isso…?” Ele quis se levantar… havia algo errado… algo com o chá…

Ele desabou de volta, tonto demais para se pôr de pé. A xícara escorregou de seus dedos, o chá respingando sobre os papéis e se espalhando em uma longa mancha pelo chão. Won inclinou a cabeça, observando o líquido se infiltrar.

“É por isso que eu tento não comer enquanto trabalho”, pensou consigo mesmo, com um resmungo irônico.

Então caiu sobre uma pilha de documentos.

✦ ✦ ✦

Escondido em um canto afastado do jardim, um carro preto esperava, envolto em silêncio tenso e fumaça de charuto. No banco da frente, o motorista parecia estar à espera de algo, flexionando as mãos no volante. De repente, ele se sobressaltou, seu fone de ouvido ganhando vida. Seus olhos se ergueram para o retrovisor.

— Czar, o rato mordeu a isca.

Caesar inclinou a cabeça para trás, liberando uma longa pluma de fumaça.

— Vamos então disparar a armadilha, não é mesmo?

Ele sorriu, frio e perigoso.

✦ ✦ ✦

“Onde estava? Tinha que estar aqui. O advogado disse que estava.”

Igor ficava cada vez mais frenético quanto mais tempo passava sem encontrar seu alvo. Ele empurrava documentos para o lado, vasculhava gavetas e prateleiras, sem se importar com a bagunça que fazia. Precisava encontrar aqueles documentos.

Uma dor aguda percorreu sua perna, forçando-o ao chão. Ele levou a mão ao local, lançando um olhar de ódio para o advogado, cujo corpo permanecia inconsciente, largado de maneira antinatural no chão. Ainda levaria um tempo até que o rossiyanin acordasse – Igor havia se assegurado disso.

(Rossiyanin = Palavra Russa para Cidadão, no sentido de nacionalidade, não necessariamente étnico)

Ele mordeu a bochecha por dentro. Infelizmente, a droga não era letal, mas como ele desejava que fosse. Tudo aquilo era culpa dele. Agora, precisava encontrar onde o maldito estrangeiro tinha escondido os papéis e dar o fora dali antes que algo pior acontecesse.

Igor retomou sua busca, quase em desespero. Ele não podia voltar para Tyutchev de mãos vazias. Estaria morto.

Ele se deixou cair no chão, espiando debaixo dos móveis, mais uma vez se arrependendo de não ter envenenado o rossiyanin com algo letal. Um simples envenenamento era mais do que ele merecia.

(Rossiyanin = Palavra Russa para Cidadão, no sentido de nacionalidade, não necessariamente étnico)

Igor olhou debaixo de um sofá e – lá estava! Finalmente! Deitou-se no chão, esticando o braço para alcançar o envelope escondido embaixo.

Triunfante, puxou o prêmio de seu esconderijo, quase rasgando o envelope na pressa de verificar o conteúdo e – sim! Ele tinha encontrado!

Estava salvo.

Quase chorou de alívio. Apertou o envelope com força e respirou fundo, encostando a testa no chão, deixando o alívio tomar conta de si.

Click.

Igor ficou rígido onde estava, o alívio evaporando. Cego por sua iminente fuga, não notou quando alguém entrou no escritório até estar cercado, uma dúzia de armas apontadas diretamente para ele.

Ouviu o som suave de passos medidos, seguido pelo farfalhar de um movimento.

— Igor, Igor, Igor. — Um estalo de língua em tom de repreensão.

Tremendo, Igor virou a cabeça com relutância, já sabendo o que veria.

— Parece que encontrei o meu rato.

✦ ✦ ✦

O som abafado de passos e um leve balançar foram as primeiras coisas que registraram na mente de Won. Um pequeno sorriso apareceu em seu rosto. O balançar o lembrava da vez em que andou de barco quando era criança. Era uma lembrança feliz. Um beijo suave foi depositado em seus cabelos.

“Mãe…?”

Won abriu os olhos com dificuldade. Alguém estava ali, alguém familiar, mas por algum motivo ele não conseguia identificar quem era.

— Acordado?

A voz era calorosa. Won piscou devagar, incapaz de formar pensamentos claros. O movimento de balanço continuava, constante e rítmico, embalando-o por um tempo antes que ele conseguisse forçar os engrenagens de sua mente a funcionarem. As coisas simples vieram primeiro. Ele estava enrolado em um cobertor. Sua bochecha estava pressionada contra algo firme e agradavelmente quente.

Seus olhos subiram. E era Caesar. Era Caesar.

De repente, ele sentiu a realidade rasgar o véu de confusão, e se sacudiu, tentando se levantar, mas enrolado como estava, Won fez pouco mais do que se remexer levemente. O balanço parou e Caesar olhou para ele.

Vagamente, Won percebeu que estava sendo carregado.

— O que aconteceu…? Eu… você… por quê?

As perguntas surgiram cheias de urgência, mas a língua de Won parecia pesada, grande demais para sua boca, e ele só conseguiu articular algumas palavras emboladas. Ele não entendia. Era para ele… fazer… alguma coisa…

A confusão voltava, e ele franziu a testa, um som de frustração escapando com o esforço de tentar manter a consciência. O último resquício de lucidez se esvaiu, e os olhos de Won se fecharam mais uma vez.

Caesar olhou para o homem em seus braços com um leve sorriso no rosto.

— Dorme um pouco, pequeno advogado. Agora você está seguro.

Won não queria dormir, no entanto. Sentia-se inquieto e fora de controle, mal conseguia se agarrar aos fiapos de consciência que lhe restavam. Mas aquilo teria que bastar.

— Eu… consigo… sozinho…

Caesar emitiu um murmúrio distraído e continuou andando, obviamente sem ouvir. Won estava sendo tratado como uma criança, e o pior era que ele não podia fazer nada a respeito. Falar já era quase mais do que ele conseguia. Forçou um de seus dedos a se mover e o único resultado foi um leve tremor.

Redirecionou sua energia para falar.

— O-o-onde…

— Meu quarto.

O esforço para manter os olhos abertos foi demais, e Won os deixou fechar.

— Eu… eu me sinto estranho… — ele sussurrou.

— Você vai se sentir assim por alguns dias. Só descanse.

Algo na forma casual com que Caesar o dispensou o incomodou, encheu-o de ressentimento, amargura…

Estava amargo… amargo demais…

O chá! Tinha algo no chá. E ele o bebeu e—

Usando cada grama de força que ainda tinha, Won agarrou o ombro de Caesar.

— O mordomo-ele-ele me deu chá…

— Deu sim. — Caesar sorriu, removendo gentilmente a mão de Won.

— Está tudo resolvido. Os documentos estão a salvo, exatamente onde deveriam estar. Agora dorme.

O rosto que olhava para ele era reconfortante, o sorriso suave; ainda assim, algo ameaçador se escondia ali, logo abaixo da superfície. Won podia sentir, e lutava para entender o porquê, formar pensamentos coerentes era como correr em areia movediça.

“Ele deu,” e a falta de reação de Caesar se repetia em sua mente até que…

— Você… — murmurou Won, fraco — Você sabia?

A única resposta foi mais um sorriso.

O sangue de Won gelou, a verdade se instalando em seu peito como um peso, esvaziando seus pulmões, paralisando sua língua.

Caesar sabia. Ele sabia de tudo. Mais que saber, Caesar havia planejado tudo, usou Won como isca para atrair o rato em seu meio, sem se importar com as consequências ou danos colaterais, porque Caesar conseguiu o que queria.

Ele usou Won, e ainda sorria.

E Won estava com raiva. Raiva de Caesar, raiva da maldita máfia, raiva do mordomo traidor.

Mas mais que tudo, o que mais odiava, era a si mesmo.

Porque Won também sabia, não sabia? Ele sempre soube quem Caesar era, chegou a testemunhar o total desprezo do homem pela vida humana. Viu Caesar apontar uma arma para a cabeça de uma criança, teve que convencê-lo a não cometer um assassinato em plena luz do dia… e mesmo assim Won ficou.

Para Caesar, as pessoas não passavam de peças num tabuleiro de xadrez, peões que ele podia mover e manipular como quisesse. Won sabia, mas nunca foi com ele, então ele ficou e foi usado como todos os outros.

E Won não tinha ninguém a quem culpar além de si mesmo.

Tomado por esse sentimento, Won reuniu forças para empurrar o peito de Caesar, precisando de algum modo extravasar toda a culpa, a raiva e o autodesprezo. A próxima coisa que soube foi que estava deitado, os olhos arregalados fitando Caesar, apenas vagamente consciente de que havia sido deixado cair. Nem sentiu nada; só ouviu Caesar exclamar surpreso e, em seguida, o som alto de seu corpo batendo contra o chão.

E de novo, era tudo culpa dele.

Won cerrou os dentes enquanto tentava se levantar trêmulo. Ele estava farto de ser o idiota.

— Ei! O que deu em você?

Caesar tentou pegá-lo de novo, mas Won afastou suas mãos e tudo começou a girar, a vertigem o fazendo cambalear para trás.

Caesar correu para segurá-lo. Devia tê-lo alcançado dessa vez, mas Won estava tonto demais para perceber mais do que a respiração ofegante em seu ouvido e a mão que sustentava sua cabeça. Eventualmente, a pulsação em sua cabeça diminuiu o suficiente para que ele notasse o calor contra sua bochecha. Era o peito de Caesar, os braços dele ao redor de Won, segurando-o apertado. Havia uma sensação de pulsar debaixo do calor, e Won percebeu que era o coração de Caesar, batendo em um ritmo frenético.

Won mordeu o lábio, tentando inutilmente escapar do abraço.

— Me solta.

— Não. Sério, o que deu em você?

O tom irritado cortou a dor latejante na cabeça de Won. Por mais tonto que estivesse, sua frustração era maior. Mas é claro, o todo-poderoso Czar podia fazer o que bem entendesse, sem se importar com o mundo ao seu redor. Por que Won sequer achou que Caesar o escutaria? Caesar nem fazia ideia do motivo da raiva de Won em primeiro lugar, nunca entenderia, não importava o que ele dissesse. Então por que escutaria um pedido simples para deixá-lo em paz?

Pressionando com mais força contra o peito de Caesar, Won conseguiu se desvencilhar do abraço dele, e não se importou nem um pouco com o olhar devastado no rosto de Caesar enquanto se afastava trôpego, a pura raiva mantendo-o de pé enquanto as pernas ameaçavam ceder. Se estabilizando, Won endireitou os ombros e virou de costas, apenas para Caesar correr até ele quando cambaleou perigosamente no primeiro passo. Won soltou um som alto de indignação, lançando um olhar furioso a Caesar, desafiando-o a tentar tocá-lo de novo.

— Eu tô-bem — rosnou Won

— Você mal consegue ficar de pé!

Won se irritou, afastando as mãos de Caesar novamente ao se endireitar.

— “Mal” não é “não consigo”. — Seus olhos se estreitaram, a voz fria — Você conseguiu o que queria; eu cumpri meu papel. Não finja que se importa–que se importa com o que acontece agora.

Caesar ficou rígido, mas Won estava decidido. Lançou um último olhar fulminante ao homem ao seu lado antes de desviar o olhar e começar a andar.

Caesar ficou um minuto boquiaberto, encarando as costas de Won enquanto ele se afastava teimosamente, antes de se lembrar de como se fala.

— Não foi–Você era apenas a solução mais eficaz!

— Claro. — Won zombou, parando para lançar um olhar de desprezo por sobre o ombro. — Somos todos apenas–apenas peões no seu joguinho de xadrez, não é?

Caesar ficou sem palavras mais uma vez, e Won virou para frente, esperando o pior da tontura passar antes de começar a caminhar de novo.

Mas a vertigem era pequena perto da dor de seus próprios pensamentos. O gosto amargo subiu à sua garganta ao lembrar que tudo era culpa sua. Caesar era um canalha, sim, mas Won era tão culpado quanto ele por ter se deixado iludir pela fachada bonita. Não havia nada redimível em Caesar. Ele foi um tolo. Pensar nisso fazia Won querer arrancar a própria pele.

Respirou fundo, empurrando o auto ódio para o fundo da mente para lidar com ele depois. Primeiro, precisava ir embora.

Ele mal havia dado um passo quando ouviu uma correria atrás de si, e só teve tempo de ver um lampejo de pele pálida antes de um braço envolver sua cintura com firmeza, puxando-o de volta contra o peito de Caesar.

— Você não é.

A voz era baixa, áspera. Won sentiu a cabeça de Caesar cair sobre seu ombro, outro braço cruzando seu peito para segurá-lo mais apertado.

— Você não é só uma peça num jogo.

“Você, não. Nunca você.” Mas o restante da confissão ficou preso na garganta de Caesar, recusando-se a sair.

Lábios se moveram contra a pele de Won, respirações irregulares passando por seu pescoço, as palavras escondidas por um gemido vazio, trêmulo e carregado.

Won mordeu o lábio, desviando o olhar com hesitação. Caesar levantou a cabeça, pura devastação em seus olhos cinzentos.

Won sustentou o olhar de Caesar, sua consciência oscilando. Tentou se agarrar a ela o máximo que pôde.

Caesar abriu a boca, o início de um som escapando de sua garganta.

Então foi interrompido, Caesar fechando a boca, mordendo o interior do lábio. Parecia estar lutando contra algo, algo profundo dentro de si que se recusava a sair do esconderijo. Parecia estar com dor.

Como se ele fosse o envenenado e usado, como um tolo.

Won quase riu com desprezo.

Ele avisou para não jogar jogos perigosos.

A última coisa que Won lembrou foi um suspiro agudo antes que tudo escurecesse.

✦ ✦ ✦

Caesar fitou seu pequeno advogado, o peito sob os cobertores subindo e descendo no ritmo constante do sono. Ele era tão bonito que Caesar não resistiu em estender a mão para afastar alguns fios rebeldes de cabelo que haviam caído sobre seus olhos, o que imediatamente fez uma pequena carranca se formar no rosto de Won.

Caesar sorriu de forma irônica, rejeitado até mesmo durante o sono.

Uma batida soou na porta, seguida por uma voz do outro lado:

— Czar — tenho algo a relatar.

Caesar apenas lançou um olhar para a porta antes de voltar sua atenção a Won.

Como não houve resposta, a voz hesitou, então perguntou:

— Permissão para entrar, Czar?

Caesar fez uma careta e soltou um suspiro aborrecido.

— Espere aí — chamou, afastando o cabelo de Won mais uma vez antes de, contrariado, retirar a mão e marchar até a porta.

— O que foi? — Caesar perguntou friamente assim que saiu.

O homem fez uma reverência.

— Tudo foi resolvido, Czar, exatamente como pediu. Como devemos nos livrar do

corpo?

— Tyutchev merece um presente agradável — respondeu Caesar com uma indiferença lânguida. — Mande um pedaço para ele e todos os seus amiguinhos. Inclua um cartão com cada um.

— Qual deve ser a mensagem, Czar?

Caesar fitou o horizonte, a expressão endurecida.

— Encontrei algo seu. Achei que fosse querer de volta.

— Sim, Czar. O homem se curvou novamente e sumiu de vista.

A máscara impassível permaneceu no rosto de Caesar até ele voltar para o outro lado da porta. Um sorriso caloroso tomou seu lugar assim que seus olhos pousaram em seu pequeno advogado, profundamente adormecido.

✦ ✦ ✦

Won acordou na manhã seguinte com uma batida na porta. Seu corpo parecia pesado e ele ainda estava atordoado pelo sono quando a porta se abriu suavemente momentos depois, revelando um homem desconhecido que fez uma reverência.

— Bom dia, senhor. Vim buscá-lo para o café da manhã. Há roupas para você no banheiro à sua direita. Pode descer quando estiver pronto.

O homem desapareceu antes que Won pudesse fazer mais do que piscar confuso algumas vezes. Lentamente, ele se sentou e observou o ambiente. O quarto não era nenhum dos que ele conhecia. Era igualmente ornamentado e decorado com luxo, certamente, mas este era cerca de duas vezes maior que os quartos de hóspedes que usara antes e, se possível, ainda mais ostentoso. Tudo era dourado e antigo. Havia até um dossel muito elegante sobre a cama que Won suspeitava ser feito de seda pura. Ele se perguntou se Caesar escolhera a decoração pessoalmente.

Essa linha de pensamento trouxe memórias do dia anterior à tona, e ele fez uma careta, irritado consigo mesmo por ter sido enganado tão facilmente. Nem sequer passara por sua cabeça desconfiar. Olhando para trás agora, era óbvio que o mordomo estivera tramando algo – até uma criança não teria sido tão cega.

“Merda.” Won passou a mão com raiva pelo cabelo, xingando sua própria idiotice. Ele estava hospedado na casa de Caesar.

“Pelo amor de Deus que tipo de idiota baixa a guarda dentro da casa de um chefão da máfia?” Ele, aparentemente.

Pior, ele fora drogado e seu corpo nem sequer teve a decência de deixá-lo desacordado. Não, todas as memórias de ser carregado, tropeçar, falar enrolado e cada outra coisa humilhante que fizera na frente de Caesar estavam cristalinas.

Won socou a cama e tudo que aconteceu foi um pequeno baque, e a pequena marca que fez no edredom lentamente se preencheu e desapareceu. Sabotado por sua própria cama. A humanidade.

Um gemido de sofrimento escapou dele. Ele jogou as cobertas para trás e marchou até o banheiro, avistando suas roupas, lavadas e cuidadosamente arrumadas em um dos balcões. Lembrou-se que Igor costumava ser quem lavava e preparava suas roupas, então o estranho mais cedo era um novo mordomo…? Ele se perguntou o que acontecera com o antigo.

Seus pensamentos continuaram nessa linha enquanto tomava banho. “O que Igor estivera fazendo? Há quanto tempo Caesar estava desconfiado? E, aliás, como Caesar ousou usá-lo assim?” Won podia sentir-se ficando mais irritado a cada segundo.

Ele saiu do chuveiro, esfregando furiosamente o cabelo com uma toalha, remoendo tudo que acontecera. O que realmente o enfurecia era o fato de que ele nem sequer tinha direito de estar bravo, porque era tudo culpa sua por ser tão confiante e ingênuo.

Won soltou outro som de desdém. “Deus, eu sou um idiota.”

E com esse pensamento assombrando sua mente, ele desceu até a sala de jantar, parecendo prestes a assassinar a próxima pessoa que falasse com ele.

Ele passou pela porta e foi saudado por cabelos loiros prateados assim que entrou. Caesar imediatamente virou-se para olhá-lo por cima do ombro.

— Bom dia — disse ele agradavelmente. — Dormiu bem?

Caesar pode ter pensado que era discreto, mas Won captou aquele lampejo de insegurança antes que fosse enterrado sob a postura educada habitual de Caesar. Ele fungou e desviou o olhar, deixando óbvio que ainda estava bravo e não tinha desejo algum de ser gentil e ter uma conversinha agradável durante o café da manhã.

Pela primeira vez, Caesar não pressionou o assunto e deixou Won sentar-se à mesa e ser servido pelo novo mordomo em silêncio. Ainda curioso, Won escaneou a sala procurando por Igor e, como esperado, não o encontrou.

Caesar observou-o enquanto o novo mordomo trazia uma cesta fresca de pão.

— Procurando algo?

O olhar de Won saltou para o homem à sua frente, puro ódio em seus olhos.

— O que aconteceu com o antigo mordomo?

— Ele foi dispensado — Caesar respondeu, quase rápido demais.

Won observou Caesar por um momento, arqueando uma sobrancelha.

— Dispensado — repetiu sem emoção. Caesar armara uma farsa elaborada e Won fora drogado com chá adulterado, tudo para o mordomo ser “dispensado”. Won não estava comprando.

Caesar sorriu com rigidez.

— Respirava alto demais. Começa a irritar.

Uma memória de Caesar algumas noites atrás veio à tona.

— Cortarei sua cabeça inútil do corpo enquanto dorme e me pouparei do incômodo.

Won recostou-se na cadeira, cruzando os braços.

— Não gosto de ficar no escuro. O que aconteceu com ele? Acho que tenho mais do que o direito de saber a verdade.

Caesar inclinou a cabeça, olhando para Won como se não soubesse do que ele estava falando.

— Pelo menos me diga o que ele estava tentando encontrar — Won insistiu. — Tinha a ver com o caso? Se sim, preciso saber – sou seu advogado.

Outro pensamento ocorreu-lhe subitamente.

— Tinha a ver com Zhdanov?

— Tinha… — Caesar respondeu cuidadosamente. Ele parecia evitar olhar diretamente para Won. — Não é nada com que precise se preocupar.

— Então pode esquecer de ganhar o julgamento — Won disse. — Não posso fazer nada se meus clientes estão escondendo coisas de mim. E, caso tenha esquecido, ainda represento o Sr. Kuznetsov, e o caso dele tem prioridade sobre o seu. No momento em que o trabalho que faço aqui afetar minha capacidade de representar o Sr. Kuznetsov, eu vou embora.

Com isso, um silêncio pesado caiu sobre a sala, os capangas de guarda nos cantos observando os dois homens com cautela.

Os olhos de Caesar percorreram Won, estudando-o, considerando como responder.

— Suponho — disse ele finalmente — que isso significa que você não precisará mais daquela testemunha que estava tão desesperado para eu encontrar.

— Como é?

— Bem, caso tenha esquecido — Caesar sorriu com arrogância — Zhdanov e Berdyaev estiveram envolvidos naquela propriedade.

A mente de Won trabalhava freneticamente, sua testa franzida em concentração enquanto revirava todas as conversas passadas. Caesar recostou-se, um sorriso extremamente satisfeito no rosto.

— Sabe, a pessoa misteriosa. Aquela que lhes emprestou um nome. Won inspirou bruscamente, seus olhos subitamente fixos em Caesar e brilhando com compreensão.

— Uma reunião pode ser arranjada — Caesar disse casualmente. — Se você quiser.

✦ ✦ ✦

Em um recanto isolado de uma vila tranquila, muito longe da agitação da cidade grande, havia uma casinha arrumada pertencente, até recentemente, a um casal simpático que procurava um refúgio aconchegante da vida urbana. Mas assim que o casal simpático se foi, chegaram os homens sérios de terno, agindo excessivamente zelosos em seus deveres de guarda para uma casa tão pequena em uma cidade tão insignificante.

Os moradores da vila os observavam cuidadosamente, compartilhando sussurros furtivos especulando quem havia se mudado para a casa. Ainda assim, nenhum deles jamais ousou se aproximar de nenhum dos homens e perguntar.

Eles não precisaram.

Eles podem não ter sabido precisamente quem, mas não havia dúvida de que era alguém da máfia. Ninguém diria em voz alta, mas todos sabiam. Então, eles se contentaram com suas fofocas e nunca se aproximaram da casa se pudessem evitar. A rota mais direta para qualquer um que fosse para a cidade durante o dia passava bem em frente à casa, e a estrada costumava ser bastante movimentada.

Todos agora davam uma volta enorme, desviando-se muito para pegar uma rota alternativa. Não que isso importasse muito para o novo proprietário – ele estava mais do que feliz com o silêncio.

Mikhail Lomonosov recostou-se na cadeira, deleitando-se com a quietude do campo. Ninguém o incomodava ali. As únicas pessoas que ele via eram seus guarda-costas.

Já fazia cerca de dois meses desde que ele escolhera convalescer na pequena casa e deixara a cidade. Sutis sinais de primavera começavam a aparecer, minúsculos pontos verdes emergindo de seus santuários enquanto o frio do inverno recuava.

Era lamentável que Mikhail não tivesse se recuperado o suficiente para emergir com eles. De certa forma, parecia natural. Ele havia vivido uma longa vida – a recuperação não viria tão facilmente. De outras formas, parecia injusto. Ele e Sasha haviam liderado seus sindicatos rivais em paralelo, ambos coincidentemente da mesma idade; no entanto, Mikhail sentia como se tivesse envelhecido dez vezes desde seu derrame, tornando-se frágil e desgastado enquanto Sasha mantinha seu vigor. Talvez essa fosse a consequência de passar a vida como ele passou. Sasha tinha pessoas para apoiá-lo, enquanto Mikhail estava sozinho.

Ele estava sozinho há muito tempo.

Velhas memórias de tempos há muito passados o dominaram, seus olhos ficando desfocados enquanto ele olhava para a distância. Ele não havia apreciado o que tinha. Como ele se arrependia disso agora.

Ele passou muito tempo perdido em memórias desvanecentes do passado. Um único carro surgiu em uma elevação, acelerando pela estrada que ninguém usava. Mikhail não estava preocupado, porém. Ele sabia que era Leo.

Leo fez uma profunda reverência ao entrar.

— Sr. Lomonosov, é bom vê-lo novamente. Espero que esteja bem.

Endireitando-se, ele notou o quão pálido Mikhail parecia e sentiu uma ponta de preocupação crescer em seu coração. Mikhail era jovem quando assumiu o Sindicato Lomonosov, apenas vinte e poucos anos. Mas décadas depois, com a saúde debilitada e possivelmente no fim de sua vida, ele não tinha família nem herdeiro. Seus subordinados haviam tentado, e Leo até ouviu falar uma vez sobre um casamento secreto, mas nenhuma mulher jamais apareceu na vida de Mikhail, e Leo duvidava que isso mudasse agora.

— Você tem se alimentado direito? — perguntou Leo, a preocupação clara em sua voz. — Você perdeu tanto peso. — Seu chefe parecia ter envelhecido uma década desde a última vez que o vira.

Mikhail ofereceu ao seu conselheiro um pequeno sorriso e um aceno em saudação.

— Estou muito bem. É gentil da sua parte se preocupar comigo.

Ele soava tão sereno como sempre, mas Leo não se confortou com isso. Sem Mikhail, a organização entraria em colapso. Ele tinha que sobreviver.

— Ainda não estou no meu leito de morte, Leo. Você não precisa me olhar assim.

— Ah – peço desculpas — disse Leo timidamente.

— Não importa. O que o traz aqui hoje? Vladimir fez algo horrível?

— Não, não, nada disso. — Leo rapidamente balançou a cabeça. — Vladimir está fazendo um trabalho louvável administrando as coisas.

Ele hesitou por um momento antes de acrescentar: — Ainda assim, todos nós estamos ansiosos pelo seu retorno, Vladimir incluído.

Mikhail assentiu e ofereceu a Leo outro pequeno sorriso.

Leo respirou fundo para se acalmar.

— Houve alguns… desenvolvimentos em sua ausência que sentimos que deveriam ser informados – atividade incomum do Sindicato Sergeyev. Parece que eles estão de olho nos bens de Berdyaev e já fizeram progressos significativos em sua tentativa de aquisição. Estamos monitorando a situação e interviremos quando necessário.

Mikhail endireitou-se abruptamente, assustando Leo, a fúria nos olhos do velho quase assustadora. Leo não pôde deixar de se maravilhar com a maneira como Mikhail, mesmo agora, podia comandar tanta autoridade.

— Quem é? Quem ousa invadir o que é nosso? É aquele garoto, o filho, não é?

— Sim, o Czar. — Leo apressou-se em acalmar seu chefe. — Garantiremos que ele aprenda a não interferir na primeira oportunidade.

— O Czar… — murmurou Mikhail, os olhos se estreitando em pensamento.

Caesar Sergeyev. O filho de Sasha era lindo, quase angelical. Mas ele era podre até a medula, um monstro em pele humana. Criado na máfia, Caesar era a mais pura personificação da crueldade fria do submundo. Ele provavelmente nem tinha coração.

Por outro lado, algum deles tinha? No final, eram todos monstros – havia realmente alguma maneira de medir quem era pior?

— Continue — disse Mikhail, afastando-se desses pensamentos.

— O mais preocupante é que ele planeja fazer isso pelos tribunais. Se ele estivesse usando métodos mais convencionais, o problema já estaria resolvido.

O tom de Leo ficou mais agitado.

— Como está, suas ações são uma afronta clara ao nome Lomonosov e o desrespeito é insustentável.

A expressão de Mikhail tornou-se severa, a testa franzida enquanto ele ponderava as notícias. O assassinato de Berdyaev já havia sido um desafio tácito à autoridade Lomonosov. Não havia dúvida sobre sua intenção, nem havia sido totalmente surpreendente. Isso, no entanto, um ato tão aberto de desafio, era algo completamente diferente.

Leo observou enquanto Mikhail agarrava sua cadeira, o insulto ao seu poder suficiente para galvanizar sua força.

— Isso é tudo o que sabemos até agora. — Leo produziu uma pasta de arquivo e entregou a Mikhail. — Não é muito… — ele parou quando Mikhail franziu a testa.

— E o resto? — exigiu Mikhail. Deveria haver muito mais do que alguns poucos papéis.

— Bem — começou Leo, parecendo desconfortável. — Essa é outra estranheza – os Sergeyevs contrataram um advogado desconhecido de fora do Sindicato e parece que ele está fazendo todo o trabalho preparatório nas instalações.

— Então pegue o advogado — disse Mikhail secamente.

Leo hesitou, depois pigarreou.

— É… as instalações… removê-lo exigiria infiltrar a residência pessoal do Czar…

— Que merda.

Leo estremeceu, ouvindo o fluxo de palavrões com a cabeça baixa. Ainda irritado, Mikhail folheou furiosamente o magro conteúdo da pasta, dando apenas uma olhada superficial, até que algo no final o fez parar.

Leo arriscou um olhar para cima.

— Ah! Sim, é ele o advogado escolhido a dedo pelo Czar. Finalmente o pegamos em um passeio há alguns dias.

Mikhail piscou, os olhos percorrendo a fotografia: dois homens em um balcão em uma livraria, provavelmente fazendo suas compras. O filho de Sasha, ele reconheceu – mas o segundo homem, o advogado, havia algo nele também – algo que Mikhail não se permitia acreditar.

— Seus traços são únicos — comentou ele blandamente, sem olhar para cima. — Ele é russo?

— Meio russo, meio coreano, aparentemente. Deixou a Coreia há sete anos e está aqui desde então. O nome dele é… Ch-J- — Leo fez uma careta e gesticulou para o arquivo. — Está escrito no perfil. É difícil de pronunciar… — Com um aceno de Mikhail, Leo abaixou a mão e virou para a página com o resumo sobre o advogado.

Os olhos de Mikhail percorreram lentamente a página, um contraste gritante com seus olhares desdenhosos anteriores.

— Uma pessoa bastante interessante — disse ele em voz baixa quando chegou ao final. — Ele é um advogado muito competente, pelo que podemos ver. Tenaz. Temos monitorado seus movimentos caso ele se torne um problema. Mikhail deu um murmúrio baixo de concordância, estudando o perfil mais de perto. Depois de um tempo, a pasta foi fechada e Mikhail olhou para cima.

— Acho que fiquei um pouco enjoado de olhar para árvores o dia todo. Já é hora de voltarmos, Leo, não concorda?

— Desculpe? — perguntou Leo, totalmente perplexo. — Voltar para onde… — Leo engasgou, a voz falhando quando Mikhail de repente se levantou de seu assento.

Umedecendo os lábios, Leo foi forçado a inclinar a cabeça para encontrar o olhar de Mikhail agora. O homem doente e fraco de alguns minutos antes havia sumido. Apesar das bochechas fundas e do palor geral, ali diante de Leo estava o Mikhail Lomonosov que ele conhecia, alto e orgulhoso, um rei entre os homens. Muitos o chamavam de Lyev – o Leão – e ninguém que o visse agora duvidaria do apelido.

— Voltar para casa, é claro.

Leo gaguejou, os olhos arregalados.

— Voltar para casa? Como assim, para o trabalho? Agora? Agora mesmo? — A esperança colorindo sua voz aumentava a cada pergunta. A resposta de Mikhail foi dar um passo trêmulo para frente, Leo imediatamente ao seu lado para o apoiar.

— Sr. Lomonosov! Tem certeza de que está pronto? Talvez um pouco mais de descanso…

Ele foi interrompido por uma mão gesticulando para algo do outro lado da sala. Relutantemente, Leo afastou os braços, deixando-os estendidos até o último segundo pronto para pegar Mikhail caso ele começasse a cambalear. Correndo, ele voltou com uma bengala.

Mikhail endireitou-se, agarrando o topo da bengala e aprumando os ombros.

— O jovem Sergeyev teve permissão para correr solto por tempo suficiente. É hora de colocá-lo em xeque.

Logo atrás dele, Leo olhou para seu chefe, um pequeno sorriso aparecendo em seu rosto enquanto um arrepio percorria seu corpo e a pele de galinha cobria seus braços. Este era o dia que ele tanto desejava, mas mal ousava esperar que algum dia chegasse.

— Sim, Sr. Lomonosov — disse ele, quase tremendo de excitação. — Vou preparar suas coisas.

O Lyev havia despertado de seu sono. Era hora do retorno do rei.

Continua…

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✦ Tradução, revisão e Raws: Belladonna

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Sinopse:
O advogado de direitos civis Lee Won atua na Rússia, defendendo clientes de baixa renda que não teriam acesso a um jurista. Um dia, ele visita o vereador Zhdanov para interceder por seu cliente Nikolai. Won desconhece que o político tem ligações com a máfia russa — até se deparar com César durante a reunião. E aquele homem de olhos prateados e cinzentos… era o mesmo com quem Won quase colidira na rua dias antes! Algo fora do comum está prestes a acontecer quando ele conhece César Aleksandrovich Sergeyev, o homem que em breve liderará um dos grupos mafiosos mais temidos do país.

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