Ler Roses And Champagne (Novel) – Capítulo 10 Online


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 Capítulo 10

Havia três pessoas na sala de jantar, mas tudo estava em silêncio, exceto pelo tilintar dos talheres e os passos suaves do mordomo enquanto recolhia os pratos usados. Won estava felizmente ocupado cortando o enorme bife à sua frente e não tinha a menor vontade de conversar com o mordomo ou com o homem do outro lado da mesa. Normalmente, ele hesitaria em comer um bife inteiro no café da manhã, mas não hoje. Mais uma vez, ele estava perplexo com o fato de que aquele bife pudesse ser tão delicioso, enquanto seus esforços do dia anterior tinham sido um desastre completo. Aquilo era divino.

Permitiu-se alguns minutos para saboreá-lo. Quando já estava na metade, sentiu-se mais disposto a conversar.

— E quanto à minha lambreta?

O copo de vinho na mão de Caesar parou antes de chegar aos seus lábios, e ele o colocou de volta sobre a mesa com languidez.

— Ela era bastante… especial. Duvido que exista outra igual.

Won podia sentir sua pressão arterial subindo novamente. Em vez de responder, voltou ao seu bife que era um uso muito melhor do seu tempo.

Caesar tomou mais alguns goles indolentes do vinho, mas é claro que o silêncio não duraria.

— O Bolshoi começou sua nova temporada. Poderíamos ir hoje à noite.

(Bolshoi = Um dos mais famosos Teatros de Balé e Ópera do mundo)

Os olhos de Won se voltaram para ele, mas ele não respondeu. Caesar acrescentou:

— É O Quebra-Nozes.

— E o que O Quebra-Nozes tem a ver com o caso? — Won perguntou em um tom monótono.

(O Quebra-Nozes = Famoso Balé em dois atos com música de Pyotr Ilyich Tchaikovsky)

— Nada. — Caesar sorriu com arrogância.

Won revirou os olhos e enfiou o último pedaço de bife na boca. Ele sabia que aquela interação terminaria exatamente como da primeira vez. Enxugando a boca, levantou-se para sair.

— Não é bom ficar trancado dentro de casa o tempo todo — Caesar comentou. Won deu-lhe um olhar vazio.

— Eu vim aqui para trabalhar, não para me divertir.

Começou a caminhar em direção à porta atrás de Caesar, mas no meio do caminho, a cesta de pães sobre a mesa chamou sua atenção. Sem perder o ritmo, pegou um pão grande e saiu.

Caesar o viu ir embora, seu sorriso habitual substituído por uma leve expressão de decepção.

Won percorreu os corredores em direção ao escritório, resmungando sobre o quão absurda era toda aquela situação. Embora não soubesse o que pensar de Caesar ou de suas intenções, sabia que não gostava das palhaçadas dele. Pedir beijos, destruir sua lambreta… Mas, acima de tudo, Won não conseguia entender por que Caesar – essencialmente o chefe do Sindicato Sergeyev – o trouxera para ali, para sua mansão, cheia de russos que mal disfarçavam o ódio por sua existência. A qualquer momento, um deles poderia decidir matá-lo, e seria o fim.

No mínimo, Won sabia que não podia confiar em nenhum deles, e especialmente não confiava em Caesar. Sua segurança e capacidade de ajudar Nikolai dependiam inteiramente do interesse contínuo de Caesar por ele. Ele precisava aproveitar ao máximo seu acesso a todas as informações no escritório o mais rápido possível e dar o fora dali.

Won arrancou um pedaço do pão, acelerando o passo enquanto seu fervor se renovava. Se ele realmente se concentrasse, poderia terminar tudo no escritório em alguns dias.

Mas ele deveria saber que nada sairia como planejado quando Caesar estivesse envolvido.

✦ ✦ ✦

Uma batida alta ecoou na porta.

Franzindo a testa, Won virou a cabeça, infeliz por ser interrompido. A porta se abriu um pouco, e uma dúzia de rosas apareceu, seguida por Caesar.

— Dizem que as rosas da manhã só florescem na presença da beleza.

Caesar parecia completamente sincero enquanto estendia o buquê com um sorriso. Era óbvio que ele esperava que Won apreciasse o gesto.

Em vez disso, Won olhou para as flores com desdém e voltou ao trabalho.

— Não gosta de rosas?

Won nem se deu ao trabalho de responder, mas sabia que não conseguiria fazer muito com Caesar ali.

Previsivelmente, Caesar continuou a conversa independentemente da participação de Won.

— Estranho… Elas me lembraram tanto de você. Até deixei os espinhos.

Won zombou, mas Caesar estalou os dedos:

— E acácias? São mais práticas do que—

Com um baque, Won fechou o processo que estava segurando e virou-se para encarar o intruso.

— O que você está fazendo aqui? Por que não está no trabalho? Simplesmente não está com vontade hoje? — ele provocou.

Em qualquer outro dia, Caesar já teria saído nessa hora.

Caesar encolheu os ombros e sentou-se no sofá.

— Posso trabalhar de casa.

Agora que Caesar estava sentado, Won sabia que nunca se livraria dele. Irritado, virou-se de volta e abriu o processo novamente com força. A propriedade em questão tinha uma história particularmente complicada, e isso estava dando dor de cabeça a Won. Ele tentou, mas com Caesar por perto, sua concentração estava arruinada.

— Onde estão os documentos que você me mostrou ontem?

Caesar sempre encontrava uma maneira de perturbá-lo. Sem dizer uma palavra ou sequer olhar para cima, Won esticou o braço na direção de Caesar e jogou os papéis em seu joelho sem cerimônia, para evitar mais comentários idiotas.

Assim que Won encontrou o ponto onde havia parado, Caesar interveio novamente.

— Trabalhar duro é, claro, admirável, mas equilíbrio é importante na vida.

Won conteve um suspiro.

Caesar não se abalou com a falta de reação.

— “Tu és Czar: vive só para ti. Na estrada livre anda, para onde te levar o espírito livre: Sempre os frutos dos amados pensamentos amadurecendo, nunca recompensa por nobre ação exigindo.”

Ele lançou um breve sorriso a Won.

— Pushkin. Um dos meus favoritos.

(Alexander Punshkin = Poeta Russo 1799-1837)

— Se quer recitar poesia, faça isso em outro lugar — Won falou entre dentes cerrados.

— Você vem comigo?

— O que você acha?

Caesar riu.

— Sério? Acho que seria bem divertido.

Dessa vez, Won não respondeu. Ele não tinha a intenção de dizer nada, mas Caesar era tão irritante que ele não conseguiu evitar. Ainda assim, por mais que tentasse se concentrar em encontrar um precedente legal que sabia ter visto antes, seu cérebro se recusava obstinadamente a focar em qualquer coisa que não fosse Caesar.

Tudo bem – talvez sua força de vontade fosse fraca, mas pelo menos ele tinha pura raiva para continuar.

Como se fosse combinado, Caesar decidiu que era um bom momento para começar a cantarolar.

Alto

Won respirou fundo, reforçando sua fachada de indiferença, porque estava prestes a explodir. Os papéis que dera a Caesar estavam sendo usados para acompanhar momentos dramáticos na “ária” dele, aparecendo e desaparecendo na periferia da visão de Won.

“Dobre uma única ponta, eu te desafio.”

Ele realmente esperava que Caesar o fizesse – bastava um único motivo para Won quebrar aquele nariz estúpido e todos os seus dedos.

Folheando os papéis com agressividade, Won ainda estava revirando documentos – sem absorver absolutamente nada – quando Caesar terminou sua “música” e colocou os papéis de lado, fixando Won com um olhar expectante.

Won podia sentir, mas se recusou a dar a Caesar um pingo de atenção.

Isso continuou por um tempo, até que Caesar, aparentemente, decidiu que era hora de mudar de tática.

De repente, pelo canto do olho, Won viu Caesar se inclinar para frente, mas então começou a se debater porque algo tocou sua cabeça.

— Que porra é essa?! — ele gritou, pulando e empurrando o objeto desconhecido.

Os dois homens congelaram instantaneamente, encarando-se em descrença, uma marca vermelha em forma de mão aparecendo na bochecha de Caesar.

Nenhum dos dois conseguiu fazer mais do que piscar por um bom tempo.

— Desculpa — Won ofereceu, sem convicção, percebendo que Caesar só o tocara com uma rosa. — Eu não quis te bater.

Querendo ou não, Won acabara de dar um tapa no rosto de Caesar, e isso parecia tê-lo deixado em estado de choque.

Ele não reconheceu o pedido de desculpas de Won. Won nem tinha certeza se ele ouvira.

Inquieto, Won fez a única coisa que conseguiu pensar para remediar a situação.

— Me bate — ele disse, erguendo o queixo e fechando os olhos.

Olho por olho, bochecha por bochecha. Era justo.

Banindo qualquer pensamento sobre os dedos longos e elegantes de Caesar e a força graciosa que exalavam, Won cerrou os punhos, preparando-se para o golpe que nunca veio.

Ele começou a ficar impaciente, desejando que Caesar simplesmente se apressasse e o fizesse para que pudessem encerrar aquilo.

Enquanto isso, Caesar estava fascinado pela visão diante dele. A maneira como os olhos de seu pequeno advogado se movia sob as pálpebras fechadas traía sua ansiedade, os cílios negros e delicados tremendo levemente.

Finalmente, ele se inclinou.

Em vez de ser golpeado, tudo que Won sentiu foi o toque passageiro de algo macio em seus lábios, e então, antes que pudesse reagir, seu lábio inferior foi puxado para a boca de Caesar enquanto ele ofegava.

E deu um tapa na outra bochecha de Caesar.

— Desde quando “me bate” inclui beijar?! — Won gritou enquanto se afastavam, Caesar segurando o rosto.

Mas Caesar parecia ter se recuperado do choque inicial, porque seu sorriso despreocupado voltara.

— Geralmente é isso que significa quando alguém fica bem na minha frente de olhos fechados.

Won estava furioso, mas Caesar apenas apontou para a bochecha e inclinou a cabeça.

— Isso significa que posso te beijar duas vezes, certo? — ele perguntou, descontraído.

Esqueça o papel, aquela era a única razão que Won precisava.

Com a intenção clara de quebrar o nariz de Caesar, Won partiu para cima, apenas para ser frustrado pelos reflexos rápidos de Caesar, que desviou e agarrou sua mão no ar, rindo alto enquanto Won esbarrava nele.

Won se debateu, franzindo o rosto para o captor, mas os olhos de Caesar desviaram para o punho de Won em sua mão — e ele roubou outro beijo antes que Won percebesse o que estava acontecendo.

— Vamos chamar isso de quitado, que tal? — Caesar murmurou ao se afastar, soltando a mão de Won.

Won cambaleou para trás, a mente girando, mesmo quando Caesar lhe lançou um sorriso caloroso e saiu. Caesar já estava longe quando Won voltou a si, xingando e chutando uma das pilhas de papel.

Olhando para a bagunça que fizera, Won soltou um gemido exasperado antes de se ajoelhar e recolher as páginas para colocá-las de volta no lugar. A sala podia parecer ridícula para pessoas como Caesar, mas havia um método na loucura de Won que precisava ser mantido. Quando tudo estava no lugar, Won se sentou e gemeu novamente, tentando assimilar o que acabara de acontecer.

Por algum motivo, a afirmação de Caesar de que estavam “quitados” soou vazia, não importa o quanto Won tentasse racionalizar. Won tinha sido o primeiro a bater. Estavam quites. Acabado. Mas algo naquela troca o perturbava, deixando seus nervos à flor da pele.

Distraidamente, passou a mão pela boca.

Ele ficou rígido, encarando sua mão enquanto a baixava. Com dedos trêmulos, tocou o lábio inferior, incapaz de desviar o olhar da outra mão.

Ainda estava quente.

Uma percepção distante do porquê passou por sua mente, e a sensação estranha em seu peito mudou, expandiu-se, transformou-se em algo mais.

Algo que ele não conseguia explicar.

✦ ✦ ✦

Won acordou com o som de passos apressados e teve um momento de pânico antes de lembrar que estava em um dos quartos de hóspedes de Caesar.

O espaço era previsivelmente luxuoso, com móveis antigos ornamentados combinados com porcelanas centenárias e pinturas a óleo famosas.

Todas essas eram coisas com as quais Won não poderia se importar menos. A cama, porém, era outra história.

Won nunca tinha dormido em algo assim em toda sua vida. Ele tinha quase certeza de que a frase “dormir numa nuvem” foi criada especificamente depois que alguém dormiu nesta cama, e de repente ele entendia por que pessoas ricas gostariam de tomar café da manhã na cama se fosse assim.

Apenas momentos depois de levantar-se, Won estava pronto para pular de volta debaixo das cobertas, mas resistiu ao impulso. Ele não podia se acostumar com aquilo, por mais que quisesse se entregar.

Mais passos ecoaram no corredor. Won lançou um último olhar nostálgico para a cama antes de se dirigir à janela, avistando o carro de Caesar esperando na entrada.

Aparentemente, Caesar iria trabalhar hoje.

Franzindo os olhos, algo despertou na mente de Won; com uma respiração ofegante, ele girou nos calcanhares e saiu correndo para se vestir.

✦ ✦ ✦

Caesar olhou para o céu antes de caminhar calmamente em direção ao seu carro, seus subordinados de terno, em ambos os lados, inclinando a cabeça quando ele passou.

Nuvens cinzentas e pesadas pendiam baixo no céu, flocos de neve caindo suavemente no chão, alguns encontrando abrigo no casaco de pele de Caesar.

O motorista abriu a porta do carro quando Caesar se aproximou, pequenas névoas se formando nos vidros devido ao frio.

Assim que Caesar se acomodou confortavelmente, o motorista entrou no banco da frente e ligou o carro.

Exatamente quando o motor ganhou vida, a porta oposta a Caesar se abriu e Won deslizou para o banco traseiro.

— Você pode me deixar no caminho — Won disse com frieza, deliberadamente sem olhar para Caesar.

Caesar arqueou uma sobrancelha, e mesmo sem olhar, Won podia sentir a pergunta no ar.

— Não estou fugindo — ele acrescentou. — Só preciso de alguns livros.

Nem Caesar nem o motorista se moveram.

— Bem? O que estamos esperando? Vamos — Won ordenou, como se não fosse o intruso no veículo de outra pessoa.

Caesar capturou o olhar do motorista no retrovisor, acenando com consentimento, e o carro engatou a marcha, deslizando pela entrada, seguido por uma fila de carros transportando os subordinados de Caesar.

✦ ✦ ✦

O carro entrou suavemente no fluxo de tráfego onde a entrada encontrava a rua principal, navegando pelas ruas da cidade com pequenos flocos de neve se acumulando na parte inferior do para-brisa.

Won observava atentamente as ruas e os prédios enquanto passavam, notando que haveria trânsito naquela área mais adiante, naquela hora da manhã.

Conferindo duas vezes que a estação de bonde mais próxima não estava longe, Won disse a Caesar:

— Pode me deixar aqui.

O motorista ficou tenso, olhando para Caesar em busca de instruções.

— Pra onde você vai? Podemos te levar até lá — disse Caesar.

— A livraria. Preciso de livros, lembra? — respondeu Won, com ironia.

— Tudo bem — posso pegar o bonde daqui. Com licença.

Won se inclinou para falar diretamente com o motorista.

— Desculpe, poderia parar por aqui? Agradeço.

O motorista parecia ligeiramente em pânico, mas sem nenhuma objeção de Caesar, teve que obedecer. Encostou ao lado da calçada, e Won saiu do carro, levantando a gola do casaco contra o frio.

Ele viu de relance os outros carros do Sindicato se alinhando atrás deles enquanto se virava em direção à estação de bonde, mas aquela estranha sensação que às vezes sentia percorreu a nuca, fazendo-o olhar para trás.

Franziu a testa, e realmente esperava ter contraído alguma condição ocular rara, porque, do contrário, Caesar havia saído do carro e estava bem atrás dele.

Claro, como Caesar saiu do carro, todos os homens dos outros carros fizeram o mesmo, correndo para perto do chefe, com transeuntes apavorados gritando e saltando para fora do caminho.

Encolhendo-se, Won fechou os olhos e gemeu antes de se virar e encarar o homem atrás dele, exigindo silenciosamente uma explicação com o olhar.

Mas tudo o que Caesar fez foi estender seu chapéu.

— Você não devia estar no frio com a cabeça descoberta; vai ficar doente.

Sua voz era baixa e sem emoção ao deslizar a ushanka sobre a cabeça de Won.

(Ushanka = Gorro com orelha para inverno russo)

O frio russo tornava um casaco grosso e um chapéu quente em necessidades, não em luxos opcionais. Era puro bom senso, e normalmente, Won também teria um chapéu. Mas ele sempre ia até a mansão de scooter, e um chapéu não caberia sob o capacete.

Won permitiu-se um breve momento de silêncio em homenagem ao seu amigo caído antes de voltar a olhar para Caesar. Caesar parecia observá-lo em busca de uma reação, e Won percebeu que sua cabeça estava de fato quente. A pele verdadeira era incrivelmente macia e leve, muito mais quente e confortável que qualquer um de seus próprios chapéus.

Se Caesar tivesse perguntado antes, Won teria recusado sem pensar duas vezes, mas agora que a ushanka estava bem ajustada em sua cabeça, Won não tinha vontade de tirá-la.

— Obrigado — disse, provocando um pequeno sorriso em Caesar.

— Vou devolver quando voltar.

Caesar estava prestes a voltar para seu carro de luxo confortável, raciocinou Won, então não era como se estivesse passando necessidade. Ainda assim…

Pequenos montes de neve haviam se acumulado nos ombros e no cabelo de Caesar, e aquilo o atingiu — Caesar havia compartilhado seu chapéu sem nenhuma hesitação — mesmo com o frio cortante no ar.

Aquela sensação estranha voltava a se formar no peito de Won enquanto ele olhava para Caesar, e houve um momento de quietude enquanto se encaravam. Uma mão elegante subiu até a bochecha de Won, um único dedo afastando suavemente uma gota de neve derretida.

Os sons da cidade voltaram à consciência de Won, lembrando-o de respirar, de que deveria seguir em frente.

— Onde fica a estação de bonde? — perguntou Caesar em voz baixa.

— Logo ali. — Won apontou vagamente, distraído.

— Obrigado pela carona.

Acenou levemente e seguiu em direção à estação.

Não demorou para perceber que algo não estava certo. O som de sapatos de couro marchando em sincronia vinha de algum lugar atrás dele.

Provavelmente eram apenas os capangas voltando para seus carros… Ele não deveria ser tão paranoico.

Mas os passos continuaram. Won mordeu a bochecha.

“Não, por favor.”

Ele não queria se virar e olhar porque tinha um pressentimento de que sabia exatamente o que veria. Mas a marcha ficava cada vez mais alta e, finalmente, em frente à estação, ele não pôde mais evitar. Com um suspiro resignado, virou a cabeça.

E claro, lá estava Caesar, uma dúzia de homens alinhados atrás dele, como uma espécie de mamãe pata peluda e seu bando ansioso de patinhos engravatados.

— O que você está fazendo? — exigiu, virando-se bruscamente para encará-los.

Caesar permaneceu onde estava, e seu bando parou atrás dele como uma onda congelada.

— Achei que poderíamos ir juntos — disse simplesmente, parecendo bastante satisfeito consigo mesmo.

A expressão de Won ficou neutra. Ele queria desesperadamente perguntar a Caesar que porra ele estava pensando, mas não queria ter essa conversa no meio da rua; e como não estava disposto a começar a repreender Caesar em público, o desprezo puro em seus olhos teria que bastar. Não era como se qualquer coisa que dissesse tivesse algum efeito, de qualquer forma. Se Caesar fosse o tipo de pessoa que respeita os limites dos outros, não teria seguido Won em primeiro lugar.

Acreditar que Caesar tinha sequer um osso altruísta no corpo era simplesmente ingênuo.

Lançando a Caesar um último olhar de ódio, Won entrou no bonde.

Seguido por Caesar.

Seguido por seu bando de capangas.

Era hora do rush e o bonde ficou de repente muito apertado. Won mordeu o canto do lábio para conter a irritação.

Ele devia saber que só iria piorar a partir dali.

Os capangas formaram uma barreira humana oval em torno de Caesar quando ele se aproximou para ficar ao lado de Won, encarando os outros passageiros com hostilidade, lançando olhares especialmente cruéis aos que estavam sentados. O zumbido de conversas e o som de algum estéreo foram diminuindo, depois desapareceram completamente, deixando um silêncio tenso.

De repente, um dos homens de Caesar anunciou que havia um assento disponível.

Caesar virou para olhar, e Won teve que revirar os olhos quando os capangas se abriram como o maldito Mar Vermelho diante de Moisés. Eles fizeram um caminho até um homem, de olhos arregalados de confusão e ainda definitivamente ocupando o assento. O homem procurou desesperadamente apoio ao redor, mas, sem encontrar nenhum, agarrou seus pertences ao peito e fugiu.

— Sente-se — disse Caesar a Won, com um movimento de cabeça. Era o que se consideraria um gesto educado – oferecer o assento ao companheiro primeiro. Mas Won sabia melhor; ele via através das pequenas encenações de Caesar tentando agir como cavalheiro. Porque, não importava o quanto Caesar quisesse fingir ser culto e refinado, ele não podia mudar a verdade. Mesmo os passageiros do bonde podiam ver isso, com todos os seus bajuladores sedentos para servi-lo. Independentemente da persona que afetasse, Caesar nunca seria nada além de um mafioso corrupto.

Won resmungou:

— Estou bem.

Claro, foi nesse momento que o bonde deu um solavanco violento.

Desprevenido, Won acabou pressionado contra o peito de Caesar – um braço quente e musculoso em volta de sua cintura o impediu de cair, enquanto Caesar se ajustava com facilidade para manter ambos estáveis.

Todos os homens de Caesar entraram em pânico, preocupados que seu precioso Czar tivesse se machucado. Gritos perguntando sobre o bem-estar de Caesar se misturaram com xingamentos e berros furiosos. Um chutou a cabine do motorista, provocando um grito e um fluxo de desculpas, enquanto todos os outros passageiros choravam e tentavam se afastar o máximo possível.

Assim que o bonde parou no próximo ponto, cada pessoa correu para as portas para escapar dos loucos com quem estavam presos; e logo, os únicos ocupantes do bonde eram Won, Caesar e os capangas. Até o motorista tentou fugir para a rua, apenas para ser arrastado de volta por alguns dos brutamontes.

— Então — começou Caesar suavemente.

Won estava franzindo a testa, olhando para o pobre motorista sendo agarrado, mas voltou o foco para Caesar e franziu ainda mais a testa. Caesar parecia absolutamente impassível diante do caos que havia causado, com seu sorriso usual adornando os lábios.

— Falta muito até a livraria?

Respirar fundo em vez de soltar o gemido miserável crescendo na garganta foi uma das coisas mais difíceis que Won já fez.

✦ ✦ ✦

Felizmente, a livraria ficava a apenas algumas paradas, e Won saltou do bonde, grato por aquele inferno particular ter acabado. Aparentemente, o motorista compartilhava do mesmo sentimento. Assim que o último bandido desceu, as portas se fecharam com força e o bonde desapareceu rua abaixo – a uma velocidade que Won nem tinha certeza se bondes deveriam alcançar.

Isso não fez Won se sentir melhor sobre sua tomada de decisão impulsiva, mas ele estava ali agora, então ele poderia muito bem pegar seus livros.

Essa livraria em particular era famosa por sua grande seleção e estava sempre movimentada. Mesmo tão cedo pela manhã, já havia um bom número de clientes lá dentro.

Won esperou um homem sair antes de entrar sorrateiramente pela porta e fazer uma linha reta para a seção de Direito e Referência Legal. Se fosse qualquer outro dia, Won provavelmente teria escolhido um romance ou um guia de hobbies e desfrutado de algumas horas de leitura tranquila em uma das poltronas macias espalhadas pela loja.

Infelizmente, não era qualquer outro dia, então Won foi direto folhear livros de direito para encontrar o que precisava. Depois de escolher alguns, Won escaneou a loja para descobrir para onde Caesar tinha ido. Logo, ele avistou uma fila de homens de terno preto e, com certeza, uma mecha de cabelo loiro platinado brilhou brevemente à vista atrás deles.

Won deu de ombros, contente em saber que Caesar não estava causando problemas, e começou a se dirigir aos caixas.

— Pequeno advogado.

Won estremeceu – a voz de Caesar estava muito alta para a livraria silenciosa – e, a contragosto, se virou.

Os longos passos de Caesar rapidamente diminuíram a distância entre eles. Aparentemente despreocupado com a expressão exasperada de Won, Caesar sorriu e prontamente estendeu um livro.

— Encontrei algo para você.

Won olhou para baixo e sentiu seu olho tremer.

Cozinhando para Dummies. (Cozinhando para Leigos)

— Não, obrigado — cortou ele, indo imediatamente para os caixas porque preferia não se lembrar de uma das experiências mais embaraçosas de sua vida, muito obrigado. Isso era passado; nenhum deles precisava mencionar o Incidente do Sanduíche nunca mais.

Mas, é claro, Caesar mencionou, porque achou tudo hilário.

Won nunca se livraria disso. Caesar provavelmente encontraria uma maneira de mencionar isso no epitáfio de Won e isso o assombraria para sempre, mesmo na vida após a morte.

Os passos de Won vacilaram. “Para sempre? Isso não está certo.”

— Posso ajudá-lo por aqui — chamou um caixa, tirando Won do transe, e ele se aproximou do balcão.

Won colocou seus livros no balcão, sacando 844 rublos de sua carteira enquanto o caixa começava a registrar suas compras.

Ele presumiu que estava livre, mas, abruptamente, algo pesado caiu em sua cabeça.

Ele estremeceu, inadvertidamente pegando a coisa antes que caísse no chão, narinas dilatando quando viu o que era.

— Vamos levar isso também — disse Caesar atrás dele.

Won bateu o maldito livro de receitas no balcão e virou a cabeça bruscamente para lançar um olhar fulminante para Caesar – que apenas inclinou a cabeça, o sorriso em seu rosto totalmente inocente.

— Eu te disse que não quero isso — rosnou Won.

— Oh, posso garantir que isso vai além de um querer — disse Caesar com absoluta sinceridade. — Isso é para garantir sua sobrevivência futura.

Won fez um som irritado no fundo da garganta.

— Eu tenho sobrevivido muito bem até agora — cortou ele.

— Você só tem uma vida, pequeno advogado, não pode salvar seu orgulho se estiver morto, não é?

— Eu não me importo. Devolva.

— Tem certeza? — perguntou Caesar. — Dei uma olhada rápida, e pareceu perfeito para alguém com seu nível de ineptidão.

— Sim, tenho certeza! Devolva-!

— Com licença, senhor — interrompeu o caixa, e Won enrijeceu, voltando-se timidamente para frente novamente. — Seu total é de 1.324 rublos. 1.324? Won inclinou a cabeça, certo de que deveria ser menos do que isso, mas pegou sua carteira novamente, apenas querendo que aquele dia de pesadelo acabasse.

(1.324 RUB ≈ 86,05 BRL // 1 RUB ≈ 0,065 BRL = Cotação 03/2026)

Enquanto o caixa preparava seu troco e o recibo, Won inclinou-se ligeiramente, espiando dentro de sua sacola de compras – e gemeu.

✦ ✦ ✦

Won percorreu uma rua lateral deserta, fumegando de raiva. “Aquele maldito livro de culinária não tinha nada que fazer entre minhas referências jurídicas – especialmente não por 480 rublos! Nem era tão grande assim! Cobrar esse preço é um verdadeiro assalto!”

Além do mais, ele nunca leria aquilo, então agora teria que carregar um peso de papel de 480 rublos sem motivo melhor do que o divertimento de Caesar.

Ele respirou fundo pelo nariz e soltou o ar lentamente pela boca, tentando acalmar seus nervos à flor da pele, quando uma voz surgiu atrás dele.

— Cerca de uma página por dia, eu diria, e você deixará de ser um perigo ambulante para a saúde.

A boca de Won se fechou com um estalo, e ele girou no lugar para encarar com fúria seu acompanhante indesejado que o seguia.

Caesar sorriu com indiferença.

— Morte por comida mal preparada seria um fim bastante indigno, não concorda?

“Vamos ver como você se sente sobre morte por capa dura, seu intrometido…” Won olhou para as bordas afiadas da capa dura do manual de culinária, imaginando quanta força seria necessária para causar um traumatismo craniano.

O pensamento foi interrompido pelo aparecimento de uma turba barulhenta de crianças, que se aglomeraram desordenadamente em volta dos dois, gritando e bloqueando a saída do beco. Suas roupas esfarrapadas e aparência suja deixavam claro que viviam nas ruas, e o pequeno bando obviamente os escolhera como seus próximos alvos – provavelmente achando que um estrangeiro e um russo rico seriam ingênuos o suficiente para cair em seu golpe de esmola ou furto.

Uma delas se aproximou e se agachou diante de Won, oferecendo-se para engraxar seus sapatos. Won estava prestes a mandar o garoto embora e fazer todos irem quando percebeu um movimento pelo canto do olho e deu um suspiro ofegante.

Em vez de repreender a criança que se aproximava, Caesar agarrou-a sem cerimônia pelo colarinho e a arremessou. Desnutrida e viciada em drogas, o corpo frágil da criança voou muito mais longe do que deveria; e a Beretta de Caesar já estava fora do coldre no peito e apontada para a testa de outro garoto antes mesmo do primeiro atingir o chão.

As outras crianças gritaram e fugiram, deixando Won parado de olhos arregalados, enquanto a apenas alguns metros, Caesar mantinha uma criança sob a mira de sua arma.

A adrenalina dominou seus sentidos e suas mãos começaram a tremer. “Este é o homem que o provocava com sanduíches e tentou presentear-lhe com um buquê. Esse mesmo homem estava prestes a assassinar um ser humano a sangue frio, com a mesma expressão que tinha ao saborear vinho em um restaurante chique.”

“Como você pode simplesmente acabar com a vida de alguém assim?” A respiração de Won ficou presa em sua garganta; um peso esmagador comprimia seus pulmões e sombras invadiam sua visão periférica.

O clique da segurança da Beretta sendo desengatada ecoou.

— PARE!

Won pulou à frente da criança, braços abertos, e Caesar ergueu o braço, o disparo ecoando no ar uma fração de segundo depois. Tanto Won quanto a criança se encolheram, o estampido ensurdecedor da pistola reverberando em seus ouvidos.

Com a testa franzida, Caesar perguntou sem emoção:

— O que você estava pensando, pulando na frente de uma arma carregada?

— Eu?! — Won gritou, ainda segurando uma das orelhas. — Você estava prestes a atirar em uma criança!

Caesar estudou seu rosto por um momento antes de dizer simplesmente:

— Ela me tocou.

— E daí?! Uma criança te toca e você simplesmente a mata? O que há de errado com você?!

Caesar apenas pareceu confuso.

— Não faço ideia do que você quer dizer. Eu apenas fiz o que era necessário.

— Era necessário colocar uma bala na cabeça de uma criança?! Como você pode justificar isso?!

— Um inimigo é um inimig, não importa a idade — Caesar respondeu, voz fria.

A mente de Won travou, completamente surpresa. Por profissão, advogados precisavam ser articulados, mas, pela primeira vez na vida, Won ficou sem palavras.

— Se você terminou — Caesar disse secamente, contornando Won e erguendo sua pistola mais uma vez.

Won não teve tempo para tomar uma decisão consciente. Ele girou, empurrando a criança para trás de si e fora da linha de visão de Caesar. Ele olhou para trás para dizer à criança para correr, mas o pobre coitado tremia tanto que mal conseguia ficar em pé; e suas calças sujas ficaram ainda mais manchadas quando percebeu Won olhando e urinou nas calças.

Won mordeu o lábio com força e voltou a cabeça.

— Se você quer tanto atirar em alguém, atire em mim.

— O quê? — Caesar perguntou, franzindo a testa.

— Está surdo? — Won zombou, encarando Caesar nos olhos. — Eu disse, se você está decidido a assassinar essa criança em plena luz do dia, terá que passar por mim primeiro! Pela sua lógica, eu sou muito mais merecedor, eu desonrei seu precioso rosto duas vezes, não foi? Então o que está esperando?! Vamos, atire logo!

Caesar o encarou fixamente, o cano da Beretta a centímetros do peito de Won. Era impossível errar a queima-roupa, mas Caesar teve a sensação de que Won não estava blefando.

Segundos tensos se transformaram em minutos, o silêncio tão sufocante que apenas o sussurro suave da neve caindo ousava se fazer ouvir.

O impasse parecia interminável – até que, finalmente, Caesar cedeu, abaixando o braço.

Com um suspiro ofegante, a criança saiu em disparada. Won a observou até que estivesse bem longe e fora de vista antes de olhar para trás, captando um vislumbre da Beretta seguramente guardada no coldre quando o casaco de Caesar se acomodou novamente.

Ele sentiu uma onda de tensão deixar seu corpo, mas foi rapidamente substituída pela raiva. Ele queria gritar, e berrar, e exigir que Caesar se explicasse. Antes que pudesse dizer uma palavra, no entanto, Caesar pareceu notar algo e passou por ele. Won entrou em pânico por um momento, achando que Caesar iria perseguir a criança, mas tudo o que ele fez foi se inclinar e pegar algo semi-enterrado na neve.

Eram os livros de Won.

Caesar voltou, oferecendo a sacola de papel, tirando pedaços de neve residual.

— Não podemos deixar você esquecer isso — ele disse despreocupadamente. — Um deles é para te salvar de uma morte certa, sabe.

Won piscou, a mudança abrupta no comportamento de Caesar era tão severa que ia além de sua capacidade de compreensão. Seus olhos percorreram o rosto de Caesar, incapaz de reconciliar o Caesar que conhecia – aquele que provocava, instigava, ria e resgatava livros da neve – com o homem que minutos antes apontara uma arma para ele, pronto para assassinar uma criança inocente e sem-teto.

A única razão pela qual Won tinha certeza de que não alucinara tudo era o cheiro de pólvora ainda pairando no ar. Nada parecia real.

— Isso… isso não significou nada para você – não é? — Won perguntou, sua voz soando distante até para seus próprios ouvidos.

Caesar inclinou a cabeça.

— O que não?

— Você… você estava prestes a colocar uma bala no crânio de uma criança, e você não sentiu nada! É isso! Como você pode agir como se não fosse nada?! Como- como você pode até mesmo estar na máfia, como você pode simplesmente fazer isso- e depois voltar, como se nada tivesse acontecido?! Você apontou uma arma para uma criança, e vem até mim-

Sua voz quebrou e se perdeu. Caesar olhou para ele, tão impassível como sempre, apenas um traço de incompreensão manchando sua perpétua equanimidade.

Assim como o pânico e a raiva, a agitação de Won escoou de seu corpo, deixando-o vazio e sozinho. Não importava o que ele dissesse, Caesar nunca entenderia.

Won sabia que as crianças estavam tentando enganá-los; sabia que suas ações não eram desprovidas de motivos ocultos, mas o que Caesar fez foi inaceitável. Ninguém merecia morrer por implorar para sobreviver, especialmente não uma criança.

O grupo de homens de Caesar finalmente se aproximou, com muito medo de intervir antes, e ainda muito receosos para quebrar o silêncio agora.

O toque de um celular o fez por eles, o som estridente e excessivamente alto antes que a chamada fosse atendida. Uma conversa quieta ocorreu, então um dos homens se aproximou e inclinou a cabeça em deferência.

— Seu carro está aqui, se preferir, Czar.

Caesar acenou com a cabeça, olhando por cima do ombro para os carros parados nas proximidades.

— Vamos? — ele perguntou, estendendo um braço para Won. — Você não tinha mais nada para resolver, não é?

Os olhos de Won pularam para o braço de Caesar e voltaram.

— Não. Não tenho. E não preciso de carona.

Quando a única reação de Caesar foi um ligeiro franzir de testa, Won já tinha tido o suficiente.

— Foi difícil demais para você entender? Eu vou voltar sozinho! Sozinho!

Ele arrancou a sacola de livros da mão de Caesar e saiu com passos pesados na direção oposta.

Caesar não tentou detê-lo, mas Won podia sentir seus olhos sobre ele. Ele não se deu ao trabalho de olhar para trás. Não havia sentido.

Uma rajada de vento fez Won levar a mão à cabeça para evitar que seu chapéu voasse… o ushanka que Caesar lhe dera. O chapéu que Caesar colocou em sua cabeça com suas próprias mãos. Uma das mãos que desembainhou uma arma, dedo pronto no gatilho, preparado para…

(Ushanka = Gorro com orelha para inverno russo)

“Eu fui tão cego.” Won sempre soubera exatamente com quem estava lidando, mas nunca permitira que visse. Ele nunca olhara mais fundo, apenas vira o que Caesar lhe mostrava, inexplicavelmente acreditando que Caesar poderia ser melhor.

A neve se acumulava nas ruas enquanto Won se arrastava cada vez mais para longe, desejando que o abismo que repentinamente surgira entre o Caesar que conhecia e ele mesmo fosse tão real quanto parecia em sua mente.

Já estava escuro quando Won voltou, subindo a longa entrada e atravessando o jardim dianteiro até a mansão.

Caesar observou de seu posto na janela do andar superior, esperando até que o homem que enviara para seguir Won surgisse das sombras no jardim para desviar o olhar.

Alguns minutos depois, uma batida veio à porta.

— Nada fora do comum, Czar. Ele apenas voltou a pé.

Caesar deu um pequeno aceno. O homem inclinou a cabeça e desapareceu tão rápido quanto chegara.

Caesar deu uma longa tragada em seu charuto, a fumaça encorpada se acumulando em sua língua, mas sem fazer nada para acalmar sua mente.

“O que eu fiz de errado?” A questão se contorceu e cavou em seu cérebro, uma dor aguda que se recusava a diminuir porque, não importa o quanto ele procurasse, cutucasse e rasgasse, a resposta se recusava a vir. Problemas precisavam ser eliminados. Era assim que o mundo funcionava. Então por que seu pequeno advogado ficara tão perturbado? Idade não tinha nada a ver com isso.

Ele deu outra tragada no charuto, sentindo a questão se aprofundar cada vez mais.

 

 

 

Continua…

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✦ Tradução, revisão e Raws: Belladonna

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Sinopse:
O advogado de direitos civis Lee Won atua na Rússia, defendendo clientes de baixa renda que não teriam acesso a um jurista. Um dia, ele visita o vereador Zhdanov para interceder por seu cliente Nikolai. Won desconhece que o político tem ligações com a máfia russa — até se deparar com César durante a reunião. E aquele homem de olhos prateados e cinzentos… era o mesmo com quem Won quase colidira na rua dias antes! Algo fora do comum está prestes a acontecer quando ele conhece César Aleksandrovich Sergeyev, o homem que em breve liderará um dos grupos mafiosos mais temidos do país.

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